21/02 às 10:30
Economia
Os mercados globais, que haviam reagido positivamente à decisão da Suprema Corte dos EUA de invalidar a maior parte das tarifas globais impostas por Donald Trump, agora enfrentam nova incerteza. A Suprema Corte, por 6 votos a 3, considerou que a Lei de Poderes Econômicos Internacionais de Emergência (IEEPA) de 1977 não concede ao presidente autoridade para impor tarifas generalizadas, exigindo autorização clara do Congresso para tais medidas. Esta anulação inicial, a primeira limitação direta do poder de Trump pela Suprema Corte desde seu retorno à Casa Branca, trouxe alívio para investidores, com bolsas europeias fechando majoritariamente em alta. No entanto, Trump anunciou e formalizou uma nova tarifa global de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato, assinando um decreto no Salão Oval e divulgando a informação em sua plataforma Truth Social. A medida, que será aplicada globalmente, baseia-se na Seção 122 do Trade Act de 1974, e o presidente iniciará investigações sob a Seção 301. A Casa Branca publicou uma ordem executiva encerrando parte do tarifaço anterior de Trump. Apesar do novo anúncio, os ativos de risco continuaram subindo, pois as novas tarifas são temporárias e as investigações levam tempo, sinalizando uma possível recalibração da política tarifária. As tarifas sobre aço e alumínio, incluindo produtos brasileiros, não foram afetadas, pois foram aplicadas sob outra lei. Trump criticou a decisão da Corte, chamando-a de "vergonhosa" e "terrível", e afirmou que usará outros métodos legais para impor tarifas. A decisão da Suprema Corte foi amplamente celebrada por milhares de empresas americanas que foram afetadas pelas tarifas, abrindo caminho para reembolsos que totalizam mais de US$ 170 bilhões. O podcast 'O Assunto' analisou os impactos econômicos e políticos da decisão com Mauricio Moura. No Brasil, a decisão da Suprema Corte dos EUA teve um impacto direto nos mercados, impulsionando o Ibovespa a um novo recorde. O índice fechou em alta de 1,06%, atingindo 190.534,42 pontos, e a máxima histórica de 190.726,78 pontos, sua sétima alta consecutiva na semana encurtada pelo Carnaval. Na semana, a bolsa brasileira subiu 2,18%, acumulando uma alta de 18,25% em 2026. As taxas dos DIs fecharam em baixa, refletindo a busca global por ativos de maior risco, que também levou à queda do dólar comercial em 0,98% para R$ 5,176, o menor nível desde maio de 2024. O euro comercial também recuou, fechando a R$ 6,09, o menor nível em quase um ano. Ações brasileiras de peso, como Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e os grandes bancos (BBAS3, BBDC4, ITUB4, SANB11), registraram fortes altas em São Paulo, com mineradoras e bancos liderando os ganhos na B3. O vice-presidente Geraldo Alckmin celebrou a decisão judicial, classificando-a como "muito importante para o Brasil", e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, corroborou essa visão, afirmando que o Brasil agiu de forma impecável após o "tarifaço" e que a decisão da Justiça americana favorece os países afetados. Alckmin também afirmou que o Brasil manterá a competitividade com a nova tarifa global de 10% dos EUA, pois ela se aplica a todos os países exportadores, não gerando desvantagem comparativa. A decisão judicial anulou parte do "tarifaço" que impunha alíquotas de até 50% sobre produtos brasileiros, o que pode beneficiar setores como máquinas, madeira, café solúvel, uva e frutas.
21/02 às 08:46
Política
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que está avaliando a possibilidade de um ataque militar limitado ao Irã nos próximos dias, com o objetivo de forçar um acordo sobre seu programa nuclear. A declaração foi feita a repórteres na Casa Branca em 20 de fevereiro, onde Trump reiterou que o propósito é pressionar Teerã a negociar. Ele também deu um ultimato de 10 a 15 dias para que o Irã chegue a um "acordo significativo", alertando que "coisas muito ruins" acontecerão caso não haja negociação. Em uma nova declaração, Trump afirmou que sua ameaça de bombardeio fez o regime iraniano desistir de enforcar 873 manifestantes, reforçando a percepção de que a pressão militar está sendo utilizada como ferramenta de negociação e influência. Segundo o The Wall Street Journal, essa operação de menor escala visa evitar uma ofensiva ampla e reduzir o risco de retaliação iraniana, focando em alvos militares ou governamentais para acelerar as negociações e potencialmente impor um tratado mais favorável aos EUA. Trump prefere ataques cirúrgicos, citando a operação que capturou Nicolás Maduro como exemplo, mas a falta de um objetivo claro pode levar o Irã a considerar a ofensiva uma ameaça existencial. Em resposta à pressão, o ministro das Relações Exteriores do Irã anunciou que uma contraproposta nuclear estará pronta nos próximos dias, após negociações com os EUA. O ministro iraniano Abbas Araqchi e enviados dos EUA chegaram a um entendimento sobre "princípios orientadores", embora um acordo não seja iminente. Essa movimentação ocorre em meio a um cenário de escalada, onde Trump diferenciou o povo iraniano da liderança e alegou que suas ameaças impediram enforcamentos em massa, citando números não verificados de mortes em protestos. O grupo HRANA, por sua vez, registrou 7.114 mortes confirmadas e outras 11.700 em análise relacionadas a direitos humanos no Irã, destacando a repressão interna. Os EUA e o Irã concluíram uma segunda rodada de diálogo na Suíça sem avanços aparentes, e Trump exige que o Irã desmantele seu programa nuclear e cesse apoio a grupos aliados na região.
