Lula defendeu moedas locais, paz na América do Sul e reforma da ONU, enquanto Brasil e Índia assinaram acordos de cooperação em tecnologia, saúde e defesa, visando expandir o comércio bilateral para US$ 30 bilhões.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita à Índia, defendeu o uso de moedas locais para o comércio entre os países do Brics, questionando a necessidade do dólar como moeda principal nas transações internacionais. Ele ressaltou a importância de nações como Brasil e Índia utilizarem suas próprias moedas em negociações comerciais, buscando ampliar o volume comercial bilateral, mas negou que haja um debate dentro do Brics para a criação de uma moeda única do bloco. Lula também reafirmou o compromisso do Brasil com a manutenção da América do Sul como zona de paz e defendeu o fortalecimento da relação do Mercosul com o Sul Global para evitar futuras "guerras frias".
Durante sua visita, Lula também enfatizou a necessidade de a Organização das Nações Unidas (ONU) ser mais representativa e ter força para intervir em conflitos globais. Ele reafirmou a busca por mais de 20 anos pela participação permanente do Brasil e da Índia no Conselho de Segurança da ONU. Lula e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi concordaram sobre a importância de reformas nas instituições internacionais para enfrentar os desafios atuais, celebrando os acordos como uma resposta ao unilateralismo e protecionismo comercial.
A visita resultou na assinatura de oito acordos bilaterais, incluindo memorandos de entendimento nas áreas de pesquisa, saúde, empreendedorismo, terras raras, minerais críticos, energias renováveis e tecnologia. No Fórum Empresarial Brasil-Índia, foram formalizadas parcerias estratégicas, como acordos da Embraer com o Grupo Adani e a Mahindra para produção de aeronaves comerciais e de defesa na Índia, com transferência de tecnologia. Brasil e Índia também firmaram uma Parceria Digital para cooperação em inteligência artificial, computação de alto desempenho e startups de base tecnológica, além de um acordo para Micro, Pequenas e Médias Empresas. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) para a produção nacional de medicamentos oncológicos no SUS, com investimento de até R$ 722 milhões no primeiro ano.
O comércio bilateral entre Brasil e Índia atingiu US$ 15 bilhões em 2025, com meta de US$ 20 bilhões em poucos anos e US$ 30 bilhões até 2030. Lula defendeu a ampliação do Acordo de Comércio Preferencial Mercosul-Índia para um futuro acordo de livre comércio, visando um intercâmbio comercial ainda maior. A Índia busca diversificar seus fornecedores de minerais estratégicos, dos quais o Brasil detém a segunda maior reserva global. Lula ressaltou a defesa do multilateralismo, da paz e a luta contra a fome, pobreza e degradação ambiental, participando da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial em Nova Déli.
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