O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025, atingindo R$ 12,63 trilhões, impulsionado principalmente pela agropecuária, que avançou 11,7%. Apesar de ser o quinto ano consecutivo de crescimento e registrar a menor taxa de desemprego histórica (5,6%), a percepção da população foi de perda de poder de compra devido à inflação e ao alto endividamento. Para 2026, a projeção é de um crescimento semelhante de 2,3%, com uma aceleração inicial no primeiro trimestre, mas com a agropecuária perdendo parte de seu ímpeto.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é o indicador que representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país. Em 2025, a economia brasileira registrou um crescimento de 2,3% em comparação com 2024, de acordo com os dados oficiais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este resultado marcou o quinto ano consecutivo de crescimento, embora com uma desaceleração no ritmo nos últimos meses do ano, com o quarto trimestre crescendo 0,1% em relação ao terceiro. O PIB em valores correntes atingiu R$ 12,63 trilhões, e o PIB per capita alcançou R$ 59.182, ambos recordes históricos. A agropecuária foi o setor de maior destaque, com crescimento de 11,7%, impulsionando significativamente o resultado geral. Apesar do crescimento macroeconômico e da menor taxa de desemprego da história (5,6% na média anual), com rendimento real recorde de R$ 3.560, a percepção geral dos brasileiros foi de perda de poder de compra e dificuldade em equilibrar as contas, devido à inflação e ao alto endividamento.
Para 2026, a Secretaria de Política Econômica (SPE) projeta um crescimento do PIB de 2,3%, o mesmo ritmo de alta verificado em 2025. A SPE prevê uma "aceleração acentuada" do PIB no primeiro trimestre de 2026, com um ritmo próximo a 1%, impulsionada principalmente pelo aumento da renda disponível devido à ampliação da isenção do Imposto de Renda. No entanto, espera-se uma desaceleração gradual da atividade após esse período, com a dissipação dos efeitos das políticas públicas sendo parcialmente compensada por uma redução no custo do crédito.
Após um avanço de 3,4% em 2024, o crescimento do PIB brasileiro em 2025, embora positivo, mostrou uma perda de fôlego. A economista Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre, apontou que o ano de 2025 foi marcado por um forte aperto monetário e pela imposição de tarifas comerciais ao Brasil. O consumo das famílias, que representa mais de 60% da atividade econômica pelo lado da demanda, cresceu 1,5%, um ritmo bem menor do que no ano anterior (5,1%), refletindo um descompasso entre renda e gastos. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que indica o nível de investimento, expandiu 3,6%. As exportações avançaram 6,2%, e as importações, 5,1%. A taxa de investimento da economia foi de 17,1%, a maior em três anos. Apesar da pressão restritiva, 2025 encerrou com a menor taxa de desemprego já registrada, segundo o IBGE, atingindo 5,6% na média anual, com o rendimento real recorde de R$ 3.560.
O crescimento econômico em 2025 não foi homogêneo. A agropecuária avançou 11,7%, sendo o melhor desempenho entre os setores, impulsionando as exportações e compensando parte da perda de dinamismo em áreas mais dependentes do mercado interno. A indústria avançou 1,4% e os serviços, 1,8%. O forte crescimento do agro foi puxado por uma combinação de colheitas recordes, especialmente de soja e milho, além de um bom desempenho da pecuária, que também bateu marcas históricas, tornando o Brasil o maior produtor mundial de carne bovina pela primeira vez. A força do campo e as exportações (principalmente de produtos agropecuários e petróleo) foram menos sensíveis aos juros elevados. Em contraste, áreas como a construção civil e parte da indústria, que dependem de crédito, enfrentaram maiores dificuldades. Setores como tecnologia e finanças contrataram mais, enquanto o mercado de trabalho, embora aquecido nas estatísticas, apresentou realidades muito diferentes na prática, com parte do baixo desemprego ligada ao envelhecimento da população e à expansão do trabalho por aplicativos. Os investimentos, embora tenham avançado, foram impulsionados em parte pela importação pontual de plataformas de petróleo, não indicando necessariamente uma ampliação generalizada da capacidade produtiva das empresas. A produtividade da economia brasileira caiu em relação ao ano anterior e segue abaixo do nível recorde de 2013, indicando que a economia ficou “menos eficiente”.
O crescimento da agropecuária em 2025 representou uma recuperação significativa em relação a 2024, quando o setor recuou devido a problemas climáticos. Em 2025, a ausência de problemas climáticos relevantes, custos de produção menores e ganhos de produtividade favoreceram uma safra recorde de grãos, totalizando 350,2 milhões de toneladas, com destaque para o milho (crescimento de 23,6%) e a soja (alta de 14,6%). As exportações de soja atingiram um recorde de 108,2 milhões de toneladas, impulsionadas pela demanda chinesa e pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, que redirecionou as compras chinesas para o Brasil. A pecuária também registrou recordes, com exportações de carne bovina de 3,50 milhões de toneladas (alta de 20,9% em relação a 2024) e abate de 42,3 milhões de cabeças de gado.
O aumento da taxa Selic para 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, atuou como um freio na economia, afetando principalmente a compra de bens duráveis e outros setores que dependem de crédito. A inflação, medida pelo IPCA, fechou em 4,26% em 2025, o melhor resultado desde 2018, mas continuou a corroer o poder de compra, especialmente para famílias de menor renda e nos itens essenciais. O endividamento também contribuiu para limitar o consumo das famílias, com 73,5 milhões de consumidores negativados em dezembro, quase 45% da população adulta, sendo o cartão de crédito um dos principais vilões devido às taxas de juros elevadas.
Após um ano impulsionado principalmente pelas exportações e por um mercado de trabalho ainda resistente, 2026 deve marcar uma desaceleração. A expectativa é de crescimento semelhante ao de 2025, ou até um pouco menor. A principal mudança esperada é no campo: a agropecuária, que teve desempenho excepcional em 2025 e ajudou a sustentar o PIB, não deve repetir o mesmo ritmo, o que pode levar a uma perda de fôlego nas exportações. O FGV Ibre projeta uma leve queda de 0,2% para o setor, indicando um cenário de estabilidade, mas não de motor de crescimento como em 2025. A pecuária, por exemplo, deve entrar em um momento de redução do número de abates, com produtores retendo mais fêmeas. As colheitas de grãos também devem desacelerar, com a produção de soja crescendo apenas 3,9% e a de milho caindo 5,6% em 2026, segundo o Ibre. Por outro lado, Luiz Fernando Roque, especialista de grãos da Hedgepoint, projeta que o agro aumentará sua participação no PIB, com exportações de soja e milho continuando a crescer e batendo novos recordes, e estabilidade na produção de soja e maior oferta de milho devido a estoques iniciais. Há expectativas de algum estímulo vindo do mercado interno, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e os gastos públicos típicos de anos eleitorais. No entanto, o ambiente eleitoral também amplia as incertezas sobre o rumo das contas públicas, o que pode levar empresários a adiar investimentos. Mesmo que o Banco Central comece a reduzir os juros, o efeito não é imediato, levando tempo para que a queda chegue ao crédito e estimule novos projetos.
A Secretaria de Política Econômica (SPE) projeta um crescimento do PIB de 2,3% para o ano de 2026, o mesmo ritmo de 2025. A SPE antecipa uma "aceleração acentuada" do PIB no primeiro trimestre de 2026, com um crescimento próximo a 1%, impulsionado pelo aumento da renda disponível devido à ampliação da isenção do Imposto de Renda a trabalhadores. Após esse impulso inicial, a atividade econômica deve desacelerar gradualmente, com a dissipação dos efeitos das políticas públicas sendo parcialmente compensada por uma redução no custo do crédito.
Embora os indicadores macroeconômicos de 2025, como o crescimento do PIB, a menor taxa de desemprego e o rendimento real recorde, apontem para uma melhora da economia, a sensação de muitos brasileiros foi de perda de poder de compra e dificuldade em equilibrar as contas. A desaceleração do consumo das famílias, o impacto da inflação nos itens essenciais e o alto endividamento, especialmente com o cartão de crédito, contribuíram para essa percepção. Famílias de menor renda foram as mais afetadas pelo aumento de preços de itens básicos, enquanto o aumento dos juros limitou a compra de bens duráveis e o acesso ao crédito. Mesmo com a renda estável ou em crescimento, muitos precisaram controlar gastos, reduzir lazer, usar reservas antigas e parcelar compras para fazer o dinheiro durar até o fim do mês, evidenciando um descompasso entre os dados agregados e o cotidiano financeiro da população.