O número de navios petroleiros e outras embarcações comerciais abandonadas aumentou drasticamente, impactando milhares de marinheiros e expondo as complexidades das "frotas fantasmas" e sanções internacionais.
O abandono de navios comerciais, incluindo petroleiros, tem crescido exponencialmente, passando de 20 casos em 2016 para 410 em 2025, um aumento que impactou 6.223 marinheiros mercantes globalmente. Este cenário alarmante é impulsionado por uma combinação de instabilidade geopolítica, interrupções nas cadeias de suprimentos e a proliferação das chamadas "frotas fantasmas". Essas frotas são compostas por navios antigos, de propriedade obscura, que utilizam bandeiras de conveniência para operar e contornar sanções internacionais, como as aplicadas ao petróleo russo, exacerbando a irresponsabilidade e dificultando a responsabilização dos proprietários.
As consequências são severas para os marinheiros, que frequentemente se veem presos em condições desumanas, sem acesso a comida adequada ou salários, enquanto aguardam em águas internacionais. Organizações como a ITF têm atuado para garantir o pagamento de salários e o envio de suprimentos, recuperando milhões de dólares em atrasos. Especialistas defendem a necessidade de um "vínculo genuíno" entre os proprietários e as bandeiras sob as quais os navios navegam, visando combater a "abdicação de responsabilidade" dos Estados de bandeira de conveniência e proteger os direitos dos trabalhadores marítimos.