O Ibovespa atinge novo recorde, mas a incerteza global aumenta com Trump elevando a tarifa de importação para 15%, gerando reações cautelosas e discussões sobre retaliações de líderes globais, enquanto o Brasil busca diálogo.
Os mercados globais, que haviam reagido positivamente à decisão da Suprema Corte dos EUA de invalidar a maior parte das tarifas globais impostas por Donald Trump, agora enfrentam nova incerteza. A Suprema Corte, por 6 votos a 3, considerou que a Lei de Poderes Econômicos Internacionais de Emergência (IEEPA) de 1977 não concede ao presidente autoridade para impor tarifas generalizadas, exigindo autorização clara do Congresso para tais medidas. Esta anulação inicial trouxe alívio para investidores. No entanto, Trump rapidamente anunciou e formalizou uma nova tarifa global de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato, e, menos de 24 horas depois, elevou essa tarifa para 15% via Truth Social, justificando a medida como uma correção de "décadas de práticas comerciais injustas" e prometendo novas tarifas legalmente permitidas. Trump classificou a decisão da Corte como "vergonhosa", chamando os ministros da maioria de "antipatrióticos", e afirmou ter um "plano B" para manter as taxas sobre produtos importados.
Líderes globais reagiram com cautela ao anúncio de Trump. A União Europeia convocou uma reunião de emergência para discutir o impacto das novas tarifas e o futuro do acordo comercial com os EUA, com a Alemanha buscando uma resposta conjunta. França e a UE consideram usar mecanismos de retaliação, incluindo um pacote de tarifas sobre produtos americanos. O Reino Unido, Canadá e México expressaram preocupação, mas também a intenção de proteger seus interesses comerciais, com o Canadá citando a decisão da Suprema Corte contra tarifas. Países asiáticos como Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Indonésia avaliam o impacto das tarifas, com alguns mantendo acordos existentes e outros monitorando de perto os desdobramentos.
No Brasil, a decisão da Suprema Corte dos EUA teve um impacto direto nos mercados, impulsionando o Ibovespa a um novo recorde. O índice fechou em alta de 1,06%, atingindo 190.534,42 pontos, e a máxima histórica de 190.726,78 pontos. As taxas dos DIs fecharam em baixa, refletindo a busca global por ativos de maior risco, que também levou à queda do dólar comercial em 0,98% para R$ 5,176. O governo brasileiro, por sua vez, pretende manter o diálogo com os Estados Unidos, apesar do aumento das tarifas globais para 15%. Autoridades brasileiras argumentam que as tarifas são injustificadas, citando o superávit comercial dos EUA com o Brasil, e a equipe de Lula, em viagem oficial, ainda avalia o impacto da medida, com um encontro entre os presidentes previsto para março.
Trump utilizou a Seção 122 da IEEPA para impor a tarifa de 10%, que permite a medida por apenas 150 dias, a menos que prorrogada pelo parlamento. Ele também planeja usar a Seção 301 para investigar práticas comerciais desleais, buscando outras vias legais para suas políticas tarifárias. As novas tarifas de 15% serão implementadas com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite tarifas temporárias por 150 dias. Críticos alertam para o aumento de preços ao consumidor e impactos negativos na economia global, enquanto Trump defende o impulsionamento da indústria doméstica. O Brasil é um dos países investigados pelo USTR por supostas práticas comerciais abusivas, incluindo o Pix e o comércio na 25 de Março, além de questões como desmatamento ilegal e tarifas sobre o etanol.
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