Visão geral
As Eleições Brasileiras de 2026 elegem o presidente e o vice-presidente da República, os governadores e vice-governadores dos 26 estados e do Distrito Federal, 54 senadores (dois terços do Senado), os 513 deputados federais e os deputados estaduais e distritais. O primeiro turno foi realizado em 4 de outubro de 2026, e o segundo turno está marcado para 25 de outubro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca o quarto mandato: 47,03% dos votos válidos contra 45,16%, com 100% das urnas apuradas. As pesquisas da reta final mostravam Lula à frente no primeiro turno e empate técnico no segundo. Os dois voltam a se enfrentar em 25 de outubro.
O PL saiu das urnas com a maior bancada da Câmara e do Senado e elegeu cinco governadores no primeiro turno, mais que qualquer outro partido. Vinte estados definiram o governador em 4 de outubro; seis estados e o Distrito Federal vão ao segundo turno.
Resultado do primeiro turno
O resultado oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 100% das urnas apuradas em 5 de outubro de 2026, foi:
| Candidato | Partido | Votos | Votos válidos |
|---|---|---|---|
| Flávio Bolsonaro | PL | 56.104.503 | 47,03% |
| Luiz Inácio Lula da Silva | PT | 53.879.538 | 45,16% |
| Augusto Cury | Avante | 3.448.569 | 2,89% |
| Renan Santos | Missão | 2.675.887 | 2,24% |
| Ronaldo Caiado | PSD | 2.605.148 | 2,18% |
| Romeu Zema | Novo | 326.488 | 0,27% |
| Samara Martins | UP | 122.911 | 0,10% |
| Hertz Dias | PSTU | 43.103 | 0,04% |
| Clariana Barão | DC | 40.043 | 0,03% |
| Edmilson Costa | PCB | 22.693 | 0,02% |
| Wilson Grassi | Democrata | 16.881 | 0,01% |
| Rui Costa Pimenta | PCO | 15.024 | 0,01% |
Foram 119,3 milhões de votos válidos, 2,3 milhões de votos em branco (1,84%) e 3,67 milhões de votos nulos (2,93%). A abstenção chegou a 21,08% do eleitorado, ou 33,5 milhões de eleitores.
Flávio Bolsonaro venceu em 15 estados, concentrados no Sudeste, no Sul, no Centro-Oeste e em parte do Norte. Lula venceu em 12, entre eles todos os estados do Nordeste. Os 45,16% de Lula são o seu menor percentual de votos válidos num primeiro turno desde a eleição de 1998.
A imprensa internacional tratou o resultado como uma virada da direita e apontou o erro das pesquisas, que davam Lula como favorito. O presidente argentino, Javier Milei, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, saudaram o desempenho de Flávio. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que o governo americano acompanha a disputa. No mercado, o dólar abriu a segunda-feira, 5 de outubro, em queda de 4%, abaixo de R$ 5.
Segundo turno
O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula será em 25 de outubro de 2026, junto com a votação para governador em seis estados e no Distrito Federal.
Os candidatos eliminados se dividiram logo após a apuração. O PSD de Ronaldo Caiado anunciou neutralidade, e Augusto Cury, terceiro colocado, declarou que não apoiará nenhum dos dois finalistas. Renan Santos e Caiado também não declararam voto. O Partido Novo sinalizou apoio a Flávio, assim como União Brasil e PP. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), reeleito no primeiro turno, declarou apoio a Lula.
A campanha de Lula anunciou revisão de estratégia depois do resultado, com foco nos eleitores que se abstiveram, e o ministro da Secom afirmou que o presidente deve participar dos debates do segundo turno. O governador Tarcísio de Freitas, reeleito em São Paulo, já havia anunciado em setembro apoio a Flávio num eventual segundo turno.
Governadores eleitos
O primeiro turno elegeu 20 governadores, dos quais oito foram reeleitos. O PL elegeu cinco, e o PSD, quatro. A posse dos eleitos está prevista para 6 de janeiro de 2027, conforme a Emenda Constitucional 111, de 2021.
Eleitos no primeiro turno:
| Estado | Governador eleito | Partido |
|---|---|---|
| Alagoas | JHC | PSDB |
| Amapá | Dr. Furlan | PSD |
| Bahia | Jerônimo Rodrigues (reeleito) | PT |
| Ceará | Elmano de Freitas (reeleito) | PT |
| Goiás | Daniel Vilela | MDB |
| Maranhão | Eduardo Braide | PSD |
| Mato Grosso | Otaviano Pivetta | Republicanos |
| Mato Grosso do Sul | Eduardo Riedel (reeleito) | PP |
| Minas Gerais | Cleitinho | Republicanos |
| Pará | Dr. Daniel | Podemos |
| Paraíba | Lucas Ribeiro | PP |
| Paraná | Sergio Moro | PL |
| Pernambuco | Raquel Lyra (reeleita) | PSD |
| Piauí | Rafael Fonteles (reeleito) | PT |
| Rio Grande do Sul | Luciano Zucco | PL |
| Rondônia | Marcos Rogério | PL |
| Roraima | Arthur Henrique | PL |
| Santa Catarina | Jorginho Mello (reeleito) | PL |
| São Paulo | Tarcísio de Freitas (reeleito) | Republicanos |
| Sergipe | Fábio Mitidieri (reeleito) | PSD |
Raquel Lyra foi a única mulher eleita governadora no primeiro turno.
Disputas de segundo turno (25 de outubro):
- Acre: Mailza Assis (PP) x Alan Rick (Republicanos)
- Amazonas: Omar Aziz (PSD) x Professora Maria do Carmo (PL)
- Distrito Federal: Celina Leão (PP) x Leandro Grass (PT)
- Espírito Santo: Lorenzo Pazolini (Republicanos) x Ricardo Ferraço (MDB)
- Rio de Janeiro: Douglas Ruas (PL) x Eduardo Paes (PSD)
- Rio Grande do Norte: Allyson Bezerra (União) x Cadu de Lula (PT)
- Tocantins: Professora Dorinha (União) x Vicentinho Júnior (PP)
Senado e Câmara
O PL será a maior bancada do Senado a partir de fevereiro de 2027, com 28 senadores, quase o dobro dos 15 que tinha. O PT manteve nove cadeiras, e o MDB terá oito. Na Câmara, o PL passa de 98 para 121 deputados federais.
Entre os eleitos para o Senado estão Michelle Bolsonaro (DF), Carlos Bolsonaro (SC), Guilherme Derrite e André do Prado (SP), Arthur Lira (AL), Rui Costa e Jaques Wagner (BA) e Humberto Costa e Marília Arraes (PE). Renan Calheiros, Ciro Nogueira e Randolfe Rodrigues não se reelegeram. Deltan Dallagnol recebeu 2,9 milhões de votos no Paraná, mas a vaga segue incerta: o TSE havia suspendido sua campanha em setembro. O Senado terá 17 senadoras a partir de 2027, a maior bancada feminina da sua história.
A campanha de 2026
Convenções e chapas
O PL oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro em 25 de julho de 2026, em convenção com a presença de Javier Milei. Em 5 de agosto, Flávio anunciou o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice, numa chapa puro-sangue, depois que o PP vetou a senadora Tereza Cristina para a vaga e decidiu pela neutralidade. O PT oficializou a candidatura de Lula à reeleição em convenção no domingo, 2 de agosto, de novo com Geraldo Alckmin (PSB) como vice.
O PSD oficializou Ronaldo Caiado em 26 de julho. O Novo lançou Romeu Zema, com o senador Eduardo Girão como vice; o Avante lançou o escritor e psiquiatra Augusto Cury, com Júlio Delgado como vice; e o Missão lançou Renan Santos, ex-liderança do MBL, com o Coronel Medina. O MDB e o PP declararam neutralidade na disputa presidencial.
O TSE recebeu 20,5 mil pedidos de registro de candidatura para as eleições de 2026, 13 deles à Presidência. A Justiça Eleitoral rejeitou por unanimidade a candidatura de Pablo Marçal à Presidência e negou o registro de José Roberto Arruda ao governo do Distrito Federal.
Campanha oficial e debates
A campanha começou oficialmente em 16 de agosto de 2026. Lula lançou a candidatura à reeleição em São Bernardo do Campo (SP), e Flávio Bolsonaro fez seu primeiro ato em Copacabana, no Rio de Janeiro. O horário eleitoral gratuito estreou no fim de agosto com ataques entre as duas campanhas.
Lula e Flávio não participaram do primeiro debate presidencial, na Band, em 23 de agosto. O último debate antes do primeiro turno, marcado pela TV Globo para 1º de outubro, foi cancelado depois que Lula confirmou ausência e decisões do TSE e do STF mudaram as regras sobre púlpito vazio e a lista de participantes. Pela primeira vez em 20 anos, o primeiro turno terminou sem confronto direto entre os dois líderes das pesquisas.
Temas da reta final
A divulgação de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, abriu uma crise no STF no início de setembro e passou a dominar a campanha. Flávio Bolsonaro convocou atos no 7 de Setembro, acusou Lula de dividir poder com Moraes, e a campanha petista mudou de estratégia para se distanciar do ministro.
O reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado pelo governo antes da eleição, foi contestado na Justiça Eleitoral por adversários de Lula e aprovado por 64% dos eleitores, segundo o Datafolha. A disputa também foi marcada por ações no TSE sobre o uso de inteligência artificial, entre elas o vídeo de Jair Bolsonaro gerado por IA exibido na convenção do PL, e por ataques de Flávio às urnas eletrônicas, desmentidos pelo tribunal em julho.
Pesquisas da campanha
As pesquisas mostraram Lula à frente no primeiro turno durante toda a campanha, com vantagem que encolheu de agosto para outubro, e empate técnico no segundo turno a partir de setembro:
- Quaest, 14 de agosto: Lula 38%, Flávio 31% no primeiro turno.
- Datafolha, 21 de agosto: Lula 39%, Flávio 33%.
- Quaest, 7 de setembro: Lula e Flávio empatados com 41% no segundo turno.
- Quaest, 14 de setembro: Lula 36%, Flávio 31% no primeiro turno.
- Quaest, 28 de setembro: Lula 39%, Flávio 34% no primeiro turno; 42% a 42% no segundo.
- AtlasIntel, 29 de setembro: Flávio 47,7%, Lula 47,6% no segundo turno.
- Datafolha, 1º de outubro: Lula 48%, Flávio 45% no segundo turno; os dois com 45% de rejeição.
Prazos e desincompatibilização
A legislação eleitoral exige que ministros e demais ocupantes de cargos públicos que pretendam disputar as eleições deixem seus postos até seis meses antes do pleito, ou seja, até 4 de abril de 2026. Na prática, o governo trabalhou com 31 de março como data-limite para efetivar as trocas.
O prazo é também um marco político. Para Flávio Bolsonaro, o dia 5 de abril, prazo de desincompatibilização dos chefes do Poder Executivo, é o momento em que o cenário fica mais claro e permite uma leitura mais realista das opções disponíveis — razão pela qual, avaliou ele em 11 de fevereiro de 2026, ainda era cedo para cobrar decisões definitivas dos partidos, com o processo eleitoral seguindo dentro do esperado.
Corrida presidencial
Lula e a campanha pela reeleição
Em 23 de janeiro de 2026, o presidente Lula reafirmou sua intenção de viajar por todo o Brasil para promover seu governo e defender a democracia, destacando que a disputa eleitoral deve ser por projetos. Em 16 de agosto de 2026, ele lançou oficialmente sua campanha à reeleição em São Bernardo do Campo (SP), cidade que marca o início de sua trajetória sindical e política, em estratégia articulada pelo Partido dos Trabalhadores.
Em 19 de janeiro de 2026, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que a economia não será o fator decisivo para a vitória ou a derrota nas eleições de 2026, argumentando que o cenário político se tornou mais imprevisível e citando o exemplo do ex-presidente Bolsonaro para ilustrar a complexidade atual.
Um ponto de atenção para o Planalto é a alta desaprovação do governo Lula entre os jovens de 16 a 34 anos, um eleitorado que, apesar da insatisfação, ainda não encontrou uma alternativa clara na oposição, o que abre espaço para candidatos fora da polarização.
Flávio Bolsonaro e a pré-campanha do PL
Em 23 de janeiro de 2026, o senador Rogério Marinho (PL-RN) assumiu a coordenação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro ao Planalto. O PL busca uma estrutura mais profissional para 2026, visando evitar erros de campanhas anteriores do bolsonarismo: a prioridade inicial é montar a engrenagem da pré-campanha, incluindo equipes de comunicação, jurídica e de assessoria de imprensa. Um plano de governo está sendo elaborado há cerca de quatro meses e será submetido a Flávio Bolsonaro para validação. Marinho minimizou a ideia de que Tarcísio de Freitas represente um entrave ao projeto, afirmando a lealdade do governador ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a expectativa de que ele se integre à campanha no momento certo.
Flávio Bolsonaro tem aumentado sua exposição pública em programas de TV, podcasts e lives, além de conversas com interlocutores do mercado, para se apresentar como uma alternativa nacional e reduzir resistências fora do núcleo bolsonarista. A dinâmica com Tarcísio de Freitas — com Flávio defendendo o governador de pressões por apoio político e expressando confiança em sua lealdade, mesmo com a expectativa de aliados por um posicionamento mais incisivo — demonstra a complexidade das alianças e das expectativas dentro dos grupos políticos.
Em 11 de fevereiro de 2026, Flávio Bolsonaro afirmou que, nos últimos dois meses, as pesquisas já mostravam um crescimento de seus números em relação a Tarcísio de Freitas. No mesmo dia, comparou o presidente Lula a um "Opala velho, com câmbio manual, que já foi bonito, mas hoje não leva para lugar nenhum. E ainda bebe para caramba", classificando-o como um "produto vencido e ultrapassado". Ele também criticou a gestão econômica de Fernando Haddad, chamando-o de "melhor ministro da Fazenda do Paraguai" devido à política tributária que, segundo ele, tem afastado empresas do Brasil. Afirmou que a reforma tributária se tornou uma "bagunça" que prejudicará profissionais liberais e que seu futuro ministro da Fazenda "com certeza será muito melhor que Fernando Haddad", com a expectativa de superar o desempenho de Paulo Guedes.
O senador expressou confiança de que seu nome logo estará à frente nas pesquisas eleitorais, inclusive na Quaest, criticou a falta de "autocontenção" do Supremo Tribunal Federal e defendeu o diálogo entre os poderes, afirmando que a eleição de 2026 será sobre o caminho que o Brasil deseja seguir: "o caminho da prosperidade, que vamos propor, ou o caminho das trevas".
Ainda em 11 de fevereiro, Flávio expressou a convicção de que a "terceira via" o apoiará em um eventual segundo turno contra Lula, argumentando que a candidatura do PSD não deve ultrapassar a polarização entre bolsonarismo e petismo. Ele negou ter conversado com Romeu Zema sobre a vice-presidência ou sugerido Nikolas Ferreira para o governo de Minas Gerais, mas reconheceu a participação do deputado na definição do nome bolsonarista no estado.
Após a divulgação da pesquisa Quaest de janeiro, Flávio Bolsonaro contestou os resultados, afirmando que a vantagem de 13 pontos percentuais de Lula "ainda não reflete bem a realidade".
A viagem a Israel e ao Golfo
Em 27 de janeiro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) iniciou uma série de gestos políticos, diplomáticos e simbólicos em Israel, com o objetivo de reposicionar sua imagem para a pré-candidatura à Presidência. A viagem, articulada por seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), incluiu pedidos de apoio à candidatura, encontros com autoridades estrangeiras e rituais religiosos voltados a dialogar com a base conservadora.
Flávio desembarcou em Jerusalém em 19 de janeiro e discursou na Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo. Durante o evento, Eduardo Bolsonaro pediu apoio direto à pré-candidatura do irmão, afirmando que "Nós vamos derrotar eles (a esquerda e Lula). Meu irmão, senador Flávio Bolsonaro, vai concorrer à Presidência em outubro e eu peço que o apoiem. Meu pai poderia concorrer, mas está preso por lawfare". O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, citou Flávio nominalmente em um jantar de gala, saudando-o como interlocutor em temas de Estado. Paralelamente à agenda política, Flávio foi batizado no Rio Jordão, em um gesto que, segundo aliados, reforça sua identidade pública e sua conexão com o eleitorado cristão.
A agenda internacional se estendeu ao Bahrein (28 de janeiro a 2 de fevereiro) e aos Emirados Árabes Unidos (3 a 6 de fevereiro), com o intuito de ampliar o discurso de cooperação econômica e estratégica. Nos bastidores do PL, a viagem é vista como parte de um esforço de consolidação interna do nome de Flávio, embora ele ainda enfrente resistência de partidos do centrão e de lideranças regionais que não o veem como um nome unificador do campo conservador. Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha, expressou a expectativa de que esta seja a "última vez" que Flávio precise sair do país nessas circunstâncias, indicando que o partido busca estabilizar o cenário doméstico para concentrar o senador no tabuleiro nacional.
Resistência evangélica ao nome de Flávio
A candidatura de Flávio Bolsonaro enfrenta resistência entre evangélicos, que o consideram sem densidade política suficiente para liderar o campo conservador. Líderes como Silas Malafaia e Samuel Ferreira têm evitado endossar publicamente o senador, preferindo uma chapa com Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro, vista como eleitoralmente mais competitiva e capaz de mobilizar diferentes nichos.
Tarcísio de Freitas e o foco em São Paulo
Em 15 de janeiro de 2026, Tarcísio de Freitas reiterou seu apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência, afirmando que seu projeto político está focado em São Paulo e negando qualquer intenção prévia de disputar a Presidência da República.
Em 24 de janeiro de 2026, Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, defendeu a candidatura de Tarcísio à Presidência, destacando sua competência e seu perfil mais ao centro. Ele afirmou que o apoio da direita a Flávio Bolsonaro está dividido, mencionando Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO) e Ratinho Júnior (PSD-PR) como possíveis candidatos, e criticou duramente Eduardo Bolsonaro por ter se referido a Tarcísio como "apenas um servidor", classificando a fala como deselegante e arrogante. Tarcísio, por sua vez, negou ter sofrido pressão de Flávio Bolsonaro e atribuiu sua ausência em uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro a uma "razão pessoal", reafirmando que trabalharia pela candidatura de Flávio e reiterando seu foco na reeleição estadual.
Em 27 de janeiro de 2026, o governador afirmou que a candidatura de Flávio Bolsonaro está se consolidando rapidamente e que o candidato do bolsonarismo não deve mudar. Desmentiu notícias de atrito com o clã Bolsonaro, especialmente após o cancelamento de uma visita ao ex-presidente na Papuda, em Brasília, e informou que planejava visitá-lo na prisão em 29 de janeiro para demonstrar apoio e solidariedade. Criticou ainda o PT, afirmando que o país vive uma "falência moral" e que o projeto do partido está esgotado.
As mudanças no secretariado do governo de São Paulo visam liberar antecipadamente auxiliares que pretendem disputar as eleições de 2026, como Guilherme Derrite (Senado) e Valéria Bolsonaro (Assembleia Legislativa), e trazer novos nomes com foco exclusivo na gestão estadual. Gilberto Kassab, secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, é cotado para ser candidato a vice-governador na chapa de Tarcísio, embora o governador tenha afirmado que aguarda os próximos passos do dirigente partidário.
PSD: de Ratinho Jr. a Ronaldo Caiado
O PSD, sob a liderança de Gilberto Kassab, buscou inicialmente projetar nacionalmente o governador Ratinho Jr. para a disputa presidencial, mas essa ambição enfrentou obstáculos devido a alianças locais já consolidadas em seis estados, o que poderia forçar o partido a apoiar a reeleição de Lula ou outro candidato ao Planalto.
Em 28 de janeiro de 2026, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), um dos possíveis pré-candidatos à Presidência, declarou que o partido definiria seu candidato por diálogo, sem a realização de prévias. Leite afirmou que, naquele momento, a sigla contava com múltiplos candidatos — ele mesmo, Ronaldo Caiado (que se filiou ao PSD em 27 de janeiro) e Ratinho Jr. O PSD busca posicionar-se como uma alternativa de centro-direita para um cenário pós-bolsonarismo, apresentando uma direita reformista, democrática e liberal. Leite demonstrou respeito pela trajetória de Tarcísio de Freitas, mas pontuou que o governador de São Paulo vinha sinalizando o desejo de buscar a reeleição estadual.
A decisão de Caiado de deixar o União Brasil foi antecedida por conversas com o núcleo político do bolsonarismo, incluindo Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho. Nesses encontros, Caiado expôs seu incômodo com a situação no União Brasil e ouviu a defesa de uma estratégia nacional para 2026 baseada em mais de uma candidatura da direita no primeiro turno. A tese, defendida por Flávio e Marinho, é que múltiplas candidaturas de direita na largada permitiriam ocupar nichos distintos do eleitorado, testar lideranças e ampliar o espaço do campo conservador, com a promessa de convergência posterior contra o PT — estratégia comparada ao arranjo político observado na disputa chilena que levou José Antonio Kast à presidência. Caiado avaliava que o União Brasil não dava garantias de sustentação a um projeto nacional e que sua saída era uma forma de preservar protagonismo. Interlocutores do PSD, contudo, afirmam que o governador não recebeu garantias da candidatura e que o partido ainda testaria seus três nomes (Caiado, Ratinho Jr. e Eduardo Leite) para chegar a um acordo final.
Em 14 de março de 2026, Caiado oficializou sua filiação ao PSD com o objetivo de viabilizar sua candidatura à Presidência. A oficialização ocorreu em um ato de campanha regional em Jaraguá, Goiás, onde ele apresentou Daniel Vilela (MDB), seu atual vice, como candidato à sua sucessão no governo estadual. Em 30 de março de 2026, Caiado anunciou oficialmente sua candidatura à Presidência pelo PSD, após a desistência de Ratinho Júnior. O partido enxerga espaço político em meio à polarização entre Lula e Bolsonaro, apesar das baixas chances indicadas pelas pesquisas de opinião.
Em julho de 2026, Caiado intensificou as críticas à autonomia de Flávio Bolsonaro, após o senador ler uma carta de apoio do pai, Jair Bolsonaro. Em 11 de julho de 2026, questionou a estratégia política do adversário, argumentando que a necessidade de uma carta de apoio explicita uma fragilidade na campanha e que o eleitor busca um líder capaz de decidir sozinho em momentos críticos, sem precisar de validação constante.
Romeu Zema e a tese da direita fragmentada
Romeu Zema, governador de Minas Gerais, confirmou sua pré-candidatura à Presidência, com planos de se desincompatibilizar do cargo em março de 2026 para intensificar sua campanha. Zema argumenta que a multiplicidade de candidatos de direita, com nomes mais jovens, fortalece o campo conservador, e que mais candidaturas de direita no primeiro turno podem aumentar o volume de votos para a oposição. Ele garante apoio total a qualquer candidato de direita que avance para o segundo turno contra Lula.
Pesquisas de Avaliação Governamental Comparativa
Em 28 de janeiro de 2026, uma pesquisa PoderData revelou que 40% dos brasileiros consideram o governo Lula melhor que o do ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar da liderança, Lula está apenas 1% à frente de Bolsonaro, que obteve 39% de preferência. Esta é a primeira vez desde outubro de 2024 que o governo petista é mais bem avaliado, dentro da margem de erro, do que a gestão de Jair Bolsonaro, representando uma melhora de 9 pontos percentuais em relação à pesquisa realizada no mesmo período em 2025.
Entre os grupos que mais avaliam positivamente o governo Lula em comparação com o anterior, destacam-se as mulheres (42%), os jovens de 16 a 24 anos (55%) e a região Nordeste (47%). O levantamento PoderData entrevistou 2.500 pessoas em 111 municípios, entre 24 e 26 de janeiro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Quaest: a leitura de janeiro
A primeira pesquisa Quaest de 2026, divulgada em janeiro, reforçou a liderança de Lula em todos os cenários de primeiro e segundo turno, mas também apontou a consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro como segundo colocado e uma aproximação de Tarcísio de Freitas em um eventual segundo turno contra Lula.
O levantamento de 14 de janeiro de 2026 revelou que 54% dos entrevistados acreditam que Flávio Bolsonaro levará sua candidatura presidencial até o fim, enquanto 34% pensam que ele a usará para negociar. Além disso, 44% dos entrevistados consideram que o ex-presidente Jair Bolsonaro errou ao indicar o filho Flávio como candidato, contra 43% que acham que ele acertou. O governo Lula apresenta 49% de desaprovação e 47% de aprovação, conforme o mesmo levantamento. Em um cenário sem Tarcísio de Freitas, a pesquisa indica um crescimento de 5 pontos percentuais para Flávio Bolsonaro, o que aumenta a pressão sobre o presidente Lula no primeiro turno, sugerindo um possível teto para suas intenções de voto neste momento da corrida eleitoral.
A pesquisa Quaest de 15 de janeiro de 2026, realizada entre 8 e 11 de janeiro, reforça que Lula venceria em todos os cenários, com a menor diferença contra Tarcísio de Freitas no segundo turno (44% a 39%). Flávio Bolsonaro se consolida como segundo colocado em cenários de primeiro turno e mostra crescimento entre a direita não bolsonarista, alcançando quase 50% das intenções de voto nesse segmento em um cenário com todos os candidatos. A maioria dos eleitores (56%) acredita que Lula não merece um novo mandato, mas a polarização com a família Bolsonaro pode ser um fator favorável ao atual presidente.
Pesquisas Eleitorais
Em 29 de janeiro de 2026, a Paraná Pesquisas divulgou um levantamento indicando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera o primeiro turno em todos os cenários, mas empata tecnicamente com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em um eventual segundo turno.
Cenários de 1º Turno:
-
1º Cenário:
- Lula (PT): 39,8%
- Flávio Bolsonaro (PL): 33,1%
- Ratinho Junior (PSD): 6,5%
- Ronaldo Caiado (PSD): 3,7%
- Romeu Zema (Novo): 2,8%
- Renan Santos (Missão): 1,5%
- Aldo Rebelo (DC): 1,1%
- Não sabe / Não opinou: 4,7%
- Nenhum / Branco / Nulo: 6,8%
-
2º Cenário:
- Lula (PT): 40,7%
- Tarcísio de Freitas (Republicanos): 27,5%
- Ronaldo Caiado (PSD): 6,6%
- Romeu Zema (Novo): 4,4%
- Renan Santos (Missão): 2%
- Aldo Rebelo (DC): 1,4%
- Não sabe / Não opinou: 6,6%
- Nenhum / Branco / Nulo: 10,8%
Cenários de 2º Turno:
- Lula (PT): 44,8% vs. Flávio Bolsonaro (PL): 42,2% (empate técnico)
- Lula (PT): 43,9% vs. Tarcísio de Freitas (Republicanos): 42,5% (empate técnico)
- Ratinho Jr (PSD) é o único candidato que Lula derrotaria prontamente em um eventual 2º turno, segundo a pesquisa.
Dinâmica Legislativa em 2026
Em 30 de janeiro de 2026, a análise do programa "Mapa de Risco" do InfoMoney destacou que o calendário eleitoral de 2026 impõe um ritmo mais curto e intenso ao Congresso Nacional, concentrando as votações importantes no primeiro semestre. A partir de junho, deputados e senadores tendem a dedicar mais tempo às suas campanhas nos estados, o que aumenta a pressão para que projetos avancem rapidamente, muitas vezes guiados pelo impacto eleitoral em detrimento de avaliações estruturais. Segundo Paulo Gama, head de política da XP, o maior risco não é a paralisia, mas a tramitação acelerada de propostas com efeitos duradouros. Pautas populares, como medidas de redução do custo de vida, mudanças em benefícios sociais e propostas relacionadas à jornada de trabalho, são vistas como perigosas do ponto de vista macrofiscal em um ano eleitoral, pois encontram menos resistência política. A oposição, por sua vez, deve intensificar a pressão através de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e da retomada de temas sensíveis, especialmente ligados à segurança pública, buscando desgastar o governo. O governo Lula, nesse contexto, tenta equilibrar a aceleração de propostas que possam se tornar bandeiras eleitorais e a prevenção de decisões legislativas com impacto fiscal ou institucional negativo. O ritmo e o timing das decisões legislativas serão cruciais para a percepção de estabilidade política e econômica em 2026.
Estratégias de Campanha de Lula e Acenos ao Centrão
Em 5 de fevereiro de 2026, o presidente Lula recebeu deputados em um jantar com um claro clima de pré-campanha, utilizando músicas de Geraldo Vandré, como "Disparada" e "Para Não Dizer Que Não Falei Das Flores", para convidar ao apoio governamental. Lula reconheceu divergências com o Congresso Nacional em 2025, mas destacou o saldo positivo da relação e agradeceu o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), pelo apoio em matérias relevantes. Motta, por sua vez, elogiou o governo, e o líder do PP, Dr. Luizinho, presenteou o presidente com uma garrafa de uísque.
Durante o jantar, Lula afirmou: "Eu ainda não ganhei, mas vou ganhar essa eleição", citando como possíveis adversários os governadores Romeu Zema (Minas Gerais), Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), notavelmente omitindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o único pré-candidato oficial da oposição até então.
A aproximação de Lula com o Centrão e os elogios a Hugo Motta chamaram a atenção dos presentes, com o presidente adotando um tom pessoal e até "paternal" ao elogiar a atuação de Motta em um ano desafiador na Câmara. A avaliação é de que o Centrão está mais próximo do governo do que nunca, embora haja a percepção de que o "pressentimento de crescimento de Lula para as eleições deu uma freadinha" e que os interesses regionais moldarão grande parte do cenário. Um líder partidário ressaltou que as composições regionais podem minar a unidade do Centrão, e é nessa "não unidade" que Lula foca sua estratégia.
Dando continuidade ao planejamento eleitoral, aliados do presidente articulam o lançamento oficial de sua campanha à reeleição para o dia 16 de agosto de 2026, em São Bernardo do Campo (SP), local que simboliza o início de sua trajetória sindical e política.
Retorno de Figuras Políticas
Um fenômeno observado na preparação para as eleições de 2026 é o retorno de 'figurões' da política nacional, que, após períodos de afastamento, derrotas ou atuação nos bastidores, voltam a articular suas candidaturas. Essa movimentação reacende disputas e redesenha alianças, em um contexto de polarização e reorganização partidária.
Entre os nomes que buscam retornar ao cenário eleitoral, destacam-se:
- Eduardo Cunha: O ex-presidente da Câmara dos Deputados, que aceitou o processo de impeachment de Dilma Rousseff, anunciou em 24 de janeiro de 2026 sua intenção de disputar uma vaga de deputado federal por Minas Gerais. Cunha presidiu a Câmara de fevereiro de 2015 a meados de 2016, renunciando à presidência e sendo cassado por mentir à CPI da Petrobras. Ele foi preso pela Operação Lava Jato em 2016, mas teve uma condenação anulada pelo Supremo Tribunal Federal em 2023, o que o tornou novamente elegível. Em 2022, tentou uma cadeira na Câmara por São Paulo, mas não obteve sucesso.
- José Dirceu: O ex-ministro da Casa Civil, cassado em 2005 por envolvimento no mensalão e condenado em desdobramentos da Operação Lava Jato, também sinaliza sua intenção de concorrer ao cargo de deputado federal. Em 2024, o ministro Gilmar Mendes, do STF, anulou todos os atos processuais do ex-juiz Sergio Moro contra Dirceu no âmbito da Lava Jato, restabelecendo suas condições de elegibilidade.
- José Roberto Arruda: O ex-governador do Distrito Federal, afastado do cenário político por cerca de 15 anos devido à inelegibilidade, lançou-se como pré-candidato ao governo do Distrito Federal para 2026. Contudo, sua situação jurídica ainda é incerta, pois o Superior Tribunal de Justiça manteve em outubro de 2025 uma condenação por improbidade administrativa que, em tese, o torna inelegível, embora Arruda afirme estar plenamente elegível.
- Ciro Gomes: O ex-governador do Ceará e ex-candidato à presidência da República, filiou-se ao PSDB no final de 2025 e deve ser o candidato do partido ao governo do estado. Ciro Gomes já havia integrado o PSDB na década de 1990, período em que foi eleito governador do Ceará pela sigla. Sua desfiliação do PDT ocorreu após o partido se aliar ao governo cearense do petista Elmano de Freitas, de quem Gomes é crítico.
- João Paulo Cunha: Ex-presidente da Câmara dos Deputados, planeja tentar uma vaga de deputado federal.
- Delúbio Soares: Ex-tesoureiro do PT, também busca disputar uma vaga de deputado federal.
- Michel Temer: O ex-presidente da República, de 85 anos, será incluído em pesquisas internas do MDB, presidido por Baleia Rossi, para medir seu potencial como possível candidato à Presidência em 2026. A inclusão ocorre apesar da tendência do partido de adotar uma posição de neutralidade em um cenário de polarização.
Em 28 de janeiro de 2026, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também deve deixar o cargo nos próximos meses para concorrer nas eleições, possivelmente ao governo de São Paulo. O presidente Lula tem insistido para que Haddad dispute a eleição, apesar do desejo inicial do ministro de colaborar com a campanha de reeleição de Lula e elaborar o programa de governo. Dario Durigan, atual secretário-executivo da Fazenda, é o provável sucessor de Haddad. A ministra Gleisi Hoffmann defendeu a candidatura de Haddad, argumentando que todos os quadros progressistas devem "entrar em campo" para impedir o retorno da extrema direita ao poder, especialmente em um cenário de defesa da democracia. Ela ressaltou a importância de vencer disputas nos estados e de instalar os melhores quadros do partido.
Em 30 de janeiro de 2026, a ministra do Planejamento Simone Tebet (MDB) anunciou que deixará o governo até março para disputar as eleições. Tebet, cotada para o governo de São Paulo ou Senado, afirmou ter colocado seu destino político nas mãos do presidente Lula para concorrer em qualquer posição.
Estratégias Eleitorais Estaduais
Em 5 de fevereiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, terão um papel nas eleições de São Paulo, sem detalhar suas funções. Lula também declarou que ainda busca convencer o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) a se candidatar ao governo de Minas Gerais, indicando a importância estratégica desses estados para o pleito de 2026.
A disputa em São Paulo
Em 26 de janeiro de 2026, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi confirmado como o plano A do PT para disputar o governo de São Paulo, apesar de sua relutância em concorrer. O presidente Lula tem se empenhado em convencê-lo, vendo sua candidatura como crucial para o projeto nacional. Dirigentes do PT e o ministro da Educação, Camilo Santana, têm pressionado Haddad, argumentando que ele faz parte de um projeto maior e que a missão deve se sobrepor a decisões individuais. Santana afirmou que Haddad "não pode se dar ao luxo de querer tomar uma decisão individual" e que "precisamos cumprir missões que muitas vezes, pessoalmente, a gente não queira".
O cenário em São Paulo é visto como arriscado para o PT, dada a boa avaliação do governador Tarcísio de Freitas, que pode atrair votos para a chapa presidencial da oposição. Haddad, por sua vez, expressou o desejo de coordenar a campanha de reeleição de Lula e elaborar o programa de governo, mas não concorrer. A candidatura de Haddad em 2022 foi considerada essencial para o desempenho de Lula no estado, ajudando a diminuir a distância de votos para o então presidente Jair Bolsonaro. O PT busca manter um patamar de votação em São Paulo semelhante ao alcançado em 2022, quando Tarcísio venceu com 55,27% dos votos contra 44,73% de Haddad.
Outros nomes, como o vice-presidente Geraldo Alckmin e as ministras Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente), são considerados para compor a chapa em São Paulo caso Haddad não aceite a disputa. Tebet, inclusive, analisa um convite do PSB para mudar de partido, já que pelo MDB uma candidatura em São Paulo associada a Lula é implausível devido à proximidade do partido no estado com Tarcísio.
Articulações Partidárias e Movimentações Estaduais
Em 5 de fevereiro de 2026, o presidente do PSDB paulista, Paulo Serra, criticou duramente o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, após o PSD anunciar a filiação de seis deputados estaduais tucanos e um do Cidadania. A mudança de sigla está prevista para 4 de março de 2026. Serra classificou a ação como "desrespeitosa" e de "canibalismo" dentro da base do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmando que o movimento não contribui para a reeleição do atual chefe do Executivo paulista. Ele também destacou que o PSD, apesar de ser da base do governo federal do PT, busca ampliar seus quadros nacionalmente. Gilberto Kassab, que ocupa a Secretaria de Relações Institucionais de São Paulo, e o vice-governador Felício Ramuth são figuras importantes do PSD no estado.
O PSD tem demonstrado um crescimento nacional significativo, contando com seis governadores (incluindo Ronaldo Caiado de Goiás e Marcos Rocha de Rondônia), liderando em número de prefeituras no país (891) e mantendo uma das maiores bancadas no Congresso (47 deputados federais e 14 senadores), o que reflete sua ofensiva para se consolidar como uma força política relevante para 2026.
Em 11 de fevereiro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter convicção de que os partidos do Centrão, com os quais mantém diálogo, não estarão alinhados ao PT nas eleições. Ele mencionou conversas positivas com dirigentes partidários como Ciro Nogueira (PP), Antônio Rueda (União Brasil), Gilberto Kassab (PSD), Renata Abreu (Podemos) e Marco Pereira (Republicanos). Flávio ressaltou que adota uma postura reservada sobre as articulações políticas e que a expectativa é de que os partidos se somem ao projeto de oposição a Lula. Em 12 de julho de 2026, o Republicanos, presidido por Marcos Pereira, emitiu nota oficial negando qualquer acordo de apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, descartando também o apoio ao presidente Lula. O partido informou que pesquisas internas indicam um sentimento de frustração de sua base com a candidatura de Flávio e uma tendência à neutralidade, com a decisão final sendo reservada à Convenção Nacional da legenda.
Cenário para o Governo de Minas Gerais
Em 20 de fevereiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem afirmado a aliados que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) será seu candidato ao governo de Minas Gerais em 2026, tratando o cenário como praticamente definido no Palácio do Planalto. A posição de Lula visa unificar o campo governista e construir um palanque competitivo contra o grupo do governador Romeu Zema (Novo) e o bolsonarismo no estado. No entanto, aliados de Pacheco em Minas Gerais ainda não confirmam formalmente a decisão, descrevendo o tabuleiro estadual como "em construção".
Pacheco negocia sua filiação ao MDB, mas sem assumir um compromisso eleitoral direto para o governo mineiro neste momento. A hipótese de candidatura é mantida como instrumento de articulação política enquanto ele reorganiza seu campo de alianças no estado. A migração para o MDB depende de acertos políticos previstos para ocorrer após o retorno de Lula da viagem à Ásia. O MDB já conta com Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, como pré-candidato ao governo, e as conversas com Pacheco envolvem a possibilidade de ele apoiar Azevedo. Azevedo busca construir uma candidatura de frente ampla contra o vice-governador Mateus Simões (PSD) e o bolsonarismo, mas resiste à vinculação direta com o presidente Lula, um fator visto como obstáculo pelo Palácio do Planalto. A negociação no MDB também inclui a possível chegada conjunta de aliados e parlamentares próximos a Pacheco, como os deputados federais Igor Timo (PSD-MG) e Luís Fernando Faria (PSD-MG), além de outras lideranças regionais.
Cenário para o Governo do Rio Grande do Sul
Em 30 de março de 2026, o PSD confirmou a filiação do deputado estadual e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul, Ernani Polo, para ser pré-candidato a vice-governador na chapa de Gabriel Souza (MDB) para as eleições de 2026 no estado. O anúncio ocorreu durante evento partidário com a presença do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Além de Polo, os deputados Frederico Antunes e Aloísio Classmann também se filiaram ao PSD. Antunes, que foi líder dos dois governos Eduardo Leite na Assembleia Legislativa, é cotado para o Senado Federal. Classmann migra do União Brasil, enquanto Antunes e Polo deixam o PP.
Desde que o governador Eduardo Leite ingressou na sigla, o PSD ampliou sua bancada na Assembleia Legislativa gaúcha de um para nove deputados estaduais, tornando-se a segunda maior bancada do Legislativo gaúcho, atrás apenas do PT. Outros parlamentares que assinaram ficha no partido incluem Nadine Anflor, Neri o Carteiro, Pedro Pereira e Valdir Bonatto (ex-PSDB), e Elton Weber (ex-PSB). A chapa da situação que concorrerá à sucessão de Leite deve ter o vice-governador Gabriel Souza (MDB) como candidato a governador, Ernani Polo (PSD) como candidato a vice, e Frederico Antunes (PSD) e o ex-governador Germano Rigotto (MDB) como candidatos ao Senado. Eduardo Leite reafirmou sua pré-candidatura à Presidência da República.
Cenário no Distrito Federal
Em julho de 2026, o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), confirmou que não participará das eleições de 2026, impactando a estratégia do MDB na região. Em decorrência da reconfiguração das alianças locais, a ex-primeira-dama Mayara Noronha Rocha (Podemos-DF) iniciou os preparativos para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Saídas Ministeriais e Estratégia Eleitoral
O desenho das saídas em janeiro e fevereiro
Em 28 de janeiro de 2026, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), confirmou que deixaria a pasta em março para concorrer a uma vaga no Senado pelo Paraná, atendendo a um pedido do presidente Lula, que busca fortalecer a chapa do partido. Gleisi indicou Olavo Noleto, então secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável (Conselhão), como seu "sucessor natural" na SRI, ministério estratégico para a articulação política do governo com o Congresso, defendendo que ele, por já ter sido secretário-executivo da pasta, tem o perfil para dar continuidade ao trabalho.
No mesmo dia, Gleisi defendeu publicamente que Fernando Haddad e outros quadros do PT com força eleitoral fossem candidatos em 2026 para enfrentar a direita nos estados, argumentando que "todos têm que entrar em campo" para defender o projeto de país e a democracia. Ela evitou comentar a ida do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD, mas ressaltou que o PSD é um partido que se movimenta por interesses regionais e que alas da sigla apoiam Lula, apesar de ter três ministérios e pré-candidatos à presidência.
Em 29 de janeiro de 2026, calculava-se que o presidente Lula precisaria trocar cerca de dois terços dos ministros de seu governo nos meses seguintes, com os titulares das pastas deixando os cargos para concorrer nas eleições ou para reforçar os partidos na organização de campanhas. A intenção do presidente era dar sequência ao que já vinha sendo feito, com substituições por secretários executivos ou outras posições internas.
O primeiro a sair deveria ser o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que já havia anunciado sua partida para fevereiro, tendo como provável substituto o secretário-executivo da pasta, Dario Durigan. Apesar da pressão do PT e do próprio Lula, Haddad dizia não querer ser candidato, mas esperava trabalhar na campanha à reeleição do presidente. Lula, no entanto, planejava ter Haddad, Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Planejamento) como nomes fortes em São Paulo, com a possibilidade de unir ainda o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, e até mesmo o vice-presidente Geraldo Alckmin. Derrotado por Tarcísio de Freitas na disputa pelo governo paulista em 2022, Haddad não queria tentar novamente, mas aparecia em primeiro lugar nas pesquisas para o Senado — posição em que Marina e Tebet também poderiam ser alternativas.
Na lista dos demais ministros que deixariam o governo, ao menos sete seriam candidatos ao Senado, incluindo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, que deve compor uma chapa petista na Bahia com o senador Jaques Wagner e o governador Jerônimo Rodrigues. A maior parte dos ministros, como Jader Filho (Cidades) e Anielle Franco (Igualdade Racial), seriam candidatos a deputados, e o ministro dos Transportes, Renan Filho, era o único que já havia definido que disputaria um governo estadual, em Alagoas. Dois ministros, Camilo Santana (Educação) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação), deixariam os cargos para reforçar a campanha eleitoral do PT: Sidônio seria mais uma vez o marqueteiro de Lula, enquanto Camilo decidiu reforçar a campanha à reeleição do governador Elmano de Freitas, depois que o ex-aliado e hoje adversário Ciro Gomes decidiu ser candidato ao governo do Ceará novamente.
Em 30 de março de 2026, um levantamento da GloboNews indicou que pelo menos 16 ministros do governo Lula deixarão suas pastas nesta semana para concorrer a cargos nas eleições de outubro ou para auxiliar nas campanhas estaduais. Este número pode ser ainda maior, já que a situação de quatro ministros permanece indefinida. O terceiro mandato de Lula deve registrar um recorde de saídas ministeriais para disputar eleições, superando os 10 ministros que deixaram seus cargos nos governos de Jair Bolsonaro (2022), Dilma Rousseff (2014) e no segundo governo de Lula (2010).
O prazo final para a desincompatibilização de cargos públicos para as eleições é 4 de abril. O presidente Lula agendou uma reunião para 31 de março com os ministros atuais e seus substitutos, visando efetivar o máximo de trocas já na terça-feira. As saídas são motivadas principalmente por dois fatores: a formação de um gabinete amplo com muitos ministros eleitos para o Legislativo em 2022, que agora buscam a reeleição, e a estratégia de Lula de escalar seus principais auxiliares para ajudar a obter votos nos estados e conter a oposição no Senado.
Para minimizar o impacto no funcionamento do governo, a maioria dos secretários-executivos dos ministérios deve assumir as pastas. No entanto, há exceções. Bruno Moretti, atual secretário de Análise Governamental da Casa Civil, é cotado para substituir Simone Tebet (PSB) no Ministério do Planejamento e Orçamento. Para a vaga de Gleisi Hoffmann (PT) na Secretaria de Relações Institucionais, embora Olavo Noleto (chefe do Conselhão) tenha sido inicialmente apontado como "sucessor natural" pela própria ministra, Lula manifestou a aliados o desejo de um nome com experiência legislativa, o que não é o caso de Noleto, embora ele ainda não esteja descartado.
Entre os ministros com saída confirmada ou provável para disputar eleições, destacam-se:
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Para governos estaduais:
- Fernando Haddad (PT), da Fazenda, já deixou o governo e lançou pré-candidatura ao governo de São Paulo.
- Renan Filho (MDB), dos Transportes, deve disputar o governo de Alagoas.
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Para o Senado:
- Rui Costa (PT), da Casa Civil, concorrerá ao Senado na Bahia.
- Gleisi Hoffmann (PT), da Secretaria de Relações Institucionais, deve disputar uma das vagas no Paraná.
- Simone Tebet (PSB), do Planejamento, que mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo, pode integrar a chapa de Haddad.
- Marina Silva (Rede), do Meio Ambiente, pode mudar de partido e se lançar ao Senado por São Paulo.
- André Fufuca (PP), do Esporte, deve ser candidato ao Senado pelo Maranhão.
- Carlos Fávaro (PSD), da Agricultura, foi exonerado para tirar vaga da oposição na CPMI do INSS e disputará a reeleição em Mato Grosso.
- Waldez Góes (PDT), da Integração Nacional, pode disputar o Senado no Amapá.
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Para a Câmara dos Deputados:
- Silvio Costa Filho (Republicanos), de Portos e Aeroportos, deve se candidatar à reeleição para deputado por Pernambuco.
- Paulo Teixeira (PT), do Desenvolvimento Agrário, vai disputar a reeleição por São Paulo.
- Anielle Franco (PT), da Igualdade Racial, disputará sua primeira eleição por uma vaga na Câmara pelo Rio de Janeiro.
- Sônia Guajajara (PSOL), dos Povos Indígenas, disputará a reeleição por São Paulo.
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Para assembleias estaduais:
- Macaé Evaristo (PT), dos Direitos Humanos, deve concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
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Para auxiliar em campanhas:
- Geraldo Alckmin (PSB), da Indústria e Comércio Exterior, deve ser o vice novamente e auxiliar na campanha estadual da chapa de Lula em São Paulo.
- Camilo Santana (PT), da Educação, deve coordenar a campanha de Elmano Freitas (PT) ao governo do Ceará, podendo também ser o candidato do partido ao cargo.
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Situação indefinida:
- Márcio França (PSB), do Empreendedorismo, deseja disputar uma vaga ao Senado em São Paulo ou substituir Alckmin no MDIC.
- Wolney Queiroz (PDT), da Previdência, estuda concorrer a deputado federal em Pernambuco, mas a permanência no ministério é mais provável.
- Alexandre Silveira (PSD), de Minas e Energia, pode ser candidato ao Senado em Minas Gerais ou seguir no governo.
- Luciana Santos (PC do B), da Ciência e Tecnologia, pode concorrer a algum cargo em Pernambuco.
Outro ministro que deixará o governo, mas não para disputar um cargo eletivo, é Sidônio Palmeira, da Comunicação Social, que atuará como marqueteiro na campanha de Lula e deve sair do governo apenas no meio do ano.
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