Visão geral
Deltan Martinazzo Dallagnol (Pato Branco, 15 de janeiro de 1980) é um ex-procurador da República brasileiro e político filiado ao Partido Novo (NOVO). Conhecido nacionalmente por coordenar a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba entre 2014 e 2020, atuou por 18 anos no Ministério Público Federal (MPF), de 2003 a 2021. Foi eleito deputado federal pelo Paraná em 2022 com o maior número de votos do estado (344.917), mas teve o mandato cassado em 2023 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por suposta fraude à Lei da Ficha Limpa. Em 2026, concorre ao Senado pelo Paraná pelo NOVO, com candidatura deferida pelo TRE-PR em setembro de 2026 (4 a 3), mas suspensa por liminar do TSE em 19 de setembro de 2026.
Biografia
Nascido em Pato Branco (PR), Dallagnol formou-se em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e obteve mestrado em Direito (LL.M.) pela Harvard Law School. Casado com Fernanda Mourão Ribeiro desde 2016, atuou como procurador da República especializado em crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro. Deixou o MPF em novembro de 2021 para ingressar na política.
Carreira no Ministério Público
Ingressou no MPF em 2003. Participou de operações como Gafanhotos, Banestado, Fênix e Curaçao. Entre 2014 e 2020, coordenou a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, que resultou em mais de 250 condenações e na recuperação de cerca de R$ 25 bilhões aos cofres públicos, segundo fontes ligadas à operação. A operação foi reconhecida pelo Departamento de Justiça dos EUA como o maior caso de suborno estrangeiro da história.
Operação Lava Jato
A força-tarefa investigou esquemas de corrupção na Petrobras envolvendo empreiteiras e agentes públicos. Dallagnol liderou a apresentação de denúncias, incluindo uma coletiva de imprensa em 2016 com slides sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A operação gerou debates sobre métodos de investigação e coordenação entre procuradores e o juiz Sérgio Moro.
Carreira política
Filiou-se ao Podemos (PODE) em 2021 e foi eleito deputado federal em 2022. Assumiu o mandato em fevereiro de 2023, atuando em comissões como a de Constituição e Justiça. Teve o mandato cassado em junho de 2023. Deixou o PODE em setembro de 2023 e filiou-se ao NOVO. Em 2026, é candidato ao Senado pelo Paraná na coligação Fortaleza do Paraná, com suplentes Professor Picler (PL) e Markenson Marques dos Santos (NOVO).
Linha do tempo
- 15 de janeiro de 1980: Nascimento em Pato Branco (PR).
- 2003: Ingresso no Ministério Público Federal.
- 2012–2013: Mestrado em Harvard.
- 2014–2020: Coordenação da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.
- Novembro de 2021: Exoneração do MPF.
- Dezembro de 2021: Filiação ao Podemos.
- Outubro de 2022: Eleição como deputado federal mais votado do Paraná.
- Fevereiro de 2023: Posse na Câmara dos Deputados.
- Maio de 2023: Cassação do registro de candidatura pelo TSE.
- Junho de 2023: Perda do mandato confirmada pela Mesa da Câmara.
- Setembro de 2023: Filiação ao NOVO.
- Setembro de 2026: Deferimento da candidatura ao Senado pelo TRE-PR (4x3); posterior suspensão por liminar do TSE.
Controvérsias
Dallagnol enfrentou diversas controvérsias, incluindo a apresentação de slides em 2016 sobre Lula (caso PowerPoint), que resultou em condenação por danos morais (indenização paga em 2025). Mensagens vazadas (Vaza Jato) revelaram comunicações com Moro. Há processos no TCU sobre diárias e passagens durante a Lava Jato, e questionamentos sobre a Lava Jato Foundation. A cassação de 2023 baseou-se na interpretação de que sua exoneração antecipada configurou fraude à Ficha Limpa para evitar processos disciplinares no CNMP.
Situação eleitoral de 2026
A candidatura ao Senado foi inicialmente aprovada pelo TRE-PR em 8 de setembro de 2026. O TSE concedeu liminar em 19 de setembro suspendendo atos de campanha, propaganda e uso de recursos públicos até julgamento definitivo, mantendo a controvérsia sobre inelegibilidade.
