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Geopolítica da computação · 1ª edição, setembro de 2026

Índice de Soberania Computacional

Soberania computacional é a computação que existe dentro das suas fronteiras, operada por quem responde à sua lei, sobre uma cadeia de suprimentos e uma rede elétrica que você consegue repor sem pedir licença a ninguém. Contar megawatts instalados responde a uma pergunta bem menor que essa.

Medida assim, a resposta é desconfortável. Dois países têm soberania computacional, e o terceiro colocado está mais perto do trigésimo do que do segundo. Este índice ordena 35 países em seis pilares e marca onde o dado não existe. Em computação, quando não há número público costuma ser porque não há poder de barganha.

Os limites de medir onde a computação acontece

A pergunta intuitiva é a razão entre a computação processada dentro do país e a processada fora. O instinto está certo, e existe exatamente um trabalho que mediu isso. Soares e colegas montaram, para a Alemanha, a Irlanda e os Países Baixos, uma contabilidade de nuvem baseada em consumo, que separa o que o país hospeda e consome em casa do que ele exporta e do que importa.

Atividade de nuvem, 2017 a 2022

Alemanha
cerca de 75% doméstica
Irlanda
cerca de 85% exportação
Países Baixos
equilibrada

A razão é real e a distância entre países é enorme. O problema é o custo de medi-la: foi preciso um projeto de pesquisa sob medida, que cobre três países, usa consumo elétrico como aproximação e não separa carga de inteligência artificial do resto. Não existe, hoje, balança de pagamentos de computação. A UNCTAD reconheceu a lacuna em 2021 e até agora não a resolveu.

E há três coisas que a razão não captura, por melhor que seja a medição.

Quem opera é quem controla

Um data center de provedor estrangeiro em São Paulo conta como computação interna. Em junho de 2025, senadores franceses perguntaram sob juramento ao diretor jurídico da Microsoft France se ele podia garantir que dados de cidadãos franceses jamais chegariam às autoridades americanas sem aval da França. Ele respondeu que não podia. E isso já saiu do plano hipotético: no mesmo ano, o procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional perdeu o acesso ao próprio e-mail depois de uma ordem executiva americana.

A razão é cega à geração do chip

Um país pode processar todo o próprio consumo em casa alugando inferência em aceleradores de uma década atrás. Isso não tem nada a ver com treinar modelos de fronteira em solo próprio, e a razão dá o mesmo número para os dois casos.

A razão ignora a cadeia

Processar tudo em casa sobre hardware que uma única empresa projeta, uma única fabrica e uma única consegue litografar é uma dependência com endereço local, porque qualquer uma das três pode interromper a reposição sem sair do próprio país.

Por isso a razão entra aqui como um pilar entre outros, com peso limitado.

Metodologia

Seis pilares, nota de 0 a 100 em cada, agregados por média geométrica ponderada.

CPTComputação no solo

peso 20%

Megawatts de data center, aceleradores instalados e presença no TOP500, em termos absolutos e por habitante.

CTRControle jurisdicional

peso 25%

Quem opera a computação instalada e a que lei essa entidade responde. É o pilar de maior peso porque é o único que separa hospedar computação de possuí-la.

CADCadeia de suprimentos

peso 20%

Fabricação de semicondutores, nó litográfico disponível, memória de alta largura de banda, encapsulamento, design de chip e posição no regime de controle de exportação.

ENEEnergia

peso 15%

Energia disponível, folga de conexão à rede, preço industrial e dependência de importação. Quem importa a energia que move seus data centers tem soberania emprestada.

REDRede e fluxo

peso 10%

Cabos submarinos e de quem eles são, pontos de troca de tráfego e quanto do tráfego nacional permanece dentro do país.

MODModelos e talento

peso 10%

Modelos de fronteira próprios, independência do conjunto de ferramentas de software e concentração de pesquisadores. A soberania depende de saber programar a computação que se tem.

Por que a agregação é por média geométrica

A média aritmética trataria os pilares como substitutos perfeitos: energia de sobra compensaria uma cadeia de suprimentos zerada, na proporção exata dos pesos. A média geométrica reduz essa compensação, e a penalidade cresce conforme qualquer pilar se aproxima de zero.

É o mesmo raciocínio que levou o PNUD a trocar a agregação do Índice de Desenvolvimento Humano em 2010, ao perceber que um país podia compensar desempenho catastrófico em saúde com desempenho excelente em educação. Aqui a troca mexe no resultado: comparada à média aritmética, a geométrica derruba a Rússia em sete posições, a Noruega em seis e o Brasil em cinco. São os três casos de um pilar altíssimo cercado de pilares fracos.

Uso piso de um ponto por pilar, porque a média geométrica zera se qualquer indicador for exatamente zero. Foi a ressalva que Anand levantou contra a versão de 2010 do IDH, e aqui ela pesa: vários países marcariam zero absoluto em computação de treino.

Por que o ranking é publicado em faixas

Rodei análise de incerteza por Monte Carlo: 5.000 simulações sorteando os pesos por distribuição de Dirichlet e somando ruído gaussiano às notas, proporcional à confiança do dado de cada país.

Só os dois primeiros colocados têm posição estável. Estados Unidos e China ficam em primeiro e segundo nas 5.000 simulações. Do terceiro em diante, quase todos os intervalos de 90% se sobrepõem: a França oscila entre a terceira e a oitava posição, a Rússia entre a quarta e a trigésima. Publicar uma posição individual para esses países seria falsa precisão.

Isso reproduz, por simulação, a recomendação central de Ravallion na crítica aos índices compostos improvisados: identificar agrupamentos amplos é mais defensável do que ordenar países um a um. Os principais índices de tecnologia em circulação não publicam banda de incerteza nenhuma.

O ranking

35 países, agrupados em quatro faixas. Cada país traz a nota final e o perfil dos seis pilares, em colunas nas telas maiores e em grade sob o nome nas menores. O símbolo ? marca país cuja confiança de dado está abaixo de 0,5.

CPT
Computação no solo
CTR
Controle jurisdicional
CAD
Cadeia de suprimentos
ENE
Energia
RED
Rede e fluxo
MOD
Modelos e talento

Polos

ISC 70 ou mais· 2 países

Controlam computação, cadeia e camada de software ao mesmo tempo. São dois, e a distância entre o segundo e o terceiro colocado é maior que a distância entre o terceiro e o trigésimo.

Países da faixa, com a nota final do índice e as notas dos seis pilares
PaísISC
Estados Unidos90,7
CPT100
Computação no solo: 100 de 100
CTR100
Controle jurisdicional: 100 de 100
CAD88
Cadeia de suprimentos: 88 de 100
ENE62
Energia: 62 de 100
RED100
Rede e fluxo: 100 de 100
MOD100
Modelos e talento: 100 de 100

Domina design de chip, equipamento, modelos, talento e capital, e escreve a regra de exportação que governa o acesso dos demais. A fraqueza é fabricação de ponta em solo próprio, que ainda não existe em volume.

China81,2
CPT78
Computação no solo: 78 de 100
CTR92
Controle jurisdicional: 92 de 100
CAD72
Cadeia de suprimentos: 72 de 100
ENE80
Energia: 80 de 100
RED80
Rede e fluxo: 80 de 100
MOD85
Modelos e talento: 85 de 100

Único Estado que persegue autonomia em todas as camadas ao mesmo tempo. Está 2 a 3 gerações de nó atrás, e treinou o DeepSeek-V3, seu modelo mais significativo, em GPU da Nvidia. O Ascend doméstico aparece na inferência, e ainda não em treino desse porte.

Soberania parcial real

ISC de 33 a 46· 12 países

Cada um tem um pilar genuinamente forte e o resto emprestado. Energia nuclear, um gargalo da cadeia, um laboratório de fronteira. Nunca o conjunto.

Países da faixa, com a nota final do índice e as notas dos seis pilares
PaísISC
França45,7
CPT38
Computação no solo: 38 de 100
CTR45
Controle jurisdicional: 45 de 100
CAD28
Cadeia de suprimentos: 28 de 100
ENE85
Energia: 85 de 100
RED68
Rede e fluxo: 68 de 100
MOD48
Modelos e talento: 48 de 100

A combinação mais rara da Europa: energia nuclear firme e barata (teto de €70/MWh desde 2026) com um laboratório de fronteira próprio e o padrão jurídico mais duro do continente, o SecNumCloud.

Coreia do Sul44,8
CPT35
Computação no solo: 35 de 100
CTR45
Controle jurisdicional: 45 de 100
CAD68
Cadeia de suprimentos: 68 de 100
ENE32
Energia: 32 de 100
RED62
Rede e fluxo: 62 de 100
MOD38
Modelos e talento: 38 de 100

Controla a memória de alta largura de banda, gargalo real da computação de IA, com dependência quase total de equipamento importado.

Emirados Árabes Unidos42,6
CPT40
Computação no solo: 40 de 100
CTR62
Controle jurisdicional: 62 de 100
CAD18
Cadeia de suprimentos: 18 de 100
ENE78
Energia: 78 de 100
RED45
Rede e fluxo: 45 de 100
MOD40
Modelos e talento: 40 de 100

Compra capacidade e participação acionária ao mesmo tempo. A soberania ali se exerce sobre localização e direitos de monetização, porque a independência jurídica segue fora de alcance.

Japão40,9
CPT42
Computação no solo: 42 de 100
CTR32
Controle jurisdicional: 32 de 100
CAD62
Cadeia de suprimentos: 62 de 100
ENE28
Energia: 28 de 100
RED65
Rede e fluxo: 65 de 100
MOD35
Modelos e talento: 35 de 100

Domina materiais e equipamento de fabricação, e paga a energia industrial mais cara da amostra.

Taiwan38,6
CPT30
Computação no solo: 30 de 100
CTR35
Controle jurisdicional: 35 de 100
CAD78
Cadeia de suprimentos: 78 de 100
ENE30
Energia: 30 de 100
RED45
Rede e fluxo: 45 de 100
MOD25
Modelos e talento: 25 de 100

Fabrica o único 2nm em volume do planeta e detém cerca de 95% do encapsulamento avançado. Em nuvem pública, porém, está na periferia: o silício do mundo sai de lá, e a computação que a ilha consome é comprada de fora.

Alemanha38,6
CPT45
Computação no solo: 45 de 100
CTR38
Controle jurisdicional: 38 de 100
CAD30
Cadeia de suprimentos: 30 de 100
ENE35
Energia: 35 de 100
RED72
Rede e fluxo: 72 de 100
MOD30
Modelos e talento: 30 de 100
Canadá37,7
CPT38
Computação no solo: 38 de 100
CTR42
Controle jurisdicional: 42 de 100
CAD15
Cadeia de suprimentos: 15 de 100
ENE82
Energia: 82 de 100
RED60
Rede e fluxo: 60 de 100
MOD35
Modelos e talento: 35 de 100
Suíça37,0
CPT30
Computação no solo: 30 de 100
CTR55
Controle jurisdicional: 55 de 100
CAD20
Cadeia de suprimentos: 20 de 100
ENE50
Energia: 50 de 100
RED60
Rede e fluxo: 60 de 100
MOD28
Modelos e talento: 28 de 100

Sem campeão de escala, mas a Infomaniak é propriedade dos próprios funcionários, com infraestrutura inteiramente suíça e nenhuma dependência de fornecedor estrangeiro por desenho. O caso mais limpo de soberania genuína da amostra.

Arábia Saudita35,7
CPT30
Computação no solo: 30 de 100
CTR55
Controle jurisdicional: 55 de 100
CAD18
Cadeia de suprimentos: 18 de 100
ENE78
Energia: 78 de 100
RED42
Rede e fluxo: 42 de 100
MOD18
Modelos e talento: 18 de 100
Índia35,3
CPT33
Computação no solo: 33 de 100
CTR35
Controle jurisdicional: 35 de 100
CAD20
Cadeia de suprimentos: 20 de 100
ENE68
Energia: 68 de 100
RED68
Rede e fluxo: 68 de 100
MOD25
Modelos e talento: 25 de 100

Única economia do Sul Global na faixa superior do censo de Oxford. Os cabos submarinos que a conectam pertencem a operadoras domésticas, condição rara numa economia desse porte.

Rússia34,3
CPT20
Computação no solo: 20 de 100
CTR88
Controle jurisdicional: 88 de 100
CAD12
Cadeia de suprimentos: 12 de 100
ENE75
Energia: 75 de 100
RED55
Rede e fluxo: 55 de 100
MOD15
Modelos e talento: 15 de 100

99% da nuvem é doméstica porque as sanções expulsaram os provedores estrangeiros. A importação de chips caiu 84% em 2024 e a reposição depende de importação paralela.

Reino Unido34,1
CPT44
Computação no solo: 44 de 100
CTR18
Controle jurisdicional: 18 de 100
CAD30
Cadeia de suprimentos: 30 de 100
ENE45
Energia: 45 de 100
RED70
Rede e fluxo: 70 de 100
MOD42
Modelos e talento: 42 de 100

A própria autoridade de concorrência concluiu que AWS e Azure somam 80% do mercado. A estratégia britânica de soberania se apoia em regulação, porque não há ativo doméstico de infraestrutura para exercer controle.

Hospedeiros com alavanca

ISC de 24 a 32· 10 países

Têm infraestrutura relevante em solo próprio e quase nenhum tem operador doméstico. É a faixa mais populosa e a mais instável.

Países da faixa, com a nota final do índice e as notas dos seis pilares
PaísISC
Países Baixos31,9
CPT40
Computação no solo: 40 de 100
CTR18
Controle jurisdicional: 18 de 100
CAD55
Cadeia de suprimentos: 55 de 100
ENE25
Energia: 25 de 100
RED72
Rede e fluxo: 72 de 100
MOD18
Modelos e talento: 18 de 100

Único país além dos EUA com região habilitada com H100. Também tem a rede elétrica declarada cheia por decisão judicial e nenhum campeão doméstico.

Itália30,9
CPT32
Computação no solo: 32 de 100
CTR30
Controle jurisdicional: 30 de 100
CAD25
Cadeia de suprimentos: 25 de 100
ENE40
Energia: 40 de 100
RED55
Rede e fluxo: 55 de 100
MOD18
Modelos e talento: 18 de 100
Cingapura29,9
CPT38
Computação no solo: 38 de 100
CTR20
Controle jurisdicional: 20 de 100
CAD35
Cadeia de suprimentos: 35 de 100
ENE22
Energia: 22 de 100
RED70
Rede e fluxo: 70 de 100
MOD25
Modelos e talento: 25 de 100

O hub regional clássico: muita infraestrutura estrangeira, capacidade racionada por alocação competitiva e nenhum campeão local de nuvem.

Israel? confiança de dado abaixo de 0,529,8
CPT22
Computação no solo: 22 de 100
CTR25
Controle jurisdicional: 25 de 100
CAD30
Cadeia de suprimentos: 30 de 100
ENE40
Energia: 40 de 100
RED40
Rede e fluxo: 40 de 100
MOD40
Modelos e talento: 40 de 100
Austrália29,6
CPT42
Computação no solo: 42 de 100
CTR28
Controle jurisdicional: 28 de 100
CAD12
Cadeia de suprimentos: 12 de 100
ENE65
Energia: 65 de 100
RED42
Rede e fluxo: 42 de 100
MOD22
Modelos e talento: 22 de 100
Finlândia29,4
CPT42
Computação no solo: 42 de 100
CTR20
Controle jurisdicional: 20 de 100
CAD15
Cadeia de suprimentos: 15 de 100
ENE75
Energia: 75 de 100
RED58
Rede e fluxo: 58 de 100
MOD18
Modelos e talento: 18 de 100
Espanha28,8
CPT30
Computação no solo: 30 de 100
CTR22
Controle jurisdicional: 22 de 100
CAD18
Cadeia de suprimentos: 18 de 100
ENE60
Energia: 60 de 100
RED58
Rede e fluxo: 58 de 100
MOD22
Modelos e talento: 22 de 100
Suécia28,5
CPT33
Computação no solo: 33 de 100
CTR20
Controle jurisdicional: 20 de 100
CAD15
Cadeia de suprimentos: 15 de 100
ENE78
Energia: 78 de 100
RED58
Rede e fluxo: 58 de 100
MOD20
Modelos e talento: 20 de 100
Noruega26,9
CPT40
Computação no solo: 40 de 100
CTR20
Controle jurisdicional: 20 de 100
CAD10
Cadeia de suprimentos: 10 de 100
ENE88
Energia: 88 de 100
RED55
Rede e fluxo: 55 de 100
MOD15
Modelos e talento: 15 de 100
Malásia? confiança de dado abaixo de 0,524,0
CPT20
Computação no solo: 20 de 100
CTR18
Controle jurisdicional: 18 de 100
CAD30
Cadeia de suprimentos: 30 de 100
ENE50
Energia: 50 de 100
RED45
Rede e fluxo: 45 de 100
MOD8
Modelos e talento: 8 de 100

Clientes

ISC abaixo de 24· 11 países

Consomem computação decidida em outro lugar. Inclui países com muita infraestrutura instalada, o que é justamente o ponto do índice.

Países da faixa, com a nota final do índice e as notas dos seis pilares
PaísISC
Brasil23,7
CPT18
Computação no solo: 18 de 100
CTR22
Controle jurisdicional: 22 de 100
CAD8
Cadeia de suprimentos: 8 de 100
ENE95
Energia: 95 de 100
RED72
Rede e fluxo: 72 de 100
MOD18
Modelos e talento: 18 de 100

O país mais desequilibrado da tabela. Energia de sobra a ponto de o ONS cortar geração solar por excesso de oferta, contra quase nenhuma cadeia de suprimentos e pouca propriedade doméstica da infraestrutura instalada.

Vietnã23,7
CPT18
Computação no solo: 18 de 100
CTR40
Controle jurisdicional: 40 de 100
CAD12
Cadeia de suprimentos: 12 de 100
ENE45
Energia: 45 de 100
RED40
Rede e fluxo: 40 de 100
MOD10
Modelos e talento: 10 de 100
Polônia21,6
CPT22
Computação no solo: 22 de 100
CTR18
Controle jurisdicional: 18 de 100
CAD12
Cadeia de suprimentos: 12 de 100
ENE45
Energia: 45 de 100
RED50
Rede e fluxo: 50 de 100
MOD15
Modelos e talento: 15 de 100
Portugal21,4
CPT28
Computação no solo: 28 de 100
CTR15
Controle jurisdicional: 15 de 100
CAD10
Cadeia de suprimentos: 10 de 100
ENE60
Energia: 60 de 100
RED52
Rede e fluxo: 52 de 100
MOD12
Modelos e talento: 12 de 100
Irlanda19,8
CPT45
Computação no solo: 45 de 100
CTR10
Controle jurisdicional: 10 de 100
CAD15
Cadeia de suprimentos: 15 de 100
ENE20
Energia: 20 de 100
RED48
Rede e fluxo: 48 de 100
MOD15
Modelos e talento: 15 de 100

A maior densidade de computação por habitante do mundo e a última faixa do índice. Hospeda o compute da Europa sem controlá-lo, e cerca de 85% da atividade de nuvem no país é exportação.

Turquia? confiança de dado abaixo de 0,519,0
CPT15
Computação no solo: 15 de 100
CTR25
Controle jurisdicional: 25 de 100
CAD8
Cadeia de suprimentos: 8 de 100
ENE45
Energia: 45 de 100
RED45
Rede e fluxo: 45 de 100
MOD10
Modelos e talento: 10 de 100
Indonésia? confiança de dado abaixo de 0,517,6
CPT16
Computação no solo: 16 de 100
CTR20
Controle jurisdicional: 20 de 100
CAD8
Cadeia de suprimentos: 8 de 100
ENE50
Energia: 50 de 100
RED35
Rede e fluxo: 35 de 100
MOD8
Modelos e talento: 8 de 100
México16,9
CPT18
Computação no solo: 18 de 100
CTR15
Controle jurisdicional: 15 de 100
CAD10
Cadeia de suprimentos: 10 de 100
ENE35
Energia: 35 de 100
RED40
Rede e fluxo: 40 de 100
MOD8
Modelos e talento: 8 de 100
África do Sul14,5
CPT15
Computação no solo: 15 de 100
CTR14
Controle jurisdicional: 14 de 100
CAD5
Cadeia de suprimentos: 5 de 100
ENE35
Energia: 35 de 100
RED48
Rede e fluxo: 48 de 100
MOD10
Modelos e talento: 10 de 100

O operador de data center tido como nacional, a Teraco, é controlado desde 2022 por um fundo imobiliário americano.

Nigéria10,4
CPT8
Computação no solo: 8 de 100
CTR15
Controle jurisdicional: 15 de 100
CAD3
Cadeia de suprimentos: 3 de 100
ENE25
Energia: 25 de 100
RED38
Rede e fluxo: 38 de 100
MOD6
Modelos e talento: 6 de 100
Quênia9,6
CPT6
Computação no solo: 6 de 100
CTR12
Controle jurisdicional: 12 de 100
CAD3
Cadeia de suprimentos: 3 de 100
ENE40
Energia: 40 de 100
RED32
Rede e fluxo: 32 de 100
MOD5
Modelos e talento: 5 de 100

Validação externa

O trabalho acadêmico mais próximo é o censo de Lehdonvirta, Wu e Hawkins, do Oxford Internet Institute, que mapeou 187 regiões de nuvem em 39 países e as classificou em Compute North, Compute South e Compute Desert conforme a geração de acelerador ofertada. Virou metodologia recorrente da OCDE em 2025.

Se este índice apenas reproduzisse aquele censo, não acrescentaria nada. Dos 30 países comparáveis, 16 recebem classificação compatível. As 14 divergências são o argumento de existência do índice. Cada uma vem de algo que um censo de oferta de GPU em nuvem pública não enxerga.

Taiwan e Suíça

Compute South → Soberania parcial

O censo mede oferta de GPU em nuvem pública. Não mede quem fabrica o chip nem quem é dono da infraestrutura, que é exatamente onde esses dois países têm força.

Finlândia e Espanha

Compute Desert → Hospedeiro

O censo ignora supercomputação estatal. O LUMI finlandês é o 11º do mundo e o MareNostrum 5 espanhol tem 314 petaflops. Nenhum dos dois é nuvem comercial.

Emirados Árabes, Arábia Saudita e Noruega

Compute Desert ou South → Soberania parcial ou Hospedeiro

O dado é de 2024 e expirou. O Stargate dos Emirados tem 200 MW em operação, o contrato saudita de 480 MW é de março de 2026 e o Stargate Norway prevê 100 mil GPUs.

Países Baixos, Itália, Cingapura, Israel, Austrália e Suécia

Compute North → Hospedeiro

Mesma causa estrutural nos seis: hospedam GPU de treino sem campeão doméstico e sem cadeia de suprimentos. O censo os premia pela infraestrutura; o índice pergunta de quem ela é.

Irlanda

Compute North → Cliente

A divergência mais extrema da amostra, e a que melhor justifica o índice. Tem a maior densidade de computação por habitante do mundo, nenhum operador doméstico e uma rede elétrica sob restrição.

O que este índice não sabe

Esta seção existe porque a ausência de dado é, ela própria, um achado.

  • As notas por pilar são calibradas por faixa, porque para a maioria dos países não existe medida física comparável para normalizar.
  • Ninguém mede a quantidade de GPU instalada. O censo de Oxford conta regiões que ofertam um tipo de acelerador, e a quantidade dentro de cada região fica em aberto, porque os provedores tratam esse número como informação confidencial.
  • O próprio Epoch AI estima que sua base cobre de 26% a 79% da capacidade global, e cerca de 2% do estoque chinês sujeito a controle de exportação. A nota da China deve ser lida como piso, porque o que está fora da base só pode aumentá-la.
  • Não existe métrica global padronizada de participação estrangeira no gasto em nuvem por país, fora de meia dúzia de mercados.
  • Vinte e cinco países não publicam nenhum dado de computação instalada. Cinco entram no ranking assim mesmo: Israel, Turquia, Indonésia, Vietnã e Malásia, pontuados pelos outros cinco pilares e com a confiança rebaixada por causa da lacuna. Quatro deles ficam abaixo de 0,5 e levam o símbolo ? na tabela; o Vietnã fica em 0,5, no limite. Os outros vinte ficam fora da tabela porque não havia base suficiente em nenhum pilar. Entre eles estão Chile, Argentina, Colômbia, Egito e Catar. Preferi a ausência a uma linha inventada.
  • A literatura de mercado confunde com frequência números de região metropolitana com totais nacionais, o que subestima Alemanha, França, Reino Unido e Países Baixos.
  • Pela definição de Ravallion, este é um índice improvisado, porque ainda não existe teoria assentada que diga em números o que é soberania computacional. Ele continua servindo desde que os limites estejam escritos, e é para isso que esta seção existe.

Fontes