Visão geral
O caso Banco Master é uma crise bancária e institucional de grande escala no Brasil. Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do banco por deterioração econômico-financeira, crise de liquidez e infrações regulatórias. Em decisão tomada na mesma data pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, o Banco Central impôs sigilo de oito anos aos documentos relacionados à liquidação, mantendo-os restritos até novembro de 2033 sob o argumento de preservar a estabilidade financeira e proteger procedimentos de fiscalização e inteligência em curso. A medida é alvo de questionamentos no Tribunal de Contas da União (TCU), onde o ministro Jhonatan de Jesus solicitou, em março de 2026, esclarecimentos sobre a necessidade da restrição e a viabilidade de liberação parcial ou integral dos registros. Em abril de 2026, Galípolo afirmou em audiência na CPI do Senado sobre crime organizado que, em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou a Daniel Vorcaro que o Banco Master receberia um tratamento técnico por parte da autoridade monetária, ressaltando que não houve tratativas posteriores sobre o caso com o governo ou membros do STF. Em depoimento à mesma CPI em 8 de abril de 2026, Galípolo negou ter tratado do caso Master com ministros do STF, afirmando que suas reuniões com membros da Corte restringiram-se a temas como a aplicação da Lei Magnitsky dos EUA, e reforçou que o BC seguiu o rito legal. Sobre o afastamento de servidores, Galípolo explicou que, inicialmente, a divergência nos balanços foi tratada como questão técnica e que o afastamento imediato do ex-diretor Paulo Sérgio Neves de Souza e do ex-chefe de departamento Belline Santana poderia ser interpretado como ação política; assim, o BC optou por criar um grupo apartado de análise, procedendo aos afastamentos apenas após o avanço das investigações, cabendo à Justiça determinar se houve influência de vantagens indevidas nas condutas dos servidores.
A partir daí, o caso evoluiu para:
- investigação de suposta fraude bilionária (entre R$ 11,5 bilhões e estimativas superiores, com menções públicas a mais de R$ 40 bilhões);
- forte atuação da Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF), Procuradoria-Geral da República (PGR), Tribunal de Contas da União (TCU), Supremo Tribunal Federal (STF), Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Banco de Brasília (BRB);
- impacto sistêmico via FGC (Fundo Garantidor de Créditos), com pagamentos em massa a credores e pressão sobre o sistema financeiro. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que, embora o caso seja a "maior fraude bancária da história do Brasil" e "machuque" o FGC, não representa um risco sistêmico para a economia brasileira, pois está restrito ao fundo. O FGC deve desembolsar cerca de R$ 51,8 bilhões em pagamentos a clientes e investidores afetados pela liquidação extrajudicial dos bancos Master, Will Bank e Banco Pleno. Até abril de 2026, o FGC já havia pago R$ 39,3 bilhões a 669 mil credores do conglomerado Master (96,9% do previsto) e R$ 3,61 bilhões a 107 mil credores do Banco Pleno. No caso do Will Bank, cuja liquidação foi decretada em janeiro de 2026, o fundo iniciou em fevereiro a primeira fase de pagamentos para valores até R$ 1.000 e, em 7 de abril de 2026, deu início à segunda fase, destinada a credores com saldos entre R$ 1 mil e R$ 250 mil, com previsão de desembolso de R$ 6,06 bilhões para 312 mil pessoas. Para auxiliar o FGC, o Banco Central publicou uma resolução que permite às instituições financeiras direcionarem para o fundo o recolhimento dos depósitos à vista e a prazo dos compulsórios, com estimativa de liberação de R$ 30 bilhões em 2026.
Até fevereiro de 2026, o caso também passou a envolver:
- disputa sobre a condução processual no STF, com questionamentos sobre a relatoria do Ministro Dias Toffoli, que posteriormente se afastou do caso, e a revelação de indícios de crimes e suspeição em relatório da PF. Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal indicaram que o banqueiro teria sido pressionado a realizar pagamentos ao resort Tayayá, empreendimento ligado a uma empresa da família de Toffoli. Os diálogos com seu cunhado, Fabiano Zettel, revelaram que Vorcaro autorizou repasses que somaram R$ 35 milhões ao resort. Toffoli reconheceu ser sócio da empresa Maridt, que teve participação no Tayayá, mas negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou Zettel. O conteúdo das mensagens está sob análise da Procuradoria-Geral da República e reforçou a pressão para que Toffoli deixasse a relatoria. O Ministro André Mendonça assumiu a relatoria, com a tarefa de analisar o material produzido e definir os rumos do inquérito, incluindo a manutenção ou remessa do caso para a primeira instância. O plenário do STF, em reunião, avaliou que não havia elementos para arguição de suspeição contra Toffoli e reconheceu a validade dos atos por ele praticados. Após a troca de relator, a defesa de Daniel Vorcaro avalia pedir a nulidade do processo no STF, argumentando violação da garantia do juiz natural, já que a mudança ocorreu sem que Toffoli se declarasse formalmente suspeito ou impedido;
- suspeitas de fraudes em carteiras vendidas ao BRB, que enfrenta situação financeira alarmante após adquirir R$ 12,2 bilhões em ativos do Master, correndo risco de liquidação;
- desdobramentos políticos e jurídicos;
- potenciais efeitos sobre fundos previdenciários públicos (RPPS), com risco de “socialização do prejuízo”;
- investigação de uma milícia privada liderada por Daniel Vorcaro, com ameaças e intimidações a opositores e jornalistas, e pagamentos a servidores do Banco Central, incluindo Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, afastados por suspeita de facilitar interesses do Master;
- estrutura ilegal de contrainteligência montada por Daniel Vorcaro, com acesso a informações sigilosas de investigações em andamento;
- envolvimento do Ministro Alexandre de Moraes, com revelação de conversas privadas com Daniel Vorcaro, questionamentos sobre imparcialidade e um pedido de impeachment planejado. Em 06 de março de 2026, a Secretaria de Comunicação do STF negou que o ministro Alexandre de Moraes tenha mantido conversas por mensagem com Daniel Vorcaro no dia de sua primeira prisão (17/11/2025). Uma análise técnica dos dados telemáticos de Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, concluiu que as mensagens de visualização única não correspondem a contatos de Moraes, estando vinculadas a outros contatos na lista de Vorcaro. No entanto, em 06 de março de 2026, o jornal O Globo publicou que mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes foram extraídas e periciadas pela PF. Essa análise técnica permitiu visualizar as mensagens do WhatsApp e imagens de visualização única, revertendo, na prática, o recurso de autodestruição. O material exibido pelo jornal continha o número e o nome do ministro Alexandre de Moraes, que foi conferido e checado. O número de Moraes teria respondido quatro vezes às mensagens de Vorcaro com imagens de visualização única e emojis de aprovação;
- vazamento de informações da vida privada de Daniel Vorcaro, incluindo conversas íntimas e menções a encontros com autoridades, gerou controvérsia e levou a Polícia Federal a abrir um inquérito para apurar o ocorrido, por determinação do ministro André Mendonça;
- decisão do STF sobre depoimento de ex-sócio: o ministro André Mendonça decidiu que Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master e investigado na Operação Compliance Zero, não é obrigado a comparecer ao depoimento na CPMI do INSS, facultando sua presença para evitar que produza provas contra si;
- proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, com expectativa de apresentação à PF e PGR em até três semanas, incluindo nomes de autoridades e oferta de pagamento pelo rombo causado a investidores;
- pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal de Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, protocolados na CPMI do INSS em 24 de março de 2026, devido a pagamentos de mais de R$ 80 milhões do Banco Master à advogada em 22 meses.
Contexto histórico e desenvolvimento
3) Tentativas de venda e BRB
Houve negociações para venda/integração do Master (BRB e Fictor), sem conclusão. Em 3 de setembro de 2025, o Banco Central (BC) rejeitou oficialmente a compra do Banco Master pelo BRB, após meses de análise e resistência do mercado quanto ao modelo de captação e à qualidade dos ativos.
Elementos centrais:
- reunião no BC em 06/04/2025 sobre aquisição pelo BRB (com propostas envolvendo BTG e FGC);
- operação mencionada em torno de R$ 2 bilhões para tratar descasamento de liquidez;
- Fitch colocou BRB e Master em observação;
- BC barrou tentativa de venda em setembro de 2025, com suspeita de diluição/fusão de balanços para absorver fraude;
- negociações de carteiras suspeitas entre Master e BRB totalizaram R$ 12,2 bilhões; a Polícia Federal investiga suspeitas de fraude na compra desses créditos;
- estimativas de prejuízo ao BRB variam (fala de saldo não recuperado de R$ 2 bilhões e potencial superior a R$ 4 bilhões em outras frentes);
- o Governo do Distrito Federal sancionou uma lei para reforçar o capital do BRB, permitindo a venda de imóveis públicos para apoiar o banco diante da crise de confiança relacionada a negócios com o Banco Master;
- em março de 2026, o governador do Distrito Federal solicitou ao FGC um empréstimo de R$ 4 bilhões para reforçar o capital do BRB, visando recompor indicadores regulatórios como o Índice de Basileia. A necessidade de provisões do BRB, pressionada por ativos problemáticos ligados ao Master, é estimada entre R$ 8,8 bilhões e R$ 13,3 bilhões por auditoria forense;
- em 31 de março de 2026, o BRB anunciou o adiamento da divulgação de seu balanço consolidado de 2025, justificando a necessidade de concluir a auditoria forense sobre a operação 'Compliance Zero'. O descumprimento do prazo legal sujeita o banco a esclarecimentos perante o Banco Central e a CVM, além de possíveis multas diárias e impacto na confiança dos investidores;
- em março de 2026, Ibaneis Rocha deixou o governo do Distrito Federal em meio ao desgaste político gerado pela crise no BRB. A gestão de Celina Leão, sua sucessora, enfrenta o risco de administração temporária ou privatização da instituição, que busca retornar ao foco regional após a frustrada expansão nacional e o impacto das operações com o Banco Master, pelas quais Ibaneis foi citado em depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal na Operação Compliance Zero. Em abril de 2026, Ibaneis faltou pela terceira vez a depoimento na CPMI do Crime Organizado, amparado por decisão do ministro André Mendonça (STF), o que gerou críticas do presidente da comissão, senador Fabiano Contarato, sobre a atuação do Judiciário na obstrução das investigações parlamentares sobre o caso;
- em 16 de abril de 2026, na 4ª fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro. Costa é suspeito de negociar propina de R$ 146,5 milhões com Daniel Vorcaro, com R$ 74 milhões já rastreados em imóveis de luxo, em troca da aquisição de carteiras de crédito fictícias do Master pelo BRB. A defesa de Costa nega as acusações. A governadora Celina Leão afirmou que o governo colabora com as investigações;
- em março de 2026, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, apontou a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central como responsável pela ascensão de Daniel Vorcaro no sistema bancário, alegando que alertas técnicos contrários à autorização do banqueiro em 2019 foram ignorados pela diretoria da época. O ministro também refutou vínculos de sua gestão como governador da Bahia com o grupo Master, reiterando que a fiscalização de agentes financeiros é competência exclusiva do Banco Central;
- em abril de 2026, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, prestou depoimento à CPI do Crime Organizado, esclarecendo que a autarquia identificou a ausência de lastro em carteiras do Master em meados de 2025. Galípolo negou tratativas com ministros do STF sobre o caso e confirmou que servidores do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, foram afastados sob suspeita de facilitar interesses do Master. O caso Master gerou um rombo de quase R$ 52 bilhões no FGC, e Daniel Vorcaro, fundador da instituição, firmou acordo de confidencialidade visando delação premiada.
Linha do tempo
- Mai–Out/2025 — FGC destina R$ 4,3 bilhões em operações de assistência ao Banco Master para tentar conter a deterioração financeira e permitir uma saída organizada do mercado. Registros de aviação civil e dados da Anac, divulgados em abril de 2026, indicam que o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, realizaram ao menos oito voos em jatos associados a empresas de Daniel Vorcaro no mesmo período. Em abril de 2026, documentos da Receita Federal revelaram que o escritório Barci de Moraes recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
- 14/11/2025 — O ministro Kassio Nunes Marques viaja de Brasília a Maceió em jato particular custeado pela advogada Camilla Ewerton Ramos, que atua para o Banco Master. A aeronave é ligada à Prime You, empresa que teve Daniel Vorcaro como sócio até setembro de 2025.
- 28/08/2025 — Daniel Vorcaro viaja em jatinho executivo de Brasília a São Paulo acompanhado de congressistas e ex-ministros durante negociações de venda do Banco Master ao BRB.
- 04/07/2025 — Dados da Anac e do Decea indicam que o ministro Dias Toffoli utilizou um jato executivo da Prime Aviation, empresa que tinha Daniel Vorcaro como sócio, para viajar de Brasília a Marília (SP).
- Jul/2023–Jul/2024 — BC identifica operações estruturadas do Master (aprox. R$ 11,5 bi) consideradas incompatíveis com princípios prudenciais.
- 24–26/04/2024 — Realizado em Londres o 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, patrocinado pelo Banco Master.
- 06/04/2025 — Reunião no BC sobre solução para aquisição do Master pelo BRB. Em audiência na CPI do Crime Organizado em 08/04/2026, Gabriel Galípolo relatou que, em encontro com Vorcaro em 2024, o presidente Lula assegurou que o Banco Master seria tratado de forma técnica pelo BC.
- Set/2025 — BC barra tentativa de venda de parte do Master ao BRB.
- Nov/2025 — PF deflagra Operação Compliance Zero (1ª fase). Gabriel Galípolo, presidente do BC, impõe sigilo de oito anos aos documentos da liquidação.
- 17/11/2025 — Daniel Vorcaro é preso em Guarulhos na manhã da intervenção.
- 18/11/2025 — BC decreta liquidação extrajudicial do Banco Master.
- Janeiro/2026 — BC decreta a liquidação do Will Bank, que integrava o conglomerado do Banco Master.
- 14/01/2026 — PF deflagra 2ª fase da Compliance Zero: 42 mandados e bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões.
- 04/03/2026 — Vorcaro é preso preventivamente por André Mendonça. Servidores do BC são afastados por suspeita de facilitar interesses do Master.
- 14/04/2026 — Encerramento das atividades da CPI do Crime Organizado após decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de não prorrogar os trabalhos.
- 16/04/2026 — PF deflagra a 4ª fase da Operação Compliance Zero, prendendo o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro. Investigações apontam acerto de propina de R$ 146,5 milhões de Vorcaro a Costa para viabilizar a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito fictícias do Master pelo BRB.
Principais atores
Pessoas
- Daniel Vorcaro — controlador do Banco Master; principal investigado; nega fraude e facilitação política. Seu celular continha menção ao nome de Dias Toffoli e mensagens que indicam pressão para pagamentos ao resort Tayayá, ligado a uma empresa da família de Toffoli. Sua defesa avalia pedir a nulidade do processo no STF, alegando violação da garantia do juiz natural. A CPI do INSS teve acesso às informações da quebra de sigilo de Vorcaro. Foi preso novamente em 04/03/2026 pela Polícia Federal em São Paulo, sob investigação de fraudes financeiras e liderança de milícia privada, com prisão preventiva decretada por André Mendonça. Mensagens obtidas pela PF revelam sua conduta agressiva, liderança de um grupo criminoso ("A Turma") para intimidação e acesso ilegal a informações, e proximidade com servidores do Banco Central. As investigações também revelaram que ele montou uma estrutura ilegal de contrainteligência, tendo acesso a informações sigilosas de alto nível sobre investigações em andamento. É acusado de estruturar esquema de captação agressiva de recursos e manter interlocução com servidores do BC para obter consultoria privada e orientações estratégicas, além de planejar agressões físicas contra jornalistas. Conversas privadas entre Vorcaro e o Ministro Alexandre de Moraes foram reveladas em 06/03/2026, indicando que ele prestava contas a Moraes sobre negociações do banco e consultava sobre inquérito sigiloso e lista de convidados para eventos. Teve conversas íntimas e menções a encontros com autoridades vazadas, o que levou a Polícia Federal a abrir um inquérito para apurar o vazamento. Em 09/03/2026, o ministro André Mendonça proibiu a gravação de suas conversas com advogados na prisão. Em 19/03/2026, foi preso novamente na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde avançou na proposta de delação premiada. Em abril de 2026, investigadores estabeleceram o prazo de duas semanas para que Vorcaro entregue os capítulos e anexos de sua proposta de delação à PF e à PGR, sob a coordenação de sua nova equipe de defesa, liderada pelo advogado José Luís de Oliveira Lima. A colaboração, que depende de homologação pelo ministro André Mendonça, exige que o banqueiro apresente fatos novos e concretos, incluindo a identificação de coautores e o rastreamento de recursos, para que possa obter benefícios legais. Seus pais o visitaram na prisão. Em 27/03/2026, sua defesa solicitou à Justiça dos Estados Unidos uma ordem de proteção contra a EFB Regimes Especiais de Empresas, liquidante do Banco Master, visando limitar buscas por informações sobre seus ativos pessoais no exterior, incluindo mansões em Miami e obras de arte de Picasso e Basquiat, sob o argumento de que a EFB conduz uma investigação generalizada sem justa causa. Em 07/04/2026, o Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida autorizou a EFB a intimar galerias de arte, varejistas de luxo e o próprio Vorcaro para mapear ativos ocultos, embora o juiz Scott Grossman tenha limitado a amplitude das buscas sobre uma mansão de US$ 32 milhões devido a um litígio formal já em curso contra familiares do banqueiro. Entre 2022 e 2024, adquiriu três jatos particulares, totalizando R$ 260 milhões pagos à vista, prática considerada incomum no mercado. Em 27/03/2026, a CPMI do INSS pediu seu indiciamento por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e estelionato, apontando-o como peça central em esquema fraudulento envolvendo o instituto.
- Nelson Tanure — empresário com atuação em setores como energia, telecomunicações e infraestrutura. Foi alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero em janeiro de 2026, sob suspeita de envolvimento nas fraudes do Banco Master e de ser sócio oculto da instituição. O gestor de fundos Vladimir Timerman, da Esh Capital, acusa Tanure de ameaças, perseguição e de ser o verdadeiro beneficiário final do esquema, que descreve como uma pirâmide financeira. Em março de 2026, a 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo remeteu ao STF um inquérito da PF que apura denúncias de coação feitas por Timerman contra Tanure, cabendo ao ministro André Mendonça avaliar a conexão com os demais inquéritos do caso Master. Tanure nega ser sócio, controlador ou beneficiário do banco, sustentando que manteve apenas relações comerciais legítimas e que as acusações de Timerman carecem de credibilidade.
- Roberto Campos Neto — ex-presidente do Banco Central (2019–2024). Apontado pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, como o "responsável central" pela ascensão de Daniel Vorcaro no sistema bancário. Segundo Costa, a cúpula do BC sob sua gestão teria ignorado alertas técnicos que negavam o pedido de Vorcaro em 2019, permitindo a entrada do banqueiro no mercado. Foi convocado pela CPI do Crime Organizado para prestar esclarecimentos sobre operações financeiras ligadas ao Banco Master, mas não compareceu em duas ocasiões, tendo sido desobrigado pelo ministro André Mendonça de comparecer à audiência de abril de 2026.
- Luiz Inácio Lula da Silva — presidente; declarou publicamente que o caso seria golpe > R$ 40 bi e afirmou a aliados que a permanência de Toffoli na relatoria era insustentável, defendendo que ninguém está imune a investigações. Em um encontro com Daniel Vorcaro em 2024, Lula teria reforçado que não haveria perseguição nem favorecimento, e que as decisões seriam técnicas do Banco Central.
- Fernando Haddad — ministro da Fazenda; chamou o caso de possível maior fraude bancária e, em 28/03/2026, o classificou como a "maior fraude bancária da história do Brasil", embora sem risco sistêmico. Defendeu atuação do BC/Galípolo e confirmou o alinhamento do governo federal em levar as investigações até o fim. Esclareceu a natureza do encontro entre Lula e Vorcaro.
- Rui Costa — ministro da Casa Civil. Defendeu sua gestão como governador da Bahia frente a tentativas de vinculá-la às atividades do grupo Master via programa de crédito consignado, transferindo a responsabilidade de fiscalização de agentes financeiros exclusivamente ao Banco Central. Apontou falhas na gestão anterior do BC sob Campos Neto como facilitadoras do esquema.
- Gabriel Galípolo — presidente do BC durante desdobramentos; conduz liquidação/auditoria interna. Em novembro de 2025, impôs sigilo de oito anos aos documentos da liquidação extrajudicial do Banco Master, medida que justificou como necessária para preservar a estabilidade financeira e proteger atividades de inteligência e fiscalização em curso. Em abril de 2026, em audiência na CPI do Crime Organizado, confirmou que Lula assegurou a Vorcaro, em 2024, que o tratamento do banco seria técnico; afirmou não ter tratado do tema posteriormente com o governo ou STF e relatou ter consultado o TCU sobre o andamento da apuração da liquidação. Em 08/04/2026, negou ter conversado com ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, sobre o caso Master, esclarecendo que reuniões presenciais com a Corte focaram na sanção da Lei Magnitsky dos EUA contra o magistrado e familiares. Na mesma audiência, justificou que o afastamento imediato de servidores como Paulo Souza e Belline Santana poderia parecer ação política, optando inicialmente por criar um grupo apartado de análise e, posteriormente, efetivando os afastamentos conforme o avanço das investigações, ressaltando que cabe à Justiça determinar se houve influência de vantagens indevidas nas atitudes dos envolvidos.
- Ailton de Aquino Santos — diretor de Fiscalização do BC; negou recomendação de compra de carteiras fraudadas ao BRB; colocou dados sob sigilo à disposição das autoridades.
- Dias Toffoli — ministro do STF e ex-relator do caso; suas decisões processuais geraram controvérsia e sua permanência como relator esteve sob questionamento após menção em celular de investigado e vínculo com resort que recebeu investimento de fundo ligado ao Master. Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro indicaram que o banqueiro foi pressionado a realizar pagamentos ao resort Tayayá, empreendimento ligado a uma empresa da família de Toffoli, somando R$ 35 milhões. Toffoli reconheceu ser sócio da empresa Maridt, que teve participação no Tayayá, mas negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou Zettel. A PF, em relatório, apontou indícios de crimes e a possibilidade de suspeição para Toffoli, fundamentando-se na Lei Orgânica da Magistratura e no regimento interno do STF. Determinou o envio de dados de celulares apreendidos pela PF ao STF e, posteriormente, se afastou da relatoria para diminuir o desgaste da Corte, mantendo os atos já praticados no inquérito. Negou a suspeição e classificou o relatório da PF como baseado em “ilações”. O STF, em nota conjunta dos dez ministros, declarou não ser caso de cabimento para arguição de suspeição, mas acolheu o pedido de Toffoli para redistribuição do caso, reconhecendo a plena validade de seus atos. A ausência de uma declaração formal de suspeição ou impedimento por parte de Toffoli é um dos argumentos da defesa de Daniel Vorcaro para pedir a nulidade do processo. Uma de suas decisões, que limitava a autonomia da PF na perícia de dispositivos eletrônicos, foi revertida por André Mendonça. Em abril de 2026, reportagens indicaram que Toffoli utilizou um jato da Prime Aviation, empresa de Daniel Vorcaro, para viajar em 4 de julho de 2025 com destino a Marília (SP), próximo ao resort Tayayá. O ministro admitiu ser sócio da Maridt, mas negou relação pessoal ou financeira com Vorcaro, afirmando que a venda de cotas do resort ocorreu dentro de valor de mercado.
- André Mendonça — ministro do STF, assumiu a relatoria do inquérito do Banco Master após o afastamento de Dias Toffoli. Tem adotado uma postura assertiva na condução do caso, reforçando a autonomia da Polícia Federal e ampliando o protagonismo de seu gabinete, que recebeu reforços técnicos de delegados da PF e juízes auxiliares para lidar com o aumento de processos sensíveis. Em 13/02/2026, reuniu-se com delegados da PF para tomar conhecimento do andamento das investigações. Em 19/02/2026, determinou a retomada do "fluxo ordinário" de perícias e depoimentos, revertendo uma decisão anterior de Toffoli. Em 20/02/2026, autorizou o acesso da CPI do INSS às informações da quebra de sigilo de Daniel Vorcaro. Em 04/03/2026, decretou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro e outros envolvidos na milícia privada, além de medidas cautelares contra servidores do Banco Central. Em 07/03/2026, acolheu o pedido da defesa de Daniel Vorcaro e determinou a abertura de apuração para identificar os responsáveis pelo vazamento de dados da vida privada do banqueiro. Em 09/03/2026, proibiu a gravação de conversas entre Daniel Vorcaro e seus advogados na prisão. Em 11/03/2026, decidiu que Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, não é obrigado a depor na CPMI do INSS. É o ministro responsável pela homologação de um eventual acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro. Em 16/04/2026, autorizou a prisão preventiva de Paulo Henrique Costa e do advogado Daniel Monteiro, sob acusação de envolvimento em esquema de propina e ocultação patrimonial. Embora tenha sofrido um revés no plenário do STF, que derrubou sua decisão de prorrogar a CPI do INSS, Mendonça mantém o apoio de um núcleo na Corte, incluindo Edson Fachin e Luiz Fux, para estabilizar o ambiente interno. Enfrenta críticas do ministro Gilmar Mendes quanto à fundamentação das prisões preventivas e ao uso de conceitos elásticos em suas decisões.
- Alexandre de Moraes — ministro do STF. Em 06/03/2026, foram reveladas conversas privadas entre ele e Daniel Vorcaro, indicando que o banqueiro prestava contas sobre negociações do banco e consultava o ministro sobre inquérito sigiloso e lista de convidados para eventos. Um pedido de impeachment contra ele será protocolado em 10/03/2026 pelo líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva, questionando sua imparcialidade. Já foi alvo de pedido de impeachment anterior devido a um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de sua esposa, Viviane Barci. Em 06/03/2026, a Secretaria de Comunicação do STF negou que ele tenha mantido conversas por mensagem com Daniel Vorcaro no dia da primeira prisão do banqueiro (17/11/2025), mas o jornal O Globo publicou que mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes foram extraídas e periciadas pela PF. Em 24 de março de 2026, teve a quebra de seus sigilos bancário e fiscal solicitada na CPMI do INSS pelo deputado Kim Kataguiri, para investigar possíveis conexões patrimoniais com os mais de R$ 80 milhões recebidos por sua esposa do Banco Master. Em 31/03/2026, negou ter viajado em aeronaves de Daniel Vorcaro, após reportagem da Folha de S.Paulo apontar oito voos em jatos ligados a empresas de Vorcaro e Zettel em 2025. O gabinete de Moraes classificou as alegações como "ilações fantasiosas" e "absolutamente falsas", enquanto o escritório Barci de Moraes confirmou a contratação de táxi aéreo, negando a presença de Vorcaro ou Zettel nos voos e afirmando que os pagamentos foram feitos via compensação de honorários. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 26/03/2026 aponta que o STF é a instituição com a imagem mais afetada pelo escândalo, com 47% dos brasileiros acreditando que a Corte está "totalmente envolvida" nas fraudes. O cenário político atual inclui especulações sobre a possível aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro, em meio à tensão diplomática sobre o caso.
- Kassio Nunes Marques — ministro do STF e relator de ação que pede a criação de CPI sobre o caso. Em abril de 2026, foi revelado que viajou em novembro de 2025 para Maceió em jato particular custeado pela advogada Camilla Ewerton Ramos, que atua para o Banco Master. A aeronave é ligada à Prime You, empresa que teve Daniel Vorcaro como sócio até setembro de 2025. O gabinete do ministro confirmou a viagem para a festa de aniversário da advogada, ressaltando que ela é esposa de um desembargador ex-colega de Nunes Marques no TRF-1. O ministro também se declara suspeito em processos envolvendo o advogado Luís Gustavo Severo, com quem foi visto no terminal de jatos de Brasília, por amizade pessoal.
- Edson Fachin — presidente do STF; atuou na supervisão institucional e análise de pedidos ligados à suspeição, tendo iniciado processo interno para avaliar a continuidade de Toffoli na relatoria e lido trechos do relatório da PF em reunião com os ministros. Recebeu o relatório da PF apontando indícios de crimes e suspeição de Toffoli e o encaminhou à PGR. Convocou a reunião do plenário que resultou na redistribuição do caso e no reconhecimento da validade dos atos do ex-relator, e abriu o processo que levou à designação de André Mendonça como relator. Tem atuado como ponto de apoio para Mendonça na estabilização do ambiente interno da Corte.
- Benedito Gonçalves — ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em 31/03/2026, declarou seu impedimento para julgar processos envolvendo o Banco Master. A decisão ocorreu após a revelação de sua participação em um evento jurídico em Londres, em abril de 2024, que incluiu uma degustação de whisky financiada por Daniel Vorcaro, com custos estimados em R$ 3,2 milhões para o evento e hospedagem em hotel de luxo. A medida visa garantir a lisura e a transparência dos julgamentos.
- Vital do Rêgo — presidente do TCU.
- Jhonatan de Jesus — ministro do TCU, relator de processos ligados ao caso. Em março de 2026, solicitou esclarecimentos formais ao Banco Central sobre a necessidade do sigilo de oito anos imposto aos documentos da liquidação do Banco Master, questionando a possibilidade de liberação parcial ou integral das informações.
- Paulo Gonet — procurador-geral da República; caberá à sua equipe definir se os elementos do relatório da PF justificam um pedido de suspeição ou a abertura de um inquérito contra Toffoli. A PGR analisava três pedidos de suspeição do ministro. O conteúdo das mensagens de Vorcaro sobre o resort Tayayá está sob análise da PGR. A PGR também será destinatária da proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro.
- Andrei Rodrigues — diretor-geral da PF. Afirmou que a ação e o atendimento a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão foram filmados sem pontos cegos.
- Paulo Henrique Costa — ex-presidente do BRB. Foi afastado e demitido do cargo após a primeira fase da Operação Compliance Zero em novembro de 2025. Em 16/04/2026, foi preso preventivamente na 4ª fase da mesma operação, sob acusação de ter acertado propina de R$ 146,5 milhões com Daniel Vorcaro em troca da compra de carteiras de crédito fictícias do Banco Master pelo BRB, totalizando ao menos R$ 12,2 bilhões. A PF rastreou R$ 74 milhões em pagamentos via imóveis de luxo. A defesa nega as acusações.
- Nelson Antônio de Souza — então presidente do BRB (contexto dos convites a influenciadores).
- Ibaneis Rocha — ex-governador do Distrito Federal; citado em contexto de negociações e questionamentos políticos. Durante sua gestão, o BRB realizou negócios bilionários com o Banco Master, incluindo tentativas de compra de ativos e exposição a carteiras de crédito que geraram prejuízos e investigações. Foi citado por Daniel Vorcaro em depoimento à PF no contexto da Operação Compliance Zero. Deixou o governo em março de 2026 para concorrer ao Senado, em meio ao desgaste político pela crise no banco público. Sancionou lei que autorizava o governo distrital a adotar medidas para reforçar o capital do BRB. Foi convocado pela CPI do Crime Organizado para prestar esclarecimentos sobre decisões envolvendo o BRB e sua relação com o caso Master.
- Ricardo Lewandowski — ex-STF/ex-ministro, ligado a contrato de consultoria anterior com o Master.
- Guido Mantega, Henrique Meirelles, Michel Temer — citados em papéis de consultoria/mediação/relacionamento.
- Ciro Nogueira e Antonio Rueda — apontados como pontes políticas em negociações.
- Fabiano Campos Zettel — cunhado de Vorcaro, alvo de medidas; também citado como doador político relevante. Administra fundo que investiu em resort onde Toffoli era sócio. Mensagens com Daniel Vorcaro revelaram sua atuação como operador nos pagamentos ao resort Tayayá. Reportagens indicaram que Zettel está por trás de uma teia de fundos de investimentos administrados pela Reag, gestora investigada por suspeita de fraudes envolvendo o Master. Teve prisão preventiva decretada em 04/03/2026, sendo apontado como operador financeiro do grupo e braço direito de Vorcaro, responsável pela intermediação e operacionalização de pagamentos, incluindo propinas e custeio das atividades de monitoramento da "A Turma". Em abril de 2026, trocou sua equipe de defesa pelo advogado Celso Vilardi e iniciou tratativas para um possível acordo de delação premiada com o ministro André Mendonça.
- Daniel Monteiro — advogado, alvo da 4ª fase da Operação Compliance Zero em abril de 2026, apontado como administrador de fundos utilizados para dificultar a rastreabilidade de recursos ilícitos e como testa de ferro de Paulo Henrique Costa, tendo recebido R$ 86,1 milhões em proveito ilegal.
- Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão — apelidado de "Sicário", líder da estrutura de intimidação "A Turma", recebia repasses mensais de R$ 1 milhão de Daniel Vorcaro para atos de coação. Teve prisão preventiva decretada em 04/03/2026. É apontado como coordenador de segurança de Vorcaro e líder operacional da "A Turma", responsável por obter informações sigilosas de órgãos como PF, MPF, FBI e Interpol, e por monitorar alvos e remover conteúdos críticos. Faleceu em 06/03/2026 após tentativa de suicídio enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Minas Gerais, sendo o óbito legalmente declarado após o encerramento do protocolo de morte encefálica. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar as circunstâncias de sua custódia.
- Marilson Roseno da Silva — teve prisão preventiva decretada em 04/03/2026. Policial federal aposentado que integrava o núcleo de coerção "A Turma", utilizando sua experiência para auxiliar na coleta de dados sensíveis e monitoramento de adversários.
- Paulo Sérgio Neves de Souza — então Chefe-Adjunto de Supervisão Bancária do Banco Central. Mensagens revelam sua proximidade com Daniel Vorcaro, tendo enviado a Vorcaro a imagem de sua portaria de nomeação no Diário Oficial, indicando possível envolvimento no esquema. Teve medidas cautelares decretadas em 04/03/2026, incluindo uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com investigados/testemunhas, proibição de ausentar-se da comarca e do país (com entrega de passaporte), suspensão de função pública e proibição de acesso ao BC. É apontado como consultor privado de Daniel Vorcaro, revisando documentos do Banco Master para o BC e antecipando informações sobre fiscalizações em troca de vantagens indevidas, como custeio de viagens ao exterior.
- Ana Claudia Queiroz de Paiva — funcionária de Daniel Vorcaro, envolvida na coordenação de pagamentos a servidores do Banco Central. Teve medidas cautelares decretadas em 04/03/2026, incluindo uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com investigados/testemunhas, e proibição de ausentar-se da comarca e do país (com entrega de passaporte). É sócia da Super Empreendimentos e responsável pela operacionalização financeira dos fluxos de recursos para "A Turma" e servidores corrompidos, participando da lavagem de dinheiro.
- Monique — empregada de Daniel Vorcaro, alvo de ameaças por parte do banqueiro, que solicitou que informações sobre ela fossem levantadas.
- Lauro Jardim — jornalista do O GLOBO, alvo de ameaças de ataque físico por Daniel Vorcaro, que cogitou simular um assalto para "quebrar todos os dentes" dele.
- Belline Santana — servidor do BC. Teve medidas cautelares decretadas em 04/03/2026, incluindo uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com investigados/testemunhas, proibição de ausentar-se da comarca e do país (com entrega de passaporte), suspensão de função pública e proibição de acesso ao BC. É apontado por prestar consultoria estratégica informal a Vorcaro, analisando ofícios e participando de reuniões privadas, recebendo remuneração ilícita por meio de contrato de consultoria fictício com a empresa Varajo.
- Leonardo Augusto Furtado Palhares — administrador da Varajo Consultoria. Teve medidas cautelares decretadas em 04/03/2026, incluindo uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com investigados/testemunhas, e proibição de ausentar-se da comarca e do país (com entrega de passaporte). Atuou na formalização documental do contrato simulado para repassar valores a Belline Santana, sendo sua empresa apontada como "conta de passagem" para ocultar a origem ilícita dos pagamentos.
- João Carlos Mansur — ex-presidente da Reag, investigado.
- Viviane Barsi de Moraes — advogada, esposa de Alexandre de Moraes. Seu escritório firmou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, o que motivou um pedido de impeachment anterior contra o Ministro Alexandre de Moraes. Em 24 de março de 2026, teve a quebra de seus sigilos bancário e fiscal solicitada na CPMI do INSS pelo deputado Kim Kataguiri, devido a pagamentos de mais de R$ 80 milhões do Banco Master em 22 meses. Em 31/03/2026, o escritório Barci de Moraes negou a presença de Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel em voos de táxi aéreo contratados pela banca, incluindo aeronaves da Prime Aviation.
- Joesley Batista — empresário da J&F, teve sua participação em um fórum jurídico em Londres "bloqueada" por determinação de Alexandre de Moraes, após consulta de Daniel Vorcaro.
- Cabo Gilberto Silva — líder da oposição na Câmara dos Deputados (PL-PB). Anunciou que protocolará um pedido de impeachment contra o Ministro Alexandre de Moraes em 10/03/2026, devido às conversas reveladas com Daniel Vorcaro e questionamentos sobre a imparcialidade do ministro.
- Kim Kataguiri — deputado federal (Missão-SP). Em 24 de março de 2026, protocolou pedidos na CPMI do INSS para quebrar os sigilos bancário e fiscal de Alexandre de Moraes e de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
- Davi Alcolumbre — presidente do Senado Federal; cabe a ele determinar a abertura ou não de processos de impeachment contra ministros do STF e a prorrogação da CPI do Crime Organizado. O ministro André Mendonça determinou prazo de 48 horas para que ele leia o requerimento de prorrogação dos trabalhos da CPMI do INSS. Preside a CPI do Crime Organizado, que teve sua prorrogação negada por Alcolumbre em abril de 2026, com encerramento confirmado para o dia 14 do mesmo mês, sob a justificativa de proximidade com o calendário eleitoral.
- Alessandro Vieira — senador (MDB-SE) e relator da CPI do Crime Organizado. Criticou publicamente a decisão de Davi Alcolumbre de não prorrogar a comissão, classificando-a como um "desserviço para o Brasil" e destacando que o caso Banco Master é um exemplo didático de infiltração criminosa nos Poderes da República.
- Augusto Arruda Botelho — advogado citado em contexto de viagem com Toffoli.
- Valdenice Pantaleão e Fernando Alves Vieira — nomes ligados ao episódio Clínica Mais Médicos S.A.
- Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Nunes Marques, Cristiano Zanin, Flávio Dino – Ministros do STF que assinaram a nota conjunta sobre o afastamento de Toffoli e a validade de seus atos.
- Martha Graeff — modelo e influenciadora, ex-namorada de Daniel Vorcaro. Em 27/03/2026, manifestou-se publicamente afirmando desconhecer as atividades ilícitas do banqueiro e negando ter sido beneficiária de transferências de bens ou ocultação de patrimônio. Criticou o vazamento de conversas íntimas e a exposição de sua vida privada, que afetou sua família. Seu advogado, Lúcio de Constantino, descreveu seu estado como de choque e decepção, reiterando que não há elementos que a vinculem às irregularidades investigadas.
- Augusto Ferreira Lima — ex-sócio do Banco Master e investigado na Operação Compliance Zero. Em 11/03/2026, o ministro André Mendonça decidiu que ele não é obrigado a depor na CPMI do INSS.
- Sérgio Leonardo e José Luís Oliveira Lima (Juca) — advogados que coordenam a equipe de defesa de Daniel Vorcaro nas negociações de delação premiada.
- Antônio Carlos Camilo Antunes — conhecido como “careca do INSS”, teve seu indiciamento pedido pela CPMI do INSS em 27/03/2026, junto a Daniel Vorcaro, por envolvimento no esquema fraudulento.
Termos importantes
- Liquidação extrajudicial: regime administrativo decretado pelo BC para encerrar instituição financeira inviável, com liquidante responsável por arrecadar ativos e pagar credores conforme ordem legal. A liquidação pode ser estendida a outras instituições do mesmo grupo financeiro, como ocorreu com o Will Bank em janeiro de 2026, após a liquidação do Banco Master.
- FGC (Fundo Garantidor de Créditos): mecanismo privado financiado por bancos para cobrir certos créditos (ex.: CDB) até limites legais (tipicamente R$ 250 mil por CPF/CNPJ por instituição/conglomerado, conforme regra aplicável). Antes da liquidação do Banco Master, o FGC possuía patrimônio de R$ 160 bilhões, dos quais R$ 122 bilhões eram recursos líquidos em caixa. Entre maio e outubro de 2025, o FGC destinou R$ 4,3 bilhões em operações de assistência ao Banco Master para tentar conter sua deterioração financeira e permitir uma saída organizada do mercado. Apesar da medida, o grupo captou apenas R$ 90,2 milhões no período, mantendo um quadro crítico de liquidez. A intervenção do FGC ajudou a reduzir a exposição final do fundo de R$ 51 bilhões para cerca de R$ 40 bilhões, embora o caso permaneça como o maior evento de sua história, com um desembolso total superior a R$ 51 bilhões devido às liquidações de nove instituições ligadas a Daniel Vorcaro. Até abril de 2026, o FGC já havia pago R$ 39,3 bilhões a credores do conglomerado Master (96,9% do previsto) e iniciou o ressarcimento de credores do Will Bank, alertando que investidores que já atingiram o teto de R$ 250 mil no grupo Master não possuem direito a garantias adicionais, salvo exceções para instrumentos adquiridos até 31 de agosto de 2024.
- CDB: título de captação emitido por banco, remunerado por taxa prefixada, pós-fixada ou híbrida.
- CDI: referência de taxa interbancária usada como benchmark de renda fixa no Brasil.
- Carteira de crédito: conjunto de operações de empréstimo/financiamento que pode ser cedido entre instituições.
- Ativo podre / baixa liquidez: ativo de difícil venda/realização ou com valor econômico questionável.
- Superfaturamento de ativos: contabilizar/negociar ativos por valores artificialmente elevados para melhorar aparência patrimonial.
- Esquema Ponzi (pirâmide financeira): pagamentos a investidores antigos com recursos de novos entrantes, sem geração econômica sustentável compatível.
- Laranja: pessoa/empresa usada para ocultar beneficiário real de operação.
- Foro por prerrogativa de função: competência de tribunais superiores para investigar/julgar autoridades com cargo específico.
- Suspeição de magistrado: incidente processual para questionar imparcialidade do julgador por vínculo/interesse/circunstâncias objetivas. A PF, em seu relatório, sugeriu a análise da questão da suspeição com base no artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura (Lomam). O STF, no entanto, afirmou que não houve reconhecimento de suspeição de Dias Toffoli, e que sua saída da relatoria ocorreu por regra interna que permite ao relator submeter à Presidência questões relacionadas ao bom amamento dos processos. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) prevê que um juiz pode deixar um caso em situação de impedimento, suspeição ou por questões administrativas.
- RPPS: regime próprio de previdência social de servidores públicos (fundos previdenciários de estados/municípios).
- Socialização do prejuízo: transferência indireta de perdas privadas para coletividade (via contribuições, aportes públicos, cortes orçamentários ou maior endividamento).
- Conta de pagamento: modalidade de conta em que o saldo do cliente deve ficar depositado em uma conta específica no Banco Central, separada do patrimônio da instituição, e não pode ser usado para conceder crédito ou outras operações bancárias.
- Distribuição de processos (STF): mecanismo de designação de relatores para os processos no Supremo Tribunal Federal, que pode ocorrer por sorteio eletrônico (automático e aleatório) ou por prevenção (quando um processo novo tem ligação com outro já em amamento com o mesmo relator, para evitar decisões conflitantes). O presidente do STF e ministros em certas condições (licenciados, suspeitos, etc.) não participam da distribuição geral.
- Juiz natural: princípio constitucional que garante que ninguém pode ser julgado por um tribunal ou juiz que não seja previamente estabelecido por lei, assegurando imparcialidade e evitando a escolha arbitrária do julgador. A defesa de Daniel Vorcaro avalia pedir a nulidade do processo no STF, argumentando violação desta garantia.
- Perícia de dispositivos eletrônicos: análise técnica de celulares, computadores e outras mídias digitais para extração e exame de dados, fundamental em investigações criminais. No caso Master, envolve cerca de 100 dispositivos eletrônicos, com estimativa de 20 semanas de dedicação exclusiva por perito para a extração dos dados.
- Quebra de sigilo: autorização judicial para acesso a informações protegidas por sigilo (bancário, fiscal, telefônico, etc.), essencial para investigações financeiras e criminais. No caso, a CPI do INSS obteve acesso à quebra de sigilo de Daniel Vorcaro. Em 24 de março de 2026, a CPMI do INSS recebeu pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal de Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes.
- Risco sistêmico: risco de que a falência de uma instituição financeira ou de um conjunto de instituições possa desencadear uma reação em cadeia, afetando todo o sistema financeiro e a economia em geral.
- Recolhimento compulsório: percentual dos depósitos que as instituições financeiras são obrigadas a manter retido no Banco Central, como instrumento de política monetária e para garantir a liquidez do sistema. Em 03/03/2026, o BC alterou a regra, permitindo que parte desses recursos seja direcionada ao FGC.
- Milícia privada: grupo armado ou estrutura organizada que atua de forma ilegal para exercer controle, intimidação ou violência, muitas vezes com fins econômicos ou políticos.
- Obstrução de justiça: ato de interferir em investigações, processos judiciais ou na administração da justiça, visando impedir ou dificultar a aplicação da lei.
- A Turma: nome dado ao grupo criminoso liderado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, supostamente contratado por Daniel Vorcaro para intimidação, agressão e investigação ilegal de opositores.
- Contrainteligência ilegal: prática de obter e usar informações sigilosas de investigações ou de órgãos públicos de forma ilícita, muitas vezes para antecipar ações das autoridades e obstruir a justiça.
- Medidas cautelares: providências judiciais provisórias para garantir o amamento de um processo ou proteger bens e pessoas, como proibição de contato, uso de tornozeleira eletrônica ou suspensão de função.
- Prisão preventiva: tipo de prisão cautelar decretada antes da condenação definitiva, quando há indícios de autoria e materialidade do crime, e a liberdade do acusado representa risco para a ordem pública, econômica, instrução criminal ou aplicação da lei penal.
- Suspensão de atividades de empresas: medida judicial que impede uma empresa de operar, geralmente aplicada em casos de atividades ilícitas para interromper a continuidade dos crimes e preservar provas.
- Suicídio sob custódia: ato de tirar a própria vida enquanto detido por autoridades, que geralmente desencadeia uma investigação interna para apurar as circunstâncias e responsabilidades.
- Grupo de Pronta Intervenção (GPI): equipe especializada da Polícia Federal para atuar em situações de risco e emergência, incluindo primeiros socorros e reanimação.
- Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu): serviço de saúde pré-hospitalar móvel que presta socorro em situações de urgência e emergência.
- Terceira fase da Operação Compliance Zero: desdobramento da operação policial que resultou na prisão de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e outros envolvidos no esquema do Banco Master.
- Impeachment: processo político-jurídico que visa destituir um alto funcionário público (como um ministro do STF) por crime de responsabilidade.
- Visualização única: recurso de aplicativos de mensagens que permite que o conteúdo enviado seja visualizado apenas uma vez pelo destinatário, sendo automaticamente apagado após a abertura.
- Inquérito sigiloso: investigação policial ou judicial que tramita sob segredo de justiça, com acesso restrito às partes envolvidas e autoridades competentes.
- CPMI do INSS: Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que teve acesso a dados telemáticos de Daniel Vorcaro.
- Vazamento de dados: divulgação não autorizada de informações sigilosas ou privadas, que pode gerar consequências legais e éticas.
- Flexibilização de medidas de segurança: alteração das regras de segurança aplicadas a detentos, geralmente solicitada por advogados para garantir o direito de defesa e a comunicação sigilosa com seus clientes.
- Delação premiada: acordo de colaboração com a justiça em que o investigado ou réu confessa crimes e fornece informações úteis para a investigação em troca de benefícios legais, como redução de pena.
- Relatório de inteligência financeira: documento produzido por órgãos como o Coaf, que analisa movimentações financeiras atípicas e pode indicar indícios de lavagem de dinheiro ou outros ilícitos.
Perguntas frequentes
O que é o Caso Banco Master?
O caso Banco Master é uma crise bancária e institucional de grande escala no Brasil, marcada pela liquidação extrajudicial do banco em novembro de 2025. As investigações revelaram uma suposta fraude bilionária, envolvendo manipulação de ativos, corrupção e a formação de uma estrutura ilegal de contrainteligência para intimidar opositores.
Por que o Banco Master foi liquidado?
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025 devido à deterioração econômico-financeira da instituição. O banco enfrentava uma grave crise de liquidez e foi alvo de investigações por infrações regulatórias, incluindo a simulação de solvência e o uso de ativos de baixa liquidez.
O que é a Operação Compliance Zero?
A Operação Compliance Zero é uma investigação da Polícia Federal que apura crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa no Banco Master. A operação revelou a existência de uma milícia privada liderada pelo controlador do banco, Daniel Vorcaro, além de pagamentos indevidos a servidores do Banco Central.
Como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi impactado?
O caso gerou um impacto massivo no FGC, que precisou realizar pagamentos bilionários a credores do conglomerado Banco Master, Will Bank e Banco Pleno. Estima-se que o fundo desembolse cerca de R$ 51,8 bilhões, representando um dos maiores desafios financeiros da história do mecanismo de proteção aos investidores brasileiros.
Quais autoridades estão envolvidas no Caso Banco Master?
O caso envolve diversas instituições de alto escalão, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União. O Banco Central atua na regulação e liquidação, enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, acompanha os desdobramentos sobre a estabilidade do sistema financeiro.
Clientes do Banco Master perderam dinheiro?
Os clientes com investimentos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), como CDBs, têm direito ao ressarcimento até o limite legal de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. O FGC iniciou os pagamentos em janeiro de 2026, garantindo a devolução dos valores para a grande maioria dos investidores elegíveis afetados pela liquidação.
O que o caso revela sobre a supervisão do Banco Central?
O caso expôs possíveis falhas no timing regulatório e na eficácia da supervisão bancária, gerando um amplo debate sobre governança e controle prudencial. Em resposta, o Banco Central está revisando normas de segurança e implementou medidas para reforçar o capital do FGC, visando evitar que situações de fraude dessa magnitude se repitam.
Repercussão pública e percepção institucional
O desdobramento do caso Banco Master gerou um impacto significativo na opinião pública brasileira, refletindo uma percepção de amplo envolvimento das esferas de poder no esquema de fraudes. Segundo levantamento realizado pelo instituto AtlasIntel entre 18 e 23 de março de 2026, com 5.028 entrevistados e margem de erro de um ponto percentual, 47% da população acredita que o Supremo Tribunal Federal (STF) está "totalmente envolvido" nas irregularidades. O STF é apontado como a instituição com a imagem mais afetada pelo escândalo, cenário impulsionado pela relatoria do ministro Dias Toffoli e por revelações da Polícia Federal sobre a proximidade entre o controlador Daniel Vorcaro e ministros da corte. Em abril de 2026, reportagens da imprensa trouxeram à tona registros de aviação civil indicando que o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, realizaram ao menos oito viagens entre maio e outubro de 2025 em jatos executivos associados a empresas com participação de Daniel Vorcaro. Sete desses voos teriam ocorrido em aeronaves da Prime Aviation, empresa de compartilhamento de bens de luxo da qual Vorcaro era sócio, enquanto um voo teria sido realizado em jato de empresa privada ligada a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado no caso. No mesmo período, o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes mantinha contrato com o Banco Master. Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado em abril de 2026 confirmaram que o banco declarou 22 pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao escritório entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, totalizando R$ 80,2 milhões. O gabinete de Moraes classificou as informações como "absolutamente falsas", afirmando que o ministro não conhece o empresário ou Zettel. O escritório Barci de Moraes negou irregularidades, sustentando que a contratação de táxi aéreo seguiu critérios operacionais e que os pagamentos foram compensados via honorários advocatícios por uma consultoria jurídica. Paralelamente, reportagens apontaram que o patrimônio imobiliário do casal Moraes cresceu 266% desde 2017, somando 17 imóveis avaliados em R$ 31,5 milhões.
Adicionalmente, documentos da Anac e do Decea indicam que o ministro Dias Toffoli utilizou um jato da Prime Aviation em 4 de julho de 2025, decolando de Brasília com destino a Marília (SP). Registros de segurança indicam o deslocamento de agentes para o resort Tayayá, no Paraná, local frequentado pelo ministro e ligado a uma empresa da qual ele foi sócio, a Maridt. O ministro admitiu a sociedade na Maridt, mas negou relação pessoal ou financeira com Daniel Vorcaro, afirmando que a venda de suas cotas no grupo Tayayá foi declarada à Receita Federal e que não era administrador da companhia, apenas recebia dividendos. O gabinete de Toffoli declarou que o ministro desconhece o gestor do Fundo Arleen — que adquiriu participação no resort — e que jamais recebeu valores de Vorcaro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel. Em abril de 2026, também foi revelado que o ministro Kassio Nunes Marques viajou em novembro de 2025 para Maceió em um jato particular custeado pela advogada Camilla Ewerton Ramos, que atua judicialmente para o Banco Master. A aeronave é ligada à Prime Aviation, operadora vinculada à estrutura de bens de Vorcaro. O gabinete de Nunes Marques confirmou a viagem para uma festa de aniversário da advogada, ressaltando que ela é esposa de um desembargador ex-colega do ministro no TRF-1 e que a organização e os custos do voo foram de responsabilidade da anfitriã. Nunes Marques é relator de uma ação no STF que solicita a criação de uma CPI para investigar o caso Master. A relatoria do caso principal no STF foi transferida para o ministro André Mendonça em fevereiro de 2026. A defesa de Vorcaro declarou que o empresário foi sócio da Prime You (anteriormente Prime Aviation) apenas entre 2021 e 2025.
No âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ministro Benedito Gonçalves declarou, em 31 de março de 2026, seu impedimento para julgar processos envolvendo o Banco Master. A decisão ocorreu após a revelação de que o magistrado participou, em abril de 2024, de um evento em Londres — o 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias — e de uma degustação de whisky financiada por Daniel Vorcaro. O evento, que também custeou a viagem do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, contou com a presença de diversas autoridades dos Três Poderes. Informações obtidas via Lei de Acesso à Informação confirmaram que a organização do fórum arcou com despesas de hospedagem, alimentação e locomoção de Rodrigues, sem pagamento de diárias pelo órgão público. A degustação de whisky, realizada em um clube privado, envolveu um gasto de cerca de R$ 3,2 milhões e contou com a presença de ministros do STF e do STJ. Anteriormente, Dias Toffoli já havia declarado suspeição em inquérito que apura fraudes bancárias ligadas à instituição.
Como reflexo direto do escândalo, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli foram alvos de novos pedidos de impeachment apresentados ao Senado Federal. Até abril de 2026, foram contabilizados oito pedidos contra cada um dos magistrados, totalizando 16 novas representações motivadas pelas supostas ligações com o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. O Senado, órgão responsável por processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade, acumula 102 ações em tramitação, considerando o histórico desde janeiro de 2021. Embora a Constituição não preveja o impeachment de ministros do STF, o rito de crime de responsabilidade permite que cidadãos protocolizem denúncias, as quais dependem de análise do presidente da Casa para prosseguimento, algo que nunca resultou em aprovação na história do tribunal. Em abril de 2026, foi definido que a CPI do Crime Organizado não seria prorrogada, encerrando suas atividades em 14 de abril. Diante do desgaste institucional, o Partido dos Trabalhadores (PT) passou a articular, em abril de 2026, uma proposta de reforma do Judiciário com o objetivo de estabelecer mecanismos para maior controle sobre a atuação de ministros do STF.
Além do Poder Judiciário, a proximidade de Vorcaro com a classe política foi reforçada por registros de voos. Em 28 de agosto de 2025, enquanto negociava a venda do Banco Master para o Banco de Brasília, Vorcaro viajou de Brasília a São Paulo em um jatinho executivo acompanhado pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), pelos deputados federais Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Rodrigo Gambale (Podemos-SP), e pelos ex-ministros Fábio Faria e Bruno Bianco. A operação de venda foi vetada pelo Banco Central em setembro de 2025. Nenhum dos passageiros comentou sobre a viagem quando procurados pela imprensa.
A percepção de envolvimento institucional estende-se a outros pilares do Estado. A pesquisa indicou que 45% dos brasileiros consideram o Congresso Nacional "totalmente envolvido", enquanto 43% atribuem o mesmo nível de participação ao governo federal. Em comparação, o Banco Central é visto como "totalmente envolvido" por 28% dos entrevistados, enquanto governos estaduais e municipais somam 25% na percepção de envolvimento total. Os dados sugerem que o caso Banco Master transcendeu a esfera financeira, tornando-se um tema central nas disputas e na avaliação da integridade das instituições públicas em Brasília.