O caso Banco Master é uma crise bancária e institucional no Brasil, desencadeada pela liquidação extrajudicial do banco em novembro de 2025, devido a deterioração econômico-financeira e infrações regulatórias. As investigações da Operação Compliance Zero da Polícia Federal revelam uma suposta fraude bilionária, envolvendo manipulação de ativos, pagamentos a servidores do Banco Central, uma milícia privada para intimidação e uma estrutura ilegal de contrainteligência. O caso gerou grande impacto no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com pagamentos massivos a credores, e envolveu figuras políticas e jurídicas de alto escalão, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal, levantando questões sobre supervisão regulatória e a integridade do sistema financeiro.
O caso Banco Master é uma crise bancária e institucional de grande escala no Brasil. Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do banco por deterioração econômico-financeira, crise de liquidez e infrações regulatórias.
A partir daí, o caso evoluiu para:
Até fevereiro de 2026, o caso também passou a envolver:
O Banco Master operava com:
Segundo o BC e a PF, houve estrutura de operações que teria:
Entre julho de 2023 e julho de 2024, o BC apontou operações estruturadas que somaram cerca de R$ 11,5 bilhões em desacordo com seletividade e liquidez.
Mecânica descrita:
Pontos citados:
Caso específico citado em 15/01/2026:
Houve negociações para venda/integração do Master (BRB e Fictor), sem conclusão.
Elementos centrais:
A liquidação extrajudicial implicou:
FGC:
Observação importante:
Além do Master, o FGC também teria obrigação sobre o Will Bank (liquidação decretada na semana de 19/01/2026):
A Operação Compliance Zero (PF) apura:
Conflitos centrais:
As investigações da Operação Compliance Zero revelaram que Daniel Vorcaro liderava uma milícia privada para intimidar e atacar opositores. Trocas de mensagens pelo WhatsApp entre Vorcaro e seus colaboradores expuseram a existência de uma estrutura denominada "A Turma", utilizada para intimidação e monitoramento ilegal. O núcleo de "intimidação e obstrução de justiça" era liderado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário", que recebia repasses mensais de R$ 1 milhão para atos de coação.
Em uma das conversas, Vorcaro ordenou um ataque ao jornalista Lauro Jardim após a publicação de notícias desfavoráveis, afirmando: "Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto". A PF considera esse diálogo um indício de tentativa de forjar um crime para silenciar a imprensa. Outra mensagem mostra Vorcaro ameaçando uma empregada: "Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda", e em seguida ordenando que Mourão levantasse o endereço dela. O GLOBO repudiou veementemente as ameaças contra Lauro Jardim, classificando-as como iniciativas criminosas para calar a imprensa.
As apurações também indicam que Daniel Vorcaro usava o aplicativo de mensagens para coordenar pagamentos a servidores do Banco Central. Diálogos com sua funcionária Ana Claudia confirmam os valores destinados ao grupo. Mensagens revelam uma relação de proximidade entre Vorcaro e altos servidores do BC, como Paulo Sérgio Neves de Souza, então Chefe-Adjunto de Supervisão Bancária, que chegou a enviar a Vorcaro a imagem de sua própria portaria de nomeação, recebendo um "Parabéns" como resposta.
As investigações da Operação Master revelaram que Daniel Vorcaro montou uma estrutura ilegal de contrainteligência, tendo acesso a informações de alto nível de sigilo, incluindo diligências investigativas em andamento e decisões confidenciais. Documentos encontrados no celular de Vorcaro comprovam esse acesso prévio e ilegal a procedimentos e autoridades associadas às investigações, algo que nem mesmo outros procuradores tinham acesso. O ministro André Mendonça, ao autorizar a operação de 04/03/2026, citou expressamente que "foram identificados registros indicando que DANIEL BUENO VORCARO teve acesso prévio a informações relacionadas à realização de diligências investigativas, tendo realizado anotações e comunicações relativas a autoridades e procedimentos associados às investigações em andamento".
Em 04 de março de 2026, uma nova fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal, com medidas autorizadas pelo ministro André Mendonça. As investigações aprofundaram os crimes contra o sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça. Foram decretadas prisões preventivas e medidas cautelares, além da suspensão de atividades de empresas envolvidas no esquema.
Prisões Preventivas:
Medidas Cautelares (incluindo uso de tornozeleira eletrônica e proibição de contato com investigados/testemunhas):
Empresas com atividades suspensas:
O ministro André Mendonça justificou as prisões como necessárias para garantir a ordem pública e econômica, evitar a destruição de provas e ameaças a testemunhas, e assegurar a aplicação da lei penal. As investigações indicam que Daniel Vorcaro estruturava um esquema de captação agressiva de recursos para investir em ativos de alto risco vinculados ao próprio grupo, mantinha interlocução com servidores do BC para obter informações privilegiadas e comandava a "A Turma" para intimidar adversários e jornalistas. Fabiano Zettel atuava na operacionalização de pagamentos e repasse de propinas. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão era responsável por obter informações sigilosas de órgãos como PF, MPF, FBI e Interpol, além de monitorar alvos. Marilson Roseno da Silva utilizava sua experiência policial para auxiliar na coleta de dados. Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana são apontados como consultores privados de Vorcaro, recebendo vantagens indevidas por informações e consultorias sobre fiscalizações do BC. Leonardo Augusto Furtado Palhares e Ana Claudia Queiroz de Paiva são acusados de participar da formalização de contratos simulados e operacionalização de fluxos de recursos ilícitos.
Em 04 de março de 2026, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário" e apontado como líder operacional da "A Turma" de Daniel Vorcaro, cometeu suicídio enquanto estava sob custódia da Polícia Federal na Superintendência Regional de Minas Gerais. Mourão, que havia sido preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, teria se enforcado com a própria camiseta. Apesar dos esforços de reanimação por parte dos policiais federais e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ele não resistiu e faleceu no Hospital João XXIII. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que toda a ação e o atendimento foram filmados sem pontos cegos. O incidente foi comunicado ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, e os registros em vídeo serão entregues à Corte. Mourão era responsável por obter informações sigilosas, monitorar adversários e neutralizar situações sensíveis aos interesses de Daniel Vorcaro. Em 06 de março de 2026, o óbito foi legalmente declarado após o encerramento do protocolo de morte encefálica, iniciado no mesmo dia. A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da custódia e o atendimento prestado a Mourão.
Em 06 de março de 2026, foram reveladas conversas privadas entre o Ministro do STF Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicam que ele prestava contas a Moraes sobre as negociações de venda do banco e consultava o ministro sobre um inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília. Outras mensagens mostram que Vorcaro consultou Moraes sobre a lista de convidados para um fórum jurídico em Londres, em abril de 2024, resultando na determinação do magistrado para que o empresário Joesley Batista, da J&F, fosse "bloqueado" do evento. Para manter o sigilo, Vorcaro e Moraes usavam o recurso de visualização única, o que significa que as respostas do ministro não estão disponíveis, mas as notas de Vorcaro permaneceram acessíveis no histórico do aparelho celular do banqueiro. Essas revelações levaram a questionamentos sobre a imparcialidade de Moraes, especialmente considerando um pedido de impeachment anterior baseado em um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes.
Em 06 de março de 2026, a Secretaria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou uma nota negando que o ministro Alexandre de Moraes tenha mantido conversas por mensagem com o banqueiro Daniel Vorcaro no dia de sua primeira prisão, em 17 de novembro de 2025. Uma análise técnica dos dados telemáticos de Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, concluiu que as mensagens de visualização única enviadas naquela data não correspondem a contatos de Alexandre de Moraes, estando vinculadas a outros contatos na lista de Vorcaro. O STF afirmou que os nomes e telefones associados aos arquivos não serão divulgados devido a sigilo decretado pelo ministro André Mendonça.
No entanto, também em 06 de março de 2026, o jornal O Globo publicou uma reportagem informando que mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes foram extraídas e periciadas pela Polícia Federal. Essa análise técnica, realizada por meio de um software específico, permitiu visualizar as mensagens do WhatsApp e as imagens de visualização única nelas contidas, revertendo, na prática, o recurso de autodestruição. O material exibido pelo jornal continha o número e o nome do ministro Alexandre de Moraes, que foi conferido e checado. O número de Moraes teria respondido quatro vezes às mensagens de Vorcaro com imagens de visualização única, além de emojis de aprovação à primeira e à última mensagens enviadas. Para proteger informações pessoais do ministro, o número de Moraes foi coberto nos prints publicados pelo jornal.
Em 24 de março de 2026, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) protocolou pedidos na CPMI do INSS para quebrar os sigilos bancário e fiscal de Alexandre de Moraes e de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Os requerimentos visam investigar a movimentação financeira do casal, especialmente os pagamentos de mais de R$ 80 milhões que Viviane Barci de Moraes, sócia do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, recebeu do Banco Master ao longo de 22 meses. O pedido para a advogada solicita relatórios de inteligência financeira ao Coaf e a quebra de sigilos para rastrear a origem e o destino dos recursos, enquanto o pedido para o ministro busca identificar possíveis conexões patrimoniais e compartilhamento de valores. Kataguiri justificou a necessidade da quebra de sigilo de Moraes pela "conexão direta com a investigação de sua cônjuge, que figura como beneficiária de repasses atípicos da referida instituição financeira".
Em 07 de março de 2026, a Polícia Federal divulgou uma nota afirmando que nunca incluiu informações da vida privada do banqueiro Daniel Vorcaro nos relatórios da investigação sobre o Banco Master e que abrirá um inquérito para apurar o vazamento desses dados. As conversas, que incluíam diálogos íntimos com sua namorada, Martha Graeff, e menções a encontros com o ministro Alexandre de Moraes e parlamentares, foram enviadas à CPI do INSS por decisão do STF. A PF destacou que não edita, seleciona ou manipula dados extraídos de equipamentos apreendidos, sob pena de violação do direito ao contraditório e à ampla defesa. A defesa de Vorcaro solicitou ao STF a investigação do vazamento, e o ministro André Mendonça acolheu o pedido, determinando a apuração para identificar os responsáveis pela violação do sigilo, e não os jornalistas que acessaram as informações.
Em 11 de março de 2026, o ministro André Mendonça, do STF, decidiu que Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master e investigado na Operação Compliance Zero, não é obrigado a comparecer ao depoimento marcado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A decisão atendeu ao pedido da defesa de Lima, que alegou que ele não pode produzir provas contra si. Após a decisão, a reunião da CPMI prevista para o dia seguinte foi cancelada. A CPMI do INSS enfrenta incerteza sobre sua continuidade, com o ministro André Mendonça determinando prazo de 48 horas para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), leia o requerimento de prorrogação dos trabalhos do colegiado.
Preso desde 19 de março de 2026 na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, Daniel Vorcaro avançou na proposta de um acordo de delação premiada. A expectativa é que sua equipe de defesa, coordenada por Sérgio Leonardo e José Luís Oliveira Lima ("Juca"), apresente a proposta formalmente à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República em até três semanas. Vorcaro tem se reunido diariamente com seus advogados para organizar as informações que devem constar na delação. A proposta deve incluir a indicação de nomes de autoridades que faziam parte de sua rede de apoio e a oferta de pagamento para ressarcir o rombo causado aos investidores. A defesa avalia que o potencial de revelações do empresário é alto e busca negociar benefícios mais vantajosos do que os obtidos em outras delações de grande repercussão. Caso a PF e a PGR aceitem os termos, as negociações formais serão iniciadas, e a homologação pelo ministro André Mendonça, do STF, é estimada para ocorrer em cerca de 60 dias. O movimento da defesa de Vorcaro é visto com apreensão em Brasília, dada a influência que o dono do Banco Master mantinha em diversas esferas de poder.
Foram reportadas conexões com figuras políticas e jurídicas (sem conclusão definitiva de ilegalidade apenas por conexão):
Embora com cerca de 0,5% dos ativos do sistema financeiro, o caso:
26 de jan, 2026
29 de dez, 2025