O que é o caso Banco Master
O caso Banco Master é a crise aberta pela quebra do banco de Daniel Vorcaro. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em 18 de novembro de 2025, sob suspeita de fraudes bilionárias. A Polícia Federal investiga o caso na Operação Compliance Zero, com ao menos dez fases até julho de 2026. Vorcaro, o pai e o primo foram presos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chamou o caso de "maior fraude bancária da história do Brasil". O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) teve o maior desembolso da sua história, cerca de R$ 52 bilhões para os bancos do grupo.
O caso ultrapassou o sistema financeiro. Mensagens extraídas pela PF do celular de Vorcaro citam ministros do STF, o procurador-geral da República, parlamentares e integrantes do governo, e abriram uma crise no Supremo em 2026. Ser citado numa conversa não equivale a ser investigado. Esta página separa três situações: a menção (alguém fala da pessoa ou com ela), o indício (a PF aponta num relatório elementos de possível crime) e o inquérito ou a denúncia (a apuração formal aberta contra alguém).
Em 13 de outubro de 2026, o presidente do STF, Edson Fachin, recebeu o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e orientou a PF a enviar ao Supremo todas as menções a ministros encontradas no caso, sem exceção e em caráter descritivo. Investigar um ministro depende de autorização do Plenário do STF, ouvida a PGR. Vorcaro segue preso sem denúncia formal.
Como o banco cresceu e quebrou
O Master cresceu vendendo CDBs com remuneração bem acima da média, apoiado na garantia do FGC de até R$ 250 mil por CPF. Entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Central identificou operações estruturadas de cerca de R$ 11,5 bilhões que considerou incompatíveis com as regras prudenciais. Entre maio e outubro de 2025, o FGC destinou R$ 4,3 bilhões a operações de assistência ao banco para tentar uma saída organizada.
A saída tentada foi a venda ao Banco de Brasília (BRB), banco público do Distrito Federal. O BRB comprou R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master. A PF suspeita que parte delas era fictícia. Em 3 de setembro de 2025, o Banco Central barrou a compra do Master pelo BRB. Em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos, e no dia seguinte o BC decretou a liquidação. Em janeiro de 2026, a liquidação foi estendida ao Will Bank, do mesmo grupo, e o Banco Pleno, de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, também foi liquidado. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, pôs sob sigilo de oito anos os documentos da liquidação, medida questionada no Tribunal de Contas da União.
Para os clientes, quem tinha até R$ 250 mil em produtos garantidos, como CDBs, recebeu do FGC. O fundo pagou R$ 40,5 bilhões a 722 mil investidores do conglomerado Master no primeiro semestre de 2026. Ficaram sem essa proteção os investimentos acima do teto e cerca de R$ 4,5 bilhões que regimes próprios de previdência de estados e municípios aplicaram no banco, segundo o Times Brasil.
O BRB carrega as perdas da compra das carteiras. Uma auditoria forense estimou a necessidade de provisões entre R$ 8,8 bilhões e R$ 13,3 bilhões. Em 16 de abril de 2026, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso, suspeito de negociar R$ 146,5 milhões em propina com Vorcaro; a defesa nega. O empréstimo de R$ 6,6 bilhões pedido ao FGC ficou travado pela falta de balanços auditados. Em setembro, o presidente Lula descartou socorro federal, e em outubro a governadora Celina Leão disse que o banco negocia captar R$ 6 bilhões com fundos árabes. O ex-governador Ibaneis Rocha, em cuja gestão os negócios foram feitos, deixou o cargo em março de 2026.
A Operação Compliance Zero
A PF deflagrou a primeira fase da Compliance Zero em novembro de 2025. As principais etapas:
- 2ª fase (14 de janeiro de 2026): 42 mandados e bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões; o empresário Nelson Tanure, suspeito de ser sócio oculto do banco, foi alvo de busca e nega a acusação.
- 4 de março de 2026: o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, decretou a prisão preventiva de Vorcaro e do cunhado, Fabiano Zettel. A PF descreveu "A Turma", grupo pago por Vorcaro para intimidar desafetos e obter informações sigilosas de investigações, e afastou dois servidores do Banco Central suspeitos de facilitar interesses do Master. O apontado como chefe do grupo, Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", morreu sob custódia da PF em 6 de março, depois de uma tentativa de suicídio.
- 4ª fase (16 de abril): prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.
- 5ª fase (7 de maio): prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, e busca contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), apontado pela PF como "destinatário central das vantagens indevidas". Segundo a decisão, Ciro apresentou uma emenda, redigida pela assessoria do Master, que elevaria a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Ciro nega.
- 6ª fase (14 de maio): prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro.
- 9ª e 10ª fases (18 de junho e 9 de julho): miraram o Banco Pleno e o cartão consignado Credcesta, de Augusto Lima, e a rede digital que, segundo a PF, fazia campanha de desinformação contra o Banco Central.
O jato de Vorcaro: Vorcaro foi preso em Guarulhos quando ia embarcar para Malta no Falcon 7X de prefixo PS-FST, dele. A FAB pôs sigilo de até 100 anos, com base no artigo 31 da Lei de Acesso à Informação, no plano de voo do jato entre 10 e 20 de novembro de 2025, segundo o Metrópoles, em 15 de outubro de 2026. O Comando da Aeronáutica diz que a proteção "alcança a intimidade e a vida privada" dos passageiros e que "não impõe quaisquer sigilos em listas de passageiros", controladas pelos operadores das aeronaves. No mesmo dia, o senador Carlos Viana pediu a Mendonça que requisite ao governo federal os registros de voo e a lista de passageiros.
Mendonça assumiu a relatoria em fevereiro de 2026, depois que Dias Toffoli deixou o caso. Em 29 de julho, autorizou cooperação internacional para rastrear bens de Vorcaro no exterior; em setembro veio a público a decisão em que, a pedido da PGR, bloqueou mais de R$ 2 bilhões em mansões, embarcações e obras de arte. Nos Estados Unidos, a EFB Regimes Especiais, liquidante do Master, pediu à Justiça em outubro de 2026 o bloqueio de US$ 42 milhões da venda de um jato atribuído a Vorcaro e a apreensão de imóveis em Aspen e Miami. Até 13 de outubro não havia decisão sobre esses pedidos. Outras frentes correm em paralelo. Em setembro, a CVM multou Vorcaro e o Master por irregularidades num fundo imobiliário, e as defesas recorrem. O corregedor nacional de Justiça cancelou R$ 4,7 bilhões em precatórios negociados com o banco, e a CGU apontou que 93,3% dos contratos de consignado do Master auditados foram efetivados antes da assinatura dos beneficiários do INSS. Em março, a CPMI do INSS pediu o indiciamento de Vorcaro. Em 6 de outubro, Galípolo depôs à PF como testemunha e relatou demora injustificada de servidores na fiscalização do banco. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, atribui à gestão de Roberto Campos Neto no BC a autorização que permitiu a Vorcaro assumir o banco em 2019.
A delação de Vorcaro
Vorcaro tentou duas vezes um acordo de delação premiada. A PF rejeitou a primeira proposta em 20 de maio de 2026. A segunda, que segundo a imprensa citava o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi rejeitada pela PF em 11 de junho e pela PGR em 15 de junho, por falta de fatos novos e de provas. Alcolumbre negou ter recebido dinheiro. Em 25 de junho, Vorcaro foi transferido para a "Papudinha", em Brasília. Em agosto, os investigadores aceitaram reabrir a negociação, condicionada a uma colaboração completa.
Outros investigados negociam. Mendonça homologou em setembro a delação de Antônio Carlos Freixo Júnior, o "Mineiro", que fazia remessas ligadas a Vorcaro com destino ao filme "Dark Horse". João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag, fechou acordo com a PGR, ainda sem homologação. Em 8 de outubro, Zettel disse que não ficaria mais calado e que tem informações sobre autoridades.
O caso no STF e na PGR
O caso chegou ao Supremo por mais de uma via. O estado de cada uma em 15 de outubro de 2026:
- Dias Toffoli: mensagens de Vorcaro indicam repasses de R$ 35 milhões ao resort Tayayá, ligado a uma empresa da família do ministro. Um relatório da PF apontou indícios de crime e possível suspeição. Toffoli deixou a relatoria em fevereiro de 2026 e nega ter recebido pagamentos. Não há inquérito aberto contra ele.
- Alexandre de Moraes: o escritório da mulher dele, Viviane Barci de Moraes, recebeu R$ 80,2 milhões do Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, segundo documentos da Receita. Em 1º de setembro de 2026, Mendonça levou ao plenário e tornou público um relatório da PF segundo o qual Vorcaro enviou 52 mensagens a um número atribuído a Moraes em novembro de 2025, pedindo que intercedesse junto à PF e ao BC. Moraes chamou o relatório de "farsa". O procurador-geral pediu a nulidade da apuração, por entender que um ministro não pode mandar investigar um colega sem provocação do Ministério Público. O plenário começou a julgar em 15 de setembro se as apurações sobre Moraes e sobre Mendonça seriam reunidas; Flávio Dino pediu vista, com placar parcial de 4 a 3 contra a junção.
- André Mendonça: confirmou ter recebido Vorcaro em março de 2025, antes de assumir a relatoria, para tratar de precatórios. Dino pediu a Fachin que apurasse os vínculos entre o Master e o Instituto Iter, fundado por Mendonça, que diz ter votado contra os interesses do banco.
- Paulo Gonet: uma foto do celular de Vorcaro mostra o procurador-geral com o banqueiro num evento em Londres, em abril de 2024. Em 25 de setembro, o Conselho Superior do MPF arquivou, por 5 votos a 4, o pedido de investigação contra Gonet e o manteve no caso.
- Outros ministros: em setembro, a retirada do sigilo mostrou os nomes de Nunes Marques, Toffoli, Luiz Fux e Mendonça citados por pessoas ligadas a Vorcaro. Segundo o g1, há citações, em graus diferentes, de pelo menos seis dos dez ministros ou de parentes deles. Todos negam irregularidade.
- Nunes Marques e a noite no tríplex: em 15 de outubro de 2026, a revista piauí publicou 125 mensagens do celular de Vorcaro sobre uma noite em 28 de fevereiro de 2025 no tríplex do banqueiro no Itaim Bibi, em São Paulo. O desembargador Newton Ramos, do TRF-1, pediu um quarto no Hotel Fasano "pro KN", e o mordomo avisou Vorcaro: "Emprestei quarto do lado para ministro com 5 menina". Segundo a revista, a Consult Inteligência Tributária, que recebeu R$ 6,6 milhões do Master, repassou R$ 282 mil a Kevin Marques, filho do ministro. Em nota, Nunes Marques disse que nunca votou a favor de Vorcaro, nunca trocou mensagens com ele nem lhe pediu nada. A Folha de S.Paulo informou que ele estuda estender o impedimento no caso.
- Viagens: registros de aviação mostram Toffoli num jato da Prime Aviation, empresa da qual Vorcaro foi sócio, em 4 de julho de 2025; Moraes e Viviane Barci de Moraes em oito voos em jatos ligados a empresas de Vorcaro e de Zettel em 2025, o que o gabinete do ministro nega e o escritório atribui a táxi aéreo contratado; e Nunes Marques num voo a Maceió, em novembro de 2025, custeado por uma advogada do Master. O ministro do STJ Benedito Gonçalves declarou-se impedido em março de 2026, depois da revelação de que foi ao fórum patrocinado pelo Master em Londres, em abril de 2024. O mesmo fórum custeou a viagem do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, segundo dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação.
As menções a ministros: em 2 de outubro de 2026, Fachin enviou ofício à PF dizendo que, quando recebesse o relatório completo, "sem exceção de pessoa", daria "os encaminhamentos devidos", segundo a Agência Brasil. No mesmo dia, a PF pediu ao STF orientação sobre o formato do material (Ofício 3467748). Em 13 de outubro, Fachin recebeu Andrei Rodrigues e, segundo nota conjunta do STF e da PF, orientou a polícia a encaminhar todas as menções a ministros encontradas, sem exceção, com o contexto e em caráter "estritamente descritivo". A nota não nomeia ministros. Atos de investigação contra um ministro dependem de autorização do Plenário: apresentados os elementos e ouvida a PGR, o Plenário delibera, como prevê o artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura (LC 35/1979). A Presidência do STF também aguarda manifestação da PGR na PET 16.704, ligada ao INSS e ao Master. Antes da reunião, segundo o g1, a ala de Moraes defende que nada avance antes da eleição, e aliados de Moraes e de Mendonça sugerem enviar o material à PGR.
O áudio de Fábio Faria: em 11 de outubro de 2026, a coluna de Lauro Jardim, de O Globo, divulgou um áudio de 22 de agosto de 2025. Nele, o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, hoje chefe do SBT News, comenta a presença de Moraes num encontro em Trancoso (BA), onde Vorcaro tinha uma mansão. O áudio foi enviado num grupo de WhatsApp com Vorcaro, Ciro Nogueira e o presidente da Câmara, Hugo Motta. Ao propor a viagem para o feriado de 7 de setembro, Faria disse: "Só não vai o careca, que eu acho que é até bom, né? Nesse momento agora eu acho que era muito risco pra ele". O material vem das mensagens extraídas pela PF do celular de Vorcaro, e o áudio foi repercutido por outros veículos, como o Times Brasil. Não há registro de que a viagem tenha ocorrido, e o gabinete de Moraes já havia negado em março que ele frequentasse a casa de Vorcaro. O relatório da PF tornado público em 1º de setembro descreve Faria como intermediário entre Vorcaro e Moraes: ele repassava contatos, marcava jantares e acompanhava o contrato com o escritório de Viviane Barci de Moraes, segundo a CartaCapital.
Políticos citados
- Ciro Nogueira (PP-PI): alvo de busca na 5ª fase e investigado no STF. Nega as acusações. Não se reelegeu em 4 de outubro de 2026.
- Flávio Bolsonaro (PL-RJ): em 13 de maio de 2026, o Intercept Brasil divulgou áudios em que ele pedia dinheiro a Vorcaro para o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. Flávio admitiu ter buscado patrocínio privado e nega irregularidade. O inquérito sobre o financiamento do filme está com Mendonça no STF desde junho de 2026. Em 11 de outubro, o TSE suspendeu uma propaganda de Lula que associava Flávio ao Master.
- Lula: recebeu Vorcaro no Planalto em 4 de dezembro de 2024, numa reunião fora da agenda, a pedido do ex-ministro Guido Mantega. Galípolo disse à CPI do Crime Organizado, em abril de 2026, que Lula assegurou ao banqueiro que o caso teria tratamento técnico. Em 9 de outubro de 2026, a revista Veja publicou que Vorcaro relatou ter pago cerca de R$ 30 milhões em espécie para custear um documentário sobre Lula e repassar recursos ao Instituto Lula, em troca de negócios com fundos de pensão. Segundo a reportagem, o trecho constava de um anexo da proposta de delação, e a PGR não avançou nele por falta de prova. A PF informou em nota que Vorcaro "não prestou depoimento com o teor relatado" nem entregou documentos com essa descrição. Lula e o ministro Alexandre Padilha negam, e Padilha notificou a revista pedindo direito de resposta. Em setembro, Flávio Bolsonaro apresentou ao ministro André Mendonça uma notícia-crime contra Lula baseada em mensagens do celular de Vorcaro.
- Ibaneis Rocha: ex-governador do DF, citado por Vorcaro em depoimento à PF; os negócios do BRB com o Master foram feitos na sua gestão.
- Jaques Wagner (PT-BA): a 9ª fase apurou suspeitas de pagamentos a uma empresa ligada à nora do senador.
- Congresso: Alcolumbre recusou-se a instalar uma CPI sobre o Master, que chamou de "palanque eleitoral". Em 23 de setembro de 2026, o ministro Cristiano Zanin negou liminar pedida pelo senador Alessandro Vieira para obrigar a instalação. Segundo o Valor, mais de dez eleitos ou reeleitos em 4 de outubro têm registros de ligação com o Master.
Marketing, mídia e influenciadores
Mensagens apreendidas pela PF, divulgadas pelo Times Brasil, mostram como o Master comprava visibilidade. Em julho de 2024, Zettel discutiu com Vorcaro uma proposta de R$ 60 milhões pela Rádio Transamérica. As conversas com o apresentador Luciano Huck citam R$ 83 milhões em mídia para a TV Globo e um contrato pessoal de R$ 26 milhões. A reportagem não aponta ilegalidade de Huck, que diz que a relação se limitou a patrocínios do Will Bank, e a Globo abriu uma auditoria interna. A influenciadora Gabriela Prioli, que defendeu o banco num vídeo de abril de 2025, aparece nas mensagens com um contrato de 12 meses; ela nega ter firmado contrato diretamente com o Master. Segundo relatórios do Coaf citados pelo Times Brasil, a Igreja Batista da Lagoinha recebeu quase R$ 20 milhões de Zettel. A igreja diz que as unidades têm autonomia financeira e que Zettel foi afastado.
Repercussão
Numa pesquisa AtlasIntel feita entre 18 e 23 de março de 2026, 47% dos entrevistados disseram que o STF está "totalmente envolvido" no caso. O índice foi de 45% para o Congresso, 43% para o governo federal e 28% para o Banco Central. Até abril de 2026, Moraes e Toffoli tinham recebido oito pedidos de impeachment cada um no Senado; nenhum andou. O PT passou a articular uma reforma do Judiciário, e Lula defendeu um código de ética para os ministros.
Na Câmara, a resposta foi o PLP 281/2019, o novo regime de resolução bancária, com regras para socorrer ou liquidar bancos em crise. O projeto foi enviado em 2019, no governo de Jair Bolsonaro, e cria dois regimes para o Banco Central, a Susep e a CVM: o de estabilização e o de liquidação compulsória. Em 2 de março de 2026, o presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que votá-lo era a resposta do Legislativo ao caso Master. O texto entrou na pauta do Plenário quatro vezes no 1º trimestre de 2026 sem ser votado, por falta de acordo sobre o uso de dinheiro público no socorro a bancos. Voltou como primeiro item da pauta em 14 de outubro de 2026, e naquele dia o Plenário rejeitou o substitutivo do relator, Marcelo Queiroz (PSDB-RJ): foram 252 votos sim e 176 não, abaixo dos 257 votos que um projeto de lei complementar exige. O projeto não foi arquivado. A votação foi adiada com o fim da Ordem do Dia, o texto continua na pauta e recebeu 26 emendas de Plenário.
Linha do tempo
- Jul/2023–Jul/2024: o BC identifica operações estruturadas do Master de cerca de R$ 11,5 bilhões.
- Fevereiro de 2024: começam os pagamentos mensais do Master ao escritório de Viviane Barci de Moraes.
- 25 de abril de 2024: fórum patrocinado pelo Master em Londres reúne autoridades; uma foto mostra Paulo Gonet com Vorcaro.
- 4 de dezembro de 2024: Lula recebe Vorcaro no Planalto, fora da agenda.
- Maio–outubro de 2025: o FGC destina R$ 4,3 bilhões a operações de assistência ao banco.
- 22 de agosto de 2025: áudio de Fábio Faria num grupo com Vorcaro: "Só não vai o careca".
- 3 de setembro de 2025: o BC barra a compra do Master pelo BRB.
- 17 de novembro de 2025: Vorcaro é preso em Guarulhos, no mês em que a PF deflagra a Operação Compliance Zero.
- 18 de novembro de 2025: o BC decreta a liquidação extrajudicial do Master.
- Janeiro de 2026: liquidação do Will Bank; 2ª fase da Compliance Zero bloqueia R$ 5,7 bilhões.
- Fevereiro de 2026: Toffoli deixa a relatoria; André Mendonça assume.
- 4 de março de 2026: Vorcaro é preso preventivamente; a PF expõe "A Turma".
- 8 de abril de 2026: Galípolo depõe à CPI do Crime Organizado.
- 16 de abril de 2026: 4ª fase prende o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.
- 7 de maio de 2026: 5ª fase prende o primo de Vorcaro e faz buscas contra Ciro Nogueira.
- 13 de maio de 2026: o Intercept divulga áudios de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro para o filme "Dark Horse".
- 14 de maio de 2026: 6ª fase prende Henrique Vorcaro, pai do banqueiro.
- 20 de maio e 11–15 de junho de 2026: PF e PGR rejeitam as propostas de delação de Vorcaro.
- 25 de junho de 2026: Vorcaro é transferido para a "Papudinha".
- 29 de julho de 2026: Mendonça autoriza o rastreamento internacional de bens de Vorcaro.
- 1º de setembro de 2026: Mendonça torna público o relatório da PF sobre mensagens entre Vorcaro e Moraes.
- 15 de setembro de 2026: pedido de vista de Flávio Dino suspende o julgamento no STF sobre a apuração de Moraes.
- 23 de setembro de 2026: Zanin nega liminar para obrigar o Senado a instalar a CPI do Master.
- 25 de setembro de 2026: o Conselho Superior do MPF arquiva o pedido de investigação contra Gonet.
- 2 de outubro de 2026: Fachin promete "encaminhamentos devidos" quando receber o relatório completo da PF; o liquidante pede nos EUA o bloqueio de US$ 42 milhões.
- 9 de outubro de 2026: a Veja publica relato atribuído a Vorcaro sobre dinheiro para um filme sobre Lula; a PF nega que ele tenha prestado depoimento com esse teor.
- 11 de outubro de 2026: vem a público o áudio de Fábio Faria sobre Moraes e Trancoso.
- 13 de outubro de 2026: Fachin recebe o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e orienta a PF a enviar ao STF todas as menções a ministros; investigar ministro depende do Plenário.
- 14 de outubro de 2026: a Câmara rejeita o substitutivo de Marcelo Queiroz ao PLP 281/2019, o novo regime de resolução bancária, por 252 votos sim a 176 não, abaixo dos 257 exigidos; o projeto segue na pauta.
- 15 de outubro de 2026: a piauí publica mensagens de Vorcaro sobre uma noite com um ministro tratado como "KN" no tríplex do Itaim, em 28 de fevereiro de 2025; Nunes Marques nega ter pedido algo ao banqueiro. O Metrópoles revela o sigilo de até 100 anos da FAB no plano de voo do jato PS-FST, e Carlos Viana pede a Mendonça os registros de voo.
Perguntas frequentes
O que é o caso Banco Master? É a investigação das fraudes no banco de Daniel Vorcaro, liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, e das ligações do banqueiro com autoridades dos Três Poderes.
O Banco Master faliu? O banco foi liquidado extrajudicialmente, regime em que o Banco Central encerra a instituição e um liquidante, a EFB Regimes Especiais, vende os ativos para pagar os credores.
Quem tinha dinheiro no Banco Master perdeu? Quem tinha até R$ 250 mil em CDBs e outros produtos garantidos recebeu do FGC. Acima desse teto, e em produtos sem garantia, o credor depende do que a liquidação recuperar.
Vorcaro está preso? Sim. Está preso preventivamente desde 4 de março de 2026 e, desde 25 de junho, cumpre a prisão na "Papudinha", em Brasília. Ele não foi denunciado.
Vorcaro fez delação? Não. As duas propostas foram rejeitadas pela PF e pela PGR em maio e junho de 2026, e a negociação foi reaberta em agosto.
Qual a relação do caso com Alexandre de Moraes? O escritório da mulher de Moraes recebeu R$ 80,2 milhões do Master, e um relatório da PF aponta 52 mensagens de Vorcaro a um número atribuído ao ministro. Moraes nega e contesta o relatório, e o plenário do STF ainda não decidiu como seguir a apuração.
Ministros do STF estão sendo investigados no caso Master? O plenário do STF ainda discute como seguir as apurações sobre Moraes e Mendonça, suspensas por pedido de vista de Flávio Dino. Em 13 de outubro de 2026, Fachin orientou a PF a enviar ao STF todas as menções a ministros encontradas; abrir investigação contra um ministro depende de autorização do Plenário do Supremo, ouvida a PGR.
Qual a relação do caso com Lula? Lula recebeu Vorcaro no Planalto em dezembro de 2024. Em outubro de 2026, a Veja publicou um relato atribuído ao banqueiro sobre dinheiro para um filme sobre Lula, e a PF negou que Vorcaro tenha prestado depoimento com esse teor. Lula nega.
Qual a relação do caso com Flávio Bolsonaro? Flávio pediu a Vorcaro dinheiro para o filme "Dark Horse", cujo financiamento é objeto de inquérito no STF. Ele nega irregularidade.
O que o Congresso fez depois do caso Master? Na Câmara, a aposta foi o PLP 281/2019, que cria um novo regime para socorrer ou liquidar bancos em crise. Em 14 de outubro de 2026, o substitutivo do relator teve 252 votos a favor e 176 contra, abaixo dos 257 de que um projeto de lei complementar precisa, e foi rejeitado. O projeto continua na pauta do Plenário.
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