A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1, que prevê seis dias de trabalho por um de folga, ganhou destaque no cenário político brasileiro, com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 8/2025 tramitando na Câmara dos Deputados. O governo federal expressa expectativa de aprovação ainda no primeiro semestre de 2026, visando diminuir a carga de trabalho e aumentar o tempo livre dos trabalhadores. No entanto, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta para um custo anual de até R$ 267,2 bilhões para a economia, enquanto pesquisas indicam que 63% dos brasileiros apoiam o fim da escala, com maior adesão entre os jovens, desde que não haja redução salarial.
A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1 refere-se ao debate em torno da alteração ou extinção do modelo de jornada laboral que prevê seis dias de trabalho seguidos por um dia de folga. Essa pauta ganhou destaque no cenário político brasileiro, especialmente com a proximidade de 2026, e envolve diferentes setores da sociedade, incluindo trabalhadores, empregadores e legisladores. Especialistas apontam que, devido ao ano legislativo curto, a discussão sobre a escala 6x1 tem potencial para se tornar uma importante bandeira política em campanhas eleitorais, mais viável do que uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema. O governo federal, por meio do ministro Guilherme Boulos, expressou a expectativa de que o fim da escala 6x1 seja aprovado ainda no primeiro semestre de 2026, demonstrando empenho na diminuição da carga de trabalho semanal e no aumento do tempo livre para os trabalhadores. A proposta de emenda à Constituição que extingue a escala 6x1 deixou o campo retórico e entrou oficialmente no calendário da Câmara, sendo encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com expectativa de votação ainda no primeiro semestre de 2026. No entanto, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou, em fevereiro de 2026, que a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais poderia gerar um custo anual de até R$ 267,2 bilhões para a economia, impactando significativamente a folha de pagamentos e a competitividade das empresas. Uma pesquisa divulgada em março de 2026 pela Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados revelou que 63% dos brasileiros defendem o fim da escala 6x1, sendo que entre os jovens de 16 a 40 anos, esse apoio atinge 82% se não houver redução salarial.
A escala 6x1 é um modelo de jornada de trabalho comum em diversos setores, especialmente aqueles que operam continuamente, como comércio e serviços. Nos últimos anos, tem havido um crescente debate sobre a adequação dessa escala às necessidades contemporâneas de bem-estar do trabalhador e produtividade. A discussão sobre sua possível extinção ou modificação, com foco em 2026, indica uma movimentação para reavaliar as leis trabalhistas existentes no Brasil. Em 2026, com um ano legislativo mais curto, a pauta da escala 6x1 é vista como um tema de fácil apelo popular, tornando-se um foco para campanhas políticas. Outros temas como a queda da taxa Selic e projetos sociais também devem ganhar protagonismo na reta final do mandato do governo Lula. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 8/2025, que visa o fim da escala 6x1, foi apresentada à Câmara dos Deputados em fevereiro de 2025, contando com a assinatura de 226 deputados, tendo a deputada Erika Hilton como autora e primeira signatária. O Palácio do Planalto já implementou o fim da escala 6x1 para trabalhadores terceirizados em suas dependências, como o pessoal de copa e limpeza, que agora operam no máximo na escala 5x2. Em contrapartida, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou em 23 de fevereiro de 2026 projeções que indicam um impacto financeiro substancial para a economia brasileira com a redução da jornada, alertando para a elevação de custos em diversos setores.
A discussão sobre o fim da escala 6x1 transcende o âmbito trabalhista e se tornou uma pauta com significativo potencial eleitoral para o governo e o PT, que buscam repetir o engajamento popular observado em debates anteriores, como a taxação de bilionários. Analistas como Paulo Gama apontam que o governo vê na proposta uma bandeira de mobilização para o calendário eleitoral. No entanto, a medida não é neutra do ponto de vista fiscal. Setores empresariais já manifestam preocupação com os custos adicionais e defendem medidas compensatórias, como a retomada da desoneração da folha de pagamento ou uma transição escalonada. O governo, embora reconheça a sensibilidade do tema, especialmente para pequenas empresas com até nove funcionários, não tem sinalizado disposição para acenar com compensações financeiras ou desonerações. O avanço da proposta na Câmara, que depende do ritmo imposto pelo presidente Hugo Motta e da vontade política, é observado não apenas como um tema trabalhista, mas também como uma variável relevante para o humor dos investidores, dada a pressão de prioridades eleitorais sobre a agenda econômica e o risco fiscal embutido em eventuais compensações ou renúncias.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou em 23 de fevereiro de 2026 um estudo detalhando os potenciais impactos econômicos da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. A entidade projetou que essa medida poderia elevar os custos na economia brasileira entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano, o que representaria um impacto de 7% na folha de pagamentos. Essa estimativa considerou dois cenários: a compensação da redução com horas extras ou a necessidade de novas contratações. Os setores mais afetados seriam a indústria da construção (com aumento de 8,8% a 13,2% nos custos) e as micro e pequenas empresas industriais, que teriam um aumento de gastos com pessoal entre 8,7% e 13%. A CNI alertou que 21 dos 32 setores industriais apresentariam elevação de custos acima da média, independentemente da estratégia de reposição de horas. O presidente da CNI, Ricardo Alban, expressou preocupação de que a redução da jornada levaria à diminuição da produção, aumento do custo unitário do trabalho, perda de competitividade das empresas nacionais e, consequentemente, queda do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Uma pesquisa realizada pela Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados, entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro de 2026, e divulgada em 12 de março de 2026, revelou que 63% dos brasileiros, em média, defendem o fim da escala 6x1, independentemente da questão salarial. O apoio é ainda mais expressivo entre as faixas etárias mais jovens: 82% dos brasileiros entre 16 e 40 anos (Geração Z e Millennials) são favoráveis ao fim da escala 6x1, desde que não haja redução salarial. Detalhadamente, 82% dos jovens de 16 a 24 anos e 82% dos brasileiros entre 25 e 40 anos apoiam a medida sob essa condição. O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, observou que há um grupo relevante que apoia o fim da escala mesmo com diminuição da remuneração, sugerindo uma mudança de valores em relação ao trabalho. A aprovação diminui para 62% entre 41 e 59 anos, e para 48% na população com mais de 60 anos. A pesquisa entrevistou 2.021 pessoas em todas as 27 unidades da federação, com margem de erro de 2 pontos percentuais.