Quem é Sergio Moro
Sergio Fernando Moro (Maringá, 1º de agosto de 1972) é jurista, ex-juiz federal e político filiado ao PL. É senador pelo Paraná desde 2023. Ficou conhecido nacionalmente como o juiz que conduziu em primeira instância os processos da Operação Lava Jato, de 2014 a 2018, e foi ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Jair Bolsonaro em 2019 e 2020. É candidato ao governo do Paraná na eleição de 4 de outubro de 2026, pelo número 22, com Edson Vasconcelos (PL) como vice.
É casado com a deputada federal Rosangela Moro, eleita por São Paulo.
Sergio Moro candidato a governador do Paraná em 2026
Moro disputa o governo do Paraná pelo PL, com o número 22. O registro foi deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No sistema DivulgaCandContas, ele declarou ocupação de senador e patrimônio de R$ 1,04 milhão.
A coligação "Fortaleza Paraná" reúne PL, Podemos e Novo. O candidato a vice é Edson Vasconcelos (PL), presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), que se filiou ao partido na mesma cerimônia que Moro. Na chapa anunciada em março de 2026, os nomes para o Senado eram o deputado federal Filipe Barros (PL) e o ex-procurador Deltan Dallagnol, que coordenou a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.
Os principais adversários são Sandro Alex (PSD), apoiado pelo governador Ratinho Júnior (PSD), e Requião Filho (PDT).
Partido: do Podemos ao PL
Moro filiou-se ao Podemos em 10 de novembro de 2021, como pré-candidato à Presidência da República. Em 2022, trocou o Podemos pelo União Brasil, desistiu da disputa presidencial e, depois de ter recusada pela Justiça Eleitoral a transferência do domicílio eleitoral para São Paulo, candidatou-se ao Senado pelo Paraná.
Em dezembro de 2025, o PP, que forma a federação União Progressista com o União Brasil, vetou a pré-candidatura de Moro ao governo do Paraná, com apoio do presidente nacional do partido, Ciro Nogueira. Moro deixou o União Brasil e filiou-se ao PL em 24 de março de 2026, em Brasília, ao lado do presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. A filiação rompeu o acordo que o PL tinha com Ratinho Júnior no estado. Valdemar disse na época que a preocupação do partido era garantir um palanque para Flávio Bolsonaro no Paraná.
Sergio Moro e Bolsonaro
Moro aceitou o convite de Jair Bolsonaro para ser ministro da Justiça em 1º de novembro de 2018, logo depois da eleição, e pediu exoneração da magistratura para assumir o cargo. Tomou posse em 1º de janeiro de 2019.
Em 24 de abril de 2020, pediu demissão em entrevista coletiva, depois que Bolsonaro exonerou o diretor-geral da Polícia Federal. Moro acusou o presidente de tentar interferir na PF e disse que houve "a violação de uma promessa", a de carta branca no ministério. No mesmo dia, entregou ao Jornal Nacional imagens de mensagens trocadas com Bolsonaro.
Em 2022, Moro tentou se lançar à Presidência com discurso crítico a Bolsonaro. No meio da campanha ao Senado, declarou voto em Bolsonaro e, no segundo turno, apoiou a reeleição dele contra Lula; acompanhou Bolsonaro no debate da TV Bandeirantes em 16 de outubro de 2022. Meses depois, o PL e o PT pediram à Justiça Eleitoral a cassação do mandato de Moro por abuso de poder econômico na pré-campanha.
A filiação ao PL em 2026 selou a reaproximação com a família Bolsonaro. No ato, Moro declarou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Sergio Moro senador
Moro foi eleito senador pelo Paraná em 2 de outubro de 2022, pelo União Brasil, com mais de 33% dos votos, e tomou posse em fevereiro de 2023.
Em 2023, PL e PT acusaram Moro de gastos irregulares na pré-campanha presidencial de 2021 e 2022, com produção de vídeos, pesquisas, carro blindado e consultoria jurídica. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná rejeitou a cassação em abril de 2024, por 5 votos a 2, e o TSE manteve a decisão por unanimidade no mês seguinte.
Em março de 2023, a Polícia Federal deflagrou a Operação Sequaz contra integrantes do PCC que planejavam atacar Moro e sua família, em retaliação à transferência de Marcos Camacho, o Marcola, para um presídio federal quando Moro era ministro. A partir do caso, Moro apresentou projeto que cria os crimes de obstrução e de conspiração para obstrução de ações contra o crime organizado e amplia a proteção a autoridades; a lei foi sancionada por Lula em outubro de 2025.
Operação Lava Jato
Moro formou-se em direito pela Universidade Estadual de Maringá em 1995 e fez mestrado (2000) e doutorado (2002) em direito do Estado na Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde lecionou direito processual penal. Tornou-se juiz federal em 1996 e, a partir de 2002, titular da vara federal de Curitiba especializada em lavagem de dinheiro e crimes financeiros, depois 13ª Vara. Atuou no caso Banestado e, em 2012, foi juiz auxiliar da ministra Rosa Weber no julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF).
De março de 2014 a novembro de 2018, julgou em primeira instância os processos da Lava Jato, que envolveram políticos, empreiteiras, a Petrobras e a Odebrecht. Em 2017, condenou o ex-presidente Lula no caso do tríplex do Guarujá; a condenação foi mantida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em março de 2021, o ministro Edson Fachin, do STF, declarou a 13ª Vara de Curitiba incompetente para julgar os processos de Lula. Em 23 de junho de 2021, o plenário do STF confirmou a decisão da Segunda Turma que declarou Moro parcial em relação a Lula, anulando as condenações. Em abril de 2022, o Comitê de Direitos Humanos da ONU também concluiu que Moro foi parcial. Moro afirmou que o comitê "errou" e chamou a decisão do STF de "um grande erro judiciário".
Polêmicas
- Vaza Jato: a partir de 9 de junho de 2019, o site The Intercept publicou mensagens atribuídas a Moro e a procuradores da Lava Jato, trocadas pelo Telegram, que indicavam orientação do juiz à acusação. Moro não reconheceu a autenticidade das mensagens.
- Grampos de Lula e Dilma: em 2016, Moro divulgou áudios de interceptações de conversas entre Lula e a então presidente Dilma Rousseff, parte delas gravada depois da ordem de interrupção. Pediu desculpas ao STF e disse que a divulgação não teve motivação político-partidária.
- Alvarez & Marsal: depois de deixar o governo, Moro trabalhou de novembro de 2020 a outubro de 2021 na consultoria americana Alvarez & Marsal, que tinha entre os clientes a Odebrecht, em recuperação judicial. O Tribunal de Contas da União (TCU) investigou possível conflito de interesses. Moro disse ter recebido R$ 3,6 milhões por um trabalho de "compliance anticorrupção".
- Calúnia contra Gilmar Mendes: em 2023, circulou um vídeo em que Moro diz, em uma festa, que algo serviria "para comprar um habeas corpus do Gilmar Mendes". A Procuradoria-Geral da República o denunciou por calúnia, e a Primeira Turma do STF aceitou a denúncia em junho de 2024, tornando-o réu. Em outubro de 2025, a turma formou maioria para rejeitar um recurso de Moro, e o ministro Luiz Fux pediu vista. Moro diz que a fala foi uma brincadeira.
- Inquérito do INSS: em junho de 2025, Moro foi mencionado no inquérito da Operação Sem Desconto, sobre descontos indevidos em aposentadorias, por mudanças administrativas no Ministério da Justiça. O ministro Dias Toffoli, do STF, registrou não ter identificado conexão direta entre Moro e os descontos.
Pesquisas eleitorais
Na pesquisa Quaest feita de 2 a 3 de outubro de 2026, com 2.004 eleitores, margem de erro de dois pontos percentuais e registro PR-05119/2026, Sergio Moro tinha 43% dos votos válidos, Sandro Alex 29% e Requião Filho 27%. Nos votos totais, os números eram de 36%, 25% e 23%.
Família: Rosangela Moro
Moro é casado com a advogada Rosangela Wolff de Quadros Moro, deputada federal por São Paulo, que também se filiou ao PL em 24 de março de 2026. O casal se conheceu em Curitiba, quando Moro foi professor interino da turma dela na faculdade de direito. Têm dois filhos: Julia, nascida em 2000, e um menino nascido em Curitiba.
Moro é filho de Dalton Áureo Moro, professor de geografia da Universidade Estadual de Maringá, morto em 2005, e de Odete Starke Moro, professora de português aposentada.
Patrimônio declarado
O que Sergio Moro declarou à Justiça Eleitoral ao registrar a candidatura: bens pelo valor de compra, como na declaração do Imposto de Renda, e não pelo valor de mercado.
A cada eleição
- 2022Senador · PR · UNIÃO · eleitoR$ 1,6 miR$ 31,2 mi
- 2026Governador · PR · PL · em disputaR$ 1 mi
De que é feito, em 2026
- Aplicações e fundos · 36%R$ 371 mil
- Imóveis · 27%R$ 283 mil
- Dinheiro e contas · 22%R$ 223 mil
- Veículos, barcos e aeronaves · 15%R$ 155 mil
- Créditos a receber · menos de 1%R$ 3 mil
- Empresas e ações · menos de 1%R$ 1 mil
Maiores bens
- Fundos vinculados ao itaú investimentos · Aplicações e fundosR$ 239.738
- Apartamento no edifício fit marumbi, financiado junto à caixa econômica federal · ImóveisR$ 238.463
- Conta no exterior · Dinheiro e contasR$ 185.922
- Veículo tiguan adquirido em 2020 · Veículos, barcos e aeronavesR$ 155.000
- Letras de crédito imobiliário vinculadas ao itaú unibanco · Aplicações e fundosR$ 70.615
Todos os 12 bens declarados
- Fundos vinculados ao itaú investimentos · Aplicações e fundosR$ 239.738
- Apartamento no edifício fit marumbi, financiado junto à caixa econômica federal · ImóveisR$ 238.463
- Conta no exterior · Dinheiro e contasR$ 185.922
- Veículo tiguan adquirido em 2020 · Veículos, barcos e aeronavesR$ 155.000
- Letras de crédito imobiliário vinculadas ao itaú unibanco · Aplicações e fundosR$ 70.615
- Letras de crédito do agronegócio vinculadas ao itaú unibanco · Aplicações e fundosR$ 60.400
- Apartamento 703 (sala comercial em prédio), edifício alberto abujamra · ImóveisR$ 45.000
- Contas correntes na caixa econômica federal - pessoal e gabinete · Dinheiro e contasR$ 37.137
- Conta poupança na caixa econômica federal · Créditos a receberR$ 3.061
- Cotas da empresa moro consultoria e assessoria em gestão empresarial de riscos ltda. · Empresas e açõesR$ 1.000
- Conta corrente no banco do brasil · Dinheiro e contasR$ 306
- Letra de Crédito do Agronegócio vinculada à Itaú Corretora · Aplicações e fundosR$ 0
Fonte: Bens de candidato, TSE — a declaração entregue no registro de cada candidatura, eleições gerais de 2014 a 2026. Correção pelo IPCA (IBGE), do mês seguinte ao registro até agosto de 2026. Declaração de candidato não é avaliação de patrimônio nem indício de irregularidade.
Trajetória da candidatura
Cada etapa da candidatura de Sergio Moro (PL), com a data em que aconteceu e o documento ou a reportagem que a registra.
- 13 de setembroRegistro deferido
A Justiça Eleitoral julgou e deferiu o registro.
TSE — DivulgaCandContas, ficha do candidato (Sergio Fernando Moro)
