Visão geral
Luiz Inácio Lula da Silva, popularmente conhecido como Lula, é um político brasileiro que serviu como 35º e atualmente é o 39º Presidente do Brasil. Sua carreira política é marcada por múltiplos mandatos presidenciais e um papel central na política brasileira contemporânea. Ele é uma figura polarizadora, com forte apoio popular e oposição significativa. Em 2 de agosto de 2026, o PT oficializou em convenção nacional, realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, sua candidatura à reeleição — Lula, aos 80 anos, disputa um quarto mandato, novamente em chapa com Geraldo Alckmin (PSB) como vice, repetindo a fórmula eleita em 2022. Em 7 de agosto de 2026, às 23h20, a coligação Brasil Pronto pra Mais protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido de registro da chapa, com o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) e os requerimentos individuais de Lula e Alckmin. Em 2 de setembro de 2026, o TSE deferiu o registro: em sessão virtual extraordinária encerrada às 23h59 daquela quarta-feira, o Colegiado concluiu por unanimidade que o pedido da chapa Lula–Alckmin foi feito de forma regular, com a documentação necessária e dentro dos requisitos da Constituição e da Lei de Inelegibilidade. A candidatura está apta a disputar a eleição de outubro. Lula disputará a eleição com o número 13. A coligação reúne sete partidos: PDT, PSB, a federação formada por PT, PCdoB e PV e a federação PSOL-Rede. Sua estratégia política também envolve o planejamento de alianças estaduais para fortalecer sua base, com especial atenção ao estado de São Paulo, onde o PT o considera crucial para o projeto nacional. Além disso, ele se envolve em iniciativas internacionais como o proposto "Conselho da Paz" e a participação em fóruns econômicos regionais. Lula tem se posicionado firmemente contra escândalos financeiros, criticando publicamente aqueles que defendem figuras envolvidas em fraudes e prometendo comparar as realizações de seu governo com as gestões anteriores. Ele também tem promovido agendas sociais importantes, como o combate à violência contra a mulher e a expansão de serviços de saúde e moradia. Em 2026, ele planeja viajar por todo o Brasil para promover as ações de seu governo, defender a democracia e o sistema eleitoral, e combater a desinformação. Na reta final da campanha, a menos de 15 dias do primeiro turno marcado para 4 de outubro de 2026, as pesquisas apontam disputa apertada com Flávio Bolsonaro (PL): o Datafolha de 17 de setembro registrou empate técnico, o levantamento BTG/Nexus divulgado em 21 de setembro mostrou Lula com 40% contra 37% no primeiro turno e a AtlasIntel/Bloomberg de 23 de setembro o registrou com 45,8% contra 43,4% de Flávio Bolsonaro; na rodada divulgada em 29 de setembro, a mesma AtlasIntel/Bloomberg marcou 45,3% a 42,2% no primeiro turno e empate técnico no segundo, com 47,7% para Flávio Bolsonaro e 47,6% para Lula. No mesmo período, Lula viajou a Nova York para a 81ª Assembleia Geral da ONU, onde abriu o Debate Geral em 22 de setembro de 2026, e assinou, com líderes de União Europeia, Quênia e Canadá, o manifesto que lançou a iniciativa Parceiros para o Multilateralismo (P4M). Nas semanas anteriores ao pleito, o governo anunciou reajuste de 15% no Bolsa Família e transformou a restrição às apostas online em bandeira de campanha — em 23 de setembro Lula disse ter decidido "acabar com as bets" —, enquanto a tensão comercial com os Estados Unidos — tarifas de até 37,5% sobre produtos brasileiros, contestação na Organização Mundial do Comércio (OMC) e a ameaça de acionar a Lei da Reciprocidade — entrou no debate eleitoral.
Contexto e histórico
Lula emergiu do movimento sindical no final da década de 1970, tornando-se uma figura proeminente na redemocratização do Brasil. Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) em 1980. Disputou as eleições presidenciais de 1989, 1994 e 1998, sendo derrotado primeiro por Fernando Collor e depois, duas vezes, por Fernando Henrique Cardoso. Foi eleito presidente pela primeira vez em 2002 e reeleito em 2006, governando por dois mandatos consecutivos (2003-2010). Seus governos foram caracterizados por programas sociais e crescimento econômico. Em 2018, o PT chegou a oficializar sua candidatura, mas ela foi barrada pela Justiça e Fernando Haddad entrou no lugar. Após um período fora da presidência, e enfrentando questões legais, ele retornou à política e foi eleito novamente em 2022 para um terceiro mandato, iniciado em 2023. Com a disputa de 2026, Lula concorre à Presidência pela sétima vez.
Em 2 de agosto de 2026, o PT oficializou em convenção nacional, em São Paulo, a candidatura de Lula à reeleição, encerrando o período de pré-candidatura: ele disputa agora o quarto mandato, com Geraldo Alckmin (PSB) novamente como vice. As convenções partidárias iam até 5 de agosto e o registro de candidaturas, até 15 de agosto; a campanha começa no dia 16. No discurso de mais de uma hora, ele anunciou cinco compromissos para um eventual quarto mandato: resolver "definitivamente o papel da educação", criar um programa voltado a idosos, fortalecer a indústria militar e de defesa, manter a riqueza das terras raras "para os brasileiros" e desenvolver programas de transição energética. Também criticou o atual modelo de emendas parlamentares e o fundo partidário, afirmou estar em plenas condições físicas aos 80 anos e disse que, se eleito, não disputará um quinto mandato.
Em 7 de agosto de 2026, às 23h20, segundo o recibo emitido pelo Sistema de Candidaturas, a coligação Brasil Pronto pra Mais — liderada pelo PT e formada por PDT, PSB, a federação PT-PCdoB-PV e a federação PSOL-Rede, sete partidos ao todo — protocolou no TSE o pedido de registro da chapa Lula–Alckmin, dentro do prazo legal. Foram encaminhados o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP), que reúne os dados da coligação, e os requerimentos individuais de registro das candidaturas de Lula e de Alckmin. Lula concorrerá com o número 13. Junto com o pedido de registro, a coligação protocolou as diretrizes do programa de governo para um eventual novo mandato — documento de 84 páginas que coloca a soberania nacional entre os principais eixos e que também propõe discutir mudanças nas emendas parlamentares, apoiar o fim da escala de trabalho 6x1 e ampliar políticas de saúde, educação e segurança pública.
Em 2 de setembro de 2026, o TSE deferiu o registro da chapa Lula–Alckmin. A análise ocorreu em sessão virtual extraordinária encerrada às 23h59 daquela quarta-feira, com relatoria do ministro André Mendonça e da ministra Estela Aranha, e o Colegiado concluiu por unanimidade que o pedido foi feito de forma regular, com a apresentação dos documentos necessários ao cadastro da chapa e de acordo com os requisitos de candidatura previstos na Constituição e na Lei de Inelegibilidade. Na mesma sessão o tribunal validou outras cinco chapas presidenciais: Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar (PL), Samara Martins e Raquel Brício (UP), Romeu Zema e Eduardo Girão (Novo), Hertz Dias e Vanessa Portugal (PSTU) e Edmilson Costa e Cleusa Santos (PCB). Ao todo foram apresentados 13 pedidos de registro à Presidência em 2026, um a mais que em 2022, todos analisados diretamente pelo TSE; sete ainda aguardavam julgamento naquela data — Augusto Cury e Júlio Delgado (Avante), Renan Santos e Coronel Medina (Missão), Wilson Grassi e Suêd Haidar (Democrata), Rui Costa Pimenta e Antônio Carlos (PCO), Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab (PSD), Clariana Barão e Fabiana Torquato (DC) e Pablo Marçal e Leonardo Avalanche (PRTB).
A campanha eleitoral começou em 16 de agosto de 2026 e, na reta final, a disputa se estreitou. O Datafolha divulgado em 17 de setembro de 2026, com 2.002 entrevistas feitas nos dias 15 e 16 e margem de erro de dois pontos percentuais, apontou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno, e 46% a 44% em um eventual segundo turno — empate técnico nos dois casos. Na rodada seguinte, divulgada em 24 de setembro de 2026, encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e registrada no TSE sob o número BR-00304/2026, com 2.002 entrevistas feitas em 22 e 23 de setembro e margem de erro de dois pontos, Lula oscilou para 40% e Flávio Bolsonaro permaneceu com 36%, diferença no limite da margem, seguidos por Augusto Cury (5%), Ronaldo Caiado (4%) e Renan Santos (3%); no segundo turno, Lula tem 47% e Flávio Bolsonaro 45%, novo empate técnico. A mesma rodada registrou 34% de avaliação ótima ou boa do governo, 40% de ruim ou péssima e 24% de regular; no início da campanha, em agosto, o ótimo ou bom estava em 33%, e oscilou para 31% e 32% nas primeiras semanas de setembro. Segundo levantamento do g1 publicado em 28 de setembro de 2026 com a série histórica do Datafolha, Fernando Henrique Cardoso em 1998, o próprio Lula em 2006 e Dilma Rousseff em 2014 viram a avaliação positiva crescer durante a campanha pela reeleição. O levantamento BTG/Nexus divulgado em 21 de setembro de 2026, registrado no TSE sob o número BR-00485/2026 e realizado entre 18 e 20 de setembro com 2.006 entrevistas e margem de erro de dois pontos, mostrou Lula com 40% no primeiro turno, contra 37% de Flávio Bolsonaro, 6% de Augusto Cury e 5% de Ronaldo Caiado (PSD); nos cenários de segundo turno, Lula aparece em empate técnico com Flávio Bolsonaro (46% a 45%), com Caiado (45% a 45%) e com Cury (44% a 43%). Diante do quadro, a campanha petista ampliou a agenda de viagens, entrevistas e presença em redes sociais para mobilizar o eleitorado fiel antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro de 2026.
A pesquisa Quaest divulgada em 21 de setembro de 2026, contratada pelo Grupo Globo e registrada no TSE sob o número BR-06004/2026, ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre 17 e 20 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais. No primeiro turno apontou Lula com 37% e Flávio Bolsonaro com 33%; em um eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro com 42% e Lula com 41%, diferença dentro da margem de erro. A rejeição dos dois é praticamente equivalente: 56% dizem não votar em Flávio Bolsonaro e 55%, em Lula. No mesmo levantamento, 50% desaprovam o governo Lula e 44% aprovam. A rodada foi a campo durante a crise no Supremo Tribunal Federal em torno do caso Banco Master e logo após o anúncio do reajuste do Bolsa Família, sem que nenhum dos dois episódios alterasse o equilíbrio da disputa. Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 23 de setembro de 2026, Lula aparece com 45,8% no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 43,4%; os dois subiram 1,7 ponto em relação à rodada anterior, mantendo a distância de 2,4 pontos. Nas rodadas estaduais da AtlasIntel divulgadas no mesmo dia, Lula lidera em Minas Gerais (48,8% a 43,4%, ante vantagem de quase nove pontos no início do mês) e Flávio Bolsonaro, em São Paulo (45,1% a 39,8%). Também em 21 de setembro de 2026 foi divulgada pesquisa Ipsos/Ipec, com 2.000 entrevistas presenciais em 130 municípios feitas entre 9 e 13 de setembro e margem de erro de dois pontos: o governo é considerado ruim ou péssimo por 43% e ótimo ou bom por 33%, com saldo negativo em todas as áreas testadas. No Datafolha de 24 de setembro de 2026, 50% desaprovam e 47% aprovam o governo (eram 50% e 48% uma semana antes); 40% o consideram ruim ou péssimo, 34% ótimo ou bom e 24% regular. As piores avaliações estão em controle de gastos públicos (24% de ótimo ou bom contra 54% de ruim ou péssimo), controle da inflação (25% a 51%) e segurança pública (25% a 51%); as melhores, em educação (35%) e no combate à fome e à pobreza (34%). Nas rodadas estaduais do Datafolha divulgadas em 25 de setembro de 2026, com entrevistas de 22 a 24 de setembro, Flávio Bolsonaro lidera no primeiro turno em São Paulo (38% a 33%), no Rio de Janeiro (44% a 38%) e no Distrito Federal (41% a 34%); Lula lidera com folga em Pernambuco (60% a 24%), e Minas Gerais registra empate técnico (39% a 37% para Lula no primeiro turno e 46% a 44% para Flávio no segundo). A rodada seguinte, divulgada em 28 de setembro de 2026, encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo e registrada sob o número BR-06520/2026, ouviu 2.004 eleitores entre 24 e 27 de setembro: Lula subiu para 39% e Flávio Bolsonaro para 34% no primeiro turno, e os dois empataram com 42% em um eventual segundo turno. A aprovação do governo foi a 46% e a desaprovação caiu para 49%; a avaliação positiva ficou em 34%, a regular em 23% e a negativa em 41%. Entre os católicos, Lula passou de 43% para 48%, e Flávio Bolsonaro, de 27% para 29%, em meio à polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida; entre os evangélicos, Flávio Bolsonaro recuou de 49% para 46% e Lula avançou de 23% para 27%.
A reta final também levou a disputa ao Tribunal Superior Eleitoral. Em 18 de setembro de 2026, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, admitiu o processamento de ação movida por Flávio Bolsonaro contra Lula e Geraldo Alckmin por causa do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026, que teve Lula como enredo: a peça aponta abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação, citando R$ 9,65 milhões repassados pelas prefeituras do Rio de Janeiro e de Niterói, pelo governo do estado do Rio e pela Embratur, além de cerca de 79 minutos de exposição em rede nacional de televisão. A admissão abre a fase de instrução, sem julgar o mérito, e Lula e Alckmin têm cinco dias após a notificação para apresentar defesa. Em 20 de setembro de 2026, no sentido inverso, a coligação de Lula protocolou ação no TSE contra Flávio Bolsonaro e seu vice, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL), alegando uso indevido de redes sociais e abuso de poder econômico: segundo a petição, a chapa teria usado 1.826 publicações em coautoria no Instagram, envolvendo 492 perfis, boa parte concentrada em dez dias, e perfis de grande audiência direcionariam seguidores a uma loja na Shopee que vende produtos de campanha. A coligação pede a preservação de registros pela Meta e pela Shopee, a suspensão dos links de venda, a cassação do registro da chapa e a declaração de inelegibilidade dos investigados. Em 24 de setembro de 2026, a campanha de Flávio Bolsonaro protocolou nova ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) contra Lula e Alckmin por uso da máquina pública, citando a entrega de 576 moradias do Minha Casa, Minha Vida em Manaus, o discurso na Assembleia Geral da ONU e o uso do Planalto e do Alvorada como cenário de entrevistas, lives e podcasts; em caso de condenação, a chapa pode ter o registro ou o diploma cassado e ficar inelegível por oito anos.
Dois temas de governo entraram na disputa. Em 1º de agosto de 2026, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a elevação da mistura de etanol anidro na gasolina para 32% (E32) — a Lei do Combustível do Futuro, de 2024, fixa o teto em 35%; em transmissão semanal de 20 de agosto de 2026, Flávio Bolsonaro disse que reveria o percentual em um eventual governo seu, comparando a medida à redução disfarçada de produtos no varejo, o que transformou a política de biocombustíveis, historicamente consensual, em tema eleitoral. Em paralelo, o governo discute uma medida provisória para restringir as apostas online, conduzida pela Casa Civil e com resistência do Ministério da Fazenda, que regulamentou o setor nos últimos anos; pesquisas internas do PT apontam que três em cada quatro brasileiros são contrários às bets, e a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) alerta para indenizações que poderiam chegar a R$ 120 bilhões caso as restrições avancem sem compensação às operadoras licenciadas. A indústria de apostas passou a usar seus valores de publicidade e patrocínio como argumento contra a medida. Em setembro de 2026 Lula elevou o tema a eixo da campanha e passou a defender o fim dos cassinos online de resultado instantâneo, como o chamado jogo do tigrinho, enquanto o Planalto fechava o texto da medida provisória — que proibiria os cassinos online, manteria as apostas esportivas, restringiria a publicidade do setor e endureceria o combate às plataformas ilegais. Clubes e federações esportivas pediram reunião com o presidente para tentar evitar a edição da MP e divulgaram manifesto conjunto em que alertam para o "fim do futebol brasileiro". Em 23 de setembro de 2026, depois de reunião inconclusiva no Palácio da Alvorada com Dario Durigan (Fazenda), Miriam Belchior (Casa Civil), Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, Lula afirmou em ato de campanha no Rio de Janeiro que terá "o imenso prazer de acabar com as bets" e que os clubes precisarão aprender a viver sem esse patrocínio: "Essa não é uma guerra, é uma decisão". Em 24 de setembro de 2026, após nova reunião com ministros da área econômica, o governo optou pela proibição total do funcionamento das bets no país, e não mais apenas dos cassinos online, segundo a Folha de S.Paulo; o anúncio ficou marcado para 25 de setembro, em São Paulo, e medidas de amparo aos clubes de futebol, como crédito ou renegociação de dívidas, devem ser anunciadas depois do período eleitoral. Em comício em Maceió no mesmo dia, Lula disse: "Eu descobri que essa bet é uma doença. Vou acabar com essas bets, antes de elas acabarem com o Brasil". Também em 24 de setembro, o Ministério da Justiça determinou a remoção de 1.367 páginas e perfis no Facebook e no Instagram que divulgavam plataformas de apostas irregulares. O mercado regulado, iniciado em 2025, reúne 85 empresas autorizadas mediante outorga de R$ 30 milhões e arrecadou cerca de R$ 10 bilhões em 2025 e R$ 7,3 bilhões no primeiro semestre de 2026. Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada no mesmo dia, com 5.015 entrevistas feitas entre 17 e 22 de setembro, 36% dos eleitores apontam o governo Lula como principal responsável pelo crescimento das apostas online, contra 25,4% que culpam Jair Bolsonaro e 16,5%, o Congresso; 71% concordam totalmente que as apostas online deveriam ser proibidas. Em 25 de setembro de 2026, em São Paulo, Lula assinou a Medida Provisória nº 1.394, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, que proíbe as apostas de quota fixa e os jogos online, inclusive concessões estaduais e distritais, preservando as loterias já autorizadas em lei. Os depósitos ficaram vedados a partir da publicação; os apostadores podem sacar saldos até as 23h59 de 5 de outubro, os sites e aplicativos saem do ar a partir de 6 de outubro, e o que não for sacado deve ser devolvido pelos bancos entre 9 e 14 de outubro, com intermediação da Caixa Econômica Federal em caso de impedimento; as autorizações vigentes se extinguem 30 dias após a publicação. No mesmo dia, o governo enviou ao Congresso projeto de lei que cria cinco tipos penais: explorar ou operar apostas passa a ser punido com reclusão de 4 a 6 anos e multa, com aumento de um terço quando se tratar de cassino virtual, e publicidade, venda de dados pessoais para direcionar anúncios e facilitação financeira das apostas, com 2 a 4 anos. A ANJL anunciou que irá à Justiça pedir o ressarcimento das outorgas e indenizações, afirmando que a medida empurra mais de 30 milhões de apostadores para o mercado ilegal.
Na reta final, o governo reajustou seu principal programa de transferência de renda. Em 17 de setembro de 2026, no Palácio do Planalto, Lula anunciou aumento de 15% no Bolsa Família: o piso por família passou de R$ 600 para R$ 691, com vigência a partir de outubro, a um custo de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027. O programa não era reajustado desde o relançamento, em março de 2023, e o governo apresentou a medida como recomposição da inflação acumulada no período. Dois dias depois, em 19 de setembro de 2026, em ato na Praça Tancredo Neves, em Florianópolis, ao lado de Gelson Merisio (PSB), candidato ao governo de Santa Catarina, Lula afirmou que, se dependesse do dinheiro do governo, o agronegócio "deveria não só votar, mas se ajoelhar pra mim", citando os R$ 525,1 bilhões do Plano Safra 2026/27 ante R$ 516 bilhões no ciclo anterior. A frase provocou reação de parlamentares e de produtores rurais; o deputado federal Pezenti (MDB-SC) respondeu que "o agricultor já está de joelhos faz tempo".
Em 20 de setembro de 2026, a divulgação de um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) colocou a soberania nacional no centro do debate eleitoral. Enviado no fim de agosto à Presidência, ao TSE e ao Ministério da Justiça, o documento classifica como "crítico" o risco de interferência externa no pleito e descreve uma tendência de escalada da pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil, associada à estratégia do governo Trump para a América Latina, ao apoio a governos conservadores alinhados a Washington, às sanções contra brasileiros e empresas e à atuação do secretário de Estado Marco Rubio. O TSE afirmou não ter identificado indícios concretos de interferência no processo eleitoral, mas considera que o alerta justifica monitoramento. Em comício em São Gonçalo (RJ), em 24 de setembro de 2026, ao lado de Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do Rio, Lula afirmou que, se Donald Trump "meter a mão" na eleição brasileira, "vai perder", disse que "no Palácio do Planalto não cabe a representação de miliciano" — dois dias depois de reportagem sobre emenda de Flávio Bolsonaro destinada a pedido de Robson Calixto, o Peixe, condenado pelo STF no caso Marielle Franco — e pediu votos para impedir que a direita faça maioria no Senado. No mesmo dia, 31 parlamentares democratas dos Estados Unidos enviaram carta ao secretário de Estado Marco Rubio em que acusam o governo Trump de agir para favorecer Flávio Bolsonaro, pedem explicações sobre a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas e a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, e cobram o compromisso de reconhecer o resultado das urnas. A campanha petista incorporou o tema à propaganda, com uma peça que adapta "Lo que pasó a Hawaii", de Bad Bunny, sobre perda de soberania, e um comercial de TV que acusa Trump de tentar interferir no pleito para se apropriar dos recursos naturais do país.
Nos dias seguintes ao discurso na ONU, a disputa judicial entre as duas campanhas se intensificou. Em 22 de setembro de 2026, a pedido de Flávio Bolsonaro, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, mandou Lula retirar em 24 horas de suas redes um vídeo de 3 de setembro sobre o caso Banco Master — no qual o presidente chamava o escândalo de "o maior roubo da história do Brasil" e defendia um código de ética para o Judiciário —, por ter sido gravado no Palácio da Alvorada com a bandeira nacional e outros elementos associados ao cargo; o ministro proibiu o uso do material na propaganda gratuita e deu cinco dias ao governo para comprovar a origem do custeio da gravação. Em 23 de setembro, a campanha de Flávio Bolsonaro acionou o TSE contra o discurso de Lula na Assembleia Geral, que classificou como "tipicamente eleitoral" por tratar de bets, da escala 6x1 e de soberania, e pediu que as imagens da viagem fossem vetadas na propaganda. No mesmo dia, o PT pediu ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, a abertura de inquérito sobre suposta interferência estrangeira na eleição — citando a Rockbridge Network, organização americana de financiamento de campanhas conservadoras, e publicidade paga no exterior em perfis do X favoráveis a Flávio Bolsonaro — e ajuizou ação no TSE contra Flávio e Eduardo Bolsonaro por abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação, alegando articulação com o governo americano. Também em 23 de setembro, Flávio Bolsonaro apresentou ao ministro André Mendonça, do STF, notícia-crime contra Lula com base em mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, nas quais o advogado Walfrido Warde tenta aproximar o banqueiro do governo e cita um uísque dado de presente ao presidente 49 dias após a reunião não registrada na agenda entre Lula e Vorcaro no Planalto, em 4 de dezembro de 2024; a peça aponta, em tese, corrupção passiva e advocacia administrativa. Lula afirmou em fevereiro de 2026 que recebeu Vorcaro a pedido do ex-ministro Guido Mantega e lhe disse que o caso seria tratado tecnicamente pelo Banco Central. Em 24 de setembro de 2026, na inauguração de obras de R$ 997 milhões na BR-116, em Nova Iguaçu, respondeu: "Quem é amigo de presidente é o povo, não é o Vorcaro, dono do Banco Master". Ainda em 23 de setembro, a Meta suspendeu a conta de anúncios da campanha de Lula no Facebook; a coligação notificou a empresa, falou em favorecimento aos adversários e ameaçou ir à Justiça, e a Meta informou que a conta foi restabelecida no mesmo dia, sem explicar o motivo.
Em paralelo, três inquéritos da Polícia Federal que apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente, alcançaram ao menos quatro integrantes ou ex-integrantes do governo, segundo a Folha de S.Paulo em 23 de setembro de 2026. A PF suspeita que a lobista Roberta Luchsinger atuava junto a órgãos federais com dois sócios ocultos, Lulinha e o empresário Fernando Bittar. Entre os citados estão Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula que deixou a campanha após a divulgação de que a lobista pagou cerca de R$ 217 mil em despesas suas em 2024 — a defesa diz tratar-se de empréstimo quitado —, e Swedenberger Barbosa, chefe de gabinete adjunto da Presidência.
Na mobilização da reta final, o presidente do PT, Edinho Silva, convocou em plenária em São Paulo, em 22 de setembro de 2026, uma mobilização nacional de apoio a Lula para o domingo, 27 de setembro. Em 23 de setembro, Lula reuniu artistas como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Marieta Severo e Lenine em ato na Fundição Progresso, na Lapa, no Rio de Janeiro, a 11 dias do primeiro turno, e marcou para 25 de setembro um encontro com empresários em São Paulo. Diante do avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, Lula, que até então pretendia ir apenas a debates de segundo turno e faltou ao primeiro debate presidencial, em 23 de agosto, passou a avaliar a participação no debate da TV Globo de 1º de outubro, defendida pelo ministro da Secom, Sidônio Palmeira, e por Edinho Silva. Em 25 de setembro de 2026, Lula indicou que irá ao debate, e a campanha de Flávio Bolsonaro sinalizou que o senador também deve comparecer, o que ele confirmou em 27 de setembro; até então nenhum dos dois havia participado de debates no primeiro turno. No mesmo dia, em comício no Recife ao lado de João Campos, Marília Arraes e Humberto Costa, Lula disse que vai vencer no primeiro turno e que "votar na família Bolsonaro é votar no Vorcaro" e "na quadrilha que assaltou a Previdência Social". À noite, no Hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo, falou a quase 700 empresários e executivos em evento da Esfera Brasil, do grupo Prerrogativas e do Parlatório: afirmou que "estabilidade fiscal é uma coisa obrigatória", disse ter recebido o governo com déficit de 2,8% e prometeu superávit de 0,1% neste ano, rejeitou cortes na Previdência e em políticas sociais, defendeu uma reforma do Judiciário que discuta mandato para ministros do STF e disse que Daniel Vorcaro "conseguiu corromper todo mundo". Também em 25 de setembro, o ministro Guilherme Boulos pediu licença não remunerada da Secretaria-Geral da Presidência para se dedicar à campanha até o primeiro turno; o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, já estava de férias fazendo campanha em São Paulo.
Em 27 de setembro de 2026, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu em decisão liminar, a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, um jingle da campanha de Lula que associava o senador à rachadinha, ao caso Banco Master, a Daniel Vorcaro, ao policial Adriano da Nóbrega e à compra de imóveis com dinheiro vivo. Para o ministro, a peça usava o tempo presente para investigações já arquivadas e "pode induzir os eleitores a erro ao apresentar denúncias e investigações sem esclarecer seu andamento ou desfecho". No mesmo dia, em Goiânia, Flávio Bolsonaro confirmou presença no debate da TV Globo de 1º de outubro e desafiou Lula: "Vem debater comigo porque eu vou esfregar verdade na sua cara".
Na noite de 27 de setembro de 2026, a Band exibiu entrevista de Lula ao programa Canal Livre. Nela, o presidente defendeu mandato para ministros do STF e indicação condicionada ao crivo de um conselho com juristas e membros da sociedade civil — "Não pode ser só o presidente que indica" —, a extinção do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (Fundo Eleitoral) e uma reforma política para acabar com a "promiscuidade generalizada na política", e criticou o Congresso por controlar "50% do orçamento da União". Na segurança pública, disse que, aprovada a emenda constitucional, criará no dia seguinte o Ministério da Segurança Pública, com uma "polícia especial", uma Força Nacional permanente capaz de intervir em qualquer situação, defendeu a asfixia financeira do crime organizado e chamou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como terroristas pelos Estados Unidos de "terrorismo do Trump", "terrorismo de Estado". Sobre a dívida pública, que chegou a 80% do PIB, disse que a alta preocupa, mas não causa pânico por causa das reservas internacionais; as projeções revisadas do governo indicam dívida bruta de 83,7% do PIB no fim de 2026 e perto de 90% em 2029. Afirmou ainda acreditar que o filho Fábio Luís e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro são inocentes — "Eu acho que o Marcola é 100% inocente" —, mas que ambos devem seguir investigados, e, sobre o boato de que Flávio Bolsonaro tiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, desmentido pelo senador, disse não saber se era notícia falsa. Questionado sobre a Previdência, prometeu criar a partir de 2027 um benefício de um salário mínimo, no âmbito do Benefício de Prestação Continuada (BPC), para mulheres cuidadoras e mães atípicas, custeado com cobrança maior dos mais ricos.
Também em 27 de setembro de 2026, a Folha de S.Paulo mostrou, com dados parciais da prestação de contas extraídos em 23 de setembro da plataforma DivulgaCand, que 57 das 76 pessoas que doaram ao menos R$ 2.500 diretamente à campanha de Lula ocupam cargos no governo federal ou em estatais, somando R$ 425 mil. Entre elas estão cinco ministros: Miriam Belchior (Casa Civil, R$ 28 mil), Luiz Marinho (Trabalho, R$ 24 mil), José Guimarães (Relações Institucionais, R$ 13 mil), Leonardo Barchini (Educação, R$ 10 mil) e Márcia Lopes (Mulheres, R$ 4 mil). Até então a campanha havia recebido R$ 66,9 milhões, dos quais R$ 65,2 milhões dos fundos eleitoral e partidário repassados pelo PT, e R$ 283 mil por financiamento coletivo; das 386 doações individuais diretas, 314 foram feitas depois de 13 de setembro. A campanha negou ter pedido recursos a integrantes do governo.
Em 28 de setembro de 2026, o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que Lula não deverá ir ao debate da TV Globo de 1º de outubro: o presidente discutiu o tema com aliados naquela manhã e resiste por receio de virar alvo dos demais adversários e por preferir enfrentar Flávio Bolsonaro apenas no segundo turno, em confronto direto; Flávio disse que irá mesmo sem Lula. No mesmo dia, Flávio Bolsonaro protocolou no TSE uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) pedindo a cassação do registro da chapa Lula–Alckmin por abuso de poder político e econômico, acusando o uso da estrutura do Ministério da Cultura em favor da campanha — o movimento "Cultura com Lula", com atuação de dirigentes da pasta, a divulgação de ato de campanha em grupos oficiais do ministério, a participação da ministra Margareth Menezes em evento partidário com servidores e a manutenção de publicidade institucional no período vedado. Em comício em Belém, também em 28 de setembro, Lula disse que "ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida" enquanto for presidente, em referência às publicações que atribuíram a Flávio Bolsonaro a intenção de retirar da santa o título de padroeira do Brasil — o projeto citado no boato foi apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli e arquivado em 2008 —, e atacou a Igreja Batista da Lagoinha e o pastor André Valadão, que chamou de "sócio do Vorcaro"; Flávio classificou o episódio como fake news e o comparou à facada sofrida por Jair Bolsonaro em 2018.
Na mesma passagem por Belém, em 28 de setembro de 2026, Lula visitou o Hospital João de Deus, onde afirmou: "O poder público tem que garantir ao pobre o direito, é só isso. Eu não quero tirar nada de nenhum rico. Se eu puder, tiro um pouquinho, faço ele pagar mais um pouco para melhorar a vida dos pobres". Na visita, telefonou ao vivo para o ministro do STF Flávio Dino antes de sancionar a lei, apresentada por Dino quando senador após a morte do filho de 13 anos em 2012, que cria uma estratégia nacional de controle e avaliação da qualidade da assistência à saúde, com multas de R$ 5 mil a R$ 500 mil; Flávio Bolsonaro perguntou nas redes se Dino, indicado por Lula ao Supremo em 2023, "continua sendo subordinado do Lula no STF". No comício daquela noite, o ex-governador Helder Barbalho (MDB), candidato ao Senado, entregou a Lula uma estatueta de Nossa Senhora de Nazaré, que o presidente exibiu ao público. Também em Belém, ao comentar a resistência dos homens ao exame de toque para prevenção do câncer de próstata, Lula disse que as mulheres "aprendem a tomar toque desde pequena"; a campanha petista afirmou que ele se referia aos exames ginecológicos, e a de Flávio Bolsonaro passou a divulgar vídeo que associa a fala ao estupro de vulneráveis.
Em 29 de setembro de 2026, duas pesquisas mostraram a disputa empatada. A AtlasIntel/Bloomberg (BR-04391/2026, 5.005 entrevistas por recrutamento digital entre 23 e 28 de setembro, margem de um ponto) apontou Lula com 45,3% e Flávio Bolsonaro com 42,2% no primeiro turno e 47,7% a 47,6% para Flávio no segundo; a desaprovação do governo foi a 53,6% e a aprovação a 45,2%, com 50,8% de avaliação ruim ou péssima e 40,2% de ótima ou boa. A Palver, feita online com 5.000 pessoas entre 24 e 27 de setembro (margem de 2,4 pontos), registrou 44% para cada um no primeiro turno, 47% a 45% para Flávio no segundo e rejeição de 51% para Lula e 48% para Flávio. No mesmo dia, o Ministério do Trabalho divulgou que o país criou 165.827 vagas formais em agosto pelo Caged, acima da mediana de 97.826 prevista pelo mercado.
Na agenda de 29 de setembro, em Fortaleza, Lula disse que a eleição definirá se o Brasil será "dono do seu quintal" ou se o país vai eleger um "vira-lata que fica puxando saco do Trump", defendeu que terras raras e minerais críticos sejam industrializados no Brasil e afirmou que, enquanto for presidente, Nossa Senhora Aparecida será padroeira do Brasil: "Quem não quiser, que mude do Brasil". À noite, em Salvador, chamou Flávio Bolsonaro de "mequetrefe", cuja "única experiência" seria "relação com os milicianos e uma fábrica de chocolate para lavagem de dinheiro", e atacou ACM Neto (União Brasil), adversário de Jerônimo Rodrigues (PT) na disputa pelo governo da Bahia. Em nota, prestou solidariedade à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) depois que Flávio acusou a entidade de propagar notícias falsas contra ele: "Quando um político ataca uma religião, todas as religiões são atacadas também". A campanha comunicou à Prefeitura de São Paulo o último ato antes do primeiro turno, a "Caminhada Fernando Haddad e Lula", marcada para a manhã de 3 de outubro, pela rua Augusta até a praça Roosevelt, com público estimado em 15 mil pessoas, e a ocupação de parte da avenida Paulista, em frente ao Masp, na noite da apuração, em 4 de outubro.
Em 30 de setembro de 2026, Lula confirmou à TV Globo que não participaria do debate presidencial de 1º de outubro, o último antes do primeiro turno, e anunciou para as 20h45 daquela quinta-feira, 45 minutos antes do início do debate, uma entrevista ao Flow Podcast, repetindo a estratégia de 23 de agosto, quando trocou o debate da Band por uma entrevista exclusiva à TV Record. Aliados avaliavam que, como único candidato de esquerda, ele seria o alvo de todos os demais, com tempo limitado de resposta. Foram confirmados no debate Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo), este por decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que passou a considerar o número atual de deputados federais de cada partido. No mesmo dia, em entrevistas a criadores de conteúdo, Lula afirmou que o fim da escala 6x1 "vai ser aprovado" antes da posse do próximo presidente, disse que, reeleito, vai "comprar uma distribuidora" de combustíveis, em crítica à privatização da BR Distribuidora (hoje Vibra Energia) concluída no governo Bolsonaro, e citou R$ 47 bilhões em subsídios para conter os preços da gasolina e do diesel; disse ainda que Flávio Bolsonaro foi eleito vereador aos 21 anos "apoiado pelo crime organizado no Rio de Janeiro, pelos milicianos" e que o dinheiro pedido pelo senador a Daniel Vorcaro para o filme "Dark Horse" servia para sustentar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Ao receber uma estatueta de Nossa Senhora Aparecida, beijou a imagem e disse que não quer "acabar com Nossa Senhora Aparecida, isso jamais". Também em 30 de setembro, a ministra Estela Aranha, do TSE, mandou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) apagar em 24 horas, sob pena de multa, uma publicação que associava a fala de Lula em Belém sobre o exame de próstata a crime sexual contra crianças, por considerar que o post deslocava "a discussão do campo da saúde pública para o campo de condutas criminosas". Em Salvador, na véspera, Lula havia negado a existência de uma aliança "Neto-Lula" na Bahia. Lula também fez comício em Juiz de Fora (MG), a dois quarteirões do local do ato de Flávio Bolsonaro de 9 de setembro; em 2022, venceu Jair Bolsonaro em Minas Gerais por 49.650 votos.
Também em 30 de setembro de 2026, duas novas pesquisas mantiveram o empate técnico. A Meio/Ideia (BR-08706/2026, 2.000 entrevistas por telefone de 25 a 28 de setembro, margem de 2,2 pontos) registrou Lula com 39,4% e Flávio Bolsonaro com 38,4% no primeiro turno e 48,5% a 48% para Lula no segundo, com aprovação e desaprovação empatadas em 49%. A Futura Inteligência, contratada pela 100% Cidades (BR-01122/2026, 2.000 entrevistas por telefone de 24 a 29 de setembro, margem de 2,2 pontos), apontou Flávio com 42,2% e Lula com 39,4% no primeiro turno. O PT manteve para a manhã de 3 de outubro a caminhada de Lula e Fernando Haddad com saída às 10h da avenida Paulista, na esquina com a alameda Ministro Rocha Azevedo, e passagem por duas quadras da via antes de seguir pela rua Augusta até a praça Roosevelt, apesar de o prefeito Ricardo Nunes (MDB) ter vetado o uso da avenida com base em pedido do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo para que ela não fosse bloqueada nos dias 3, 4, 24 e 25 de outubro.
A proibição das bets chegou ao Supremo Tribunal Federal. Em 28 de setembro de 2026, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) ajuizaram ação direta de inconstitucionalidade contra a Medida Provisória nº 1.394, pedindo a suspensão imediata da norma ou, alternativamente, uma transição de seis meses, e a distribuição por prevenção ao ministro Luiz Fux, que já relata três ações sobre o tema; as entidades apontaram 833 novos sites clandestinos desde a proibição. No mesmo dia, a Advocacia-Geral da União processou 17 plataformas de apostas na Justiça Federal em Pernambuco, pedindo ao menos R$ 1 bilhão por danos morais coletivos e a restituição em dobro do que apostaram pessoas com ludopatia, sob o argumento de que os gastos do SUS com o tratamento de apostadores superam a arrecadação de impostos das empresas. Também em 28 de setembro, com o petróleo acima de US$ 100 o barril por causa da guerra no Oriente Médio, o governo manteve a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel criada pela Medida Provisória nº 1.391, de 11 de setembro, e anunciou fiscalização reforçada dos preços de combustíveis, com multas de R$ 20 mil a R$ 500 milhões por aumento sem justa causa, previstas na Medida Provisória nº 1.393, que alterou o Código de Defesa do Consumidor.
Em seu terceiro mandato, Lula tem focado na reconstrução do país, destacando a queda da inflação e o aumento de empregos. Ele planeja usar 2026 como o "ano da comparação", confrontando as realizações de seu governo com as administrações de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Além disso, tem se manifestado publicamente sobre questões de ética financeira, como no caso do Banco Master, e tem reforçado a importância de combater a desinformação e a violência de gênero. Ele também tem defendido publicamente a lisura do sistema eleitoral brasileiro e das urnas eletrônicas. Foi convidado a participar de fóruns internacionais de relevância, como o "Conselho da Paz" e o Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe. Em 25 de setembro de 2026, assinou em São Paulo a medida provisória que cria o Desenrola Brasil 3.0, terceira fase do programa de renegociação de dívidas: a União poderá comprar em leilão carteiras de dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, com atraso entre 720 e 1.645 dias, e repassar ao devedor o desconto obtido, de no mínimo 90%. O governo estima até R$ 150 bilhões em dívidas elegíveis, R$ 75 bilhões efetivamente renegociados e até 15 milhões de beneficiários, com R$ 15 bilhões reservados ao programa; as duas fases anteriores alcançaram 25 milhões de pessoas.
Linha do tempo
- 2023: Início do terceiro mandato presidencial de Lula.
- 2025 (Dezembro): Pesquisas de opinião, como a Paraná Pesquisas, indicam que Lula, embora competitivo, não possui uma vantagem clara sobre seus rivais políticos a um ano das eleições de 2026, expondo um teto eleitoral.
- 2025 (Dezembro): Lula sanciona lei que reduz isenções fiscais e tributa apostas esportivas, e veta proposta sobre reciclagem de verbas do orçamento secreto.
- 2025 (Final do ano): Estratégias para a reta final do mandato de Lula para as eleições de 2026 começam a se delinear, com foco na queda da taxa Selic e na promoção de projetos sociais. Temas como a escala de trabalho 6x1 são apontados como mais viáveis para campanhas políticas do que Propostas de Emenda à Constituição (PEC) em um ano legislativo curto.
- 2026 (Janeiro): Lula pede a Fernando Haddad que concorra ao governo de São Paulo, visando um palanque forte no maior colégio eleitoral do país para um possível quarto mandato presidencial.
- 2026 (18 de janeiro): Lula é convidado a participar do "Conselho da Paz", uma iniciativa internacional com um rascunho de estatuto que prevê cobrança de US$ 1 bilhão por vaga e poderes concentrados no presidente do órgão.
- 2026 (23 de janeiro): Durante cerimônia de entrega de 1.337 moradias do Programa Minha Casa, Minha Vida em Maceió, Alagoas, Lula critica publicamente quem defende o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e se refere a um golpe de mais de R$ 40 bilhões, afirmando que o prejuízo será coberto por outros bancos. Ele também anuncia a entrega de ambulâncias e Unidades Odontológicas Móveis para o estado e faz um apelo contra a violência de gênero, além de prometer comparar as realizações de seu governo com as gestões anteriores em 2026. No mesmo evento, ele reafirma que viajará por todo o Brasil em 2026 para promover seu governo, defender o sistema eleitoral e as urnas eletrônicas, e pede aos apoiadores para combaterem a desinformação.
- 2026 (26 de janeiro): O PT intensifica a pressão sobre Fernando Haddad para que ele seja o candidato do partido ao governo de São Paulo, apesar da relutância do ministro da Fazenda. Lula atua no processo de convencimento, e dirigentes do partido, como Camilo Santana, defendem que Haddad faz parte de um "projeto nacional" e sua candidatura é uma "missão", essencial para o palanque de Lula no maior colégio eleitoral do país. Outros nomes como Geraldo Alckmin, Simone Tebet e Marina Silva também são considerados para compor a chapa em São Paulo.
- 2026 (27-28 de janeiro): Lula viaja ao Panamá para participar, como convidado especial, do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe. Ele será o segundo a discursar no fórum, após o presidente anfitrião, José Raúl Mulino. A agenda inclui uma visita a uma das eclusas do Canal do Panamá e uma provável reunião bilateral com Mulino. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, também terá encontros para tratar de investimentos e facilitação de capital entre Brasil e Panamá. Temas como o papel econômico da região, infraestrutura, inteligência artificial, comércio regional, energia, mineração, segurança alimentar e combate ao crime organizado serão debatidos.
- 2026 (2 de agosto): Convenção nacional do PT, no Expo Center Norte, em São Paulo, oficializa a candidatura de Lula à reeleição, em busca do quarto mandato, com Geraldo Alckmin (PSB) como vice — a mesma chapa eleita em 2022. A chapa reúne o apoio de PSB, PDT, das federações formadas por PT, PV e PCdoB, além de PSOL e Rede. Em discurso de mais de uma hora, Lula anuncia cinco compromissos de campanha (educação, um programa para idosos, indústria de defesa, terras raras e transição energética), critica as emendas parlamentares e o fundo partidário, diz estar "inteiraço" aos 80 anos e afirma que não disputará um quinto mandato. Falaram antes dele Edinho Silva, presidente do PT, e Fernando Haddad, candidato do partido ao governo de São Paulo. Lula reconheceu publicamente que nenhuma mulher havia sido escalada para discursar e passou a palavra à primeira-dama Janja da Silva.
- 2026 (5 de agosto): Prazo final para a realização das convenções partidárias.
- 2026 (7 de agosto): Às 23h20, a coligação Brasil Pronto pra Mais protocola no TSE o pedido de registro da chapa Lula–Alckmin, segundo o recibo do Sistema de Candidaturas. Foram enviados o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP), com os dados da coligação, e os requerimentos individuais de registro de Lula e de Alckmin. A coligação reúne sete partidos: PDT, PSB, a federação PT-PCdoB-PV e a federação PSOL-Rede. Lula disputará com o número 13. Junto ao pedido, a coligação protocola as diretrizes do programa de governo, documento de 84 páginas que coloca a soberania nacional entre os principais eixos e propõe discutir mudanças nas emendas parlamentares, apoiar o fim da escala 6x1 e ampliar políticas de saúde, educação e segurança pública. O protocolo formaliza o pedido, mas não aprova as candidaturas: a documentação ainda será analisada pela Justiça Eleitoral.
- 2026 (15 e 16 de agosto): O prazo para o registro de candidaturas vai até 15 de agosto — o pedido da chapa Lula–Alckmin foi protocolado em 7 de agosto; a campanha eleitoral começa no dia 16, data em que Lula afirmou que divulgará seu programa de governo.
- 2026 (2 de setembro): O TSE defere o registro da chapa Lula–Alckmin. Em sessão virtual extraordinária encerrada às 23h59 daquela quarta-feira, com relatoria do ministro André Mendonça e da ministra Estela Aranha, o Colegiado conclui por unanimidade que o pedido foi feito de forma regular, com os documentos necessários ao cadastro da chapa e de acordo com os requisitos previstos na Constituição e na Lei de Inelegibilidade. Na mesma sessão o tribunal valida outras cinco chapas presidenciais — Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar (PL), Samara Martins e Raquel Brício (UP), Romeu Zema e Eduardo Girão (Novo), Hertz Dias e Vanessa Portugal (PSTU) e Edmilson Costa e Cleusa Santos (PCB) — e deixa outros sete dos 13 pedidos de registro à Presidência para julgamento posterior.
- 2026 (1º de agosto): O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprova a elevação do teor de etanol anidro na gasolina para 32% (E32). A Lei do Combustível do Futuro, de 2024, fixa o teto em 35%.
- 2026 (20 de agosto): Em transmissão semanal, Flávio Bolsonaro afirma que reveria o teor de 32% de etanol na gasolina em um eventual governo seu, comparando a medida à redução disfarçada de produtos no varejo. A política de biocombustíveis, até então consensual entre os partidos, passa a ser tema da campanha.
- 2026 (27 de julho): O governo brasileiro protocola na Organização Mundial do Comércio (OMC) ação contra as tarifas americanas sobre produtos do Brasil.
- 2026 (17 de setembro): No Palácio do Planalto, Lula anuncia reajuste de 15% no Bolsa Família: o piso por família passa de R$ 600 para R$ 691, com vigência a partir de outubro, ao custo de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027. O programa não era reajustado desde o relançamento, em março de 2023.
- 2026 (17 de setembro): O Datafolha divulga pesquisa com Lula em 39% e Flávio Bolsonaro em 36% no primeiro turno, e 46% a 44% em um eventual segundo turno — empate técnico nos dois cenários. Foram 2.002 entrevistas, feitas em 15 e 16 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
- 2026 (18 de setembro): O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, admite o processamento de ação movida por Flávio Bolsonaro contra Lula e Geraldo Alckmin pelo desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026, que teve Lula como enredo. A peça aponta abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação, cita R$ 9,65 milhões repassados pelas prefeituras do Rio de Janeiro e de Niterói, pelo governo do estado do Rio e pela Embratur, e cerca de 79 minutos de exposição em rede nacional. Lula e Alckmin têm cinco dias após a notificação para se defender; a decisão não julga o mérito.
- 2026 (19 de setembro): Em ato na Praça Tancredo Neves, em Florianópolis, ao lado do candidato ao governo de Santa Catarina, Gelson Merisio (PSB), Lula diz que, se dependesse do dinheiro do governo, o agronegócio "deveria não só votar, mas se ajoelhar pra mim", e cita os R$ 525,1 bilhões do Plano Safra 2026/27 ante R$ 516 bilhões no ciclo anterior. A fala gera reação de parlamentares e produtores rurais.
- 2026 (19 de setembro): Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e apoiada pelo Brasil, desiste da candidatura à Secretaria-Geral da ONU. Indicada em fevereiro pelo então presidente chileno Gabriel Boric, ela perdeu força após o novo chefe de Estado, José Antonio Kast, retirar o apoio. Em votação do Conselho de Segurança em agosto, a ex-chanceler da Guiana Carolyn Rodrigues-Birkett havia ficado à frente, com oito votos favoráveis.
- 2026 (20 de setembro): Lula, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o presidente do Quênia, William Ruto, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, lançam em artigo no Financial Times a iniciativa Parceiros para o Multilateralismo (P4M), descrita como plataforma flexível e aberta — nem bloco exclusivo nem nova burocracia internacional — para articular reformas na ONU e em outras instituições multilaterais. O texto cita 65 conflitos armados entre Estados em 35 países em 2025, o maior número desde 1946, e gastos militares globais recordes de US$ 2,9 trilhões.
- 2026 (20 de setembro): Lula parte às 10h30 da Base Aérea de Brasília e chega às 18h15 ao Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York, para a 81ª Assembleia Geral da ONU. Geraldo Alckmin assume a Presidência da República em caráter interino durante a viagem. A delegação inclui os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Esther Dweck (Gestão), Luiz Eloy Terena (Povos Indígenas) e Rachel Barros (Igualdade Racial).
- 2026 (20 de setembro): A coligação de Lula protocola ação no TSE contra Flávio Bolsonaro e o vice Alfredo Gaspar (PL) por suposto uso indevido de redes sociais e abuso de poder econômico, apontando 1.826 publicações em coautoria no Instagram envolvendo 492 perfis e o direcionamento de seguidores a uma loja na Shopee que vende produtos de campanha. A coligação pede a preservação de registros por Meta e Shopee, a suspensão dos links de venda, a cassação do registro da chapa e a inelegibilidade dos investigados.
- 2026 (20 de setembro): Vem a público relatório da Abin enviado no fim de agosto à Presidência, ao TSE e ao Ministério da Justiça, que classifica como "crítico" o risco de interferência externa nas eleições e descreve escalada da pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil. O TSE diz não ter identificado indícios concretos de interferência, mas mantém o monitoramento.
- 2026 (21 de setembro): A pesquisa BTG/Nexus, registrada no TSE sob o número BR-00485/2026 e realizada entre 18 e 20 de setembro com 2.006 entrevistas e margem de erro de dois pontos, aponta Lula com 40%, Flávio Bolsonaro com 37%, Augusto Cury com 6% e Ronaldo Caiado com 5% no primeiro turno. Nos cenários de segundo turno, Lula fica em empate técnico com Flávio Bolsonaro (46% a 45%), com Caiado (45% a 45%) e com Cury (44% a 43%).
- 2026 (21 de setembro): Em Nova York, Lula se reúne com o senador democrata Bernie Sanders, na residência do representante brasileiro na ONU, com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, e com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. Sanders afirma que pretende convidá-lo a falar sobre o Sistema Único de Saúde no Senado dos Estados Unidos caso Lula seja reeleito e os democratas conquistem a maioria; Mamdani o chama de grande inspiração em conversa sobre custo de vida e pobreza; com Orsi, os temas são multilateralismo, integração latino-americana, cota uruguaia de carne bovina para a China, regulamentação das apostas online e a ponte binacional sobre o rio Jaguarão. Não há reunião bilateral marcada com Donald Trump, que também é recebido por Mamdani no mesmo dia. No mesmo 21 de setembro, após a desistência de Bachelet, o Itamaraty reafirma o apoio brasileiro à eleição de uma mulher latino-americana para a Secretaria-Geral da ONU, sem anunciar novo nome.
- 2026 (21 de setembro): Em entrevista à CNN em Nova York, Lula diz que, enquanto houver negociação em curso, não aplicará a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos, afirma que analisará com cautela a medida caso não haja acordo, sustenta que as tarifas americanas "foram baseadas em mentiras" e volta a comparar a conduta de Donald Trump à de um imperador.
- 2026 (21 de setembro): A pesquisa Quaest contratada pelo Grupo Globo, registrada no TSE sob o número BR-06004/2026 e realizada entre 17 e 20 de setembro com 2.004 entrevistas presenciais e margem de erro de dois pontos, aponta Lula com 37% e Flávio Bolsonaro com 33% no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 42% contra 41% de Lula no segundo turno, dentro da margem de erro. A rejeição é de 56% para Flávio Bolsonaro e 55% para Lula; 50% desaprovam o governo e 44% aprovam.
- 2026 (21 de setembro): Pesquisa Ipsos/Ipec, feita entre 9 e 13 de setembro com 2.000 entrevistas presenciais em 130 municípios e margem de erro de dois pontos, registra o governo como ruim ou péssimo para 43% e ótimo ou bom para 33%, com avaliação negativa em todas as áreas testadas — as piores em controle de gastos públicos, controle da inflação e segurança pública.
- 2026 (21 de setembro): A coligação Brasil Pronto pra Mais apresenta representação ao TSE contra Flávio Bolsonaro por um vídeo publicado em 13 de agosto no Facebook e no Instagram que junta uma fala de Lula de 14 de março de 2025 sobre a queda do preço da carne a outra de 11 de setembro de 2026 ("Se não tem carne, a gente come ovo"). A campanha sustenta que a montagem induz o eleitor ao erro e pede a remoção do conteúdo, multa diária por descumprimento e a proibição de novos impulsionamentos; segundo a peça, as quatro versões do anúncio receberam R$ 105 mil entre 13 e 18 de setembro.
- 2026 (22 de setembro): Lula abre o Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, pela décima vez desde 2003. Diz que a credibilidade da organização "nunca esteve tão baixa", critica o imobilismo do Conselho de Segurança, afirma que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém" e, pela primeira vez em seus discursos na ONU, trata da eleição brasileira, que definiria "entre democracia e negacionismo". Donald Trump discursa em seguida e ameaça usar o poderio militar americano no Hemisfério Ocidental.
- 2026 (22 de setembro): A pedido de Flávio Bolsonaro, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, manda Lula retirar em 24 horas de suas redes um vídeo de 3 de setembro sobre o caso Banco Master, gravado no Palácio da Alvorada com símbolos do cargo, e proíbe seu uso na propaganda eleitoral gratuita. No mesmo dia, em plenária do PT em São Paulo, Edinho Silva convoca mobilização nacional de apoio a Lula para 27 de setembro.
- 2026 (23 de setembro): Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg aponta Lula com 45,8% e Flávio Bolsonaro com 43,4% no primeiro turno; no mesmo levantamento, 36% apontam o governo Lula como principal responsável pelo crescimento das apostas online.
- 2026 (23 de setembro): A campanha de Flávio Bolsonaro aciona o TSE contra o discurso de Lula na ONU, que considera eleitoral. O PT pede ao ministro Flávio Dino, do STF, inquérito sobre interferência estrangeira na eleição e aciona o TSE contra Flávio e Eduardo Bolsonaro por suposta articulação com o governo americano. Flávio Bolsonaro apresenta ao ministro André Mendonça notícia-crime contra Lula com base em mensagens entre Daniel Vorcaro e o advogado Walfrido Warde.
- 2026 (23 de setembro): Em ato com artistas na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, Lula diz que terá "o imenso prazer de acabar com as bets" e que os clubes de futebol precisarão viver sem elas, depois de reunião inconclusiva com ministros sobre a medida provisória do setor; no mesmo ato, compara seu discurso na ONU ao de Trump, que fala "como se estivesse ameaçando todo mundo".
- 2026 (23 de setembro): A Meta suspende a conta de anúncios da campanha de Lula no Facebook e a restabelece no mesmo dia, sem informar o motivo; a coligação notifica a empresa e ameaça ir à Justiça.
- 2026 (24 de setembro): Em agenda no Rio de Janeiro, Lula inaugura obras de R$ 997 milhões na BR-116, em Nova Iguaçu, onde diz que "amigo de presidente é o povo, não é o Vorcaro", e, em comício em São Gonçalo, afirma que Trump "vai perder" se interferir na eleição e que no Planalto "não cabe a representação de miliciano". À noite, em Maceió, reafirma que vai acabar com as bets; o governo decide pela proibição total do setor.
- 2026 (24 de setembro): O Datafolha (BR-00304/2026, 2.002 entrevistas em 22 e 23 de setembro) aponta Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno e 47% a 45% no segundo, empate técnico; 50% desaprovam e 47% aprovam o governo.
- 2026 (24 de setembro): A campanha de Flávio Bolsonaro protocola nova AIJE no TSE contra Lula e Alckmin por uso da máquina pública. No mesmo dia, 31 parlamentares democratas dos EUA enviam carta a Marco Rubio criticando a interferência do governo Trump na eleição brasileira.
- 2026 (25 de setembro): Datafolha divulga rodadas estaduais: Flávio Bolsonaro lidera em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, Lula lidera em Pernambuco (60% a 24%) e Minas Gerais tem empate técnico.
- 2026 (25 de setembro): Em comício no Recife, Lula diz que "votar na família Bolsonaro é votar no Vorcaro". Em São Paulo, assina a Medida Provisória nº 1.394, que proíbe as apostas de quota fixa e os jogos online, com saques até 5 de outubro e sites fora do ar a partir de 6 de outubro, envia ao Congresso projeto que criminaliza a exploração de apostas (4 a 6 anos de reclusão) e assina a MP do Desenrola Brasil 3.0. À noite, diz a quase 700 empresários que a estabilidade fiscal é "obrigatória" e defende reforma do Judiciário com discussão de mandato para ministros do STF. Guilherme Boulos pede licença da Secretaria-Geral para fazer campanha.
- 2026 (25 de setembro): Brasil e Estados Unidos fazem a primeira rodada de consultas na OMC, em Genebra, sobre as tarifas americanas, sem decisão; começa a correr o prazo de 60 dias para um acordo, após o qual qualquer dos lados pode pedir a abertura de um painel.
- 2026 (26 de setembro): Em caminhada de campanha em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo, ao lado de Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Simone Tebet e Marina Silva, Lula diz ter tomado "uma atitude muito drástica" ao proibir as bets, que chama de "desgraça na vida das pessoas pobres", associa Flávio Bolsonaro ao caso Banco Master e ao escândalo do INSS e afirma que transformou Daniel Vorcaro "num prisioneiro". Em seguida visita, sem discursar e sem os candidatos, o novo câmpus do Instituto Federal de São Paulo em Cidade Tiradentes, apresentado como agenda de governo porque a lei eleitoral veda a presença de candidatos em inaugurações nos três meses anteriores ao pleito. No mesmo dia, Flávio Bolsonaro volta a chamar Lula de "pai do tigrinho" e Tarcísio de Freitas classifica a proibição como "oportunismo eleitoral"; o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, estima perda de R$ 6,8 bilhões em receitas até 2027 com o fim das apostas. A campanha anuncia que Aloizio Mercadante sai de férias da presidência do BNDES a partir de 28 de setembro, até o segundo turno, para trabalhar na estratégia e na comunicação da candidatura, e que a última semana antes do primeiro turno terá como eixo o voto útil, com a comparação entre Lula e Flávio Bolsonaro.
- 2026 (27 de setembro): Data da mobilização nacional de apoio a Lula convocada pelo PT.
- 2026 (27 de setembro): O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspende liminarmente, a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, jingle de Lula que associava o senador à rachadinha e ao caso Banco Master. Em Goiânia, Flávio confirma presença no debate da TV Globo. A Folha de S.Paulo mostra que 57 dos 76 maiores doadores pessoas físicas da campanha de Lula, entre eles cinco ministros, têm cargo no governo ou em estatais.
- 2026 (27 de setembro): Em entrevista ao Canal Livre, da Band, Lula defende mandato para ministros do STF e um conselho para as indicações à corte, o fim do Fundo Eleitoral, a criação do Ministério da Segurança Pública com uma polícia especial contra o crime organizado, diz que a dívida pública de 80% do PIB não lhe causa pânico e afirma acreditar na inocência de Lulinha e de Marcola, sem se opor às investigações, e promete a partir de 2027 um benefício de um salário mínimo, via BPC, para mulheres cuidadoras e mães atípicas.
- 2026 (28 de setembro): A Quaest (BR-06520/2026, 2.004 entrevistas de 24 a 27 de setembro) aponta Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 34% no primeiro turno e empate em 42% no segundo; a aprovação do governo sobe para 46% e a desaprovação cai para 49%.
- 2026 (28 de setembro): Flávio Bolsonaro pede ao TSE a cassação da chapa Lula–Alckmin por suposto uso da estrutura do Ministério da Cultura na campanha. Em Belém, Lula diz que "ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida" e ataca a Igreja da Lagoinha. Entidades de apostas pedem ao STF a suspensão da MP das bets, a AGU processa 17 plataformas pedindo R$ 1 bilhão e o governo mantém a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel. Ainda em Belém, Lula sanciona, depois de telefonar ao vivo para Flávio Dino, a lei proposta pelo ministro quando senador sobre qualidade da assistência à saúde, e exibe no comício uma estatueta de Nossa Senhora de Nazaré.
- 2026 (29 de setembro): A AtlasIntel/Bloomberg (BR-04391/2026, 5.005 entrevistas de 23 a 28 de setembro) aponta Lula com 45,3% e Flávio Bolsonaro com 42,2% no primeiro turno e 47,7% a 47,6% para Flávio no segundo; a desaprovação do governo sobe para 53,6% e a aprovação fica em 45,2%. A Palver registra empate em 44% no primeiro turno. O Caged mostra 165.827 vagas formais criadas em agosto, acima das projeções.
- 2026 (29 de setembro): Em Fortaleza, Lula diz que o país não pode eleger um "vira-lata que fica puxando saco do Trump" e que Nossa Senhora Aparecida seguirá padroeira enquanto ele for presidente; em Salvador, chama Flávio Bolsonaro de "mequetrefe" ligado a milicianos. Divulga nota de solidariedade à CNBB, alvo de Flávio, e a campanha comunica à Prefeitura de São Paulo a caminhada com Fernando Haddad de 3 de outubro, entre a rua Augusta e a praça Roosevelt.
- 2026 (30 de setembro): Lula confirma à TV Globo que não irá ao debate de 1º de outubro e marca entrevista ao Flow Podcast para as 20h45 do mesmo dia. Em entrevistas a criadores de conteúdo, diz que o fim da escala 6x1 será aprovado antes da posse do próximo presidente e que, reeleito, vai comprar uma distribuidora de combustíveis. A ministra Estela Aranha, do TSE, manda Nikolas Ferreira apagar post que associava fala de Lula sobre o exame de próstata a crime sexual contra crianças. Meio/Ideia registra 39,4% a 38,4% para Lula no primeiro turno e 48,5% a 48% no segundo; Futura Inteligência, 42,2% a 39,4% para Flávio no primeiro turno. Lula faz comício em Juiz de Fora (MG).
- 2026 (1º de outubro): Debate presidencial da TV Globo, sem Lula, com Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema; no mesmo horário, Lula dá entrevista ao Flow Podcast.
- 2026 (3 de outubro): Data da caminhada de encerramento da campanha de Lula e Fernando Haddad em São Paulo, antes do primeiro turno, com saída às 10h da avenida Paulista, mantida pelo PT apesar do veto do prefeito Ricardo Nunes ao uso da avenida.
- 2026 (4 de outubro): Data marcada para o primeiro turno das eleições gerais.
81ª Assembleia Geral da ONU
Lula desembarcou em Nova York em 20 de setembro de 2026 para a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, deixando Geraldo Alckmin na Presidência da República em caráter interino. Segundo a agenda oficial, ele partiu às 10h30 da Base Aérea de Brasília e chegou às 18h15 ao Aeroporto Internacional John F. Kennedy, sem outros compromissos no dia. Acompanham a comitiva os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Esther Dweck (Gestão), Luiz Eloy Terena (Povos Indígenas) e Rachel Barros (Igualdade Racial).
Em 21 de setembro de 2026, Lula cumpriu agenda com interlocutores críticos ao governo americano. Recebeu o senador democrata Bernie Sanders na residência do representante brasileiro na ONU, em encontro sobre inteligência artificial, conflitos internacionais e o Sistema Único de Saúde; Sanders disse que pretende convidá-lo a falar sobre o SUS no Senado dos Estados Unidos caso Lula seja reeleito e os democratas conquistem a maioria nas eleições de meio de mandato, e afirmou que os progressistas americanos devem apoiar a autodeterminação do Brasil. Questionado pelo senador sobre interferência externa no pleito brasileiro, Lula respondeu não ver indícios concretos de interferência relevante. Também se reuniu com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que o chamou de grande inspiração: a conversa tratou de custo de vida e pobreza, com Mamdani observando que Nova York é a cidade mais cara das Américas e que um em cada quatro nova-iorquinos vive na pobreza, enquanto Lula criticou o aumento de gastos militares na Europa e no Japão em detrimento da educação e das políticas contra a fome. Com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, discutiu multilateralismo, integração latino-americana, o excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China, a regulamentação das apostas online e a ponte binacional sobre o rio Jaguarão, além das agendas da Celac e do Mercosul. Não houve bilateral marcada com Donald Trump, recebido por Mamdani no mesmo dia, ainda que um encontro de corredor permaneça possível. O discurso de Lula na abertura do Debate Geral ficou marcado para 22 de setembro, com Trump na sequência.
A abertura do Debate Geral, em 22 de setembro de 2026, ocorre sob crise de credibilidade e de financiamento da organização. Cerca de 130 chefes de Estado e de governo estão inscritos para discursar sobre conflitos no Irã, em Gaza, na Ucrânia, no Sudão, no Congo e em Mianmar, aquecimento global, desigualdade econômica e inteligência artificial sem controles. Os Estados Unidos pagaram US$ 725 milhões em contribuições atrasadas para não perder o direito de voto na Assembleia. Estão presentes Trump, Emmanuel Macron, Volodymyr Zelensky, Masoud Pezeshkian e Benjamin Netanyahu; Xi Jinping, que envia o vice-presidente, Vladimir Putin e Narendra Modi não comparecem, e Mahmoud Abbas participa por vídeo após ter o visto negado pelos Estados Unidos. António Guterres, cujo mandato termina em 31 de dezembro de 2026, afirmou que o mundo enfrenta três ameaças existenciais e que a cooperação internacional é mais necessária do que nunca em uma era de profunda incerteza.
Em 22 de setembro de 2026, Lula abriu o Debate Geral pela décima vez desde 2003, antes de Trump, em discurso de cerca de 20 minutos. Afirmou que a ONU vive seu momento mais crítico, que sua credibilidade "nunca esteve tão baixa" e que "somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel", e disse que o sentimento que o movia era "o da indignação". Chamou de genocídio a ação do governo de Benjamin Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza, condenou os atos terroristas do Hamas, defendeu o Tribunal Penal Internacional e a relatora especial Francesca Albanese, que "não pode ser silenciada por dizer a verdade", e disse que não haverá vencedores no campo de batalha na guerra entre Rússia e Ucrânia, citando o Grupo de Amigos da Paz criado por Brasil e China.
Sobre a América Latina, sem nomear os Estados Unidos, disse que a proximidade com "a maior potência militar do mundo" é inescapável num contexto de "recrudescimento de tentações hegemônicas" e que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém". Afirmou que a democracia "está novamente em xeque", com ingerência externa em processos eleitorais; defendeu a autodeterminação do povo venezuelano, criticou a Nicarágua por impedir a oposição de disputar eleições, citou a crise no Haiti e chamou de ilegais o embargo e o cerco energético contra Cuba. No combate ao crime organizado, disse que o país não vai terceirizar a defesa das fronteiras: "Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime", em referência à proposta que entregou pessoalmente a Trump.
Na economia, disse que a OMC "respira por aparelhos" e que governos que capitulam diante dos "que usam tarifas como armas de coerção e chantagem" colhem consequências nefastas. Afirmou que o desmatamento na Amazônia caiu pela metade e atingiu o menor nível em 11 anos, rejeitou "medidas protecionistas disfarçadas de apego à causa ambiental" e condicionou o acesso a minerais críticos e terras raras brasileiros à geração de valor no país, à transferência de tecnologia e ao suprimento de setores estratégicos nacionais. Pediu a regulamentação das big techs e da inteligência artificial, criticou "um punhado de tecno-oligarcas", disse que o Brasil não vai tolerar o modelo de negócio das apostas online e declarou: "Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX". Defendeu também o fim da escala 6x1.
No encerramento, disse que em 4 de outubro os brasileiros vão "decidir entre democracia e negacionismo", classificou o pleito como "transparente e competitivo" e afirmou que "alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país", prometendo não permitir que "os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular". Segundo a Folha de S.Paulo, a referência à eleição não tem precedente em seus discursos na Assembleia Geral: em 2006, quando também disputava a reeleição, ele não tratou do tema, e em 2010 não compareceu; assessores atribuíram a mudança à ameaça de interferência externa. O discurso foi interrompido por aplausos quatro vezes: na defesa de Albanese, na frase sobre o quintal, no trecho sobre o fim da escala 6x1 e as mulheres, e ao final.
Trump discursou na sequência e, sem citar o Brasil, disse que as ações americanas na Venezuela provam que os Estados Unidos não permitirão ameaças em nenhuma parte do Hemisfério Ocidental e que, "se necessário", usarão seu "poderio militar inigualável" para garantir interesses nacionais vitais. No intervalo dos discursos, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, crítico de Lula, caminhou em direção ao presidente brasileiro no plenário e apontou para ele, mas os dois não conversaram; Lula seguiu andando.
Também em 22 de setembro de 2026, os Estados Unidos e outros 14 países do chamado Escudo das Américas — entre eles Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Peru — assinaram declaração que inclui 24 grupos criminosos, entre eles o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), em uma lista de "organizações narcoterroristas transnacionais", com congelamento de bens e restrições de vistos. Auxiliares de Lula classificaram o acordo como "muito grave" e como possível base para ações americanas à revelia do direito internacional; o trecho do discurso sobre não "terceirizar" a defesa das fronteiras foi preparado como resposta antecipada à declaração. De volta ao Brasil, em ato de campanha no Rio de Janeiro em 23 de setembro, Lula disse que o importante foi comparar seu discurso ao de Trump, que falaria "como se estivesse ameaçando todo mundo", e afirmou: "Eu não quero fazer guerra com ele, eu quero ganhar dele na narrativa".
Às vésperas da assembleia, em 20 de setembro de 2026, Lula assinou com António Costa (Conselho Europeu), William Ruto (Quênia) e Mark Carney (Canadá) um artigo no Financial Times que lançou a iniciativa Parceiros para o Multilateralismo (P4M). Os signatários a definem como plataforma flexível e aberta, e não como mais um bloco exclusivo ou mais uma burocracia internacional, voltada a tornar as instituições internacionais mais representativas, legítimas, eficazes e confiáveis. O texto descreve o paradoxo entre economias cada vez mais interdependentes e uma ordem internacional cada vez mais fragmentada, cita 65 conflitos armados entre Estados em 35 países em 2025 — o maior número desde 1946 — e gastos militares globais de US$ 2,9 trilhões, e propõe respostas comuns a desafios como a emergência climática, a inteligência artificial e a segurança sanitária.
A viagem coincide com a disputa pela sucessão na Secretaria-Geral da ONU. Em 19 de setembro de 2026, Michelle Bachelet, apoiada pelo Brasil, desistiu da candidatura; no dia 21, o Itamaraty reafirmou que a América Latina tem quadros à altura do cargo e manteve a defesa de uma mulher latino-americana, sem indicar novo nome. Após votação do Conselho de Segurança em agosto, a ex-chanceler da Guiana Carolyn Rodrigues-Birkett aparece como favorita.
Os gastos da viagem vieram a público em 27 de setembro de 2026: registros da Delegação do Brasil junto à ONU, vinculada ao Itamaraty, somavam R$ 3.232.523,55 em hospedagem parcial da comitiva oficial de 72 pessoas — ministros, a primeira-dama Janja Lula da Silva e assessores —, sendo R$ 2.217.655,99 no Hyatt Grand Central New York e R$ 1.014.867,56 no Park Lane Hotel. O valor, que ainda não inclui toda a execução financeira da viagem, já supera os R$ 2,92 milhões gastos com hotéis na mesma assembleia em 2025. Lula ficou hospedado na residência do representante permanente do Brasil junto à ONU, fora dessa conta.
Tensão comercial com os Estados Unidos
A disputa comercial com os Estados Unidos acompanhou Lula à Assembleia Geral. As tarifas impostas pelo governo de Donald Trump chegam a 37,5% em alguns setores — soma de uma sobretaxa de 25%, justificada por alegadas práticas comerciais desleais, e de uma tarifa de 12,5% baseada em apuração sobre supostas falhas do Brasil no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a cobrança combinada atinge 16,5% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, entre elas máquinas, produtos de madeira, óleos, calçados, móveis e têxteis. Em 27 de julho de 2026 o governo brasileiro protocolou ação na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as medidas; a primeira rodada de consultas com os americanos, etapa inicial do sistema de solução de controvérsias da entidade, ficou marcada para 25 de setembro de 2026, em Genebra, e é tratada por integrantes do governo como reunião protocolar, sem expectativa de solução para o conflito.
Em entrevista à CNN em Nova York, em 21 de setembro de 2026, Lula condicionou a retaliação ao andamento das negociações: "Enquanto estivermos na mesa de negociação, não tenho que aplicar a lei da reciprocidade", disse, acrescentando que analisará com cautela a aplicação da lei caso não haja acordo e que não pretende iniciar uma guerra tarifária. Na mesma ocasião afirmou que as tarifas "foram baseadas em mentiras", voltou a descrever a conduta de Trump como a de um imperador e criticou o que chamou de lei do mais forte nas relações internacionais. Uma conversa telefônica entre os dois presidentes em agosto de 2026 reabriu as negociações comerciais, mas os pontos de atrito permanecem — entre eles o tratamento dado ao Pix, visto por Washington como barreira a empresas americanas, e a autonomia regulatória brasileira. Comércio e soberania tornaram-se, assim, temas incomuns de campanha eleitoral.
Principais atores
- Luiz Inácio Lula da Silva: Atual Presidente do Brasil e figura central do Partido dos Trabalhadores (PT), candidato à reeleição em 2026 após a convenção nacional de 2 de agosto, com registro de candidatura deferido pelo TSE em 2 de setembro de 2026.
- Geraldo Alckmin: Vice-presidente da República, confirmado na convenção de 2 de agosto de 2026 como candidato a vice na chapa de Lula pelo PSB, repetindo a dobradinha eleita em 2022; teve o registro deferido junto com o de Lula em 2 de setembro de 2026. Antes disso, seu nome chegou a ser cogitado para compor a chapa em São Paulo.
- Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Corte responsável por analisar diretamente os 13 pedidos de registro de candidatura à Presidência em 2026. Em 2 de setembro, aprovou por unanimidade o registro de seis chapas, entre elas a de Lula e Alckmin.
- Flávio Bolsonaro: Senador pelo PL e candidato à Presidência em 2026, principal adversário de Lula nas pesquisas. Move ação no TSE contra Lula e Alckmin pelo desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026 e é alvo de ação da coligação de Lula por suposto uso irregular de perfis no Instagram. Criticou a elevação do teor de etanol na gasolina e disse que reveria a medida.
- Alfredo Gaspar: Deputado federal pelo PL e candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro; também é alvo da ação protocolada pela coligação de Lula no TSE em 20 de setembro de 2026.
- Antonio Carlos Ferreira: Corregedor-geral da Justiça Eleitoral, que em 18 de setembro de 2026 admitiu o processamento da ação de Flávio Bolsonaro contra Lula e Alckmin pelo desfile de Carnaval.
- Augusto Cury: Candidato à Presidência em 2026, com 6% das intenções de voto na pesquisa BTG/Nexus de 21 de setembro e empate técnico com Lula em cenário de segundo turno.
- Ronaldo Caiado: Governador de Goiás e candidato à Presidência pelo PSD em 2026, com 5% na pesquisa BTG/Nexus de 21 de setembro e empate técnico com Lula em cenário de segundo turno.
- Agência Brasileira de Inteligência (Abin): Órgão de inteligência do Estado brasileiro, autor do relatório enviado no fim de agosto de 2026 à Presidência, ao TSE e ao Ministério da Justiça que classifica como "crítico" o risco de interferência externa nas eleições.
- António Costa: Presidente do Conselho Europeu, um dos quatro signatários do artigo no Financial Times que lançou a iniciativa P4M em 20 de setembro de 2026.
- William Ruto: Presidente do Quênia, signatário do artigo que lançou o P4M.
- Mark Carney: Primeiro-ministro do Canadá, signatário do artigo que lançou o P4M.
- António Guterres: Secretário-geral da ONU, cujo mandato termina em 31 de dezembro de 2026; citado no manifesto do P4M pela avaliação de que "as superpotências estão descobrindo seus limites". Às vésperas da 81ª Assembleia Geral, afirmou que o mundo enfrenta três ameaças existenciais.
- Zohran Mamdani: Prefeito de Nova York, que recebeu Lula em 21 de setembro de 2026 para conversa sobre custo de vida e pobreza, chamando-o de grande inspiração; no mesmo dia também recebeu Donald Trump.
- Bernie Sanders: Senador democrata dos Estados Unidos, que se reuniu com Lula em Nova York em 21 de setembro de 2026 e disse pretender convidá-lo a falar sobre o Sistema Único de Saúde no Senado americano caso Lula seja reeleito e os democratas conquistem a maioria.
- Yamandú Orsi: Presidente do Uruguai, com quem Lula se reuniu em Nova York em 21 de setembro de 2026 para tratar de multilateralismo, integração latino-americana, cota uruguaia de carne bovina para a China, regulamentação das apostas online e a ponte binacional sobre o rio Jaguarão.
- Michelle Bachelet: Ex-presidente do Chile, candidata apoiada pelo Brasil à Secretaria-Geral da ONU; desistiu da disputa em 19 de setembro de 2026.
- Carolyn Rodrigues-Birkett: Ex-chanceler da Guiana, favorita à Secretaria-Geral da ONU após ficar à frente na votação do Conselho de Segurança em agosto de 2026.
- Marco Rubio: Secretário de Estado dos Estados Unidos, apontado no relatório da Abin como figura central na pressão americana sobre o Brasil e na tentativa de influenciar a política externa regional.
- Mauro Vieira: Ministro das Relações Exteriores, integrante da comitiva brasileira na 81ª Assembleia Geral da ONU.
- André Mendonça: Ministro do TSE, um dos relatores dos pedidos de registro das chapas presidenciais julgados na sessão virtual extraordinária encerrada em 2 de setembro de 2026.
- Estela Aranha: Ministra do TSE, também relatora dos pedidos de registro das chapas presidenciais julgados na sessão de 2 de setembro de 2026.
- Fernando Haddad: Ministro da Fazenda no terceiro mandato de Lula e candidato do PT ao governo de São Paulo em 2026. Discursou na convenção nacional em defesa da reeleição de Lula, a quem chamou de "marujo confiável".
- Edinho Silva: Presidente do PT, responsável por anunciar a oficialização da candidatura de Lula na convenção de 2 de agosto de 2026.
- Janja da Silva: Primeira-dama. Não estava escalada para discursar na convenção; Lula apontou publicamente a falha e passou a palavra a ela.
- Daniel Vorcaro: Dono do Banco Master, mencionado por Lula em janeiro de 2026 em contexto de escândalo financeiro e golpe de mais de R$ 40 bilhões.
- Paulo Dantas: Governador de Alagoas, presente no evento de entrega de moradias em Maceió em janeiro de 2026.
- JHC: Prefeito de Maceió, presente no evento de entrega de moradias em Maceió em janeiro de 2026.
- Camilo Santana: Ministro da Educação, que publicamente cobrou Fernando Haddad a entrar na disputa pelo governo de São Paulo, reforçando a visão do PT de que a candidatura faz parte de um projeto nacional.
- Simone Tebet: Ministra do Planejamento, cogitada em janeiro de 2026 para a chapa em São Paulo; na convenção do PT apareceu como candidata ao Senado por São Paulo pelo PSB.
- Marina Silva: Ministra do Meio Ambiente, também cogitada para a chapa em São Paulo; na convenção do PT apareceu como candidata ao Senado por São Paulo pela Rede.
- Guilherme Boulos: Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, presente na convenção nacional do PT em 2 de agosto de 2026; em 25 de setembro de 2026 pediu licença não remunerada para se dedicar à campanha de Lula até o primeiro turno.
- Alexandre Padilha: Ministro da Saúde, presente no evento de entrega de moradias em Maceió em janeiro de 2026.
- Rui Costa: Ministro da Casa Civil, presente no evento de entrega de moradias em Maceió em janeiro de 2026.
- Gleisi Hoffmann: Ministra das Relações Institucionais, presente no evento de entrega de moradias em Maceió em janeiro de 2026.
- Renan Filho: Ministro dos Transportes, presente no evento de entrega de moradias em Maceió em janeiro de 2026.
- Jader Filho: Ministro das Cidades, presente no evento de entrega de moradias em Maceió em janeiro de 2026.
- José Raúl Mulino: Presidente do Panamá, anfitrião do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe em janeiro de 2026, com quem Lula terá uma provável reunião bilateral.
- Mauro Vieira: Chanceler brasileiro, com encontros previstos no Panamá para tratar de investimentos e circulação de capital.
- Gisela Padovan: Secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, responsável por apresentar os detalhes da viagem de Lula ao Panamá.
- Oposição: Diversos grupos e partidos políticos que se opõem ao governo Lula, incluindo aqueles que apoiam a sucessão bolsonarista e o governador Tarcísio de Freitas em São Paulo.
- Mercado: Setores econômicos e financeiros que reagem às perspectivas políticas e à sucessão presidencial.
- Donald Trump: Presidente dos Estados Unidos, mencionado como um possível líder para o comando do "Conselho da Paz", uma iniciativa internacional. Seu governo é apontado pelo relatório da Abin de agosto de 2026 como risco "crítico" de interferência nas eleições brasileiras. Discursa na 81ª Assembleia Geral da ONU logo após Lula, sem bilateral marcada com o presidente brasileiro. Seu governo impôs tarifas de até 37,5% sobre produtos brasileiros, contestadas pelo Brasil na OMC.
- Michel Temer: Ex-presidente do Brasil, cujas realizações serão comparadas às de Lula em 2026.
- Jair Bolsonaro: Ex-presidente do Brasil, cujas realizações serão comparadas às de Lula em 2026.
- Tarcísio de Freitas: Governador de São Paulo, cuja boa avaliação é vista como um risco para o PT na disputa eleitoral de 2026 no estado.
- Gelson Merisio: Candidato do PSB ao governo de Santa Catarina, ao lado de quem Lula discursou em Florianópolis em 19 de setembro de 2026.
- Pezenti: Deputado federal pelo MDB de Santa Catarina, que respondeu à fala de Lula sobre o agronegócio afirmando que "o agricultor já está de joelhos faz tempo".
Termos importantes
- Coligação Brasil Pronto pra Mais: Coligação liderada pelo PT que registrou a chapa Lula–Alckmin no TSE em 7 de agosto de 2026, com registro deferido pelo tribunal em 2 de setembro de 2026. Reúne sete partidos: PDT, PSB, a federação formada por PT, PCdoB e PV e a federação PSOL-Rede.
- DRAP (Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários): Documento que reúne os dados da coligação e é apresentado à Justiça Eleitoral junto com os requerimentos individuais de registro de cada candidato. Foi protocolado pela coligação Brasil Pronto pra Mais em 7 de agosto de 2026.
- Registro de candidatura: Pedido formal apresentado à Justiça Eleitoral para que uma candidatura seja aceita. O protocolo, feito pelo Sistema de Candidaturas, formaliza o pedido, mas não equivale à aprovação — a documentação passa por análise. O prazo para as eleições de 2026 foi até 15 de agosto, e os 13 pedidos de registro à Presidência são analisados diretamente pelo TSE; aos tribunais regionais eleitorais (TREs) cabe julgar os pedidos para governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. O registro da chapa Lula–Alckmin foi deferido em 2 de setembro de 2026.
- Deferimento do registro: Decisão da Justiça Eleitoral que aprova o pedido de registro, tornando a candidatura apta a disputar a eleição. No caso da chapa Lula–Alckmin, o TSE decidiu por unanimidade, em 2 de setembro de 2026, que o registro havia sido feito de forma regular, com os documentos necessários ao cadastro da chapa e de acordo com os requisitos de candidatura previstos na Constituição e na Lei de Inelegibilidade.
- Sessão virtual extraordinária: Formato de julgamento em que os ministros do TSE registram seus votos em ambiente eletrônico dentro de um prazo determinado, sem sessão presencial. Foi nesse formato, encerrado às 23h59 de 2 de setembro de 2026, que o tribunal validou o registro de seis chapas presidenciais, entre elas a de Lula e Alckmin.
- Teto eleitoral: Refere-se ao limite máximo de votos que um candidato ou partido político pode alcançar em uma eleição, indicando que há uma parcela do eleitorado que dificilmente será conquistada.
- Sucessão bolsonarista: Termo que se refere aos movimentos e candidaturas que buscam dar continuidade à agenda política e ideológica associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
- Paraná Pesquisas: Instituto de pesquisa de opinião pública que realiza levantamentos sobre cenários políticos e eleitorais no Brasil.
- Escala 6x1: Modelo de jornada de trabalho em que o empregado trabalha seis dias e folga um, sendo um tema com potencial para ser bandeira política em campanhas eleitorais. As diretrizes do programa de governo protocoladas pela coligação de Lula em 7 de agosto de 2026 propõem apoiar o fim dessa escala.
- PEC (Proposta de Emenda à Constituição): Proposta legislativa que visa alterar a Constituição Federal, considerada menos viável como tema de campanha eleitoral para 2026 em um ano legislativo curto.
- Apostas esportivas (bets): Modalidade de jogo que envolve apostas em resultados de eventos esportivos, que passou a ser tributada por lei sancionada em dezembro de 2025.
- Orçamento Secreto: Termo popular para as emendas de relator (RP9), um mecanismo de distribuição de recursos orçamentários que foi alvo de controvérsia e teve propostas de reciclagem de verbas vetadas pelo presidente Lula em dezembro de 2025.
- Lei da Reciprocidade: Legislação brasileira que autoriza o país a adotar contramedidas comerciais contra nações que imponham barreiras unilaterais a produtos do Brasil. Em 21 de setembro de 2026, Lula afirmou que não a aplicaria enquanto houvesse negociação em curso com os Estados Unidos.
- Consultas na OMC: Primeira etapa do sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio, em que as partes tentam resolver a disputa antes da formação de um painel. A primeira rodada entre Brasil e Estados Unidos sobre as tarifas americanas ocorreu em 25 de setembro de 2026, em Genebra, sem decisão, e abriu prazo de 60 dias para acordo antes de um eventual painel.
- Jogo do tigrinho: Nome popular dos cassinos online de resultado instantâneo, cujo fim Lula passou a defender em setembro de 2026; a versão inicial da medida provisória os proibiria mantendo as apostas esportivas, mas em 24 de setembro o governo optou por proibir todas as bets, o que a Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026, formalizou.
- Plano Safra: Programa anual de crédito rural do governo federal. O ciclo 2026/27 prevê R$ 525,1 bilhões em financiamento à agricultura empresarial, ante R$ 516 bilhões no ciclo anterior — números citados por Lula em Florianópolis em 19 de setembro de 2026.
- Conselho da Paz: Proposta de iniciativa internacional cujo rascunho de estatuto prevê uma cobrança de US$ 1 bilhão por vaga para membros, mandatos diferenciados e poderes concentrados na figura do presidente do órgão. Lula foi convidado a participar e Donald Trump é mencionado como possível líder.
- Banco Master: Instituição financeira cujo dono, Daniel Vorcaro, foi criticado por Lula em janeiro de 2026 por envolvimento em um suposto golpe financeiro de mais de R$ 40 bilhões, com Lula afirmando que o prejuízo seria coberto por outros bancos.
- Fundo Garantidor de Crédito (FGC): Mecanismo que garante o ressarcimento de clientes de instituições financeiras em caso de intervenção, liquidação ou falência, mencionado por Lula como responsável por cobrir o desfalque do Banco Master.
- Urnas Eletrônicas: Sistema de votação eletrônico utilizado no Brasil, defendido por Lula como seguro e legítimo, usando sua própria eleição como exemplo de sua eficácia.
- Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe: Evento internacional no Panamá, do qual Lula participará em janeiro de 2026, focado em temas econômicos como infraestrutura, IA, comércio regional, energia, mineração, segurança alimentar e combate ao crime organizado. O intercâmbio comercial entre Brasil e Panamá aumentou 78% em 2026, atingindo US$ 1,6 bilhão, com o Brasil sendo o 15º maior usuário do Canal do Panamá e o Panamá o 7º maior destino de investimentos brasileiros no exterior.
- Plano A do PT: Refere-se à estratégia do Partido dos Trabalhadores de ter Fernando Haddad como seu principal candidato ao governo de São Paulo em 2026, apesar da resistência do ministro, por considerá-lo crucial para o projeto eleitoral de Lula no estado.
- Parceiros para o Multilateralismo (P4M): Iniciativa lançada em 20 de setembro de 2026 por Lula, António Costa, William Ruto e Mark Carney em artigo no Financial Times. Definida pelos signatários como plataforma flexível e aberta, sem criar bloco exclusivo ou nova burocracia, para articular reformas na ONU e em outras instituições multilaterais e respostas comuns à emergência climática, à inteligência artificial e à segurança sanitária.
- 81ª Assembleia Geral da ONU: Edição de 2026 da reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Lula desembarcou em 20 de setembro e tem o discurso de abertura do Debate Geral previsto para 22 de setembro, com defesa do multilateralismo e da reforma do Conselho de Segurança.
- E32: Mistura de 32% de etanol anidro na gasolina, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em 1º de agosto de 2026. A Lei do Combustível do Futuro, de 2024, fixa o teto em 35%. A elevação virou tema de campanha após Flávio Bolsonaro dizer, em 20 de agosto de 2026, que reveria o percentual.
- Pesquisa BTG/Nexus: Levantamento de intenção de voto registrado no TSE sob o número BR-00485/2026, realizado entre 18 e 20 de setembro de 2026 com 2.006 entrevistas e margem de erro de dois pontos percentuais. Divulgado em 21 de setembro, apontou Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 37% no primeiro turno, e empate técnico em todos os cenários de segundo turno testados.
- Datafolha: Instituto de pesquisa cujo levantamento de 24 de setembro de 2026, com 2.002 entrevistas feitas em 22 e 23 de setembro e margem de erro de dois pontos, registrou Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno e 47% a 45% em um eventual segundo turno; uma semana antes, os números eram 39% a 36% e 46% a 44%.
- Ação de investigação judicial eleitoral (Carnaval de 2026): Processo movido por Flávio Bolsonaro contra Lula e Alckmin pelo desfile da Acadêmicos de Niterói, que teve Lula como enredo. Admitido em 18 de setembro de 2026 pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, aponta abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação, cita R$ 9,65 milhões repassados por entes públicos e pela Embratur e cerca de 79 minutos de exposição em rede nacional. A admissão abre a fase de instrução e não julga o mérito.
- Publicações em coautoria ("collabs"): Recurso do Instagram que permite que um mesmo post apareça no perfil de mais de uma conta. A coligação de Lula sustenta no TSE que a chapa de Flávio Bolsonaro usou 1.826 publicações desse tipo, envolvendo 492 perfis, para impulsionar propaganda eleitoral e monetizar conteúdo à margem das regras.
- MP das bets: Medida Provisória nº 1.394, assinada e publicada em 25 de setembro de 2026, que proíbe as apostas de quota fixa e os jogos online no país, com saques permitidos até 5 de outubro, sites fora do ar a partir de 6 de outubro e devolução dos saldos não sacados pelos bancos entre 9 e 14 de outubro; como toda MP, precisa ser votada pelo Congresso em até 120 dias. O Ministério do Planejamento estima perda de R$ 6,8 bilhões em receitas até 2027. Nasceu como restrição aos cassinos online e evoluiu em 24 de setembro para a proibição total do setor; foi conduzida pela Casa Civil e resistida pelo Ministério da Fazenda, que regulamentou o setor nos últimos anos. Pesquisas internas do PT apontam que três em cada quatro brasileiros são contrários às bets; a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) alerta para indenizações que poderiam chegar a R$ 120 bilhões caso as restrições avancem sem compensação às operadoras licenciadas. Em 28 de setembro de 2026, a ANJL e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável pediram ao STF, em ação direta de inconstitucionalidade, a suspensão da MP, com pedido de relatoria do ministro Luiz Fux.
- Relatório da Abin sobre interferência externa: Documento enviado no fim de agosto de 2026 à Presidência, ao TSE e ao Ministério da Justiça, que atribui nível "crítico" ao risco de interferência estrangeira nas eleições e descreve escalada da pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil, ligada à estratégia do governo Trump para a América Latina, às sanções contra brasileiros e empresas e à atuação de Marco Rubio. O TSE afirma não ter identificado indícios concretos de interferência no processo eleitoral.
- Secretaria-Geral da ONU (sucessão de 2026): Disputa pela chefia da ONU em que o Brasil apoiava Michelle Bachelet, que desistiu em 19 de setembro de 2026. O Itamaraty manteve a defesa de uma mulher latino-americana para o cargo, sem anunciar novo nome; a ex-chanceler da Guiana Carolyn Rodrigues-Birkett é apontada como favorita após votação do Conselho de Segurança em agosto.
Patrimônio declarado
O que Lula declarou à Justiça Eleitoral ao registrar a candidatura: bens pelo valor de compra, como na declaração do Imposto de Renda, e não pelo valor de mercado.
A cada eleição
- 2018Presidente · PTR$ 8 miR$ 8,8 bi
- 2022Presidente · PT · eleitoR$ 7,4 miR$ 145,9 mi
- 2026Presidente · PT · em disputaR$ 4,8 mi
De que é feito, em 2026
- Aplicações e fundos · 78%R$ 3,7 mi
- Imóveis · 15%R$ 739 mil
- Outros bens e direitos · 4%R$ 179 mil
- Dinheiro e contas · 1%R$ 57 mil
- Veículos, barcos e aeronaves · 1%R$ 50 mil
- Empresas e ações · 1%R$ 49 mil
Maiores bens
- Brasilprev seguros · Aplicações e fundosR$ 1.923.927
- Banco bradesco · Aplicações e fundosR$ 1.380.000
- 64,08% de terreno localizado no distrito do riacho grande, são bernardo do campo · ImóveisR$ 265.000
- Casa em construção são bernardo do campo · ImóveisR$ 246.919
- Bb rf lp high · Aplicações e fundosR$ 207.917
Todos os 18 bens declarados
- Brasilprev seguros · Aplicações e fundosR$ 1.923.927
- Banco bradesco · Aplicações e fundosR$ 1.380.000
- 64,08% de terreno localizado no distrito do riacho grande, são bernardo do campo · ImóveisR$ 265.000
- Casa em construção são bernardo do campo · ImóveisR$ 246.919
- Bb rf lp high · Aplicações e fundosR$ 207.917
- Credito decorrente do distrato datado em 11/2015., com solicitacao de resgate, da quota parte do termo de adesao e compromisso de participacao para implantacao e construcao atraves da bancoop · Outros bens e direitosR$ 179.299
- Fundo di plus agil · Aplicações e fundosR$ 132.834
- 26,68% de sítio no distrito de riacho grande, são bernardo do campo · ImóveisR$ 130.000
- 50% do apartamento localizado em são bernardo do campo · ImóveisR$ 94.571
- Bradesco · Dinheiro e contasR$ 56.671
- Marca chevrolet, ano 2010/2011 · Veículos, barcos e aeronavesR$ 50.000
- Tvri11 · Aplicações e fundosR$ 50.000
- 98% do capital social da l.i.l.s palestras, eventos e publicações · Empresas e açõesR$ 49.000
- Bradesco fundo de investimento em cotas de fundos de investimento renda fixa simples · Aplicações e fundosR$ 6.278
- Situado no distrito de riacho grande em são bernardo do campo · ImóveisR$ 2.733
- Aplicação financeira - banco do brasil · Aplicações e fundosR$ 485
- Saldo em caderneta de poupança · Aplicações e fundosR$ 15
- Caderneta de poupança · Aplicações e fundosR$ 0
Fonte: Bens de candidato, TSE — a declaração entregue no registro de cada candidatura, eleições gerais de 2014 a 2026. Correção pelo IPCA (IBGE), do mês seguinte ao registro até agosto de 2026. Declaração de candidato não é avaliação de patrimônio nem indício de irregularidade.
Trajetória da candidatura
Cada etapa da candidatura de Lula (PT), com a data em que aconteceu e o documento ou a reportagem que a registra.
- 6 de dezembro de 2025Indicado pelo partido
O partido indicou o nome, mas a convenção ainda não foi realizada.
Reunião do DN de 06/12/2025, resolução publicada em 08/12. Convenção nacional marcada para 02/08/2026, com Alckmin (PSB) como vice previsto.
Resolução do Diretório Nacional do PT (reunião de 06/12/2025) - 2 de agostoConvenção realizada
A convenção partidária oficializou a candidatura.
G1 — PT oficializa Lula como candidato à Presidência pela oitava vez - 7 de agostoRegistro protocolado
O pedido de registro foi protocolado na Justiça Eleitoral.
TSE — DivulgaCandContas, ficha do candidato (2026) - 2 de setembroRegistro deferido
A Justiça Eleitoral julgou e deferiu o registro.
TSE — TSE valida seis registros de candidatura à Presidência da República
Principais propostas
Atualizado em 5 de julho, 2026 às 17:59
Propostas de governo de Lula (PT) para as eleições de 2026, com base em pesquisa em fontes públicas.
Segurança Pública
- Criação de Ministério da Segurança Pública e repressão qualificada
Proposta de criar uma pasta dedicada à segurança, focada em inteligência policial, asfixia financeira de organizações criminosas e integração federativa.
Reportagem sobre plano de governo, Valor, Valor
Economia
- Revisão de metas de inflação e juros estruturais
Defesa de uma meta estrutural de juros abaixo de 10% ao ano e revisão do regime de metas de inflação para estimular o crescimento econômico.
Reportagem sobre diretrizes do PT, O Tempo, O Tempo
Educação
- Universalização da educação em tempo integral
Compromisso de expandir a rede de ensino em tempo integral para todo o país, além de ampliar o ensino técnico-profissionalizante.
Reportagem sobre plano de governo, Valor, Valor
Mobilidade Urbana
- Implementação de tarifa zero no transporte público
Criação de um sistema nacional de mobilidade para apoiar municípios na implementação gradual da tarifa zero em ônibus e trens.
Reportagem sobre plano de governo, O Globo, O Globo
Tributação
- Atualização da tabela do IR e justiça tributária
Proposta de atualizar a tabela do Imposto de Renda, combinada com o aumento da tributação sobre as faixas de renda mais elevadas.
Reportagem sobre plano de governo, Valor, Valor
Reforma do Estado
- Harmonização do mandato do Banco Central
Defesa de alinhar o mandato da diretoria do Banco Central com o período do mandato do Presidente da República.
Reportagem sobre diretrizes do PT, O Tempo, O Tempo
Fontes (5)
- Em minuta de plano de governo de Lula, PT propõe 'repressão qualificada' para combater crime organizado
- Plano de governo de Lula deve propor educação integral, tarifa zero ...
- PT debate documento de base para programa da reeleição de Lula
- Plano de governo de Lula terá foco em crescimento econômico, soberania e combate às desigualdades | Brasil 247
- PT inicia plano de governo de Lula com nova plataforma - 21/05/2026 - Painel - Folha
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