Quem é Anthony Garotinho
Anthony William Matheus de Oliveira (Campos dos Goytacazes, 18 de abril de 1960), conhecido como Anthony Garotinho ou apenas Garotinho, é um radialista e político brasileiro filiado ao Republicanos. No registro de candidatura de 2026 consta o nome Anthony William Garotinho Matheus de Oliveira. Foi governador do Rio de Janeiro de 1999 a 2002, prefeito de Campos dos Goytacazes em dois mandatos, deputado estadual e deputado federal, e ficou em terceiro lugar na eleição presidencial de 2002, com cerca de 15 milhões de votos.
É candidato ao governo do Rio de Janeiro na eleição de 4 de outubro de 2026, pelo Republicanos, com o número 10. O registro da candidatura foi indeferido pelo TRE-RJ e está em recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Garotinho não ocupa cargo público hoje.
O apelido vem do rádio. Aos 15 anos, narrando preliminares de futebol na Rádio Cultura de Campos, imitava o locutor José Carlos Araújo, o "Garotinho" da Rádio Globo, e era anunciado no ar como "o garotinho Anthony Matheus".
Garotinho é candidato em 2026?
Sim, mas com a candidatura sob disputa judicial. O Republicanos oficializou o nome de Garotinho em convenção no dia 25 de julho de 2026, na Tijuca. É a quarta vez que ele disputa o governo do estado.
- Número na urna: 10
- Vice: André Monteiro (Democrata), ex-subtenente do Bope, escolhido em 16 de agosto de 2026
- Coligação: "Coragem para Mudar", formada por Republicanos e Democrata
- Situação do registro: indeferido pelo TRE-RJ, com recurso pendente no TSE
A chapa trocou de vice três vezes. O primeiro anunciado foi o coronel da reserva Venâncio Moura (DC), que saiu três dias depois, quando o DC passou a apoiar Eduardo Paes. A segunda foi a major da PM Elaine Gonçalves (Democrata), que desistiu em 15 de agosto alegando motivos pessoais. André Monteiro deixou a candidatura ao Senado para assumir a vaga.
Por que o registro foi indeferido
Em 11 de setembro de 2026, o TRE-RJ indeferiu por unanimidade o registro, e em 29 de setembro rejeitou os embargos da defesa. O tribunal considerou que Garotinho está com os direitos políticos suspensos por oito anos em razão de uma condenação definitiva por improbidade administrativa: a ação apurou o desvio de R$ 234,4 milhões da Secretaria de Estado de Saúde, entre 2005 e 2006, no governo de sua mulher, Rosinha Garotinho, quando ele era secretário de Governo. O TRE-RJ também aplicou a inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa.
A divergência é sobre quando a suspensão começou. Para o Ministério Público Eleitoral e o TRE-RJ, a condenação transitou em julgado em 11 de julho de 2025, e a suspensão vai até julho de 2033. A defesa sustenta que o marco é 1º de agosto de 2018, o que encerraria a pena em 1º de agosto de 2026, e pede a aplicação da Lei Complementar 219/2025, pela qual a inelegibilidade teria terminado em 8 de maio de 2026. O MPE aponta ainda falta de filiação partidária válida em 4 de abril de 2026.
Os votos de Garotinho no primeiro turno
Em 28 de agosto, uma liminar do ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, havia devolvido a Garotinho o acesso aos fundos de campanha, ao horário eleitoral e aos debates. Em 2 de outubro de 2026, o mesmo ministro revogou a liminar e determinou que os votos dados a Garotinho figurem como "anulados sub judice" e não sejam considerados válidos enquanto vigorar o indeferimento. O nome e a foto continuam na urna. Em 3 de outubro, o ministro Sebastião Reis negou um mandado de segurança da defesa. O julgamento definitivo do recurso pelo plenário do TSE ainda não ocorreu. Se o TSE reverter o indeferimento, os votos poderão ser validados.
Garotinho declarou que, num eventual segundo turno sem sua presença, apoiaria Douglas Ruas (PL) contra Eduardo Paes (PSD).
Propostas
Na convenção, Garotinho disse que sua primeira missão, se eleito, seria "libertar o Rio de Janeiro" do tráfico, das milícias e da Alerj, e defendeu um "Bope 2.0", que manteria policiais nas comunidades pelo tempo necessário para retirar as facções. Durante a campanha também propôs o fim da aprovação automática nas escolas estaduais.
Pesquisas
A Quaest de 3 de outubro de 2026 (3.204 entrevistas, margem de 2 pontos) registrou Garotinho com 6% dos votos válidos, atrás de Eduardo Paes (49%) e Douglas Ruas (40%). O Datafolha do mesmo dia registrou 7%. A apuração oficial começa após o fechamento das urnas, às 17h (horário de Brasília) de 4 de outubro.
Garotinho é de qual partido? Direita ou esquerda?
Garotinho é filiado ao Republicanos desde 2024. Antes passou por PCB, PT (1980–1983), PDT (1983–2000), PSB (2001–2003), PMDB (2003–2009), PR (2009–2018), PRP (2018–2019), Patriota (2019), PROS (2019–2022) e União Brasil (2022–2024).
A trajetória atravessa o espectro ideológico. Começou na esquerda e se elegeu governador em 1998 como herdeiro político de Leonel Brizola, com uma coalizão de PDT, PT, PSB e PCdoB. Rompeu com Brizola e foi expulso do PDT em 2000. Em 2002 apoiou Lula no segundo turno, e em 2014 fez campanha ao lado de Dilma Rousseff. Em 2022 a família Garotinho apoiou Jair Bolsonaro para presidente e Cláudio Castro para governador. Garotinho é evangélico, e sua base inclui o eleitorado evangélico e conservador.
Governador do Rio de Janeiro (1999–2002)
Garotinho disputou o governo pela primeira vez em 1994 e perdeu para Marcello Alencar no segundo turno. Em 1998, com apoio de Brizola, venceu Cesar Maia no segundo turno, com 57,98% dos votos válidos, tendo Benedita da Silva (PT) como vice.
Seu governo criou programas sociais como o Restaurante Popular, com refeições a R$ 1, e o Cheque Cidadão, de transferência de renda, extinto por Sérgio Cabral em 2007. Também implantou o programa Delegacia Legal. Os críticos classificaram parte dessas políticas como assistencialistas. Em abril de 2002 deixou o cargo para disputar a Presidência pelo PSB, e Benedita da Silva assumiu o governo.
Trajetória política
- Deputado estadual (1987–1988): eleito em 1986
- Prefeito de Campos dos Goytacazes: 1989–1992 e 1997–1998
- Secretário estadual de Agricultura e Interior (1992–1993): no governo Brizola
- Governador do Rio de Janeiro (1999–2002)
- Candidato a presidente (2002): terceiro lugar, com 17,87% dos votos
- Secretário estadual de Segurança Pública (2003–2004) e de Governo (2006): no governo de Rosinha Garotinho
- Deputado federal (2011–2015): eleito em 2010 com 694.862 votos, a maior votação para o cargo no estado, depois de desistir de disputar o governo por ter sido declarado inelegível pelo TRE-RJ
- Candidato a governador em 2014: terceiro lugar, com 1.576.511 votos
- Candidato a governador em 2018: registro indeferido pelo TRE-RJ e pelo TSE com base na mesma condenação por improbidade na Saúde; recebeu 84.187 votos, anulados
- Candidato a vereador do Rio em 2024: não eleito, com 8.753 votos
Em dezembro de 2025, depôs na CPI do Crime Organizado do Senado e acusou Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar de chefiar uma organização criminosa com braços no Executivo e na Alerj.
Condenações, prisões e processos
Improbidade na Saúde. Em 2018, o Tribunal de Justiça do Rio condenou Garotinho por improbidade administrativa no caso do desvio de R$ 234,4 milhões da Secretaria de Saúde (2005–2006), com suspensão dos direitos políticos por oito anos e ressarcimento aos cofres públicos. Segundo a Folha de S.Paulo, os recursos teriam ido a ONGs que financiaram sua pré-candidatura presidencial de 2006. É a condenação que barrou as candidaturas de 2018 e de 2026.
Formação de quadrilha. Em agosto de 2010, a Justiça Federal o condenou por formação de quadrilha, junto com o ex-chefe de Polícia Civil Álvaro Lins, a dois anos e meio de prisão, convertidos em serviços à comunidade e suspensão de direitos políticos.
Uso indevido de meios de comunicação (2008). Em 2010, o TRE-RJ declarou Garotinho e Rosinha inelegíveis por abuso de poder econômico e uso indevido da rádio O Diário na eleição municipal de 2008 em Campos.
Calúnia. Em 2018 foi condenado por calúnia contra o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, com pena substituída por multa e serviços comunitários.
Operação Chequinho. Em novembro de 2016, foi preso pela Polícia Federal na operação que apurou o uso do Cheque Cidadão de Campos para compra de votos na eleição municipal de 2016. Voltou a ser preso em setembro de 2017 e foi condenado por corrupção eleitoral, associação criminosa, supressão de documento e coação no curso do processo. Em março de 2026, o ministro Cristiano Zanin, do STF, anulou a condenação por considerar ilícitas as provas, extraídas sem perícia de computadores da prefeitura; a Segunda Turma do STF manteve a anulação em 9 de junho de 2026.
Operação Caixa d'Água. Em novembro de 2017, Garotinho e Rosinha foram presos na operação que apurou suposto caixa dois da JBS em campanhas do casal. Em dezembro de 2017, o então presidente do TSE, Gilmar Mendes, concedeu habeas corpus. A defesa afirmou que a doação da JBS ao PR foi declarada.
A família Garotinho: quem é quem
- Rosinha Garotinho: mulher de Anthony, casados desde 1981. Foi governadora do Rio de 2003 a 2006, eleita no primeiro turno em 2002, e prefeita de Campos dos Goytacazes, eleita em 2008. Em 2026 coordena a campanha do marido no Norte e Noroeste fluminense.
- Clarissa Garotinho: filha. Foi vereadora do Rio, deputada estadual (eleita em 2010) e deputada federal. Está sem mandato desde 2022 e trabalha com comunicação no setor privado.
- Wladimir Garotinho: filho. Deputado federal eleito em 2018, foi prefeito de Campos dos Goytacazes, eleito em 2020 e reeleito em 2024, e renunciou em abril de 2026. Filiou-se ao PL, coordena no interior do estado a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e é candidato a deputado federal em 2026. Mesmo no PL, declarou apoio ao pai e não ao candidato do partido, Douglas Ruas. Pai e filho tiveram atritos públicos pelo controle político de Campos.
Patrimônio declarado
O que Garotinho declarou à Justiça Eleitoral ao registrar a candidatura: bens pelo valor de compra, como na declaração do Imposto de Renda, e não pelo valor de mercado.
A cada eleição
- 2014Governador · RJ · PR · não eleitoR$ 304 milR$ 9,8 bi
- 2018Governador · RJ · PRP · não eleitoR$ 205 milR$ 225,3 mi
- 2022Deputado federal · RJ · UNIÃOnenhum
- 2026Governador · RJ · REPUBLICANOS · em disputaR$ 168 mil
De que é feito, em 2026
- Outros bens e direitos · 72%R$ 121 mil
- Imóveis · 28%R$ 47 mil
Maiores bens
- Imovel · ImóveisR$ 45.000
- Valor informado por cnpj 60.746.948/0001-12 · Outros bens e direitosR$ 33.448
- Emprestimo concedido · Outros bens e direitosR$ 33.174
- Informado por cnpj 60.746.948/0001-12 · Outros bens e direitosR$ 28.268
- Valor informado por cnpj 60.746.948/0001-12 · Outros bens e direitosR$ 22.268
Todos os 8 bens declarados
- Imovel · ImóveisR$ 45.000
- Valor informado por cnpj 60.746.948/0001-12 · Outros bens e direitosR$ 33.448
- Emprestimo concedido · Outros bens e direitosR$ 33.174
- Informado por cnpj 60.746.948/0001-12 · Outros bens e direitosR$ 28.268
- Valor informado por cnpj 60.746.948/0001-12 · Outros bens e direitosR$ 22.268
- Valor informado por cnpj 60.746.948/0001-12 · Outros bens e direitosR$ 2.587
- Terreno · ImóveisR$ 2.000
- Valor informado por cnpj 60.746.948/0001-12 · Outros bens e direitosR$ 840
Fonte: Bens de candidato, TSE — a declaração entregue no registro de cada candidatura, eleições gerais de 2014 a 2026. Correção pelo IPCA (IBGE), do mês seguinte ao registro até agosto de 2026. Declaração de candidato não é avaliação de patrimônio nem indício de irregularidade.
Trajetória da candidatura
Cada etapa da candidatura de Garotinho (Republicanos), com a data em que aconteceu e o documento ou a reportagem que a registra.
- 14 de setembroRegistro indeferido, em recurso
A Justiça Eleitoral negou o registro, mas a decisão não é final: cabe recurso ou já há um pendente, e a candidatura segue na disputa até o julgamento.
TSE — DivulgaCandContas, ficha do candidato (Anthony William Garotinho Matheus de Oliveira)
