Visão geral
Roberta Luchsinger é uma empresária e lobista, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e investigada pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência no terceiro mandato de Lula. Herdeira de um ex-acionista do banco suíço Credit Suisse, foi candidata a deputada estadual pelo PT em 2018. Em 17 de outubro de 2026, a oito dias do 2º turno da eleição presidencial, disse à CNN Brasil que quer fazer delação premiada e que não pouparia Lula nem o filho dele. Ela diz que não cometeu crime.
Quem é Roberta Luchsinger
Luchsinger é herdeira de um ex-acionista do Credit Suisse e ex-companheira do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz. É dona de uma empresa de consultoria, a RL Consultoria e Intermediações, e tem duas filhas.
Ficou conhecida em 2017, quando anunciou um movimento de apoio financeiro a Lula, que estava com as contas bloqueadas pelo então juiz Sergio Moro na Operação Lava Jato, e uma doação pessoal de R$ 500 mil ao ex-presidente. Em 2018, candidatou-se a deputada estadual pelo PT em São Paulo e não se elegeu.
Ela é próxima da família de Lulinha: já chamou a mulher dele de "irmã de alma" nas redes sociais. Em depoimento à PF em maio de 2026, descreveu a relação com Fábio Luís como amizade e negou repasses financeiros a ele.
O que ela fazia no governo
Segundo a Polícia Federal, Luchsinger percorria ministérios e órgãos federais representando empresas interessadas em contratos públicos. Há registro de oito agendas dela no Palácio do Planalto e de pelo menos 32 visitas a gabinetes dos ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social, do BNDES e de outros órgãos, segundo O Estado de S. Paulo e O Globo.
Os principais clientes que as investigações citam:
- Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". Ele pagou R$ 1,5 milhão a ela para intermediar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. O contrato não foi assinado. Luchsinger disse à PF que foi ela quem apresentou Lulinha a Antunes.
- Unigel. Segundo a PF, o empresário Leo Slezynger, da petroquímica, pagou pelo menos R$ 1,26 milhão à lobista entre março de 2023 e julho de 2024, quando ela representava a empresa em tratativas com a Petrobras e o BNDES. Em abril de 2023, ela pediu a Lulinha uma foto em que Lula beija o filho para mostrar a Slezynger. O contrato da Unigel com a Petrobras foi desfeito em junho de 2024, depois de alerta do TCU.
- Eduardo DP. Segundo relatório do Coaf revelado pelo Estadão em 18 de outubro de 2026, duas empresas ligadas ao empresário Eduardo José Barros Costa, investigado por desvio de emendas destinadas à Codevasf, transferiram R$ 4,1 milhões à empresa de Luchsinger entre setembro de 2024 e março de 2025. Uma delas foi representada no Dnit por Amauri Pinha, que Luchsinger cita como amigo e parceiro de negócios de Lulinha; a defesa de Lulinha diz que os dois são só amigos. A defesa de Eduardo DP diz que a empresa cumpre a lei.
Ela também pagou R$ 249 mil a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe do Gabinete Pessoal da Presidência. Marcola diz que foi um empréstimo, já quitado.
As investigações
Luchsinger foi alvo de busca e apreensão no fim de 2025, na Operação Sem Desconto, que apura a fraude dos descontos de aposentados do INSS. Na decisão, o ministro André Mendonça, do STF, escreveu que a atuação dela "se revela essencial para a ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas bancárias".
Entre 30 de julho e 4 de agosto de 2026, a PF abriu três inquéritos por suspeita de tráfico de influência que miram Lulinha; ela é citada em pelo menos dois. Em relatório revelado pela Veja em 20 de agosto de 2026, a PF descreveu "um núcleo de atuação permanente e coordenada" formado por Luchsinger, Fábio Luís e Fernando Bittar, que discutia as investidas no governo num grupo de WhatsApp chamado "Musaranhos". Em mensagens de 2023 e 2024 divulgadas pelo Metrópoles em 17 de setembro, ela chama Lulinha de "sócio". Segundo a PF, ela dizia falar em nome dele ("Eu sou o Fábio") e buscava 20% de remuneração no projeto de canabidiol.
Em agosto de 2026, a Procuradoria-Geral da República pediu que o caso descesse à primeira instância e registrou que a atuação dela e de Lulinha em favor de Antunes não resultou em negócio com o poder público. Mendonça manteve os casos no STF. A defesa dela é feita pelo advogado Roberto Podval.
A entrevista e a delação
Em 27 de agosto de 2026, Lula disse à TV Globo que não conhecia Luchsinger: "Nunca vi essa moça na minha vida". No dia seguinte, depois da circulação de fotos dos dois juntos, a campanha divulgou nota dizendo que as fotos não indicam relação pessoal, profissional ou política. Lula também a chamou de "pilantra".
Em 17 de outubro de 2026, no CNN Prime Time, Luchsinger chamou Lula de "mentiroso", disse que a relação com ele foi "institucional, não comercial" e que quer fazer delação premiada "sem poupar ninguém", embora afirme não ter cometido crime. Disse ter visto Lulinha com ministros "inúmeras vezes" e citou uma viagem dele à casa de Camilo Santana, no Ceará; perguntada se presenciou conversa sobre o canabidiol, respondeu que não. Disse também que sofre ameaças: "Se algo acontecer comigo ou com as minhas filhas, a culpa é do Lula". Camilo negou ter tratado de governo ou negócios com Lulinha, e a Secom disse que o presidente "desconhece inteiramente os fatos relatados".
Para fechar uma delação, o colaborador precisa confessar crimes e entregar provas, e o acordo depende de homologação judicial. A intenção anunciada na entrevista não é, por si, um acordo.
Repercussão na campanha
A entrevista caiu na reta final do 2º turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Em 18 de outubro de 2026:
- A senadora Damares Alves pediu proteção para ela e as filhas e assinou o requerimento de uma nova CPMI, de autoria da deputada Coronel Fernanda (PL-MT).
- Os deputados Zucco (PL-RS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Bia Kicis (PL-DF) pediram a Mendonça a inclusão dela no programa de proteção a testemunhas (Provita) e a análise de medidas protetivas da Lei Maria da Penha contra Lula. O próprio pedido diz que as declarações dela não provam participação do presidente em ilícito.
- No debate da Band, Flávio perguntou várias vezes a Lula se ele conhecia Luchsinger. Lula respondeu que "Roberta é um problema da Polícia Federal".
Linha do tempo
- 2017: Anuncia doação de R$ 500 mil a Lula, que estava com as contas bloqueadas por Sergio Moro.
- 2018: Candidata a deputada estadual pelo PT em São Paulo, não se elege.
- Março de 2023 a julho de 2024: Recebe pelo menos R$ 1,26 milhão da Unigel, segundo a PF.
- Setembro de 2024 a março de 2025: Recebe R$ 4,1 milhões de empresas ligadas a Eduardo DP, segundo o Coaf.
- Fim de 2025: Alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto.
- Maio de 2026: Depõe à PF e descreve a relação com Lulinha como amizade.
- 30 de julho a 4 de agosto de 2026: PF abre três inquéritos sobre Lulinha por tráfico de influência.
- 20 de agosto de 2026: Relatório da PF sobre o núcleo "Musaranhos" vem a público.
- 27 de agosto de 2026: Lula diz à TV Globo que não a conhece.
- 17 de setembro de 2026: Metrópoles divulga mensagens em que ela chama Lulinha de "sócio".
- 17 de outubro de 2026: Diz à CNN Brasil que quer fazer delação premiada.
- 18 de outubro de 2026: Deputados pedem proteção a ela no STF; Flávio cita o caso no debate da Band.
Perguntas frequentes
Quem é Roberta Luchsinger?
Uma empresária e lobista amiga de Lulinha, investigada pela PF por suspeita de tráfico de influência no governo Lula. Foi candidata a deputada estadual pelo PT em 2018.
Roberta Luchsinger é filha de quem?
É herdeira de um ex-acionista do banco suíço Credit Suisse.
Qual a relação de Roberta Luchsinger com Lula?
Ela doou R$ 500 mil a Lula em 2017 e aparece em fotos com ele. Lula diz que não tem relação com ela; ela diz que a relação foi "institucional, não comercial".
O que é um lobista?
É quem representa interesses de empresas ou grupos junto a autoridades públicas. Crime é o tráfico de influência: cobrar vantagem a pretexto de influir em ato de servidor, que é o que a PF investiga no caso dela.
Roberta Luchsinger vai fazer delação?
Ela disse em 17 de outubro de 2026 que quer fazer. Para valer, a delação exige confissão, provas e homologação judicial.
Roberta Luchsinger foi ex-mulher de quem?
Ela é ex-companheira do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz.
Roberta Luchsinger tem filhos?
Tem duas filhas.
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