Visão geral
Daniel Vorcaro é um empresário e banqueiro brasileiro, conhecido por seu envolvimento com o Banco Master. Ele foi alvo de investigações relacionadas a possíveis irregularidades em transações financeiras, notadamente a operação entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília). Essas investigações levaram à sua prisão e geraram questionamentos sobre a atuação do Banco Central do Brasil no processo de liquidação do Banco Master. Recentemente, Vorcaro tornou-se figura central em uma investigação sobre uma suposta campanha coordenada de desinformação e ataques digitais contra o Banco Central, denominada internamente por intermediários como "Projeto DV". A Polícia Federal tem conduzido a "Operação Compliance Zero", que em sua primeira fase resultou na prisão de Vorcaro e na liquidação extrajudicial do Banco Master, e em uma segunda fase, focou em um suposto esquema de fraudes financeiras, incluindo a captação de dinheiro e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e parentes, com a prisão de seu cunhado, Fabiano Campos Zettel, e buscas em endereços de outros envolvidos, como Nelson Tanure e João Carlos Mansur. O ministro Dias Toffoli autorizou a segunda fase da operação, afastando especulações sobre a paralisação das investigações, mas posteriormente se afastou da relatoria de casos envolvendo o Banco Master após revelações sobre supostos pagamentos de Vorcaro a um resort ligado à sua família. Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro detalhou a crise de liquidez do Banco Master e a base de seu modelo de negócios no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de confirmar encontros com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, para discutir a venda da instituição ao BRB. Durante um desses depoimentos, Vorcaro pediu o "benefício da dúvida" aos investigadores e afirmou que não causou prejuízo financeiro a ninguém na operação de venda do Master para o BRB, além de negar qualquer intenção de fugir do país. Em fevereiro de 2026, a defesa de Vorcaro passou a avaliar pedir a nulidade do processo em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando violação da garantia do juiz natural após a troca de relator do caso. Ele também foi convocado para depor na CPI do INSS e na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, mas teve seu comparecimento à CPI desobrigado por decisão do ministro André Mendonça. Em 4 de março de 2026, na terceira fase da Operação Compliance Zero, Vorcaro voltou a ser preso, desta vez preventivamente, por ordem de Mendonça, sob a suspeita de manter uma estrutura privada de vigilância e intimidação de desafetos, o grupo chamado "A Turma". Desde junho de 2026 está custodiado no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a "Papudinha"; com o título de eleitor regular, está apto a votar no Complexo Penitenciário da Papuda no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro de 2026. Mensagens extraídas de seu celular pela PF, divulgadas ao longo de 2026, expuseram conversas com políticos como o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ex-deputado Fábio Faria, além de um almoço que ele organizou para o ministro Alexandre de Moraes em dezembro de 2023, um convite de Roberto Campos Neto, então presidente do Banco Central, para um encontro em sua casa e um jantar com Alexandre Padilha em outubro de 2024. Em 30 de setembro de 2026, Vorcaro depôs à PF sobre "A Turma", negou a existência do grupo e teve a soltura pedida por sua defesa. Nos dias seguintes vieram a público mensagens sobre um voo a Buenos Aires cedido ao desembargador Newton Ramos, do TRF1, e sobre pedidos de "voto de confiança" ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, e a PF marcou para 5 a 8 de outubro os depoimentos de Galípolo, Campos Neto, André Esteves e Ailton de Aquino como testemunhas no inquérito sobre dois ex-servidores do BC suspeitos de favorecê-lo; o próprio Vorcaro deve voltar a depor em 15 de outubro. Em 2 de outubro, o presidente do STF, Edson Fachin, cobrou da PF a apuração "sem exceção de pessoa" das menções a ministros da Corte encontradas no celular do banqueiro.
Contexto e histórico
A controvérsia em torno de Daniel Vorcaro e do Banco Master ganhou destaque com a investigação de uma transação envolvendo o BRB. A Polícia Federal iniciou uma apuração sobre possíveis fraudes, o que resultou na prisão de Vorcaro na primeira fase da "Operação Compliance Zero", em novembro, sendo solto dias depois. A liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o BRB no valor de R$ 12,2 bilhões, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegando a classificar o caso como a "maior fraude bancária" do país. A investigação aponta para a venda de títulos de crédito falsos e a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessas de retornos irreais, estimando as fraudes em até R$ 12 bilhões. A PF também investiga a venda de carteiras de crédito falsas do Master para o BRB, que pode ter causado um prejuízo ao banco público do governo do Distrito Federal acima de R$ 4 bilhões. O BRB, por sua vez, injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, com o Ministério Público vendo indícios de gestão fraudulenta nessas transferências, e mais de R$ 12 bilhões foram usados para comprar carteiras de crédito que não pertenciam ao Master e se provaram sem lastro. Em depoimento à PF, Vorcaro afirmou que o plano de negócio do Master era 100% baseado no FGC e que o banco atravessava uma crise de liquidez, mas que cumpriu todos os compromissos até 17 de novembro, atribuindo os problemas a mudanças nas regras do FGC e a uma campanha de reputação. Ele confirmou ter se encontrado com o governador Ibaneis Rocha entre 2024 e 2025 para discutir a venda do Banco Master ao BRB, embora Ibaneis negue ter tratado do assunto. Vorcaro também negou que estivesse fugindo ao ser preso no Aeroporto de Guarulhos, afirmando ter avisado o Banco Central sobre sua viagem a Dubai para negociar a venda do Master ao grupo Fictor. Em acareação com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra, Vorcaro afirmou que o Master não desembolsou nenhum real para adquirir uma carteira de créditos da empresa Tirreno, avaliada em R$ 6 bilhões, tratando-se de um registro contábil. Bezerra, por sua vez, admitiu que os valores não existiam fisicamente e que manter a operação visava evitar a falência da Tirreno e do Banco Master. Além disso, a segunda fase da operação apura o desvio de recursos do Master por meio de uma intrincada operação que fazia o dinheiro passar por diversos fundos até ser direcionado a laranjas que seriam ligados a Daniel Vorcaro. Há suspeitas de empréstimos milionários tomados por empresas com capital social baixo (apenas R$ 5 mil) que foram usados para comprar ativos podres e tiveram como destino final laranjas do esquema.
Paralelamente, a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master foi questionada, com debates sobre a precipitação da medida e a responsabilidade de diferentes diretorias da autoridade monetária nos pareceres que levaram à decisão. Em janeiro de 2026, surgiram denúncias de influenciadores digitais e políticos sobre propostas financeiras milionárias para criticar publicamente o Banco Central. Relatos indicam que contratos previam a produção de conteúdos sem checagem de fatos para desgastar a imagem da autoridade monetária após a liquidação do Master. A defesa de Vorcaro nega qualquer participação nessas ações e solicitou ao STF uma investigação para apurar a propagação de fake news e crimes contra a honra, alegando que o empresário é alvo de desinformação. A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro de 2026, aprofundou as investigações sobre o suposto esquema criminoso de fraudes financeiras, com foco na captação de dinheiro e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus familiares. Nesta fase, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e bloqueados R$ 5,7 bilhões em bens e valores. Uma empresária do Rio Grande do Sul, alvo de busca e apreensão, negou ligação com a fraude e suspeita de clonagem de seu CPF. Durante seu depoimento à Polícia Federal em 30 de dezembro de 2025, Daniel Vorcaro fez uma brincadeira com um investigador, afirmando que ele o estava tentando "pegar" desde 2019. Ele também pediu o "benefício da dúvida" e reiterou que não houve prejuízo financeiro a ninguém na operação de venda do Master para o BRB, além de negar veementemente a intenção de fugir do país.
Mais recentemente, mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal e divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo indicam que ele teria sido pressionado a realizar pagamentos ao resort Tayayá, que possui ligações com uma empresa da família do ministro Dias Toffoli. Os diálogos com seu cunhado, Fabiano Zettel, revelam que Vorcaro autorizou repasses que somaram R$ 35 milhões ao empreendimento. Estas conversas constam em relatório encaminhado pela PF ao STF e reforçaram a pressão para que Toffoli deixasse a relatoria de casos envolvendo o Banco Master, o que ocorreu a pedido do próprio ministro. O conteúdo das mensagens está sob análise da Procuradoria-Geral da República. Toffoli, por sua vez, reconheceu ser sócio da empresa Maridt, que teve participação no Tayayá, mas negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou Zettel, afirmando que a participação societária no empreendimento foi encerrada antes de ele receber a relatoria da ação no STF. O caso chegou ao STF após a defesa de Vorcaro argumentar que um material apreendido durante a investigação citava um deputado federal, o que levou Toffoli a ser definido como relator por sorteio e a determinar que todos os inquéritos relacionados ao banco fossem enviados ao seu gabinete. A atuação de Toffoli como relator foi criticada por parlamentares da oposição, especialmente após revelações de que ele viajou com um advogado de um dos executivos do Master investigados e de que seus irmãos venderam participação no resort Tayayá para um fundo administrado por Fabiano Zettel. Reportagens também indicaram que Zettel está por trás de uma teia de fundos de investimentos administrados pela Reag, gestora que também é investigada por suspeita de fraudes envolvendo o Master. Após a saída de Toffoli da relatoria, o ministro André Mendonça assumiu o caso por sorteio. A defesa de Vorcaro, contudo, avalia pedir a nulidade do processo, argumentando que a troca de relator ocorreu sem que Toffoli se declarasse formalmente suspeito ou impedido, o que configuraria uma violação da garantia do juiz natural.
Investigações da CPI do INSS
Daniel Vorcaro e o Banco Master também se tornaram alvo de investigação da CPI do INSS, devido ao alto número de reclamações de consumidores, especialmente relacionadas a problemas com crédito consignado para aposentados. A CPI aprovou a convocação de Vorcaro para depor, bem como a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telemático, buscando esclarecer o papel do Banco Master em irregularidades e possíveis prejuízos a beneficiários do INSS. No entanto, o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, desobrigou o comparecimento de Vorcaro à Comissão, o que levou sua defesa a comunicar que ele não comparecerá para o depoimento agendado. Mendonça também desautorizou o uso de avião particular para o deslocamento do banqueiro, que à época cumpria prisão domiciliar em Belo Horizonte. Apesar da decisão, Vorcaro ainda é esperado para uma sessão na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, embora não tenha confirmado sua presença.
Prisão preventiva e "A Turma"
Em 4 de março de 2026, a Polícia Federal deflagrou a terceira fase da Operação Compliance Zero e prendeu Daniel Vorcaro pela segunda vez em menos de quatro meses, agora em caráter preventivo. O mandado foi assinado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF, com base em indícios de que o banqueiro mantinha uma estrutura privada de monitoramento e intimidação de pessoas vistas como inimigas de seus interesses. Segundo a PF, a estrutura se organizava num grupo de WhatsApp chamado "A Turma", do qual participavam Vorcaro, um ex-diretor e um ex-chefe de departamento do Banco Central, o cunhado Fabiano Zettel e Phillipe Mourão, conhecido como "Sicário", que coordenaria a vigilância de concorrentes, ex-funcionários e jornalistas. Mendonça descreveu o caso como "uma das maiores fraudes financeiras da história do nosso país", com características de crime organizado. Também foi preso Marilson Roseno; Mourão morreu após a prisão. Em 13 de março de 2026, a Segunda Turma do STF formou maioria para manter a prisão, com votos de Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques; Dias Toffoli declarou-se impedido.
Vorcaro ficou inicialmente na Penitenciária Federal de Brasília e, em junho de 2026, foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como "Papudinha". Com o título de eleitor transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, pediu ao Tribunal Superior Eleitoral autorização para votar nas eleições de outubro de 2026; pelas regras do TSE, presos provisórios, sem condenação definitiva, mantêm os direitos políticos. Em abril de 2026, o TSE decidiu por unanimidade que as mudanças eleitorais da Lei nº 15.358/2026 não valem para o pleito de outubro, pelo princípio da anualidade, e o título de Vorcaro consta como regular: ele pode votar na Papuda no primeiro turno, em 4 de outubro, e num eventual segundo turno. A apuração inclui a estrutura financeira do grupo, que teria a participação de seu pai, Henrique Vorcaro, apontado como operador financeiro, de Fabiano Zettel e de Ana Claudia Queiroz de Paiva. A PF identificou ainda um segundo núcleo, "Os Meninos", de perfil tecnológico, responsável por ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento ilegal; segundo a investigação, os hackers recebiam R$ 75 mil por mês.
Segundo mensagens dos autos reveladas pela colunista Mariana Barbosa, do UOL, em 1º de outubro de 2026, Mourão propôs a Vorcaro em 19 de outubro de 2024 forjar a internação psiquiátrica do empresário Antônio Augusto Conte, ex-sócio do banqueiro na Zion Capital, a quem Vorcaro atribuía as informações da reportagem "Alta Tensão", publicada pela revista piauí em 1º de outubro de 2024: "Quer que mande interna-lo?? Estou com um dono de uma clínica psi. E clínica de reabilitação. E conseguimos interna-lo com ordem judicial. Só vc (dar ok)". O relatório da PF não registra resposta de Vorcaro à proposta. Dias antes, Vorcaro havia chamado Conte de "debil mental" e combinado com Mourão a publicação de material negativo sobre ele. A defesa de Vorcaro não respondeu à colunista.
Em 30 de setembro de 2026, Daniel Vorcaro, da Papudinha, e Henrique Vorcaro, preso em Minas Gerais, depuseram à PF por videoconferência; o depoimento, previsto para a semana anterior, havia sido adiado a pedido da defesa, que alegou não ter acesso à cópia atualizada da investigação. Os dois negaram a existência de uma organização criminosa, e Daniel negou participação em atos violentos ou intimidatórios. Em nota assinada por Sérgio Leonardo Engels Muniz e Daniel Bialski, a defesa afirmou que as mensagens eram "desabafos, oriundos de recortes maliciosos de mensagens privadas", que "jamais redundaram em consequências práticas", disse que entre os investigados Vorcaro conhecia apenas Luiz Phillipi Mourão e pediu a soltura imediata, argumentando que a prisão preventiva "não pode decorrer de razões políticas". Até então, Vorcaro seguia preso sem denúncia formal. A PF planejava concluir até o fim de setembro o inquérito-mãe sobre as fraudes na tentativa de venda do Master ao BRB, no qual pedirá o indiciamento de Vorcaro, do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e de servidores do Banco Central, mas a crise no STF paralisou o caso e a conclusão deve ficar para depois das eleições, assim como a oitiva específica sobre as operações com o BRB.
Mensagens com políticos e repercussão eleitoral
Mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal mostraram, a partir de março de 2024, conversas com o presidente da Câmara, Hugo Motta. Reveladas pelo site Fatos Online e confirmadas pela Folha de S.Paulo, elas mencionam um "formato de sociedade que ficou combinado" na compra de uma antiga fábrica de cimento de mais de 400 hectares em João Pessoa, adquirida por R$ 45 milhões com um empréstimo de mais de R$ 22 milhões do Banco Master, em março de 2024, a uma empresa de Bianca Medeiros, cunhada de Motta. Os diálogos também tratam do projeto de lei do mercado de carbono (novembro de 2024), de um estudo sobre o Fundo Garantidor de Créditos que Motta ofereceu pedir à sua equipe e de um avião que aguardaria o deputado em Guarulhos (abril de 2024). Em 19 de julho de 2025, por volta das 7h, Motta pediu para falar com Vorcaro "antes da reunião" que o banqueiro teria das 9h às 10h no Banco Central com o presidente Gabriel Galípolo e os diretores Ailton de Aquino e Gilneu Vivan sobre a documentação para concluir a venda do Master ao BRB; a um interlocutor, Vorcaro descreveu sua relação com Motta como "Sou 'number 1'. Amigo irmão". Motta negou irregularidade, afirmou que "não há ilícito nas conversas divulgadas" e que o empréstimo antecedeu as investigações sobre o Master. Mensagens divulgadas pelo Times Brasil em 2 de outubro de 2026 mostram que, no segundo semestre de 2024, com contatos frequentes entre setembro e novembro, durante a campanha de Motta à presidência da Câmara, Vorcaro pôs à disposição do deputado avião, helicóptero e sua casa em Brasília ("Casa à sua"); à pergunta "Posso pegar o helicóptero em Congonhas?", respondeu "Pode". Motta foi eleito presidente da Câmara em fevereiro de 2025; sua assessoria afirmou que o contato com o empresariado "é inerente ao exercício da atividade de qualquer parlamentar".
Mensagens divulgadas por O Globo em 2 de outubro de 2026 mostram trocas cordiais entre Vorcaro e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), ministro de Portos e Aeroportos do governo Lula de setembro de 2023 a março de 2026 e hoje deputado federal, entre fevereiro de 2024 e abril de 2025: "Fala amigo, tudo bem?" (julho de 2024), "Amigo, pode falar?" (2 de janeiro de 2025). No mesmo dia veio a público que, em fevereiro de 2025, o empresário Marcelo Cohen, dono da Qualitours, escreveu a Vorcaro: "Governo está desesperado por conta da COP30. Nós temos a solução" e "Estão desesperados Lula e Rui Costa". A Qualitours fechou com a Embratur contrato de R$ 350,2 milhões para hospedar participantes da conferência em navios de cruzeiro. A Secom afirmou que Lula não participou de negociações, a Embratur disse que a contratação se deu por chamamento público regular sem participação do Master, e a Qualitours, que Vorcaro não participou do contrato.
As mesmas mensagens indicam que, em abril de 2024, Vorcaro e o ex-deputado Fábio Faria tentaram abrir um canal de diálogo entre Elon Musk e o ministro Alexandre de Moraes, em meio à crise sobre a moderação de conteúdos no X. Em 7 de abril de 2024, Faria redigiu em inglês uma mensagem a Musk propondo conversa com autoridades brasileiras e a submeteu a Vorcaro antes do envio. Os dois discutiam desde março de 2024 uma empresa de revenda de internet da Starlink no Brasil, com a marca "SkyLink". A inclusão de Musk no inquérito das milícias digitais encerrou a aproximação: segundo as mensagens, Musk disse a Faria que não fazia mais sentido seguir negociando, e o projeto foi desfeito.
Vídeos extraídos do celular de Vorcaro e publicados pela revista piauí em 3 de outubro de 2026 mostram o banqueiro e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP, dançando música eletrônica em 22 de janeiro de 2025, numa festa no restaurante Baïes, em Courchevel, nos Alpes franceses, ao lado das então namoradas, Martha Graeff e Flávia Rosalen. Ciro passou 13 dias na estação, de 12 a 25 de janeiro de 2025; a Polícia Federal calculou em R$ 1.849.201 o custo da viagem, atribuído a Vorcaro, incluindo um jantar de R$ 63,6 mil no restaurante La Soucoupe. Relatório da PF aponta ao menos três viagens internacionais do senador em aeronaves ligadas ao banqueiro, que também pagou despesas dele em Portugal e nos Estados Unidos. Ciro é investigado em inquérito no STF que apura se recebeu dinheiro para atuar em favor de Vorcaro no Congresso; em agosto de 2024, apresentou à PEC da autonomia do Banco Central a emenda que elevaria de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC por investidor, conhecida como "emenda Master". O senador nega irregularidades e se diz alvo de perseguição política.
Em outubro de 2025, menos de um mês antes da primeira prisão, Vorcaro escreveu à advogada Vanessa Souza que o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, hoje candidato do PT ao governo de São Paulo, era "um dos meus maiores opositores. Infelizmente, pq nem conhecer o conheço". A advogada contava almoçar com um advogado de Haddad e perguntava se ele havia "abortado" a venda do banco ao BRB, então em análise no Banco Central. A conversa, publicada por O Globo e confirmada pela Folha de S.Paulo em 3 de outubro de 2026, mostra também que Vorcaro tentava uma reunião com Haddad desde 2024; em agosto daquele ano, o consultor Júlio Cezar, que havia organizado o jantar com Alexandre Padilha, buscou uma agenda com o ministro.
Pesquisa Datafolha publicada em 18 de setembro de 2026 mostrou que 34% dos brasileiros acreditam que a maioria dos políticos envolvidos no caso Master é de esquerda, 27% de direita e 10% de centro; 13% responderam "todos". Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 58% apontam a esquerda; entre eleitores de Lula, 48% apontam a direita. A Folha de S.Paulo registrou que a rede de relações de Vorcaro envolve sobretudo nomes do centrão e da direita: Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, é investigado no inquérito sobre o filme "Dark Horse", que recebeu ao menos R$ 65 milhões de Vorcaro, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo de operação da PF; na esquerda, o senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou a liderança do governo no Senado após ser alvo de operação. Os três negam irregularidades. Lula recebeu Vorcaro fora da agenda no Palácio do Planalto em dezembro de 2024, levado pelo ex-ministro Guido Mantega, que atuou como consultor do Master.
Relações com Moraes, Campos Neto e outras autoridades
Mensagens divulgadas em 30 de setembro de 2026 pelo jornal O Globo e obtidas pela Folha de S.Paulo mostram que Vorcaro organizou, no fim de dezembro de 2023, um almoço para o ministro Alexandre de Moraes, do STF, em Campos do Jordão (SP). Em 26 de dezembro, escreveu ao chef José Maria Meira que precisaria dele para "uma missão": "meu convidado mais importante ate hoje". O menu incluiu trufas, caviar, vieira, foie gras e wagyu, com cinco vinhos de safras antigas da adega do banqueiro. Vorcaro não esteve presente e pediu ao chef que evitasse citar nomes, "ate o meu, pra nao constranger o convidado principal". Em janeiro de 2024, o Master firmou contrato de R$ 131 milhões em três anos com o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro; a PF aponta que o contrato foi editado por Moraes antes da assinatura, e documentos da Receita Federal mostram pagamentos de R$ 80,2 milhões em dois anos. Outras mensagens indicam que, dias antes da prisão de 17 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país. O STF avalia se abrirá investigação sobre o ministro; Moraes não se manifestou. Mensagens reveladas pela coluna de Lauro Jardim, de O Globo, em 1º de outubro de 2026 mostram que Viviane Barci de Moraes reservou em 24 de outubro de 2025 um voo de Brasília a São Paulo num Legacy 650 e um helicóptero EC-155 até Campos do Jordão (SP), para 20 a 23 de novembro de 2025, em aeronaves ligadas a Vorcaro, e cancelou as reservas na manhã de 18 de novembro, horas depois da prisão do banqueiro em Guarulhos.
Áudios e mensagens revelados pela revista piauí em 30 de setembro de 2026, trocados entre Fabiano Zettel e uma mulher identificada pelo pseudônimo "Marina", registram o cunhado de Vorcaro dizendo em 2 de setembro de 2025: "Xandão, melhor amigo, Daniel. Tô contando com ele", sobre a crise do banco. Em 2 de dezembro de 2025, Zettel afirmou que Vorcaro "guardou R$ 20 bi no exterior e não consegue ir lá, não consegue gastar, não consegue pegar"; em outubro de 2025, disse ter escondido dinheiro próprio fora do país caso seus bens fossem bloqueados. Em agosto de 2026, a Justiça das Ilhas Cayman ordenou a liquidação da Titan Capital, holding de Vorcaro, sem ativos disponíveis e com dívidas superiores a R$ 1 bilhão. As defesas de Vorcaro e Zettel e o gabinete de Moraes não comentaram.
Mensagens reveladas pela coluna de Lauro Jardim, de O Globo, em 30 de setembro de 2026, e confirmadas pela Folha mostram que Roberto Campos Neto, então presidente do Banco Central, convidou Vorcaro para uma reunião em sua casa no condomínio Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz (SP). Vorcaro pediu o encontro em 21 de novembro de 2023 para "apresentar o trabalho que estamos desenvolvendo no banco"; em 20 de dezembro de 2023, Campos Neto ofereceu recebê-lo em 22 de dezembro ou, na semana seguinte, na fazenda, onde estaria com a família. No dia marcado, cancelou o encontro na casa, que havia sido dedetizada, e propôs a sede do BC na avenida Paulista. Foi na gestão de Campos Neto, em outubro de 2019, que o BC autorizou Vorcaro a assumir o Banco Máxima, origem do Master, operação negada oito meses antes sob Ilan Goldfajn. A assessoria de Campos Neto não respondeu.
Segundo mensagens obtidas pela Folha, Alexandre Padilha, então ministro da Secretaria de Relações Institucionais e hoje ministro da Saúde, participou em 23 de outubro de 2024, às 22h, de um jantar restrito na casa de Vorcaro em Brasília, fora da agenda oficial, com o secretário-executivo Olavo Noleto; o encontro foi acertado pelo consultor Júlio Cezar. Em 25 de outubro, Vorcaro escreveu ao ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, sócio na farmacêutica Biomm, da qual o banqueiro tinha 25%: "Estou precisando muito ver o Lula, por conta desses ataques que tenho sofrido". A reunião com Lula ocorreu em 4 de dezembro de 2024, no Planalto, intermediada por Guido Mantega; Vorcaro reclamou da concentração bancária e Lula pediu a Galípolo que analisasse o tema. A assessoria de Padilha afirmou que "não houve qualquer desdobramento em relação ao evento" e que na época não havia acusação contra o banco.
A coluna Radar, da revista Veja, revelou em 30 de setembro de 2026 mensagens entre Vorcaro e o apresentador Luciano Huck que citam R$ 83 milhões em mídia para a TV Globo e um contrato pessoal de R$ 26 milhões; Huck usou aviões do banqueiro para ir a Canoas (RS) durante as enchentes de 2024 e a Varsóvia, onde entrevistou Volodymyr Zelensky, e ajudou a família de Vorcaro com atendimento VIP em Orlando. Segundo a Veja, as mensagens não indicam ilegalidade de Huck, que afirmou que toda a interação se deu em torno da captação e gestão do patrocínio do Will Bank.
Mensagens obtidas pela BBC News Brasil e publicadas em 2 de outubro de 2026 indicam que o desembargador federal Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), pediu a Vorcaro jatinhos para viajar de Brasília a Buenos Aires no fim de novembro de 2024. A logística começou a ser discutida em 13 de novembro; Vorcaro mandou atender o pedido apesar de uma funcionária alertar que não havia avião disponível, e o voo teve uísque, cerveja e espumantes Moët & Chandon e Dom Pérignon. Em 2 de dezembro, Ramos agradeceu e pediu para "atualizar os assuntos" quando o banqueiro fosse a Brasília. A mulher do desembargador, a advogada Camilla Ramos, tem contrato de até R$ 427 milhões com o Master, equivalente a 5% de êxito sobre R$ 8,5 bilhões em pré-precatórios do setor sucroalcooleiro em disputa no TRF1 e no STJ; depois que o contrato veio à tona, em setembro de 2026, Ramos foi alvo de operação do Conselho Nacional de Justiça com apoio da PF. Investigadores suspeitam que a expressão "Turma do KN", usada por interlocutores de Vorcaro ao citar Ramos, se refira ao ministro Kássio Nunes Marques, de quem ele foi juiz-auxiliar no TRF1. Nunes Marques afirmou que "nunca votou a favor de Daniel Vorcaro", reconheceu a amizade com o casal e disse se declarar suspeito nas ações do escritório; Camilla Ramos disse que o voo foi de sua responsabilidade e "estritamente particular". Ramos e a defesa de Vorcaro não se manifestaram.
Em ofício de 2 de outubro de 2026 ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que, quando chegar à presidência relatório "onde tenham sido apresentados integralmente, sem exceção de pessoa, os fatos correlatos, serão dados os encaminhamentos devidos", e pediu que "todos os fatos sejam devidamente esclarecidos, sem qualquer exceção de fato ou de pessoa". Os dois têm reunião prevista para 13 de outubro, que pode ser antecipada, para tratar das menções a ministros nas conversas de Vorcaro; segundo a Agência Brasil, aparecem nelas Alexandre de Moraes, Nunes Marques, Dias Toffoli, Luiz Fux e André Mendonça. O ofício respondeu a cobranças de ministros, entre eles Gilmar Mendes e Moraes, para que todas as menções fossem avaliadas em conjunto.
Banco Central: servidores investigados e testemunhas
A PF investiga dois ex-integrantes do Banco Central, Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, suspeitos de atuar em favor de Vorcaro e repassar informações sobre a fiscalização do Master; a defesa dos dois nega favorecimento. Em depoimento à PF em 25 de agosto de 2026, revelado pela Folha de S.Paulo em 1º de outubro, Belline disse ter se reunido com Vorcaro ao menos três vezes na casa do banqueiro em São Paulo e duas em Brasília, em encontros que descreveu como institucionais, para "discutir estratégias diante do modelo de negócio de Daniel Vorcaro"; as visitas não constam de sua agenda pública. Em 28 de agosto, Vorcaro confirmou à PF ter recebido os dois "poucas vezes" em suas casas e disse que a de Brasília servia de escritório. Paulo Sérgio afirmou à PF que o BTG Pactual comunicou ao BC, por telefone em 29 de novembro de 2024, ter encontrado uma fraude de R$ 32 bilhões no Master após uma due diligence, e que a apresentação do banco ocorreu em 3 de dezembro de 2024, com a presença de Roberto Campos Neto.
Mensagens reveladas por Lauro Jardim em 1º de outubro de 2026 mostram os contatos de Vorcaro com Gabriel Galípolo antes da liquidação. Em 17 de agosto de 2025, Galípolo respondeu a uma tentativa de contato num domingo: "Peça uma reunião lá no gabinete", "é importante formalizar". Em 21 de agosto, Vorcaro relatou "cenário adverso de liquidez"; em 30 de setembro, pediu "voto de confiança e apoio na solução que apresentamos ao FGC" e prazo de até 60 dias; o último contato registrado é de 4 de outubro de 2025. O BC decretou a liquidação em 18 de novembro de 2025 e não comentou as mensagens.
No inquérito sobre os dois ex-servidores, a PF marcou para a semana de 5 de outubro de 2026 os depoimentos, como testemunhas, de André Esteves, dono do BTG Pactual (dia 5), Galípolo (dia 6), Campos Neto (dia 7) e do diretor de Fiscalização Ailton de Aquino (dia 8); as defesas ainda podem pedir adiamento. Em 2 de outubro, Galípolo recebeu Campos Neto na sede do BC em São Paulo, em reunião registrada em sua agenda oficial. O depoimento do próprio Vorcaro à PF na Operação Compliance Zero está previsto para 15 de outubro.
Negócios e patrocínios nas mensagens
Mensagens reveladas por Lauro Jardim em 1º de outubro de 2026 mostram que, em 18 de outubro de 2023, o publicitário Elsinho Mouco, marqueteiro de Michel Temer, procurou Vorcaro em busca de patrocínio para o documentário "963 Dias", dirigido por Bruno Barreto, com orçamento de R$ 12 milhões. Em 11 de novembro de 2023, Vorcaro encaminhou o contato de Fabiano Zettel: "Eu vou ter que fazer fora do banco, por questões internas, mas o Fabiano organiza contigo ok". O aporte de R$ 1 milhão saiu pela Moriah Asset, gestora de Zettel, e se tornou público em maio de 2026.
Mensagens divulgadas pelo Poder360 mostram que, em 1º de setembro de 2025, o empresário Roberto Justus cobrou Vorcaro pela conversão em participação societária de R$ 143 milhões aportados em notas comerciais da SteelCorp, da qual é sócio: "Se essa dívida continuar em meu balanço vou ter que pedir uma RJ e daí você vai perder todo o investimento". No dia seguinte, Justus propôs converter o aporte em 30% da empresa e recomprar a fatia por R$ 130 milhões em até cinco anos; em 11 de setembro, informou que a SteelCorp tinha "patrimônio negativo". Vorcaro respondeu que não queria sair do negócio. As mensagens não mostram se o acordo foi concluído. Em 3 de outubro de 2026, o Times Brasil apontou que as conversas contradizem o que Justus disse em janeiro de 2026 à emissora e em março ao programa Pânico, que o negócio com Vorcaro "nunca se concretizou" e que só em dezembro de 2025 soube que o Master estava por trás do fundo da Reag que investira na SteelCorp: em 2 de setembro de 2025, Justus perguntou a Vorcaro "Mas o cotista do fundo não é você?" ("Sim", respondeu o banqueiro), e em 4 de setembro resumiu a estrutura, notas de R$ 143 milhões convertidas em 30% e recompradas por R$ 130 milhões corrigidos pelo IPCA, ao que Vorcaro respondeu "Ok". A defesa de Justus afirma que a conversão não foi feita, que Vorcaro não se tornou sócio da SteelCorp e que o tema foi encerrado antes da liquidação e da prisão.
Mensagens reveladas pelo Valor Econômico em 2 de outubro de 2026 mostram que Vorcaro articulou com o publicitário Thiago Miranda, então CEO do Portal LeoDias, ataques na imprensa ao presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, num momento em que grandes bancos alertavam o Banco Central sobre o modelo do Master, apoiado em captação garantida pelo FGC, do qual o Itaú é o maior associado. A estratégia começou no fim de 2024; em fevereiro de 2025, Vorcaro pediu um levantamento sobre Maluhy, com dados pessoais e CPF, e em maio o foco se concentrou no executivo: "Temos que bater no Milton", escreveu; "Vou bater muito", respondeu Miranda. O Itaú não comentou, e as defesas de Vorcaro e de Miranda não se manifestaram.
Ação do liquidante nos Estados Unidos
Em petição apresentada em 2 de outubro de 2026 e revelada por O Estado de S. Paulo, a EFB Regimes Especiais, liquidante do Banco Master, pediu à Justiça dos Estados Unidos o bloqueio de US$ 42 milhões ligados à venda de um jato Gulfstream G700 atribuído a Vorcaro. Segundo o liquidante, os US$ 79,5 milhões da compra, feita em dezembro de 2023 pela Domus, controlada por Antônio Carlos Freixo Júnior, o "Mineiro", que fechou acordo de colaboração premiada, saíram da tesouraria do Master, foram convertidos em dólares numa conta do banco no JPMorgan Chase, em Nova York, e passaram pelos fundos Astralo, Máxima e FIP Lunar e por empresas que ocultariam Vorcaro como beneficiário final. Entregue em junho de 2025 e registrado em nome da PS-MGG Administração de Bem Próprio, o avião teve o transponder desligado em 6 de novembro de 2025 e foi localizado num hangar do aeroporto de Basileia-Mulhouse-Freiburg, na fronteira entre França e Suíça. A PS-MGG o vendeu à Jetcraft por US$ 86 milhões em 31 de dezembro de 2025, e a Jetcraft o revendeu à Flexjet por US$ 87,5 milhões em 17 de fevereiro de 2026; cerca de US$ 42 milhões foram repassados à PS-MGG e outros US$ 42 milhões seguem numa conta de custódia nos Estados Unidos. A EFB diz ter e-mails em que Flexjet e Jetcraft mencionam saber que Vorcaro era o beneficiário e que o banco estava em liquidação, e pede a anulação das transferências. A defesa de Vorcaro não comentou.
Linha do tempo
- Outubro de 2019: Na gestão de Roberto Campos Neto, o Banco Central autoriza Vorcaro a assumir o controle do Banco Máxima, que daria origem ao Master; a operação havia sido negada em fevereiro de 2019.
- 21 de novembro de 2023: Vorcaro pede a Roberto Campos Neto, então presidente do BC, um encontro presencial; em 20 de dezembro, Campos Neto oferece recebê-lo em sua casa na Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz (SP), encontro depois transferido para a sede do BC em São Paulo.
- 18 de outubro a 11 de novembro de 2023: Vorcaro acerta, por meio de Fabiano Zettel e da Moriah Asset, patrocínio de R$ 1 milhão ao documentário "963 Dias", sobre o governo Michel Temer.
- Fim de dezembro de 2023: Vorcaro organiza, sem estar presente, um almoço para o ministro Alexandre de Moraes em Campos do Jordão (SP).
- Janeiro de 2024: O Master firma contrato de R$ 131 milhões com o escritório de Viviane Barci de Moraes.
- Março de 2024: O Banco Master empresta mais de R$ 22 milhões a uma empresa de Bianca Medeiros, cunhada de Hugo Motta, para a compra de um terreno em João Pessoa. No mesmo mês, Vorcaro e Fábio Faria começam a discutir uma revenda da Starlink no Brasil.
- 7 de abril de 2024: Fábio Faria submete a Vorcaro uma mensagem a Elon Musk propondo diálogo com autoridades brasileiras, incluindo Alexandre de Moraes.
- Maio de 2024: Daniel Vorcaro cobra Fabiano Zettel sobre um aporte relacionado ao empreendimento Tayayá, indicando uma solicitação de R$ 15 milhões, que Vorcaro autoriza o pagamento. Zettel informa que já haviam sido pagos R$ 20 milhões anteriormente ao fundo dono do Tayayá.
- Agosto de 2024: Vorcaro questiona Zettel sobre o andamento de pagamentos ao Tayayá, após o valor ter sido transferido a um intermediário, gerando um "problema" para o banqueiro.
- 23 de outubro de 2024: Alexandre Padilha, então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, janta na casa de Vorcaro em Brasília, fora da agenda oficial. Dois dias depois, Vorcaro diz a Walfrido dos Mares Guia que precisa "muito ver o Lula".
- 19 de outubro de 2024: Phillipe Mourão propõe a Vorcaro forjar a internação psiquiátrica do ex-sócio Antônio Augusto Conte.
- Fim de novembro de 2024: O desembargador Newton Ramos, do TRF1, viaja de Brasília a Buenos Aires em jatinho cedido por Vorcaro.
- 3 de dezembro de 2024: O BTG Pactual apresenta ao Banco Central, com Roberto Campos Neto presente, a fraude de R$ 32 bilhões que diz ter encontrado no Master.
- 4 de dezembro de 2024: Lula recebe Vorcaro no Palácio do Planalto.
- Setembro a novembro de 2024: Durante a campanha de Hugo Motta à presidência da Câmara, Vorcaro oferece ao deputado avião, helicóptero e sua casa em Brasília.
- Fevereiro de 2025: O empresário Marcelo Cohen, da Qualitours, diz a Vorcaro que "Lula e Rui Costa" estão "desesperados" com a COP30. No mesmo mês, Vorcaro pede um levantamento sobre o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho.
- Maio de 2025: "Temos que bater no Milton": Vorcaro e Thiago Miranda concentram em Maluhy a campanha na imprensa.
- 19 de julho de 2025: Hugo Motta pede para falar com Vorcaro antes de reunião do banqueiro com a diretoria do BC sobre a venda do Master ao BRB.
- 1º a 11 de setembro de 2025: Roberto Justus cobra Vorcaro pela conversão de R$ 143 milhões aportados na SteelCorp.
- 2 de setembro de 2025: Em áudio revelado depois pela revista piauí, Fabiano Zettel chama Moraes de "melhor amigo" de Vorcaro e diz contar com ele na crise do Master.
- 30 de setembro de 2025: Vorcaro pede a Gabriel Galípolo "voto de confiança" e prazo de até 60 dias para a solução apresentada ao FGC.
- Novembro de 2025: Primeira fase da "Operação Compliance Zero" resulta na prisão de Daniel Vorcaro no Aeroporto de Guarulhos e na liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central. Dias depois, Vorcaro é solto pela Justiça.
- 30 de dezembro de 2025: Daniel Vorcaro presta depoimento à Polícia Federal, detalhando a crise de liquidez do Banco Master, o modelo de negócios baseado no FGC e os encontros com o governador Ibaneis Rocha para discutir a venda do Master ao BRB. Durante este depoimento, Vorcaro fez uma brincadeira com um investigador da PF, dizendo que ele o estava tentando "pegar" desde 2019, e pediu o "benefício da dúvida" na análise do caso, afirmando que não deu prejuízo financeiro a ninguém na operação de venda do Master para o BRB. Ele também negou a intenção de fugir do país. No mesmo dia, ocorre acareação entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Bezerra, ex-presidente do BRB, sobre a transação com a empresa Tirreno.
- 24 de dezembro de 2025: Convocação de Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, para acareação com Daniel Vorcaro, intensificando a pressão sobre o BC em relação à liquidação do Banco Master.
- 6 de janeiro de 2026: O vereador Rony Gabriel (PL-RS) revela ter recusado uma proposta milionária para participar de uma campanha contra o Banco Central, mencionando o "Projeto DV".
- 9 de janeiro de 2026: A defesa de Daniel Vorcaro envia documento ao STF negando envolvimento em ataques ao BC e pede investigação sobre influenciadores e disseminação de fake news. No mesmo período, influenciadores relatam à imprensa o recebimento de valores para postagens críticas à autoridade monetária.
- 14 de janeiro de 2026: Segunda fase da "Operação Compliance Zero" é deflagrada, com cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão e medidas de sequestro e bloqueio de bens, totalizando R$ 5,7 bilhões em bens e valores bloqueados. Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, é preso no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai, sendo solto após a apreensão de seu celular. Mandados também são cumpridos em endereços de Vorcaro, seus pais, irmã, outros parentes, Nelson Tanure e João Carlos Mansur. Uma empresária de Rosário do Sul (RS) também é alvo de busca e apreensão, negando envolvimento e suspeitando de clonagem de CPF. O ministro Dias Toffoli autoriza a operação e marca uma acareação entre Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
- 24 de janeiro de 2026: Notícias revelam detalhes do depoimento de Daniel Vorcaro à PF e da acareação com Paulo Henrique Bezerra, ex-presidente do BRB.
- 30 de janeiro de 2026: É divulgado que, durante seu depoimento de 30 de dezembro de 2025, Daniel Vorcaro fez uma brincadeira com um investigador da PF, afirmando que ele o estava tentando "pegar" desde 2019, e pediu o "benefício da dúvida" na análise do caso, reiterando que não houve prejuízo financeiro a ninguém na operação de venda do Master para o BRB, além de negar a intenção de fugir do país.
- 14 de fevereiro de 2026: O jornal O Estado de S. Paulo publica reportagem revelando mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, indicando que ele teria autorizado pagamentos de R$ 35 milhões ao resort Tayayá, ligado à família do ministro Dias Toffoli. Toffoli, então, se afasta da relatoria de casos envolvendo o Banco Master no STF, e o ministro André Mendonça assume o caso por sorteio.
- 16 de fevereiro de 2026: A defesa de Daniel Vorcaro avalia pedir a nulidade do processo no STF, argumentando violação da garantia do juiz natural após a saída de Dias Toffoli da relatoria sem que ele se declarasse formalmente suspeito ou impedido.
- 20 de fevereiro de 2026: A defesa de Daniel Vorcaro comunica à CPI do INSS que o banqueiro não comparecerá ao depoimento agendado para o dia 23, após o ministro André Mendonça desobrigar seu comparecimento e desautorizar o uso de avião particular para o deslocamento.
- 4 de março de 2026: Terceira fase da Operação Compliance Zero: Vorcaro é preso preventivamente por ordem do ministro André Mendonça, sob suspeita de comandar o grupo de intimidação "A Turma".
- 13 de março de 2026: A Segunda Turma do STF forma maioria para manter a prisão preventiva de Vorcaro.
- Junho de 2026: Vorcaro é transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a "Papudinha".
- Agosto de 2026: A Justiça das Ilhas Cayman ordena a liquidação da Titan Capital, holding de Vorcaro, com dívidas superiores a R$ 1 bilhão.
- 18 de setembro de 2026: Datafolha mostra que 34% dos brasileiros associam majoritariamente a esquerda ao caso Master, ante 27% que apontam a direita.
- 29 de setembro de 2026: Vem a público o pedido de Vorcaro ao TSE para votar da prisão. No mesmo dia, são noticiadas as mensagens com Hugo Motta e a tentativa de mediação entre Elon Musk e Alexandre de Moraes.
- 30 de setembro de 2026: Daniel e Henrique Vorcaro depõem à PF por videoconferência sobre "A Turma" e "Os Meninos" e negam a existência dos grupos; a defesa pede a soltura imediata. A conclusão do inquérito-mãe e a oitiva sobre Master e BRB ficam para depois das eleições. No mesmo dia, vêm a público as mensagens sobre o almoço para Moraes, o jantar com Padilha, o convite de Campos Neto, a relação com Luciano Huck e os áudios de Zettel.
- 1º de outubro de 2026: Vêm a público as mensagens com Galípolo, o cancelamento dos voos de Viviane Barci de Moraes, o patrocínio ao filme sobre Temer, a cobrança de Roberto Justus, o plano de Mourão para internar Antônio Augusto Conte e o depoimento de Belline Santana sobre reuniões na casa de Vorcaro.
- 2 de outubro de 2026: A BBC News Brasil revela o voo a Buenos Aires cedido ao desembargador Newton Ramos; vêm a público as mensagens com Silvio Costa Filho, Marcelo Cohen e Thiago Miranda e as ofertas de aeronaves a Motta. Fachin cobra da PF a apuração das menções a ministros do STF, e Galípolo recebe Campos Neto no BC em São Paulo. O liquidante do Master pede à Justiça dos EUA o bloqueio de US$ 42 milhões da venda do Gulfstream G700 atribuído a Vorcaro.
- 3 de outubro de 2026: A piauí publica vídeos de Vorcaro e Ciro Nogueira em Courchevel; vêm a público a mensagem em que Vorcaro chama Haddad de "um dos meus maiores opositores" e a contradição entre as mensagens e as entrevistas de Roberto Justus.
- 4 de outubro de 2026: Primeiro turno das eleições; Vorcaro está apto a votar na Papuda.
- 5 a 8 de outubro de 2026: Datas marcadas pela PF para os depoimentos de André Esteves, Gabriel Galípolo, Roberto Campos Neto e Ailton de Aquino como testemunhas.
- 13 de outubro de 2026: Data prevista, sujeita a antecipação, da reunião de Fachin com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, sobre as menções a ministros.
- 15 de outubro de 2026: Data prevista para novo depoimento de Vorcaro à PF.
Principais atores
- Daniel Vorcaro: Empresário e banqueiro, envolvido nas investigações sobre o Banco Master e citado em denúncias sobre campanhas de desinformação. Foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero e solto dias depois. Em depoimento à PF, detalhou a crise de liquidez do Master e o modelo de negócios baseado no FGC, além de confirmar encontros com Ibaneis Rocha. Durante seu depoimento em 30 de dezembro de 2025, pediu o "benefício da dúvida" aos investigadores, afirmou que não causou prejuízo financeiro a ninguém na operação de venda do Master ao BRB e negou a intenção de fugir do país, fazendo uma brincadeira com um investigador da PF sobre este tentar "pegá-lo" desde 2019. Mensagens de seu celular revelaram supostos pagamentos ao resort Tayayá. Sua defesa avalia pedir a nulidade do processo no STF após a troca de relator. Teve seu comparecimento à CPI do INSS desobrigado por decisão do ministro André Mendonça. Está preso preventivamente desde 4 de março de 2026, desde junho na "Papudinha", em Brasília.
- Banco Master: Instituição financeira cujas transações e liquidação estão sob escrutínio, sendo alvo de investigações por supostas fraudes financeiras. Segundo Vorcaro, seu plano de negócios era 100% baseado no FGC e enfrentava crise de liquidez. Também está sob investigação da CPI do INSS devido a reclamações sobre crédito consignado para aposentados.
- BRB (Banco de Brasília): Banco envolvido na transação investigada com o Banco Master, com um prejuízo estimado em mais de R$ 4 bilhões devido à venda de carteiras de crédito falsas. Injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025.
- Banco Central do Brasil (BC): Autoridade monetária responsável pela fiscalização e liquidação de instituições financeiras, alvo de supostos ataques coordenados nas redes sociais. Vetou a venda do Master ao BRB em setembro de 2025.
- Ailton Aquino: Diretor de Fiscalização do Banco Central, convocado para acareação. Deve depor como testemunha à PF em 8 de outubro de 2026.
- Gabriel Galípolo: Presidente do Banco Central desde 2025. Recebeu de Vorcaro, em 2025, pedidos de "voto de confiança" antes da liquidação do Master; deve depor como testemunha à PF em 6 de outubro de 2026.
- Belline Santana: Ex-chefe de Supervisão Bancária do BC, investigado por suspeita de favorecer Vorcaro. Disse à PF ter se reunido com o banqueiro na casa dele em São Paulo e em Brasília.
- Paulo Sérgio Neves de Souza: Ex-diretor de Fiscalização do BC, investigado por suspeita de favorecer Vorcaro. Nega irregularidade.
- André Esteves: Dono do BTG Pactual, cujo banco diz ter apontado ao BC uma fraude de R$ 32 bilhões no Master em 2024. Deve depor como testemunha à PF em 5 de outubro de 2026.
- Newton Ramos: Desembargador do TRF1 que viajou a Buenos Aires em jatinho cedido por Vorcaro em novembro de 2024; sua mulher, Camilla Ramos, tem contrato de até R$ 427 milhões com o Master.
- Renato Gomes: Ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, responsável pela negativa da operação Master-BRB à época.
- Polícia Federal (PF): Órgão responsável pela investigação que levou à prisão de Vorcaro e que apura a possível ação coordenada contra o BC, conduzindo a "Operação Compliance Zero". Recebeu o depoimento de Daniel Vorcaro sobre a crise do Master e seus encontros com Ibaneis Rocha, no qual o banqueiro fez uma brincadeira com um de seus investigadores. Extraiu mensagens do celular de Vorcaro que indicam pagamentos ao resort Tayayá.
- Dias Toffoli: Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), relator inicial do tema e responsável por autorizar os mandados da Operação Compliance Zero. Marcou uma acareação entre Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Afastou-se da relatoria de casos envolvendo o Banco Master após revelações sobre o resort Tayayá, que teve participação de uma empresa de sua família, e sobre viagens com advogados de executivos do Master. Negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou Zettel. Sua saída da relatoria sem declaração formal de suspeição é questionada pela defesa de Vorcaro.
- André Mendonça: Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que assumiu a relatoria do processo envolvendo o Banco Master por sorteio, após o afastamento de Dias Toffoli. Desobrigou o comparecimento de Daniel Vorcaro à CPI do INSS e desautorizou o uso de avião particular para seu deslocamento. Decretou a prisão preventiva de Vorcaro em 4 de março de 2026.
- Jhonatan de Jesus: Ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), que emitiu parecer pedindo explicações ao BC.
- Rony Gabriel: Vereador do PL-RS que denunciou oferta de contrato milionário para atacar o Banco Central.
- Thiago Miranda: Dono da Agência MiThi, apontado por influenciadores como intermediário de pagamentos para críticas ao BC. Como CEO do Portal LeoDias, articulou com Vorcaro, entre 2024 e 2025, ataques na imprensa ao presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho.
- Fabiano Campos Zettel: Cunhado de Daniel Vorcaro, empresário, pastor evangélico e fundador da Moriah Asset. Foi preso na segunda fase da Operação Compliance Zero ao tentar embarcar para Dubai, tendo seu celular apreendido. Atuaria como operador de Vorcaro em repasses ao resort Tayayá. Está ligado a uma teia de fundos de investimentos administrados pela Reag, gestora que também é investigada por suspeita de fraudes envolvendo o Master.
- Nelson Tanure: Empresário e um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, tendo seu celular apreendido.
- João Carlos Mansur: Investidor e ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, também alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero.
- Paulo Henrique Bezerra (ou Costa): Ex-presidente do BRB, com quem Daniel Vorcaro teve uma acareação. Admitiu que os valores da transação com a Tirreno não existiam fisicamente.
- Ibaneis Rocha: Governador do Distrito Federal (MDB). Confirmou reuniões com Daniel Vorcaro, mas negou ter tratado da venda do Master ao BRB.
- Empresária de Rosário do Sul (RS): Alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, que nega ligação com o esquema e suspeita de clonagem de CPF.
- Resort Tayayá: Empreendimento localizado em Ribeirão Claro (PR), para o qual Daniel Vorcaro teria autorizado pagamentos de R$ 35 milhões, e que possui ligações com uma empresa da família do ministro Dias Toffoli. A venda de participação acionária no resort por irmãos de Toffoli para um fundo administrado por Fabiano Zettel gerou controvérsia.
- Reag Investimentos: Gestora de fundos de investimentos investigada por suspeita de fraudes envolvendo o Banco Master, à qual Fabiano Zettel está ligado.
- CPI do INSS: Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga irregularidades em empréstimos consignados e outros produtos financeiros oferecidos a aposentados e pensionistas do INSS, e que convocou Daniel Vorcaro para depor.
- Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado: Comissão do Senado Federal que convocou Daniel Vorcaro para depor.
- Phillipe Mourão ("Sicário"): Apontado pela PF como coordenador das ações de vigilância e intimidação de "A Turma". Preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, morreu após a prisão. Em outubro de 2024, propôs a Vorcaro internar à força o ex-sócio Antônio Augusto Conte.
- Antônio Augusto Conte: Empresário e ex-sócio de Vorcaro na Zion Capital, alvo de proposta de internação psiquiátrica forçada feita por Mourão em outubro de 2024.
- Henrique Vorcaro: Pai de Daniel Vorcaro, apontado pela PF como operador financeiro de "A Turma". Preso em Minas Gerais, depôs em 30 de setembro de 2026 e negou envolvimento.
- Ana Claudia Queiroz de Paiva: Investigada pela PF na estrutura financeira de "A Turma".
- Hugo Motta: Presidente da Câmara dos Deputados. Mensagens com Vorcaro citam sociedade num terreno em João Pessoa financiado pelo Master, o projeto do mercado de carbono, o FGC e um pedido para falar com o banqueiro antes de reunião no BC sobre a venda ao BRB, em julho de 2025; na campanha à presidência da Câmara, em 2024, recebeu oferta de avião, helicóptero e casa em Brasília. Nega irregularidade.
- Alexandre de Moraes: Ministro do STF. Vorcaro organizou um almoço para ele em dezembro de 2023, e o Master contratou o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, por R$ 131 milhões. Viviane cancelou voos em aeronaves ligadas a Vorcaro no dia seguinte à prisão do banqueiro, em novembro de 2025. Não se manifestou sobre as mensagens.
- Roberto Campos Neto: Presidente do Banco Central de 2019 a 2024. Em dezembro de 2023, convidou Vorcaro para um encontro em sua casa em Porto Feliz (SP), depois transferido para a sede do BC. Deve depor como testemunha à PF em 7 de outubro de 2026.
- Alexandre Padilha: Ministro da Saúde; como ministro da Secretaria de Relações Institucionais, jantou na casa de Vorcaro em 23 de outubro de 2024. Diz que não houve desdobramento do encontro.
- Walfrido dos Mares Guia: Ex-ministro e sócio da farmacêutica Biomm, da qual Vorcaro tinha 25%. Nega ter intermediado o encontro de Vorcaro com Lula.
- Luciano Huck: Apresentador da TV Globo. Mensagens citam R$ 83 milhões em mídia para a emissora e um contrato pessoal de R$ 26 milhões; afirma que a relação envolveu o patrocínio do Will Bank.
- Roberto Justus: Empresário e sócio da SteelCorp, que em setembro de 2025 cobrou Vorcaro pela conversão de R$ 143 milhões aportados na empresa; em 2026, disse em entrevistas que o negócio não saiu, versão contrariada pelas mensagens.
- Elsinho Mouco: Publicitário e marqueteiro de Michel Temer que buscou com Vorcaro o patrocínio do documentário "963 Dias".
- Silvio Costa Filho: Deputado federal (Republicanos-PE) e ministro de Portos e Aeroportos de setembro de 2023 a março de 2026; trocou mensagens cordiais com Vorcaro entre 2024 e 2025.
- Marcelo Cohen: Dono da Qualitours, que tem contrato de R$ 350,2 milhões com a Embratur para hospedagem em navios na COP30; em fevereiro de 2025, disse a Vorcaro que o governo estava "desesperado" com a conferência.
- Milton Maluhy Filho: Presidente do Itaú Unibanco, alvo em 2025 de uma campanha na imprensa articulada por Vorcaro.
- Edson Fachin: Presidente do STF; em 2 de outubro de 2026, cobrou da PF a apuração "sem exceção de pessoa" das menções a ministros nas conversas de Vorcaro.
- Ciro Nogueira: Senador (PP-PI) e presidente do PP, investigado no STF; a PF atribui a Vorcaro o custo de R$ 1,85 milhão de sua viagem a Courchevel em janeiro de 2025. Nega irregularidades.
- Fernando Haddad: Ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo; em outubro de 2025, Vorcaro o chamou de "um dos meus maiores opositores".
- EFB Regimes Especiais: Liquidante do Banco Master; em outubro de 2026, pediu nos EUA o bloqueio de US$ 42 milhões da venda do jato de Vorcaro.
- Fábio Faria: Ex-deputado federal que, em abril de 2024, tentou com Vorcaro mediar um diálogo entre Elon Musk e Alexandre de Moraes, em paralelo a um projeto de revenda da Starlink.
Termos importantes
- Acareação: Confronto entre duas ou mais pessoas que prestaram depoimentos contraditórios, a fim de esclarecer os fatos. No caso, foi marcada uma acareação entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, e outra já ocorreu entre Vorcaro e Paulo Henrique Bezerra.
- Liquidação: Processo pelo qual uma instituição financeira é encerrada, geralmente por insolvência ou irregularidades, sob supervisão do Banco Central.
- Operação Compliance Zero: Operação da Polícia Federal que investiga supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, com fases distintas de prisões e buscas, incluindo o desvio de recursos por meio de fundos para laranjas. A segunda fase resultou no bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores.
- Projeto DV: Nome atribuído em minutas de contrato a uma suposta campanha de comunicação estratégica e ataques digitais que visariam a defesa dos interesses de Daniel Vorcaro.
- Diretoria de Fiscalização: Área do Banco Central responsável por supervisionar as instituições financeiras e identificar irregularidades.
- Diretoria de Organização do Sistema Financeiro: Área do Banco Central responsável por autorizar ou negar operações e reestruturações no sistema financeiro.
- CDBs irreais: Certificados de Depósito Bancário emitidos com promessas de retornos financeiros muito acima da realidade do mercado, indicando possível fraude.
- Ativos podres: Termo usado para descrever ativos financeiros de baixo valor ou de difícil recuperação, frequentemente associados a esquemas de fraude para desviar recursos.
- Fundo Garantidor de Créditos (FGC): Mecanismo de proteção que garante aos clientes de instituições financeiras o reembolso de depósitos e investimentos até um certo limite em caso de intervenção ou liquidação da instituição. Segundo Daniel Vorcaro, o modelo de negócios do Banco Master era 100% baseado no FGC.
- Procuradoria-Geral da República (PGR): Órgão responsável por defender a ordem jurídica, o regime democrático e os interesses sociais e individuais indisponíveis, e que está analisando o conteúdo das mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro.
- Garantia do Juiz Natural: Princípio constitucional que assegura que ninguém será processado ou sentenciado senão pela autoridade competente, previamente estabelecida por lei, e que não haverá juízo ou tribunal de exceção. A defesa de Daniel Vorcaro alega violação deste princípio após a troca de relator no STF sem declaração formal de suspeição.
- "A Turma": Grupo de WhatsApp que, segundo a PF, reunia Vorcaro e aliados numa estrutura de vigilância e intimidação de adversários; motivou a prisão preventiva de março de 2026.
- "Os Meninos": Segundo a PF, braço tecnológico de "A Turma", responsável por ataques cibernéticos, invasões de sistemas e monitoramento ilegal, com hackers pagos a R$ 75 mil por mês.
- Titan Capital: Holding de Vorcaro nas Ilhas Cayman, cuja liquidação foi ordenada em agosto de 2026, sem ativos disponíveis e com dívidas superiores a R$ 1 bilhão.
- Inquérito-mãe: Primeiro inquérito da PF no caso Master, sobre as fraudes na tentativa de venda ao BRB.
- Papudinha: Nome pelo qual é conhecido o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, onde Vorcaro está custodiado desde junho de 2026.
- Crédito Consignado: Tipo de empréstimo em que as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento ou benefício do tomador, comum entre aposentados e pensionistas do INSS.
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