Visão geral
Daniel Bueno Vorcaro é o empresário mineiro que controlou o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025 sob suspeita de fraudes bilionárias. Nascido em Belo Horizonte em 6 de outubro de 1983, está preso preventivamente desde 4 de março de 2026 e, desde junho, cumpre a prisão no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a "Papudinha". Até 8 de outubro de 2026, segundo a defesa, não havia indiciamento nem ação penal contra ele.
O caso que leva o nome do banco está em Caso Banco Master. Esta página trata do banqueiro: a carreira, o crescimento do Master, as prisões, as propostas de delação e o que as mensagens do celular dele, apreendido pela Polícia Federal, dizem sobre suas relações com políticos e ministros do Supremo Tribunal Federal. Em 13 de outubro de 2026, o presidente do STF, Edson Fachin, orientou a PF a enviar à Corte todas as menções a ministros encontradas no material e afirmou que investigar um ministro depende de autorização do Plenário. A PF passou a entrega desse relatório para novembro.
Uma menção numa mensagem não é prova de irregularidade. Ao longo da página, separamos o que é menção (alguém aparece numa conversa), o que é indício (a PF vê elementos e abre ou amplia uma investigação) e o que é acusação formal (denúncia do Ministério Público aceita pela Justiça).
Quem é Daniel Vorcaro
Vorcaro é filho de Henrique Vorcaro, cuja família controla o grupo imobiliário Multipar, de Belo Horizonte. Formou-se em economia no Ibmec e fez MBA em finanças, concluído em 2007. Antes de virar banqueiro, foi CEO da Multipar, com empreendimentos na região metropolitana de Belo Horizonte.
Em 2016, comprou uma participação minoritária no Banco Máxima, então da família Sabbá. Em 2017, fechou acordo para assumir o controle, e o Banco Central aprovou a troca em outubro de 2019, na gestão de Roberto Campos Neto; a mesma operação havia sido negada em fevereiro de 2019. Em 2021, o banco passou a se chamar Banco Master.
Fora do banco, Vorcaro investiu na farmacêutica Biomm, da qual tinha 25%, e na SAF do Atlético Mineiro. A ex-noiva, a influenciadora Martha Graeff, foi chamada a depor na CPMI do INSS. A irmã, Natalia, é casada com o pastor e empresário Fabiano Zettel, apontado pela PF como operador financeiro do grupo.
Como o Banco Master cresceu
O Master cresceu captando dinheiro de pessoas físicas com CDBs que chegaram a pagar 140% do CDI, bem acima da média dos bancos. A propaganda destacava a garantia do FGC, que cobre até R$ 250 mil por investidor. Em depoimento à PF em dezembro de 2025, o próprio Vorcaro disse que o plano de negócio do banco era "100% baseado no FGC".
O dinheiro ia para ativos de baixa liquidez e alto risco, como precatórios (dívidas judiciais do poder público), participações em empresas em dificuldade e fundos do próprio grupo. Em 2024, o banco declarou lucro de R$ 1,07 bilhão, patrimônio líquido de R$ 4,74 bilhões e carteira de crédito de R$ 40,3 bilhões. Também comprou a seguradora Kovr, o Will Bank e a operação de cartão consignado Credcesta.
Quando o Banco Central mudou regras no fim de 2023, o modelo ficou exposto. Em 28 de março de 2025, o BRB, banco do governo do Distrito Federal, anunciou a compra de parte do Master. Segundo o Ministério Público, o BRB aportou cerca de R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025, mais de R$ 12 bilhões deles em carteiras de crédito que não pertenciam ao banco. O Banco Central vetou a operação em 3 de setembro de 2025.
Liquidação e prisões
Em 17 de novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, a PF prendeu Vorcaro no Aeroporto de Guarulhos, quando ele embarcava para o exterior; ele disse que ia a Dubai negociar a venda do banco ao grupo Fictor. No dia 18, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master. O FGC estimou desembolso de cerca de R$ 41 bilhões, e a PF calcula em 1,6 milhão o número de pessoas afetadas. O TRF1 o soltou em 28 de novembro com medidas cautelares.
A segunda fase, em 14 de janeiro de 2026, bloqueou R$ 5,7 bilhões em bens e cumpriu 42 mandados de busca; Zettel foi detido em Guarulhos. Em fevereiro, Dias Toffoli deixou a relatoria do caso no STF depois que a PF entregou mensagens sobre pagamentos ao resort Tayayá, ligado à família do ministro, e André Mendonça assumiu por sorteio. Toffoli nega ter recebido dinheiro de Vorcaro.
Em 4 de março de 2026, na terceira fase, Mendonça decretou a prisão preventiva. A PF descreveu um grupo de WhatsApp chamado "A Turma", com Vorcaro, ex-servidores do Banco Central, Zettel e Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", que vigiaria e intimidaria concorrentes, ex-funcionários e jornalistas, e um braço de hackers, "Os Meninos", pagos a R$ 75 mil por mês. Mourão morreu depois de preso. Em 13 de março, a Segunda Turma do STF manteve a prisão. Em 30 de setembro, Vorcaro depôs por videoconferência, negou a existência dos grupos, e a defesa pediu a soltura.
Desde setembro de 2026, Fachin concentra na Presidência do STF os processos do caso, o que travou pedidos que estavam com Mendonça, como o de liberdade e a homologação da delação de João Carlos Mansur, fundador da Reag. A PF também apura se Vorcaro mandou invadir, em janeiro de 2026, contas de iCloud sob custódia da corporação para apagar dados, e investiga, a partir de mensagens, se ele financiou uma rede de prostituição; ele nega e diz não reconhecer as mensagens.
O liquidante do Master, a EFB Regimes Especiais, tenta recuperar bens nos Estados Unidos: US$ 42 milhões da venda de um jato Gulfstream G700 e imóveis em Aspen e Miami que atribui a Vorcaro. Em documentos apresentados à Justiça americana em 8 de outubro de 2026, o liquidante afirma que as imobiliárias Goldbeach Properties e Clear River Properties, controladas pela holding Mosaic Group, de Delaware, receberam cerca de R$ 188,4 milhões entre dezembro de 2025 e 23 de março de 2026, depois da liquidação, em recursos que teriam sido desviados do banco e passado por fundos como o Mosaic Short Duration Fund, das Bahamas. As três mansões foram compradas à vista por US$ 168 milhões, e a ação pede a restituição de pelo menos US$ 169,5 milhões. Antes, o STF havia bloqueado mais de R$ 2 bilhões em bens ligados a ele, e a Justiça das Ilhas Cayman mandou liquidar sua holding Titan Capital, com dívidas acima de R$ 1 bilhão.
Delação premiada
A defesa entregou os anexos de uma proposta de delação em maio de 2026. A PF rejeitou a primeira em 20 de maio; a segunda, em que Vorcaro aceitava devolver R$ 60 bilhões e citava pagamentos ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e ao grupo do senador Jaques Wagner, foi rejeitada pela PF em 11 de junho e pela PGR em 15 de junho, por falta de fatos novos e de provas. Os citados negam. Com o fim da negociação, Vorcaro foi para a Papudinha em 25 de junho. Em agosto, os investigadores aceitaram reabrir a conversa se ele declarasse todos os bens no exterior. Em depoimento à PF em 28 de agosto de 2026, ele negou ter cometido corrupção e disse ter mais informações, que só revelaria com um acordo formalizado.
Em 9 de outubro de 2026, a revista Veja publicou que, num anexo entregue à PGR, Vorcaro disse ter pago cerca de R$ 30 milhões em espécie ligados a um documentário sobre Lula e ao Instituto Lula, em troca de acesso a fundos de pensão. A PGR não avançou nesse trecho por falta de prova. No mesmo dia, a PF afirmou em nota que Vorcaro "não prestou depoimento com o teor relatado na matéria" nem entregou anexos com esse conteúdo; o advogado Daniel Bialski disse desconhecer o assunto. A campanha de Lula anunciou medidas judiciais, a AGU pediu direito de resposta e o grupo Prerrogativas pediu à PF que investigue Vorcaro por falso depoimento.
Menções a ministros do STF e a decisão de Fachin
As mensagens do celular de Vorcaro citam ministros do STF ou parentes deles. As mais divulgadas envolvem Alexandre de Moraes: um almoço organizado por Vorcaro para o ministro em dezembro de 2023 e o contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher dele (detalhes em Mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes). Também aparecem Nunes Marques, Toffoli, Luiz Fux, Gilmar Mendes e Mendonça. Os citados negam envolvimento indevido.
Em 2 de outubro de 2026, Fachin pediu ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que os fatos fossem esclarecidos "sem qualquer exceção de fato ou de pessoa". Os dois se reuniram em 13 de outubro. Em nota conjunta, o STF e a PF registraram o "dever" da polícia de encaminhar todas as menções, com contexto e "em caráter estritamente descritivo", e que "a eventual realização de atos de investigação de ministro depende de autorização do Plenário da Corte", ouvida a PGR de Paulo Gonet. A nota não nomeia os ministros. A PF fará a entrega do relatório em novembro, depois do segundo turno.
Políticos e empresários nas mensagens
As conversas divulgadas desde setembro de 2026 mostram a rede de relações do banqueiro. Os principais episódios, todos negados ou explicados pelos citados:
- Hugo Motta, presidente da Câmara: um empréstimo do Master a uma empresa da cunhada dele, a oferta de avião, helicóptero e casa durante a campanha à presidência da Câmara, em 2024, e um pedido para falar com Vorcaro antes de reunião no Banco Central sobre a venda ao BRB, em 19 de julho de 2025.
- Ciro Nogueira, senador (PP-PI): é investigado no STF; a PF atribui a Vorcaro o custo de R$ 1,85 milhão de uma viagem a Courchevel, na França, em janeiro de 2025.
- Flávio Bolsonaro, senador e candidato a presidente: cobrou de Vorcaro dinheiro para "Dark Horse", filme sobre Jair Bolsonaro, que recebeu ao menos US$ 12,3 milhões; a PF investiga o uso do dinheiro.
- Fábio Faria, ex-ministro: em abril de 2024, tentou com Vorcaro abrir um canal entre Elon Musk e Moraes, enquanto os dois discutiam revender internet da Starlink no Brasil.
- Lula recebeu Vorcaro no Planalto em 4 de dezembro de 2024, levado por Guido Mantega; antes, Alexandre Padilha jantou na casa do banqueiro, em outubro de 2024.
- Roberto Campos Neto convidou Vorcaro à casa dele em dezembro de 2023, quando presidia o BC; Gabriel Galípolo recebeu dele, em 2025, pedidos de "voto de confiança" e respondeu que pedisse audiência formal.
- Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, se reuniu com Vorcaro entre 2024 e 2025; o banqueiro diz que trataram da venda ao BRB, e Ibaneis nega.
- André Esteves: segundo um ex-diretor do BC, o BTG Pactual relatou ao Banco Central em dezembro de 2024 ter achado uma fraude de R$ 32 bilhões no Master.
- Fernando Haddad foi chamado por Vorcaro, em outubro de 2025, de "um dos meus maiores opositores".
- Newton Ramos, desembargador do TRF1, viajou a Buenos Aires em jatinho cedido por Vorcaro em novembro de 2024; a mulher dele tem contrato de até R$ 427 milhões com o Master.
- Michel Temer: o escritório do ex-presidente assinou com o Master, em 3 de setembro de 2025, um contrato de até R$ 30 milhões para atuar na tentativa de venda ao BRB, com R$ 10 milhões adiantados e R$ 20 milhões condicionados ao fechamento do negócio; segundo as mensagens, metade do adiantamento havia sido paga até 11 de novembro de 2025. Vorcaro também patrocinou o documentário "963 Dias", sobre Temer. Temer não respondeu.
- Empresários e mídia: Luciano Huck (patrocínio do Will Bank), Roberto Justus (aporte de R$ 143 milhões na SteelCorp) e uma campanha na imprensa contra o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho.
Pesquisa Datafolha de 18 de setembro de 2026 mostrou que 34% dos brasileiros acham que a maioria dos políticos envolvidos é de esquerda, e 27%, de direita.
CPMI e Congresso
Vorcaro foi convocado pela CPMI do INSS, por causa do crédito consignado a aposentados, e pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, mas Mendonça tornou o comparecimento facultativo em fevereiro de 2026 e ele não foi. O pedido de uma CPMI própria do Banco Master foi protocolado em 3 de fevereiro de 2026 com mais de 270 assinaturas; em 21 de maio, Alcolumbre recusou-se a ler o requerimento, alegando que a leitura é ato discricionário da Mesa. Em setembro, o senador Carlos Viana protocolou novo pedido de CPMI sobre INSS e Master e pediu que Alcolumbre se declare impedido.
O que acontece agora
A PF concentra três frentes: o inquérito-mãe sobre as fraudes na venda ao BRB, cuja conclusão ficou para depois das eleições; o inquérito sobre ex-servidores do Banco Central suspeitos de favorecer o Master, em que Galípolo depôs como testemunha em 6 de outubro; e o relatório sobre ministros, previsto para novembro. Um novo depoimento de Vorcaro à PF, o segundo no inquérito sobre o BRB, foi marcado para 15 de outubro de 2026, depois de dois adiamentos; a PF apura a compra de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito sem lastro e a suspeita de propina ao ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa em seis imóveis de luxo em Brasília e São Paulo. O pedido de liberdade aguarda definição de Fachin sobre qual ministro o julga.
Linha do tempo
- 6 de outubro de 1983: Nasce em Belo Horizonte.
- 2016: Compra participação no Banco Máxima.
- Outubro de 2019: O Banco Central aprova sua entrada no controle do Máxima, que em 2021 vira Banco Master.
- 28 de março de 2025: O BRB anuncia a compra de parte do Master.
- 3 de setembro de 2025: O Banco Central veta a operação.
- 17 de novembro de 2025: Vorcaro é preso em Guarulhos; no dia 18, o BC liquida o Master.
- 28 de novembro de 2025: O TRF1 o solta com medidas cautelares.
- 14 de janeiro de 2026: Segunda fase da Compliance Zero bloqueia R$ 5,7 bilhões.
- Fevereiro de 2026: Toffoli deixa a relatoria; Mendonça assume.
- 4 de março de 2026: Prisão preventiva por "A Turma".
- Maio e junho de 2026: PF e PGR rejeitam as propostas de delação; em 25 de junho, transferência para a Papudinha.
- Setembro de 2026: Fachin centraliza os processos do caso; mensagens do celular vêm a público.
- 30 de setembro de 2026: Vorcaro depõe à PF e nega "A Turma".
- 9 de outubro de 2026: Veja publica o relato sobre o Instituto Lula; a PF nega que o depoimento exista com aquele teor.
- 13 de outubro de 2026: Fachin orienta a PF a enviar todas as menções a ministros; investigação de ministro depende do Plenário.
- 14 de outubro de 2026: A PF passa para novembro a entrega do relatório sobre ministros.
Perguntas frequentes
Daniel Vorcaro está preso?
Sim. Está preso preventivamente desde 4 de março de 2026, na Papudinha, em Brasília. Votou no primeiro turno, em 4 de outubro, no Complexo da Papuda, porque preso provisório mantém os direitos políticos.
Vorcaro foi solto?
Foi solto uma vez, em 28 de novembro de 2025, pelo TRF1, depois da primeira prisão. Voltou a ser preso em março de 2026. A defesa pede a soltura desde setembro.
Qual a idade de Daniel Vorcaro?
Tem 43 anos; nasceu em 6 de outubro de 1983.
Qual a relação entre Vorcaro e Lula?
Lula o recebeu no Planalto em 4 de dezembro de 2024. Em outubro de 2026, a Veja atribuiu a Vorcaro o relato de pagamentos ligados a um filme sobre Lula; a PF disse que esse depoimento não existe com aquele teor, e o governo nega.
Qual a relação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro?
Flávio buscou com Vorcaro patrocínio para o filme "Dark Horse" e o visitou depois da primeira prisão. A PF investiga os repasses ao filme; Flávio nega irregularidade.
Daniel Vorcaro é casado?
Não há registro público de casamento atual. A influenciadora Martha Graeff é sua ex-noiva.
Qual é a fortuna de Daniel Vorcaro?
Não há número oficial. A Justiça bloqueou R$ 5,7 bilhões na segunda fase da Compliance Zero e mais de R$ 2 bilhões depois. Em mensagens, Zettel disse que ele "guardou R$ 20 bi no exterior", afirmação que não foi comprovada.
Vorcaro fez delação?
Não. As duas propostas foram rejeitadas pela PF e pela PGR em 2026; as negociações foram reabertas em agosto, sem acordo fechado até 15 de outubro.
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