Daniel Vorcaro é um empresário e banqueiro brasileiro envolvido em investigações de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master, que resultaram em sua prisão e na liquidação extrajudicial da instituição. Ele é alvo da "Operação Compliance Zero" da Polícia Federal, que apura desvio de recursos e uma suposta campanha de desinformação contra o Banco Central. Recentemente, mensagens de seu celular revelaram pagamentos a um resort ligado à família do ministro Dias Toffoli, que se afastou da relatoria do caso no STF, gerando questionamentos sobre a validade do processo. Vorcaro também é investigado pela CPI do INSS por problemas com crédito consignado, mas teve seu comparecimento desobrigado.
Daniel Vorcaro é um empresário e banqueiro brasileiro, conhecido por seu envolvimento com o Banco Master. Ele foi alvo de investigações relacionadas a possíveis irregularidades em transações financeiras, notadamente a operação entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília). Essas investigações levaram à sua prisão e geraram questionamentos sobre a atuação do Banco Central do Brasil no processo de liquidação do Banco Master. Recentemente, Vorcaro tornou-se figura central em uma investigação sobre uma suposta campanha coordenada de desinformação e ataques digitais contra o Banco Central, denominada internamente por intermediários como "Projeto DV". A Polícia Federal tem conduzido a "Operação Compliance Zero", que em sua primeira fase resultou na prisão de Vorcaro e na liquidação extrajudicial do Banco Master, e em uma segunda fase, focou em um suposto esquema de fraudes financeiras, incluindo a captação de dinheiro e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e parentes, com a prisão de seu cunhado, Fabiano Campos Zettel, e buscas em endereços de outros envolvidos, como Nelson Tanure e João Carlos Mansur. O ministro Dias Toffoli autorizou a segunda fase da operação, afastando especulações sobre a paralisação das investigações, mas posteriormente se afastou da relatoria de casos envolvendo o Banco Master após revelações sobre supostos pagamentos de Vorcaro a um resort ligado à sua família. Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro detalhou a crise de liquidez do Banco Master e a base de seu modelo de negócios no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de confirmar encontros com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, para discutir a venda da instituição ao BRB. Durante um desses depoimentos, Vorcaro pediu o "benefício da dúvida" aos investigadores e afirmou que não causou prejuízo financeiro a ninguém na operação de venda do Master para o BRB, além de negar qualquer intenção de fugir do país. Atualmente, a defesa de Vorcaro avalia pedir a nulidade do processo em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando violação da garantia do juiz natural após a troca de relator do caso. Ele também foi convocado para depor na CPI do INSS e na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, mas teve seu comparecimento à CPI desobrigado por decisão do ministro André Mendonça.
Contexto e histórico
A controvérsia em torno de Daniel Vorcaro e do Banco Master ganhou destaque com a investigação de uma transação envolvendo o BRB. A Polícia Federal iniciou uma apuração sobre possíveis fraudes, o que resultou na prisão de Vorcaro na primeira fase da "Operação Compliance Zero", em novembro, sendo solto dias depois. A liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o BRB no valor de R$ 12,2 bilhões, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegando a classificar o caso como a "maior fraude bancária" do país. A investigação aponta para a venda de títulos de crédito falsos e a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessas de retornos irreais, estimando as fraudes em até R$ 12 bilhões. A PF também investiga a venda de carteiras de crédito falsas do Master para o BRB, que pode ter causado um prejuízo ao banco público do governo do Distrito Federal acima de R$ 4 bilhões. O BRB, por sua vez, injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, com o Ministério Público vendo indícios de gestão fraudulenta nessas transferências, e mais de R$ 12 bilhões foram usados para comprar carteiras de crédito que não pertenciam ao Master e se provaram sem lastro. Em depoimento à PF, Vorcaro afirmou que o plano de negócio do Master era 100% baseado no FGC e que o banco atravessava uma crise de liquidez, mas que cumpriu todos os compromissos até 17 de novembro, atribuindo os problemas a mudanças nas regras do FGC e a uma campanha de reputação. Ele confirmou ter se encontrado com o governador Ibaneis Rocha entre 2024 e 2025 para discutir a venda do Banco Master ao BRB, embora Ibaneis negue ter tratado do assunto. Vorcaro também negou que estivesse fugindo ao ser preso no Aeroporto de Guarulhos, afirmando ter avisado o Banco Central sobre sua viagem a Dubai para negociar a venda do Master ao grupo Fictor. Em acareação com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra, Vorcaro afirmou que o Master não desembolsou nenhum real para adquirir uma carteira de créditos da empresa Tirreno, avaliada em R$ 6 bilhões, tratando-se de um registro contábil. Bezerra, por sua vez, admitiu que os valores não existiam fisicamente e que manter a operação visava evitar a falência da Tirreno e do Banco Master. Além disso, a segunda fase da operação apura o desvio de recursos do Master por meio de uma intrincada operação que fazia o dinheiro passar por diversos fundos até ser direcionado a laranjas que seriam ligados a Daniel Vorcaro. Há suspeitas de empréstimos milionários tomados por empresas com capital social baixo (apenas R$ 5 mil) que foram usados para comprar ativos podres e tiveram como destino final laranjas do esquema.
Paralelamente, a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master foi questionada, com debates sobre a precipitação da medida e a responsabilidade de diferentes diretorias da autoridade monetária nos pareceres que levaram à decisão. Em janeiro de 2026, surgiram denúncias de influenciadores digitais e políticos sobre propostas financeiras milionárias para criticar publicamente o Banco Central. Relatos indicam que contratos previam a produção de conteúdos sem checagem de fatos para desgastar a imagem da autoridade monetária após a liquidação do Master. A defesa de Vorcaro nega qualquer participação nessas ações e solicitou ao STF uma investigação para apurar a propagação de fake news e crimes contra a honra, alegando que o empresário é alvo de desinformação. A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro de 2026, aprofundou as investigações sobre o suposto esquema criminoso de fraudes financeiras, com foco na captação de dinheiro e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus familiares. Nesta fase, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e bloqueados R$ 5,7 bilhões em bens e valores. Uma empresária do Rio Grande do Sul, alvo de busca e apreensão, negou ligação com a fraude e suspeita de clonagem de seu CPF. Durante seu depoimento à Polícia Federal em 30 de dezembro de 2025, Daniel Vorcaro fez uma brincadeira com um investigador, afirmando que ele o estava tentando "pegar" desde 2019. Ele também pediu o "benefício da dúvida" e reiterou que não houve prejuízo financeiro a ninguém na operação de venda do Master para o BRB, além de negar veementemente a intenção de fugir do país.
Mais recentemente, mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal e divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo indicam que ele teria sido pressionado a realizar pagamentos ao resort Tayayá, que possui ligações com uma empresa da família do ministro Dias Toffoli. Os diálogos com seu cunhado, Fabiano Zettel, revelam que Vorcaro autorizou repasses que somaram R$ 35 milhões ao empreendimento. Estas conversas constam em relatório encaminhado pela PF ao STF e reforçaram a pressão para que Toffoli deixasse a relatoria de casos envolvendo o Banco Master, o que ocorreu a pedido do próprio ministro. O conteúdo das mensagens está sob análise da Procuradoria-Geral da República. Toffoli, por sua vez, reconheceu ser sócio da empresa Maridt, que teve participação no Tayayá, mas negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou Zettel, afirmando que a participação societária no empreendimento foi encerrada antes de ele receber a relatoria da ação no STF. O caso chegou ao STF após a defesa de Vorcaro argumentar que um material apreendido durante a investigação citava um deputado federal, o que levou Toffoli a ser definido como relator por sorteio e a determinar que todos os inquéritos relacionados ao banco fossem enviados ao seu gabinete. A atuação de Toffoli como relator foi criticada por parlamentares da oposição, especialmente após revelações de que ele viajou com um advogado de um dos executivos do Master investigados e de que seus irmãos venderam participação no resort Tayayá para um fundo administrado por Fabiano Zettel. Reportagens também indicaram que Zettel está por trás de uma teia de fundos de investimentos administrados pela Reag, gestora que também é investigada por suspeita de fraudes envolvendo o Master. Após a saída de Toffoli da relatoria, o ministro André Mendonça assumiu o caso por sorteio. A defesa de Vorcaro, contudo, avalia pedir a nulidade do processo, argumentando que a troca de relator ocorreu sem que Toffoli se declarasse formalmente suspeito ou impedido, o que configuraria uma violação da garantia do juiz natural.
Investigações da CPI do INSS
Daniel Vorcaro e o Banco Master também se tornaram alvo de investigação da CPI do INSS, devido ao alto número de reclamações de consumidores, especialmente relacionadas a problemas com crédito consignado para aposentados. A CPI aprovou a convocação de Vorcaro para depor, bem como a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telemático, buscando esclarecer o papel do Banco Master em irregularidades e possíveis prejuízos a beneficiários do INSS. No entanto, o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, desobrigou o comparecimento de Vorcaro à Comissão, o que levou sua defesa a comunicar que ele não comparecerá para o depoimento agendado. Mendonça também desautorizou o uso de avião particular para o deslocamento do banqueiro, que cumpre prisão domiciliar em Belo Horizonte. Apesar da decisão, Vorcaro ainda é esperado para uma sessão na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, embora não tenha confirmado sua presença.
Linha do tempo
Maio de 2024: Daniel Vorcaro cobra Fabiano Zettel sobre um aporte relacionado ao empreendimento Tayayá, indicando uma solicitação de R$ 15 milhões, que Vorcaro autoriza o pagamento. Zettel informa que já haviam sido pagos R$ 20 milhões anteriormente ao fundo dono do Tayayá.
Agosto de 2024: Vorcaro questiona Zettel sobre o andamento de pagamentos ao Tayayá, após o valor ter sido transferido a um intermediário, gerando um "problema" para o banqueiro.
Novembro de 2025: Primeira fase da "Operação Compliance Zero" resulta na prisão de Daniel Vorcaro no Aeroporto de Guarulhos e na liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central. Dias depois, Vorcaro é solto pela Justiça.
30 de dezembro de 2025: Daniel Vorcaro presta depoimento à Polícia Federal, detalhando a crise de liquidez do Banco Master, o modelo de negócios baseado no FGC e os encontros com o governador Ibaneis Rocha para discutir a venda do Master ao BRB. Durante este depoimento, Vorcaro fez uma brincadeira com um investigador da PF, dizendo que ele o estava tentando "pegar" desde 2019, e pediu o "benefício da dúvida" na análise do caso, afirmando que não deu prejuízo financeiro a ninguém na operação de venda do Master para o BRB. Ele também negou a intenção de fugir do país. No mesmo dia, ocorre acareação entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Bezerra, ex-presidente do BRB, sobre a transação com a empresa Tirreno.
24 de dezembro de 2025: Convocação de Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, para acareação com Daniel Vorcaro, intensificando a pressão sobre o BC em relação à liquidação do Banco Master.
6 de janeiro de 2026: O vereador Rony Gabriel (PL-RS) revela ter recusado uma proposta milionária para participar de uma campanha contra o Banco Central, mencionando o "Projeto DV".
9 de janeiro de 2026: A defesa de Daniel Vorcaro envia documento ao STF negando envolvimento em ataques ao BC e pede investigação sobre influenciadores e disseminação de fake news. No mesmo período, influenciadores relatam à imprensa o recebimento de valores para postagens críticas à autoridade monetária.
14 de janeiro de 2026: Segunda fase da "Operação Compliance Zero" é deflagrada, com cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão e medidas de sequestro e bloqueio de bens, totalizando R$ 5,7 bilhões em bens e valores bloqueados. Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, é preso no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai, sendo solto após a apreensão de seu celular. Mandados também são cumpridos em endereços de Vorcaro, seus pais, irmã, outros parentes, Nelson Tanure e João Carlos Mansur. Uma empresária de Rosário do Sul (RS) também é alvo de busca e apreensão, negando envolvimento e suspeitando de clonagem de CPF. O ministro Dias Toffoli autoriza a operação e marca uma acareação entre Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
24 de janeiro de 2026: Notícias revelam detalhes do depoimento de Daniel Vorcaro à PF e da acareação com Paulo Henrique Bezerra, ex-presidente do BRB.
30 de janeiro de 2026: É divulgado que, durante seu depoimento de 30 de dezembro de 2025, Daniel Vorcaro fez uma brincadeira com um investigador da PF, afirmando que ele o estava tentando "pegar" desde 2019, e pediu o "benefício da dúvida" na análise do caso, reiterando que não houve prejuízo financeiro a ninguém na operação de venda do Master para o BRB, além de negar a intenção de fugir do país.
14 de fevereiro de 2026: O jornal O Estado de S. Paulo publica reportagem revelando mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, indicando que ele teria autorizado pagamentos de R$ 35 milhões ao resort Tayayá, ligado à família do ministro Dias Toffoli. Toffoli, então, se afasta da relatoria de casos envolvendo o Banco Master no STF, e o ministro André Mendonça assume o caso por sorteio.
16 de fevereiro de 2026: A defesa de Daniel Vorcaro avalia pedir a nulidade do processo no STF, argumentando violação da garantia do juiz natural após a saída de Dias Toffoli da relatoria sem que ele se declarasse formalmente suspeito ou impedido.
20 de fevereiro de 2026: A defesa de Daniel Vorcaro comunica à CPI do INSS que o banqueiro não comparecerá ao depoimento agendado para o dia 23, após o ministro André Mendonça desobrigar seu comparecimento e desautorizar o uso de avião particular para o deslocamento.
Principais atores
Daniel Vorcaro: Empresário e banqueiro, envolvido nas investigações sobre o Banco Master e citado em denúncias sobre campanhas de desinformação. Foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero e solto dias depois. Em depoimento à PF, detalhou a crise de liquidez do Master e o modelo de negócios baseado no FGC, além de confirmar encontros com Ibaneis Rocha. Durante seu depoimento em 30 de dezembro de 2025, pediu o "benefício da dúvida" aos investigadores, afirmou que não causou prejuízo financeiro a ninguém na operação de venda do Master ao BRB e negou a intenção de fugir do país, fazendo uma brincadeira com um investigador da PF sobre este tentar "pegá-lo" desde 2019. Mensagens de seu celular revelaram supostos pagamentos ao resort Tayayá. Sua defesa avalia pedir a nulidade do processo no STF após a troca de relator. Teve seu comparecimento à CPI do INSS desobrigado por decisão do ministro André Mendonça.
Banco Master: Instituição financeira cujas transações e liquidação estão sob escrutínio, sendo alvo de investigações por supostas fraudes financeiras. Segundo Vorcaro, seu plano de negócios era 100% baseado no FGC e enfrentava crise de liquidez. Também está sob investigação da CPI do INSS devido a reclamações sobre crédito consignado para aposentados.
BRB (Banco de Brasília): Banco envolvido na transação investigada com o Banco Master, com um prejuízo estimado em mais de R$ 4 bilhões devido à venda de carteiras de crédito falsas. Injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025.
Banco Central do Brasil (BC): Autoridade monetária responsável pela fiscalização e liquidação de instituições financeiras, alvo de supostos ataques coordenados nas redes sociais. Vetou a venda do Master ao BRB em setembro de 2025.
Ailton Aquino: Diretor de Fiscalização do Banco Central, convocado para acareação.
Renato Gomes: Ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, responsável pela negativa da operação Master-BRB à época.
Polícia Federal (PF): Órgão responsável pela investigação que levou à prisão de Vorcaro e que apura a possível ação coordenada contra o BC, conduzindo a "Operação Compliance Zero". Recebeu o depoimento de Daniel Vorcaro sobre a crise do Master e seus encontros com Ibaneis Rocha, no qual o banqueiro fez uma brincadeira com um de seus investigadores. Extraiu mensagens do celular de Vorcaro que indicam pagamentos ao resort Tayayá.
Dias Toffoli: Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), relator inicial do tema e responsável por autorizar os mandados da Operação Compliance Zero. Marcou uma acareação entre Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Afastou-se da relatoria de casos envolvendo o Banco Master após revelações sobre o resort Tayayá, que teve participação de uma empresa de sua família, e sobre viagens com advogados de executivos do Master. Negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou Zettel. Sua saída da relatoria sem declaração formal de suspeição é questionada pela defesa de Vorcaro.
André Mendonça: Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que assumiu a relatoria do processo envolvendo o Banco Master por sorteio, após o afastamento de Dias Toffoli. Desobrigou o comparecimento de Daniel Vorcaro à CPI do INSS e desautorizou o uso de avião particular para seu deslocamento.
Jhonatan de Jesus: Ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), que emitiu parecer pedindo explicações ao BC.
Rony Gabriel: Vereador do PL-RS que denunciou oferta de contrato milionário para atacar o Banco Central.
Thiago Miranda: Dono da Agência MiThi, apontado por influenciadores como intermediário de pagamentos para críticas ao BC.
Fabiano Campos Zettel: Cunhado de Daniel Vorcaro, empresário, pastor evangélico e fundador da Moriah Asset. Foi preso na segunda fase da Operação Compliance Zero ao tentar embarcar para Dubai, tendo seu celular apreendido. Atuaria como operador de Vorcaro em repasses ao resort Tayayá. Está ligado a uma teia de fundos de investimentos administrados pela Reag, gestora que também é investigada por suspeita de fraudes envolvendo o Master.
Nelson Tanure: Empresário e um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, tendo seu celular apreendido.
João Carlos Mansur: Investidor e ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, também alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero.
Paulo Henrique Bezerra (ou Costa): Ex-presidente do BRB, com quem Daniel Vorcaro teve uma acareação. Admitiu que os valores da transação com a Tirreno não existiam fisicamente.
Ibaneis Rocha: Governador do Distrito Federal (MDB). Confirmou reuniões com Daniel Vorcaro, mas negou ter tratado da venda do Master ao BRB.
Empresária de Rosário do Sul (RS): Alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, que nega ligação com o esquema e suspeita de clonagem de CPF.
Resort Tayayá: Empreendimento localizado em Ribeirão Claro (PR), para o qual Daniel Vorcaro teria autorizado pagamentos de R$ 35 milhões, e que possui ligações com uma empresa da família do ministro Dias Toffoli. A venda de participação acionária no resort por irmãos de Toffoli para um fundo administrado por Fabiano Zettel gerou controvérsia.
Reag Investimentos: Gestora de fundos de investimentos investigada por suspeita de fraudes envolvendo o Banco Master, à qual Fabiano Zettel está ligado.
CPI do INSS: Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga irregularidades em empréstimos consignados e outros produtos financeiros oferecidos a aposentados e pensionistas do INSS, e que convocou Daniel Vorcaro para depor.
Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado: Comissão do Senado Federal onde Daniel Vorcaro ainda é esperado para depor.
Termos importantes
Acareação: Confronto entre duas ou mais pessoas que prestaram depoimentos contraditórios, a fim de esclarecer os fatos. No caso, foi marcada uma acareação entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, e outra já ocorreu entre Vorcaro e Paulo Henrique Bezerra.
Liquidação: Processo pelo qual uma instituição financeira é encerrada, geralmente por insolvência ou irregularidades, sob supervisão do Banco Central.
Operação Compliance Zero: Operação da Polícia Federal que investiga supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, com fases distintas de prisões e buscas, incluindo o desvio de recursos por meio de fundos para laranjas. A segunda fase resultou no bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores.
Projeto DV: Nome atribuído em minutas de contrato a uma suposta campanha de comunicação estratégica e ataques digitais que visariam a defesa dos interesses de Daniel Vorcaro.
Diretoria de Fiscalização: Área do Banco Central responsável por supervisionar as instituições financeiras e identificar irregularidades.
Diretoria de Organização do Sistema Financeiro: Área do Banco Central responsável por autorizar ou negar operações e reestruturações no sistema financeiro.
CDBs irreais: Certificados de Depósito Bancário emitidos com promessas de retornos financeiros muito acima da realidade do mercado, indicando possível fraude.
Ativos podres: Termo usado para descrever ativos financeiros de baixo valor ou de difícil recuperação, frequentemente associados a esquemas de fraude para desviar recursos.
Fundo Garantidor de Créditos (FGC): Mecanismo de proteção que garante aos clientes de instituições financeiras o reembolso de depósitos e investimentos até um certo limite em caso de intervenção ou liquidação da instituição. Segundo Daniel Vorcaro, o modelo de negócios do Banco Master era 100% baseado no FGC.
Procuradoria-Geral da República (PGR): Órgão responsável por defender a ordem jurídica, o regime democrático e os interesses sociais e individuais indisponíveis, e que está analisando o conteúdo das mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro.
Garantia do Juiz Natural: Princípio constitucional que assegura que ninguém será processado ou sentenciado senão pela autoridade competente, previamente estabelecida por lei, e que não haverá juízo ou tribunal de exceção. A defesa de Daniel Vorcaro alega violação deste princípio após a troca de relator no STF sem declaração formal de suspeição.
Crédito Consignado: Tipo de empréstimo em que as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento ou benefício do tomador, comum entre aposentados e pensionistas do INSS.