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Mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes

O relatório da Polícia Federal, tornado público em 2026, detalha mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, revelando pedidos de influência em investigações da Operação Compliance Zero. O material levanta questões sobre a relação entre o magistrado e o banqueiro, incluindo contratos milionários com o escritório da esposa do ministro. Atualmente, o caso aguarda deliberação do plenário do STF para decidir sobre a abertura de uma investigação formal.

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O que são as mensagens entre Vorcaro e Moraes

São diálogos extraídos pela Polícia Federal de um celular apreendido com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero. Em 1º de setembro de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso, retirou o sigilo de um relatório policial de 218 páginas que reconstrói a relação entre Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

O relatório foi entregue a Mendonça em 27 de agosto de 2026, em resposta a um despacho de 24 de agosto que determinou à PF identificar os interlocutores das mensagens do banqueiro. Segundo a manifestação da Procuradoria-Geral da República, cerca de 190 das 218 páginas tratam de Moraes.

O material reúne mensagens, registros de encontros, minutas de contratos e metadados. O núcleo é uma sequência de mensagens enviadas por Vorcaro entre 30 de outubro e 17 de novembro de 2025 — os treze dias que antecederam sua primeira prisão — em que ele pede ao ministro informações sobre investigações em curso e intervenção junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A retirada do sigilo não abriu investigação formal contra Moraes. Pelo regimento interno do STF, cabe ao plenário da Corte autorizar a investigação de um de seus integrantes.

O que dizem as mensagens

As mensagens abaixo foram enviadas por Vorcaro e reproduzidas no relatório da PF. As respostas do interlocutor não foram recuperadas.

30 de outubro de 2025 — primeiro pedido explícito. Vorcaro relata ter obtido "informações informais e em confidência de turma do banco central" de que "G e os diretores estão na pressão máxima de novo pra uma medida". A PF entende que "G" é uma referência a Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Na sequência:

"É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco. Estou disponível pra tratar e explicar qq coisa, só não pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que farão algo em breve."

Segundo o relatório, o banqueiro chegou a repassar ao interlocutor uma relação de quatro delegados e três procuradores da República encarregados das apurações preliminares. No mesmo dia, cerca de vinte minutos depois, escreveu:

"Tudo de importante fica no seu colo! Impressionante! Mas seu legado pro Brasil será eterno. Tenho muito orgulho e tenho certeza que cada vez mais se consolidará como a pessoa mais importante do país."

4 de novembro de 2025 — Vorcaro pergunta sobre a natureza das medidas judiciais que julgava iminentes: "médio a grave seria busca ou quebra de sigilo?" e "Mas pedido deferido por parte deles? Algo que dê pra bloquear?". Às 23h44:

"Pelo amor de Deus, veja se você consegue bloquear toda maldade. Como eu disse, não temos nada, nem o Banco Central abriu sequer um processo administrativo, e eles me auditam todos os dias. (…) Se puder, me deixe uma mensagem após falar com ele."

5 de novembro de 2025 — "Como estamos aí? Conseguimos bloquear a maldade e sacanagem?". No mesmo período, o banqueiro submete ao interlocutor a estratégia de seus advogados, os criminalistas Pierpaolo Cruz Bottini e Roberto Podval: "Não vou fazer nenhum movimento que você não achar produtivo."

15 de novembro de 2025, sábado, dois dias antes da prisão:

"Que loucura, bem na semana em que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galipolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?"

E, em outro trecho do mesmo dia: "Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?". O "juiz Ricardo" é Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, que viria a assinar o mandado de prisão.

16 de novembro de 2025, véspera da prisão. Às 16h57, Vorcaro pede que o interlocutor tente convencer o diretor-geral da PF a adiar as medidas:

"Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível."

Também nesse dia: "Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?" e "Ele tá sabendo das soluções? E quer antecipar pra não deixar acontecer? Qual sua leitura? O que tá havendo? E com Andrei dá pra segurar?". Na madrugada, o banqueiro marcou um encontro presencial: "Às 14h, então. Passo na sua casa ou prefere na minha?".

17 de novembro de 2025, dia da prisão — "Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?". Horas depois, Vorcaro foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Dubai.

Na avaliação dos investigadores, o teor e a cronologia das mensagens sustentam a hipótese de que o banqueiro recebia informações sobre o andamento da Operação Compliance Zero, incluindo datas e horários de diligências planejadas.

Como as mensagens foram enviadas e recuperadas

Vorcaro não digitava os textos no aplicativo de mensagens. Ele os escrevia no aplicativo de notas do celular, fotografava a tela e enviava a imagem pelo WhatsApp no modo de visualização única, que apaga o conteúdo após a abertura. O contato tinha ainda a função de mensagens temporárias de 24 horas ativada desde 17 de setembro de 2025.

A perícia contornou o apagamento cruzando três rastros que permaneceram no aparelho: o conteúdo do bloco de notas, as capturas de tela armazenadas e o registro de uso do aplicativo de mensagens imediatamente depois de cada captura. Com esse cruzamento, os investigadores reconstruíram o texto enviado e o destinatário.

O destinatário foi identificado como um contato salvo na agenda de Vorcaro sob o nome "Alexandre de Moraes BRASILIA". Segundo a PF, esse contato foi gravado em 26 de dezembro de 2023, treze segundos depois de o ex-ministro Fábio Faria compartilhar com o banqueiro quatro contatos vinculados ao mesmo número de telefone: "Alexandre de Moraes BRASILIA", "Novo", "STF TSE NOVO" e "Eu STF".

Há um limite importante nessa reconstrução: apenas o lado enviado por Vorcaro foi recuperado. O relatório registra que houve respostas e que o interlocutor usava o mesmo método, mas o celular de Alexandre de Moraes não foi objeto de perícia. Não se conhece, portanto, o conteúdo do que o ministro respondeu.

Os encontros entre Vorcaro e Moraes

O relatório da PF identifica ao menos seis encontros presenciais entre o banqueiro e o ministro, articulados em boa parte pelo ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, que nas conversas se refere a Moraes pelo apelido "Careca".

  • 30 de dezembro de 2023 — almoço no Hotel Six Senses Botanique, em Campos do Jordão (SP), organizado em poucos dias a pedido de Faria. As mensagens registram a logística: "São 9 pessoas e 4 seguranças".
  • 2 de fevereiro de 2024 — jantar de casais na residência de Faria, em Brasília. Segundo o relatório, o encontro foi pedido pelo próprio ministro e transferido para a casa do ex-ministro.
  • Março de 2024 — convidado para um novo encontro, o interlocutor responde que tinha jantar marcado, mas que daria tempo "de tomar um whisky".
  • Julho e novembro de 2024, fevereiro, março e abril de 2025 — outros registros. Em 15 de novembro de 2024, Vorcaro escreve à filha que estava "com alexandre moraes". Em outra data, um motorista do banqueiro avisa que "o Min Alexandre chegou" a uma residência no Lago Sul, em Brasília. Em 29 de abril de 2025, ao ser perguntado pela namorada como estava o dia, responde que estava com "Alexandre".

Em novembro de 2024, ao repassar o endereço da residência do banqueiro a "Alex", Faria acrescentou que depois apagaria as informações.

Segundo a revista piauí, três fontes afirmam que Moraes e Vorcaro não se conheciam antes de Faria os apresentar. Faria e o banqueiro haviam se conhecido em outubro de 2023, em um evento do instituto Esfera Brasil em Paris. Procurado pelo Valor Econômico, Fábio Faria afirmou que "sugeriu o escritório Barci de Moraes para atuação em um caso na Justiça de São Paulo" e que não se reuniu com a banca nem soube dos valores contratados. Ele não é alvo da investigação.

Os contratos com o escritório Barci de Moraes

O relatório detalha dois documentos entre empresas de Vorcaro e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, cuja sócia-diretora é Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

Contrato de R$ 131 milhões. Assinado em janeiro de 2024, com vigência de três anos e parcelas mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões, com pagamento previsto até o quinto dia útil de cada mês. As parcelas de fevereiro e março daquele ano atrasaram. Em 15 de março de 2024, Fábio Faria alertou o banqueiro: "O careca não pode atrasar". Vorcaro determinou o pagamento imediato à equipe, classificando o compromisso como "o pgto mais importante que temos" e instruindo "pode pagar sempre, sem nota" e "do jeito que for". Em seguida, o relatório registra uma transferência do Banco Master ao escritório no valor de R$ 3.422.200. Em abril de 2025, o banqueiro pediu que o acesso interno ao contrato fosse restringido para evitar vazamentos. Registros da Receita Federal indicam que o escritório recebeu R$ 80,2 milhões até a liquidação do banco.

Os metadados. A PF examinou os metadados de uma minuta do contrato encontrada no celular de Vorcaro e identificou que o último usuário a modificar o arquivo antes da assinatura aparece registrado como "Ministro Alexandre de Moraes".

Proposta de R$ 50 milhões. Datada de maio de 2025, entre a Viking Participações, de Vorcaro, e o escritório. A cláusula de pagamento previa a quitação de R$ 40 milhões por meio de participações em empresas proprietárias de um jato Legacy 650 e de um helicóptero Airbus EC 155 B1, com o restante destinado a despesas operacionais. Não há registro em São Paulo de transferência definitiva da propriedade das aeronaves.

Em nota, o escritório afirmou que seu setor de compliance consultou Alexandre de Moraes, "na condição de marido da sócia-diretora", sobre a existência de impedimentos legais à contratação — como ações sob sua relatoria no STF — e que, "diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados".

Os cartões de crédito para os filhos de Moraes

Em 2 de outubro de 2025, quinze dias antes da prisão de Vorcaro, o administrador do escritório Barci de Moraes, Guilherme de Toledo Benazzi, procurou o banqueiro para tratar da emissão de cartões de crédito do Banco Master para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro. Vorcaro encaminhou o contato de Adriana Solano, então superintendente executiva comercial do banco.

No mesmo dia, às 14h05, Solano perguntou ao banqueiro: "O Guilherme que trabalha com a dra Viviane me ligou para emitir cartão para os filhos dela… limite de 300 pra cada… posso seguir?". Vorcaro respondeu "Ok".

Ao Estadão, o escritório Barci de Moraes confirmou que os cartões foram oferecidos pelo Master, mas afirmou que "jamais foram usados por qualquer advogado ou pessoa do escritório".

Pedidos de alteração em reportagens

O relatório reúne dois episódios em que Vorcaro transmitiu a veículos jornalísticos pedidos atribuídos a Moraes, ambos ligados a um evento organizado pelo banqueiro em Londres em abril de 2024.

Em 25 de abril de 2024, às 16h40, Vorcaro enviou a Fábio Faria o link da reportagem "Moraes fala sobre regular as Big Techs — e os riscos da IA", publicada pelo Brazil Journal, e pediu que verificasse com o ministro se ele queria alterar ou acrescentar algo. Diante da demora, insistiu: "Fala para ele olhar agora" e "importante ele alterar o que quer rápido", acrescentando que "temos que usar o Brazil Journal para conscientizar todos não só do evento como dos temas". Às 17h13, Faria encaminhou uma resposta atribuída ao ministro: "Está bom. Pode liberar".

No dia seguinte, 26 de abril, Vorcaro escreveu a um contato salvo como "Geraldo Brazil Journal" que Moraes havia pedido a inclusão, no texto, da informação de que os três ministros do STF haviam se reunido em caráter privado com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. A informação foi publicada pelo veículo no mesmo dia.

O fórum jurídico de Londres

O 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias foi realizado em Londres, em abril de 2024, no hotel The Peninsula, organizado pelo Grupo Voto e patrocinado pelo Banco Master. Participaram como palestrantes os ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além de integrantes do STJ e do governo federal.

Segundo o relatório, mensagens indicam que Moraes sugeriu palestrantes, aprovou textos, orientou a estrutura do encontro e vetou convidados. Uma integrante da organização afirmou ter seguido as recomendações enviadas pelo ministro. Os registros apontam ainda que ele reclamou do destaque dado ao governador Tarcísio de Freitas e da eventual participação de Antonio Rueda, presidente da federação União Brasil-PP. Em diálogo de 18 de abril de 2024, Fábio Faria e Vorcaro discutem a exclusão de um participante, e o banqueiro atribui a decisão ao ministro.

As menções a Paulo Gonet e Andrei Rodrigues

O relatório cita o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, mas não atribui prática criminosa a nenhum dos dois, e não há investigação formal aberta contra eles no contexto da operação.

A PF informou não ter encontrado no celular de Vorcaro um contato salvo com o nome de Paulo Gonet. As referências ao procurador-geral aparecem sobretudo em conversas entre o banqueiro e o advogado Ciro Soares, que atuava como intermediário. Em 29 de março de 2025, Soares escreveu a Vorcaro: "Gonet perguntou se o filho dele pode ir com a gente para Londres". O banqueiro respondeu: "Óbvio né". Segundo o relatório, Vorcaro autorizou o custeio das despesas de Pedro Gonet, filho do procurador-geral, e do próprio Ciro Soares para o evento em Londres. Há ainda mensagens em que Gonet pede a Soares que transmita cumprimentos pessoais ao banqueiro.

Em outro conjunto de diálogos, de 19 de março de 2025, Vorcaro afirma ao ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza que estava com Moraes e que o ministro "vai chamar o Paulo pra dar um aperto".

Quanto a Andrei Rodrigues, os pedidos de Vorcaro para que fosse "sensibilizado" partem do próprio banqueiro. Não há, no material tornado público, indicação de que o diretor-geral da PF ou o procurador-geral tenham realizado qualquer das intervenções solicitadas.

Como o caso chegou ao plenário do STF

Em 24 de agosto de 2026, André Mendonça determinou que a Polícia Federal identificasse os destinatários e demais pessoas mencionadas nas mensagens de Vorcaro, incluindo eventuais autoridades com foro por prerrogativa de função. O despacho se apoiava na hipótese, levantada pela própria PF, de que o banqueiro teria montado uma "rede de monitoramento e influência, com potencial infiltração nas mais elevadas instâncias de diversas instituições da República".

A PF entregou o relatório em 27 de agosto. Mendonça determinou o desentranhamento do material dos autos originais (PET 15.556) e sua autuação como processo autônomo, a Petição 16.662. Em 30 de agosto, comunicou o teor da decisão ao presidente do STF, Edson Fachin. Em 1º de setembro, abriu vista à PGR pelo prazo de cinco dias e levantou o sigilo dos autos, invocando a publicidade dos atos judiciais prevista nos artigos 5º, LX, e 93, IX, da Constituição.

Na mesma decisão, o relator afirmou que, "independentemente de qual venha a ser a manifestação exarada pela douta Procuradoria-Geral da República, o caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal". Determinou que a deliberação ocorra "de forma pública e transparente, em sessão presencial do Colegiado", em data a ser definida por Fachin. Até o momento, a sessão não foi pautada.

Caberá ao plenário decidir se autoriza a abertura de investigação formal, se determina novas diligências ou se arquiva o material.

O pedido de nulidade da PGR

Na noite de 1º de setembro de 2026, Paulo Gonet apresentou manifestação de oito páginas pedindo a nulidade da ordem de Mendonça, a invalidação do relatório dela decorrente e a extinção da Petição 16.662.

O procurador-geral sustenta uma "dupla nulidade". A primeira: um magistrado não pode determinar, sem provocação do Ministério Público ou iniciativa da autoridade policial, a investigação de pessoas específicas. "Ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais", escreveu. A segunda: a investigação de um ministro do STF depende de autorização prévia do plenário da Corte, e Mendonça deveria ter encaminhado a questão ao presidente do tribunal.

Gonet argumenta ainda que o relator sabia, ao dar a ordem em 24 de agosto, que entre as pessoas mencionadas havia autoridades com foro por prerrogativa de função, incluindo Moraes: "Não poderia deixar de o saber". E que o resultado prático foi uma investigação sobre um colega de Corte, ocupando quase 190 das 218 páginas do relatório policial.

A manifestação não discute o conteúdo das mensagens, apenas o rito. Gonet é ele próprio citado no relatório.

O que dizem os citados

Alexandre de Moraes não se manifestou publicamente sobre o relatório tornado público em 1º de setembro de 2026. Em março de 2026, ao comentar outro conjunto de mensagens atribuído a ele, o ministro afirmou não ter recebido os conteúdos divulgados e classificou a associação de seu nome aos diálogos como uma "ilação mentirosa" destinada a atacar o Supremo.

Escritório Barci de Moraes afirma que não houve irregularidade nem conflito de interesses, que o compliance consultou previamente o ministro sobre impedimentos e que Moraes nunca julgou causa envolvendo o Banco Master. Sobre os cartões, diz que foram oferecidos pelo banco e nunca utilizados.

Procuradoria-Geral da República sustenta que a ordem e o relatório são nulos e pede a extinção do processo.

Fábio Faria afirma ter apenas sugerido o escritório para um caso na Justiça de São Paulo, sem conhecer os valores contratados.

Defesa de Daniel Vorcaro informou que não vai se posicionar.

Andrei Rodrigues e Paulo Gonet não se manifestaram sobre as menções feitas por Vorcaro nas mensagens.

Repercussão

A divulgação provocou reação imediata no Congresso e na campanha presidencial de 2026. Senadores e deputados da oposição protocolaram novos pedidos de impeachment contra Moraes — o caso é o 54º pedido apresentado especificamente contra o ministro, entre os 109 que tramitam no Senado contra integrantes do STF. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, classificou o volume como fora do normal, evitou comentar o conteúdo das mensagens e sinalizou a aliados que não pretende pautar o processo.

A oposição também protocolou notícia-crime na PGR pedindo a investigação de Moraes e de Andrei Rodrigues, e enviou ofício a Fachin. O senador Carlos Viana apresentou requerimento para convocar o ministro a prestar esclarecimentos no plenário do Senado.

Entre os presidenciáveis, Flávio Bolsonaro defendeu a renúncia do ministro; Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos também se manifestaram. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, classificou o caso como grave e afirmou que as relações do senador Flávio Bolsonaro com Vorcaro igualmente precisam ser investigadas.

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil divulgou nota exigindo apuração rigorosa e isenta, com observância do devido processo legal, da ampla defesa e da presunção de inocência.

Entre juristas, o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr. avaliou que os diálogos revelam "uma promiscuidade entre poderosos e o poder" e podem configurar advocacia administrativa. O jurista e ex-desembargador Walter Maierovitch levantou a hipótese de afastamento cautelar do ministro enquanto os fatos são apurados.

Dentro do STF, a divulgação abriu disputa sobre a validade da prova e sobre a condução do caso. Uma ala próxima a Moraes avalia que o relatório pode ser declarado nulo por ter sido produzido sem autorização prévia do plenário; interlocutores de Mendonça sustentam que a PF apenas identificou o destinatário de mensagens já existentes nos autos, o que não configuraria ato de investigação.

O contexto: Operação Compliance Zero

A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para apurar suspeitas de fraude em operações de cessão de carteiras de crédito entre o Banco Master e o BRB, estimadas em cerca de R$ 12 bilhões. As investigações apontam emissão de títulos de crédito sem lastro real, manipulação de ativos e uso de documentos falsos para inflar artificialmente o valuation da instituição.

Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar para Dubai. O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central dias depois, em novembro de 2025, gerando rombo bilionário ao Fundo Garantidor de Créditos. A operação chegou a dez fases, e André Mendonça é o relator no STF.

O que ainda não se sabe

Três limites do material tornado público em 1º de setembro de 2026:

  1. Não se conhece o lado de Moraes. A perícia recuperou apenas as mensagens enviadas por Vorcaro. O relatório registra que houve respostas, mas o celular do ministro não foi periciado e o conteúdo delas permanece desconhecido.
  2. Não há demonstração de que os pedidos foram atendidos. Os documentos não indicam que Andrei Rodrigues ou Paulo Gonet tenham realizado qualquer das intervenções solicitadas pelo banqueiro.
  3. A validade da prova está em disputa. Se o plenário do STF acolher o pedido de nulidade da PGR, o relatório e os elementos dele derivados perdem valor para embasar atos processuais, independentemente do que digam as mensagens.

Parte das mensagens é atribuída diretamente ao ministro pela PF; em outros trechos, a corporação afirma apenas suspeitar que ele seria o interlocutor.

Perguntas frequentes

O que Vorcaro pediu a Alexandre de Moraes? Que intercedesse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter ou adiar medidas contra o Banco Master; e informações sobre o andamento das investigações, incluindo se deveria deixar o país.

Alexandre de Moraes respondeu às mensagens? Segundo o relatório, sim, usando o mesmo método de visualização única. O conteúdo das respostas não foi recuperado porque o celular do ministro não foi periciado.

Como a PF conseguiu ler mensagens de visualização única? Cruzando o bloco de notas onde os textos eram escritos, as capturas de tela armazenadas no aparelho e o registro de uso do aplicativo de mensagens logo após cada captura.

Alexandre de Moraes está sendo investigado? Não formalmente. A retirada do sigilo não abre inquérito. Cabe ao plenário do STF decidir se autoriza a investigação, e a data da sessão ainda não foi definida.

Qual é o valor do contrato entre o Banco Master e o escritório da mulher de Moraes? R$ 131 milhões, assinado em janeiro de 2024, com parcelas mensais de cerca de R$ 3,6 milhões. Foram pagos R$ 80,2 milhões até a liquidação do banco. Há ainda uma proposta posterior, de R$ 50 milhões, cujo pagamento seria feito em parte com cotas de aeronaves.

Quem apresentou Vorcaro a Alexandre de Moraes? Segundo a revista piauí e o relatório da PF, o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, que compartilhou o contato do ministro com o banqueiro em 26 de dezembro de 2023 e articulou os primeiros encontros.

Quem é o relator do caso? O ministro André Mendonça, do STF, relator dos procedimentos derivados da Operação Compliance Zero. O processo específico sobre as mensagens é a Petição 16.662.

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