Visão geral
O BRB, ou Banco de Brasília, é uma instituição financeira estatal brasileira, com sede em Brasília, Distrito Federal. Atua no setor bancário oferecendo diversos produtos e serviços financeiros. Recentemente, o banco esteve envolvido em negociações para a aquisição do Banco Master, que culminaram em sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central.
Contexto e histórico
O BRB foi fundado em 1964 e, ao longo de sua história, consolidou-se como o banco oficial do Distrito Federal. Sua atuação abrange desde o crédito pessoal até o financiamento de projetos de infraestrutura, desempenhando um papel importante no desenvolvimento econômico da região. A estratégia de expansão e consolidação no mercado bancário brasileiro, que incluía a possível aquisição de outras instituições financeiras como o Banco Master, foi impactada pela decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master. Uma tentativa prévia de venda do Banco Master ao BRB foi rejeitada pelo Banco Central devido ao risco de sucessão relacionado à operação.
O envolvimento com o Banco Master colocou o BRB no centro de uma operação da Polícia Federal que atingiu dirigentes das duas instituições, sob acusação de um esquema que poderia ter gerado perdas superiores a R$ 10 bilhões ao banco público. O Banco Central estimou um rombo de R$ 5 bilhões no balanço do BRB decorrente dessas operações e determinou um provisionamento de R$ 2,6 bilhões para cobrir as perdas.
Relação com o Banco Master
Em 28 de janeiro de 2026, o BRB informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que o Banco Master transferiu carteiras ao BRB como compensação por carteiras previamente vendidas à instituição. Parte desses ativos transferidos teve origem no Will Bank e está atualmente em processo de avaliação (valuation) pelo BRB para verificar sua condição e adequação dos valores envolvidos.
O BRB também esclareceu notícias da mídia sobre sua relação com o Banco Master. Em resposta a uma matéria do Estadão de 21 de janeiro, o BRB afirmou que as informações se baseavam em documentos externos e não refletiam comunicações oficiais da companhia, destacando que não havia conclusão técnica ou documental que sustentasse as inferências apresentadas. Adicionalmente, em relação a uma notícia do jornal O Diário do Pará de 24 de janeiro, que mencionava o controle de fundos ligados ao Banco Master, o BRB esclareceu que recebeu fundos de investimento como dação em pagamento, com condições de cessão previstas contratualmente. Esses fundos são administrados e geridos por empresas terceiras, e as decisões de investimento não foram realizadas pelo BRB. O banco ressaltou que esses fundos e seus ativos estão em processo de validação técnica e avaliação para assegurar precisão e conformidade. O BRB também afirmou que não há Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master com valores computados nos referidos fundos, e que o processo de alteração do administrador e do gestor dos fundos de investimento está em curso.
Ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir uma participação relevante no Banco Master, operação que contou com apoio público do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e do GDF, mas acabou barrada pelo Banco Central. Posteriormente, a autoridade monetária determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito da instituição para o BRB, em uma operação estimada em R$ 12,2 bilhões. Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master, e o Ministério Público vê indícios de gestão fraudulenta nessas transferências. As investigações apontam que as operações entre o BRB e o Banco Master, realizadas entre 2023 e 2024, envolveram a aquisição de carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões, compostas por ativos superfaturados ou inexistentes.
Governança Corporativa
Em janeiro de 2026, Raphael Vianna de Menezes foi eleito presidente do conselho de administração e Antônio José Barreto de Araújo Júnior como diretor executivo de finanças. Em 29 de janeiro de 2026, Marcelo Talarico e Luis Fernando de Lara Resende renunciaram, com efeitos imediatos, aos seus postos como membros do conselho de administração da empresa. As renúncias ocorreram duas semanas após o acionista controlador, o governo do Distrito Federal, convocar uma assembleia para eleger um novo conselho de administração em 19 de fevereiro de 2026. Os acionistas do BRB foram chamados para votar neste dia a indicação de Edison Garcia, Joaquim de Oliveira e Sérgio Nazaré para a composição do conselho.
Em 10 de fevereiro de 2026, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo renunciou ao cargo de Diretor Jurídico da Companhia, com efeitos a partir de 14 de fevereiro de 2026. Veloso havia sido nomeado para o cargo em agosto de 2024, após a saída do então titular, e já integrava a governança do banco como membro do Comitê de Auditoria. Sua saída ocorre em meio à crise enfrentada pelo BRB após o envolvimento da instituição com o Banco Master. Apesar de um parecer jurídico assinado por Veloso alertar para riscos nas operações entre o BRB e o Banco Master, ele também gravou um vídeo interno defendendo a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, afirmando que “todos os cuidados jurídicos estavam sendo tomados”. Na mesma data, Ana Paula Teixeira foi empossada como diretora executiva de Controles e Riscos (DICOR). Teixeira possui vasta experiência no setor financeiro, tendo atuado como vice-presidente de Gestão de Riscos, Controles Internos, Segurança Institucional e Cyber Segurança do Banco do Brasil, além de ocupar cargos de liderança em diversas instituições nas áreas de controles internos, compliance, gestão de riscos, capital, crédito e governança. A nomeação de Teixeira busca fortalecer a governança corporativa, a integridade institucional e a gestão de riscos e controles internos da instituição.
Em 6 de fevereiro de 2026, o BRB apresentou ao Banco Central um Plano de Capital com medidas para recompor o balanço e reforçar a liquidez em até 180 dias. O documento foi entregue ao diretor de Fiscalização do BC, Gilneu Vivan, e tem como objetivo assegurar a continuidade das operações e proteger clientes e investidores. O Banco Central estima que o aporte mínimo necessário para a recomposição do capital pode chegar a R$ 5 bilhões.
Repercussões Políticas
Em 1º de fevereiro de 2026, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), tornou-se alvo de dois pedidos de impeachment apresentados na Câmara Legislativa do DF. As representações apontam supostos crimes de responsabilidade e infrações que atentam contra a Constituição e o funcionamento das instituições, cometidos durante as negociações do BRB para a tentativa de aquisição do Banco Master. O governo do Distrito Federal é o acionista controlador do BRB, com 71,92% do capital do banco. Os pedidos de impeachment ainda não começaram a tramitar, dependendo do aval do presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB-DF). Além das iniciativas na Câmara, o governador também foi alvo de dois pedidos de investigação encaminhados ao Ministério Público Federal (MPF). Os pedidos de impeachment foram protocolados por integrantes de diferentes partidos, incluindo membros do PSB-DF (Rodrigo Dias, Rodrigo Rollemberg, Ricardo Capelli e Leonardo Pinheiro), o presidente do Cidadania-DF (Cristovam Buarque), os advogados Rodrigo Pedreira e Lynecker Juliano, e representantes do PSOL-DF (a presidente regional Giulia Tadini e os deputados distritais Fábio Félix e Max Maciel).
Em 21 de fevereiro de 2026, o governador Ibaneis Rocha enfrentou resistência da oposição e de aliados na Câmara Legislativa do Distrito Federal para aprovar o projeto de lei que autoriza o uso de 12 terrenos públicos como garantia na operação de socorro ao BRB. A preocupação dos deputados distritais é maior devido ao ano eleitoral e ao desgaste causado pela aprovação de negócios com o Banco Master em 2025. Aliados de Ibaneis preveem que será necessário atender a pedidos de parlamentares, como cargos, em troca de apoio político. O presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), tem demonstrado apoio irrestrito a Ibaneis, arquivando quatro pedidos de impeachment e buscando acalmar os ânimos entre os aliados.
Capitalização e Solidez Financeira
Em 21 de fevereiro de 2026, o BRB confirmou a proposta de capitalização da instituição financeira encaminhada pelo Governo do Distrito Federal à Câmara Legislativa do DF. Esta iniciativa faz parte de um esforço mais amplo para garantir a liquidez e fortalecer o capital do banco, que enfrenta uma crise de confiança devido ao seu envolvimento no caso Master. O objetivo prioritário da capitalização é assegurar a robustez dos indicadores financeiros do Banco e garantir a continuidade dos serviços prestados à sociedade do Distrito Federal. A proposta, que estará em consonância com as normas do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central, observará a legislação aplicável e os princípios de legalidade, eficiência, economicidade, transparência e governança. O BRB afirmou que continua operando normalmente, com solidez e governança reforçada, mantendo diálogo constante com o Banco Central e demais órgãos de controle. O projeto de lei prevê que o aumento de capital do BRB pode ocorrer via aporte patrimonial, venda de bens públicos com destinação do dinheiro arrecadado para o BRB, e outras medidas juridicamente admitidas que atendam às normas do sistema financeiro nacional. O Governo do Distrito Federal é o acionista controlador do BRB. Em 21 de fevereiro de 2026, foi proposto o uso de 12 terrenos públicos como garantia para a operação de socorro ao BRB, uma medida que enfrenta resistência na Câmara Legislativa do DF.
Linha do tempo
- 18 de setembro de 2025: O ex-presidente Michel Temer confirma publicamente sua atuação como facilitador nas negociações para a venda do Banco Master para o BRB, após um indeferimento anterior do Banco Central.
- 18 de novembro de 2025: O Banco Central do Brasil decreta a liquidação extrajudicial do Banco Master, em ato assinado pelo presidente Galípolo, tornando também indisponíveis os bens dos controladores.
- 13 de julho de 2026: A defesa do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, formaliza um pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI) para obter esclarecimentos sobre os motivos que levaram o Ministério Público a recusar um acordo de delação premiada proposto pelo executivo no âmbito de investigações sobre a gestão do banco.
Principais atores
- BRB (Banco de Brasília): Instituição financeira estatal brasileira, interessada na aquisição do Banco Master.
- Paulo Henrique Costa: Ex-presidente do BRB, que busca esclarecimentos via Lei de Acesso à Informação (LAI) sobre a negativa do Ministério Público em firmar um acordo de delação premiada envolvendo sua gestão.
- Banco Master: Instituição financeira privada, alvo da negociação de venda, posteriormente liquidada extrajudicialmente.
- Michel Temer: Ex-presidente do Brasil, atuou como agente facilitador nas negociações entre o BRB e o Banco Master.
- Banco Central do Brasil: Autoridade monetária que indeferiu uma negociação anterior envolvendo o Banco Master e decretou sua liquidação extrajudicial.
- Galípolo: Presidente do Banco Central do Brasil, que assinou o ato de liquidação extrajudicial do Banco Master.
Termos importantes
- Aquisição: Processo pelo qual uma empresa compra outra, assumindo o controle de seus ativos e operações.
- Agente facilitador: Indivíduo que auxilia na mediação e no bom andamento de negociações entre partes, sem necessariamente ter interesses diretos na transação, mas buscando um acordo mutuamente benéfico.
- Indeferimento: Ato de negar ou não aprovar um pedido ou processo, neste contexto, por parte de uma autoridade reguladora como o Banco Central. A rejeição da venda do Banco Master ao BRB se deu pelo "risco de sucessão relacionada à operação".
- Liquidação extrajudicial: Processo administrativo conduzido pelo Banco Central que visa encerrar as atividades de uma instituição financeira, geralmente por problemas financeiros graves, e liquidar seus ativos para pagar credores.
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