Nascido em Marília, São Paulo, Dias Toffoli construiu uma carreira jurídica que o levou a posições de destaque no cenário político e judiciário brasileiro. Sua trajetória inclui passagens como consultor jurídico e advogado, culminando na Advocacia-Geral da União antes de sua indicação ao STF. No STF, Toffoli tem sido um dos ministros responsáveis por analisar e decidir sobre questões complexas que afetam a administração pública e as finanças dos estados, como o Regime de Recuperação Fiscal. Mais recentemente, sua atuação tem se estendido à supervisão de inquéritos de grande porte, como o caso Master, onde suas decisões sobre a condução das investigações têm sido objeto de atenção e discussão. Decisões de Toffoli sobre a restituição de valores na Operação Lava Jato também geraram contestações da Procuradoria-Geral da República. Em relação ao caso Master, Toffoli tem sido alvo de pedidos de suspeição, baseados em alegações como uma viagem em jatinho com um advogado de um executivo investigado e o investimento de um cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro em um resort que tinha como sócios os irmãos de Toffoli. Tais pedidos, embora arquivados pela PGR, continuam a gerar debate e pressão política, com parlamentares da oposição preparando novas representações. A situação se intensificou com a intimação do ministro pelo presidente do STF, Edson Fachin, para que se manifeste sobre informações extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, que mencionam o nome do magistrado. Toffoli, por sua vez, classificou o pedido como. Em 13 de fevereiro de 2026, após uma reunião com colegas ministros, Toffoli decidiu se afastar da relatoria do inquérito do Banco Master. Embora inicialmente resistente, ele se convenceu de que a saída seria o melhor caminho para diminuir o desgaste da Corte perante a opinião pública e para preservar os atos já tomados nas investigações da Polícia Federal. Durante a reunião, o presidente do STF, Edson Fachin, leu trechos de um relatório da PF com menções a Toffoli em conversas do celular de Daniel Vorcaro, às quais Toffoli respondeu ponto a ponto. Os demais ministros argumentaram que o desgaste não afetava apenas Toffoli, mas toda a Corte, dadas as notícias sobre as relações do ministro e de seus familiares com fundos ligados ao Banco Master. Com a saída de Toffoli, os atos praticados por ele no inquérito permanecem válidos, e o ministro André Mendonça assumiu a relatoria do caso. Em 13 de fevereiro de 2026, a Polícia Federal apresentou um relatório ao STF sobre as menções a Toffoli nas investigações do Banco Master, apontando a possível existência de indícios de crimes e a possibilidade de suspeição para que ele continuasse como relator. O relatório, que está sob sigilo, foi fundamentado no artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura, que trata de indícios de crimes envolvendo magistrados, e em trechos do regimento interno do STF sobre a declaração de suspeição ou impedimento de ministros. O presidente do STF, Edson Fachin, tratou o documento da PF como um pedido de suspeição de Toffoli e o encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação, cabendo à PGR definir se os elementos justificam um pedido de suspeição ou a abertura de um inquérito.
Em 14 de fevereiro de 2026, o jornal O Estado de S. Paulo publicou reportagem com mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal, nas quais o banqueiro relata ter sido pressionado a realizar pagamentos ao resort Tayayá, que possui ligações com uma empresa da família de Toffoli. Os diálogos de Vorcaro com seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, que atuaria como operador do banqueiro, indicam que Vorcaro autorizou repasses que, somados, chegaram a R$ 35 milhões ao resort. Em maio de 2024, Vorcaro teria cobrado Zettel sobre um aporte ao empreendimento, escrevendo: “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”. Zettel teria respondido que perguntou se poderia ser na semana seguinte, e Vorcaro autorizou: “Paga tudo hoje”, após receber uma lista de pagamentos com a indicação “Tayaya – 15” (referência a R$ 15 milhões). Em agosto de 2024, o banqueiro teria novamente questionado Zettel: “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”. Após ser informado que o valor havia sido transferido a um intermediário, Vorcaro reagiu: “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”. Vorcaro então pediu um levantamento dos aportes, e Zettel informou: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”. Toffoli reconheceu ser sócio da empresa Maridt, que teve participação no Tayayá e vendeu sua fatia a fundos de investimento que tinham Zettel entre os acionistas. O ministro negou ter recebido repasses de Vorcaro ou Zettel, afirmando que a participação societária no empreendimento foi encerrada antes de ele receber a relatoria de ação envolvendo o Banco Master no STF. O conteúdo das mensagens está sob análise da Procuradoria-Geral da República e reforçou a pressão para que Toffoli deixasse a relatoria de casos envolvendo o Banco Master.