Ibaneis Rocha, atual governador do Distrito Federal, está sob investigação e enfrenta pedidos de impeachment e resistência política devido a supostas irregularidades envolvendo negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Ele é acusado de ter discutido a venda do Banco Master ao BRB, o que ele nega, e o BRB injetou bilhões no Master antes de sua liquidação extrajudicial. Atualmente, Rocha busca apoio para sua candidatura ao Senado enquanto tenta aprovar um projeto de lei para socorrer o BRB, utilizando terrenos públicos como garantia.
Ibaneis Rocha é o atual governador do Distrito Federal. Seu nome veio à tona em investigações sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master, quando o dono do banco, Daniel Vorcaro, o citou como o único político com quem conversou sobre a possível venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Rocha confirmou os encontros, mas negou que o tema da venda tenha sido discutido. Em fevereiro de 2026, Ibaneis Rocha tornou-se alvo de dois pedidos de impeachment na Câmara Legislativa do DF e de dois pedidos de investigação no Ministério Público Federal (MPF), relacionados às negociações do BRB com o Banco Master. No mesmo mês, o governador passou a enfrentar resistência, inclusive de aliados, para aprovar um projeto de lei que visa socorrer o BRB, utilizando 12 terrenos públicos como garantia. Desgastado pela crise do Master e do BRB, Ibaneis busca apoio para sua candidatura ao Senado, tentando evitar uma dobradinha do PL com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis.
Em meio a uma investigação da Polícia Federal sobre supostas fraudes no Banco Master, Daniel Vorcaro, proprietário da instituição, foi interrogado sobre suas relações com políticos. Durante o depoimento, prestado no final de 2025, Vorcaro mencionou Ibaneis Rocha como o único político com quem tratou da venda do Banco Master ao BRB. Segundo Vorcaro, os encontros com o governador ocorreram entre janeiro de 2024 e 2025, em caráter institucional, tanto na residência do banqueiro quanto na residência oficial do governador. Ibaneis Rocha, por sua vez, confirmou ter se encontrado com Vorcaro em quatro ocasiões, mas negou categoricamente que o assunto da venda do Banco Master ao BRB tenha sido pauta dessas reuniões.
Ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir uma participação relevante no Banco Master, operação que contou com apoio público de Ibaneis e do GDF, mas acabou barrada pelo Banco Central. Posteriormente, a autoridade monetária determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito da instituição para o BRB, em uma operação estimada em R$ 12,2 bilhões. Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master, e o Ministério Público vê indícios de gestão fraudulenta nessas transferências. O Banco Central também determinou que o BRB faça um provisionamento de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir o rombo causado pelos negócios com o Master.
Em 1º de fevereiro de 2026, Ibaneis Rocha tornou-se alvo de dois pedidos de impeachment apresentados na Câmara Legislativa do DF. As representações apontam supostos crimes de responsabilidade e infrações que atentam contra a Constituição e o funcionamento das instituições, cometidos durante as negociações do BRB para a tentativa de aquisição do Banco Master. O governo do Distrito Federal é o acionista controlador do BRB, com 71,92% do capital do banco. Além das iniciativas na Câmara, o governador também foi alvo de dois pedidos de investigação encaminhados ao Ministério Público Federal (MPF).
Em 21 de fevereiro de 2026, o governador Ibaneis Rocha passou a enfrentar resistência, não apenas da oposição (PT e PSOL), mas também de seus próprios aliados na Câmara Legislativa do Distrito Federal, para aprovar um projeto de lei que autoriza o uso de 12 terrenos públicos como garantia em uma operação de socorro ao BRB. A situação é inédita para o governador, que historicamente não encontrava dificuldades para aprovar seus projetos. A preocupação dos deputados distritais é acentuada pelo ano eleitoral e pelo desgaste sofrido após a aprovação de negócios com o Banco Master em 2025. Aliados preveem que será necessário atender a pedidos de parlamentares, como cargos, em troca de apoio político. O presidente da CLDF, Wellington Luiz, aliado de Ibaneis, arquivou quatro pedidos de impeachment e busca acalmar os ânimos para a votação do projeto.
Em 23 de fevereiro de 2026, o desgaste de Ibaneis Rocha se aprofundou com críticas de senadores como Damares Alves (Republicanos-DF), Izalci Lucas (PL-DF) e Leila Barros (PDT-DF), que o classificaram como "garoto propaganda do banco Master" em um requerimento para que ele prestasse informações na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Neste contexto, Ibaneis tenta articular apoio para sua candidatura ao Senado, buscando convencer o ex-presidente Jair Bolsonaro a não apoiar uma chapa com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. No plano financeiro, a Caixa Econômica Federal negocia a compra de carteiras de crédito do BRB para ajudar a cobrir um rombo estimado em R$ 5 bilhões, enquanto o governo do DF enviou um novo projeto de lei à Câmara Distrital para autorizar medidas de recomposição do patrimônio do BRB, como aporte direto ou venda de bens públicos.