Daily Journal
Urgente
Daily Journal

Mendonça levará ao plenário do STF relatório da PF sobre Moraes e Vorcaro

O ministro André Mendonça decidiu submeter ao plenário do STF relatório da Polícia Federal que aponta diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, após pedido de nulidade pela PGR.

Daily Journal
Foto: G1 Política
||
01/09 às 15:15, atualizado 09/09 às 07:10

Pontos principais

  • O ministro André Mendonça, relator da PET 16.662, determinou que o plenário do STF analise novos elementos da Polícia Federal.
  • O relatório da PF, derivado da Operação Compliance Zero, detalha conversas entre Daniel Vorcaro e um contato atribuído a Alexandre de Moraes.
  • O documento aponta que Vorcaro teria buscado influência em processos decisórios e investigações do Banco Central.
  • O procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou a nulidade do relatório, alegando que Mendonça não teria competência para investigar outro ministro.
  • Gonet argumenta que a produção de provas contra integrantes da Corte exige autorização prévia do plenário e provocação do Ministério Público.
  • Mendonça retirou o sigilo dos autos e defendeu que a análise ocorra de forma pública e presencial para garantir transparência.
  • O material sob análise inclui menções ao próprio procurador-geral e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em diálogos de terceiros.
  • A definição da data para o julgamento no plenário cabe ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.
  • A OAB manifestou preocupação com o impacto institucional do caso e defendeu uma apuração rigorosa e isenta dos fatos.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu submeter ao plenário da Corte um relatório da Polícia Federal que aponta supostas interações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão, proferida no âmbito da PET 16.662, ocorre após a extração de dados do celular de Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras no Banco Master. Segundo o documento, os diálogos sugerem que o empresário possuía conhecimento prévio de apurações e buscava intervir em decisões judiciais e administrativas. O ministro relator determinou a criação de um processo autônomo para tratar das suspeitas envolvendo autoridades, retirando o sigilo dos autos para permitir uma análise pública e presencial pelo colegiado.

A movimentação gerou um embate jurídico imediato com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O procurador-geral Paulo Gonet protocolou um pedido de nulidade do relatório policial, sustentando que o ministro André Mendonça teria extrapolado suas atribuições. De acordo com a PGR, a condução de diligências investigativas contra outro ministro do STF sem a devida provocação do Ministério Público e sem a autorização do plenário viola o sistema acusatório e as prerrogativas da magistratura. Gonet defende que qualquer apuração envolvendo membros da Corte deveria ser submetida diretamente à presidência do tribunal.

O caso ganhou contornos de crise institucional, levando a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a emitir uma nota pública. A entidade expressou preocupação com os desdobramentos e defendeu que a apuração dos fatos seja conduzida de maneira rigorosa, isenta e em estrita observância ao devido processo legal. A OAB destacou que a exposição de tais diálogos, especialmente em um período de alta sensibilidade política, exige cautela para preservar a estabilidade das instituições republicanas.

Atualmente, o processo aguarda a definição de uma data para o julgamento. Cabe ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, pautar a discussão no plenário, instância que decidirá se as investigações prosseguem ou se o material será invalidado. Embora o relatório mencione também o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em conversas de terceiros, não há, até o momento, investigações formais abertas contra essas autoridades no contexto da operação.

Comentários

Carregando comentários...