O que é a crise no STF de 2026
A crise no Supremo Tribunal Federal de 2026 é o conflito institucional aberto entre ministros da Corte a partir da divulgação, em 1º de setembro de 2026, de mensagens e documentos extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O material foi entregue ao STF pela Polícia Federal e teve o sigilo retirado por André Mendonça, relator das investigações do caso Banco Master na Corte.
Em poucos dias, o episódio saiu da esfera processual e virou disputa aberta entre integrantes do tribunal: Alexandre de Moraes pediu a investigação de Mendonça por abuso de autoridade; Mendonça afastou a cúpula da Polícia Federal; o presidente da Corte, Edson Fachin, assumiu os processos e passou a intermediar o conflito; e treze ministros aposentados enviaram uma carta pedindo apuração pública dos fatos, descrevendo o momento como a "mais aguda crise" da história do Supremo.
A crise depois se ampliou. Em 15 de outubro de 2026, a revista piauí publicou mensagens de Vorcaro sobre uma noite organizada pelo banqueiro para um ministro tratado como "KN", e o nome de Nunes Marques, presidente do TSE, passou ao centro do caso. Ministros, a PGR e a Polícia Federal ainda discutem como e se os ministros citados serão investigados.
Como está a crise hoje
Em 19 de outubro de 2026, nenhum ministro do STF é alvo de inquérito no caso Master. Ser citado nas mensagens de Vorcaro não equivale a ser investigado: abrir investigação contra um ministro depende de autorização do Plenário do STF, ouvida a Procuradoria-Geral da República, como prevê o artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura (LC 35/1979).
- Moraes: o julgamento sobre o relatório da PF parou num pedido de vista de Flávio Dino, com prazo até 15 de dezembro de 2026. A PGR pediu a anulação da ordem que originou o relatório e o arquivamento.
- Mendonça: o pedido de Moraes para investigá-lo saiu da pauta sem nova data.
- Nunes Marques: declarou-se impedido em 15 de setembro e, segundo a Folha, estuda estender o impedimento no caso Master. Nega ter pedido algo a Vorcaro.
- Toffoli: deixou a relatoria em fevereiro de 2026, declarou-se suspeito em 15 de setembro e nega ter recebido pagamentos.
- Cúpula da PF: Andrei Rodrigues segue na direção-geral; Fachin suspendeu o afastamento e a reintegração, e a PGR quer a suspensão mantida.
- Relatório sobre ministros: a PF entrega em novembro, depois do segundo turno de 25 de outubro, o relatório com todas as menções a ministros. Ele vai à PGR e, depois, ao plenário, que decide se abre investigações.
No Senado, 109 pedidos de impeachment contra os dez ministros aguardavam análise em 1º de setembro de 2026, e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, não pautou nenhum até 17 de outubro.
Como a crise começou: o caso Banco Master
A origem do episódio está no escândalo do Banco Master. Em 17 de novembro de 2025, Daniel Vorcaro foi preso quando tentava deixar o país em um jato particular com destino a Malta. No dia seguinte, 18 de novembro de 2025, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco e a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que passou a investigar fraude financeira, lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos. Vorcaro voltou a ser preso em 4 de março de 2026. Segundo estimativas da Polícia Federal, os recursos desaparecidos do banco podem chegar a R$ 12 bilhões, afetando cerca de 1,6 milhão de pessoas.
No STF, a relatoria dos desdobramentos do caso ficou inicialmente com Dias Toffoli e passou a André Mendonça a partir de fevereiro de 2026.
As mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes
Em 27 de agosto de 2026, a Polícia Federal entregou a Mendonça um relatório de inteligência de 218 páginas produzido a partir da análise do celular de Vorcaro. Em 1º de setembro, o ministro determinou a retirada do sigilo da ação que reunia o relatório, tornando o conteúdo público e levando o caso ao plenário do STF.
Entre o material divulgado estão conversas entre o banqueiro e Alexandre de Moraes — inclusive uma mensagem de 17 de novembro de 2025, dia da prisão de Vorcaro, em que ele pergunta ao ministro se deveria fugir do país — e contratos entre Vorcaro e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. A PF identificou no celular do empresário um contato salvo como "Alexandre de Moraes BRASILIA" e contou ao menos 52 mensagens entre os dois, com cobranças sobre pagamentos ao escritório. O escritório foi contratado pelo Master de fevereiro de 2024 a novembro de 2025; a PF encontrou um contrato que indica R$ 131 milhões, e quebras de sigilo da CPI do Crime Organizado apontaram repasses de R$ 80 milhões entre 2024 e 2025.
O próprio relatório não conclui que Moraes cometeu crime nem que agiu para beneficiar Vorcaro. Em defesa por escrito entregue ao STF em 15 de setembro de 2026, Moraes afirmou que "jamais julgou" processo do Banco Master ou de Vorcaro, que o escritório foi contratado para consultoria com honorários em nota fiscal e que "inexistiu segundo contrato", chamando as conclusões da PF de "ilações absolutamente falsas".
No mesmo 1º de setembro, Mendonça acionou a Procuradoria-Geral da República sobre uma mensagem que mencionava "proteção" atribuída a "Andrei" e "Paulo" — referências ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O encontro entre André Mendonça e Vorcaro
Mendonça também passou a ser questionado sobre a própria relação com o empresário. Seu gabinete confirmou que os dois se encontraram uma única vez, em 14 de março de 2025, às 16h37, na sede do Instituto Iter, na Alameda Santos 647, em São Paulo. O encontro foi intermediado pelo deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) e tratou da Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, ação sobre créditos de precatórios de interesse do Banco Master, então sob vista de Alexandre de Moraes. O gabinete afirmou que o ministro se limitou a ouvir Vorcaro e que sua atuação jurisdicional foi contrária à posição defendida pelo empresário.
O embate entre Moraes e Mendonça
Em 3 de setembro de 2026, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado no inquérito das fake news por abuso de autoridade, alegando "fortes indícios" de improbidade administrativa — entre as acusações, usurpação da direção de investigação, condução irregular de negociações de delação e direcionamento de apuração contra o próprio magistrado. O pedido se apoiava em relatório de inteligência da PF que apontava supostas irregularidades de Mendonça na condução dos casos do Master e do INSS.
No mesmo dia, Fachin determinou que Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues prestassem informações sobre o caso em cinco dias. Em 4 de setembro, o presidente do STF retirou do inquérito das fake news o pedido de investigação contra Mendonça e afirmou que os acontecimentos recentes reforçavam a urgência de encerrar aquela investigação, colocando o encerramento entre as prioridades de sua gestão. Em setembro, Fachin tirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, que ele conduzia desde 2019.
Em 12 de setembro, Fachin assumiu a relatoria da petição com o relatório da PF sobre Moraes (PET 16.662) e mandou suspender na Presidência os inquéritos do Master e do INSS, sem tirar a relatoria de Mendonça, segundo o Poder360. Em 21 de setembro, Mendonça respondeu às acusações de Moraes: disse que o colega distorceu relatórios de inteligência da PF, pediu o arquivamento da representação e que se avalie denunciação caluniosa e abuso de autoridade por parte de Moraes.
O afastamento da cúpula da Polícia Federal
Em 8 de setembro de 2026, atendendo a uma petição do partido Novo, Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da Costa da Diretoria de Inteligência Policial. O ministro também mandou a Corregedoria da PF abrir apurações criminal e administrativo-disciplinar sobre a produção dos relatórios de inteligência que, segundo ele, monitoravam sua atuação e a do advogado-geral da União, Jorge Messias, além de analisarem o trabalho de integrantes da própria corporação.
A decisão foi submetida a referendo da Segunda Turma, presidida por Luiz Fux, que formou maioria para referendar o afastamento: o relator foi acompanhado por Fux e Kassio Nunes Marques. A sessão foi interrompida por um pedido de vista de Gilmar Mendes. A Advocacia-Geral da União apontou contradição na conduta do ministro — que teria indicado a necessidade de análise pelo plenário, mas submeteu o afastamento apenas à Segunda Turma —, e Fachin fixou prazo de 72 horas para Mendonça responder ao pedido da AGU. O plenário do STF retomou as sessões em 9 de setembro de 2026.
Em 9 de setembro, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração imediata dos dois diretores, alegando riscos a investigações em curso relatadas por ele. Fachin então suspendeu as duas decisões, a de afastamento e a de reintegração, para restabelecer a ordem pública, e puxou para si a decisão sobre a permanência de Andrei no cargo. Em 24 de setembro, pediu parecer à PGR. Andrei afirmou ao presidente do STF que a corporação não monitorou Mendonça e que os relatórios não são ilegais.
Em 14 de outubro de 2026, a PGR se manifestou contra o afastamento. No parecer, assinado por Paulo Gonet, pelo vice-PGR Hildebrando Chateaubriand e por dois subprocuradores-gerais, a Procuradoria afirmou que a decisão não apontou ato concreto dos dois dirigentes que justificasse a medida, que o Novo não tinha legitimidade para pedir medidas cautelares numa investigação criminal e que nomear e manter o diretor-geral cabe ao presidente da República. Pediu que a suspensão seja mantida em definitivo e que o caso saia da Segunda Turma para o plenário.
A carta dos 13 ministros aposentados
Em 7 de setembro de 2026, treze ministros aposentados do STF enviaram carta a Edson Fachin pedindo a convocação urgente de uma sessão pública para que o plenário determinasse a "imediata e rigorosa apuração" dos fatos, sob o devido processo legal. Assinam o documento Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber.
A carta afirma que o Supremo atravessa a "mais aguda crise de sua história" e que os fatos divulgados nas últimas semanas comprometem "o prestígio e a autoridade" do tribunal, "a confiança do povo e até mesmo a estabilidade das instituições democráticas". O texto não cita nomes nem processos específicos.
A sessão de 15 de setembro
Em 15 de setembro de 2026, o plenário se reuniu em sessão extraordinária, conduzida por Fachin, para discutir o relatório da PF sobre Moraes. Na abertura, Fachin disse que a Corte atravessa "um período difícil": "Não se julgam pessoas; julgam-se fatos e questões jurídicas. A divergência é legítima; o confronto pessoal, não". Dias Toffoli declarou-se suspeito por motivo de foro íntimo, e Nunes Marques, impedido por presidir o TSE.
O plenário não chegou a votar se Moraes seria investigado. Votou só uma questão de ordem de Gilmar Mendes, que propunha julgar em conjunto os procedimentos sobre Moraes e sobre Mendonça e sortear nova relatoria. Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pelos processos separados; Gilmar, Cristiano Zanin e Moraes, pela análise conjunta. Dino acompanhou Gilmar, mas pediu vista antes de votar formalmente, e o placar ficou em 4 a 3. O prazo de vista vai até 15 de dezembro de 2026. Moraes disse no plenário que o processo não continha pedido de investigação contra ele, e sim um pedido de nulidade do relatório.
A sessão teve bate-boca. Gilmar acusou Mendonça de "inequívoco viés político-eleitoral", e Mendonça respondeu: "O senhor está sendo leviano". Moraes disse que Mendonça estava "a serviço de um grupo político", o que Mendonça chamou de "mentira". Cármen Lúcia disse estar "em estado de profunda consternação e tristeza" e pediu desculpas: "Peço desculpas ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente". O julgamento sobre a conduta de Mendonça, marcado para 23 de setembro, foi retirado de pauta.
Em 28 de setembro, Gilmar ajustou seu voto na questão de ordem: propôs suspender o julgamento de Moraes até a identificação de todos os magistrados mencionados no caso Master, com abertura de sindicâncias, e questionou a aptidão de Nunes Marques para julgar.
Nunes Marques e a noite no tríplex de Vorcaro
Em 15 de setembro de 2026, o site Metrópoles publicou conversas entre Vorcaro e uma agenciadora de garotas de programa em que um "Kassio" era citado. Em 13 de outubro, o UOL publicou que um encontro no tríplex de Vorcaro teve cinco garotas de programa.
Em 15 de outubro de 2026, a piauí publicou o conteúdo de 125 mensagens do celular de Vorcaro sobre uma noite em 28 de fevereiro de 2025, a sexta-feira antes do Carnaval, no tríplex do banqueiro no Itaim Bibi, em São Paulo. Segundo a revista, o desembargador Newton Ramos, do TRF-1, pediu ao agente de viagens de Vorcaro um quarto no Hotel Fasano "pro KN"; Vorcaro escreveu ao ex-diretor jurídico do Master que estava "fazendo graça para ministro em SP"; e o mordomo avisou: "Emprestei quarto do lado para ministro com 5 menina". A revista diz que as mensagens não deixam claro se Vorcaro esteve no imóvel o tempo todo. Relata ainda que a Consult Inteligência Tributária, que recebeu R$ 6,6 milhões do Master no período, repassou R$ 282 mil a Kevin Marques, filho do ministro, e que a defesa do banco pediu três vezes que o caso Master ficasse com Nunes Marques, e não com Mendonça.
Em nota à piauí, o ministro afirmou que "nunca votou a favor de Daniel Vorcaro (inclusive deu voto pela manutenção da prisão), nunca trocou mensagens com ele e nem pediu nada ao banqueiro". A nota não responde se ele esteve na festa. Segundo a Folha, Nunes Marques estuda estender o período em que se declara impedido no caso; ao deixar de votar em 15 de setembro, ele havia indicado que poderia voltar a atuar depois das eleições. A situação tem peso eleitoral porque Nunes Marques preside o TSE desde 12 de maio de 2026 e conduz o segundo turno presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Dias Toffoli e o resort Tayayá
Toffoli foi o primeiro relator do caso Master no STF. Em 14 de fevereiro de 2026, o jornal O Estado de S. Paulo publicou mensagens do celular de Vorcaro em que o banqueiro relata ter sido pressionado a fazer pagamentos ao resort Tayayá, ligado a uma empresa da família do ministro; os repasses somados chegam a R$ 35 milhões. Toffoli reconheceu ser sócio da Maridt, que teve participação no resort, e negou ter recebido repasses de Vorcaro ou de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro. Deixou a relatoria em fevereiro de 2026.
Os outros ministros citados
Além de Moraes, a retirada do sigilo em setembro mostrou os nomes de Nunes Marques, Toffoli, Luiz Fux e Mendonça citados por pessoas ligadas a Vorcaro. Segundo o g1, há citações, em graus diferentes, de pelo menos seis dos dez ministros ou de parentes deles. Todos negam irregularidade. Em 2 de outubro de 2026, Fachin escreveu à PF que, quando recebesse o relatório completo, "sem exceção de pessoa", daria "os encaminhamentos devidos". Segundo o g1, nos bastidores há avaliação de que o caso pode ser arquivado se os elementos forem considerados insuficientes para abrir investigações, e de que o resultado da eleição deve influenciar o ambiente interno do Supremo.
Impeachment de ministros do STF
Ministros do STF podem ser processados por crime de responsabilidade no Senado, nos termos da Lei 1.079/1950. Cabe ao presidente do Senado decidir se um pedido avança. Em 1º de setembro de 2026, Alcolumbre disse que 109 pedidos de impeachment contra os dez ministros "não é normal" e sinalizou que não daria andamento ao de Moraes.
Pesquisa AtlasIntel divulgada em 22 de setembro de 2026 registrou que 85,1% dos entrevistados acreditam no envolvimento direto de ministros do STF no caso Master; 60,5% defenderam o impeachment imediato de Toffoli e 49,8%, o de Moraes. Segundo a Folha, em 18 de outubro, senadores que tomarão posse em 2027 descartam um acordo de saída antecipada de Moraes do STF em troca de evitar o impeachment.
Repercussão política e eleitoral
A crise se instalou em pleno calendário eleitoral de 2026 e foi incorporada ao discurso de campanha da oposição. As manifestações de 7 de Setembro em São Paulo foram convocadas pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sob os lemas "Fora Lula, Fora Moraes" e "É agora ou nunca", com concentração marcada para as 15h na Avenida Paulista. O governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes ajudaram a mobilizar lideranças, articulando a participação de cerca de 300 prefeitos no ato. Na manhã do mesmo dia, a Polícia Militar dispersou um grupo de manifestantes na região da Paulista antes do ato da tarde.
Em 15 de setembro, em entrevista à Record, o presidente Lula defendeu "uma reforma profunda no Poder Judiciário", com discussão sobre tempo de mandato e critérios de escolha dos ministros do STF, e disse que magistrados não podem ter parentes advogando na própria Corte. Em 10 de setembro, a Folha informou que o governo de Donald Trump monitorava a crise e considerava novas sanções contra Moraes e aliados.
Cronologia
- 17 de novembro de 2025 — Daniel Vorcaro é preso ao tentar deixar o país em jato particular com destino a Malta.
- 18 de novembro de 2025 — O Banco Central determina a liquidação extrajudicial do Banco Master e a PF deflagra a Operação Compliance Zero.
- Fevereiro de 2026 — Toffoli deixa a relatoria do caso Master; André Mendonça assume.
- 4 de março de 2026 — Vorcaro é preso novamente.
- 27 de agosto de 2026 — A PF entrega a André Mendonça relatório de inteligência de 218 páginas extraído do celular de Vorcaro.
- 1º de setembro de 2026 — Mendonça retira o sigilo do material; vêm a público mensagens entre Vorcaro e Moraes e contratos com o escritório Barci de Moraes.
- 2 de setembro de 2026 — O gabinete de Mendonça confirma um único encontro com Vorcaro, em março de 2025.
- 3 de setembro de 2026 — Moraes pede a investigação de Mendonça por abuso de autoridade; Fachin dá cinco dias para os envolvidos prestarem informações.
- 4 de setembro de 2026 — Fachin retira o pedido do inquérito das fake news e defende o encerramento daquela investigação.
- 7 de setembro de 2026 — Treze ministros aposentados enviam carta a Fachin; atos na Avenida Paulista pedem a saída de Lula e de Moraes.
- 8 de setembro de 2026 — Mendonça afasta Andrei Rodrigues e Leandro Almada da Costa da cúpula da PF e manda a Corregedoria apurar os relatórios de inteligência.
- 9 de setembro de 2026 — Dino manda reintegrar os dois diretores; Fachin suspende as duas decisões. O plenário retoma as sessões.
- 12 de setembro de 2026 — Fachin assume a relatoria da petição sobre Moraes e suspende na Presidência os inquéritos do Master e do INSS.
- 15 de setembro de 2026 — Sessão extraordinária: por 4 a 3, os casos de Moraes e Mendonça seguem separados; Dino pede vista. O Metrópoles publica conversas de Vorcaro que citam um "Kassio".
- 21 de setembro de 2026 — Mendonça responde a Moraes e pede o arquivamento da representação.
- 24 de setembro de 2026 — Fachin pede parecer da PGR sobre o afastamento de Andrei Rodrigues.
- 28 de setembro de 2026 — Gilmar Mendes propõe suspender o julgamento de Moraes até a identificação de todos os magistrados citados.
- 13 de outubro de 2026 — Fachin recebe Andrei Rodrigues e orienta a PF a enviar todas as menções a ministros; o relatório fica para novembro.
- 14 de outubro de 2026 — A PGR se manifesta contra o afastamento da cúpula da PF.
- 15 de outubro de 2026 — A piauí publica mensagens de Vorcaro sobre a noite no tríplex para um ministro tratado como "KN"; Nunes Marques nega ter pedido algo ao banqueiro.
Perguntas frequentes
O que está acontecendo no STF? Ministros do Supremo estão em conflito desde setembro de 2026 por causa de mensagens do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que citam integrantes da Corte. O plenário ainda não decidiu se algum ministro será investigado.
Quem são os ministros no centro da crise? Alexandre de Moraes e André Mendonça, e, desde outubro, Kassio Nunes Marques. Moraes aparece nas mensagens divulgadas a partir do celular de Vorcaro; Mendonça é o relator das investigações do caso Banco Master no STF e retirou o sigilo do material; Nunes Marques é citado em mensagens sobre uma noite no tríplex do banqueiro.
Algum ministro do STF está sendo investigado? Não. Até 19 de outubro de 2026 não há inquérito aberto contra Moraes, Mendonça, Nunes Marques ou Toffoli no caso Master. Investigar um ministro depende de autorização do Plenário do STF, ouvida a PGR.
Qual é a relação da crise com o Banco Master? O material que desencadeou o conflito veio da investigação sobre o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 — a mesma apuração que levou à prisão de Daniel Vorcaro e à Operação Compliance Zero da Polícia Federal.
O diretor-geral da Polícia Federal foi afastado? Foi, por decisão de Mendonça em 8 de setembro de 2026, mas a medida não está em vigor. Dino mandou reintegrar Andrei Rodrigues no dia seguinte, e Fachin suspendeu as duas decisões. Andrei segue no cargo, e a PGR defendeu em 14 de outubro que a suspensão seja mantida.
O que os ex-ministros do STF pediram? Uma sessão pública urgente do plenário para determinar apuração "imediata e rigorosa" dos fatos, sob o devido processo legal. A carta é assinada por treze ministros aposentados e foi enviada a Edson Fachin em 7 de setembro de 2026.
Ministros do STF podem sofrer impeachment? Podem, pela Lei 1.079/1950, num processo no Senado. O processo só começa se o presidente do Senado aceitar um pedido. Em setembro de 2026 havia 109 pedidos contra os dez ministros, e nenhum foi pautado até 17 de outubro.
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