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Relatórios da PF apontam assimetria em decisões de André Mendonça

Documentos da Polícia Federal indicam variação nos prazos de análise do ministro André Mendonça no caso Banco Master, tratando o senador Davi Alcolumbre como um alvo estratégico nas investigações.

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Foto: G1 Política
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04/09 às 00:45, atualizado 09/09 às 07:10

Pontos principais

  • Relatório de inteligência da Polícia Federal, anexado ao INQ 4781, aponta assimetria na atuação do ministro André Mendonça.
  • O documento, sem timbre oficial ou assinatura, registra variações de 9 a 75 dias nos prazos de decisão em processos do caso Banco Master.
  • A PF sugere que a velocidade de tramitação das ações pode estar correlacionada ao perfil político dos investigados.
  • O relatório identifica o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, como um provável alvo estratégico nas apurações conduzidas pelo ministro.
  • O documento compara a posição de Mendonça sobre o desmembramento de investigações envolvendo figuras como Ricardo Nunes e ACM Neto.
  • O ministro Alexandre de Moraes utilizou o conteúdo desses relatórios para solicitar uma investigação contra Mendonça por improbidade.
  • O presidente do STF, Edson Fachin, retirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news e centralizou o caso em seu gabinete.
  • Fachin determinou um prazo de cinco dias para que Mendonça e a Procuradoria-Geral da República prestem esclarecimentos sobre o tema.
  • O relatório da PF ressalva, em seu próprio texto, que o material não possui valor probatório e trata-se apenas de uma análise de cenário.

Relatórios de inteligência da Polícia Federal, anexados ao Inquérito 4781 do Supremo Tribunal Federal (STF), apontam indícios de assimetria na condução de processos sob a relatoria do ministro André Mendonça. O documento, que carece de timbre oficial, assinatura ou data, analisa a atuação do magistrado nas operações Sem Desconto e Compliance Zero, que investigam o Banco Master. Segundo a análise, houve uma variação significativa nos prazos de decisão, oscilando entre 9 e 75 dias, o que, segundo a PF, sugere uma possível correlação entre a celeridade processual e o perfil político dos investigados. O relatório destaca ainda que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é tratado como um alvo estratégico nas apurações.

A divulgação desse material intensificou a crise interna no STF, desencadeando uma série de acusações mútuas entre os ministros da Corte. Com base nos apontamentos da PF, o ministro Alexandre de Moraes solicitou a abertura de uma investigação contra Mendonça, alegando indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Moraes argumenta que a atuação de seu colega teria sido direcionada para beneficiar ou prejudicar desafetos políticos, utilizando como base as informações sobre a assimetria no tratamento de casos envolvendo diferentes parlamentares.

Em resposta ao agravamento do embate, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, determinou a retirada do pedido de investigação contra Mendonça do inquérito das fake news. O caso foi centralizado na presidência da Corte, sob a relatoria de Fachin, que abriu um prazo de cinco dias úteis para que o ministro André Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a Polícia Federal apresentem manifestações formais sobre os fatos narrados. O objetivo é esclarecer a origem e a validade dos documentos produzidos pela PF antes de decidir sobre o prosseguimento das apurações.

O cenário é de incerteza jurídica, uma vez que o próprio relatório da Polícia Federal ressalva que o documento não possui valor probatório e não tem caráter decisório, sendo classificado apenas como uma análise de cenário. A crise ganha contornos institucionais mais amplos, com debates sobre a legalidade da atuação de delegados da PF em gabinetes de ministros e a necessidade de um código de conduta para magistrados. Enquanto a oposição aponta retaliação política por parte de Moraes, aliados de Fachin defendem que o plenário do STF avalie possíveis punições para evitar a imagem de corporativismo na instituição.

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