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Moraes pede investigação contra Mendonça por supostas irregularidades

O ministro Alexandre de Moraes solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, a apuração de condutas de André Mendonça na relatoria de inquéritos policiais.

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Foto: G1 Política
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03/09 às 20:45, atualizado 09/09 às 07:10

Pontos principais

  • O pedido de investigação foi formalizado por Moraes no âmbito do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news.
  • Moraes aponta indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça.
  • As suspeitas referem-se à condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero, que investigam o Banco Master e fraudes no INSS.
  • Relatórios da Polícia Federal indicam que Mendonça teria usurpado a direção de investigações e solicitado acesso antecipado a dados brutos.
  • O ministro é acusado de tentar direcionar apurações contra o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
  • A Polícia Federal alega que Mendonça buscou benefícios extralegais em negociações de delações premiadas.
  • O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Moraes, Mendonça, o PGR Paulo Gonet e o diretor da PF prestem esclarecimentos em cinco dias.
  • A Procuradoria-Geral da República manifestou-se pela nulidade da investigação conduzida por Mendonça por falta de pedido do Ministério Público.
  • A crise escalou após Mendonça retirar o sigilo de documentos que expunham diálogos entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, um pedido formal de investigação contra o ministro André Mendonça. A decisão, proferida no bojo do Inquérito 4.781, aponta a existência de fortes indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. O documento baseia-se em relatórios de inteligência da Polícia Federal que detalham a atuação de Mendonça na relatoria das operações Sem Desconto e Compliance Zero, as quais apuram irregularidades envolvendo o Banco Master e fraudes no INSS.

Segundo o relato da Polícia Federal, o magistrado teria usurpado a direção das investigações policiais, determinando diligências sem autorização específica e solicitando acesso antecipado a materiais apreendidos. O relatório aponta que Mendonça teria tentado direcionar o foco das apurações contra autoridades com foro privilegiado, incluindo o próprio ministro Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Além disso, a PF sustenta que o ministro teria interferido indevidamente em tratativas de colaboração premiada, sugerindo benefícios que contrariam a Lei das Organizações Criminosas.

A tensão no tribunal atingiu um novo patamar após André Mendonça decidir pela retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal que expunha diálogos entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Em resposta, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se pela nulidade dos procedimentos conduzidos por Mendonça, argumentando que o magistrado teria extrapolado suas atribuições constitucionais ao determinar diligências na fase pré-processual sem a devida provocação do Ministério Público.

Diante da gravidade das acusações e do impacto institucional, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que os envolvidos — Alexandre de Moraes, André Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues — prestem informações detalhadas sobre o caso no prazo de cinco dias úteis. O objetivo é esclarecer a condução das investigações, o cumprimento das normas da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) e a legalidade dos acessos aos documentos sigilosos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o cenário, defendendo que as investigações ocorram sem blindagem e que o Judiciário adote um código de ética mais rigoroso para evitar a exposição de vazamentos seletivos. A crise coloca em xeque a condução de inquéritos sensíveis e a própria dinâmica de poder dentro do Supremo, enquanto aliados de Mendonça interpretam a ofensiva de Moraes como uma tentativa de retirá-lo da relatoria das investigações sobre o Banco Master.

Fonte primária

STF / Alexandre de Moraes (decisão monocrática, via Poder360)

Decisão monocrática no Inquérito 4.781 (INQ 4781/DF)

Na decisão de 3/9/2026 no Inquérito 4.781 (inquérito das fake news), o relator Alexandre de Moraes determina o envio ao presidente do STF, Edson Fachin, de "Relatórios de Inteligência" da Polícia Federal que apontam, em tese, fortes indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por André Mendonça na relatoria das PETs 15041 (Operação Sem Desconto) e 15556 (Operação Compliance Zero). Os relatórios da PF descrevem: (1) usurpação da direção das investigações policiais, com determinação de acesso antecipado ao acervo bruto de extrações e dispensa de revisão do delegado sobre a Informação de Polícia Judiciária, quebrando a cadeia de custódia da prova; (2) participação direta do relator nas tratativas de colaboração premiada nas duas operações, inclusive indagando sobre o conteúdo das negociações e cogitando aplicar benefícios não previstos em lei; (3) direcionamento de investigação contra o próprio Alexandre de Moraes e contra o senador Davi Alcolumbre — presidente do Senado — por motivos pessoais e políticos, com Mendonça solicitando que a equipe de investigação lhe encaminhasse "provocação" contra Moraes, e determinando de ofício diligência para obter a íntegra de mensagens envolvendo o ministro sem autorização específica. A decisão ainda relata que Mendonça teria ameaçado afastar o diretor-geral da Polícia Federal e transformar o procurador-geral da República em testemunha por sua proximidade com o ministro Gilmar Mendes. Com base nos arts. 102, I, 'b', da Constituição, 33, parágrafo único, da LOMAN e 5º, I, do RISTF, Moraes remete a decisão e a documentação a Fachin "para as providências que entender necessárias", determina o levantamento do sigilo do documento e dá ciência à PGR.

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