O que é a Intel
A Intel Corporation é uma fabricante americana de semicondutores com sede em Santa Clara, na Califórnia. Projeta processadores para computadores pessoais e servidores, as linhas Core, Core Ultra e Xeon, e, diferentemente de rivais como a AMD e a NVIDIA, também fabrica os próprios chips. Em 2025, faturou US$ 52,85 bilhões, teve prejuízo líquido de US$ 267 milhões e empregava 85,1 mil pessoas. O CEO é Lip-Bu Tan, no cargo desde 18 de março de 2025.
Na cadeia de suprimentos de chips, a Intel ocupa a ponta do cliente final de equipamentos. Para produzir wafers nas fábricas dos Estados Unidos, da Irlanda e de Israel, compra máquinas de litografia da ASML, equipamentos de deposição e corrosão da Applied Materials, da Lam Research e da Tokyo Electron, e sistemas de inspeção da KLA. Por meio da Intel Foundry, também vende capacidade de fabricação a outras empresas, em concorrência direta com a TSMC e a Samsung.
Processadores Intel: Core, Core Ultra e Xeon
A família Core estreou em 2006 com a microarquitetura Core e a série Core 2. Em 2008, com a geração Nehalem, veio a nomenclatura Core i3, i5 e i7, ainda a mais buscada pelos consumidores. A marca Core Ultra substituiu a numeração "i" nos chips mais recentes para notebooks e desktops.
Em janeiro de 2026, na CES, a Intel lançou a série Core Ultra 3, de codinome Panther Lake, os primeiros chips produzidos no processo Intel 18A. O nó introduz transistores RibbonFET e entrega de energia pela parte de trás do wafer (PowerVia). O lançamento reuniu 14 chips em cinco famílias, com disponibilidade global a partir de 27 de janeiro.
Para servidores, a linha é a Xeon. A disputa nesse segmento ficou mais dura: no terceiro trimestre de 2025, a Intel tinha 63,3% do mercado de CPUs de servidor e a AMD, 36,5%, quando em 2020 a fatia da Intel passava de 90%. No segundo trimestre de 2026, segundo a Mercury Research, a participação da Intel no mercado total de processadores x86 caiu para 65,9%, ante 70,6% um ano antes.
Placas de vídeo Intel Arc
A Arc é a linha de placas de vídeo dedicadas da Intel. As placas B570 e B580, voltadas a jogos, usam a arquitetura Xe2 (Battlemage). Em 25 de março de 2026, a empresa lançou a Arc Pro B70, com 32 GB de memória e preço de tabela de US$ 949, destinada a estações de trabalho e a cargas de inteligência artificial.
Intel Foundry e as fábricas
Em março de 2021, o então CEO Pat Gelsinger anunciou a estratégia IDM 2.0, que criou uma unidade de fabricação para terceiros, hoje chamada Intel Foundry. A divisão ainda dá prejuízo: no segundo trimestre de 2026, faturou US$ 5,8 bilhões, alta de 31% em um ano.
As principais fábricas ficam no Oregon (Hillsboro, onde está a fábrica de desenvolvimento D1X), no Arizona (campus de Ocotillo, em Chandler), na Irlanda (Leixlip), em Israel (Kiryat Gat) e na Malásia, primeira unidade fora dos EUA, aberta em 1972. A megafábrica planejada em Magdeburg, na Alemanha, foi cancelada em 2025. Em abril de 2026, a Intel acertou pagar US$ 14,2 bilhões para recomprar os 49% que o fundo Apollo detinha na fábrica de Leixlip.
Em outubro de 2026, a Intel informou que a instalação de ferramentas na Fab 62, sexta fábrica de alto volume do campus de Ocotillo, está em andamento, com operação prevista até o fim de 2028. Em Ohio, foi instalada a primeira grande treliça estrutural da primeira fábrica do complexo Ohio One, em New Albany. Pelo cronograma que a empresa entregou ao governo de Ohio em fevereiro de 2025, essa fábrica começa a operar entre 2030 e 2031.
Em 14 de outubro de 2026, uma explosão na fábrica de Kiryat Gat matou dois trabalhadores e deixou um terceiro em estado grave. A polícia suspeita da ruptura de um recipiente de gás durante o descarregamento de caminhões; o vazamento envolveu trifluoreto de nitrogênio, gás tóxico usado na limpeza de câmaras de fabricação. A Intel disse cooperar com a investigação.
Entre os clientes externos já anunciados estão a Tesla: em abril de 2026, Elon Musk disse que a Terafab, complexo de chips em Austin, usará o processo 14A da Intel, ainda em desenvolvimento. Em 18 de junho de 2026, o presidente Donald Trump afirmou que a Apple trabalhará com a Intel para fabricar chips nos EUA; até aquela data, nenhuma das duas empresas havia confirmado os termos do acordo.
Quem fornece as máquinas da Intel
Uma fábrica de chips de ponta depende de um punhado de fornecedores de equipamentos. A Intel declara à SEC, a reguladora do mercado americano, que depende de fornecedores únicos, como a ASML para as ferramentas de litografia EUV usadas nos processos Intel 4, Intel 3 e Intel 18A. A Fab 34, em Leixlip, produz nos processos Intel 4 e Intel 3, que usam EUV.
A empresa também foi a primeira a adotar a geração seguinte, a High NA EUV. Recebeu a EXE:5000 em 2023 para a fábrica de pesquisa no Oregon e, em dezembro de 2025, concluiu os testes de aceitação da TWINSCAN EXE:5200B, que a ASML apresenta como o primeiro scanner High NA comercial. O 14A deve ser o primeiro processo a usar High NA nas camadas mais críticas. Em outubro de 2026, a Intel confirmou que já usa a ferramenta na produção em volume de partes dos chips Panther Lake.
As máquinas de litografia, por sua vez, dependem de uma cadeia própria: as ópticas vêm da Zeiss e os lasers que geram a luz EUV, da TRUMPF. Fora da litografia, Applied Materials, Lam Research e Tokyo Electron fornecem as etapas de deposição e corrosão, e a KLA, a inspeção. Em outubro de 2026, a Intel virou parceira fundadora do EPIC Center, centro de pesquisa da Applied Materials no Vale do Silício. Segundo a própria Intel, suas operações nos EUA envolvem mais de 4.500 fornecedores em 49 estados, com gasto anual superior a US$ 29 bilhões no país.
Ações da Intel e o governo dos EUA
A Intel é listada na Nasdaq sob o código INTC; no Brasil, é negociada na B3 como BDR, com o código ITLC34. Em agosto de 2025, o governo dos EUA comprou 433,3 milhões de ações a US$ 20,47 cada, ficando com 9,9% da empresa, numa participação passiva, sem assento no conselho. Uma semana antes, o SoftBank havia comprado ações a US$ 23 cada. Em setembro, a NVIDIA investiu US$ 5 bilhões na Intel, numa parceria para CPUs de data center e PCs.
As ações dispararam em 2026. Em 24 de abril, subiram 23,6% em um dia, para US$ 82,73, a maior alta diária desde outubro de 1987. Em agosto, a Intel vendeu 210,5 milhões de novas ações a US$ 95 cada e captou US$ 20 bilhões, acima dos US$ 15 bilhões planejados; o prospecto diz que o dinheiro tem fins corporativos gerais, que podem incluir investimento em fábricas.
O motor da recuperação são os data centers. No segundo trimestre de 2026, a receita total foi de US$ 16,1 bilhões, alta de 25% sobre o ano anterior, e a divisão de data center e IA faturou US$ 6,3 bilhões, alta de 59%. A empresa projetou receita de US$ 15,8 bilhões a US$ 16,8 bilhões para o terceiro trimestre.
Intel no Brasil
A Intel mantém operação comercial no Brasil, sem fábrica no país. Em maio de 2026, nomeou João Bortone diretor-geral para a América Latina e, em agosto, André Ribeiro, funcionário da empresa desde 2006, como country lead no Brasil.
História
A Intel foi fundada em 18 de julho de 1968, em Mountain View, por Gordon Moore e Robert Noyce, com apoio do investidor Arthur Rock. O primeiro produto foi a memória SRAM 3101, de 1969. Em 15 de novembro de 1971, lançou o 4004, o primeiro microprocessador comercial. O 8086, de 1978, deu origem à arquitetura x86, que se espalhou com o IBM PC em 1981 e continua no centro dos computadores pessoais. O Pentium chegou em 1993.
Nos anos 2010, a empresa enfrentou atrasos nos produtos de 10 nm, que o então CEO Bob Swan atribuiu a uma estratégia agressiva demais na transição entre nós. Pat Gelsinger assumiu como CEO em 15 de fevereiro de 2021 e se aposentou em 1º de dezembro de 2024. Lip-Bu Tan, CEO da Cadence Design Systems de 2009 a 2021, foi nomeado em março de 2025.
