O que é a Applied Materials
A Applied Materials é uma fabricante americana de equipamentos para a produção de semicondutores, com sede em Santa Clara, na Califórnia. É a segunda maior fornecedora de equipamentos de fabricação de chips do mundo em receita, atrás apenas da ASML. No ano fiscal de 2025, encerrado em outubro, faturou US$ 28,37 bilhões, lucrou US$ 7 bilhões e tinha 36,5 mil funcionários. O presidente e CEO é Gary Dickerson, no cargo desde setembro de 2013.
Na cadeia de suprimentos de chips, a Applied vende as máquinas que depositam, removem e modificam as camadas de material sobre o wafer, etapas que se repetem muitas vezes ao longo da fabricação de um chip. Entre os clientes estão fabricantes como TSMC, Intel, Samsung, Micron e SK Hynix. Disputa esses mercados com a Lam Research e a Tokyo Electron e, em inspeção, com a KLA.
Ações da Applied Materials
A Applied Materials é listada na Nasdaq sob o código AMAT. No Brasil, é negociada na B3 como BDR, com o código A1MT34.
No terceiro trimestre do ano fiscal de 2026, encerrado em 26 de julho e divulgado em 13 de agosto, a receita foi recorde, de US$ 9,12 bilhões, alta de 25% em um ano, e o lucro por ação ajustado foi de US$ 3,50, alta de 41%. Dickerson atribuiu o resultado à construção de infraestrutura de inteligência artificial e elevou a previsão de crescimento da receita para 2026.
O que a Applied Materials fabrica
A empresa organiza o negócio em três segmentos: produtos para semicondutores, serviços globais (manutenção, peças e atualização da base instalada) e equipamentos para telas e mercados adjacentes. Os principais equipamentos são:
- Deposição: deposição atômica em camadas (ALD), deposição química a vapor (CVD) e deposição física a vapor (PVD), que aplicam filmes finos de metais e isolantes;
- Corrosão (etch), que remove material para desenhar as estruturas;
- Polimento químico-mecânico (CMP), que aplaina o wafer entre uma camada e outra;
- Implantação iônica e processamento térmico rápido (RTP);
- Inspeção e metrologia de wafers;
- Sistemas para fabricação de telas e software de automação de fábricas.
EPIC Center e parcerias com fabricantes de chips
A Applied construiu no Vale do Silício o EPIC Center, centro de pesquisa de US$ 5 bilhões que a empresa descreve como o maior investimento já feito nos EUA em pesquisa de equipamentos para semicondutores. A ideia é que fabricantes de chips desenvolvam novos materiais e processos junto com a Applied, encurtando o tempo entre a pesquisa e a produção. TSMC, Intel, Samsung, Micron e SK Hynix são parceiras fundadoras. Em 6 de outubro de 2026, a Applied e a Intel anunciaram uma colaboração em transistores de próxima geração, interconexões e empacotamento avançado, ligando o EPIC Center ao campus de pesquisa da Intel em Hillsboro, no Oregon.
Fábricas e expansão
Em junho de 2026, a empresa inaugurou em Tampines, Singapura, um campus de fabricação de US$ 500 milhões que mais que dobra sua área de salas limpas no país e deve criar cerca de mil empregos. A abertura estava prevista originalmente para 2024. Em setembro de 2026, na Semicon India, anunciou investimento de US$ 5 bilhões na Índia ao longo de dez anos, com um parque de pesquisa de 140 acres.
China e controles de exportação
A China é um mercado relevante para a Applied, e as restrições americanas pesam sobre ele. Em novembro de 2023, veio a público que o Departamento de Justiça dos EUA investigava a empresa por ter enviado equipamentos à chinesa SMIC via Coreia do Sul, em suposta violação de sanções. Em fevereiro de 2026, a Applied fechou acordo com o departamento e aceitou pagar multa de US$ 252 milhões.
No fim de abril de 2026, segundo a Reuters, o Departamento de Comércio enviou cartas a fabricantes de equipamentos, entre elas Applied Materials, Lam Research e KLA, ordenando a suspensão de parte dos envios à Hua Hong, segunda maior fabricante de chips por contrato da China. As ações da Applied caíram 5,8% no dia. Mais em Controles de Exportação de Chips.
História
A Applied Materials foi fundada em 10 de novembro de 1967 por Michael McNeilly e sócios. James Morgan assumiu como CEO em 1976. Em setembro de 2013, a Applied anunciou a fusão com a japonesa Tokyo Electron, que criaria uma empresa chamada Eteris, avaliada em cerca de US$ 29 bilhões; o negócio foi cancelado em 27 de abril de 2015 por objeções antitruste. Em 2019, tentou comprar a japonesa Kokusai Electric do fundo KKR por US$ 2,2 bilhões e desistiu em março de 2021, diante da demora do órgão regulador chinês em aprovar a operação.
