O que é a Apple
A Apple Inc. é uma empresa de tecnologia norte-americana com sede em Cupertino, na Califórnia. Projeta e vende computadores (Mac), smartphones (iPhone), tablets (iPad), relógios inteligentes (Apple Watch) e acessórios, além dos sistemas operacionais que rodam neles (iOS, macOS, watchOS) e de um conjunto de serviços por assinatura — App Store, Apple Music, Apple TV, iCloud e Apple Pay, entre outros.
Em 28 de julho de 2026, a ação da Apple subiu 1,8% na abertura, a US$ 342,89, e a empresa ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado — movimento intradiário, já que o papel devolveu a alta e fechou o dia praticamente estável. Foi a segunda empresa da história a alcançar esse patamar, depois da Nvidia. No acumulado de 2026 até aquela data, a ação subia cerca de 25%. Em 8 de setembro de 2026, o valor de mercado estava em US$ 4,61 trilhões, com alta acumulada de 16,2% no ano.
História e origem
A Apple foi fundada em 1º de abril de 1976, na Califórnia, por Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne. O primeiro produto foi o Apple I, um protótipo do qual cerca de 200 unidades foram vendidas. O Apple II, de 1977, foi o primeiro grande sucesso comercial da empresa.
Em 1983 veio o Apple Lisa, primeiro computador da empresa com interface gráfica, e em 1984 o Macintosh 128K. Jobs deixou a Apple em 1985 e fundou a NeXT Computer. Retornou em 1997, quando a Apple comprou a NeXT, e conduziu a reestruturação que produziu a sequência de lançamentos seguinte: o iPod, em 2001, que reorganizou o mercado de música portátil; o iPhone, em 2007; e o iPad, em 2010.
Tim Cook assumiu o comando da empresa em 2011, ano da morte de Jobs. Em 2 de agosto de 2018, a Apple se tornou a primeira empresa de capital aberto dos Estados Unidos a valer US$ 1 trilhão.
Quem comanda a Apple
Em 20 de abril de 2026, a Apple anunciou a transição de comando: Tim Cook passou a presidente executivo do conselho de administração (executive chairman) e John Ternus assumiu como CEO em 1º de setembro de 2026. Ternus entrou na Apple em 2001, na equipe de design de produtos, tornou-se vice-presidente de Engenharia de Hardware em 2013 e passou a integrar o time executivo em 2021, como vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware.
No comunicado, Cook descreveu o sucessor como alguém que "tem a mente de um engenheiro, a alma de um inovador e o coração para liderar com integridade e honra". Ternus afirmou ter tido "a sorte de trabalhar sob Steve Jobs e de ter Tim Cook como mentor" ao longo da carreira. Arthur Levinson, presidente do conselho, disse que "a liderança sem precedentes de Tim transformou a Apple na melhor empresa do mundo". O diretor financeiro é Kevan Parekh.
Ao formalizar a troca, a Apple informou à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) os pacotes de remuneração dos dois. Para o ano fiscal de 2027, Ternus tem alvo de cerca de US$ 58 milhões: salário de US$ 3 milhões e ações restritas (RSUs) com valor-alvo de US$ 55 milhões, das quais 25% liberadas pelo tempo de casa, em parcelas semestrais ao longo de quatro anos, e 75% condicionadas ao desempenho da ação da Apple em relação às demais empresas do S&P 500. Recebeu ainda uma concessão proporcional de US$ 2,5 milhões referente ao ano fiscal de 2026. Cook tem alvo de cerca de US$ 47 milhões como executive chairman: salário de US$ 2 milhões e ações com valor-alvo de US$ 45 milhões, metade atrelada ao tempo e metade ao desempenho.
A troca de comando veio acompanhada de uma reorganização do time executivo. Em 31 de agosto de 2026, véspera da posse de Ternus, Phil Schiller deixou o comando da App Store e dos eventos de produto, funções que acumulava havia anos — foi vice-presidente sênior de marketing mundial até 2020, quando se tornou Apple Fellow, cargo que mantém, agora dedicado a iniciativas não especificadas. A App Store passou para a área de Serviços, sob Eddy Cue, com Carson Oliver na operação do dia a dia, reportando diretamente a Cue. Os eventos ficaram com Nola Weinstein, adjunta de Schiller na função desde 2023, que passa a se reportar a Kristin Huguet Quayle, vice-presidente de comunicação da empresa. A apresentação de 9 de setembro é a primeira sob a coordenação de Weinstein.
iPhone e as linhas de produto
O iPhone, lançado em 2007, é o principal produto da empresa em receita.
Além do iPhone, a Apple mantém as linhas Mac (computadores), iPad (tablets), Apple Watch (relógios) e acessórios como AirPods, além do software que roda em todas elas.
Em 13 de setembro de 2026, o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, informou que a empresa desenvolve um controle de jogo para iPhone que deve ser vendido sob a marca Beats, com o projeto supervisionado por executivos da própria Beats. Referências a dois modelos, identificados como T6502 e T1057, apareceram no código de uma versão beta do macOS, com menções a direcional, alavancas analógicas, motores de vibração e, possivelmente, acelerômetro e giroscópio para controles de movimento. A Apple não anunciou o produto nem data de lançamento.
O evento de 9 de setembro de 2026
Em 9 de setembro de 2026, às 10h no horário do Pacífico (14h em Brasília), a Apple realizou no Steve Jobs Theater, em Cupertino, o evento "Surprise and shine", primeiro sob o comando de John Ternus. Foram apresentados o iPhone Duo — o primeiro dobrável da empresa —, os iPhone 18 Pro e Pro Max, o Apple Watch Series 12 e o Ultra 4, os AirPods 5, uma versão redesenhada do aplicativo Saúde e a data de lançamento do iOS 27.
No palco, Ternus posicionou o iPhone como centro da estratégia de inteligência artificial da empresa: "não há produto no mundo mais bem projetado para ser o seu hub pessoal inteligente do que o iPhone". A formulação retoma a estratégia de "hub digital" que Steve Jobs apresentou em 2001, quando defendeu a permanência do computador pessoal e anunciou o iPod como aparelho complementar.
A empresa aproveitou o evento para lançar o AppleCare One Family, plano que estende a cobertura de garantia a todos os aparelhos elegíveis de um grupo de Compartilhamento Familiar de até seis pessoas, por US$ 49,99 mensais, disponível inicialmente nos Estados Unidos.
iPhone Duo
O iPhone Duo tem tela interna Super Retina XDR de 7,6 polegadas — 50% maior que a do iPhone 18 Pro Max — e tela externa de 5,4 polegadas, ambas com ProMotion, modo Always On e brilho de pico de 3.000 nits. Roda o chip A20 Pro, com CPU de 6 núcleos, GPU de 7 núcleos e dois Neural Engines de 16 núcleos. O conjunto de câmeras traseiras reúne uma Fusion de 48 megapixels com zoom óptico de 2x e uma ultra-angular. A bateria é dupla e a empresa informa até 31 horas de reprodução de vídeo na tela interna e 44 horas na externa.
O corpo é de titânio grau 5, com proteção Ceramic Shield 2 e certificação IP68. O Touch ID voltou, posicionado no botão lateral, no lugar do Face ID, e o aparelho é o primeiro iPhone compatível com o Apple Pencil, com uma versão do iOS reorganizada para multitarefa em telas de tamanhos e orientações diferentes. A dobradiça é de alumínio grau 5 e reúne mais de cem componentes desenvolvidos especificamente para ela; a Apple informou ter usado inteligência artificial e impressão 3D no projeto e na fabricação da peça.
Nos Estados Unidos, o preço parte de US$ 1.999 na configuração de 256 GB e chega a US$ 3.199 na de 2 terabytes, nas cores branco estelar e céu noturno. No Brasil, os valores vão de R$ 21.999 (256 GB) a R$ 30.999 (2 TB), com pré-venda a partir de 16 de outubro de 2026 e entrega a partir de 23 de outubro. Uma capa oficial do aparelho custa R$ 1.299. A linha de acessórios próprios do aparelho tem duas peças: a iPhone Duo Case, capa de duas partes que envolve os dois lados do aparelho, nas cores areia e azul-marinho, por US$ 79; e a iPhone Duo Folio, com apoio embutido que se ajusta a vários ângulos, nas cores azul-marinho e taupe, por US$ 129. As duas têm ímãs integrados compatíveis com MagSafe, com Qi2 de até 25 W e com carregadores certificados pelo padrão Qi, e ficam disponíveis para encomenda a partir de 16 de outubro de 2026.
O desenvolvimento se arrastou por anos. Segundo a Bloomberg, equipes da Apple já estudavam o formato antes de a Samsung popularizar a categoria com o Galaxy Fold, em 2019, e o projeto foi acelerado a partir de 2020, por interesse direto de Tim Cook. A saída encontrada para o vinco — a marca que aparece no centro da tela pelo uso repetido da dobra — combinou a nova dobradiça a um vidro protetor desenvolvido com a Corning. A tentativa de eliminar esse vinco é apontada como uma das causas do gargalo de produção: segundo o Nikkei Asia, a Apple acrescentou em agosto de 2026 mais uma rodada de testes à linha de montagem, que passou a operar em ritmo lento. A escassez global de memória encareceu a produção, e a empresa manteve a entrada no preço-alvo de US$ 1.999 que havia estabelecido, repassando o custo extra às configurações de maior armazenamento.
O gargalo já apareceu nas projeções. Em 15 de setembro de 2026, o analista Jeff Pu reduziu a estimativa de remessas do aparelho em 2026 de 7 milhões para 6 milhões de unidades, atribuindo o corte às restrições no fornecimento da dobradiça. Na mesma conta, o iPhone 18 Pro e o Pro Max somariam cerca de 72 milhões de unidades no ano, doze vezes o volume do dobrável. A limitação pode deixar o Duo em falta nas lojas logo depois da chegada às vendas, em 23 de outubro de 2026.
iPhone 18 Pro e Pro Max
Os iPhone 18 Pro e Pro Max mantêm o desenho da geração anterior, com Dynamic Island menor, e estreiam o chip A20 Pro, fabricado em processo de 2 nanômetros, com CPU de 6 núcleos, GPU de 7 núcleos até 40% mais rápida e Neural Engine de 32 núcleos. O sistema de resfriamento passou a usar câmara de vapor. As cores são preto profundo, prata, glaciar e bordô.
A câmera principal é uma Fusion de 48 megapixels com abertura variável, controlada por seis lâminas cortadas a laser, com quatro configurações de lente e cerca de 50% mais luz em ambientes escuros. As quatro posições do diafragma vão de f/1.8 a f/4. O recurso já havia aparecido em celulares: a Samsung usou um diafragma mecânico, de duas posições (f/1.5 e f/2.4), no Galaxy S9, de 2018, e no Galaxy S10, e o abandonou na geração seguinte, o Galaxy S20, sem explicação oficial. O aplicativo ganhou controles manuais de velocidade do obturador e balanço de branco, além de histograma e waveform, e o aparelho grava vídeo em 4K com Dolby Vision HDR. O Pro Max chega a 45 horas de reprodução de vídeo.
O primeiro resultado público de desempenho saiu em 10 de setembro de 2026: no Geekbench, o iPhone 18 Pro marcou 4.719 pontos em núcleo único e 12.677 em multinúcleo, contra 3.753 e 11.259 do Galaxy S26 Ultra, da Samsung, que roda o Snapdragon 8 Gen 5 Elite — uma vantagem de cerca de 26% e 13%, respectivamente.
Os modelos também trazem o Apple Reference Image, recurso que funciona como um negativo digital: usa dados do sensor da câmera, processados no Private Cloud Compute, para atestar que uma fotografia não foi alterada por inteligência artificial depois do registro. O aparelho suporta ainda o padrão SynthID de marcação de conteúdo sintético.
Em 15 de setembro de 2026, a Apple publicou no blog de pesquisa de segurança da empresa a arquitetura técnica do recurso. A cadeia de confiança começa na fábrica: ao ser ativado pela primeira vez, o sensor de imagem gera um par de chaves criptográficas ECDSA P-256 e nunca entrega a metade privada, enquanto a linha de montagem registra apenas a chave pública, acompanhada de um certificado. O Secure Enclave, o processador isolado do aparelho, passa por um processo equivalente, com certificação da Basic Attestation Authority da própria Apple. No momento do registro, o sensor assina os dados do quadro digitalizado junto com os metadados embutidos, e o Secure Enclave assina os metadados vindos do sistema — zoom, exposição e parâmetros da lente —, com marcação de tempo no padrão RFC 3161 entregue pelo serviço de notificações da empresa. O revelado da imagem acontece no Private Cloud Compute, que roda software auditável publicamente a partir de um registro de transparência somente-adição, calcula uma pontuação de confiança sobre a foto ter ou não as características físicas esperadas de um sensor e assina o arquivo final com uma assinatura híbrida resistente a computação quântica. Quem recebe a imagem verifica a assinatura e confere se o identificador da foto não consta de uma lista de revogação.
A empresa também levou o novo sistema de câmeras a uma exposição. Em 16 de setembro de 2026, a Apple anunciou a mostra "What Holds Us", com curadoria de Kathy Ryan, ex-diretora de fotografia da revista The New York Times Magazine, reunindo imagens feitas exclusivamente com o iPhone 18 Pro por três fotógrafos: Jimmy Chin, com montanhas e escalada nas Bugaboo, na Colúmbia Britânica; Jack Davison, com retratos de estúdio em Londres em que os retratados manipulam argila e giz; e Alex Prager, com cenas de multidão registradas num estúdio de Los Angeles. A exposição ficou em cartaz em Nova York de 18 a 20 de setembro de 2026 e, nos meses seguintes, segue para Londres e Xangai. No material de divulgação, Ryan afirmou que "o que torna o iPhone uma ferramenta criativa tão convincente é a imediatez — ele coloca a capacidade de ver, experimentar e criar diretamente nas mãos de todos".
Nos Estados Unidos, o iPhone 18 Pro parte de US$ 1.199 e o Pro Max de US$ 1.299 — US$ 100 a mais que os equivalentes da linha 17 Pro. No Brasil, os preços vão de R$ 11.999 (18 Pro, 256 GB) a R$ 21.999 (18 Pro Max, 2 TB). A pré-venda começa em 12 de setembro de 2026 e as vendas em 18 de setembro.
Os modelos iPhone 18 e iPhone 18 Air não foram apresentados no evento e são esperados para o fim de março ou o início de abril de 2027 — a primeira vez que a empresa divide o lançamento de uma geração em duas ondas.
Em 14 de setembro de 2026, Mark Gurman, da Bloomberg, detalhou o que deve compor essa segunda onda. Para o primeiro semestre de 2027, além do iPhone 18, com o chip A20, a empresa prepara o iPhone 18e e o iPhone Air 2, este com o A20 Pro, um iPad Air com tela OLED, um MacBook Neo com chip A19 Pro e um MacBook Air com chip M6.
O evento confirmou também o iPhone Handoff, recurso do iOS 27 que permite usar o mesmo número de telefone em dois iPhones. O sistema mantém o eSIM principal em um aparelho e um eSIM companheiro no outro, com as configurações de rede administradas pelo primeiro. O uso depende de suporte da operadora e de os dois aparelhos estarem na mesma linha; a T-Mobile, nos Estados Unidos, e a Deutsche Telekom, na Alemanha, estão entre as primeiras a aparecer como compatíveis.
AirPods 5
Os AirPods 5 foram anunciados em 9 de setembro de 2026 com arquitetura acústica redesenhada e cancelamento ativo de ruído que remove até 50% mais som externo que os AirPods 4. Ganharam controle de volume na haste, integração com a nova Siri e tradução ao vivo. A autonomia é de cinco horas por carga com o cancelamento ligado e 22 horas somando o estojo.
São duas versões: US$ 129 na configuração padrão e US$ 149 com estojo de carregamento sem fio — R$ 1.499 e R$ 1.699 no Brasil. A pré-venda começou no dia do anúncio e as vendas começam em 18 de setembro de 2026.
Preços e a escassez de chips de memória
Em 9 de setembro de 2026, no mesmo dia em que anunciou a nova geração, a Apple elevou em US$ 100 o preço de todos os modelos anteriores que continuava vendendo, revertendo a prática de anos anteriores, quando reduzia os valores das gerações antigas logo após um lançamento. Nos Estados Unidos, o iPhone 16 passou a US$ 799, o iPhone 17e a US$ 699, o iPhone 17 a US$ 899 e o iPhone Air a US$ 1.099.
No Brasil, o reajuste chegou a R$ 2.000. A maior alta foi na versão de 1 TB do iPhone Air, que saiu de R$ 13.499 para R$ 15.499; as demais configurações do mesmo modelo subiram R$ 500, e os iPhone 16, 17 e 17e ficaram entre R$ 200 e R$ 300 mais caros. A Apple também retirou da própria loja on-line o iPhone 17 Pro, o iPhone 17 Pro Max e o iPhone 16 Plus, que seguem à venda em varejistas.
A causa apontada é o encarecimento dos chips de memória, pressionados pela demanda de data centers de inteligência artificial, que levou os fabricantes a redirecionar investimento para componentes mais avançados. Ainda como CEO, em junho de 2026, Tim Cook havia dito ao Wall Street Journal que "infelizmente, os aumentos de preços são inevitáveis", que a situação ficara "insustentável" depois de fornecedores repassarem aumentos "exorbitantes" e que se tratava de "uma enchente que acontece uma vez a cada cem anos". Segundo ele, a preocupação central estava nos chips de RAM.
O mercado de dobráveis
A Apple chega por último a uma categoria que existe desde 2019 e continua pequena. Em 2025, os dobráveis responderam por menos de 2% do mercado global de celulares em unidades, cerca de 20 milhões de aparelhos, segundo a Counterpoint Research. A mesma consultoria projeta que a Apple produza mais de 12 milhões de unidades em 2027, o equivalente a 5% dos iPhones. Para 2026, a IDC projeta crescimento de 12% nas vendas de dobráveis, com 22,9 milhões de aparelhos — a categoria é apontada como o raro ponto de expansão de um mercado de celulares estagnado. Nabila Popal, diretora da IDC, atribui parte do apelo à exclusividade: "sempre que algo é exclusivo, limitado e luxuoso, a psicologia do consumidor reage positivamente". Na faixa de preço em que o iPhone Duo entra, a US$ 1.999, os concorrentes diretos são o dobrável da Samsung e o Pixel 11 Pro Fold, do Google, ambos a US$ 1.900.
A líder do segmento é a Samsung, com 40% do mercado global de dobráveis em 2025, também pelos números da Counterpoint. A sul-coreana lançou em julho de 2026 o Galaxy Z Fold 8 e o Galaxy Z Flip 8 e informou à revista Fortune crescimento de 30% no volume anual de vendas da linha. Segundo Dave Das, executivo da empresa, o Z Fold 8 e o Z Fold Ultra 8 respondem por 40% cada das vendas de dobráveis da marca, e o Z Flip 8 pelos 20% restantes. Os preços vão de US$ 1.200 a US$ 2.100.
A estreia acontece com o segmento já ocupado também pelos fabricantes chineses. Em 7 de setembro de 2026, dois dias antes do evento da Apple, a Huawei apresentou o Mate XT2, com vendas a partir de 12 de setembro e preços entre 19.999 e 24.999 iuanes. A chinesa respondeu por 68% das remessas de dobráveis na China no segundo trimestre de 2026.
A resposta da Samsung ao anúncio veio pela conta Samsung Mobile US no X. Antes do evento, a sul-coreana ironizou que já estava "dobrando em três" enquanto a Apple fazia o público esperar, referência à linha Galaxy Z. Depois da apresentação, disse que o iPhone Duo "parece muito familiar", marcou a conta do Duolingo para brincar com o nome escolhido e pediu que a Apple avisasse quando terminasse de "requentar nossas sobras". Encerrou com "houve alcance? Não. Foi emocionante? Não. Aconteceu? Sim", acompanhado da hashtag #ItsTimeToSwitch.
O lançamento também mexeu com o cronograma da concorrente. Em 14 de setembro de 2026, o site 9to5Google informou, com base no vazador conhecido como Lanzuk, que a Samsung avalia antecipar dois aparelhos antes previstos para 2027: o Galaxy Z TriFold 2, sucessor do modelo de duas dobradiças, que deve ficar mais fino, leve e resistente, e um celular de tela deslizável. A expectativa é manter o preço perto dos US$ 2.899 cobrados pelo primeiro TriFold, que estreou no fim de 2025, chegou aos Estados Unidos em janeiro de 2026 e foi descontinuado cerca de três meses depois. A Samsung não confirmou mudança de datas.
A estreia na China
Na China, o iPhone Duo tem preço sugerido de 15.999 iuanes (cerca de US$ 2.230), com pré-venda a partir de 16 de outubro de 2026 e vendas a partir do dia 23. É o mercado em que a aposta encontra a concorrência mais dura: o Xiaomi 18 Fold sai por 10.999 iuanes e o Mate XT2, da Huawei, por 19.999 iuanes, ambos lançados nos dias que antecederam e sucederam o evento da Apple.
A recepção inicial foi morna. Nas redes locais, parte das reclamações mirou o preço em relação à renda — um usuário do WeChat comparou o salário mensal de US$ 3 mil a US$ 4 mil do consumidor americano, que paga US$ 1.999 pelo aparelho, com os 3 mil a 4 mil iuanes ganhos no país para um produto de mais de 10 mil iuanes. Outro ponto citado foi a ausência de entrada para cartão SIM físico: o aparelho só funciona com eSIM, cuja ativação depende de ida a uma loja de operadora.
Pelos dados da Counterpoint Research, a Huawei liderou o mercado chinês de celulares no primeiro e no segundo trimestres de 2026, com a Apple em segundo lugar, seguida por Vivo e Oppo.
Apple Intelligence e a nova Siri
Em 12 de janeiro de 2026, Apple e Google anunciaram um acordo plurianual pelo qual a tecnologia do Gemini passa a servir de base para os Apple Foundation Models, o conjunto de modelos que sustenta a Apple Intelligence. Pelo comunicado conjunto, "após avaliação cuidadosa, a Apple determinou que a tecnologia de IA do Google oferece a base mais capaz para os Apple Foundation Models". Reportagens à época estimaram o pagamento em cerca de US$ 1 bilhão por ano. A Apple informou que a Apple Intelligence continua rodando nos próprios aparelhos e no Private Cloud Compute, sua infraestrutura de servidores. O acordo não é exclusivo, e a empresa não detalhou o que muda na integração anterior com o ChatGPT, da OpenAI.
O resultado apareceu no iOS 27, cujo beta foi liberado em 14 de julho de 2026. A Siri foi reconstruída e passou a sustentar conversas de ida e volta e responder a perguntas abertas, no formato de um chatbot, com um aplicativo dedicado que guarda o histórico sincronizado pelo iCloud. Os recursos de inteligência artificial exigem iPhone 15 Pro ou mais recente; o sistema em si roda a partir do iPhone 11. A versão final do iOS 27 chega em setembro de 2026, junto com os novos iPhones.
A distribuição da nova assistente esbarra em obstáculos regulatórios. Pela apuração do NeoFeed publicada em 8 de setembro de 2026, a Siri reformulada não estreia na Europa e, na China, a aprovação pode levar até 2028.
No evento de 9 de setembro de 2026, a Apple marcou para 14 de setembro o lançamento do iOS 27, do iPadOS 27, do watchOS 27 e do macOS 27 Golden Gate, todos com a nova Siri integrada. A assistente chega primeiro em inglês; o suporte ao português foi anunciado para outubro de 2026.
A empresa também detalhou limites de uso. Os recursos que dependem de processamento em nuvem — a própria Siri e a geração de imagens, entre outros — têm cotas diárias que variam conforme a complexidade do pedido, enquanto as funções mais simples rodam no próprio aparelho. Assinantes do iCloud+ recebem cotas maiores.
A distribuição começou em 14 de setembro de 2026, com iOS 27, iPadOS 27, macOS 27 Golden Gate, watchOS 27 e visionOS 27 liberados no mesmo dia. O iOS 27 roda a partir do iPhone 11 e do iPhone SE de segunda geração, mas os recursos de Apple Intelligence exigem iPhone 15 Pro ou modelo posterior. A nova Siri saiu em inglês e em versão beta; o suporte a português, francês, japonês, coreano e espanhol ficou previsto para outubro de 2026. Além da assistente, o sistema trouxe a Inteligência Visual, que identifica objetos apontados pela câmera, e ferramentas de edição de fotos com reenquadramento espacial e remoção de objetos.
Dois recursos anunciados para o iOS 27 ficaram de fora da versão inicial. O primeiro, no aplicativo Senhas, identificaria credenciais fracas ou vazadas e as trocaria automaticamente, usando a Apple Intelligence e o Safari. O segundo, no Mensagens, sugeriria ações a partir do contexto da conversa, como criar um compromisso no calendário ou localizar uma foto mencionada. Os dois chegaram a aparecer nas versões de teste e foram retirados antes do lançamento público. A Apple informou que serão integrados "em uma atualização futura de software", sem cronograma, e não explicou o motivo; o adiamento alcança também iPad e Mac.
Quem não migrou de imediato recebeu uma atualização paralela. Junto com o iOS 27, a Apple liberou o iOS 26.7, pacote de segurança que corrige cerca de 80 vulnerabilidades — entre elas a CVE-2026-43689, que permitia a um aplicativo malicioso obter privilégios de root, e a CVE-2026-43715, falha de uso após liberação de memória no WebKit, o motor do Safari. Dezesseis das correções estão no próprio sistema e cinco no ImageIO. A atualização vale do iPhone 11 em diante e de vários modelos de iPad.
A volta ao mercado de servidores
Em 16 de setembro de 2026, o site The Information informou, com base em pessoas a par do assunto, que a Apple desenvolve um servidor de inteligência artificial para o mercado corporativo, equipado com dois ou quatro chips M8 Ultra — os processadores de maior desempenho da linha, ainda não lançados. O alvo é o mercado de inferência, a etapa em que modelos já treinados são postos para rodar, e que hoje concentra o crescimento da demanda das empresas. Segundo a reportagem, o projeto começou há cerca de um ano, por iniciativa de John Ternus, então chefe de hardware e hoje presidente executivo.
Para conectar os chips entre si, a Apple avalia usar o NVLink Fusion, tecnologia de rede da Nvidia que permite a chips de terceiros se acoplarem aos sistemas de data center da fabricante. A aproximação contrasta com quase duas décadas de relação estremecida entre as duas empresas, rompida depois de falhas em MacBooks atribuídas a chips gráficos da Nvidia. O produto não é esperado antes de 2029 e pode ser cancelado ou lançado sem a tecnologia da Nvidia. Seria o primeiro hardware de servidor da Apple desde o Xserve, descontinuado em 2011. Procuradas pela Reuters, Apple e Nvidia não se manifestaram de imediato, e a agência informou não ter conseguido confirmar o relato de forma independente.
macOS 27 Golden Gate
O macOS 27 Golden Gate foi liberado em 14 de setembro de 2026. A mudança principal é a Siri, que virou aplicativo independente no Mac, com histórico de conversas e comandos por voz ou texto, e que pode ser acionada sobre qualquer ponto da tela para responder sobre o conteúdo visível, resumir e buscar.
A Inteligência Visual chegou ao computador com dois atalhos: Command + Shift + Espaço acrescenta a janela ativa como contexto da pergunta, e Command + Shift + 6 abre uma ferramenta de seleção de trecho da tela, com ações como Select, Add to Contact e Look up Location. O Spotlight passou a aceitar perguntas diretas à assistente e a buscar em aplicativos, arquivos, ações e histórico. O Safari ganhou monitoramento de páginas por inteligência artificial, que acompanha mudanças de preço e de políticas, e agrupamento automático de abas por tema.
O sistema só roda em Macs com chip da própria Apple — da série M ou o A18 Pro: MacBook Neo (2026), MacBook Air e MacBook Pro de 2020 em diante, iMac de 2021 em diante, Mac mini de 2020 em diante, Mac Studio de 2022 em diante e Mac Pro de 2023. É também a última versão do sistema a oferecer suporte ao Rosetta, a camada de tradução que permite rodar em Macs com processador Apple programas feitos para os modelos com chip Intel.
Apple Watch
O Apple Watch foi anunciado em 9 de setembro de 2014 e chegou às lojas dos Estados Unidos em 24 de abril de 2015; no Brasil, em 16 de novembro de 2015. Roda o sistema watchOS e depende de um iPhone para funcionar plenamente.
A linha vendida hoje no Brasil tem três modelos — Apple Watch Series 11, Apple Watch SE 3 e Apple Watch Ultra 3 —, além da variante Apple Watch Nike.
Em 9 de setembro de 2026, a Apple anunciou o Apple Watch Series 12 e o Apple Watch Ultra 4, ambos com o novo chip S11 e o desenho externo mantido. Os preços partem de US$ 399 e US$ 799 nos Estados Unidos; no Brasil, de R$ 5.499 para o Series 12 em alumínio (R$ 9.299 em titânio e R$ 11.899 em cerâmica) e de R$ 10.499 para o Ultra 4. A pré-venda começou no dia do anúncio e as vendas começam em 18 de setembro.
A autonomia do Ultra 4 é a maior já registrada em um relógio da empresa: até 50 horas de uso diário, ou 84 horas no modo de pouca energia, com um modo de treino estendido capaz de registrar até 45 horas ininterruptas de atividade. O Series 12 fica em 24 horas, com 15 minutos de carga rendendo até 12 horas adicionais.
Os sensores de saúde foram refeitos, com maior área de eletrodo para o eletrocardiograma e fotodiodos redesenhados para a leitura óptica. A frequência cardíaca passou a ser medida a cada cinco segundos ao longo do dia — 60 vezes mais que nos modelos anteriores — e a variabilidade cardíaca, 24 vezes mais no Series 12.
A novidade de software é um conjunto batizado de Audio Intelligence, de ativação opcional. O Live Rewind recupera em texto os últimos 15 segundos de uma conversa, acionado por dois toques na Digital Crown. O Siri Recap usa escuta ambiente para gerar títulos e pontos principais dos diálogos do dia em um aplicativo dedicado da Siri. O Sound Recognition identifica sirenes, alarmes, campainhas e choro de bebê, voltado a pessoas com perda auditiva. A Apple afirma que os recursos não criam nem armazenam gravações e que o áudio bruto é descartado logo após o processamento, sem acesso externo — ressalva que não encerrou o debate público sobre aparelhos em escuta permanente.
No mesmo evento, a empresa apresentou uma versão redesenhada do aplicativo Saúde, com uma aba de Insights que usa a Apple Intelligence para interpretar os dados coletados e duas métricas novas, a pontuação de prontidão e a idade da saúde, além de uma aba de longevidade que acompanha sono, movimento e saúde cardíaca. O lançamento ficou para o fim de 2026, inicialmente em inglês nos Estados Unidos.
Boa parte do apelo do produto está nos recursos de saúde, que a própria Apple delimita com ressalvas:
- ECG (eletrocardiograma): disponível no Series 4 e posteriores, exceto nos modelos SE, e indicado para maiores de 22 anos. Gera um eletrocardiograma de derivação única.
- Oxigênio no sangue: o app é apresentado como ferramenta de bem-estar, não de uso médico.
- Notificações de hipertensão: não recomendadas para menores de 22 anos, pessoas já diagnosticadas ou gestantes.
- Apneia do sono: disponível no Series 9 e posteriores, Ultra 2 e posteriores e no SE 3, para maiores de 18 anos sem diagnóstico prévio.
- Sensor de temperatura: presente no Series 8 e posteriores, no SE 3 e em todos os modelos Ultra; também não se destina a uso médico.
- Notificações de ritmo cardíaco irregular: exigem versões atualizadas de watchOS e iOS e não são indicadas para menores de 22 anos ou para quem já tem fibrilação atrial.
Apple TV
Apple TV é ao mesmo tempo o nome do aparelho de streaming da empresa (Apple TV 4K), do aplicativo que agrega conteúdo e do serviço de assinatura. No Brasil, a assinatura custa R$ 29,90 por mês após o período de teste gratuito.
O serviço inclui as produções originais da Apple e a transmissão de jogos da MLS e do beisebol das sextas-feiras, sem custo adicional. O aplicativo também reúne serviços de terceiros — Paramount+, Prime Video, Disney+ e Globoplay, entre outros — e oferece filmes para compra e aluguel. Está disponível em Apple TV 4K, iPhone, iPad, Mac, aparelhos Android, PC, smart TVs e consoles.
Em 15 de setembro de 2026, a Apple passou a incluir o Apple TV e o Apple Arcade, sem custo adicional, em todos os planos do iCloud+ — do mais básico, de 50 GB, em diante — em mais de cem países e regiões, com liberação gradual até o fim de setembro. O serviço de streaming chegou a 59 novos países, somando 170 mercados, entre eles Índia, Arábia Saudita, Cingapura, Turquia e Emirados Árabes Unidos. Em parte desses mercados o pacote traz também o Music Select, conjunto de estações de rádio sem anúncios, com opção de migrar depois para o Apple Music completo por um valor menor. O Brasil ficou de fora da lista: os três serviços seguem disponíveis no país, mas por assinaturas separadas ou pelo Apple One.
Apple Music
O Apple Music é o serviço de streaming de música da empresa, com catálogo de mais de 100 milhões de faixas e sem anúncios. No Brasil, os planos custam R$ 23,90 por mês (individual), R$ 40,90 (família) e R$ 12,90 (estudante), todos com o primeiro mês gratuito.
Todas as assinaturas incluem áudio espacial com Dolby Atmos e áudio lossless — este último em até 192 kHz na qualidade Hi-Res —, sem cobrança extra.
CarPlay
O CarPlay é o sistema que espelha o iPhone na central multimídia do carro. Em 15 de setembro de 2026, a General Motors informou que voltará a oferecê-lo, ao lado do Android Auto, em sua central multimídia mais recente, três anos depois de tê-lo retirado dos carros elétricos da marca — decisão de 2023 que desagradou parte dos consumidores. A volta começa pela Chevrolet Silverado e pela GMC Sierra 2027, com uma solução de tela dividida que faz o CarPlay conviver com o software próprio da montadora. A montadora não informou se os sistemas voltarão também aos modelos elétricos.
App Store e as lojas físicas
A App Store é a loja de aplicativos do iPhone e do iPad e uma das principais fontes da receita de serviços da Apple, já que a empresa cobra comissão sobre as vendas feitas dentro dos aplicativos. Esse modelo é o centro das disputas regulatórias que a empresa enfrenta em vários países, inclusive no Brasil.
As lojas físicas, chamadas Apple Store, são poucas no país: há duas, a do VillageMall, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e a do shopping Morumbi, em São Paulo. A operação brasileira mantém escritório na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Jr., no Itaim Bibi, em São Paulo. Fora dessas unidades, a venda é feita pela loja on-line e por revendedores autorizados.
Em 6 de setembro de 2026, a Bloomberg informou, com base em fontes, que a saída de Schiller do comando da loja foi motivada por divergência sobre os planos da Apple para a plataforma. Ternus e Eddy Cue pretendem ampliar as margens da App Store e a receita recorrente que ela gera; Schiller avaliava que tentar extrair mais lucro do negócio aumentaria o atrito com governos e desenvolvedores. Publicamente, Schiller citou o desejo de dedicar mais tempo à família e à filantropia.
Na mesma edição de 13 de setembro de 2026 de sua newsletter, Gurman descreveu um redesenho das lojas físicas em preparação, com três mudanças. A primeira é a volta das Genius Bars dedicadas, em madeira, com duas alturas de balcão para acessibilidade e gavetas de armazenamento ao fundo — o formato havia sido substituído pelo Genius Grove havia mais de uma década. A segunda é a retirada dos grandes painéis de vídeo no fundo das lojas. A terceira é a criação de duas baias de cerca de três metros, uma para a retirada de pedidos feitos on-line e outra para as sessões Today at Apple. Não há data anunciada; segundo a apuração, a empresa pretende acelerar o ritmo de reformas nos próximos anos.
Resultados financeiros
No terceiro trimestre do ano fiscal de 2026, encerrado em 27 de junho de 2026 e divulgado em 30 de julho, a Apple registrou receita de US$ 109,4 bilhões, alta de 16% sobre o mesmo trimestre do ano anterior, lucro por ação de US$ 2,02 (alta de 29%) e margem bruta de 50,1%. Foram recordes para um trimestre de junho em receita total e em lucro por ação, com recordes também em iPhone, Mac e Serviços.
"Nossa base instalada de dispositivos ativos também atingiu novo recorde histórico em todas as principais categorias", disse Tim Cook no comunicado. O diretor financeiro Kevan Parekh afirmou que a empresa ficou "muito satisfeita" com o desempenho recorde do trimestre.
No primeiro trimestre do mesmo ano fiscal, encerrado em 27 de dezembro de 2025, a receita havia sido de US$ 143,8 bilhões, também com alta de 16%, e o lucro por ação diluído de US$ 2,84, alta de 19%. Segundo Cook, o iPhone teve naquele trimestre "o melhor desempenho de sua história, impulsionado por demanda sem precedentes, com recordes históricos em todas as regiões".
A ação antitruste de X e SpaceXAI
Em agosto de 2025, as empresas de Elon Musk processaram Apple e OpenAI por violação da lei antitruste, sob o argumento de que o ChatGPT era o único chatbot de inteligência artificial generativa integrado ao sistema operacional do iPhone. A ação sustentava que o acordo dava à OpenAI acesso exclusivo a bilhões de usuários por meio da Siri e das ferramentas de escrita do sistema, enquanto concorrentes como o Grok eram prejudicados na App Store. As duas rés contestaram todas as alegações, e em novembro de 2025 o juiz federal Mark Pittman rejeitou os pedidos de extinção que ambas apresentaram, deixando o processo seguir.
Em 14 de setembro de 2026, X Corp e SpaceXAI pediram à corte federal de Fort Worth, no Texas, a extinção das reivindicações contra a Apple, com prejuízo — ou seja, sem possibilidade de reapresentá-las. A peça não expõe os motivos nem informa se houve acordo. As duas empresas disseram que mantêm as reivindicações contra a OpenAI, que segue como ré no caso.
O juiz Mark Pittman acolheu o pedido no mesmo dia e manteve em pé as reivindicações contra a OpenAI. Dois dias depois, a ausência de explicação virou objeto de ordem judicial: a OpenAI pediu à corte que obrigasse a X a revelar como o litígio com a Apple foi resolvido e, em 16 de setembro de 2026, Pittman determinou que as empresas de Musk apresentem para análise dele qualquer acordo firmado com a Apple relacionado à desistência.
Disputas de patentes
Em 3 de setembro de 2026, a trinamiX, subsidiária da química alemã BASF, processou a Apple no Tribunal Distrital federal em Midland, no Texas, por violação de sete patentes ligadas à autenticação facial. A ação sustenta que a Apple incorporou a aparelhos como iPhone 15, iPhone 16, iPhone 17 e iPad Pro tecnologia de detecção de material e de pele — usada para impedir que fotografias, máscaras tridimensionais ou réplicas de silicone enganem o reconhecimento facial — sem autorização. Pela peça, a Apple não usava essa tecnologia quando lançou o Face ID no iPhone X, em 2017, mas passou a empregá-la nos modelos mais recentes.
A trinamiX foi criada em 2014 e diz ter mais de 800 patentes concedidas ou em análise no mundo. A empresa pede indenização em valor não especificado e uma ordem judicial que impeça a Apple de seguir usando as tecnologias. Procurada pela imprensa, a Apple não se manifestou de imediato.
Ferramentas de segurança infantil
Em 14 de setembro de 2026, com a chegada do iOS 27, do iPadOS 27, do macOS 27, do watchOS 27 e do visionOS 27, a Apple liberou um conjunto de controles parentais desenvolvido com orientação da Academia Americana de Pediatria e de especialistas em segurança on-line.
O Communication Safety, que já avisava sobre imagens de nudez, passou a bloquear também conteúdo violento e sangrento em imagens e vídeos compartilhados, inclusive durante chamadas de FaceTime ao vivo. O Safari ganhou o Ask to Browse, que exige aprovação dos pais antes de a criança acessar um site novo. A configuração de contas infantis passou a sugerir um conjunto inicial de aplicativos, o Tempo de Uso foi redesenhado com visão geral do consumo e ajustes de acesso em um toque, e as Time Allowances trazem recomendações por faixa etária para categorias como redes sociais, entretenimento e jogos. Para usar os recursos de Tempo de Uso, todos os aparelhos do grupo de Compartilhamento Familiar precisam estar atualizados.
Regulação de segurança infantil no Reino Unido
Em 8 de setembro de 2026, a secretária de Cultura, Mídia e Esporte do Reino Unido, Lisa Nandy, informou ao Parlamento que o governo vai propor uma lei para obrigar Apple e Google a impedir que menores de 18 anos tirem, vejam ou compartilhem imagens de nudez em seus aparelhos. A proteção teria de vir embutida no dispositivo e ligada por padrão, liberada apenas mediante verificação de idade do usuário adulto, e a exigência valeria também para os aplicativos usados por crianças.
O anúncio veio depois do fim de um prazo. Em junho de 2026, o governo havia dado às duas empresas três meses para adotar as restrições voluntariamente, sob aviso de que legislaria caso não o fizessem. Nandy reconheceu que ambas introduziram medidas "significativas", mas afirmou que as propostas apresentadas "não correspondem à escala desta crise". Disse ainda que o projeto será apresentado "assim que possível" e que o governo pode rever a decisão se as empresas adotarem os controles por conta própria.
A Apple respondeu citando o Communication Safety, recurso lançado em 2021 que avisa a criança quando ela recebe ou tenta enviar uma imagem de nudez, e que passou a funcionar também em aplicativos de terceiros. O Google afirmou estar satisfeito com os avanços das conversas e seguir comprometido a trabalhar com legisladores e especialistas em segurança.
A exigência esbarra numa objeção técnica conhecida: cumpri-la demandaria client-side scanning, a varredura do conteúdo dentro do próprio aparelho, antes da criptografia ou do envio. Lukasz Olejnik, pesquisador de segurança cibernética do King's College London, classificou a técnica como "a alternativa menos problemática" disponível, mas ponderou que ela cria a infraestrutura para analisar mensagens. Segundo a Internet Watch Foundation, um quarto das imagens de abuso sexual infantil identificadas no período de doze meses era autogerado, mais de 140 mil conteúdos.
A Apple no Brasil
Além das duas lojas físicas e do escritório em São Paulo, a presença da Apple no Brasil tem sido marcada nos últimos anos pelo enfrentamento regulatório em torno da App Store.
Em 23 de dezembro de 2025, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) homologou um acordo com a Apple que altera o funcionamento do iPhone no país. Pelo termo, a empresa passa a permitir que desenvolvedores incluam links direcionando usuários a formas de pagamento fora do aplicativo, ofereçam métodos de pagamento alternativos às compras dentro da App Store e distribuam aplicativos por canais alternativos — o chamado sideloading, já disponível na União Europeia.
O processo administrativo começou em 2022, a partir de representações da Ebazar.com.br e do Mercado Livre, que acusavam a Apple de abuso de posição dominante na distribuição de aplicativos no iOS. A investigação apontou práticas restritivas na venda de conteúdo digital dentro do ecossistema, especialmente a proibição de venda de serviços digitais de terceiros e a obrigatoriedade do sistema de pagamentos da própria Apple.
O acordo deu à Apple prazo de 105 dias para implementar as mudanças, tem duração de três anos a partir do momento em que as novas regras se tornam obrigatórias para os desenvolvedores e prevê multa de até R$ 150 milhões em caso de descumprimento, além da retomada da investigação.
Notícias relacionadas
Vendas do iPhone 18 Pro e Pro Max começam no Brasil
18 de set, 2026
Apple adapta iOS para o novo iPhone Duo com recursos exclusivos
18 de set, 2026
Apple estuda retorno ao mercado de servidores focados em IA
18 de set, 2026
Apple deve lançar Apple Pay na Índia no próximo mês
18 de set, 2026
Apple estuda lançar iPhone Duo Max para competir com Samsung
17 de set, 2026
