O que é a Apple
A Apple Inc. é uma empresa de tecnologia norte-americana com sede em Cupertino, na Califórnia. Projeta e vende computadores (Mac), smartphones (iPhone), tablets (iPad), relógios inteligentes (Apple Watch) e acessórios, além dos sistemas operacionais que rodam neles (iOS, macOS, watchOS) e de um conjunto de serviços por assinatura — App Store, Apple Music, Apple TV, iCloud e Apple Pay, entre outros.
Em 28 de julho de 2026, a ação da Apple subiu 1,8% na abertura, a US$ 342,89, e a empresa ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado — movimento intradiário, já que o papel devolveu a alta e fechou o dia praticamente estável. Foi a segunda empresa da história a alcançar esse patamar, depois da Nvidia. No acumulado de 2026 até aquela data, a ação subia cerca de 25%. Em 8 de setembro de 2026, o valor de mercado estava em US$ 4,61 trilhões, com alta acumulada de 16,2% no ano.
O patamar só se firmou no fechamento em 14 de outubro de 2026. A ação subiu 0,5%, para o recorde de US$ 342,96, e a Apple encerrou o pregão valendo cerca de US$ 5,005 trilhões, num dia em que o Nasdaq caiu 1,88%. Antes disso, a empresa havia passado dos US$ 5 trilhões durante o pregão seis vezes, sem sustentar o valor até o fim do dia. Segue como a segunda empresa mais valiosa dos Estados Unidos, atrás da Nvidia, avaliada em cerca de US$ 5,3 trilhões.
História e origem
A Apple foi fundada em 1º de abril de 1976, na Califórnia, por Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne. O primeiro produto foi o Apple I, um protótipo do qual cerca de 200 unidades foram vendidas. O Apple II, de 1977, foi o primeiro grande sucesso comercial da empresa.
Em 1983 veio o Apple Lisa, primeiro computador da empresa com interface gráfica, e em 1984 o Macintosh 128K. Jobs deixou a Apple em 1985 e fundou a NeXT Computer. Retornou em 1997, quando a Apple comprou a NeXT, e conduziu a reestruturação que produziu a sequência de lançamentos seguinte: o iPod, em 2001, que reorganizou o mercado de música portátil; o iPhone, em 2007; e o iPad, em 2010.
Tim Cook assumiu o comando da empresa em 2011, ano da morte de Jobs. Em 2 de agosto de 2018, a Apple se tornou a primeira empresa de capital aberto dos Estados Unidos a valer US$ 1 trilhão.
Quem comanda a Apple
Em 20 de abril de 2026, a Apple anunciou a transição de comando: Tim Cook passou a presidente executivo do conselho de administração (executive chairman) e John Ternus assumiu como CEO em 1º de setembro de 2026. Ternus entrou na Apple em 2001, na equipe de design de produtos, tornou-se vice-presidente de Engenharia de Hardware em 2013 e passou a integrar o time executivo em 2021, como vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware.
No comunicado, Cook descreveu o sucessor como alguém que "tem a mente de um engenheiro, a alma de um inovador e o coração para liderar com integridade e honra". Ternus afirmou ter tido "a sorte de trabalhar sob Steve Jobs e de ter Tim Cook como mentor" ao longo da carreira. Arthur Levinson, presidente do conselho, disse que "a liderança sem precedentes de Tim transformou a Apple na melhor empresa do mundo". O diretor financeiro é Kevan Parekh.
Ao formalizar a troca, a Apple informou à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) os pacotes de remuneração dos dois. Para o ano fiscal de 2027, Ternus tem alvo de cerca de US$ 58 milhões: salário de US$ 3 milhões e ações restritas (RSUs) com valor-alvo de US$ 55 milhões, das quais 25% liberadas pelo tempo de casa, em parcelas semestrais ao longo de quatro anos, e 75% condicionadas ao desempenho da ação da Apple em relação às demais empresas do S&P 500. Recebeu ainda uma concessão proporcional de US$ 2,5 milhões referente ao ano fiscal de 2026. Cook tem alvo de cerca de US$ 47 milhões como executive chairman: salário de US$ 2 milhões e ações com valor-alvo de US$ 45 milhões, metade atrelada ao tempo e metade ao desempenho.
A troca de comando veio acompanhada de uma reorganização do time executivo. Em 31 de agosto de 2026, véspera da posse de Ternus, Phil Schiller deixou o comando da App Store e dos eventos de produto, funções que acumulava havia anos — foi vice-presidente sênior de marketing mundial até 2020, quando se tornou Apple Fellow, cargo que mantém, agora dedicado a iniciativas não especificadas. A App Store passou para a área de Serviços, sob Eddy Cue, com Carson Oliver na operação do dia a dia, reportando diretamente a Cue. Os eventos ficaram com Nola Weinstein, adjunta de Schiller na função desde 2023, que passa a se reportar a Kristin Huguet Quayle, vice-presidente de comunicação da empresa. A apresentação de 9 de setembro é a primeira sob a coordenação de Weinstein.
Em 29 de setembro de 2026, Mark Gurman, da Bloomberg, informou que Ternus começou a remodelar a empresa para lançar produtos com mais frequência e operar de forma mais enxuta, com foco maior em engenharia. O plano abandona o calendário tradicional de lançamentos concentrados na primavera e no outono do hemisfério norte, distribuindo-os ao longo do ano, e corta camadas de gerência intermediária entre os engenheiros e a cúpula. Em duas semanas, a divisão de engenharia de hardware dispensou vários gerentes de programa de engenharia (EPMs), cargo que por décadas coordenou prazos e o trabalho entre equipes, entre eles cerca de seis diretores; os atingidos receberam algumas semanas para buscar outra vaga interna antes de uma possível demissão ainda em 2026. Segundo a reportagem, Ternus disse em reunião geral com os funcionários que a Apple deveria contratar menos, exigir mais dos engenheiros que já tem e reduzir o inchaço da organização. Na frente de receita, trabalha com Eddy Cue e com o diretor financeiro, Kevan Parekh, para ampliar os ganhos com serviços.
A mesma reportagem revelou que a Apple chegou a planejar, no meio do ano, a demissão de cerca de 5 mil funcionários do AppleCare, o suporte ao cliente, na expectativa de que agentes de inteligência artificial por telefone e pela web assumissem parte de suas tarefas. O plano foi suspenso por tempo indeterminado. A empresa já usa um assistente de IA generativa na linha de atendimento do AppleCare nos Estados Unidos, que resolve problemas técnicos e transfere a ligação para um atendente humano quando o cliente pede.
O departamento jurídico também mudou de mãos. Jennifer Newstead, que foi a principal advogada da Meta por seis anos, assumiu como conselheira-geral da Apple em março de 2026. Em 16 de outubro de 2026, a Bloomberg informou que ela contratou Scott Tucker, vice-conselheiro-geral e chefe de litígios da Meta desde 2021, com passagem anterior pelo Morgan Stanley, para o cargo recém-criado de vice-presidente de litígios globais e serviços financeiros, que cuida dos processos comerciais e de patentes no mundo inteiro e das questões jurídicas dos serviços financeiros da empresa. Heather Grenier, vice-presidente de litígios comerciais e concorrenciais, passa a se reportar a Tucker, e não mais diretamente a Newstead.
iPhone e as linhas de produto
O iPhone, lançado em 2007, é o principal produto da empresa em receita.
Além do iPhone, a Apple mantém as linhas Mac (computadores), iPad (tablets), Apple Watch (relógios) e acessórios como AirPods, além do software que roda em todas elas.
Em 13 de setembro de 2026, o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, informou que a empresa desenvolve um controle de jogo para iPhone que deve ser vendido sob a marca Beats, com o projeto supervisionado por executivos da própria Beats. Referências a dois modelos, identificados como T6502 e T1057, apareceram no código de uma versão beta do macOS, com menções a direcional, alavancas analógicas, motores de vibração e, possivelmente, acelerômetro e giroscópio para controles de movimento. A Apple não anunciou o produto nem data de lançamento.
Em 22 de setembro de 2026, o site 9to5Mac encontrou no código do iOS 27.2 beta 2 um recurso interno chamado AutoLock, que bloqueia o iPhone quando detecta sinais de furto por arrancada. O sistema cruza aceleração brusca do aparelho, desconexão repentina do Apple Watch pareado, perda prolongada de rede e o tempo que o telefone fica desbloqueado, e usa um mecanismo de votação para evitar falsos positivos, considerando autenticação biométrica recente, uso ativo de aplicativos e locais conhecidos. Só os serviços de apoio estão ativos na versão de testes; a Apple não anunciou o recurso nem deu prazo.
O evento de 9 de setembro de 2026
Em 9 de setembro de 2026, às 10h no horário do Pacífico (14h em Brasília), a Apple realizou no Steve Jobs Theater, em Cupertino, o evento "Surprise and shine", primeiro sob o comando de John Ternus. Foram apresentados o iPhone Duo — o primeiro dobrável da empresa —, os iPhone 18 Pro e Pro Max, o Apple Watch Series 12 e o Ultra 4, os AirPods 5, uma versão redesenhada do aplicativo Saúde e a data de lançamento do iOS 27.
No palco, Ternus posicionou o iPhone como centro da estratégia de inteligência artificial da empresa: "não há produto no mundo mais bem projetado para ser o seu hub pessoal inteligente do que o iPhone". A formulação retoma a estratégia de "hub digital" que Steve Jobs apresentou em 2001, quando defendeu a permanência do computador pessoal e anunciou o iPod como aparelho complementar.
A empresa aproveitou o evento para lançar o AppleCare One Family, plano que estende a cobertura de garantia a todos os aparelhos elegíveis de um grupo de Compartilhamento Familiar de até seis pessoas, por US$ 49,99 mensais, disponível inicialmente nos Estados Unidos.
iPhone Duo
O iPhone Duo tem tela interna Super Retina XDR de 7,6 polegadas — 50% maior que a do iPhone 18 Pro Max — e tela externa de 5,4 polegadas, ambas com ProMotion, modo Always On e brilho de pico de 3.000 nits. Roda o chip A20 Pro, com CPU de 6 núcleos, GPU de 7 núcleos e dois Neural Engines de 16 núcleos. O conjunto de câmeras traseiras reúne uma Fusion de 48 megapixels com zoom óptico de 2x e uma ultra-angular. A bateria é dupla e a empresa informa até 31 horas de reprodução de vídeo na tela interna e 44 horas na externa.
O corpo é de titânio grau 5, com proteção Ceramic Shield 2 e certificação IP68. O Touch ID voltou, posicionado no botão lateral, no lugar do Face ID, e o aparelho é o primeiro iPhone compatível com o Apple Pencil, com uma versão do iOS reorganizada para multitarefa em telas de tamanhos e orientações diferentes. A dobradiça é de alumínio grau 5 e reúne mais de cem componentes desenvolvidos especificamente para ela; a Apple informou ter usado inteligência artificial e impressão 3D no projeto e na fabricação da peça.
O suporte à caneta nasceu de um plano abandonado. Em 20 de setembro de 2026, Mark Gurman, da Bloomberg, informou que a Apple havia desenvolvido um Apple Pencil mais curto, específico para o aparelho, que se prendia por ímã à dobradiça, e o descartou meses antes da produção em massa: quem testou achou desconfortável abrir o celular com a caneta acoplada, e havia o receio de que a ponta marcasse a tela interna. A empresa passou então a oferecer compatibilidade com o Apple Pencil USB-C já vendido para o iPad, nas duas telas do Duo, prevista para o fim de 2026.
Nos Estados Unidos, o preço parte de US$ 1.999 na configuração de 256 GB e chega a US$ 3.199 na de 2 terabytes, nas cores branco estelar e céu noturno. No Brasil, os valores vão de R$ 21.999 (256 GB) a R$ 30.999 (2 TB), com pré-venda a partir de 16 de outubro de 2026 e entrega a partir de 23 de outubro. Uma capa oficial do aparelho custa R$ 1.299. A linha de acessórios próprios do aparelho tem duas peças: a iPhone Duo Case, capa de duas partes que envolve os dois lados do aparelho, nas cores areia e azul-marinho, por US$ 79; e a iPhone Duo Folio, com apoio embutido que se ajusta a vários ângulos, nas cores azul-marinho e taupe, por US$ 129. As duas têm ímãs integrados compatíveis com MagSafe, com Qi2 de até 25 W e com carregadores certificados pelo padrão Qi, e ficam disponíveis para encomenda a partir de 16 de outubro de 2026.
O desenvolvimento se arrastou por anos. Segundo a Bloomberg, equipes da Apple já estudavam o formato antes de a Samsung popularizar a categoria com o Galaxy Fold, em 2019, e o projeto foi acelerado a partir de 2020, por interesse direto de Tim Cook. A saída encontrada para o vinco — a marca que aparece no centro da tela pelo uso repetido da dobra — combinou a nova dobradiça a um vidro protetor desenvolvido com a Corning. A tentativa de eliminar esse vinco é apontada como uma das causas do gargalo de produção: segundo o Nikkei Asia, a Apple acrescentou em agosto de 2026 mais uma rodada de testes à linha de montagem, que passou a operar em ritmo lento. A escassez global de memória encareceu a produção, e a empresa manteve a entrada no preço-alvo de US$ 1.999 que havia estabelecido, repassando o custo extra às configurações de maior armazenamento.
A camada que cobre a tela interna pode ser trocada. Em entrevista à criadora de conteúdo Angelica Siciliani Fendi, publicada em 1º de outubro de 2026, Kate Bergeron, vice-presidente de engenharia de hardware da Apple, disse que a película com acabamento nanotexturizado aplicada sobre o painel dobrável, que reduz reflexos e ajuda a disfarçar o vinco, "é substituível, o que é muito bom para o cliente: dá para descascar essa camada e colocar uma nova". Nos Estados Unidos, a troca custa US$ 19 para quem tem AppleCare+; o preço sem a cobertura não foi divulgado, e o serviço deve ficar restrito às lojas da Apple e às assistências autorizadas.
No Brasil, a Apple divulgou em 14 de outubro de 2026 as estimativas de reparo fora da garantia. A troca da camada de cobertura custa R$ 409; a do vidro traseiro, R$ 1.719; a bateria, R$ 1.839; a câmera traseira, R$ 2.099; e a tela externa, R$ 3.329, o mesmo valor da tela do iPhone 18 Pro Max. A tela interna sai por R$ 10.989, cerca de 3,3 vezes a do Pro Max, e a categoria "outros danos", por R$ 16.499, quase o dobro dos R$ 8.989 do Pro Max. A empresa ressalva que o preço final depende de inspeção e que as assistências autorizadas podem cobrar valores próprios.
Os painéis dobráveis devem vir de um único fornecedor. Segundo o vazador conhecido como Instant Digital, em publicação no Weibo repercutida em 29 de setembro de 2026, a Samsung Display fechou com a Apple um contrato de exclusividade de três anos, que cobre o iPhone Duo e os dobráveis lançados pela empresa nesse período. Cada tela interna custaria cerca de US$ 250 e usaria o conjunto de materiais OLED M16, da Samsung, com vidro ultrafino fornecido pela sul-coreana Dowoo Insys. A LG Display não fabrica telas dobráveis, e a chinesa BOE, que abastece a Huawei, teria sido descartada por dúvidas sobre a confiabilidade dos painéis. A Apple não comentou.
O gargalo já apareceu nas projeções. Em 15 de setembro de 2026, o analista Jeff Pu reduziu a estimativa de remessas do aparelho em 2026 de 7 milhões para 6 milhões de unidades, atribuindo o corte às restrições no fornecimento da dobradiça. Na mesma conta, o iPhone 18 Pro e o Pro Max somariam cerca de 72 milhões de unidades no ano, doze vezes o volume do dobrável. A limitação pode deixar o Duo em falta nas lojas logo depois da chegada às vendas, em 23 de outubro de 2026.
A montagem final também emperra. Em 29 de setembro de 2026, o site chinês Jiemian News, citando uma pessoa próxima da cadeia de fornecimento da Foxconn, informou que o índice de aparelhos aprovados na montagem final estava pouco acima de 60% em 17 de setembro, e que, mantidos os padrões de qualidade atuais da Apple, a linha pode levar de seis meses a um ano para atingir um rendimento maduro. A Foxconn vem ajustando repetidamente equipamentos, processos e parâmetros de produção, enquanto a Samsung Display enfrenta baixo rendimento, atrasos de entrega e mudanças de projeto nos painéis OLED dobráveis e nas dobradiças. Segundo o site MyDrivers, um dos fabricantes contratados pediu à Apple que escolhesse entre priorizar o rendimento ou o volume — forçar a linha produziria mais aparelhos vendáveis, mas também mais unidades defeituosas e maior custo de descarte. A meta global de estoque da Apple para o aparelho em 2026 é de 6 milhões a 8 milhões de unidades, contra 20 milhões a 30 milhões que um iPhone Pro ou Pro Max costuma vender num ciclo completo.
A pré-venda abriu em 16 de outubro de 2026, às 5h da manhã no horário do Pacífico, e o estoque inicial acabou em minutos. Na loja on-line da Apple nos Estados Unidos, a previsão de entrega saltou de 23 de outubro para novembro e, por volta das 5h30, chegou a 25 de janeiro de 2027 nas oito configurações; deixou de ser possível receber o aparelho antes do Natal, e a retirada nas lojas foi suspensa, com aviso para voltar a consultar em 24 de outubro. No Brasil, segundo o TecMundo, quem tentava comprar depois da abertura via a previsão passar para fevereiro de 2027. Em comunicado, a Apple disse que a demanda na pré-venda foi "nada menos que extraordinária" e que trabalha "para colocar este novo produto revolucionário nas mãos dos clientes o mais rápido possível", mantendo os pedidos on-line abertos; não informou se haverá unidades para quem for às lojas no lançamento. No eBay, anúncios de pedidos com entrega prevista para 23 de outubro pediam até US$ 4.999 pela versão de 256 GB, cerca de 2,5 vezes o preço de tabela. Os analistas Anurag Rana e Josh Christensen, do Bloomberg Intelligence, escreveram no mesmo dia que as vendas do Duo podem superar a estimativa anterior deles, de 14 milhões de unidades e US$ 28 bilhões de receita no ano fiscal de 2027.
iPhone 18 Pro e Pro Max
Os iPhone 18 Pro e Pro Max mantêm o desenho da geração anterior, com Dynamic Island menor, e estreiam o chip A20 Pro, fabricado em processo de 2 nanômetros, com CPU de 6 núcleos, GPU de 7 núcleos até 40% mais rápida e Neural Engine de 32 núcleos. O sistema de resfriamento passou a usar câmara de vapor. As cores são preto profundo, prata, glaciar e bordô.
A câmera principal é uma Fusion de 48 megapixels com abertura variável, controlada por seis lâminas cortadas a laser, com quatro configurações de lente e cerca de 50% mais luz em ambientes escuros. As quatro posições do diafragma vão de f/1.8 a f/4. O recurso já havia aparecido em celulares: a Samsung usou um diafragma mecânico, de duas posições (f/1.5 e f/2.4), no Galaxy S9, de 2018, e no Galaxy S10, e o abandonou na geração seguinte, o Galaxy S20, sem explicação oficial. O aplicativo ganhou controles manuais de velocidade do obturador e balanço de branco, além de histograma e waveform, e o aparelho grava vídeo em 4K com Dolby Vision HDR. O Pro Max chega a 45 horas de reprodução de vídeo.
A autonomia maior do Pro Max criou um problema de logística. A bateria do modelo passou de 20 watt-hora, patamar a partir do qual células individuais de lítio ficam sujeitas a exigências extras de transporte na maior parte dos países. Para contorná-lo, a Apple embarca o aparelho com uma trava de firmware que mantém a carga abaixo desse limite desde a fábrica, e a capacidade total é liberada quando o usuário ativa o iPhone. A empresa documentou o mecanismo em 18 de setembro de 2026, junto com a função Preparar para Envio, em Ajustes > Geral > Transferir ou Redefinir o iPhone, que descarrega a bateria abaixo de 20 Wh antes de o aparelho ser despachado para reparo, troca ou devolução — nesses casos, o limite de carga fica em 80% por catorze dias. O procedimento leva de alguns minutos a duas horas, vale apenas para o envio como carga e não é exigido em viagens nem em nenhum outro modelo de iPhone.
O primeiro resultado público de desempenho saiu em 10 de setembro de 2026: no Geekbench, o iPhone 18 Pro marcou 4.719 pontos em núcleo único e 12.677 em multinúcleo, contra 3.753 e 11.259 do Galaxy S26 Ultra, da Samsung, que roda o Snapdragon 8 Gen 5 Elite — uma vantagem de cerca de 26% e 13%, respectivamente.
Uma segunda rodada de testes, divulgada em 20 de setembro de 2026, comparou o A20 Pro com os chips de computador da própria empresa. No Geekbench 7, uma unidade pré-lançamento identificada como iPhone19,3 marcou 4.006 pontos em núcleo único, à frente do M4 (22,2%), do M5 (10,1%) e do M5 Max (7,4%), e 11.460 pontos em multinúcleo, atrás do M4 (15.357), do M5 (17.947) e do M5 Max (35.119). A diferença está no número de núcleos de CPU: seis no A20 Pro, contra dez no M4 e no M5 e dezoito no M5 Max.
Os modelos também trazem o Apple Reference Image, recurso que funciona como um negativo digital: usa dados do sensor da câmera, processados no Private Cloud Compute, para atestar que uma fotografia não foi alterada por inteligência artificial depois do registro. O aparelho suporta ainda o padrão SynthID de marcação de conteúdo sintético.
Em 15 de setembro de 2026, a Apple publicou no blog de pesquisa de segurança da empresa a arquitetura técnica do recurso. A cadeia de confiança começa na fábrica: ao ser ativado pela primeira vez, o sensor de imagem gera um par de chaves criptográficas ECDSA P-256 e nunca entrega a metade privada, enquanto a linha de montagem registra apenas a chave pública, acompanhada de um certificado. O Secure Enclave, o processador isolado do aparelho, passa por um processo equivalente, com certificação da Basic Attestation Authority da própria Apple. No momento do registro, o sensor assina os dados do quadro digitalizado junto com os metadados embutidos, e o Secure Enclave assina os metadados vindos do sistema — zoom, exposição e parâmetros da lente —, com marcação de tempo no padrão RFC 3161 entregue pelo serviço de notificações da empresa. O revelado da imagem acontece no Private Cloud Compute, que roda software auditável publicamente a partir de um registro de transparência somente-adição, calcula uma pontuação de confiança sobre a foto ter ou não as características físicas esperadas de um sensor e assina o arquivo final com uma assinatura híbrida resistente a computação quântica. Quem recebe a imagem verifica a assinatura e confere se o identificador da foto não consta de uma lista de revogação.
A empresa também levou o novo sistema de câmeras a uma exposição. Em 16 de setembro de 2026, a Apple anunciou a mostra "What Holds Us", com curadoria de Kathy Ryan, ex-diretora de fotografia da revista The New York Times Magazine, reunindo imagens feitas exclusivamente com o iPhone 18 Pro por três fotógrafos: Jimmy Chin, com montanhas e escalada nas Bugaboo, na Colúmbia Britânica; Jack Davison, com retratos de estúdio em Londres em que os retratados manipulam argila e giz; e Alex Prager, com cenas de multidão registradas num estúdio de Los Angeles. A exposição ficou em cartaz em Nova York de 18 a 20 de setembro de 2026 e, nos meses seguintes, segue para Londres e Xangai. No material de divulgação, Ryan afirmou que "o que torna o iPhone uma ferramenta criativa tão convincente é a imediatez — ele coloca a capacidade de ver, experimentar e criar diretamente nas mãos de todos".
Em 22 de setembro de 2026, a Apple alterou sem aviso a nota de rodapé do comunicado de lançamento dos modelos Pro. A versão original dizia que os novos controles de textura e granulação dos Estilos Fotográficos chegariam, com o iOS 27, a aparelhos desde o iPhone 16; o texto revisado restringe os recursos a fotos feitas no iPhone 18 Pro e com as câmeras ultra-angular, principal e Center Stage do iPhone Duo. A empresa não comentou a mudança.
No mesmo dia, usuários do iPhone 18 Pro e do Pro Max relataram que o aparelho trava e reinicia sozinho depois de falhas do Face ID em aplicativos que pedem autenticação biométrica, como gerenciadores de senha e abas privadas do Safari. O problema foi reproduzido pelo site 9to5Mac numa unidade europeia e registrado pela Macworld. A Apple não confirmou a causa nem lançou correção; em ao menos um caso, o suporte diagnosticou defeito e trocou o aparelho.
Em 2 de outubro de 2026, a Apple confirmou um defeito que faz um "pequeno número" de unidades do iPhone 18 Pro Max na rede da operadora AT&T, nos Estados Unidos, perderem o serviço celular: o aparelho passa a exibir "SOS" na barra de status e deixa de fazer ligações, enviar mensagens e usar dados. A correção veio em duas etapas, o iOS 27.0.1, liberado no início daquela semana, e uma atualização de ajustes da operadora publicada no mesmo dia 2. O software só protege os aparelhos que ainda têm sinal; os que já perderam o serviço precisam ser trocados, pelo suporte da Apple ou da AT&T, numa Apple Store ou numa loja da operadora. O iPhone 18 Pro, que usa o modem C2 da própria Apple, não foi afetado.
Nos Estados Unidos, o iPhone 18 Pro parte de US$ 1.199 e o Pro Max de US$ 1.299 — US$ 100 a mais que os equivalentes da linha 17 Pro. No Brasil, os preços vão de R$ 11.999 (18 Pro, 256 GB) a R$ 21.999 (18 Pro Max, 2 TB). A pré-venda começa em 12 de setembro de 2026 e as vendas em 18 de setembro.
Os modelos iPhone 18 e iPhone 18 Air não foram apresentados no evento e são esperados para o fim de março ou o início de abril de 2027 — a primeira vez que a empresa divide o lançamento de uma geração em duas ondas.
Em 14 de setembro de 2026, Mark Gurman, da Bloomberg, detalhou o que deve compor essa segunda onda. Para o primeiro semestre de 2027, além do iPhone 18, com o chip A20, a empresa prepara o iPhone 18e e o iPhone Air 2, este com o A20 Pro, um iPad Air com tela OLED, um MacBook Neo com chip A19 Pro e um MacBook Air com chip M6.
O evento confirmou também o iPhone Handoff, recurso do iOS 27 que permite usar o mesmo número de telefone em dois iPhones. O sistema mantém o eSIM principal em um aparelho e um eSIM companheiro no outro, com as configurações de rede administradas pelo primeiro. O uso depende de suporte da operadora e de os dois aparelhos estarem na mesma linha; a T-Mobile, nos Estados Unidos, e a Deutsche Telekom, na Alemanha, estão entre as primeiras a aparecer como compatíveis.
iPhone 20 Pro
Em 21 de setembro de 2026, o vazador conhecido como Digital Chat Station publicou no Weibo as primeiras especificações de tela da geração prevista para setembro de 2027 — o ano em que o iPhone completa vinte anos e para o qual a Apple deve pular a numeração 19. Pela publicação, o iPhone 20 Pro teria tela de 6,41 polegadas, com 2.686 por 1.236 pixels, e o Pro Max, de 6,96 polegadas, com 2.912 por 1.340, ante as 6,27 e 6,86 polegadas dos modelos atuais, com a densidade mantida perto de 460 ppi.
O traço central é uma tela curva nos quatro lados, em teste, que esconderia a moldura de metal na visualização de frente e faria o aparelho parecer uma única lâmina de vidro. Os painéis OLED seriam mais finos, feitos pela Samsung sem a camada polarizadora tradicional — solução que exige contornar a perda de brilho nas bordas curvas. A Dynamic Island daria lugar a um recorte circular menor, com os componentes do Face ID levados para baixo da tela. São protótipos: a Apple não confirmou nenhuma característica do aparelho.
AirPods 5
Os AirPods 5 foram anunciados em 9 de setembro de 2026 com arquitetura acústica redesenhada e cancelamento ativo de ruído que remove até 50% mais som externo que os AirPods 4. Ganharam controle de volume na haste, integração com a nova Siri e tradução ao vivo. A autonomia é de cinco horas por carga com o cancelamento ligado e 22 horas somando o estojo.
São duas versões: US$ 129 na configuração padrão e US$ 149 com estojo de carregamento sem fio — R$ 1.499 e R$ 1.699 no Brasil. A pré-venda começou no dia do anúncio e as vendas começam em 18 de setembro de 2026.
Beats 360
Em 22 de setembro de 2026, a Apple apresentou, pela marca Beats, os fones de ouvido Beats 360, primeiro modelo de cabeça personalizável da linha: as almofadas das conchas e do arco são removíveis e vendidas em kits avulsos, nos acabamentos Performance Knit e UltraPlush. O fone tem cancelamento ativo de ruído até 1,75 vez mais forte que o do Beats Studio Pro, áudio espacial com rastreamento de cabeça, nove microfones, bateria substituível com até 32 horas de autonomia, carregamento por USB-C e certificação IPX4 contra suor e respingos. Funciona tanto com o ecossistema da Apple, incluindo a rede Buscar, quanto com Android.
O preço é de US$ 349,99 nos Estados Unidos, US$ 200 abaixo dos AirPods Max 2, e de cerca de R$ 1.800 no Brasil. As encomendas abriram no dia do anúncio em mais de 100 países e regiões, e a chegada às lojas ficou para 24 de setembro de 2026. Os kits de almofadas custam US$ 49,99, com preço promocional de US$ 9,99 em mercados selecionados até 31 de outubro de 2026.
Preços e a escassez de chips de memória
Em 9 de setembro de 2026, no mesmo dia em que anunciou a nova geração, a Apple elevou em US$ 100 o preço de todos os modelos anteriores que continuava vendendo, revertendo a prática de anos anteriores, quando reduzia os valores das gerações antigas logo após um lançamento. Nos Estados Unidos, o iPhone 16 passou a US$ 799, o iPhone 17e a US$ 699, o iPhone 17 a US$ 899 e o iPhone Air a US$ 1.099.
No Brasil, o reajuste chegou a R$ 2.000. A maior alta foi na versão de 1 TB do iPhone Air, que saiu de R$ 13.499 para R$ 15.499; as demais configurações do mesmo modelo subiram R$ 500, e os iPhone 16, 17 e 17e ficaram entre R$ 200 e R$ 300 mais caros. A Apple também retirou da própria loja on-line o iPhone 17 Pro, o iPhone 17 Pro Max e o iPhone 16 Plus, que seguem à venda em varejistas.
A causa apontada é o encarecimento dos chips de memória, pressionados pela demanda de data centers de inteligência artificial, que levou os fabricantes a redirecionar investimento para componentes mais avançados. Ainda como CEO, em junho de 2026, Tim Cook havia dito ao Wall Street Journal que "infelizmente, os aumentos de preços são inevitáveis", que a situação ficara "insustentável" depois de fornecedores repassarem aumentos "exorbitantes" e que se tratava de "uma enchente que acontece uma vez a cada cem anos". Segundo ele, a preocupação central estava nos chips de RAM.
A escassez derrubou o mercado inteiro e ampliou o peso da Apple nele. Pelas estimativas preliminares da Counterpoint Research, divulgadas em 12 de outubro de 2026, as remessas globais de smartphones caíram 20% no terceiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, o menor volume para um terceiro trimestre desde 2012. A Apple ficou com 22% do mercado, a primeira vez que passa de 20% num terceiro trimestre, logo atrás da Samsung, com 23% e remessas 3% menores. Oppo e Vivo recuaram mais de 20% cada, e a Xiaomi, mais de 30%, caindo para 10% de participação. Segundo Shilpi Jain, analista sênior da Counterpoint, os consumidores estão mantendo os aparelhos por mais tempo do que o estimado.
Fraude na pré-venda em Hong Kong
A pré-venda do iPhone 18, aberta no início de setembro de 2026, virou alvo de uma onda de fraudes com cartão de crédito em Hong Kong. Em 29 de setembro de 2026, o comissário da polícia local, Joe Chow Yat-ming, informou que a corporação havia recebido 1.503 denúncias de compras não autorizadas dos aparelhos, somando mais de HK$ 30 milhões (cerca de R$ 100 milhões). Todas as transações foram canceladas, sem perda direta para os titulares dos cartões, para as instituições financeiras ou para a Apple.
Segundo a investigação, os golpistas usaram dados de cartão obtidos ilegalmente e se aproveitaram de uma brecha no sistema de compras on-line da Apple, em que as exigências de verificação de identidade e de pagamento estavam dispensadas para pedidos feitos pela web. Ocultavam a localização com serviços de VPN e informavam endereços falsos ou incompletos; quando a empresa pedia confirmação do endereço por e-mail, indicavam pontos de retirada públicos e recrutavam intermediários para buscar os aparelhos. A polícia pediu à Apple que revisasse o processo antes da próxima pré-venda de celular, prevista para outubro. O caso ocorre num ano em que a fraude respondeu por 29.670 dos 59.213 crimes registrados em Hong Kong nos oito primeiros meses de 2026, metade do total, com prejuízo de HK$ 5,21 bilhões.
O mercado de dobráveis
A Apple chega por último a uma categoria que existe desde 2019 e continua pequena. Em 2025, os dobráveis responderam por menos de 2% do mercado global de celulares em unidades, cerca de 20 milhões de aparelhos, segundo a Counterpoint Research. A mesma consultoria projeta que a Apple produza mais de 12 milhões de unidades em 2027, o equivalente a 5% dos iPhones. Para 2026, a IDC projeta crescimento de 12% nas vendas de dobráveis, com 22,9 milhões de aparelhos — a categoria é apontada como o raro ponto de expansão de um mercado de celulares estagnado. Nabila Popal, diretora da IDC, atribui parte do apelo à exclusividade: "sempre que algo é exclusivo, limitado e luxuoso, a psicologia do consumidor reage positivamente". Na faixa de preço em que o iPhone Duo entra, a US$ 1.999, os concorrentes diretos são o dobrável da Samsung e o Pixel 11 Pro Fold, do Google, ambos a US$ 1.900.
A líder do segmento é a Samsung, com 40% do mercado global de dobráveis em 2025, também pelos números da Counterpoint. A sul-coreana lançou em julho de 2026 o Galaxy Z Fold 8 e o Galaxy Z Flip 8 e informou à revista Fortune crescimento de 30% no volume anual de vendas da linha. Segundo Dave Das, executivo da empresa, o Z Fold 8 e o Z Fold Ultra 8 respondem por 40% cada das vendas de dobráveis da marca, e o Z Flip 8 pelos 20% restantes. Os preços vão de US$ 1.200 a US$ 2.100.
A estreia acontece com o segmento já ocupado também pelos fabricantes chineses. Em 7 de setembro de 2026, dois dias antes do evento da Apple, a Huawei apresentou o Mate XT2, com vendas a partir de 12 de setembro e preços entre 19.999 e 24.999 iuanes. A chinesa respondeu por 68% das remessas de dobráveis na China no segundo trimestre de 2026.
A resposta da Samsung ao anúncio veio pela conta Samsung Mobile US no X. Antes do evento, a sul-coreana ironizou que já estava "dobrando em três" enquanto a Apple fazia o público esperar, referência à linha Galaxy Z. Depois da apresentação, disse que o iPhone Duo "parece muito familiar", marcou a conta do Duolingo para brincar com o nome escolhido e pediu que a Apple avisasse quando terminasse de "requentar nossas sobras". Encerrou com "houve alcance? Não. Foi emocionante? Não. Aconteceu? Sim", acompanhado da hashtag #ItsTimeToSwitch.
O lançamento também mexeu com o cronograma da concorrente. Em 14 de setembro de 2026, o site 9to5Google informou, com base no vazador conhecido como Lanzuk, que a Samsung avalia antecipar dois aparelhos antes previstos para 2027: o Galaxy Z TriFold 2, sucessor do modelo de duas dobradiças, que deve ficar mais fino, leve e resistente, e um celular de tela deslizável. A expectativa é manter o preço perto dos US$ 2.899 cobrados pelo primeiro TriFold, que estreou no fim de 2025, chegou aos Estados Unidos em janeiro de 2026 e foi descontinuado cerca de três meses depois. A Samsung não confirmou mudança de datas.
A estreia na China
Na China, o iPhone Duo tem preço sugerido de 15.999 iuanes (cerca de US$ 2.230), com pré-venda a partir de 16 de outubro de 2026 e vendas a partir do dia 23. É o mercado em que a aposta encontra a concorrência mais dura: o Xiaomi 18 Fold sai por 10.999 iuanes e o Mate XT2, da Huawei, por 19.999 iuanes, ambos lançados nos dias que antecederam e sucederam o evento da Apple.
A recepção inicial foi morna. Nas redes locais, parte das reclamações mirou o preço em relação à renda — um usuário do WeChat comparou o salário mensal de US$ 3 mil a US$ 4 mil do consumidor americano, que paga US$ 1.999 pelo aparelho, com os 3 mil a 4 mil iuanes ganhos no país para um produto de mais de 10 mil iuanes. Outro ponto citado foi a ausência de entrada para cartão SIM físico: o aparelho só funciona com eSIM, cuja ativação depende de ida a uma loja de operadora.
Pelos dados da Counterpoint Research, a Huawei liderou o mercado chinês de celulares no primeiro e no segundo trimestres de 2026, com a Apple em segundo lugar, seguida por Vivo e Oppo.
O anúncio aqueceu primeiro a concorrência. Em 1º de outubro de 2026, o Wall Street Journal informou que a Huawei e outras fabricantes chinesas registraram alta na procura por dobráveis depois da apresentação do iPhone Duo, antes mesmo de o aparelho chegar às lojas. Segundo o perfil FixedFocus, no Weibo, as vendas do Pura X Max, dobrável da Huawei de tamanho semelhante ao do Duo, subiram 76,5% entre 10 e 13 de setembro em relação à semana anterior.
Apple Intelligence e a nova Siri
Em 12 de janeiro de 2026, Apple e Google anunciaram um acordo plurianual pelo qual a tecnologia do Gemini passa a servir de base para os Apple Foundation Models, o conjunto de modelos que sustenta a Apple Intelligence. Pelo comunicado conjunto, "após avaliação cuidadosa, a Apple determinou que a tecnologia de IA do Google oferece a base mais capaz para os Apple Foundation Models". Reportagens à época estimaram o pagamento em cerca de US$ 1 bilhão por ano. A Apple informou que a Apple Intelligence continua rodando nos próprios aparelhos e no Private Cloud Compute, sua infraestrutura de servidores. O acordo não é exclusivo, e a empresa não detalhou o que muda na integração anterior com o ChatGPT, da OpenAI.
O resultado apareceu no iOS 27, cujo beta foi liberado em 14 de julho de 2026. A Siri foi reconstruída e passou a sustentar conversas de ida e volta e responder a perguntas abertas, no formato de um chatbot, com um aplicativo dedicado que guarda o histórico sincronizado pelo iCloud. Os recursos de inteligência artificial exigem iPhone 15 Pro ou mais recente; o sistema em si roda a partir do iPhone 11. A versão final do iOS 27 chega em setembro de 2026, junto com os novos iPhones.
A distribuição da nova assistente esbarra em obstáculos regulatórios. Pela apuração do NeoFeed publicada em 8 de setembro de 2026, a Siri reformulada não estreia na Europa e, na China, a aprovação pode levar até 2028.
Na China, a Apple Intelligence chega antes disso, mas sem a nova Siri. Segundo a Bloomberg, em reportagem de 14 de outubro de 2026, a empresa planeja lançá-la no país em dezembro, pelo iOS 27.3, no iPhone, no iPad e no Mac, com os recursos que estrearam nos Estados Unidos dois anos antes: Genmoji, resumos de notificações, ferramentas de escrita e remoção de objetos em fotos. A Alibaba desenvolveu os filtros que permitem ao governo chinês aprovar as atualizações dos modelos, e em 29 de setembro a Apple recebeu autorização para que os iPhones mais recentes rodem modelos da Alibaba, como o Qwen; a Baidu cuida de recursos ligados à busca e à Siri. A estreia exigiu nova rodada de negociação com o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, depois de uma aprovação preliminar em julho. Ficam de fora a Siri reconstruída sobre o Gemini, o modo de inteligência visual integrado à câmera e as ferramentas de geração de imagens, como o Image Playground, por exigência regulatória local. Em 15 de outubro de 2026, em entrevista ao site estatal chinês The Paper relatada pela Reuters, o presidente do conselho, Tim Cook, confirmou que a Apple Intelligence foi aprovada no país e que uma versão de testes sai ainda no fim de outubro, com tradução ao vivo, ferramentas de escrita e limpeza de imagens, sem a nova Siri.
No evento de 9 de setembro de 2026, a Apple marcou para 14 de setembro o lançamento do iOS 27, do iPadOS 27, do watchOS 27 e do macOS 27 Golden Gate, todos com a nova Siri integrada. A assistente chega primeiro em inglês; o suporte ao português foi anunciado para outubro de 2026.
A empresa também detalhou limites de uso. Os recursos que dependem de processamento em nuvem — a própria Siri e a geração de imagens, entre outros — têm cotas diárias que variam conforme a complexidade do pedido, enquanto as funções mais simples rodam no próprio aparelho. Assinantes do iCloud+ recebem cotas maiores.
A distribuição começou em 14 de setembro de 2026, com iOS 27, iPadOS 27, macOS 27 Golden Gate, watchOS 27 e visionOS 27 liberados no mesmo dia. O iOS 27 roda a partir do iPhone 11 e do iPhone SE de segunda geração, mas os recursos de Apple Intelligence exigem iPhone 15 Pro ou modelo posterior. A nova Siri saiu em inglês e em versão beta; o suporte a português, francês, japonês, coreano e espanhol ficou previsto para outubro de 2026. Além da assistente, o sistema trouxe a Inteligência Visual, que identifica objetos apontados pela câmera, e ferramentas de edição de fotos com reenquadramento espacial e remoção de objetos.
Dois recursos anunciados para o iOS 27 ficaram de fora da versão inicial. O primeiro, no aplicativo Senhas, identificaria credenciais fracas ou vazadas e as trocaria automaticamente, usando a Apple Intelligence e o Safari. O segundo, no Mensagens, sugeriria ações a partir do contexto da conversa, como criar um compromisso no calendário ou localizar uma foto mencionada. Os dois chegaram a aparecer nas versões de teste e foram retirados antes do lançamento público. A Apple informou que serão integrados "em uma atualização futura de software", sem cronograma, e não explicou o motivo; o adiamento alcança também iPad e Mac.
Quem não migrou de imediato recebeu uma atualização paralela. Junto com o iOS 27, a Apple liberou o iOS 26.7, pacote de segurança que corrige cerca de 80 vulnerabilidades — entre elas a CVE-2026-43689, que permitia a um aplicativo malicioso obter privilégios de root, e a CVE-2026-43715, falha de uso após liberação de memória no WebKit, o motor do Safari. Dezesseis das correções estão no próprio sistema e cinco no ImageIO. A atualização vale do iPhone 11 em diante e de vários modelos de iPad.
Em 28 de setembro de 2026, a Apple liberou atualizações de emergência — iOS e iPadOS 26.7.1, macOS Tahoe 26.7.1 e macOS Sequoia 15.8.1, além das versões 27.0.1 do iOS, iPadOS, macOS, watchOS e visionOS — para corrigir a CVE-2026-86950, falha no componente CoreGraphics pela qual um arquivo manipulado pode levar à execução de código arbitrário. Segundo o boletim da empresa, a brecha pode ter sido explorada em um ataque "extremamente sofisticado contra indivíduos específicos" em versões do iOS anteriores ao iOS 27.
Em 22 de setembro de 2026, a Apple liberou os primeiros betas públicos do iOS 27.2, do iPadOS 27.2, do macOS Golden Gate 27.2, do tvOS 27.2 e do watchOS 27.2, um dia depois dos segundos betas para desenvolvedores. A versão estende a nova Siri ao francês, japonês, coreano, português e espanhol e traz um aplicativo Saúde redesenhado, com abas de Insights e de Longevidade e o recurso Idade de Saúde, que calcula a idade de condicionamento físico do usuário a partir das métricas registradas e a compara com a idade real. Os betas também levam a Captura Dupla do FaceTime, que exibe ao mesmo tempo as câmeras frontal e traseira e que no iOS 27 funcionava só em chamadas individuais, para as chamadas em grupo (exige iPhone 17 ou posterior); dividem a fila Up Next do Apple Podcasts nas seções Novos Episódios e Continuar Reproduzindo; e trazem ao app Apple TV do iPhone os perfis de usuário, antes exclusivos do tvOS, com perfil infantil restrito a conteúdo adequado à idade. O lançamento final está previsto para outubro de 2026, sem data anunciada.
A concorrência dos agentes de inteligência artificial chegou ao iPhone. O Meta Muse, agente da Meta lançado em 8 de setembro de 2026, que pesquisa produtos, preenche formulários, faz compras e liga para empresas em nome do usuário, passou de 2,5 milhões de downloads nas duas primeiras semanas e chegou ao topo dos aplicativos gratuitos da App Store nos Estados Unidos. Shopify, Expedia e PayPal abriram seus serviços ao agente; a Amazon bloqueou o acesso. Em nota repercutida em 29 de setembro de 2026, Wamsi Mohan, analista do Bank of America, avaliou que agentes desse tipo podem tirar da Apple o controle das transações que começam no iPhone, e com elas a receita de busca e da loja de aplicativos, e que a nova Siri ainda não mantém tarefas em segundo plano nem atua de forma ampla em serviços de terceiros. O banco manteve a recomendação de compra das ações da Apple, com preço-alvo de US$ 370, citando a base de usuários e a confiança na privacidade da marca.
O hub doméstico com Siri
Em 20 de setembro de 2026, Mark Gurman, da Bloomberg, descreveu o aparelho doméstico que a Apple prepara, conhecido internamente pelo código J490. É uma tela aproximadamente quadrada, que pode ficar sobre uma base parecida com um HomePod mini cortado ao meio ou ser fixada na parede — algo próximo de um Echo Show, da Amazon, com tela bem menor. Roda um sistema próprio construído em torno da nova Siri, que combina elementos de iOS, tvOS e watchOS, com tela inicial, widgets e mostradores de relógio, e é configurado a partir do iPhone. Serve de central para controle de dispositivos conectados, chamadas de vídeo, interfone e reprodução de mídia.
A câmera frontal faz reconhecimento facial sem o sensor de profundidade exigido pelo Face ID e personaliza o que aparece na tela — aplicativos, notas, compromissos, notícias, música e podcasts — conforme quem está olhando. Segundo a apuração, o aparelho já está em teste nas casas de funcionários e pode ser apresentado já em outubro de 2026; o hardware estava pronto desde 2024 e a estreia foi adiada à espera da assistente reformulada. A Apple não confirmou o produto nem informou preço.
A nova Siri deve chegar também às caixas de som. Em 23 de setembro de 2026, o desenvolvedor conhecido como pdfu encontrou no HomePod Software 27 o Linwood, sistema que sustenta a Siri com inteligência artificial, e novas luzes de status em branco, azul e laranja, as cores da assistente nos demais aparelhos. Como o software já foi liberado e a assistente não está ativa nos modelos atuais, o MacRumors avalia que o recurso deve ficar restrito a um HomePod mini novo, com processador mais rápido, chip de rede N1 e Ultra Wideband atualizado, que pode ser apresentado já em outubro de 2026. Como no Apple Watch, a Siri no HomePod dependeria de um iPhone pareado com Apple Intelligence. A Apple não comentou.
Dois dias depois, em 25 de setembro de 2026, Aaron Perris, colaborador do MacRumors, encontrou no código da própria Apple imagens oficiais do HomePod mini 2, que mantém o formato esférico e o revestimento de tecido do modelo de 2020 e troca a paleta: verde, rosa, azul, branco e preto, no lugar de amarelo, laranja, azul, branco e cinza. O mesmo material mostrou um iPad mini com o chip A20 Pro, câmera frontal reposicionada para o uso na horizontal e novo sistema de alto-falantes, e a designação Apple TV 4K (4ª geração), com o mesmo desenho externo do modelo atual. A Apple costuma anunciar produtos em outubro e não confirmou nenhum dos três.
A data veio em 30 de setembro de 2026. Segundo Gurman, a Apple vai apresentar o hub doméstico, o novo HomePod mini e uma nova Apple TV 4K em 13 de outubro de 2026, uma terça-feira; a reportagem não informou se haverá um evento em vídeo ou apenas comunicados à imprensa. O hub tem tela de cerca de 6 polegadas, com desenho inspirado no iMac G4: o painel fica sobre uma base em formato de meia cúpula, que concentra microfones e alto-falantes, e há também uma versão para parede. O aparelho tem a espessura de um iPhone, moldura preta de um quarto de polegada, como a dos iPads, nenhum botão de volume ou de liga e desliga, e não tem bateria, funcionando sempre ligado à tomada. A interface mistura elementos do Apple Watch, da Apple TV e do iPad. É a primeira atualização do HomePod mini desde 2020; ele e a Apple TV mantêm o desenho atual e ganham processadores mais rápidos para rodar a Siri com inteligência artificial. A Apple não confirmou a data.
Às vésperas da apresentação, em 11 de outubro de 2026, Gurman informou na newsletter Power On, da Bloomberg, que o hub deve se chamar HomeView e usar o chip A18. São duas versões: a de mesa, com base de alto-falante metálica nas cores cinza-espacial, prata, estelar e rosa, e a de parede, em cinza-espacial ou prata, com base quadrada e plana. O aparelho roda uma seleção limitada de aplicativos da própria Apple, sem acesso à App Store, e as vendas devem começar em meados de novembro. O novo HomePod mini usa o chip S10, o mesmo dos Apple Watch mais recentes, e vem em rosa, branco, verde, azul e preto; a nova Apple TV ganha o chip A19 e um controle remoto com alto-falante embutido, que ajuda a encontrá-lo quando some. Os dois chegam às lojas em 30 de outubro de 2026, segundo a reportagem. A Apple não confirmou nome, preço nem datas.
Os acessórios da casa virão de um parceiro. Em 6 de outubro de 2026, Gurman informou que a Apple desenvolve com a sul-coreana LG Electronics uma linha de aparelhos conectados: campainha com vídeo, fechadura inteligente, termostato, câmeras de segurança internas e externas, câmera com holofote e sensor de temperatura. Os produtos levam a marca LG, que cuida da fabricação e do suporte, enquanto a Apple mantém o controle do desenho e da engenharia; todos funcionam com Wi-Fi, Bluetooth, Thread e Matter, e a fechadura usa Ultra Wideband para destrancar a porta com a aproximação do iPhone. Segundo a reportagem, eles devem levar pelo menos alguns meses para chegar ao consumidor. A parceria põe a Apple em concorrência direta com a Amazon, dona das câmeras Ring.
As reportagens se confirmaram quase todas em 13 de outubro de 2026, com a diferença de que a tela do HomeView tem 7 polegadas e os acessórios saíram também pela Schneider Electric (ver O lançamento de 13 de outubro).
O lançamento de 13 de outubro
Em 13 de outubro de 2026, a Apple anunciou em comunicados à imprensa o HomeView, o HomePod mini 2, a quarta geração da Apple TV 4K e a Apple Home Collection, linha de acessórios para a casa. Para o Wall Street Journal, foi a maior aposta de John Ternus como CEO depois do iPhone Duo.
O HomeView é a primeira tela inteligente da empresa, num segmento dominado há anos pela Amazon e pelo Google. Tem tela Liquid Retina de 7 polegadas, chip A18, câmera frontal para chamadas FaceTime e alto-falantes e microfones na base, e roda a Siri AI, a versão reformulada da assistente. Reconhece até seis pessoas pelo rosto e mostra a cada uma a própria tela inicial; traz Mensagens, FaceTime, Calendário, Lembretes, Buscar, Apple Music, Apple Podcasts, Apple News e Apple TV, além de aplicativos de áudio e vídeo de terceiros compatíveis. A versão de mesa vem em prata, estelar, rosa e cinza-espacial; a de parede, só em prata e cinza-espacial, com suportes da Schneider Home de US$ 59,95 a US$ 129,95. Custa US$ 299 nos Estados Unidos, com pré-venda aberta no dia do anúncio e chegada às lojas em 13 de novembro de 2026 nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália, Índia e Nova Zelândia; Singapura e África do Sul vêm em seguida. A Siri AI do aparelho fala só inglês no lançamento, com francês canadense prometido numa atualização. O HomeView não será vendido na União Europeia, porque a Siri AI não está disponível no iOS no bloco; a Apple diz que trabalha com a UE para encontrar uma saída, sem prazo. Não há previsão de lançamento no Brasil.
O HomePod mini 2, primeira atualização da caixa de som desde 2020, usa o chip S10 e custa US$ 149, US$ 50 a mais que o modelo original. Vem em rosa, verde, azul, branco e meia-noite, ganha o Sound Glow, que faz o topo brilhar no ritmo da música, e chega às lojas em 30 de outubro de 2026. A Siri AI só chega a ele numa atualização futura, sem data.
A Apple TV 4K de quarta geração, a primeira desde 2022, tem chip A19, com CPU até 50% mais rápida e GPU até duas vezes mais rápida que a anterior, decodificador AV1 dedicado e três microfones de campo distante que dispensam o controle remoto para os comandos de voz. O novo Siri Remote entra no app Buscar, com localização precisa e opção de tocar um som. Com dois HomePod mini 2 ou HomePod, monta um sistema surround de quatro alto-falantes. Custa US$ 299 nos Estados Unidos e R$ 3.599 no Brasil, com chegada às lojas em 13 de novembro de 2026. A Siri AI entra em beta também na Apple TV 4K de 2ª geração em diante, em inglês, nos Estados Unidos, Austrália, Canadá, Índia, Nova Zelândia, Singapura, África do Sul e Reino Unido.
A Apple Home Collection reúne acessórios feitos com a LG Electronics e a Schneider Electric e geridos pelo app Casa; imagens das câmeras e dados pessoais ficam com criptografia de ponta a ponta, inacessíveis às três empresas. A LG fabrica a campainha com vídeo (US$ 249,95), a câmera com holofote (US$ 399,95), as câmeras externa (US$ 299,95) e interna (US$ 199,95), todas com resolução de até 2,5K e vendidas nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, além da fechadura Smart Deadbolt Lock (US$ 349,95), que usa Ultra Wideband para destrancar a porta com a aproximação do iPhone ou do Apple Watch, de um termostato (US$ 199,95) e de um sensor de temperatura (US$ 39,95). A Schneider faz outro termostato (US$ 199,95) e um sensor de ambiente (US$ 39,95). Os aparelhos usam Matter e Thread e chegam em dezembro de 2026; fechadura, termostatos e sensores, só nos Estados Unidos e no Canadá. Adaptadores e acabamentos de instalação ficam para o início de 2027.
A volta ao mercado de servidores
Em 16 de setembro de 2026, o site The Information informou, com base em pessoas a par do assunto, que a Apple desenvolve um servidor de inteligência artificial para o mercado corporativo, equipado com dois ou quatro chips M8 Ultra — os processadores de maior desempenho da linha, ainda não lançados. O alvo é o mercado de inferência, a etapa em que modelos já treinados são postos para rodar, e que hoje concentra o crescimento da demanda das empresas. Segundo a reportagem, o projeto começou há cerca de um ano, por iniciativa de John Ternus, então chefe de hardware e hoje presidente executivo.
Para conectar os chips entre si, a Apple avalia usar o NVLink Fusion, tecnologia de rede da Nvidia que permite a chips de terceiros se acoplarem aos sistemas de data center da fabricante. A aproximação contrasta com quase duas décadas de relação estremecida entre as duas empresas, rompida depois de falhas em MacBooks atribuídas a chips gráficos da Nvidia. O produto não é esperado antes de 2029 e pode ser cancelado ou lançado sem a tecnologia da Nvidia. Seria o primeiro hardware de servidor da Apple desde o Xserve, descontinuado em 2011. Procuradas pela Reuters, Apple e Nvidia não se manifestaram de imediato, e a agência informou não ter conseguido confirmar o relato de forma independente.
macOS 27 Golden Gate
O macOS 27 Golden Gate foi liberado em 14 de setembro de 2026. A mudança principal é a Siri, que virou aplicativo independente no Mac, com histórico de conversas e comandos por voz ou texto, e que pode ser acionada sobre qualquer ponto da tela para responder sobre o conteúdo visível, resumir e buscar.
A Inteligência Visual chegou ao computador com dois atalhos: Command + Shift + Espaço acrescenta a janela ativa como contexto da pergunta, e Command + Shift + 6 abre uma ferramenta de seleção de trecho da tela, com ações como Select, Add to Contact e Look up Location. O Spotlight passou a aceitar perguntas diretas à assistente e a buscar em aplicativos, arquivos, ações e histórico. O Safari ganhou monitoramento de páginas por inteligência artificial, que acompanha mudanças de preço e de políticas, e agrupamento automático de abas por tema.
O sistema só roda em Macs com chip da própria Apple — da série M ou o A18 Pro: MacBook Neo (2026), MacBook Air e MacBook Pro de 2020 em diante, iMac de 2021 em diante, Mac mini de 2020 em diante, Mac Studio de 2022 em diante e Mac Pro de 2023. É também a última versão do sistema a oferecer suporte ao Rosetta, a camada de tradução que permite rodar em Macs com processador Apple programas feitos para os modelos com chip Intel.
Em 2 de outubro de 2026, a Apple anunciou aos desenvolvedores que vai endurecer o Acesso Total ao Disco, permissão do macOS criada para que aplicativos de backup funcionem e que contorna boa parte das proteções de dados do sistema. Segundo a empresa, alguns desenvolvedores usam a permissão de formas que expõem arquivos, e-mails, mensagens e histórico de navegação "sem o pleno conhecimento e entendimento" do usuário, e "à medida que agentes de IA se tornam mais capazes e autônomos, os riscos associados a esse nível de acesso vão crescer substancialmente". Os novos controles exigirão uma ação "muito explícita" do usuário para conceder o acesso; a Apple não informou em que versão do sistema nem a partir de quando eles passam a valer. O anúncio veio dias depois de Jason Aten, colunista da revista Inc., relatar que o Meta Muse havia lido suas mensagens privadas sem permissão, o que a Meta contestou.
Mac mini M6
Em 25 de agosto de 2026, a Apple anunciou uma nova geração do Mac mini, com o chip M6 ou o M5 Pro. O M6 tem CPU e GPU de 12 núcleos, contra dez de cada no M5, e estreia um Neural Engine duplo, formado por dois blocos de 16 núcleos; a banda de memória subiu de 153 GB/s para 170 GB/s. A empresa afirma desempenho de CPU até 40% superior ao do modelo anterior, equipado com o M4 de dez núcleos, além de tarefas de inteligência artificial até quatro vezes mais rápidas e gráficos e armazenamento até duas vezes mais rápidos.
O M5 Pro vem em duas configurações: CPU de 15 núcleos com GPU de 16, e CPU de 18 núcleos com GPU de 20, ambas com um Neural Engine de 16 núcleos. Nos Estados Unidos, a versão com M6 parte de US$ 899 e a com M5 Pro, de US$ 1.699. A encomenda começou no dia do anúncio e a chegada às lojas, em 22 de setembro de 2026.
Em teste publicado em 6 de outubro de 2026 pelo canal ETA Prime, o Mac mini com M6 na configuração básica, de 16 GB de memória unificada, rodou jogos de GameCube a 60 quadros por segundo em resolução 8K no emulador Dolphin e jogos de PlayStation 2 como Gran Turismo 4 e God of War 2 a 60 quadros no PCSX2. Entre os jogos de PC, Cyberpunk 2077 rodou em 1080p e GTA V em 1440p, perto de 60 quadros por segundo.
Os Macs do fim de outubro
No mesmo anúncio de 25 de agosto de 2026, a Apple apresentou o novo Mac Studio, com os chips M5 Max e M5 Ultra; o M5 Ultra chega a CPU de 36 núcleos, GPU de até 80 núcleos e até 512 GB de memória unificada. A configuração com 512 GB foi prometida para o fim de outubro de 2026.
O Mac Studio com M5 Ultra virou a máquina de referência de um modelo aberto da Meta. Em 15 de outubro de 2026, a empresa lançou o Muse Spark Open, modelo de pesos abertos com 816 bilhões de parâmetros, janela de contexto de 1 milhão de tokens e entrada nativa de texto, imagem, vídeo e áudio, que ela apresenta como o mais capaz do gênero nos Estados Unidos. Segundo a Meta, o modelo roda melhor localmente no Mac Studio com M5 Ultra; o Engadget, citado pelo TechCrunch, informou que ele exige ao menos 1 TB de memória. A Meta usou o modelo para corrigir código de um cliente do Mastodon e para revisar e cortar vídeo no DaVinci Resolve.
Ela pode não chegar sozinha. Em 5 de outubro de 2026, o MacRumors informou, com base em várias fontes, que a Apple prepara uma segunda leva de lançamentos para a última semana de outubro, depois da apresentação dos produtos para a casa em 13 de outubro e da chegada do iPhone Duo às lojas em 23 de outubro. As fontes não disseram quais produtos entram; o site aponta como candidatos mais prováveis os MacBook Ultra, com tela OLED e corpo mais fino e leve, um MacBook Pro de 14 polegadas com chip M6 e um iMac com M6. O iPad mini com A20 Pro, que deve ganhar tela OLED de cerca de 8,4 polegadas, também é esperado para outubro, sem data definida. Segundo Gurman, em 11 de outubro de 2026, o modelo deve partir de US$ 799, acima dos US$ 699 esperados antes e dos US$ 599 cobrados hoje pela geração de 2024, que estreou a US$ 499; a alta é atribuída ao custo dos componentes.
Em 15 de outubro de 2026, segundo Gurman, a data da segunda leva passou a ser 28 de outubro. A principal novidade deve ser o MacBook Pro de 14 e 16 polegadas com tela OLED sensível ao toque, a Dynamic Island no lugar do entalhe e os chips M5 Pro e M5 Max, em corpo mais fino e leve. Entram também o iPad mini com tela OLED e câmera frontal na lateral maior, para o modo paisagem, e um iMac com o chip M6, que estreia na linha de entrada. A Apple não confirmou o evento. No mesmo dia, o MacRumors encontrou no site regulatório francês da Apple uma capa Smart Folio para iPad mini com o número de modelo A3632, que não corresponde a nenhuma capa atual ou anterior do tablet; uma capa nova costuma indicar mudança no corpo do aparelho, de modo que as atuais não devem servir no iPad mini de oitava geração.
Vision Pro
O Vision Pro é o headset de realidade mista da Apple, hoje equipado com o chip M5 e alimentado por uma bateria externa ligada por cabo. O peso é a principal queixa de quem usa o aparelho por longos períodos.
Em 27 de setembro de 2026, Mark Gurman, da Bloomberg, informou na newsletter Power On que a equipe responsável estuda quatro conceitos para um Vision Pro reformulado, de codinome N224. Um deles transfere o processamento para um módulo externo, do tamanho e do peso da bateria atual, como fez a Meta; parte da cúpula da empresa considera essa solução uma experiência ruim e prefere manter tudo no próprio headset. Outros conceitos testam plástico, titânio e outros metais para reduzir peso e custo. O aparelho não deve chegar antes do fim de 2028 ou do início de 2029, e Gurman descreve o projeto como mantido "por aparelhos", já que a prioridade da Apple passou a ser óculos inteligentes sem tela, previstos para o fim de 2027. O N224 é distinto do Vision Air, versão mais leve e barata cancelada em outubro de 2025.
Apple Watch
O Apple Watch foi anunciado em 9 de setembro de 2014 e chegou às lojas dos Estados Unidos em 24 de abril de 2015; no Brasil, em 16 de novembro de 2015. Roda o sistema watchOS e depende de um iPhone para funcionar plenamente.
A linha vendida hoje no Brasil tem três modelos — Apple Watch Series 11, Apple Watch SE 3 e Apple Watch Ultra 3 —, além da variante Apple Watch Nike.
Em 9 de setembro de 2026, a Apple anunciou o Apple Watch Series 12 e o Apple Watch Ultra 4, ambos com o novo chip S11 e o desenho externo mantido. Os preços partem de US$ 399 e US$ 799 nos Estados Unidos; no Brasil, de R$ 5.499 para o Series 12 em alumínio (R$ 9.299 em titânio e R$ 11.899 em cerâmica) e de R$ 10.499 para o Ultra 4. A pré-venda começou no dia do anúncio e as vendas começam em 18 de setembro.
A autonomia do Ultra 4 é a maior já registrada em um relógio da empresa: até 50 horas de uso diário, ou 84 horas no modo de pouca energia, com um modo de treino estendido capaz de registrar até 45 horas ininterruptas de atividade. O Series 12 fica em 24 horas, com 15 minutos de carga rendendo até 12 horas adicionais.
Os sensores de saúde foram refeitos, com maior área de eletrodo para o eletrocardiograma e fotodiodos redesenhados para a leitura óptica. A frequência cardíaca passou a ser medida a cada cinco segundos ao longo do dia — 60 vezes mais que nos modelos anteriores — e a variabilidade cardíaca, 24 vezes mais no Series 12.
A novidade de software é um conjunto batizado de Audio Intelligence, de ativação opcional. O Live Rewind recupera em texto os últimos 15 segundos de uma conversa, acionado por dois toques na Digital Crown. O Siri Recap usa escuta ambiente para gerar títulos e pontos principais dos diálogos do dia em um aplicativo dedicado da Siri. O Sound Recognition identifica sirenes, alarmes, campainhas e choro de bebê, voltado a pessoas com perda auditiva. A Apple afirma que os recursos não criam nem armazenam gravações e que o áudio bruto é descartado logo após o processamento, sem acesso externo — ressalva que não encerrou o debate público sobre aparelhos em escuta permanente.
No mesmo evento, a empresa apresentou uma versão redesenhada do aplicativo Saúde, com uma aba de Insights que usa a Apple Intelligence para interpretar os dados coletados e duas métricas novas, a pontuação de prontidão e a idade da saúde, além de uma aba de longevidade que acompanha sono, movimento e saúde cardíaca. O lançamento ficou para o fim de 2026, inicialmente em inglês nos Estados Unidos.
Boa parte do apelo do produto está nos recursos de saúde, que a própria Apple delimita com ressalvas:
- ECG (eletrocardiograma): disponível no Series 4 e posteriores, exceto nos modelos SE, e indicado para maiores de 22 anos. Gera um eletrocardiograma de derivação única.
- Oxigênio no sangue: o app é apresentado como ferramenta de bem-estar, não de uso médico.
- Notificações de hipertensão: não recomendadas para menores de 22 anos, pessoas já diagnosticadas ou gestantes.
- Apneia do sono: disponível no Series 9 e posteriores, Ultra 2 e posteriores e no SE 3, para maiores de 18 anos sem diagnóstico prévio.
- Sensor de temperatura: presente no Series 8 e posteriores, no SE 3 e em todos os modelos Ultra; também não se destina a uso médico.
- Notificações de ritmo cardíaco irregular: exigem versões atualizadas de watchOS e iOS e não são indicadas para menores de 22 anos ou para quem já tem fibrilação atrial.
Em 22 de setembro de 2026, Mark Gurman, da Bloomberg, informou que a Apple desenvolve protótipos de um rastreador de saúde e condicionamento físico sem tela, uma faixa fina de tecido com um módulo de sensores, na linha da pulseira da Whoop. O projeto está em fase de investigação tecnológica, a empresa ainda não decidiu se vai lançá-lo e, segundo a reportagem, o aparelho não chegaria antes de 2028.
Apple TV
Apple TV é ao mesmo tempo o nome do aparelho de streaming da empresa (Apple TV 4K), do aplicativo que agrega conteúdo e do serviço de assinatura. No Brasil, a assinatura custa R$ 29,90 por mês após o período de teste gratuito.
O serviço inclui as produções originais da Apple e a transmissão de jogos da MLS e do beisebol das sextas-feiras, sem custo adicional. O aplicativo também reúne serviços de terceiros — Paramount+, Prime Video, Disney+ e Globoplay, entre outros — e oferece filmes para compra e aluguel. Está disponível em Apple TV 4K, iPhone, iPad, Mac, aparelhos Android, PC, smart TVs e consoles.
O aparelho ficou quatro anos sem atualização, de 2022 a 2026. Em 25 de setembro de 2026, o MacRumors encontrou no código da Apple a designação Apple TV 4K (4ª geração), e em 13 de outubro de 2026 a Apple anunciou o modelo, com chip A19 e Siri AI, por US$ 299 nos Estados Unidos e R$ 3.599 no Brasil, nas lojas a partir de 13 de novembro (ver O lançamento de 13 de outubro).
Em 15 de setembro de 2026, a Apple passou a incluir o Apple TV e o Apple Arcade, sem custo adicional, em todos os planos do iCloud+ — do mais básico, de 50 GB, em diante — em mais de cem países e regiões, com liberação gradual até o fim de setembro. O serviço de streaming chegou a 59 novos países, somando 170 mercados, entre eles Índia, Arábia Saudita, Cingapura, Turquia e Emirados Árabes Unidos. Em parte desses mercados o pacote traz também o Music Select, conjunto de estações de rádio sem anúncios, com opção de migrar depois para o Apple Music completo por um valor menor. O Brasil ficou de fora da lista: os três serviços seguem disponíveis no país, mas por assinaturas separadas ou pelo Apple One.
Apple Music
O Apple Music é o serviço de streaming de música da empresa, com catálogo de mais de 100 milhões de faixas e sem anúncios. No Brasil, os planos custam R$ 23,90 por mês (individual), R$ 40,90 (família) e R$ 12,90 (estudante), todos com o primeiro mês gratuito.
Todas as assinaturas incluem áudio espacial com Dolby Atmos e áudio lossless — este último em até 192 kHz na qualidade Hi-Res —, sem cobrança extra.
Em 21 de setembro de 2026, a Apple abriu o Apple Music Hall, sua primeira casa de shows permanente, dentro da sede europeia da empresa na Battersea Power Station, em Londres. O espaço comporta 600 pessoas e tem palco de 38 pés (cerca de 11,6 metros) de largura, que pode ser montado de frente para a plateia ou no meio dela, e um sistema de som espacial com 48 caixas distribuídas ao redor do público. A estrutura inclui dois estúdios de gravação e mixagem e é cabeada para mais de dezesseis câmeras, com sala de controle de transmissão que aceita tanto câmeras de broadcast quanto iPhones: cada apresentação sai gravada em multipista, mixada em áudio espacial ao vivo ou depois do show, e transmitida para fora de Londres. "Hoje, com a abertura do Apple Music Hall, damos mais um passo sem precedentes no nosso compromisso com artistas e fãs, apoiando a música ao vivo de um jeito que só a Apple consegue", disse Oliver Schusser, vice-presidente de Apple Music e Conteúdo Internacional.
Em 1º de outubro de 2026, a versão 7.0 do aplicativo para Android entrou em teste para os inscritos no programa beta da Google Play Store, com visual inspirado no do iPhone: barra de navegação flutuante com efeitos de transparência que imitam o Liquid Glass e páginas de artista redesenhadas, com imagens maiores. A versão também separa duas ações antes ligadas, e remover uma faixa da biblioteca deixa de apagá-la das playlists. A Apple não anunciou data para a versão estável.
O serviço também prepara uma nova marca. Em 6 de outubro de 2026, o analista Aaron Perris mostrou que os betas do iOS 27.2 e do macOS 27.2 trazem um logotipo novo, que mantém a maçã e escreve "music" em letras minúsculas, numa fonte mais encorpada que a anterior. O visual já tinha aparecido na abertura do Apple Music Hall e em publicações da Apple nas redes sociais, e deve se generalizar depois da chegada do iPhone Duo às lojas, em 23 de outubro de 2026.
Fitness+
O Apple Fitness+ é o serviço de assinatura de treinos da empresa, ligado ao Apple Watch. Em 20 de setembro de 2026, Mark Gurman informou que a Apple demitiu um pequeno grupo de funcionários do serviço, concentrado na parte de áudio — as sessões Time to Walk e Time to Run, que podem ser ouvidas direto do relógio, sem vídeo. Segundo a apuração, os dois formatos não foram encerrados, mas passam a receber episódios novos com menos frequência.
O futuro do serviço segue em avaliação interna. A Apple moveu as áreas de saúde e condicionamento físico para o grupo de Serviços, e a expectativa relatada é de que o Fitness+ acabe incorporado ao aplicativo Saúde reformulado e a uma assinatura de saúde mais ampla, sem data definida.
CarPlay
O CarPlay é o sistema que espelha o iPhone na central multimídia do carro. Em 15 de setembro de 2026, a General Motors informou que voltará a oferecê-lo, ao lado do Android Auto, em sua central multimídia mais recente, três anos depois de tê-lo retirado dos carros elétricos da marca — decisão de 2023 que desagradou parte dos consumidores. A volta começa pela Chevrolet Silverado e pela GMC Sierra 2027, com uma solução de tela dividida que faz o CarPlay conviver com o software próprio da montadora. A montadora não informou se os sistemas voltarão também aos modelos elétricos.
Apple Pay
O Apple Pay é o sistema de pagamento por aproximação e on-line da Apple, que guarda cartões na Apple Wallet do iPhone, do iPad e do Apple Watch. Em 29 de setembro de 2026, o serviço estreou na Índia, com cartões de crédito Visa e Mastercard do Axis Bank, terceiro maior banco privado do país. HDFC Bank, ICICI Bank e SBI Card ficaram de fora no lançamento enquanto negociam as condições comerciais — segundo o TechCrunch, a Apple pede cerca de 0,2% por transação —, e cartões da bandeira local RuPay não são aceitos. O mercado indiano de pagamentos digitais é dominado pelo UPI, sistema de transferência instantânea entre contas bancárias via QR code. A Apple respondeu por 28% do mercado de smartphones da Índia em valor em 2025, ante 23% no ano anterior.
No Reino Unido, o Apple Pay está na mira da Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA). Em 22 de outubro de 2025, o órgão declarou a Apple detentora de status de mercado estratégico em sua plataforma móvel, o que lhe permite impor regras de conduta à empresa. Em 30 de junho de 2026, abriu consulta sobre o acesso ao NFC do iPhone, chip que a Apple reservou ao próprio Apple Pay até outubro de 2024, quando lançou uma plataforma paga para terceiros; segundo a CMA, nos 18 meses seguintes nenhum produto novo usou a plataforma no país, provavelmente por causa das taxas, e o órgão estuda impor acesso em condições "justas e razoáveis", com consulta formal prevista para o outono europeu de 2026. Em 16 de outubro de 2026, o Financial Times informou que a Apple se prepara para brigar com a CMA contra a obrigação de abrir a tecnologia da carteira digital a concorrentes.
App Store e as lojas físicas
A App Store é a loja de aplicativos do iPhone e do iPad e uma das principais fontes da receita de serviços da Apple, já que a empresa cobra comissão sobre as vendas feitas dentro dos aplicativos. Esse modelo é o centro das disputas regulatórias que a empresa enfrenta em vários países, inclusive no Brasil.
As lojas físicas, chamadas Apple Store, são poucas no país: há duas, a do VillageMall, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e a do shopping Morumbi, em São Paulo. A operação brasileira mantém escritório na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Jr., no Itaim Bibi, em São Paulo. Fora dessas unidades, a venda é feita pela loja on-line e por revendedores autorizados.
Em 6 de setembro de 2026, a Bloomberg informou, com base em fontes, que a saída de Schiller do comando da loja foi motivada por divergência sobre os planos da Apple para a plataforma. Ternus e Eddy Cue pretendem ampliar as margens da App Store e a receita recorrente que ela gera; Schiller avaliava que tentar extrair mais lucro do negócio aumentaria o atrito com governos e desenvolvedores. Publicamente, Schiller citou o desejo de dedicar mais tempo à família e à filantropia.
A moderação da loja também tem peso político. Em outubro de 2025, a Apple retirou da App Store o ICEBlock e aplicativos semelhantes, que permitiam alertar sobre a presença de agentes do ICE, a agência de imigração dos Estados Unidos. Em carta de julho de 2026 ao deputado democrata Jamie Raskin, revelada pela CNN em 29 de setembro, a empresa explicou que os aplicativos forneciam "informações de localização de agentes da lei que podem ser usadas para feri-los, individualmente ou em grupo", e citou preocupações com a segurança dos agentes — inclusive as levantadas pelo governo Trump — depois de um ataque a tiros num escritório do ICE em Dallas que matou dois detentos. Raskin investiga o papel do Departamento de Justiça na remoção.
Em 16 de outubro de 2026, a Apple revisou as Diretrizes de Revisão da App Store. A regra 1.2, sobre conteúdo gerado por usuários, passou a citar expressamente imagens íntimas não consentidas, inclusive as criadas com ferramentas de inteligência artificial, como conteúdo que os aplicativos têm de prevenir e remover; quem não tiver salvaguardas adequadas ou não corrigir violações depois de notificado pode ser considerado infrator do Código de Conduta do Desenvolvedor e ter o app retirado da loja. A nova regra 2.5.19 proíbe funções ocultas, dormentes ou não documentadas, inclusive escondidas por ofuscação de código, mirando os aplicativos que se apresentam de um jeito na revisão e só depois da aprovação revelam recursos como a "nudificação" de fotos de pessoas reais; a punição é a retirada do app e o desligamento do programa de desenvolvedores. A seção 5 passou a dizer que apps ligados a tráfico de pessoas ou exploração de crianças serão removidos da App Store e bloqueados também na distribuição alternativa. A mudança veio depois de o Tech Transparency Project apontar, em janeiro de 2026, dezenas de aplicativos de nudez por IA na loja, e de autoridades de São Francisco ordenarem, em julho, a retirada de oito deles.
Na mesma edição de 13 de setembro de 2026 de sua newsletter, Gurman descreveu um redesenho das lojas físicas em preparação, com três mudanças. A primeira é a volta das Genius Bars dedicadas, em madeira, com duas alturas de balcão para acessibilidade e gavetas de armazenamento ao fundo — o formato havia sido substituído pelo Genius Grove havia mais de uma década. A segunda é a retirada dos grandes painéis de vídeo no fundo das lojas. A terceira é a criação de duas baias de cerca de três metros, uma para a retirada de pedidos feitos on-line e outra para as sessões Today at Apple. Não há data anunciada; segundo a apuração, a empresa pretende acelerar o ritmo de reformas nos próximos anos.
Resultados financeiros
No terceiro trimestre do ano fiscal de 2026, encerrado em 27 de junho de 2026 e divulgado em 30 de julho, a Apple registrou receita de US$ 109,4 bilhões, alta de 16% sobre o mesmo trimestre do ano anterior, lucro por ação de US$ 2,02 (alta de 29%) e margem bruta de 50,1%. Foram recordes para um trimestre de junho em receita total e em lucro por ação, com recordes também em iPhone, Mac e Serviços.
"Nossa base instalada de dispositivos ativos também atingiu novo recorde histórico em todas as principais categorias", disse Tim Cook no comunicado. O diretor financeiro Kevan Parekh afirmou que a empresa ficou "muito satisfeita" com o desempenho recorde do trimestre.
No primeiro trimestre do mesmo ano fiscal, encerrado em 27 de dezembro de 2025, a receita havia sido de US$ 143,8 bilhões, também com alta de 16%, e o lucro por ação diluído de US$ 2,84, alta de 19%. Segundo Cook, o iPhone teve naquele trimestre "o melhor desempenho de sua história, impulsionado por demanda sem precedentes, com recordes históricos em todas as regiões".
O processo contra a OpenAI
Em 10 de julho de 2026, a Apple processou a OpenAI no tribunal federal do Distrito Norte da Califórnia por apropriação indevida de segredos industriais ligados ao desenvolvimento de hardware. São réus, além da OpenAI, a io Products, braço de hardware da empresa, e ex-funcionários da Apple: Tang Tan, que foi vice-presidente de design de produto e hoje chefia a área de hardware da OpenAI, o engenheiro elétrico Chang Liu e Yu-Ting "Alyssa" Peng. Pela petição, Tan enviou a si mesmo informações sobre fornecedores da Apple antes de sair, usou o que sabia de projetos confidenciais para sondar candidatos em entrevistas e pediu que candidatos ainda empregados na Apple levassem componentes e amostras de hardware da empresa para sessões de demonstração.
A disputa chegou à fase de provas. Em 21 de agosto de 2026, os advogados de Liu entregaram o MacBook que ele usava na Apple, e a cópia forense do aparelho foi concluída três dias depois. A Apple sustenta que o exame localizou o arquivo de saída de uma simulação de circuito feita em 18 de março, sincronizada para o MacBook pelo iCloud Drive em 11 de abril a partir de um computador identificado como Mac Mini. A defesa contesta a leitura, diz que parte dos arquivos em disputa era de tamanho zero e atribui a confusão às próprias práticas de desligamento e segurança da Apple.
Em 21 de setembro de 2026, numa petição conjunta, a Apple pediu ao tribunal que seus peritos possam examinar as imagens forenses usadas no caso, alegando ter encontrado falhas críticas na análise feita pelos peritos dos réus. No mesmo documento, requer registros de partes da pesquisa de hardware da OpenAI — acabamento de metal, gerenciamento de energia e funcionamento de bateria —, a íntegra das conversas por LINE entre Liu e Peng e a documentação sobre o uso de ferramentas de inteligência artificial como ChatGPT e Claude. A Apple argumenta que precisa do acesso com urgência porque a OpenAI segue desenvolvendo o produto, e o eventual uso das informações tende a ficar cada vez mais entranhado nesse trabalho. Os réus respondem que os pedidos são amplos demais e configuram tentativa de espionar um concorrente.
Em 13 de outubro de 2026, o juiz federal Edward Davila atendeu parte do pedido de produção antecipada de provas. A OpenAI terá de entregar os materiais das entrevistas de ex-funcionários da Apple que se candidataram às áreas de hardware de consumo e de robótica — roteiros, guias, instruções e apresentações técnicas — e as mensagens por LINE entre Liu e Peng, em cinco dias para o que já foi reunido e em 14 para o restante. O juiz autorizou os depoimentos de Liu, Peng e Tang Tan, hoje diretor de hardware da OpenAI. Negou, porém, o acesso antecipado à pesquisa de hardware da OpenAI, como acabamento de metal e gerenciamento de energia, e ao que os ex-funcionários criaram já na empresa; a Apple pode reapresentar o pedido de forma mais restrita.
No dia seguinte, 14 de outubro de 2026, a OpenAI levou ao mesmo processo uma acusação no sentido inverso. Segundo a petição, um ex-funcionário que saiu da Apple, trabalhou seis meses na OpenAI e voltou para a Apple enviou para contas pessoais, em 2 de junho de 2026, seu último dia na empresa, mais de cem arquivos altamente confidenciais sobre ao menos um aparelho não lançado: imagens do dispositivo, dados de engenharia e de fabricação, informações de fornecedores, padrões de acabamento e relatórios sobre revestimento e vedação de componentes. A OpenAI afirma que ele apresentou os planos dela à alta direção da Apple, inclusive ao vice-presidente de operações na Ásia, e que a Apple não deu as garantias pedidas de que não tem nem usa essas informações. O funcionário não foi identificado. A Apple disse à Reuters não ter encontrado nenhuma prova das alegações e que suas regras proíbem novos funcionários de usar informação confidencial de empregadores anteriores.
A acusação da OpenAI chegou horas antes da audiência de 14 de outubro de 2026, em San José, sobre o pedido de liminar da Apple. Davila disse ser "altamente provável" que decidisse a favor da Apple, mas chamou de "pedido enorme" a inspeção forense de todos os aparelhos e repositórios da OpenAI que pudessem conter segredos da Apple; John Desmarais, advogado da Apple, respondeu que a empresa limitaria a inspeção a poucos ex-funcionários. Na mesma audiência, a OpenAI se comprometeu voluntariamente a não usar as informações que a Apple diz terem sido levadas e a coletar imagens forenses dos aparelhos de 14 funcionários. As duas partes fecharam o acordo por escrito no dia seguinte, com a OpenAI obrigada a revelar qualquer informação da Apple que encontrar, depois de triagem de sigilo, e Davila o homologou em 16 de outubro, o que torna desnecessária a liminar.
A ação antitruste de X e SpaceXAI
Em agosto de 2025, as empresas de Elon Musk processaram Apple e OpenAI por violação da lei antitruste, sob o argumento de que o ChatGPT era o único chatbot de inteligência artificial generativa integrado ao sistema operacional do iPhone. A ação sustentava que o acordo dava à OpenAI acesso exclusivo a bilhões de usuários por meio da Siri e das ferramentas de escrita do sistema, enquanto concorrentes como o Grok eram prejudicados na App Store. As duas rés contestaram todas as alegações, e em novembro de 2025 o juiz federal Mark Pittman rejeitou os pedidos de extinção que ambas apresentaram, deixando o processo seguir.
Em 14 de setembro de 2026, X Corp e SpaceXAI pediram à corte federal de Fort Worth, no Texas, a extinção das reivindicações contra a Apple, com prejuízo — ou seja, sem possibilidade de reapresentá-las. A peça não expõe os motivos nem informa se houve acordo. As duas empresas disseram que mantêm as reivindicações contra a OpenAI, que segue como ré no caso.
O juiz Mark Pittman acolheu o pedido no mesmo dia e manteve em pé as reivindicações contra a OpenAI. Dois dias depois, a ausência de explicação virou objeto de ordem judicial: a OpenAI pediu à corte que obrigasse a X a revelar como o litígio com a Apple foi resolvido e, em 16 de setembro de 2026, Pittman determinou que as empresas de Musk apresentem para análise dele qualquer acordo firmado com a Apple relacionado à desistência.
Em 23 de setembro de 2026, a OpenAI pediu a Pittman julgamento antecipado para encerrar a ação antes do julgamento, marcado para janeiro de 2027. Na peça, a empresa afirma que a integração do ChatGPT ao iPhone teve "início lento" já no começo de 2025, o que a levou a reduzir a projeção de usuários ativos semanais que esperava ganhar com o acordo, e que, quando Musk entrou com o processo, estava claro que a parceria rendia muito abaixo do previsto. A defesa cita ainda o prospecto de abertura de capital da SpaceX, cujas ações passaram a ser negociadas em junho de 2026, como contraditório às alegações de dano competitivo feitas pela xAI.
O processo antitruste do Departamento de Justiça
Em março de 2024, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos processou a Apple por monopólio no mercado de smartphones, acusando a empresa de usar restrições a mensagens entre plataformas, carteiras digitais, relógios inteligentes de outras marcas, jogos por streaming e superaplicativos para proteger sua posição. A Apple nega e argumenta que a intervenção pedida pelo governo ameaça sua capacidade de projetar produtos integrados. Desde então, parte do que estava em disputa mudou: o Mensagens passou a suportar o padrão RCS no iOS 18, e o chip NFC foi aberto a pagamentos por aproximação de terceiros a partir do iOS 18.1.
Em 16 de outubro de 2026, o The Information informou que o departamento sinalizou preferir encerrar o caso com um acordo centrado em interoperabilidade e pediu a desenvolvedores sugestões de como o iPhone poderia funcionar melhor com produtos de outras empresas. PayPal e Epic Games estão entre as empresas que levaram ao governo o temor de que o acordo mude pouco: relógios concorrentes seguem sem boa parte da integração do Apple Watch, e aplicativos de pagamento continuam em desvantagem mesmo com acesso ao NFC. A suíça Proton disse duvidar que a Apple aceite termos que os desenvolvedores considerem satisfatórios. Não há acordo fechado.
Disputas de patentes
Em 3 de setembro de 2026, a trinamiX, subsidiária da química alemã BASF, processou a Apple no Tribunal Distrital federal em Midland, no Texas, por violação de sete patentes ligadas à autenticação facial. A ação sustenta que a Apple incorporou a aparelhos como iPhone 15, iPhone 16, iPhone 17 e iPad Pro tecnologia de detecção de material e de pele — usada para impedir que fotografias, máscaras tridimensionais ou réplicas de silicone enganem o reconhecimento facial — sem autorização. Pela peça, a Apple não usava essa tecnologia quando lançou o Face ID no iPhone X, em 2017, mas passou a empregá-la nos modelos mais recentes.
A trinamiX foi criada em 2014 e diz ter mais de 800 patentes concedidas ou em análise no mundo. A empresa pede indenização em valor não especificado e uma ordem judicial que impeça a Apple de seguir usando as tecnologias. Procurada pela imprensa, a Apple não se manifestou de imediato.
Na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, um júri federal em San Diego, na Califórnia, condenou a Apple a pagar mais de US$ 5,7 bilhões à Taction Technology, empresa de San Diego que fabrica tecnologia háptica para fones de ouvido. Os jurados concluíram que o Taptic Engine, o motor de vibração do iPhone e do Apple Watch, infringe duas patentes da empresa (números 10.659.885 e 10.820.117), ligadas a transdutores táteis com suspensão e amortecimento por ferrofluido, mas não consideraram a infração intencional. O julgamento começou em 14 de setembro. A ação foi aberta em 2021, arquivada em 2023 por um juiz federal de San Diego e reaberta em 2025 pelo Tribunal de Apelações do Circuito Federal. O valor está entre as maiores indenizações por patente da história dos Estados Unidos.
A Apple afirmou discordar "fortemente" do veredito e da indenização, que considera "totalmente sem respaldo nos fatos", disse que o Taptic Engine "é fundamentalmente diferente" da tecnologia da Taction e anunciou que vai recorrer. O processo foi financiado por veículos ligados à Burford Capital. Em comunicado de 28 de setembro de 2026, registrado na SEC, a financiadora de litígios disse que teria direito a US$ 1,4 bilhão se o valor fosse pago como fixado, dividido de forma quase igual entre o próprio balanço e seus fundos, e ressalvou que poucos vereditos desse porte sobrevivem intactos à fase pós-julgamento. As ações da Burford chegaram a subir mais de 12% no pregão daquele dia.
Em 13 de outubro de 2026, a Apple pediu ao juiz distrital Todd Robinson, em San Diego, que anule o veredito. A empresa diz que o valor é "totalmente desvinculado de qualquer evidência", que não há provas suficientes para sustentar a indenização e que o formulário do veredito pode ter um erro; segundo a Apple, antes da leitura, o próprio juiz disse aos advogados não ter certeza de que o valor preenchido era o que o júri pretendia indicar. A Taction não comentou de imediato.
Ferramentas de segurança infantil
Em 14 de setembro de 2026, com a chegada do iOS 27, do iPadOS 27, do macOS 27, do watchOS 27 e do visionOS 27, a Apple liberou um conjunto de controles parentais desenvolvido com orientação da Academia Americana de Pediatria e de especialistas em segurança on-line.
O Communication Safety, que já avisava sobre imagens de nudez, passou a bloquear também conteúdo violento e sangrento em imagens e vídeos compartilhados, inclusive durante chamadas de FaceTime ao vivo. O Safari ganhou o Ask to Browse, que exige aprovação dos pais antes de a criança acessar um site novo. A configuração de contas infantis passou a sugerir um conjunto inicial de aplicativos, o Tempo de Uso foi redesenhado com visão geral do consumo e ajustes de acesso em um toque, e as Time Allowances trazem recomendações por faixa etária para categorias como redes sociais, entretenimento e jogos. Para usar os recursos de Tempo de Uso, todos os aparelhos do grupo de Compartilhamento Familiar precisam estar atualizados.
Em 29 de setembro de 2026, a Apple publicou com a Academia Americana de Pediatria o guia "Building Healthy Digital Habits: A Guide for Families" (Criar hábitos digitais saudáveis: um guia para famílias), que parte do Family Media Plan da entidade e organiza em seis etapas o uso desses recursos: conversar sobre o tempo de tela, criar uma conta infantil com proteções por idade, configurar o acesso a sites e aplicativos, montar uma agenda de uso com as Time Allowances, gerenciar a comunicação com o Communication Safety e revisar o plano conforme a criança cresce. "Toda família lida com a tecnologia do seu jeito", disse Sumbul Desai, vice-presidente de Saúde e Fitness da Apple. Mark Del Monte, CEO da academia, afirmou que a parceria amplia o acesso ao Family Media Plan.
Regulação de segurança infantil no Reino Unido
Em 8 de setembro de 2026, a secretária de Cultura, Mídia e Esporte do Reino Unido, Lisa Nandy, informou ao Parlamento que o governo vai propor uma lei para obrigar Apple e Google a impedir que menores de 18 anos tirem, vejam ou compartilhem imagens de nudez em seus aparelhos. A proteção teria de vir embutida no dispositivo e ligada por padrão, liberada apenas mediante verificação de idade do usuário adulto, e a exigência valeria também para os aplicativos usados por crianças.
O anúncio veio depois do fim de um prazo. Em junho de 2026, o governo havia dado às duas empresas três meses para adotar as restrições voluntariamente, sob aviso de que legislaria caso não o fizessem. Nandy reconheceu que ambas introduziram medidas "significativas", mas afirmou que as propostas apresentadas "não correspondem à escala desta crise". Disse ainda que o projeto será apresentado "assim que possível" e que o governo pode rever a decisão se as empresas adotarem os controles por conta própria.
A Apple respondeu citando o Communication Safety, recurso lançado em 2021 que avisa a criança quando ela recebe ou tenta enviar uma imagem de nudez, e que passou a funcionar também em aplicativos de terceiros. O Google afirmou estar satisfeito com os avanços das conversas e seguir comprometido a trabalhar com legisladores e especialistas em segurança.
A exigência esbarra numa objeção técnica conhecida: cumpri-la demandaria client-side scanning, a varredura do conteúdo dentro do próprio aparelho, antes da criptografia ou do envio. Lukasz Olejnik, pesquisador de segurança cibernética do King's College London, classificou a técnica como "a alternativa menos problemática" disponível, mas ponderou que ela cria a infraestrutura para analisar mensagens. Segundo a Internet Watch Foundation, um quarto das imagens de abuso sexual infantil identificadas no período de doze meses era autogerado, mais de 140 mil conteúdos.
A Apple no Brasil
Além das duas lojas físicas e do escritório em São Paulo, a presença da Apple no Brasil tem sido marcada nos últimos anos pelo enfrentamento regulatório em torno da App Store.
Em 23 de dezembro de 2025, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) homologou um acordo com a Apple que altera o funcionamento do iPhone no país. Pelo termo, a empresa passa a permitir que desenvolvedores incluam links direcionando usuários a formas de pagamento fora do aplicativo, ofereçam métodos de pagamento alternativos às compras dentro da App Store e distribuam aplicativos por canais alternativos — o chamado sideloading, já disponível na União Europeia.
O processo administrativo começou em 2022, a partir de representações da Ebazar.com.br e do Mercado Livre, que acusavam a Apple de abuso de posição dominante na distribuição de aplicativos no iOS. A investigação apontou práticas restritivas na venda de conteúdo digital dentro do ecossistema, especialmente a proibição de venda de serviços digitais de terceiros e a obrigatoriedade do sistema de pagamentos da própria Apple.
O acordo deu à Apple prazo de 105 dias para implementar as mudanças, tem duração de três anos a partir do momento em que as novas regras se tornam obrigatórias para os desenvolvedores e prevê multa de até R$ 150 milhões em caso de descumprimento, além da retomada da investigação.
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