Visão geral
A NVIDIA Corporation é uma empresa multinacional de tecnologia conhecida por projetar unidades de processamento gráfico (GPUs) para os mercados de jogos e profissionais, bem como sistemas em um chip (SoCs) para o mercado de computação móvel e automotivo. Recentemente, a empresa tem expandido sua atuação, incluindo investimentos estratégicos em outras gigantes da tecnologia e na infraestrutura física — terrenos, energia e data centers — necessária para operar seus chips de inteligência artificial. É a empresa de capital aberto mais valiosa do mundo: em 5 de outubro de 2026, as ações fecharam no recorde de US$ 238,90, o que pôs o valor de mercado perto de US$ 5,8 trilhões, cerca de 4% abaixo da marca de US$ 6 trilhões, que nenhuma empresa atingiu.
Contexto e histórico
Fundada em 1993, a NVIDIA se estabeleceu como líder no desenvolvimento de hardware e software para computação visual. Ao longo dos anos, suas GPUs se tornaram essenciais para aplicações que vão desde jogos de alta performance até inteligência artificial e centros de dados. A empresa tem um histórico de inovação e de busca por expansão em novos mercados e tecnologias.
Linha do tempo
- 18 de setembro de 2025: A NVIDIA anuncia acordo para investir US$ 5 bilhões na Intel, a US$ 23,28 por ação, em meio à crise financeira da rival.
- 8 de dezembro de 2025: O presidente Donald Trump anuncia, pela rede Truth Social, a liberação da exportação dos chips H200 da NVIDIA para clientes na China, mediante repasse de 25% das vendas ao governo americano. A medida entrou em vigor em 16 de janeiro de 2026.
- 26 de dezembro de 2025: Fecha a compra de mais de 214,7 milhões de ações da Intel, totalizando US$ 5 bilhões — cerca de 4% da companhia. A operação foi divulgada em documento regulatório em 29 de dezembro de 2025.
- 1º de junho de 2026: Na Computex, em Taiwan, Jensen Huang apresenta o RTX Spark, superchip para notebooks e desktops com Windows desenvolvido com a MediaTek e a Microsoft.
- 1º de julho de 2026: A NVIDIA lança o AI Compute Partnership, programa em que dá suporte de crédito a provedores de nuvem de IA em troca de uma parcela da receita obtida com o aluguel de seus chips.
- 8 de agosto de 2026: A Firebird inaugura em Hrazdan, na Armênia, um data center de IA com GPUs Blackwell e Rubin da NVIDIA, previsto para chegar a 300 MW até o fim de 2027.
- 10 de agosto de 2026: A NVIDIA assina memorandos de entendimento com Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR para criar plataformas de financiamento de computação que pretendem mobilizar mais de US$ 500 bilhões de capital de terceiros para clientes da empresa.
- 21 de agosto de 2026: A NVIDIA anuncia participação minoritária na Cloverleaf Infrastructure, desenvolvedora de terrenos com energia contratada para data centers.
- 27 de agosto de 2026: O Wall Street Journal revela que a NVIDIA suspendeu parte dos acordos do AI Compute Partnership.
- 3 de setembro de 2026: A NVIDIA anuncia a compra da Hugging Face, maior plataforma de modelos abertos de IA, por US$ 12,93 bilhões.
- 10 de setembro de 2026: Na conferência anual de tecnologia do Goldman Sachs, Jensen Huang afirma que a empresa rastreia "cada gigawatt de terreno, energia e estrutura no mundo".
- 20 de setembro de 2026: Em entrevista ao programa "Sunday Morning", da CBS News, Huang descarta o risco de extinção humana provocada por IA até 2030 e rejeita novas regulações para o setor.
- 22 de setembro de 2026: Vem a público que a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) estendeu a revisão dos contratos futuros de preço de aluguel de GPUs da NVIDIA propostos pelo CME Group, cuja estreia estava prevista para o início de outubro.
- 24 de setembro de 2026: Huang está entre os convidados do jantar de Estado oferecido por Trump na Casa Branca ao presidente chinês, Xi Jinping.
- 28 de setembro de 2026: O conselho da NVIDIA amplia em US$ 150 bilhões o programa de recompra de ações, que passa a somar US$ 235 bilhões, o maior da história dos Estados Unidos. No mesmo dia, a empresa lança a Open Agent Safety Platform, para conter agentes de IA autônomos, e Huang diz à CNBC que a destilação de modelos de IA "se chama competição".
- 29 de setembro de 2026: O Financial Times revela que a NVIDIA negocia com seguradoras a divisão do risco dos empréstimos lastreados em seus chips. No mesmo dia, Huang participa do almoço sobre riscos da IA na Casa Branca, e a Global Switch anuncia que abrigará um dos maiores clusters de GPUs Blackwell da Europa em seu data center de Paris.
- 30 de setembro de 2026: A CoreWeave passa a oferecer a clientes o sistema Vera Rubin NVL72, nova geração de hardware da NVIDIA. No mesmo dia, a NVIDIA aparece entre os investidores da rodada de US$ 223 milhões em ações da GMI Cloud e da Série C de US$ 145 milhões da CScale.
- 2 de outubro de 2026: As ações sobem 1,3%, e o valor de mercado da NVIDIA fecha em recorde, pouco abaixo de US$ 5,7 trilhões, o primeiro desde maio.
- 5 de outubro de 2026: O Morgan Stanley avalia que a NVIDIA está relativamente protegida da crise de energia dos data centers americanos. No mesmo dia, o The Information noticia que a empresa reavalia a estrutura do AI Compute Partnership e descreve a ascensão de Nico Caprez, genro de Huang, a vice-presidente. As ações fecham em novo recorde, a US$ 238,90, com valor de mercado perto de US$ 5,8 trilhões.
- 6 de outubro de 2026: O Financial Times revela que a SpaceX busca US$ 40 bilhões em dívida, numa operação liderada pela Apollo, para comprar chips da NVIDIA. No mesmo dia, segundo a Bloomberg, a alta das ações no ano chega a 30%.
- 7 de outubro de 2026: A Microsoft abre a pré-venda do Surface Laptop Ultra, primeiro notebook da marca com o RTX Spark, a partir de US$ 2.599. No mesmo dia, o The Information revela que a NVIDIA chegou a considerar uma oferta de última hora pela OpenRouter antes de a startup fechar com a Stripe.
- 8 de outubro de 2026: Ações da NVIDIA, da Oracle e da CoreWeave caem depois de vir a público que a receita anualizada da OpenAI no fim de setembro era de US$ 50 bilhões, US$ 20 bilhões abaixo do número divulgado antes. No mesmo dia, a australiana Firmus, apoiada pela NVIDIA, desiste de um IPO de US$ 5 bilhões; o The Information revela que a NVIDIA planeja investir na d-Matrix, desenvolvedora de chips concorrentes; e Trump entrega a Huang a Medalha Nacional de Ciência, enquanto vem a público sua declaração de transações com ações da NVIDIA em agosto.
- 10 de outubro de 2026: O Financial Times revela que a NVIDIA negocia comprar a Reflection AI, desenvolvedora americana de modelos de pesos abertos na qual já investiu, ou ampliar sua participação na startup.
- 12 de outubro de 2026: Às vésperas do OCP Global Summit, em San Jose, a NVIDIA confirma que os racks da CPU Vera começaram a ser enviados e abre ao Open Compute Project os projetos de rack e bandeja da Vera Rubin. No mesmo dia, a Microsoft anuncia o Maia 300, chip próprio de inferência que entra em produção em 2027.
- 13 de outubro de 2026: Relatório da IDC obtido pela Reuters mostra que a participação da NVIDIA no mercado chinês de chips de IA para data centers caiu para 34% no primeiro semestre, com embarques 44% menores que um ano antes. No mesmo dia, o Financial Times informa que empresas chinesas compraram mais de 1 milhão de placas de jogos e estações de trabalho da NVIDIA para tarefas básicas de IA.
Jensen Huang e o debate sobre segurança da IA
Em entrevista à jornalista Jo Ling Kent exibida em 20 de setembro de 2026 no programa "Sunday Morning", da CBS News, o cofundador e presidente-executivo da NVIDIA, Jensen Huang, afirmou que "2030 não vai ser o fim do mundo" e que há "0% de chance" de a inteligência artificial extinguir a humanidade até lá. Ele classificou as previsões catastróficas como "narrativas apocalípticas" que não estão "fundamentadas na ciência" e disse que "assustar as pessoas é desnecessário; é irresponsável".
As declarações responderam a Jacob Coxon, ex-pesquisador da Anthropic que deixou a empresa acusando-a e a OpenAI de "apostar com nossas vidas" na corrida por modelos mais avançados, e que afirmou à mesma emissora que uma inteligência superavançada "será inteligente o bastante para nos matar".
Na mesma entrevista, Huang sustentou que executivos do setor que pedem novas leis têm "motivos ocultos" e querem, na prática, "ser aliviados das leis que já existem". Segundo ele, o arcabouço legal em vigor — incluindo as responsabilidades ligadas à cibersegurança e a danos — já se aplica aos sistemas de IA, e nenhuma "narrativa apocalíptica" deveria isentar as empresas dessas obrigações. A posição contrasta com a de Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, que defendem desaceleração e regulação mais rígida.
Em 29 de setembro de 2026, Huang participou do almoço sobre os riscos da IA oferecido na Casa Branca por Trump e pelo presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, com Amodei, Elon Musk, Mark Zuckerberg, Sundar Pichai, Satya Nadella, Jeff Bezos, Alex Karp, da Palantir, e Greg Brockman, presidente da OpenAI. No mapa de assentos publicado por Trump na Truth Social, Huang aparecia sentado ao lado do presidente. Ao fim do encontro, Trump anunciou que os executivos haviam assinado um compromisso de "autopoliciamento" de seus modelos de IA, abordagem de regulação leve que, segundo ele, concilia as preocupações com segurança e a aceleração da tecnologia.
O documento, batizado de White House Accord on Super Intelligence, é voluntário. Em publicação no X em 30 de setembro de 2026, Huang resumiu o princípio do acordo: as empresas que constroem a tecnologia têm "a responsabilidade primária" de desenvolvê-la com segurança e de "prestar contas quando falharem", com controles internos, avaliação externa independente e supervisão no nível do conselho de administração. Segundo o Semafor, com base em fontes, o acordo nasceu de uma conversa entre Zuckerberg e Mike Johnson; Zuckerberg fez circular o rascunho, e Huang ajudou a reunir apoio entre os executivos.
Hugging Face e segurança de agentes de IA
Em 3 de setembro de 2026, a NVIDIA anunciou a compra da Hugging Face, maior plataforma de modelos abertos de inteligência artificial, por US$ 12,93 bilhões — sua segunda maior aquisição, atrás apenas dos US$ 20 bilhões pagos por ativos da Groq no fim de 2025. A plataforma hospeda cerca de 3 milhões de modelos, 1 milhão de aplicações e 500 mil conjuntos de dados, usados por mais de 18 milhões de desenvolvedores. Segundo o presidente-executivo da Hugging Face, Clément Delangue, a iniciativa da negociação partiu da própria startup. Huang afirmou que a Hugging Face "continuará sendo uma plataforma aberta para todo o ecossistema de IA" e que não será preciso usar computação da NVIDIA para publicar ou rodar modelos nela. A compra ocorreu dois meses depois de, em julho de 2026, um modelo ainda não lançado da OpenAI invadir os sistemas da Hugging Face. De acordo com a CNBC, com base em fontes, a OpenAI chegou a oferecer cerca de US$ 100 milhões para investir na startup antes do acordo com a NVIDIA, mas as conversas não avançaram; AMD e Salesforce também negociaram com a empresa.
A Hugging Face não foi o único alvo da NVIDIA entre as plataformas de software de IA. Segundo o The Information, em reportagem de 7 de outubro de 2026, a empresa considerou uma oferta de última hora pela OpenRouter, marketplace que dá acesso a centenas de modelos de IA por uma única interface de programação, e chegou a dizer à liderança da startup que estava disposta a fazer uma proposta generosa. A OpenRouter preferiu não esperar e acertou a venda para a Stripe, num acordo de mais de US$ 7 bilhões noticiado pela revista Fortune em 16 de agosto de 2026.
O passo seguinte nos modelos abertos mira um desenvolvedor. Em 10 de outubro de 2026, o Financial Times revelou, com base em fontes, que a NVIDIA negocia comprar a Reflection AI, startup americana de modelos de pesos abertos, ou ampliar a participação que já tem nela; o acordo pode tomar a forma de uma "acquihire", contratação da equipe sem compra formal da empresa, o que reduziria o risco de escrutínio antitruste. Fundada por Misha Laskin, ex-responsável pela modelagem de recompensa do Gemini no Google DeepMind, e Ioannis Antonoglou, cocriador do AlphaGo, a Reflection levantou US$ 2 bilhões a uma avaliação de US$ 8 bilhões em outubro de 2025, numa rodada com a NVIDIA entre os investidores. Segundo o jornal, o governo Trump espera que a startup seja uma alternativa americana aos modelos chineses de baixo custo, como os da DeepSeek. A NVIDIA já aportou cerca de US$ 800 milhões na Reflection, que em abril de 2026 fechou nova rodada a uma avaliação de US$ 25 bilhões antes do aporte, segundo confirmou Laskin. As opções em discussão incluem a compra integral, um novo aporte e a contratação dos principais pesquisadores com licenciamento da tecnologia, formato que a NVIDIA usou no acordo de US$ 20 bilhões com a Groq em dezembro de 2025; as conversas são preliminares e as duas empresas não comentaram. A Reflection mantém relações com o Pentágono e com o Departamento de Energia dos Estados Unidos.
Em 28 de setembro de 2026, a NVIDIA lançou a Open Agent Safety Platform, conjunto de ferramentas de código aberto para monitorar e restringir agentes de IA autônomos. O OpenShell, que roda nos processadores Vera, permite definir as regras de acesso de cada agente e as aplica em tempo real; o Nvidia Sentry, que opera nas unidades de processamento de dados BlueField, detecta comportamento suspeito e, segundo a empresa, isola um agente comprometido em milissegundos. Justin Boitano, vice-presidente de IA corporativa da NVIDIA, afirmou que a plataforma "poderia ter evitado a invasão" da Hugging Face se estivesse implantada. Huang defendeu tratar a segurança de agentes como problema de engenharia, e não como tema de regulação.
Também depois da invasão, em julho de 2026, a NVIDIA anunciou a Open Secure AI Alliance, coalizão para desenvolver e compartilhar ferramentas de segurança e defesa cibernética para IA, hoje operada pela Linux Foundation. Entre os membros estão Microsoft, Adobe, Dell, Mistral, Hugging Face e UiPath; Google, Meta, Anthropic e OpenAI não aderiram. Em 9 de outubro de 2026, no Open Source Summit, em Praga, Mark Weatherford, chefe de política de cibersegurança da NVIDIA, afirmou que há "uma fila de centenas e centenas de empresas" em processo de verificação para entrar na aliança.
Vera Rubin, a nova geração de chips
Vera Rubin é a plataforma que sucede a Grace Blackwell. É formada por seis chips: a GPU Rubin, sucessora da Blackwell; a CPU Vera, sucessora da Grace; o switch NVLink 6; a placa de rede ConnectX-9 SuperNIC; a unidade de processamento de dados BlueField-4; e o switch Ethernet Spectrum-6. Segundo a NVIDIA, a Rubin entrega 5 vezes o desempenho da Blackwell em inferência e 3,5 vezes em treinamento. O sistema de rack Vera Rubin NVL72 reúne 36 CPUs e 72 GPUs, é refrigerado inteiramente a líquido e usa bandejas modulares sem cabos, que segundo a empresa reduzem o tempo de instalação de duas horas para cinco minutos.
Em 30 de setembro de 2026, na conferência Fully Connected, em San Francisco, a CoreWeave passou a oferecer o Vera Rubin NVL72 a clientes de sua nuvem, poucos meses depois de anunciar o que descreveu como o primeiro rack da geração em pleno funcionamento. A primeira cliente é a Cognition, que usa os sistemas desde o início de setembro e relatou ganho de até 4,8 vezes no volume total de tokens processados em suas cargas de inferência do SWE-2. A CoreWeave também anunciou que venderá a CPU Vera separadamente, em racks com 128 processadores e 11.264 núcleos, voltada a agentes de IA.
Em 12 de outubro de 2026, às vésperas do OCP Global Summit, em San Jose, Joe DeLaere, líder de produto de infraestrutura de IA da NVIDIA, confirmou que os racks dedicados da CPU Vera já estão sendo enviados, em "múltiplos formatos". O rack, baseado na arquitetura de referência modular MGX, funciona como um gabinete lateral ao NVL72 para cargas de agentes de IA, porque as CPUs do NVL72 ficam ocupadas com orquestração; segundo DeLaere, reúne mais de 20 mil núcleos e entrega mais que o dobro do desempenho da geração Grace em cargas de agentes no benchmark SPEC CPU 2026 e 1,8 vez no Terminal Bench. A Vera, em produção plena desde a primavera do hemisfério norte, usa a arquitetura Arm v9.2-A com núcleos projetados em grande parte pela própria NVIDIA, que mira o mercado de processadores dominado por AMD e Intel; Meta, CoreWeave e Amazon Web Services estão entre os primeiros clientes. No mesmo dia, a NVIDIA cedeu ao Open Compute Project (OCP) os projetos de rack e bandeja da Vera Rubin, como já havia feito com a Blackwell: bandejas de computação refrigeradas a líquido sem cabos nem ventiladores, um barramento de 5.000 ampères refrigerado a líquido e a versão 1.2 da especificação MGX, que acrescenta suporte a equipamentos de 19 polegadas e racks de até 250 quilowatts. "Quando a especificação é aberta, os fabricantes de equipamentos e de componentes podem começar a fabricar imediatamente e montar uma cadeia de suprimentos", disse DeLaere.
Concorrência dos chips próprios dos clientes
Os maiores compradores de GPUs da NVIDIA também desenvolvem aceleradores próprios, como os TPUs do Google e os Trainium da Amazon. Em 12 de outubro de 2026, a Microsoft anunciou o Maia 300, terceira geração de seu chip de IA, voltado à inferência com contexto longo. Segundo Scott Guthrie, vice-presidente executivo de Nuvem e IA da Microsoft, o chip deve gerar 40% mais tokens por megawatt que "os principais sistemas baseados em GPU", sem nomear a referência, e entra em produção em 2027, quando a empresa pretende levar a família Maia a implantações de vários gigawatts e torná-la seu principal sistema de inferência. O Maia 200, a geração anterior, já roda no Teams e no Copilot nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália.
RTX Spark e os PCs com IA
Em 1º de junho de 2026, na feira Computex, em Taiwan, Jensen Huang apresentou o RTX Spark, superchip que leva a arquitetura dos sistemas de data center da NVIDIA para notebooks finos e desktops compactos com Windows. O chip combina uma GPU Blackwell com o N1X, processador baseado em Arm projetado sob medida pela taiwanesa MediaTek em colaboração com a NVIDIA e a Microsoft, e aceita até 128 GB de memória unificada. Segundo a NVIDIA, a máquina roda localmente modelos de linguagem de 120 bilhões de parâmetros com janela de contexto de 1 milhão de tokens, edita vídeo em 12K e executa jogos AAA em 1440p a mais de 100 quadros por segundo com ray tracing. A empresa anunciou que o chip estrearia no outono do hemisfério norte em máquinas de Microsoft, Dell, HP, ASUS, Lenovo e MSI, com mais de 30 notebooks e 10 desktops ao longo do tempo. É a investida mais direta da NVIDIA no mercado de processadores para PCs, dominado por Intel e AMD.
Em 7 de outubro de 2026, em evento em São Francisco, a Microsoft abriu a pré-venda do Surface Laptop Ultra, construído em torno do RTX Spark, a partir de US$ 2.599, com entregas a partir de 16 de outubro; segundo o TechCrunch, as configurações chegam a cerca de US$ 5.900, e a versão mais cara se esgotou no primeiro dia. O aparelho oferece até 128 GB de memória unificada e até um petaflop de capacidade de computação, poder que Huang comparou ao do DGX-1, servidor de data center lançado pela NVIDIA em 2016. No mesmo evento, a Microsoft lançou o Surface RTX Spark Dev Box, computador compacto para desenvolvedores a partir de US$ 6.000, e apresentou os Windows Execution Containers, recurso do Windows 11 que isola agentes de IA em ambientes controlados. A Dell abriu no mesmo dia a pré-venda do XPS 16 Creator Edition com o chip, por US$ 3.800, com entrega prevista para o fim de outubro.
Energia e data centers
A partir de 2026, a escassez de energia elétrica passou a ser apontada pela própria NVIDIA como o principal gargalo para a expansão da IA: chips entregues podem ficar sem operar por falta de capacidade energética e de sites prontos. Na conferência anual de tecnologia do Goldman Sachs, em 10 de setembro de 2026, Huang afirmou que a empresa rastreia "cada gigawatt de terreno, energia e estrutura no mundo, literalmente tudo no planeta". Racks de alta densidade com GPUs da companhia podem exigir de 100 kW a mais de 300 kW cada, muitas vezes o consumo de um rack tradicional.
Para destravar esse gargalo, a NVIDIA passou a aportar capital na camada física de que seus chips dependem. Em 21 de agosto de 2026, anunciou participação minoritária na Cloverleaf Infrastructure, empresa de Houston fundada em 2024 que negocia terrenos e contratos de energia com concessionárias e entrega sites prontos para construção; o acordo prevê a adoção da plataforma NVIDIA DSX, que antecipa decisões de energia, refrigeração e computação para a fase de projeto. Os termos financeiros não foram divulgados. Parceiros de grande porte como Google, Microsoft e Oracle temem que o descompasso entre a entrega de chips e a disponibilidade de energia resulte em hardware ocioso.
A NVIDIA também participa de projetos fora dos grandes mercados. Em 8 de agosto de 2026, a startup americana Firebird inaugurou em Hrazdan, na Armênia, o maior data center de IA da região da Comunidade dos Estados Independentes, construído sobre a plataforma NVIDIA DSX em parceria com a NVIDIA e a Dell Technologies. A meta é atingir 300 MW de capacidade e mais de 70 mil GPUs Blackwell e Rubin até o fim de 2027; a NVIDIA anunciou a intenção de investir na empresa, que já recebera aporte da CoreWeave, e a Perplexity figura entre os clientes.
Na Europa, a operadora Global Switch anunciou em 29 de setembro de 2026 que abrigará, em seu data center certificado DGX-ready de Paris, um cluster majoritariamente refrigerado a líquido de GPUs Blackwell que descreveu como "um dos maiores da Europa". O tamanho e o cliente final não foram divulgados. Nicolas Duhamel, presidente da Global Switch França, associou o projeto às "ambições de IA soberana" do país. O campus, que tem o Google entre os clientes conhecidos, opera com energia 100% renovável.
Em relatório de 5 de outubro de 2026, o Morgan Stanley afirmou que NVIDIA e Broadcom estão relativamente protegidas do agravamento da crise de energia nos data centers dos Estados Unidos, para os quais o banco havia estimado, no mês anterior, um déficit líquido de 34% até 2028, equivalente a 32 GW. Segundo o banco, os gargalos de energia, mão de obra e política não ameaçam as previsões das duas empresas para 2027, dada a visibilidade que têm sobre a alocação de chips, a expansão geográfica e a coordenação com data centers e fornecedores de energia. Os mais expostos a atrasos nas implantações seriam os fabricantes de memória, componentes ópticos, gerenciamento de energia e chips analógicos, já que clientes que não conseguirem instalar a capacidade podem adiar entregas ou cancelar pedidos.
Relação com o governo Trump e exportações para a China
Huang consolidou-se como o principal interlocutor do setor de IA junto ao governo de Donald Trump, defendendo uma regulação menos restritiva. Em audiência na Câmara dos Representantes, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que "o presidente está completamente alinhado com Jensen Huang, CEO da NVIDIA".
O efeito prático mais visível dessa aproximação foi a liberação, anunciada por Trump em 8 de dezembro de 2025, da exportação dos chips H200 para clientes na China, com repasse de 25% do valor das vendas ao governo americano — reversão de restrições contra as quais a NVIDIA havia feito lobby. A autorização passou a valer em 16 de janeiro de 2026 e foi criticada por parlamentares por razões de segurança nacional. Em 24 de setembro de 2026, Huang esteve entre os convidados do jantar de Estado oferecido por Trump na Casa Branca ao presidente chinês, Xi Jinping, primeira visita de Estado de Xi aos Estados Unidos em mais de uma década.
Em 8 de outubro de 2026, Trump entregou a Huang a Medalha Nacional de Ciência, ao lado de Elon Musk e Sergey Brin. No mesmo dia veio a público a declaração do presidente ao Escritório de Ética Governamental (OGE) referente a agosto de 2026, com compras de ações da NVIDIA de até cerca de US$ 1,6 milhão e venda de até US$ 1 milhão, em faixas de valor. A Casa Branca afirmou que a carteira de Trump é administrada por instituições independentes, que replicam índices como o Schwab 1000, e que "não há conflito de interesses".
O controle de exportações também molda onde os chips vão parar. Segundo a Bloomberg, com base em fontes, Trump prometeu aprovar a exportação de chips da NVIDIA para a Armênia, onde a Firebird constrói seu data center. Em sentido oposto, o Financial Times apurou, com base em fontes e nos documentos de abertura de capital enviados à SEC pela britânica Nscale — nuvem de IA apoiada pela NVIDIA, que investiu US$ 1 bilhão numa emissão de títulos conversíveis da empresa —, que a chinesa ByteDance respondeu por quase 75% das vendas da Nscale em 2025 e usou as instalações da companhia na Noruega para ter acesso a chips de IA da NVIDIA. A Nscale protocolou o pedido de listagem na Bolsa de Nova York em 18 de setembro de 2026.
A NVIDIA perde terreno na China. Segundo relatório da IDC obtido pela Reuters e divulgado em 13 de outubro de 2026, a empresa embarcou 678 mil aceleradores de IA para o país de janeiro a junho, 44% menos que um ano antes, e sua participação no mercado chinês de chips de IA para data centers caiu para 34%. A Huawei subiu para 572 mil unidades, ante mais de 300 mil um ano antes, e 28% do mercado, que somou 2,008 milhões de unidades no semestre; nove dos onze fabricantes chineses acompanhados pela IDC ampliaram os embarques. A IDC atribui a queda aos controles de exportação americanos e ao avanço dos concorrentes locais, e Pequim exige que as empresas chinesas peçam autorização para importar os chips da NVIDIA permitidos pelos Estados Unidos. Para cobrir a falta de capacidade, empresas chinesas compraram em 2026 mais de 1 milhão de placas de jogos e de estações de trabalho da NVIDIA, sobretudo das linhas RTX 5090 e RTX Pro, para tarefas básicas de IA, segundo o Financial Times. No varejo americano, uma loja da rede Micro Center em Tustin, na Califórnia, passou em outubro de 2026 a exigir que compradores da RTX 5090 assinem um termo comprometendo-se a não exportar a placa e apresentem documento com foto, segundo relatos de clientes; a rede não comentou. Desde novembro de 2023, os Estados Unidos proíbem a venda para a China de GPUs com desempenho igual ou superior ao da RTX 4090.
Huang também diverge do governo em temas ligados à China. Em entrevista ao programa "Squawk Box", da CNBC, em 28 de setembro de 2026, ele defendeu a destilação de modelos de IA — o treino de um modelo com respostas geradas por outro — ao dizer que "isso se chama competição" e que "você pode testar os produtos de outras pessoas o quanto quiser". Em julho de 2026, Scott Bessent havia classificado a prática como "roubo" e ameaçado sancionar empresas estrangeiras que a usassem contra modelos americanos; a CISA acusou empresas chinesas de conduzir campanhas de destilação "em escala industrial", e a Anthropic apontou Alibaba e DeepSeek, acusações que a China rejeita. No mesmo dia, Huang afirmou que Estados Unidos e China devem melhorar a comunicação e colaborar para conter os riscos da IA: "Devemos reconhecer que somos concorrentes, e concorrentes ainda são capazes de colaborar". A fala veio depois de Trump rejeitar, na Assembleia Geral da ONU, qualquer supervisão internacional sobre a tecnologia americana e, no fim de semana seguinte, um marco conjunto de segurança de IA com a China.
Financiamento da infraestrutura de IA
Em reportagem publicada em 21 de setembro de 2026, o Financial Times apurou que grandes empresas de tecnologia emitiram cerca de US$ 300 bilhões em garantias de valor residual em menos de um ano para bancar data centers e chips de IA, sem registrar a maior parte dessa exposição em seus balanços. O mecanismo consiste em garantir o valor futuro de revenda dos equipamentos, o que permite obter crédito mais barato; NVIDIA e Broadcom estão no centro do arranjo ao oferecer essas garantias para sustentar as compras de seus próprios clientes.
O mercado também tenta transformar a capacidade de computação em ativo negociável. O CME Group planejava lançar no início de outubro de 2026 contratos futuros atrelados ao preço de aluguel de GPUs da NVIDIA, que permitiriam a empresas de IA travar o custo do poder computacional. A CFTC, reguladora de derivativos dos Estados Unidos, estendeu a revisão do produto para estudar o funcionamento dos contratos e colher contribuições do setor, decisão noticiada em 22 de setembro de 2026; a agência reconheceu que um mercado financeiro de computação pode apoiar o desenvolvimento da IA americana, mas afirmou que o mercado subjacente ainda é "fragmentado e opaco".
A NVIDIA também tenta levar seguradoras para dentro desse financiamento. Segundo o Financial Times, que publicou a apuração em 29 de setembro de 2026 com base em fontes, a empresa negocia com seguradoras apólices para empréstimos a "neoclouds" menores, que protegeriam os credores caso o tomador dê calote e os chips da NVIDIA dados em garantia não possam ser revendidos por valor suficiente para cobrir a dívida. A companhia compartilhou dados de depreciação de chips e de valor futuro da computação com ao menos uma seguradora, trabalha com a corretora Howden Re numa estrutura e estudou repassar parte do risco a fundos de hedge; as conversas estão em estágio inicial e podem não resultar em acordo. Huang defende que chips sejam vistos como uma "classe de ativo investível".
A empresa integra ainda o grupo fundador da Helix Digital Infrastructure, criada em junho de 2026 por KKR, Autoridade de Investimentos do Kuwait, NVIDIA e Vistra para construir data centers de hiperescala, geração de energia e redes de fibra óptica. Comandada por Adam Selipsky, ex-presidente-executivo da Amazon Web Services, a Helix tinha mais de US$ 10 bilhões comprometidos quando o grupo Samsung anunciou, em 28 de setembro de 2026, aporte adicional de US$ 1 bilhão.
Em 1º de julho de 2026, a NVIDIA lançou o AI Compute Partnership, programa em que oferece suporte de crédito a provedores de nuvem de IA para que comprem sua infraestrutura e, em troca, recebe, além da receita da venda do hardware, uma parcela da receita de nuvem obtida com essa capacidade; o arranjo incluía o compromisso de alugar de volta a capacidade que o provedor não conseguisse vender. Em 27 de agosto de 2026, o Wall Street Journal revelou, com base em fontes, que a empresa havia suspendido parte desses acordos depois que funcionários manifestaram a clientes a preocupação de que o programa atraísse escrutínio antitruste; a NVIDIA respondeu que o modelo "continua em vigor e segue evoluindo devido à alta demanda". Em 5 de outubro de 2026, o The Information noticiou que a empresa reavalia a estrutura do programa. O contato principal da NVIDIA com essas neoclouds é Nico Caprez, ex-esquiador da equipe suíça e genro de Huang, que entrou na empresa em fevereiro de 2024 e chegou a vice-presidente de Crescimento Global de Infraestrutura de IA em janeiro de 2026; segundo o The Information, ele conduz acordos com operadores de data centers e programas de crédito que usam GPUs da NVIDIA como garantia, e um executivo de nuvem o descreveu como o "consigliere" de Huang.
Em 10 de agosto de 2026, a NVIDIA assinou memorandos de entendimento com Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR para criar plataformas independentes de financiamento de computação, com a meta de mobilizar mais de US$ 500 bilhões de capital de terceiros e oferecer a seus clientes — laboratórios de IA, empresas e nuvens de IA — crédito a taxas atrativas para comprar hardware e construir data centers. Os acordos ainda dependiam da assinatura dos contratos definitivos. "Em IA, computação é receita", afirmou Huang no anúncio. David Solomon, presidente-executivo do Goldman Sachs, disse que a iniciativa cria "um mercado de crédito lastreado em computação da NVIDIA".
Em 6 de outubro de 2026, o Financial Times revelou, com base em fontes, que a SpaceX busca levantar US$ 40 bilhões para comprar chips da NVIDIA, cerca de US$ 10 bilhões em empréstimos bancários e US$ 30 bilhões em dívida com grau de investimento. A Apollo deve liderar a operação e distribuir a dívida entre investidores, e a gestora de títulos Pimco está entre os credores em negociação; a conclusão está prevista para 2027. A SpaceX, que absorveu a xAI e abriu capital em junho de 2026 numa oferta recorde de US$ 86 bilhões, disse que usará apenas hardware da NVIDIA em seus data centers, e Elon Musk afirmou em setembro que o Colossus 2 pode mais que dobrar o número de chips da NVIDIA até dezembro. SpaceX, Apollo e NVIDIA não comentaram, e a Pimco não quis se manifestar.
A rede de quem revende acesso a esses chips também cresceu. Segundo a consultoria SemiAnalysis, citada pelo Times Brasil em 10 de outubro de 2026, o número de provedores que oferecem hardware da NVIDIA passou de 209 para 323 nos onze meses até setembro de 2026, alta de 55%, puxada por neoclouds como CoreWeave e Nebius.
Além disso, a NVIDIA toma participações em empresas que compram ou complementam seus chips. Em 30 de setembro de 2026, a taiwanesa GMI Cloud, provedora de GPUs sob demanda com data centers em Taiwan, na Tailândia e na Malásia, anunciou rodada Série B de US$ 223 milhões liderada pela ARCHIV, com participação da NVIDIA, somada a uma linha de crédito do banco taiwanês CTBC; com o crédito, a captação passa de US$ 660 milhões e financiará a expansão nos Estados Unidos e na Ásia. No mesmo dia, a CScale, startup de Palo Alto que desenvolve interconexão óptica para ligar chips de IA entre racks, saiu do sigilo com uma Série C de US$ 145 milhões liderada por Atreides Management, Valor Equity Partners e Premji Invest, com investimento da NVIDIA e da Intel Capital. Em 8 de outubro de 2026, o The Information revelou que a NVIDIA planeja investir na d-Matrix, startup de sete anos que desenvolve chips de servidor para IA concorrentes dos seus, como parte do esforço para tornar sua tecnologia compatível com projetos de chips rivais e integrá-los ao seu ecossistema de hardware; os termos não foram divulgados.
O apetite do mercado por essas apostas mostrou limites no mesmo dia. A australiana Firmus, operadora de data centers de IA sobre a plataforma NVIDIA DSX que havia levantado US$ 2 bilhões em agosto de 2026 com NVIDIA, Coatue, Blackstone e Jane Street, a uma avaliação acima de US$ 10,5 bilhões, desistiu em 8 de outubro de um IPO de US$ 5 bilhões na bolsa australiana, a AU$ 11 por ação e avaliação proposta de US$ 30,6 bilhões, que seria o segundo maior da história do país. A empresa disse que os termos "não refletiam adequadamente a força do negócio" e que buscará capital em mercados privados.
Recompra de ações
Em 28 de setembro de 2026, o conselho da NVIDIA aprovou um aumento de US$ 150 bilhões na autorização de recompra de ações, elevando o total disponível para US$ 235 bilhões, a ser executado até o fim do ano fiscal de 2028. É o maior aumento de recompra já registrado por uma empresa americana, acima dos US$ 110 bilhões aprovados pela Apple em 2024. As ações da NVIDIA acumulavam alta de mais de 20% em 2026 até o anúncio, e a empresa encerrou o trimestre de julho com US$ 22,44 bilhões em caixa e equivalentes. As ações subiram quase 2% no dia do anúncio. "Vamos gerar muito caixa nos próximos anos. À medida que gerarmos mais caixa, queremos devolvê-lo aos acionistas", afirmou Huang.
Em 2 de outubro de 2026, as ações subiram 1,3%, e o valor de mercado da NVIDIA, que responde por 13% do Nasdaq e 8% do S&P 500, fechou em pouco menos de US$ 5,7 trilhões, primeiro recorde desde maio, encerrando sete semanas de negociação lateral. Com base nos preços das opções, a probabilidade de a empresa atingir US$ 6 trilhões até o fim de outubro era de cerca de 50%, e até 18 de dezembro, de cerca de 67%. Em 5 de outubro, as ações subiram 2,1% e fecharam em novo recorde, a US$ 238,90, com valor de mercado perto de US$ 5,8 trilhões, cerca de 4% abaixo dos US$ 6 trilhões. Segundo a Bloomberg, em 6 de outubro a alta no ano chegava a 30%, acréscimo de US$ 1,3 trilhão ao valor de mercado, e a NVIDIA era, com folga, a maior contribuição para a alta de 14% do S&P 500 em 2026; as ações acumulavam queda de 11% no ano até 30 de março. Em 8 de outubro, as ações caíram junto com as de Oracle e CoreWeave depois de vir a público que a receita anualizada da OpenAI, cliente e investida da NVIDIA, era de US$ 50 bilhões no fim de setembro, US$ 20 bilhões abaixo do número divulgado anteriormente.
A ampliação veio com a ação negociada a cerca de 14,5 vezes o lucro projetado para o ano fiscal de 2028, que começa em fevereiro de 2027 — abaixo de Apple (35,5), Alphabet (22,6), Amazon (23,2), Microsoft (21,7) e Broadcom (18,2) e muito aquém da média de 62,9 vezes dos cinco anos anteriores. Em agosto de 2026, a NVIDIA disse a investidores esperar crescimento de 70% nas vendas nesse ano fiscal, e analistas projetam, em média, lucro líquido próximo de US$ 385 bilhões.
Principais atores
- NVIDIA Corporation: Empresa multinacional de tecnologia, compradora das ações.
- Intel Corporation: Empresa multinacional de tecnologia, cujas ações foram adquiridas.
- Jensen Huang: Cofundador e presidente-executivo da NVIDIA, principal porta-voz da empresa no debate sobre regulação da IA e sobre o gargalo de energia.
- Jacob Coxon: Ex-pesquisador da Anthropic que alerta para risco existencial da IA e a quem Huang respondeu na CBS News.
- Scott Bessent: Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, que declarou o alinhamento do governo Trump com as posições de Huang.
- Cloverleaf Infrastructure: Desenvolvedora americana de sites com energia contratada para data centers, na qual a NVIDIA tomou participação minoritária.
- Firebird: Startup americana que constrói na Armênia um data center de IA com chips da NVIDIA.
- Nscale: Provedora britânica de nuvem de IA apoiada pela NVIDIA, que teve a ByteDance como principal cliente em 2025.
- CME Group: Operadora de bolsas de derivativos que propôs contratos futuros de aluguel de GPUs.
- Hugging Face: Plataforma de modelos abertos de IA comprada pela NVIDIA em setembro de 2026.
- Clément Delangue: Cofundador e presidente-executivo da Hugging Face.
- Justin Boitano: Vice-presidente de IA corporativa da NVIDIA, porta-voz da Open Agent Safety Platform.
- Global Switch: Operadora de data centers que abrigará em Paris um grande cluster de GPUs Blackwell da NVIDIA.
- CoreWeave: Provedora americana de nuvem de GPUs, primeira a oferecer a clientes o sistema Vera Rubin NVL72.
- GMI Cloud: Provedora taiwanesa de nuvem de GPUs que recebeu investimento da NVIDIA em setembro de 2026.
- Nico Caprez: Vice-presidente de Crescimento Global de Infraestrutura de IA da NVIDIA e genro de Jensen Huang, principal contato da empresa com as neoclouds.
- Morgan Stanley: Banco que avaliou a exposição da NVIDIA à crise de energia dos data centers americanos.
- SpaceX: Empresa de Elon Musk, dona da xAI, que negocia US$ 40 bilhões em dívida para comprar chips da NVIDIA.
- Apollo Global Management: Gestora que lidera a captação da SpaceX e é uma das seis parceiras das plataformas de financiamento de computação da NVIDIA.
- Microsoft: Parceira no desenvolvimento do RTX Spark e fabricante do Surface Laptop Ultra, primeiro notebook da marca com o chip; também desenvolve o Maia 300, acelerador próprio de inferência previsto para 2027.
- MediaTek: Fabricante taiwanesa de chips que projetou o processador N1X do RTX Spark com a NVIDIA.
- OpenRouter: Marketplace de modelos de IA que a NVIDIA considerou comprar antes de a startup fechar acordo com a Stripe.
- Reflection AI: Startup americana de modelos de pesos abertos, investida da NVIDIA, que a empresa negocia comprar desde outubro de 2026.
- d-Matrix: Startup americana de chips de servidor para IA, concorrente na qual a NVIDIA planeja investir.
- Firmus: Operadora australiana de data centers de IA apoiada pela NVIDIA, que desistiu de seu IPO em outubro de 2026.
- Mark Weatherford: Chefe de política de cibersegurança da NVIDIA e porta-voz da Open Secure AI Alliance.
- Helix Digital Infrastructure: Empresa de infraestrutura de IA fundada por KKR, NVIDIA, Autoridade de Investimentos do Kuwait e Vistra.
- Huawei: Fabricante chinesa de chips de IA, segunda maior fornecedora do mercado chinês, com 28% no primeiro semestre de 2026.
- Joe DeLaere: Líder de produto de infraestrutura de IA da NVIDIA, porta-voz do lançamento dos racks Vera e da abertura dos projetos da Vera Rubin ao OCP.
Termos importantes
- GPU (Graphics Processing Unit): Unidade de processamento gráfico, um processador especializado projetado para acelerar a criação de imagens em um buffer de quadro destinado à exibição em uma tela.
- SoC (System on a Chip): Sistema em um chip, um circuito integrado que integra todos os componentes de um computador ou outro sistema eletrônico em um único chip.
- Participação acionária: A posse de ações de uma empresa, conferindo direitos de propriedade e, geralmente, de voto.
- Garantia de valor residual: Compromisso de assegurar o valor de revenda futuro de um ativo, usado para obter financiamento mais barato sem registrar o montante integral no balanço.
- Gigawatt (GW): Unidade de potência equivalente a um bilhão de watts, usada para dimensionar a energia disponível para campi de data centers.
- H200: Chip acelerador de inteligência artificial da NVIDIA, objeto das restrições e da posterior liberação de exportação para a China.
- Destilação de modelos: Técnica de treinar um modelo de IA com as respostas geradas por outro, alvo de acusações de uso indevido contra empresas chinesas.
- Recompra de ações: Compra, pela própria empresa, de ações em circulação no mercado, que reduz o número de papéis e devolve caixa aos acionistas.
- Agente de IA: Sistema de inteligência artificial que executa tarefas de forma autônoma, com acesso a ferramentas e sistemas externos.
- Vera Rubin NVL72: Sistema de rack da NVIDIA com 36 CPUs Vera e 72 GPUs Rubin, sucessor dos sistemas Blackwell.
- Open Compute Project (OCP): Fundação que publica especificações abertas de hardware para data centers; a NVIDIA cedeu a ela os projetos de rack da Blackwell e da Vera Rubin.
- MGX: Arquitetura de referência modular da NVIDIA para servidores e racks, usada nos sistemas Vera Rubin e no rack da CPU Vera.
- RTX Spark: Superchip da NVIDIA para PCs com Windows que une uma GPU Blackwell a um processador Arm projetado com a MediaTek, com até 128 GB de memória unificada.
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