O que é o Centrão
Centrão é o nome dado, no Brasil, ao grupo de partidos do Congresso sem orientação ideológica bem definida que negocia apoio ao governo de turno em troca de cargos, verbas e emendas parlamentares. Não é um partido nem um bloco formal: a composição muda conforme a votação e o governo. Em outubro de 2026, o termo designa sobretudo o bloco de dez partidos que inclui União Brasil, PP, PSD, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos e soma 252 deputados na próxima legislatura, além do Republicanos, partido do presidente da Câmara.
Apesar do nome, o Centrão não é necessariamente de centro. Reúne siglas de centro-direita, de centro e de centro-esquerda, e já sustentou governos de esquerda e de direita. A palavra costuma ser usada em tom crítico, para associar o grupo ao fisiologismo, a troca de apoio por benefícios.
Quais são os partidos do Centrão
A lista não é oficial e varia com o tempo. Em 2020, segundo a Wikipédia, faziam parte do grupo na Câmara Avante, DEM, MDB, PL, PSC, PSD, PROS, PTB, Patriota, PP, Republicanos e Solidariedade.
Em 14 de outubro de 2026, dez partidos identificados com o Centrão, entre eles União Brasil, PP, PSD, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos, divulgaram nota conjunta de apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara em fevereiro de 2027. O PL, que nasceu no Centrão da Constituinte, hoje é o partido do bolsonarismo e disputa espaço com o grupo.
Origem: a Constituinte de 1987
O termo surgiu na Assembleia Nacional Constituinte de 1987. Designava a coalizão de partidos de centro a centro-direita, a maioria com ligação histórica com a Arena, partido de sustentação da ditadura militar, que se aliou para defender na nova Constituição as propostas do presidente José Sarney e se opor ao grupo do presidente da Assembleia, Ulysses Guimarães (PMDB). Reunia a ala conservadora do PMDB, o PFL, o PL, o PDS, o PDC e o PTB.
Em novembro de 1987, o grupo reuniu 319 assinaturas para mudar o regimento da Constituinte e conseguiu levar ao plenário suas próprias emendas. Entre as vitórias do Centrão no texto de 1988 estão o presidencialismo e o mandato de cinco anos para os chefes do Executivo. Depois da promulgação da Constituição, os partidos deixaram de se identificar com o nome, que passou a ser usado como adjetivo.
De Cunha a Lira
Em 2014, o então deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) reuniu num bloco, o "Blocão", os partidos insatisfeitos com a distribuição de cargos e verbas do governo Dilma Rousseff, e foi eleito presidente da Câmara em 2015 contra o candidato do Planalto, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Jair Bolsonaro se elegeu em 2018 prometendo distância do grupo. Na convenção do PSL, o general Augusto Heleno cantou "se gritar pega centrão, não fica um, meu irmão". O governo acabou se apoiando no Centrão, organizado em torno de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara de 2021 a 2024, e o marco da aproximação foi a nomeação do senador Ciro Nogueira, presidente do PP, para a Casa Civil, em 2021. Entre 2020 e 2022, as emendas de relator, apelidadas de orçamento secreto, distribuíram verbas sem identificar os parlamentares beneficiados. No terceiro governo Lula, iniciado em 2023, o PT dividiu a Esplanada com MDB, PSD, PP e Republicanos para formar base no Congresso, e o Centrão pressionou pela recriação de ministérios.
O Centrão nas eleições de 2026
Nas eleições de 2026, o PL elegeu 121 deputados federais, a maior bancada da Câmara, e foi apontado como o vencedor do primeiro turno, enquanto os partidos do Centrão perderam espaço. No segundo turno presidencial, em 25 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) se reuniu com líderes do grupo, defendeu manter as emendas parlamentares no modelo atual e anunciou o apoio de quatro partidos do bloco na semana de 8 de outubro.
Depois do primeiro turno, o Centrão se moveu para não perder o comando do Congresso. Além do apoio a Hugo Motta na Câmara, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), articula a reeleição para 2027 com parlamentares do Centrão e do PL, segundo a Folha de S.Paulo. Em outubro de 2026, líderes dos dez partidos discutiram com Motta uma reforma do sistema eleitoral, para votar em novembro, com o objetivo de conter o crescimento do PL. Os modelos em discussão são o distrital misto e o distritão, sem consenso entre as siglas.
Linha do tempo
- 1987: Na Constituinte, partidos aliados de Sarney formam o Centrão e mudam o regimento com 319 assinaturas.
- 1988: A Constituição sai com o presidencialismo e o mandato de cinco anos, defendidos pelo grupo.
- 2015: Eduardo Cunha, apoiado pelo "Blocão", é eleito presidente da Câmara contra o candidato do governo Dilma.
- 2021: Arthur Lira assume a presidência da Câmara, e Ciro Nogueira vai para a Casa Civil de Bolsonaro.
- 2023: MDB, PSD, PP e Republicanos entram no ministério do terceiro governo Lula.
- 4 de outubro de 2026: O PL elege 121 deputados e passa o Centrão em tamanho de bancada.
- 14 de outubro de 2026: Dez partidos do Centrão anunciam apoio à reeleição de Hugo Motta na Câmara.
- Novembro de 2026: Data em que o grupo pretende votar uma reforma do sistema eleitoral.
Perguntas frequentes
O que significa Centrão?
É o apelido do grupo de partidos do Congresso que apoia governos de diferentes orientações em troca de cargos, verbas e emendas. O nome vem da Constituinte de 1987.
Quais partidos são do Centrão?
Não há lista oficial. Em 2026, o termo designa principalmente União Brasil, PP, PSD, MDB e Republicanos. União Brasil, PP, PSD e MDB, com PSDB-Cidadania e Podemos, estão no bloco de dez partidos que apoia a reeleição de Hugo Motta na Câmara.
O Centrão é de direita?
Não necessariamente. O grupo reúne partidos de centro-direita, centro e centro-esquerda, e já apoiou governos do PT e de Bolsonaro.
O Centrão apoia Lula ou Flávio Bolsonaro?
Está dividido. MDB, PSD, PP e Republicanos têm ministérios no governo Lula desde 2023, e quatro deles anunciaram apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno de 2026.
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