Hugo Motta é o atual presidente da Câmara dos Deputados, filiado ao Republicanos e representante da Paraíba. Sua gestão em 2025 foi marcada por tensões com seu antecessor, Arthur Lira, e com o governo Lula, apesar de Motta ter defendido a estabilização da relação ao final do ano. Ele tomou decisões importantes, como a cassação de mandatos de deputados pela Mesa Diretora para evitar conflitos com o STF, e defendeu a atuação de órgãos de controle em investigações contra parlamentares. Motta também buscou equilibrar as relações entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, enfrentando debates sobre temas como o IOF e o PL da Dosimetria.
Hugo Motta é um político brasileiro, filiado ao Republicanos, e atualmente ocupa a presidência da Câmara dos Deputados. Ele representa o estado da Paraíba. Recentemente, Motta esteve no centro de um debate público após rebater críticas de seu antecessor, Arthur Lira, sobre sua gestão na Câmara, defendendo o papel do Congresso Nacional. Além disso, Motta defendeu publicamente a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e de órgãos de controle em investigações contra parlamentares, afirmando que a Câmara não tem compromisso com quem age de forma irregular. Ao final de 2025, Motta avaliou que a relação entre a Câmara e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estava "estabilizada", expressando expectativa por mais diálogo em 2026, apesar das divergências ocorridas ao longo do ano. Motta também tomou decisões importantes sobre a cassação de mandatos de deputados, como Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro, justificando-as como forma de evitar "estresse institucional" e conflitos com o STF, além de buscar não arrastar problemas para o ano seguinte na Casa. Em um tema trabalhista, Motta propôs um debate equilibrado e sem polarização ideológica sobre o fim da escala de trabalho 6x1, que entrará em vigor em 2026.
Contexto e histórico
Hugo Motta foi eleito presidente da Câmara dos Deputados no início de 2025, com o apoio de Arthur Lira, seu padrinho político. A relação entre os dois, no entanto, tornou-se tensa após Lira expressar insatisfação com a condução de Motta em pautas importantes, como a análise da cassação do deputado Glauber Braga. Lira criticou publicamente a gestão de Motta, descrevendo a Câmara como uma "esculhambação" e sugerindo que o atual presidente estava "perdido". Motta, por sua vez, defendeu sua administração e o trabalho do Congresso, afirmando que a Casa tem atuado positivamente em prol do país. Em um desenvolvimento posterior, Motta se posicionou sobre investigações envolvendo parlamentares, defendendo o papel do STF e da Polícia Federal em apurar condutas irregulares. Ele enfatizou que a Câmara não protegerá deputados com condutas ilícitas, mesmo diante de operações como a que teve como alvo os deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, investigados por desvio de recursos de cotas parlamentares.
Cassação de mandatos
Em dezembro de 2025, Hugo Motta liderou a Mesa Diretora da Câmara na cassação dos mandatos de Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ramagem foi condenado pelo STF à perda do mandato e a 16 anos de prisão por organização criminosa, tentativa de abolição do Estado Democrático e tentativa de golpe de Estado, sendo acusado pela PGR de usar a Abin para vigiar adversários políticos e difundir narrativas de fraude eleitoral. Ele é considerado foragido nos Estados Unidos. Eduardo Bolsonaro teve seu mandato cassado por faltas excessivas. Inicialmente, Motta havia sinalizado que submeteria o caso de Ramagem à votação em plenário, mas recuou após a experiência com a deputada Carla Zambelli (PL-SP). Zambelli, condenada a dez anos de prisão por ataques a sistemas do CNJ, teve sua cassação livrada pelo plenário da Câmara, mas a decisão foi anulada pelo STF, levando à sua renúncia. Para evitar um "novo episódio de conflito" e "estresse institucional" com o STF, a decisão de cassar Ramagem e Eduardo Bolsonaro foi tomada pela Mesa Diretora, em conjunto com as lideranças partidárias. Motta justificou a medida como necessária para enfrentar a agenda de cassações em 2025 e evitar que esses problemas se arrastassem para o ano seguinte, prejudicando o andamento da Câmara.
Relação com o Governo Lula
Ao longo de 2025, a relação entre Hugo Motta e o governo Lula foi marcada por tensões e divergências. Um dos episódios mais recentes de desentendimento ocorreu durante a análise da proposta que cria um marco legal de combate ao crime organizado, conhecido como PL Antifacção. Motta defendeu a escolha de Guilherme Derrite (PP-SP), um opositor do governo, como relator do projeto, o que gerou críticas de lideranças governistas, como a ministra Gleisi Hoffmann. O desconforto com a cúpula governista ficou evidente em 26 de novembro, quando Motta não compareceu a um evento no Palácio do Planalto para a sanção da proposta que eleva a isenção do Imposto de Renda. Dois dias antes, Motta havia declarado publicamente o rompimento com o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias. Apesar desses episódios, Motta afirmou que o diálogo com o presidente Lula nunca foi perdido e que a relação termina o ano "estabilizada", com a expectativa de maior entendimento em 2026. Ele destacou a colaboração da Câmara na aprovação de projetos de interesse do governo e a importância da independência e harmonia entre os Poderes. Motta também deu seu apoio à indicação de Gustavo Feliciano para o Ministério do Turismo, considerando que ele poderá ajudar o governo a melhorar sua performance no Congresso. Outro ponto de atrito foi o chamado PL da Dosimetria, que poderia reduzir penas de condenados por atos golpistas. Motta defendeu a aprovação do projeto pelo Congresso como um "direito" e uma "decisão política" para "pacificar" o país, embora tenha ressaltado que não se tratava de anistia. O presidente Lula, no entanto, afirmou que vetaria a proposta, e Motta indicou que, em caso de veto, a questão seria discutida com as lideranças do Congresso.
Em junho de 2025, Motta tentou impor uma agenda de ajuste fiscal ao governo Lula, incluindo a revisão de renúncias fiscais, desvinculação de receitas da União e retomada da reforma administrativa. Essa ofensiva surgiu da insatisfação do Congresso com o decreto presidencial que elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para arrecadar R$ 20 bilhões em 2025 e R$ 40 bilhões em 2026. Motta deu um ultimato de dez dias para que a Fazenda apresentasse uma alternativa ao aumento do IOF, ameaçando pautar a derrubada do decreto. Ele também alertou que um recurso do governo ao STF sobre o tema seria "mal recebido pelo Legislativo". Em julho de 2025, Motta reiterou que o Congresso não admitiria ser "atropelado" em relação ao IOF, defendendo o diálogo e a correção nas relações entre os Poderes. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu os efeitos tanto dos decretos do governo Lula que aumentaram as alíquotas do IOF quanto do decreto legislativo aprovado pelo Congresso que derrubou a medida do governo.
Em dezembro de 2025, a relação entre Motta e membros do governo Lula ficou estremecida em uma série de episódios, incluindo o PL Antifacção. Aliados de Motta avaliaram um movimento coordenado da base de apoio de Lula para veicular críticas e desgastar a imagem do presidente da Câmara. Motta também renovou acenos ao bolsonarismo, afastando a esquerda e criando tensão com o Palácio do Planalto, especialmente na votação do projeto de redução de penas para os envolvidos na trama golpista. Apesar disso, ele tenta se equilibrar entre as demandas do governo e da oposição, buscando apoio de Lula para 2026. O presidente Lula telefonou para Hugo Motta em 16 de dezembro de 2025, buscando apaziguar a relação entre o Planalto e o Legislativo, especialmente antes da votação do Orçamento de 2026 e de um projeto que reduz os benefícios fiscais para empresas. A manutenção de um diálogo direto com lideranças do Legislativo é vista como estratégica para reduzir resistências. Motta também busca apoio para a candidatura de seu pai ao Senado.
Linha do tempo
Início de 2025: Hugo Motta é eleito presidente da Câmara dos Deputados com o apoio de Arthur Lira.
29 de maio de 2025: Hugo Motta participa de coletiva de imprensa após reunião de líderes em Brasília.
4 de junho de 2025: Hugo Motta tenta impor agenda de ajuste fiscal ao governo Lula, cobrando medidas estruturais e ameaçando derrubar o decreto do IOF.
4 de julho de 2025: Hugo Motta afirma que o Congresso não admitirá ser "atropelado" em relação ao IOF, defendendo o diálogo com o Judiciário e o Executivo.
11 de dezembro de 2025: Motta renova acenos ao bolsonarismo e afasta a esquerda, mas evita rompimento por apoio de Lula em 2026.
16 de dezembro de 2025: O presidente Lula telefona para Hugo Motta para tentar apaziguar a relação entre o Planalto e o Legislativo.
24 de novembro de 2025: Hugo Motta declara publicamente o rompimento com o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias.
26 de novembro de 2025: Hugo Motta não participa de evento no Palácio do Planalto para a sanção da proposta que eleva a isenção do Imposto de Renda, evidenciando o desconforto com a cúpula governista.
2025: Divergências entre Motta e o governo Lula ocorrem durante a análise do PL Antifacção, com críticas governistas à escolha de Guilherme Derrite como relator.
10 de dezembro de 2025: O plenário da Câmara livra Carla Zambelli da cassação, ignorando decisão do STF.
11 de dezembro de 2025: A Primeira Turma do STF anula a deliberação da Câmara e determina a perda imediata do mandato de Carla Zambelli, que renuncia antes do término do prazo.
17 de dezembro de 2025: O PL da Dosimetria é aprovado pelo Senado e enviado para sanção presidencial.
18 de dezembro de 2025: A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados cassa os mandatos de Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro.
18 de dezembro de 2025: Sob pressão, Motta cita Câmara 'machucada' e aliados dizem que ele tem tempo para recompor com governo e STF.
19 de dezembro de 2025: Hugo Motta rebate publicamente as críticas de Arthur Lira à sua gestão na Câmara, defendendo o trabalho do Congresso Nacional.
19 de dezembro de 2025: A Polícia Federal deflagra operação, autorizada pelo STF, contra os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy para apurar desvio de recursos de cotas parlamentares.
19 de dezembro de 2025: Hugo Motta defende publicamente a atuação do STF e de órgãos de controle em investigações contra parlamentares, afirmando que a Câmara não tem compromisso com quem trabalha errado.
19 de dezembro de 2025: Hugo Motta avalia que a relação entre a Câmara e o governo Lula está "estabilizada" e expressa expectativa por mais diálogo em 2026.
19 de dezembro de 2025: Hugo Motta dá "testemunho favorável" à indicação de Gustavo Feliciano para o Ministério do Turismo, destacando sua capacidade de ajudar o governo.
19 de dezembro de 2025: Hugo Motta justifica a cassação dos mandatos de Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro pela Mesa Diretora como forma de evitar "estresse institucional" e conflitos com o STF.
27 de dezembro de 2025: Hugo Motta defende um debate equilibrado e sem ideologia sobre o fim da escala de trabalho 6x1, que entrará em vigor em 2026.
30 de dezembro de 2025: Hugo Motta encerra seu primeiro ano como presidente da Câmara com sua liderança questionada, devido à dificuldade em gerenciar a ampla coalizão e tentar satisfazer governo, oposição e Centrão.
Principais atores
Hugo Motta (Republicanos-PB): Atual presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal pela Paraíba.
Arthur Lira (PP-AL): Ex-presidente da Câmara dos Deputados e padrinho político de Hugo Motta.
Glauber Braga (PSOL-RJ): Deputado cuja cassação foi um dos pontos de discórdia entre Motta e Lira.
Sóstenes Cavalcante (PL-RJ): Deputado federal alvo de operação da Polícia Federal em 19 de dezembro de 2025.
Carlos Jordy (PL-RJ): Deputado federal alvo de operação da Polícia Federal em 19 de dezembro de 2025.
Alexandre Ramagem (PL-RJ): Deputado federal com mandato cassado pela Mesa Diretora em 18 de dezembro de 2025, condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado e foragido nos EUA.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP): Deputado federal com mandato cassado pela Mesa Diretora em 18 de dezembro de 2025 por faltas excessivas.
Carla Zambelli (PL-SP): Deputada federal cujo caso de cassação influenciou a decisão de Motta sobre Ramagem.
Andrei Rodrigues: Diretor-Geral da Polícia Federal, que comunicou Hugo Motta sobre a operação contra os deputados.
Colégio de Líderes: Grupo de líderes partidários com quem Motta afirma dividir as decisões e responsabilidades da gestão da Câmara.
Guilherme Derrite (PP-SP): Deputado federal, escolhido por Motta como relator do PL Antifacção, gerando atritos com o governo.
Gleisi Hoffmann: Ministra das Relações Institucionais, criticou o texto do PL Antifacção.
Lindbergh Farias (PT-RJ): Líder do PT na Câmara, com quem Hugo Motta declarou ter rompido em novembro de 2025.
Gustavo Feliciano: Indicado para assumir o Ministério do Turismo, com o apoio de Hugo Motta.
Alexandre de Moraes: Ministro do STF, relator das ações sobre a trama golpista e responsável pela condenação de Ramagem.
Davi Alcolumbre (União Brasil-AP): Presidente do Senado, que Lula deve procurar para viabilizar apoio à indicação de Jorge Messias ao STF.
Jorge Messias: Nome indicado para uma vaga no STF.
Rodrigo Pacheco (PSD-MG): Senador que ficou contrariado com a indicação de Jorge Messias ao STF.
Termos importantes
Câmara dos Deputados: Uma das casas do Congresso Nacional do Brasil, responsável pela elaboração e votação de leis.
Padrinho político: Termo informal para descrever um político mais experiente que apoia e orienta a carreira de outro.
Cassação de mandato: Perda do cargo eletivo de um parlamentar, geralmente por quebra de decoro ou outras infrações graves.
Colégio de Líderes: Órgão consultivo e deliberativo da Câmara dos Deputados, composto pelos líderes das bancadas partidárias.
Cota parlamentar: Verba pública destinada a cobrir gastos relacionados ao exercício do mandato de deputados federais, como passagens aéreas, aluguel de escritórios e despesas com divulgação.
PL Antifacção: Proposta que cria um marco legal de combate ao crime organizado, foi ponto de atrito entre Motta e o governo Lula.
PL da Dosimetria: Projeto de lei que pode reduzir penas de condenados por atos golpistas, defendido por Motta e vetado por Lula.
Mesa Diretora: Órgão de direção da Câmara dos Deputados, responsável por conduzir os trabalhos legislativos e administrativos da Casa.
Escala 6x1: Modelo de jornada de trabalho em que o empregado trabalha seis dias e folga um, tema de debate proposto por Hugo Motta para 2026.
Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): Imposto federal que incide sobre operações de crédito, câmbio, seguro e operações relativas a títulos e valores mobiliários.
Orçamento de 2026: Projeto de lei que define as receitas e despesas da União para o ano de 2026, cuja aprovação é crucial para o governo.
Benefícios fiscais: Reduções ou isenções de impostos concedidas a empresas, que o governo busca reduzir para fechar as contas.
STF (Supremo Tribunal Federal): Mais alta corte do poder judiciário brasileiro, responsável por julgar casos de grande relevância e garantir a constitucionalidade das leis.
PL (Partido Liberal): Partido político brasileiro, ao qual são filiados Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro.
PT (Partido dos Trabalhadores): Partido político brasileiro, ao qual é filiado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Republicanos: Partido político brasileiro, ao qual é filiado Hugo Motta.
PP (Progressistas): Partido político brasileiro, ao qual é filiado Guilherme Derrite.
União Brasil: Partido político brasileiro, ao qual é filiado Davi Alcolumbre.
PSD (Partido Social Democrático): Partido político brasileiro, ao qual é filiado Rodrigo Pacheco.