PF investiga servidor do BC por suposta propina de R$ 500 mil de Vorcaro
Decisão do ministro André Mendonça aponta que Belline Santana, ex-chefe do Desup no Banco Central, teria solicitado R$ 500 mil ao grupo de Daniel Vorcaro em troca de consultoria estratégica informal sobre o Banco Master.
Pontos principais
- A investigação faz parte da 3ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em março de 2026.
- Belline Santana atuava como chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central durante o período dos fatos.
- Segundo a decisão do STF, o servidor revisava minutas de documentos que o Banco Master enviaria à própria autarquia supervisora.
- O servidor integrava um grupo de mensagens com Daniel Vorcaro e Paulo Sérgio Neves de Souza para tratar de interesses do banco.
- A propina de R$ 500 mil teria sido solicitada após o servidor reportar irregularidades do Master ao Ministério Público Federal.
- Relatórios da PF indicam o uso de empresas como a Super Empreendimentos e Varajo Consultoria para repasses financeiros indiretos.
- O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 devido a riscos de insolvência e gestão fraudulenta.
- Investigações apontam que o banco inflava artificialmente seu valor de mercado com documentos falsos e títulos superavaliados.
- Daniel Vorcaro foi preso preventivamente em duas ocasiões, sendo a mais recente por ordem do ministro André Mendonça.
A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em março de 2026, trouxe à tona suspeitas de corrupção envolvendo a alta cúpula da supervisão bancária brasileira. Conforme detalhado na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central, é investigado por solicitar R$ 500 mil ao grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. O valor teria sido cobrado logo após o servidor encaminhar ao Ministério Público Federal um relatório com suspeitas de irregularidades no Banco Master, sugerindo uma manobra para obter vantagem financeira sobre o grupo que deveria fiscalizar. O documento judicial revela que a relação entre o servidor e o banqueiro era estreita, indo além da fiscalização formal. Belline Santana prestava, segundo a Polícia Federal, consultoria estratégica informal a Vorcaro, orientando o empresário sobre a situação regulatória do Banco Master e revisando previamente minutas de documentos que o banco enviaria ao próprio Banco Central. Essa atuação permitia que o grupo de Vorcaro antecipasse movimentos da autoridade monetária e ajustasse sua estratégia de defesa antes de sanções formais. Para viabilizar os pagamentos sem levantar suspeitas, a investigação aponta o uso de uma estrutura indireta de repasses, envolvendo empresas como a Super Empreendimentos e Participações e a Varajo Consultoria. O esquema, que integrava um grupo de mensagens exclusivo entre o servidor, Vorcaro e Paulo Sérgio Neves de Souza, visava blindar o banco de ações punitivas. A relevância do caso é acentuada pelo contexto de insolvência do Banco Master, que acabou liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. As investigações da PF indicam que a instituição operava com base em documentos falsos e títulos superavaliados para inflar artificialmente seu valuation. A prisão de Daniel Vorcaro, ocorrida em duas etapas, reflete a gravidade das fraudes apuradas, que incluíram a tentativa de influência junto a diversas autoridades públicas para evitar o colapso da instituição. O caso agora segue sob análise do STF, que busca determinar a extensão da rede de contatos e o impacto das informações privilegiadas vazadas pelo servidor do BC na manutenção das operações fraudulentas do banco.
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