Câmara instala comissão para discutir redução da maioridade penal
Colegiado analisará PEC que propõe imputabilidade aos 16 anos, mas votação do relatório deve ocorrer apenas após as eleições de 2026.
Pontos principais
- A comissão especial foi instalada nesta quarta-feira para analisar a PEC 32/15, que altera o artigo 228 da Constituição.
- O deputado Aluisio Mendes foi eleito presidente do colegiado e Mendonça Filho foi designado como relator.
- A proposta visa permitir a responsabilização criminal de jovens de 16 e 17 anos em crimes graves, como homicídio e latrocínio.
- Um acordo com a presidência da Câmara estabeleceu que as votações ocorrerão apenas após o período eleitoral para evitar a politização do tema.
- O cronograma de trabalho prevê a conclusão da votação na comissão e no Plenário até dezembro de 2026.
- Parlamentares da oposição questionaram a constitucionalidade da comissão, alegando violação de direitos fundamentais e tratados internacionais.
- A PEC exige aprovação por maioria qualificada em dois turnos na Câmara e, posteriormente, no Senado Federal.
A Câmara dos Deputados instalou oficialmente, nesta quarta-feira, uma comissão especial destinada a debater a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/15, que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. O colegiado será presidido pelo deputado Aluisio Mendes (Republicanos-MA), enquanto o deputado Mendonça Filho (União-PE) atuará como relator. A iniciativa busca alterar o artigo 228 da Constituição Federal para permitir a responsabilização criminal de adolescentes em casos de crimes hediondos e de extrema gravidade.
Embora a instalação do grupo marque o início formal dos trabalhos, um acordo firmado com o presidente da Câmara, Hugo Motta, determinou que as votações decisivas sejam postergadas para o período pós-eleitoral. A estratégia visa evitar que o tema, que historicamente gera intensas divergências ideológicas entre partidos de direita e esquerda, seja utilizado como palanque político durante o pleito de 2026. O plano de trabalho do relator inclui a realização de audiências públicas e seminários regionais antes da votação final do relatório, prevista para ocorrer entre o fim de novembro e o início de dezembro de 2026.
A discussão sobre a maioridade penal enfrenta questionamentos jurídicos desde o seu início. Durante a instalação da comissão, parlamentares da oposição, como o deputado Tarcísio Motta, levantaram dúvidas sobre a constitucionalidade da medida, argumentando que a proposta violaria direitos fundamentais e compromissos assumidos pelo Brasil em tratados internacionais. Defensores da mudança, por outro lado, sustentam que a medida é necessária para o combate à criminalidade violenta, ressaltando que o texto exige uma análise individual da capacidade do jovem de compreender a ilegalidade de seus atos no momento do crime.
Caso o texto seja aprovado na comissão especial, a PEC ainda enfrentará um longo caminho legislativo. A matéria precisará ser submetida a dois turnos de votação no Plenário da Câmara, onde necessita do apoio de, no mínimo, 308 deputados, antes de seguir para análise no Senado Federal. A tramitação ocorre em um cenário de debate sobre a eficácia do atual sistema socioeducativo, que limita a internação de jovens infratores a um período máximo de três anos.
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