Quem é Nayib Bukele
Nayib Armando Bukele Ortez é o presidente de El Salvador desde 1º de junho de 2019. Nascido em San Salvador em 24 de julho de 1981, foi reeleito em 2024 com cerca de 85% dos votos e está no segundo mandato. É conhecido pela guerra contra as gangues, que derrubou os homicídios no país e encheu as prisões, e por ter feito de El Salvador o primeiro país a adotar o bitcoin como moeda oficial.
Bukele é muito popular em El Salvador e na América Latina: a aprovação média ao longo do governo é de 88,6%, e nunca ficou abaixo de 75%. Ao mesmo tempo, organizações de imprensa e de direitos humanos apontam retrocesso democrático. Em 2026, é pré-candidato a um terceiro mandato, na eleição antecipada para 2027.
Há quanto tempo Bukele está no poder
Bukele governa El Salvador desde 1º de junho de 2019. Foi reeleito em 2024 e tomou posse para o segundo mandato em 1º de junho de 2024. A Constituição salvadorenha proibia a reeleição seguida, mas em 3 de setembro de 2021 a Sala Constitucional da Suprema Corte, cujos juízes tinham sido trocados pelos aliados de Bukele no Congresso, decidiu que o presidente podia disputar dois mandatos seguidos.
Em 31 de julho de 2025, a Assembleia Legislativa aprovou uma emenda que permite a reeleição indefinida, aumenta o mandato presidencial de cinco para seis anos e acaba com o segundo turno. A mesma votação antecipou a próxima eleição presidencial de 2029 para 2027, encurtando o segundo mandato de Bukele em dois anos. Em 28 de junho de 2026, ele se registrou como pré-candidato pelo partido Nuevas Ideas, que o lançou candidato em 12 de julho.
O modelo Bukele: a guerra contra as gangues
Em julho de 2019, Bukele lançou o Plano de Controle Territorial contra as gangues, como a MS-13 e a Barrio 18. A taxa de homicídios era de 38 por 100 mil habitantes em 2019 e caiu 50% no primeiro ano de governo.
Depois que as gangues mataram 87 pessoas de 25 a 27 de março de 2022, a Assembleia declarou um "regime de exceção", renovado desde então. Ele suspende direitos como o de saber o motivo da prisão, o de ter advogado e o de ver um juiz em até 72 horas. Até dezembro de 2024, mais de 85 mil pessoas suspeitas de ligação com gangues tinham sido presas. O governo construiu o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), em Tecoluca, com capacidade para 40 mil presos, uma das maiores prisões do mundo. Pelo menos 427 pessoas morreram nas prisões salvadorenhas desde o início do regime de exceção.
Segundo o governo, a taxa de homicídios caiu para 1,9 por 100 mil habitantes em 2024, uma das menores das Américas; a precisão desse número é contestada.
Em 13 de outubro de 2026, Bukele disse que o governo avalia dar liberdade antecipada e condicional a cerca de metade dos presos na guerra contra as gangues, os que "colaboraram" com elas sem ser membros. Segundo o Poder360, seriam cerca de 46 mil dos 93 mil detidos. "Se a pessoa colaborou, por exemplo, avisando que a polícia estava chegando, ela é culpada, mas qual é o grau dessa culpa?", disse. Ele não deu detalhes do plano.
O modelo fora de El Salvador
O modelo de segurança de Bukele virou referência para a direita da região. Em 14 de outubro de 2026, a Costa Rica inaugurou uma prisão de segurança máxima inspirada no Cecot. No Peru, o governo de Keiko Fujimori também foi comparado a ele. No Brasil, o candidato a presidente Flávio Bolsonaro disse em 13 de outubro de 2026: "Eu estou achando que El Salvador é pouco", ao prometer mais de 500 mil vagas em presídios.
Bukele e o bitcoin
Em 5 de junho de 2021, Bukele anunciou que El Salvador adotaria o bitcoin como moeda oficial. A Assembleia aprovou a lei três dias depois, e o bitcoin passou a circular como moeda legal em 7 de setembro de 2021, ao lado do dólar, que o país usa desde 2001. O governo comprou bitcoins para o Tesouro e anunciou a construção de uma "Cidade Bitcoin", que não saiu do papel. Em janeiro de 2025, o governo tinha 6.043 bitcoins.
Em 18 de dezembro de 2024, para obter um empréstimo de US$ 1,4 bilhão do Fundo Monetário Internacional, o governo aceitou recuar: as empresas deixaram de ser obrigadas a aceitar bitcoin e o imposto não pode mais ser pago na moeda.
Polêmicas e críticas
Em fevereiro de 2020, Bukele mandou 40 soldados à Assembleia Legislativa para pressionar os deputados a aprovar um empréstimo de US$ 109 milhões para o plano de segurança; a oposição chamou o episódio de autogolpe. Em 2021, com maioria absoluta do partido dele, a Assembleia trocou o procurador-geral e os cinco juízes da Sala Constitucional.
Entre 2019 e 2025, El Salvador caiu 61 posições no ranking de liberdade de imprensa da Repórteres sem Fronteiras, e o índice de democracia da Economist Intelligence Unit passou a classificar o país como regime híbrido. Bukele ataca jornalistas com frequência. Organizações de direitos humanos denunciam prisões arbitrárias e mortes sob custódia no regime de exceção.
Bukele é aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em 2025, aceitou receber no Cecot presos deportados pelos Estados Unidos, entre eles 238 venezuelanos acusados de pertencer à gangue Tren de Aragua, num acordo negociado com o secretário de Estado Marco Rubio.
Bukele é de direita?
Sim. A revista The Economist o descreveu em 2024 como de "direita dura" e comparou as políticas dele às de Javier Milei, Jair Bolsonaro e do chileno José Antonio Kast. Bukele, porém, começou a carreira na esquerda: foi eleito prefeito de Nuevo Cuscatlán em 2012 e de San Salvador em 2015 pela FMLN, ex-guerrilha de esquerda, que o expulsou em 2017. Fundou então o partido Nuevas Ideas e se elegeu presidente em 2019 por outra legenda, a Gana, com 53% dos votos.
Religião e família
Os avós paternos de Bukele eram cristãos palestinos que emigraram de Jerusalém e Belém para El Salvador em 1921. O pai, o empresário Armando Bukele Kattán, converteu-se ao islamismo nos anos 1980 e fundou mesquitas no país; a mãe, Olga Marina Ortez, é católica. Bukele não segue uma religião específica, mas diz acreditar em Deus e em Jesus Cristo e cita a Bíblia em discursos.
É casado desde 6 de dezembro de 2014 com a psicóloga e ex-bailarina Gabriela Rodríguez, com quem tem duas filhas, nascidas em 2019 e 2023.
Linha do tempo
- 24 de julho de 1981: Nasce em San Salvador.
- 2012: É eleito prefeito de Nuevo Cuscatlán pela FMLN.
- 2015: É eleito prefeito de San Salvador.
- 2017: É expulso da FMLN.
- 1º de junho de 2019: Toma posse como presidente de El Salvador.
- Fevereiro de 2020: Manda soldados à Assembleia Legislativa.
- 7 de setembro de 2021: O bitcoin passa a ser moeda oficial.
- 27 de março de 2022: Começa o regime de exceção contra as gangues.
- 1º de junho de 2024: Toma posse para o segundo mandato.
- 18 de dezembro de 2024: Acordo com o FMI recua na lei do bitcoin.
- 31 de julho de 2025: Emenda permite reeleição indefinida e antecipa a eleição para 2027.
- 28 de junho de 2026: Registra a pré-candidatura a um terceiro mandato.
- 13 de outubro de 2026: Anuncia plano para libertar até metade dos presos da guerra contra as gangues.
Perguntas frequentes
Quantos anos tem Nayib Bukele?
45 anos. Ele nasceu em 24 de julho de 1981.
Bukele vai ser candidato de novo?
Sim. Uma emenda de 2025 permitiu a reeleição indefinida, e o partido Nuevas Ideas lançou Bukele candidato a um terceiro mandato na eleição de 2027.
O que é o Cecot?
É o Centro de Confinamento do Terrorismo, a megaprisão para 40 mil presos que El Salvador construiu em Tecoluca para membros de gangues. Virou o símbolo da política de segurança de Bukele.
