Governo retira concessão da hidrovia do Rio Tapajós da agenda até 2030
Divergências sobre impactos ambientais e falta de consulta a comunidades indígenas levaram o governo a excluir a hidrovia do plano de concessões.
Pontos principais
- O Ministério de Portos e Aeroportos excluiu o projeto da agenda de investimentos para o ciclo 2027-2030.
- A decisão foi motivada por impasses técnicos sobre os impactos da dragagem na região.
- Organizações indígenas e ministérios da área social apontaram falta de consulta prévia às comunidades locais.
- Setores produtivos defendiam a obra como alternativa logística para o escoamento de grãos do Centro-Oeste.
- Outras hidrovias, como as dos rios São Francisco, Madeira e Tocantins, seguem no cronograma federal.
O governo federal decidiu remover a concessão da hidrovia do Rio Tapajós do cronograma de investimentos previsto para o período entre 2027 e 2030. A medida encerra, por ora, as discussões sobre a dragagem do curso d'água, que enfrentava forte resistência de organizações indígenas e de pastas como o Ministério dos Povos Indígenas. O principal argumento contra o projeto foi a ausência de consulta prévia às comunidades afetadas, um ponto que já havia levado à suspensão da contratação dos serviços de dragagem em fevereiro de 2026 após intervenção do Ministério Público Federal.
Embora o setor produtivo defendesse a obra como uma alternativa estratégica para o escoamento de grãos do Centro-Oeste pelo Arco Norte, especialmente frente ao risco de secas, o governo priorizou a resolução dos conflitos socioambientais. Enquanto o projeto do Tapajós é retirado da pauta, o Ministério de Portos e Aeroportos mantém o planejamento para outras hidrovias, incluindo as dos rios São Francisco, Madeira e Tocantins, que continuam integrando a agenda de concessões da União.
