Renan Santos protocola pedidos de impeachment contra Moraes e Toffoli
O candidato à Presidência apresentou denúncias ao Senado citando supostas relações de ministros do STF com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Pontos principais
- Renan Santos protocolou no Senado Federal pedidos de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli em 2 de setembro de 2026.
- As denúncias baseiam-se no artigo 39, item 5, da Lei 1.079/1950, que trata de procedimentos incompatíveis com a honra e o decoro do cargo.
- O pedido contra Alexandre de Moraes cita mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e contratos de R$ 129 mil com o escritório de sua esposa.
- A denúncia contra Dias Toffoli aponta o recebimento de R$ 35 milhões por um resort da família do ministro, repassados por fundos ligados a Vorcaro.
- O caso envolvendo o Banco Master ganhou novos contornos após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal em 1º de setembro.
- Renan Santos declarou que, caso eleito, não reconhecerá decisões de Alexandre de Moraes e buscará pressionar o Senado pela tramitação dos pedidos.
- O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, informou que os novos pedidos se somam a um estoque de 109 denúncias contra magistrados da Corte já acumuladas na Casa.
O candidato à Presidência pelo partido Missão, Renan Santos, formalizou nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, pedidos de impeachment contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. As petições, entregues ao Senado Federal, fundamentam-se em supostas irregularidades envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo os documentos, os magistrados teriam mantido condutas incompatíveis com o decoro exigido pela magistratura, conforme prevê a Lei 1.079/1950. A ofensiva jurídica ocorre em um momento de alta tensão institucional, agravada pela recente decisão do ministro André Mendonça de levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que detalha interações entre Vorcaro e autoridades judiciárias.
No caso de Alexandre de Moraes, a denúncia aponta a existência de mensagens trocadas com o banqueiro e contratos firmados entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, totalizando R$ 129 mil. Já em relação a Dias Toffoli, o pedido de impeachment cita o repasse de R$ 35 milhões a um resort da família do ministro, o Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). O valor teria sido transferido por fundos de investimento ligados a Vorcaro, o que, segundo a denúncia, configuraria conflito de interesses, dado que Toffoli atuava como relator de processos envolvendo o banco antes de deixar a relatoria no início de 2026.
Além da via judicial, Renan Santos elevou o tom político ao afirmar que, caso vença as eleições, não reconhecerá decisões proferidas por Alexandre de Moraes. O candidato defende que o próximo governo deve atuar para que órgãos do Estado ignorem determinações do ministro, classificando a situação atual como uma crise de legitimidade constitucional. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, confirmou o recebimento das peças, que se juntam a outros 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF já protocolados na Casa, mantendo o impasse sobre a análise dessas denúncias pelo Legislativo.
Fontes primárias
Denúncia por crime de responsabilidade contra o ministro Alexandre de Moraes
Renan Santos protocola no Senado, em 2/set/2026, denúncia contra Alexandre de Moraes com base no art. 39, item 5, da Lei 1.079/1950 (proceder incompatível com honra, dignidade e decoro). Alega que Moraes recebeu vantagens de Daniel Vorcaro (Banco Master), citando relatório da PF (sigilo retirado por André Mendonça em 1º/set/2026) com mensagens atribuídas a Vorcaro a um contato salvo como "Alexandre de Moraes", sugerindo repasse de informações privilegiadas sobre as investigações. Aponta contratos entre Vorcaro e o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, no valor de R$129 milhões em honorários mais R$50 milhões para torná-la sócia em aeronaves de Vorcaro — total de quase R$180 milhões à família Moraes. Pede recebimento e processamento da denúncia, constituição de Comissão Especial, instauração de processo de impeachment e, ao final, perda do cargo e inabilitação por 8 anos para função pública.
Denúncia por crime de responsabilidade contra o ministro Dias Toffoli
Na mesma data, Renan Santos protocola denúncia contra Dias Toffoli, também com base no art. 39, item 5, da Lei 1.079/1950. Relata que Toffoli, relator original do "Caso Master", deixou a relatoria em fevereiro de 2026 após revelação de que fundos ligados a Daniel Vorcaro repassaram ao menos R$35 milhões ao resort Tayayá (Ribeirão Claro-PR), no qual a família Toffoli detinha participação via a empresa Maridt Participações — apesar da vedação legal a atividade empresarial por magistrados. Detalha a cadeia societária (fundos Arleen e Leal) ligando os repasses a Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel, com mensagens de WhatsApp e extratos bancários confirmando os aportes de R$20 milhões e R$15 milhões. Pede recebimento da denúncia, Comissão Especial, instauração de impeachment e condenação à perda do cargo e inabilitação por 8 anos.
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