Irã critica diplomacia de Trump e mantém bloqueio no Estreito de Ormuz
Teerã classifica negociações como diplomacia teatral e impõe exigências rigorosas aos EUA para liberar a rota, que segue com tráfego praticamente parado.
Pontos principais
- O negociador iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf classificou as tentativas de diálogo de Donald Trump como diplomacia teatral.
- O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz sofre paralisação quase total, com travessias reduzidas de 130 para pouco mais de uma dúzia por dia.
- O Irã condiciona a reabertura da rota à retirada de tropas americanas, fim de sanções e pagamento de indenizações de guerra.
- Emirados Árabes Unidos denunciaram um novo ataque iraniano contra um petroleiro da estatal Adnoc no estreito.
- Desde o início do conflito regional em fevereiro de 2026, 15 embarcações foram alvo de ataques na região.
- O chanceler Abbas Araghchi afirmou que negociações com Omã para uma rota alternativa estão em estágio avançado.
- Teerã estuda um plano restritivo que proibiria formalmente a passagem de navios dos Estados Unidos e de Israel.
- O bloqueio tem pressionado a inflação global e os preços do petróleo, que acumulam alta de 15% no período.
- O governo dos EUA mantém a postura de rejeitar as exigências iranianas, mantendo o impasse diplomático.
O governo do Irã intensificou a retórica contra a administração do presidente Donald Trump, classificando as recentes tentativas de negociação para a reabertura do Estreito de Ormuz como uma diplomacia teatral. A declaração, feita pelo negociador Mohammad Bagher Ghalibaf, reflete o endurecimento da posição de Teerã em um momento em que o tráfego marítimo na via estratégica sofre uma paralisação quase total. A média diária de travessias, que costumava ser de 130 navios, caiu para pouco mais de uma dúzia, gerando incertezas severas sobre o fluxo global de energia e mercadorias.
Para autorizar a normalização do tráfego, o Irã apresentou uma lista rigorosa de exigências aos Estados Unidos. Entre as condições impostas pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional estão a retirada imediata das forças militares americanas da região, o levantamento total das sanções econômicas, a liberação de ativos congelados e o pagamento de indenizações por danos de guerra. O governo de Donald Trump, até o momento, não sinalizou aceitação aos termos, mantendo o impasse que tem contribuído para uma valorização de 15% nos preços do petróleo nos mercados internacionais.
A tensão na região foi agravada por novos incidentes militares. Os Emirados Árabes Unidos acusaram formalmente o Irã de realizar um ataque com míssil contra um petroleiro da estatal Adnoc no estreito, elevando para 15 o número de embarcações atacadas desde o início do conflito regional em fevereiro de 2026. Em resposta, o Irã estuda a implementação de um plano restritivo que proibiria formalmente a passagem de navios dos Estados Unidos e de Israel pela rota, consolidando seu controle estratégico sobre a passagem.
Paralelamente ao confronto direto com Washington, o chanceler iraniano Abbas Araghchi informou que o país mantém negociações avançadas com Omã para a criação de uma rota de navegação temporária. Embora o governo iraniano descreva as conversas como positivas, autoridades enfatizaram que qualquer acordo de gestão de tráfego está subordinado ao cumprimento das exigências políticas impostas aos americanos. Enquanto o impasse persiste, a Arábia Saudita permanece em alerta máximo contra possíveis ataques coordenados por milícias alinhadas a Teerã, evidenciando o risco de escalada do conflito para outros pontos do Oriente Médio.
Fontes primárias
Post de Mohammad Bagher Ghalibaf (presidente do Parlamento iraniano) sobre "theater diplomacy"
Ghalibaf, principal negociador do Irã e presidente do Parlamento, publicou: "'Massive attack coming… wait, never mind, they want to negotiate.' That's theater diplomacy on loop." Ele classifica como "failed strategy" o uso por Washington de bullying, promessas quebradas e fake news como alavancagem nas negociações, e pede que os EUA "reconheçam os fatos e cumpram seus compromissos", dizendo que o Irã "não precisa de mais teatro".
UAE Strongly Condemns Targeting of ADNOC National Carrier While Transiting Strait of Hormuz
O Ministério das Relações Exteriores dos EAU condena o que descreve como ataque terrorista iraniano, com dois drones, contra uma embarcação da ADNOC em trânsito pelo Estreito de Ormuz (sem feridos). O comunicado classifica o ataque como violação flagrante da Resolução 2817 do Conselho de Segurança da ONU sobre liberdade de navegação, e afirma que o uso do estreito como instrumento de coerção econômica ou chantagem por parte da Guarda Revolucionária do Irã configura "atos de pirataria" e ameaça direta à estabilidade regional e à segurança energética global. Os EAU exigem cessação imediata dos ataques e reabertura completa e incondicional do Estreito de Ormuz.
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