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Irã nega negociações diretas com EUA sobre Estreito de Ormuz

Teerã nega diálogo direto com Washington, apesar de Donald Trump sinalizar avanço em acordo para a reabertura da rota estratégica de petróleo.

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Foto: Times Brasil
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06/08 às 09:45 · atualizado 19:03

Pontos principais

  • O governo iraniano nega a existência de negociações diretas com os Estados Unidos, atribuindo o diálogo a uma mediação com Omã.
  • O presidente Donald Trump afirmou publicamente que negociações de paz estão em andamento e que um acordo estaria próximo.
  • O Irã propôs um projeto de lei que estabelece multas de até 20% sobre cargas de navios que descumprirem novas regras de trânsito no Estreito de Ormuz.
  • Teerã condiciona a implementação de qualquer acordo ao fim de sanções americanas e do bloqueio aos seus portos.
  • O Parlamento iraniano classificou a postura americana como um teatro diplomático, acusando Washington de alternar ameaças e sinais de diálogo.
  • O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, descreveu as negociações como complexas e atribuiu a lentidão à fragmentação interna do regime iraniano.
  • O Estreito de Ormuz permanece como um ponto crítico de tensão geopolítica, sendo uma rota vital para o transporte global de petróleo.

O governo do Irã negou formalmente a existência de negociações diretas com os Estados Unidos, contradizendo declarações recentes do presidente Donald Trump, que sugeriu que um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz estaria próximo de ser concluído. Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibadadi, qualquer diálogo sobre a hidrovia estratégica ocorre exclusivamente por meio de mediação com Omã, e não em tratativas bilaterais com Washington. A divergência expõe a fragilidade das comunicações entre as duas potências em meio ao conflito iniciado em 2026.

Simultaneamente, o Parlamento iraniano apresentou um projeto de lei que visa aumentar o controle sobre a navegação na região. A proposta prevê a criação de um corredor central sob gestão compartilhada com Omã e estabelece multas de até 20% sobre o valor das cargas de navios que desrespeitarem as novas diretrizes. Teerã mantém a posição de que qualquer entendimento definitivo sobre a rota depende da reversão das sanções econômicas impostas pelos EUA e do fim do bloqueio naval aos seus portos, medidas que o governo iraniano considera essenciais para validar o processo.

Do lado americano, a administração Trump mantém um discurso de cautela, embora o secretário do Tesouro, Scott Bessent, tenha indicado que um acordo para desbloquear a hidrovia poderia ser finalizado em breve. O vice-presidente J.D. Vance, por sua vez, ressaltou a complexidade do cenário, citando a fragmentação do regime iraniano como um obstáculo para o progresso das conversas. A situação no Estreito de Ormuz segue monitorada de perto pelo mercado global, dado o impacto direto da rota no fornecimento de petróleo e a ameaça iraniana de retaliar contra infraestruturas energéticas no Golfo caso novos ataques militares ocorram.

Fontes primárias

Mohammad Reza Rezaei Kouchi (presidente da Comissão de Construção do Majlis, via X/@Drrezaee_ir)

Fio com o plano de 10 pontos para gestão do Estreito de Ormuz (item 10: multa e confisco de 20%)

Em fio de 10 posts no X, Mohammad Reza Rezaei Kouchi, presidente da Comissão de Construção do Parlamento iraniano, publicou o plano da comissão para o Estreito de Ormuz. O item 10, o que embasa a multa citada na manchete, diz: "O descumprimento dos princípios dessas normas resultará na apreensão da embarcação infratora, além de multa e confisco de 20% do valor da carga." Os demais itens: proibição total de trânsito a embarcações/cargas ligadas a Israel (1); proibição a embarcações de países hostis, a critério do SEPAH (2); proibição a países que praticarem atos hostis contra o "eixo da resistência" (3); demais embarcações podem trafegar mediante autorização e pagamento de taxa de "orientação, fiscalização e segurança" (4); pagamento obrigatório em rial (5); países que participaram da "guerra imposta" só passam após indenizar os danos causados (6); proibição a qualquer país ou pessoa física/jurídica que aplique sanções unilaterais contra o Irã ou pratique ato hostil (7); proibição a frotas de países que usem nomenclatura diferente de "Golfo Pérsico" em documentos oficiais (8); receita das taxas destinada a três fins — fortalecimento da defesa e subsistência das forças armadas, reconstrução de infraestrutura e subsistência da população (9).

Esmaeil Baghaei (porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, via Mehr News Agency)

Entendimento com Omã não significa reabertura do Estreito de Ormuz

Na coletiva semanal de imprensa de 3 de agosto de 2026, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, negou negociações diretas com os EUA: "Para evitar qualquer ambiguidade, devo dizer que não estamos, no momento, mantendo nenhuma conversa com os Estados Unidos." Segundo ele, as tratativas em curso são exclusivamente entre Irã e Omã, com troca de mapas nos sete a oito dias anteriores, atualmente em análise por especialistas e autoridades iranianas, com foco em definir uma rota segura e temporária de navegação pelo Estreito de Ormuz. Baghaei afirmou que um entendimento com Omã é pré-condição necessária, mas não significa a reabertura do estreito — cujo fechamento é atribuído por Teerã à violação de compromissos e a ações hostis dos EUA — e que temas relativos à relação Irã-EUA seriam tratados em etapa posterior.

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