Visão geral
A relação entre o Irã e os Estados Unidos é marcada por décadas de antagonismo geopolítico, caracterizada por sanções econômicas, disputas sobre o programa nuclear iraniano e acusações mútuas de interferência interna. Recentemente, a tensão escalou para um novo patamar de confronto direto e retórico. Enquanto o Irã, através de seu embaixador na ONU Amir Saeid Iravani, acusa formalmente os EUA e Israel de desestabilizarem o país através do envio de mercenários e apoio a manifestações violentas, e Donald Trump de criar um "pretexto" para intervenção militar, o governo americano ameaça com intervenção militar caso a repressão estatal resulte em mortes de civis. O cenário interno iraniano é de grave instabilidade, com protestos em larga escala em 25 das 31 províncias, motivados por uma crise econômica severa e alto custo de vida, resultando em centenas de mortes e um endurecimento das punições judiciais contra os opositores. Os protestos, que inicialmente focavam em questões econômicas, evoluíram para pedidos pelo fim do regime dos aiatolás. Embora a repressão pareça ter contido os protestos, o líder supremo Ali Khamenei ordenou que as autoridades "quebrem as costas dos insurgentes". O Irã, por sua vez, alertou que retaliará contra Israel e bases militares dos Estados Unidos na região caso seja alvo de um ataque americano, considerando-os "alvos legítimos". Teerã informou aos países vizinhos, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Turquia, que as bases dos EUA em seus territórios seriam atacadas em caso de bombardeio americano. Os EUA, por sua vez, estão considerando "opções muito fortes", incluindo ataques militares, armas cibernéticas e novas sanções, em resposta à repressão dos protestos, e esperam enviar mais meios militares para a região. Em uma escalada econômica, os EUA anunciaram a imposição de uma tarifa de 25% sobre transações comerciais com o Irã, com impacto potencial em países como o Brasil. O Irã também tem culpado os Estados Unidos e Israel pelas mortes de manifestantes, acusando-os de incitar a violência interna e ameaçar a soberania do país, e solicitou ao Conselho de Segurança da ONU que condene as declarações de Trump. Em resposta a possíveis execuções de manifestantes, Donald Trump declarou que os EUA tomarão "medidas muito duras", e incentivou os manifestantes a "guardar os nomes dos assassinos", prometendo que eles "vão pagar um preço muito alto". O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, sugeriu que o regime iraniano está em seus "últimos dias e semanas", devido à repressão violenta. Apesar da pressão de rivais do Irã no Oriente Médio para que os EUA não ataquem o país, autoridades da Casa Branca consideram um bombardeio como provável, com o objetivo de derrubar o regime do aiatolá Ali Khamenei. No entanto, Donald Trump posteriormente afastou a possibilidade de uma ação militar contra o Irã, citando que as mortes na repressão estavam diminuindo. A repressão aos protestos já resultou em cerca 5.000 mortes, segundo uma fonte do governo iraniano à Reuters em 18 de janeiro de 2026. Outras estimativas incluem 3.428 mortos pela ONG Iran Human Rights (IHR), e 12.000 mortos segundo o canal de oposição Iran International. O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, expressou horror com a situação. A ONG Iran Human Rights (IHRNGO) alerta para o risco de execuções em massa de manifestantes, como o caso de Erfan Soltani, que teve sua execução marcada para 14 de janeiro de 2026 sem acesso a advogado ou julgamento justo, embora a execução tenha sido posteriormente adiada após a fala de Trump. Em 15 de janeiro de 2026, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu a pedido dos EUA para discutir a situação no Irã, em meio a sinais de uma possível intervenção militar americana. Em 17 de janeiro de 2026, o líder do Irã, Ali Khamenei, acusou Donald Trump de incitar os protestos mortais no país, chamando-o de "criminoso" pelas mortes, danos e calúnias infligidas à nação iraniana. Pela primeira vez, Ali Khamenei reconheceu que houve "milhares" de mortos nas manifestações. Em 18 de janeiro de 2026, o judiciário iraniano sinalizou a possibilidade de execuções relacionadas aos protestos. Em 23 de janeiro de 2026, o Irã declarou estar preparado para uma "war total" em resposta ao envio de um porta-aviões dos EUA para a região, afirmando que qualquer ataque será considerado uma guerra total e terá a resposta mais dura possível. Em 28 de janeiro de 2026, Donald Trump renovou suas ameaças, afirmando que uma "enorme armada" está a caminho do Irã e que o tempo para um acordo nuclear está se esgotando, alertando que um novo ataque seria "muito pior" do que a "Operação Martelo da Meia-Noite". O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o regime do Irã está "mais fraco do que nunca" e sua economia em colapso. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, negou que Teerã esteja buscando negociações sob ameaças e desmentiu contatos com os EUA. No entanto, em 29 de janeiro de 2026, Donald Trump está avaliando seriamente um ataque ao Irã após o fracasso de negociações preliminares sobre o programa nuclear e de mísseis, com o Irã prometendo uma resposta "imediata e poderosa" e o Hezbollah alertando para uma "erupção vulcânica na região". Em 30 de janeiro de 2026, Donald Trump afirmou que o Irã deseja um acordo e que ele fixou um prazo para a resposta de Teerã, mantendo mistério sobre os detalhes. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que o Irã acolhe o diálogo e não busca a guerra, mas responderá imediata e decisivamente a qualquer agressão. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, reiterou que o Irã está preparado para negociações sobre o acordo nuclear, mas exige conversas justas e equitativas, sem abrir mão de suas capacidades de Defesa. A Guarda Revolucionária do Irã anunciou exercícios militares com munição real no Estreito de Ormuz. Em 31 de janeiro de 2026, o conselheiro do líder supremo do Irã, Ali Shamkhani, afirmou que o país está em "total prontidão para responder a qualquer ameaça" e que qualquer movimento hostil receberá uma "resposta proporcional, eficaz e dissuasiva". O chefe do Exército iraniano, Amir Hatami, destacou o poderio militar do Irã, especialmente em mísseis e defesa aérea, afirmando que o país confrontou a ciência e tecnologia inimigas em uma "guerra híbrida". Analistas apontam que o Irã dificilmente conseguiu reparar o estrago em seu arsenal provocado pela guerra de 12 dias contra Israel e os EUA em 2025, o que daria a Donald Trump uma "excelente" oportunidade para atacar novamente e pressionar o regime do aiatolá Ali Khamenei. A retórica de força do regime iraniano é vista com cautela, dadas as sanções internacionais que dificultam a reposição de armamentos e a reparação da indústria de mísseis. Trump considera desde bombardeios até incursões dentro do país para pressionar por uma mudança de regime. Em 1º de fevereiro de 2026, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, alertou que qualquer ataque dos EUA desencadearia uma "guerra regional", acusando os EUA de quererem controlar os recursos naturais do Irã e prometendo uma resposta dura a qualquer agressão. No mesmo dia, Donald Trump expressou acreditar que o Irã está negociando "seriamente" com Washington para um acordo "aceitável", enquanto os EUA avaliam opções, incluindo um possível ataque militar, e enviam forças navais para a região. Trump evitou confirmar se a decisão de não atacar já havia sido tomada e mencionou a possibilidade de um acordo sem armas nucleares. Os EUA não compartilharão planos militares com aliados do Golfo enquanto as negociações com o Irã estiverem em andamento. O presidente do Parlamento iraniano declarou que o país considera as forças militares da União Europeia como organizações terroristas, após o bloco classificar a Guarda Revolucionária Islâmica como grupo terrorista, invocando uma lei de 2019 para retaliar medidas semelhantes dos EUA. Em 5 de fevereiro de 2026, Donald Trump reafirmou que negociações com o Irã estão em andamento, com representantes dos dois países previstos para se reunir em Omã no dia seguinte, 6 de fevereiro. Em 11 de fevereiro de 2026, após reunião com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, Donald Trump insistiu na continuidade das negociações com o Irã sobre o programa nuclear, mas voltou a ameaçar Teerã com as consequências de um não-acordo, referindo-se novamente à "Operação Martelo da Meia-Noite", que envolveu ataques aéreos a bases nucleares iranianas no ano anterior. Antes da guerra de 12 dias entre Israel e Irã em 2025, o Irã vinha enriquecendo urânio a até 60% de pureza, um nível próximo ao grau armamentista, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o que gerou grande preocupação no Ocidente. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, reiterou que o país prefere a diplomacia, mas está "mais preparado do que nunca" para uma escalada militar e não aceitará "enriquecimento zero", alertando que, em caso de ataque dos EUA, as bases americanas na região seriam alvo. Netanyahu, por sua vez, defendeu exigências adicionais a Teerã, incluindo limites ao programa de mísseis balísticos e ao apoio a grupos como Hamas e Hezbollah. Trump também afirmou ter discutido com Netanyahu o "tremendo progresso" em Gaza e a "PAZ no Oriente Médio". No mesmo dia, 11 de fevereiro de 2026, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos ordenou a preparação de um segundo porta-aviões para ser enviado ao Oriente Médio, o USS George H.W. Bush, que se juntaria ao USS Abraham Lincoln, já presente na região. Três autoridades americanas indicaram que o país se prepara para um possível ataque ao Irã, com o envio da embarcação podendo ocorrer em até duas semanas. Os EUA também realizaram manobras militares perto da costa do Irã, com caças decolando do USS Abraham Lincoln para sobrevoos na região. Donald Trump reiterou sua preferência por um acordo diplomático, mas manteve a opção militar, afirmando que, se não houver acordo, "teremos que fazer algo muito duro como da última vez", referindo-se aos ataques a instalações nucleares iranianas em junho anterior. Além do programa nuclear, os EUA pressionam o Irã a limitar o alcance de mísseis balísticos e a encerrar o financiamento a grupos armados no Oriente Médio. O Irã, por sua vez, nega ter o objetivo de desenvolver armas nucleares, afirmando que seu programa é para fins pacíficos. Autoridades dos Estados Unidos e do Irã ainda não marcaram uma segunda rodada de negociações após o encontro em Omã. O USS Abraham Lincoln, que funciona como um "aeroporto flutuante" com capacidade para até 90 aeronaves, já atuou em diversas ocasiões no Oriente Médio, incluindo a guerra no Afeganistão e uma operação contra o grupo rebelde Houthis em 2024. Trump afirmou que o envio do porta-aviões ocorreu por "precaução" e que a preferência é que "nada aconteça". Em 17 de fevereiro de 2026, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, anunciou que Irã e EUA chegaram a um acordo sobre os principais "princípios orientadores" na segunda rodada de negociações nucleares em Genebra, mediadas por Omã, com a participação dos enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner. Araqchi destacou o progresso, mas ressaltou que ainda há trabalho a ser feito. No mesmo dia, a mídia estatal iraniana informou sobre o fechamento temporário de parte do Estreito de Ormuz para exercícios militares da Guarda Revolucionária, uma rota vital para o abastecimento global de petróleo. Donald Trump, por sua vez, mencionou a possibilidade de uma "mudança de regime" no Irã, enquanto o líder supremo Ali Khamenei rejeitou qualquer tentativa dos EUA de derrubar seu governo. Em 18 de fevereiro de 2026, imagens de satélite revelaram que o Irã construiu uma proteção de concreto sobre uma nova instalação em um local militar sensível, cobrindo-a com terra. Especialistas indicam que este local teria sido bombardeado por Israel em 2024. As imagens também mostraram que o Irã enterrou entradas de túneis em uma instalação nuclear atacada pelos EUA durante a guerra de 12 dias entre Israel e o Irã em 2025, fortificou entradas de túneis perto de outro local e reparou bases de mísseis atingidas no conflito. Estas atividades de fortificação e reparo ocorrem em meio às tensões contínuas com Israel e os EUA, enquanto Washington busca negociar um acordo nuclear e mantém a ameaça de ação militar caso as negociações falhem. No mesmo dia, 18 de fevereiro de 2026, o site Axios reportou que o governo de Donald Trump está mais próximo de uma guerra de grande escala contra o Irã, com uma ação militar podendo começar em breve, possivelmente em "dias" ou "semanas". Fontes indicaram que uma eventual operação dos EUA, que poderia ocorrer em conjunto com Israel, teria duração de "semanas" e proporções de "guerra total", significativamente maiores do que o conflito de 12 dias liderado por Israel em junho de 2025, no qual os EUA teriam participado de ataques a instalações nucleares subterrâneas iranianas. Um assessor de Trump, sob condição de anonimato, estimou em 90% a chance de ação militar nas próximas semanas, devido à impaciência do presidente. Em reação a estas notícias, o preço do petróleo engatou alta firme, com o WTI avançando 3,11% e o Brent subindo 2,92%. Em 19 de fevereiro de 2026, Donald Trump, durante a reunião inaugural do "Conselho da Paz", declarou que o Irã precisa chegar a um "acordo significativo" nas negociações com os EUA nos próximos dez dias, alertando que, caso contrário, "coisas ruins acontecerão" e Washington "terá que dar um passo além". No mesmo dia, o Irã realizou exercícios militares conjuntos com a Rússia no Golfo de Omã e no Oceano Índico, com o objetivo de "aprimorar a coordenação operacional, bem como a troca de experiências militares". Imagens divulgadas posteriormente pelo Irã mostraram membros das forças especiais navais da Guarda Revolucionária embarcando em um navio durante o exercício. Em 20 de fevereiro de 2026, Donald Trump afirmou que, graças à sua ameaça de ataque militar, o Irã desistiu de enforcar 873 manifestantes, muitos deles em praça pública, que estavam detidos após as manifestações contra o regime. Ele reiterou que está considerando um ataque militar ao país e que a decisão sobre o que acontecerá com o Irã sairá nos próximos 10 dias. Autoridades americanas, sob condição de anonimato, indicaram que o planejamento militar atingiu um estágio avançado, com opções que incluem ataques contra indivíduos e a busca por uma mudança de regime, sem detalhar como esta última seria alcançada sem uma grande força terrestre. A presença militar americana no Oriente Médio aumentou, com o USS Abraham Lincoln e o USS Gerald R. Ford, o maior porta-aviões do mundo, se aproximando da região, acompanhados por nove destróieres e três navios de combate litorâneo, além de caças F-22 Raptor, F-15 e F-16. O Pentágono iniciou a retirada preventiva de parte do pessoal do Oriente Médio, e o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, alertou seus cidadãos para deixarem o Irã imediatamente, citando a "muito real" possibilidade de conflito armado. O Irã também iniciou exercícios com munição real no Estreito de Ormuz, fechando temporariamente partes da hidrovia. Trump alertou o Reino Unido sobre o uso da base aérea em Diego Garcia caso o Irã não faça um acordo. Ele mencionou que mais de 32 mil pessoas teriam sido mortas nos protestos de dezembro e janeiro, sem especificar a fonte. A Casa Branca, através de sua porta-voz Karoline Leavitt, afirmou que seria "muito sensato" da parte do Irã fechar um acordo com Trump. O grupo HRANA, com sede nos Estados Unidos, que monitora a situação dos direitos humanos no Irã, registrou 7.114 mortes confirmadas e afirma ter outras 11.700 em análise relacionadas a direitos humanos no Irã. Em 21 de fevereiro de 2026, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que o país não se curvará diante das pressões de potências mundiais nas negociações nucleares com os Estados Unidos, afirmando que, apesar dos problemas criados, o Irã não cederá. A declaração foi feita em meio à escalada de tensões e às ameaças de ataque militar de Donald Trump caso um acordo nuclear não seja alcançado. Os EUA buscam que o Irã limite ou encerre seu programa de enriquecimento de urânio, restrinja mísseis balísticos e cesse o apoio a grupos armados no Oriente Médio. O Irã, por sua vez, defende que as negociações se limitem ao programa nuclear e está disposto a reduzir o enriquecimento de urânio em troca do fim das sanções. As recentes rodadas de conversas em Omã e Genebra tiveram pequenos avanços, segundo os EUA. O Irã afirma que a iniciativa nuclear tem fins pacíficos, enquanto a Casa Branca acusa o país de tentar desenvolver uma arma nuclear. Um infográfico divulgado pela mídia mostra o cerco militar dos EUA ao Irã, com embarcações e soldados norte-americanos na região. Em 1º de março de 2026, ataques dos EUA resultaram na morte do líder do Irã. Uma pesquisa Reuters/Ipsos, concluída neste domingo, revelou que apenas 27% dos norte-americanos aprovam esses ataques, enquanto 43% desaprovaram e 29% estavam indecisos. A pesquisa também indicou que 56% dos norte-americanos acreditam que o presidente Donald Trump está muito disposto a usar força militar para promover os interesses dos EUA, um sentimento que se estende a um quarto dos republicanos. Trump já havia ordenado ataques na Venezuela, Síria e Nigéria nos meses anteriores. Aproximadamente nove em cada dez entrevistados tinham conhecimento dos ataques. A pesquisa online foi realizada com 1.282 adultos norte-americanos e tem uma margem de erro de três pontos percentuais. Em julho de 2026, a escalada militar atingiu novos patamares após o Irã atacar um navio comercial no Estreito de Ormuz, levando os Estados Unidos a realizarem uma nova onda de bombardeios contra alvos militares iranianos. Teerã afirmou que os ataques americanos "tornaram fúteis" os esforços diplomáticos dos últimos meses, mantendo a tensão elevada na região.
Esforços Diplomáticos e Negociações
Donald Trump afirmou em 1º de fevereiro de 2026 que acredita que o Irã esteja negociando "sériamente" com Washington para um acordo "aceitável", expressando esperança de que um acordo seja alcançado. Ele mencionou a possibilidade de um acordo negociado que fosse satisfatório e sem armas nucleares. Apesar das negociações em andamento e do envio de forças navais para a região, Trump indicou que os EUA não compartilharão planos militares com aliados do Golfo. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o chanceler Abbas Araqchi reiteraram a abertura do Irã ao diálogo e negociações justas sobre o acordo nuclear, desde que não impliquem em abrir mão de suas capacidades de Defesa. Em 5 de fevereiro de 2026, Trump confirmou novamente que as negociações com o Irã estão em andamento, com representantes de ambos os países programados para se reunir em Omã no dia seguinte, 6 de fevereiro, conforme confirmado também pelo chanceler iraniano Abbas Araghchi e por Washington. Trump classificou a continuidade de sua política tarifária como fundamental para os investimentos e negociações que os EUA estão realizando. Em 11 de fevereiro de 2026, após um encontro com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, Donald Trump insistiu na continuidade das negociações com o Irã sobre o programa nuclear, buscando um acordo. Ele ressaltou que, embora um acordo seja a preferência, "se não puder, teremos que ver qual será o resultado", fazendo referência a ações militares passadas como a "Operação Martelo da Meia-Noite". Os esforços para retomar o diálogo indireto entre Washington e Teerã, com mediação de Omã, continuam após a guerra de 12 dias entre Israel e Irã em junho do ano passado. Netanyahu, durante o encontro, defendeu a inclusão de exigências adicionais a Teerã, como limites ao programa de mísseis balísticos e ao apoio a grupos como Hamas e Hezbollah. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou que o país prefere a diplomacia, mas está preparado para uma eventual escalada militar e não aceitará um "enriquecimento zero" de urânio. No mesmo dia, 11 de fevereiro de 2026, Trump se reuniu com Netanyahu na Casa Branca para discutir a questão iraniana, reiterando sua preferência por um acordo, mas mantendo a ameaça de uma ação militar caso as negociações falhem. As autoridades dos EUA e do Irã ainda não marcaram uma segunda rodada de negociações após o encontro em Omã, onde os EUA pressionam o Irã a limitar ou suspender o enriquecimento de urânio, o alcance de mísseis balísticos e o financiamento a grupos armados no Oriente Médio. O Irã nega ter o objetivo de desenvolver armas nucleares, afirmando que seu programa é para fins pacíficos. Em 17 de fevereiro de 2026, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, anunciou que o Irã e os Estados Unidos alcançaram um acordo sobre os principais "principios orientadores" na segunda rodada de negociações nucleares em Genebra. As negociações foram mediadas por Omã e contaram com a participação dos enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner. Araqchi destacou o progresso, mas enfatizou que ainda há trabalho a ser feito para um acordo final. No mesmo dia, a mídia estatal iraniana informou sobre o fechamento temporário de parte do Estreito de Ormuz para exercícios militares, o que foi interpretado como uma forma de pressão durante as negociações. Donald Trump, apesar do progresso nas negociações, mencionou a possibilidade de uma "mudança de regime" no Irã, enquanto o líder supremo Ali Khamenei reafirmou a impossibilidade de tal ação. O fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota vital para o petróleo global, gerou preocupações sobre o impacto nos preços do petróleo bruto. Em 18 de fevereiro de 2026, em meio às negociações nucleares e às ameaças de ação militar por parte dos EUA, imagens de satélite revelaram que o Irã está ativamente fortificando e reparando locais militares e nucleares. Foi observada a construção de uma proteção de concreto sobre uma nova instalação militar sensível, que teria sido bombardeada por Israel em 2024. Além disso, o Irã enterrou entradas de túneis em uma instalação nuclear atacada pelos EUA em 2025, fortificou outras entradas de túneis e reparou bases de mísseis danificadas no conflito, demonstrando uma postura de preparação defensiva enquanto as discussões diplomáticas prosseguem. No mesmo dia, 18 de fevereiro de 2026, o Axios reportou que as negociações nucleares enfrentam dificuldades, apesar de um encontro de três horas em Genebra entre os conselheiros de Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, e o chanceler iraniano Abbas Araghchi. Embora ambos os lados tenham relatado progresso, autoridades americanas avaliam que as divergências permanecem significativas. O vice-presidente J. D. Vance afirmou que, apesar de algum avanço, o presidente Trump estabeleceu "linhas vermelhas" que os iranianos ainda não estão dispostos a aceitar, sugerindo que a diplomacia pode ter chegado ao seu "fim natural". As autoridades dos EUA indicaram que o Irã deve apresentar uma proposta detalhada em até duas semanas, prazo semelhante ao estabelecido pela Casa Branca antes de uma operação militar em junho do ano passado. Em 19 de fevereiro de 2026, Donald Trump estabeleceu um prazo de dez dias para que o Irã chegue a um "acordo significativo" nas negociações nucleares, alertando para "coisas ruins" caso o prazo não seja cumprido. Em 20 de fevereiro de 2026, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, anunciou que esperava ter uma contraproposta nuclear pronta nos próximos dias, após as discussões indiretas em Genebra com Steve Witkoff e Jared Kushner. Ele ressaltou que, embora tenham chegado a um entendimento sobre os principais "princípios orientadores", um acordo não é inente e a ação militar complicaria os esforços para um acordo. Trump reiterou que está considerando um ataque militar e que a decisão sobre o Irã será tomada nos próximos 10 dias, enquanto o planejamento militar dos EUA está avançado, incluindo opções de ataques a indivíduos e busca por mudança de regime. Ele também afirmou que sua ameaça de bombardeio impediu o Irã de enforcar 873 manifestantes. Trump deu a Teerã um prazo de 10 a 15 dias para chegar a um acordo nuclear, alertando para "coisas realmente ruins" caso contrário. Em 21 de fevereiro de 2026, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reafirmou que o país não se curvará às pressões das potências mundiais nas negociações nucleares com os Estados Unidos. Ele declarou que, apesar dos problemas criados, o Irã não cederá, mantendo sua postura de não abrir mão de suas capacidades de Defesa e de limitar as negociações ao programa nuclear, em troca do fim das sanções. As recentes rodadas de conversas em Omã e Genebra, embora tenham sido descritas pelos EUA como tendo "pequenos avanços", ainda não resultaram em um acordo significativo, com as divergências sobre o enriquecimento de urânio, mísseis balísticos e apoio a grupos armados no Oriente Médio permanecendo como pontos críticos. Em julho de 2026, o cenário diplomático deteriorou-se drasticamente após uma nova ofensiva militar dos EUA contra 140 alvos iranianos, em resposta a um ataque de Teerã a um navio comercial no Estreito de Ormuz. Em 8 de julho de 2026, o presidente Donald Trump decretou o fim do acordo de cessar-fogo com o Irã, o que acelerou a escalada das hostilidades e deslocou o foco estratégico do conflito para o Estreito de Ormuz. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que "a era dos acordos unilaterais acabou", enquanto o Irã manteve o fechamento do Estreito de Ormuz por tempo indeterminado e ampliou ataques contra países do Golfo que abrigam forças americanas, sinalizando o colapso dos esforços de mediação anteriores. Em 12 de julho de 2026, o governo de Omã, tradicional mediador regional, apresentou um protesto formal ao Irã, classificando ataques recentes como irresponsáveis e violações da soberania, o que marcou uma mudança de tom diplomático de Mascate em meio à escalada de tensões militares entre Irã e Estados Unidos. No mesmo dia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou para que ambos os países interrompessem os ataques e retomassem o diálogo, alertando que a continuidade do conflito compromete a estabilidade regional e o comércio global de petróleo.
Opinião Pública nos EUA
Uma pesquisa Reuters/Ipsos, concluída em 1º de março de 2026, revelou que a opinião pública norte-americana está dividida em relação às ações militares dos EUA contra o Irã. Apenas 27% dos entrevistados aprovaram os ataques que resultaram na morte do líder do Irã, enquanto 43% desaprovaram e 29% estavam indecisos. A pesquisa, que ouviu 1.282 adultos em todo o país, também indicou que 56% dos norte-americanos acreditam que o presidente Donald Trump está muito disposto a usar a força militar para promover os interesses dos EUA, uma percepção compartilhada por um em cada quatro republicanos. Cerca de nove em cada dez entrevistados tinham conhecimento dos ataques. Essa percepção é reforçada pelo histórico de Trump, que também ordenou ataques na Venezuela, Síria e Nigéria nos meses anteriores.
Segurança marítima e o Estreito de Ormuz
Em meio à escalada militar entre Washington e Teerã, a situação no Estreito de Ormuz deteriorou-se significativamente em 12 de julho de 2026, quatro dias após o presidente Donald Trump decretar o fim do acordo de cessar-fogo com o Irã. Após um ataque das forças iranianas a um porta-contêineres de bandeira cipriota, que sofreu danos na casa de máquinas por navegar em uma rota considerada “não autorizada” pela Guarda Revolucionária, o governo iraniano reiterou que a passagem permanecerá fechada por tempo indeterminado, exigindo que embarcações coordenem sua passagem com a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica. Em 13 de julho, Teerã reafirmou sua insistência de que detém o controle estratégico do estreito, enquanto o presidente Donald Trump refutou publicamente a alegação de que a hidrovia teria sido efetivamente fechada pelas forças iranianas. No mesmo dia, a agência estatal iraniana IRNA relatou que a ilha de Qeshm, ponto estratégico no estreito, foi alvo de um ataque com mísseis atribuído a um “inimigo”, sem registro de vítimas ou danos detalhados. A medida ocorre em um contexto de intensos bombardeios, com os Estados Unidos realizando, pelo terceiro fim de semana consecutivo, uma rodada de ataques contra cerca de 140 alvos militares iranianos, visando enfraquecer a capacidade de Teerã de atingir embarcações civis. Entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira, 13 de julho, as forças americanas e iranianas trocaram novos ataques, incluindo sistemas de mísseis, estruturas de defesa aérea e embarcações militares, em uma escalada que elevou as preocupações internacionais sobre a estabilidade regional e o risco de um conflito em larga escala. Em resposta, o Irã ampliou sua ofensiva regional, lançando mísseis e drones contra países do Golfo que sediam forças americanas, incluindo Bahrein, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos, Omã e Jordânia; em 13 de julho, Teerã confirmou ter atingido bases militares americanas especificamente na Jordânia, no Bahrein e no Kuwait. Detalhes da operação iraniana indicam que a base de Sheikh Isa, no Bahrein, foi atingida, enquanto na Jordânia, a base aérea Prince Hassan sofreu danos em depósitos de combustível e munição. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o Irã sofrerá as consequências de suas ações, enquanto o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou o fim da era de acordos unilaterais com Washington. Teerã afirmou que os novos ataques americanos “tornaram fúteis” todos os esforços diplomáticos dos últimos meses. A Casa Branca, por sua vez, busca um compromisso público do Irã para cessar ataques a embarcações na região. O Comando Central dos EUA (Centcom) contestou as declarações de Teerã, afirmando que o estreito permanece aberto à navegação internacional através da rota sul e que as forças americanas continuam posicionadas para garantir o tráfego legal. Segundo o Centcom, mais de 800 embarcações transitaram pela hidrovia nos últimos dois meses, embora o tráfego permaneça reduzido; dados de rastreamento indicaram que, no domingo, apenas seis navios realizaram a travessia, o menor movimento em cinco semanas. O Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC) mantém o nível de ameaça na região como “severo”, orientando comandantes a redobrarem a atenção contra minas. O Comando Naval das Forças Centrais dos EUA (Navcent) reitera que o estreito é uma via internacional, não sujeita a controle ou cobrança de taxas. O Irã, por sua vez, contesta a postura americana, alegando que um memorando de entendimento de junho atribuía ao país a gestão do tráfego, e acusa os EUA de desestabilizar a região e ignorar pactos prévios. Críticos da política externa da administração Trump argumentam que o acordo assinado anteriormente foi interpretado pelo Irã como uma concessão de controle sobre a hidrovia, o que, segundo especialistas, compromete a segurança do fluxo global de petróleo — por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito comercializados mundialmente — e a eficácia da estratégia americana na região. Em um movimento diplomático significativo, o governo de Omã apresentou um protesto formal ao Irã em 12 de julho de 2026, classificando os ataques recentes como atos irresponsáveis e violações da soberania nacional. A medida marcou uma mudança de tom para Mascate, tradicionalmente reconhecida como mediadora regional, ocorrendo apenas um dia após negociações sobre a segurança no estreito. Diante da deterioração da segurança, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou em 12 de julho pelo fim imediato dos ataques entre as partes, alertando que a continuidade do conflito compromete a estabilidade regional e o comércio global de petróleo, e reforçando que o diálogo é a única alternativa para evitar um agravamento da crise. Analistas observam que o Irã mantém uma estratégia de confronto direto no estreito como uma aposta de alto risco, calculando que o governo de Donald Trump demonstrará relutância em escalar para um conflito militar aberto. A recorrência dos ataques na região tem prejudicado os esforços diplomáticos em curso, levando aliados do Golfo a pressionar pela retomada das negociações para garantir a segurança marítima, embora fações linha-dura no Irã continuem a oferecer resistência às conversas técnicas. A escalada no estreito reflete diretamente na volatilidade dos mercados de energia, com investidores temendo que o conflito restrinja o fluxo de petróleo bruto. Em 13 de julho, a continuidade da escalada militar elevou as cotações do petróleo, com o Brent ultrapassando US$ 79 por barril e o WTI aproximando-se de US$ 75, refletindo a incerteza persistente sobre a navegabilidade da hidrovia e o impacto direto no fornecimento global de energia.
Impacto econômico e mercados financeiros
A escalada das tensões militares entre os Estados Unidos e o Irã, intensificada em julho de 2026, gerou reflexos imediatos nos mercados globais. Na manhã de 13 de julho de 2026, o petróleo Brent ultrapassou a marca de US$ 79 por barril, enquanto o WTI aproximou-se de US$ 75, impulsionados pela incerteza sobre a navegabilidade no Estreito de Ormuz e pelos ataques do Comando Central dos EUA (Centcom) contra infraestruturas iranianas, que ocorreram pelo terceiro fim de semana consecutivo. A instabilidade agravou-se com a confirmação de novas ofensivas americanas seguidas por retaliações iranianas, que em 13 de julho atingiram bases militares no Bahrein, Kuwait e Jordânia — incluindo danos a depósitos de combustível e munição na base aérea Prince Hassan. Simultaneamente, o dólar apresentou valorização frente às principais moedas globais, enquanto os futuros das bolsas de Nova York operaram com volatilidade. Embora Teerã insista que detém o controle estratégico do Estreito de Ormuz — rota que movimenta cerca de 20% do consumo mundial de combustíveis líquidos — e tenha declarado seu fechamento, o presidente Donald Trump refutou publicamente a alegação, enquanto autoridades dos Estados Unidos afirmam que o tráfego de navios na região permanece operante, apesar das ameaças e dos dados de rastreamento que indicam uma redução no fluxo marítimo. A divergência sobre o status operacional da via gera temores sobre atrasos nas entregas e interrupções na oferta global de energia. Em 13 de julho, Teerã declarou que a nova onda de ataques americanos tornou fúteis os esforços diplomáticos dos meses anteriores, enquanto observadores internacionais alertam para o risco de um conflito em larga escala devido à troca recíproca de ataques entre as forças de ambos os países.
O cenário geopolítico impõe desafios adicionais à política monetária norte-americana. A alta nos preços da energia reacendeu preocupações sobre a persistência inflacionária, levando o mercado a precificar um aperto monetário mais agressivo pelo Federal Reserve (Fed). Contratos de swap indicam expectativas de até 40 pontos-base de aumento nas taxas de juros até dezembro de 2026, superando as projeções de 15 pontos-base observadas no início de junho. A atenção dos investidores volta-se para os próximos dados de inflação e para a primeira aparição do presidente do Fed, Kevin Warsh, perante o Congresso, em um momento marcado também pela instabilidade política interna nos EUA após o falecimento do senador Lindsey Graham, aliado próximo do presidente Donald Trump.
Paralelamente, o mercado financeiro aguarda a temporada de resultados corporativos do segundo trimestre. Embora se espere um crescimento de 24% nos lucros das empresas do S&P 500, a valorização recente dos índices, que operam próximos a máximas históricas, deixa pouco espaço para desempenhos abaixo das expectativas. Instituições como Goldman Sachs e JPMorgan Chase & Co. estão entre os balanços decisivos previstos para a semana, em um contexto onde a inflação e os custos energéticos ameaçam as margens de lucro corporativo global.
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