Lula e Xi Jinping discutem aceleração de acordo comercial Mercosul-China
Em telefonema, os presidentes do Brasil e da China defenderam o avanço das negociações de livre comércio entre o Mercosul e Pequim.
Pontos principais
- Lula e Xi Jinping realizaram uma conversa telefônica para tratar de parcerias estratégicas.
- Os líderes concordaram em acelerar as negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a China.
- O diálogo ocorreu em um cenário de aumento de tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.
- A China manifestou apoio à soberania do Brasil e à rejeição de interferências externas.
- A cooperação bilateral será ampliada em áreas como inteligência artificial, minerais críticos, satélites e fertilizantes.
- Os presidentes discutiram a necessidade de reformas na governança global e criticaram a ineficiência do Conselho de Segurança da ONU.
- Foi reafirmado o compromisso com o 'Grupo de Amigos da Paz' para mediar o conflito na Ucrânia.
- Os mandatários avaliaram positivamente a futura isenção de vistos de curta duração entre os dois países.
- A movimentação diplomática busca diversificar parceiros comerciais e reduzir a dependência econômica dos EUA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder chinês Xi Jinping mantiveram uma conversa telefônica para discutir o aprofundamento da parceria estratégica entre Brasil e China. O ponto central do diálogo foi a aceleração das negociações para a formalização de um acordo comercial entre o Mercosul e a China, uma iniciativa que visa fortalecer os laços econômicos e integrar mercados de forma mais robusta entre as duas regiões. A discussão ocorre em um momento de tensões comerciais globais, marcadas pela imposição de novas tarifas pelo governo de Donald Trump, que afetaram exportações brasileiras e de outros parceiros internacionais. Diante desse cenário, o governo brasileiro busca diversificar suas parcerias comerciais para mitigar os impactos das políticas protecionistas americanas. Durante o telefonema, o presidente chinês reforçou o apoio à soberania brasileira e à autonomia nas decisões de política externa, posicionando-se contra o que Pequim classifica como interferências externas injustificadas. Além do aspecto comercial, os líderes abordaram a ampliação da cooperação em setores de alta tecnologia e infraestrutura, incluindo inteligência artificial, satélites, minerais críticos e fertilizantes. A pauta também incluiu temas de governança global, com ambos os presidentes criticando a ineficiência do Conselho de Segurança da ONU diante das crises atuais. Eles manifestaram preocupação com os impactos econômicos e humanitários dos conflitos no Oriente Médio e reiteraram o apoio ao 'Grupo de Amigos da Paz' como via diplomática para a resolução da guerra na Ucrânia. A conversa reforçou o papel de Brasil e China como atores influentes no Sul Global, comprometidos com o multilateralismo e a coordenação contínua em fóruns como os Brics. Como parte do estreitamento dos laços, os mandatários celebraram avanços em ações bilaterais, como a futura isenção de vistos de curta duração e a realização do Ano Cultural Brasil-China 2026, medidas que visam fomentar o turismo e o intercâmbio de negócios entre as nações.
Fontes primárias
Relato oficial de Lula sobre a conversa telefônica com Xi Jinping
Lula relata que manteve, na noite de domingo (26/7), conversa telefônica de mais de uma hora com Xi Jinping. Trataram da implementação de sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países e reiteraram o propósito de ampliar a cooperação em IA, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes. Lula destacou o compromisso do governo brasileiro com a diversificação de mercados e parceiros comerciais, e os dois coincidiram sobre a importância de acelerar as tratativas para um acordo MERCOSUL-China 'que contemple as necessárias flexibilidades'. Destacaram os bons resultados do comércio bilateral, o impacto positivo das jornadas culturais em curso nos dois países e o acordo de isenção de vistos de curta duração. Sobre a agenda internacional, lamentaram a proliferação de conflitos e seus efeitos sobre a segurança alimentar e energética; quanto ao Oriente Médio, criticaram as restrições à navegação em Ormuz e Bab el-Mandeb e expressaram preocupação com a situação humanitária em Gaza; sobre a Ucrânia, concordaram que o Grupo de Amigos da Paz pode ajudar a retomar as negociações. Criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU de responder a essas crises e reiteraram o compromisso conjunto com o multilateralismo, prometendo coordenação estreita na ONU, no BRICS e em outros fóruns.
President Xi Jinping Speaks with Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva on the Phone
Na leitura chinesa da ligação, Xi Jinping destaca o avanço na construção de uma 'comunidade de futuro compartilhado' China-Brasil e o alinhamento das estratégias de desenvolvimento dos dois países, chamando 2026 de ano significativo (105º aniversário do PCC, lançamento do 15º Plano Quinquenal chinês). Defende o aprofundamento da coordenação estratégica bilateral e multilateral com o Brasil, e afirma que ambos os países, como membros do Sul Global, devem 'ficar do lado certo da história', reformar a governança global e defender a justiça internacional. Reitera apoio da China à soberania e independência do Brasil e oposição à interferência externa no país. Do lado brasileiro, Xi registra que Lula destacou que o comércio bilateral atingiu recorde histórico, propôs ampliar a cooperação em IA, energia e minerais, celebrou o aumento do investimento chinês no Brasil, parabenizou a China por sediar a Conferência Mundial de Inteligência Artificial de 2026, e reafirmou compromisso com o BRICS, o multilateralismo e a resolução de conflitos pelo diálogo, em oposição à 'política de poder'.
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