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Lula e Xi Jinping discutem aceleração de acordo comercial Mercosul-China

Em telefonema, os presidentes do Brasil e da China defenderam o avanço das negociações de livre comércio entre o Mercosul e Pequim.

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Foto: G1 Mundo
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27/07 às 00:31 · atualizado 19/09 às 18:51

Pontos principais

  • Lula e Xi Jinping realizaram uma conversa telefônica para tratar de parcerias estratégicas.
  • Os líderes concordaram em acelerar as negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a China.
  • O diálogo ocorreu em um cenário de aumento de tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.
  • A China manifestou apoio à soberania do Brasil e à rejeição de interferências externas.
  • A cooperação bilateral será ampliada em áreas como inteligência artificial, minerais críticos, satélites e fertilizantes.
  • Os presidentes discutiram a necessidade de reformas na governança global e criticaram a ineficiência do Conselho de Segurança da ONU.
  • Foi reafirmado o compromisso com o 'Grupo de Amigos da Paz' para mediar o conflito na Ucrânia.
  • Os mandatários avaliaram positivamente a futura isenção de vistos de curta duração entre os dois países.
  • A movimentação diplomática busca diversificar parceiros comerciais e reduzir a dependência econômica dos EUA.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder chinês Xi Jinping mantiveram uma conversa telefônica para discutir o aprofundamento da parceria estratégica entre Brasil e China. O ponto central do diálogo foi a aceleração das negociações para a formalização de um acordo comercial entre o Mercosul e a China, uma iniciativa que visa fortalecer os laços econômicos e integrar mercados de forma mais robusta entre as duas regiões. A discussão ocorre em um momento de tensões comerciais globais, marcadas pela imposição de novas tarifas pelo governo de Donald Trump, que afetaram exportações brasileiras e de outros parceiros internacionais. Diante desse cenário, o governo brasileiro busca diversificar suas parcerias comerciais para mitigar os impactos das políticas protecionistas americanas. Durante o telefonema, o presidente chinês reforçou o apoio à soberania brasileira e à autonomia nas decisões de política externa, posicionando-se contra o que Pequim classifica como interferências externas injustificadas. Além do aspecto comercial, os líderes abordaram a ampliação da cooperação em setores de alta tecnologia e infraestrutura, incluindo inteligência artificial, satélites, minerais críticos e fertilizantes. A pauta também incluiu temas de governança global, com ambos os presidentes criticando a ineficiência do Conselho de Segurança da ONU diante das crises atuais. Eles manifestaram preocupação com os impactos econômicos e humanitários dos conflitos no Oriente Médio e reiteraram o apoio ao 'Grupo de Amigos da Paz' como via diplomática para a resolução da guerra na Ucrânia. A conversa reforçou o papel de Brasil e China como atores influentes no Sul Global, comprometidos com o multilateralismo e a coordenação contínua em fóruns como os Brics. Como parte do estreitamento dos laços, os mandatários celebraram avanços em ações bilaterais, como a futura isenção de vistos de curta duração e a realização do Ano Cultural Brasil-China 2026, medidas que visam fomentar o turismo e o intercâmbio de negócios entre as nações.

Fontes primárias

Luiz Inácio Lula da Silva (relato oficial via X — mesmo teor da nota do Itamaraty/Planalto, inacessível por bloqueio anti-bot)

Relato oficial de Lula sobre a conversa telefônica com Xi Jinping

Lula relata que manteve, na noite de domingo (26/7), conversa telefônica de mais de uma hora com Xi Jinping. Trataram da implementação de sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países e reiteraram o propósito de ampliar a cooperação em IA, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes. Lula destacou o compromisso do governo brasileiro com a diversificação de mercados e parceiros comerciais, e os dois coincidiram sobre a importância de acelerar as tratativas para um acordo MERCOSUL-China 'que contemple as necessárias flexibilidades'. Destacaram os bons resultados do comércio bilateral, o impacto positivo das jornadas culturais em curso nos dois países e o acordo de isenção de vistos de curta duração. Sobre a agenda internacional, lamentaram a proliferação de conflitos e seus efeitos sobre a segurança alimentar e energética; quanto ao Oriente Médio, criticaram as restrições à navegação em Ormuz e Bab el-Mandeb e expressaram preocupação com a situação humanitária em Gaza; sobre a Ucrânia, concordaram que o Grupo de Amigos da Paz pode ajudar a retomar as negociações. Criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU de responder a essas crises e reiteraram o compromisso conjunto com o multilateralismo, prometendo coordenação estreita na ONU, no BRICS e em outros fóruns.

Ministério das Relações Exteriores da China (via Embaixada chinesa no Sri Lanka, replicando nota do MRE)

President Xi Jinping Speaks with Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva on the Phone

Na leitura chinesa da ligação, Xi Jinping destaca o avanço na construção de uma 'comunidade de futuro compartilhado' China-Brasil e o alinhamento das estratégias de desenvolvimento dos dois países, chamando 2026 de ano significativo (105º aniversário do PCC, lançamento do 15º Plano Quinquenal chinês). Defende o aprofundamento da coordenação estratégica bilateral e multilateral com o Brasil, e afirma que ambos os países, como membros do Sul Global, devem 'ficar do lado certo da história', reformar a governança global e defender a justiça internacional. Reitera apoio da China à soberania e independência do Brasil e oposição à interferência externa no país. Do lado brasileiro, Xi registra que Lula destacou que o comércio bilateral atingiu recorde histórico, propôs ampliar a cooperação em IA, energia e minerais, celebrou o aumento do investimento chinês no Brasil, parabenizou a China por sediar a Conferência Mundial de Inteligência Artificial de 2026, e reafirmou compromisso com o BRICS, o multilateralismo e a resolução de conflitos pelo diálogo, em oposição à 'política de poder'.

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