O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou sua reunião com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva como "muito boa", prevendo futuras conversas sobre comércio e tarifas, apesar das diferenças em geopolítica.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, descrevendo-o como "muito dinâmico" após uma reunião que durou mais de três horas na Casa Branca. Trump classificou o encontro como "muito bom" e "muito bem-sucedido", indicando que novas conversas ocorrerão para aprofundar temas como comércio e tarifas, buscando normalizar as relações comerciais entre os dois países. A declaração de Trump foi feita após o encontro na quinta-feira (7) em sua rede social Truth Social. Representantes da alta cúpula do governo americano, incluindo o vice-presidente e secretários, também participaram do encontro. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, descreveu o clima da reunião como "muito positivo e amistoso". Vídeos do encontro entre os presidentes foram divulgados, mostrando a interação entre os líderes das duas nações em solo americano.
Durante a reunião, que contou com cinco representantes de cada país, foram abordados diversos tópicos, incluindo os ataques dos EUA ao PIX, cooperação no combate ao crime organizado, parcerias em minerais críticos e questões geopolíticas, a classificação de facções brasileiras como terroristas e temas internacionais como Venezuela e Irã. Lula também afirmou a Trump que os EUA pararam de investir no Brasil, permitindo que a China ocupasse esse espaço em licitações de infraestrutura, e destacou que os EUA foram o maior parceiro comercial do Brasil no século passado, mas que tanto os EUA quanto a Europa negligenciaram a América Latina. A extensão do diálogo levou ao cancelamento de uma declaração conjunta à imprensa, contrariando o plano inicial. A duração prolongada da reunião, que incluiu pouco mais de uma hora de conversa a portas fechadas, foi interpretada como um sinal positivo por ambas as equipes.
O presidente Lula divulgou fotos do encontro privado, que ocorreu a portas fechadas a seu pedido, devido a um desconforto em um encontro anterior na Malásia. Lula não falou com a imprensa após o encontro, mas deve participar de uma coletiva na Embaixada do Brasil em Washington. Em um momento mais descontraído, Lula revelou ter aconselhado Trump a sorrir, afirmando que "Trump rindo é melhor do que de cara feia", e que o presidente americano achou graça do conselho. Os líderes também conversaram sobre a próxima Copa do Mundo, com os EUA como uma das sedes, e Lula brincou sobre a possibilidade de anular vistos de jogadores brasileiros. O presidente brasileiro declarou ter saído "satisfeito da reunião" e que não há assuntos proibidos, exceto a soberania e democracia brasileiras.
A imprensa internacional, incluindo veículos como The New York Times, BBC, Reuters, NBC News e Al Jazeera, repercutiu o encontro, destacando a ausência de uma coletiva de imprensa conjunta e as expectativas em torno da normalização das relações bilaterais. A Al Jazeera classificou Lula e Trump como "duas das figuras populistas mais proeminentes do mundo". O governo brasileiro publicou sobre o encontro nas redes sociais, enfatizando o "Diálogo e respeito" e a parceria histórica entre Brasil e EUA. Este encontro segue outros dois marcantes entre os líderes desde o retorno de Trump à Casa Branca, incluindo um na Assembleia Geral da ONU em setembro de 2025 e uma reunião de 45 minutos na Malásia para discutir tarifas sobre produtos brasileiros e sanções a autoridades brasileiras. As relações comerciais entre os dois países enfrentam tensões desde 2025 devido às políticas tarifárias protecionistas de Trump, incluindo tarifas sobre aço e alumínio. Houve também críticas dos EUA à Suprema Corte do Brasil relacionadas a decisões sobre o processo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A reunião é vista como um passo para normalizar as relações comerciais e Lula busca reforçar sua imagem internacional e um compromisso de não interferência nas eleições brasileiras. Trump indicou em redes sociais que comércio e tarifas foram temas da pauta, o que era esperado pela composição das delegações, que incluía cinco ministros e o diretor-geral da Polícia Federal na comitiva brasileira.
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