Visão geral
Xi Jinping é um político chinês que ocupa os cargos de secretário-geral do Partido Comunista da China (PCCh) desde 2012, presidente da Comissão Militar Central desde 2012 e presidente da República Popular da China desde 2013. Ele é o líder político mais proeminente da China desde 2012 e consolidou um poder centralizado sem precedentes nas últimas décadas.
Quem é Xi Jinping
Xi Jinping (chinês: 习近平; pinyin: Xí Jìnpíng) nasceu em Pequim, em 15 de junho de 1953, tendo 73 anos em 2026. É filho de Xi Zhongxun, um dos fundadores do Partido Comunista Chinês. Formou-se em Engenharia Química pela Universidade Tsinghua em 1979 e obteve posteriormente um doutorado em Direito (Marxismo) pela mesma instituição. Sua trajetória política inclui cargos em províncias como Fujian, Zhejiang e Xangai antes de ascender ao nível nacional.
Ascensão e Tempo no Poder
Xi Jinping assumiu como secretário-geral do PCCh e presidente da Comissão Militar Central em 2012, e como presidente da China em março de 2013. Em 2018, o Congresso Nacional do Povo removeu os limites de dois mandatos para o cargo de presidente, permitindo sua permanência no poder. Foi reeleito para um terceiro mandato como secretário-geral em outubro de 2022 e reconduzido como presidente em março de 2023.
Relações Internacionais e Diplomacia
Xi Jinping mantém relações estreitas com Vladimir Putin, com dezenas de encontros bilaterais ao longo dos anos. Com Donald Trump, houve reuniões em 2025, incluindo uma em Seul, focadas em questões comerciais e geopolíticas. No que tange ao Brasil, Xi realizou visitas de Estado e encontros com Luiz Inácio Lula da Silva, além de interações durante o governo de Jair Bolsonaro, priorizando parcerias econômicas e comerciais. O encontro de 30 de outubro de 2025, em Busan, na Coreia do Sul, abriu um novo ciclo de contatos diretos entre os dois: em 13 de maio de 2026, Xi recebeu Trump em Pequim para uma visita de Estado de três dias, encerrada em 15 de maio, que produziu o compromisso de uma "relação estratégica construtiva e estável", a compra de 200 aeronaves da Boeing pela China e a autorização, pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, para que dez empresas chinesas adquirissem chips H200 da Nvidia. Foi nessa ocasião que Trump convidou Xi e Peng Liyuan para a Casa Branca.
Cúpula do Brics de 2026 e a viagem à Índia
Xi Jinping participou presencialmente da 18ª Cúpula do Brics, realizada em Nova Déli, na Índia, nos dias 12 e 13 de setembro de 2026, no centro de convenções Bharat Mandapam. Foi sua primeira viagem ao país em sete anos. Em 12 de setembro, reuniu-se bilateralmente com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, quando os dois manifestaram compromisso com uma solução "justa, razoável e mutuamente aceitável" para a disputa de fronteira entre os dois países e trataram de laços culturais, comerciais e de transporte.
No discurso da primeira sessão da cúpula, em 12 de setembro, Xi marcou os 20 anos da cooperação do Brics e criticou as barreiras ocidentais ao avanço tecnológico chinês, afirmando que "o desacoplamento e o corte de cadeias de suprimento não conterão nosso processo de desenvolvimento, e defender 'pátio pequeno, cercas altas' apenas encerra o próprio país e divide o mundo". Também propôs uma iniciativa do bloco para a nova industrialização apoiada em inteligência artificial.
Xi faltou ao jantar de gala dos líderes, na noite de 12 de setembro — ausência que o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed Al Nahyan, também registrou. As autoridades chinesas não deram explicação oficial para a falta. Em 18 de setembro, o Wall Street Journal noticiou que a ausência reacendeu especulações sobre a saúde do líder, de 73 anos, às vésperas da visita aos Estados Unidos, e registrou que não há evidências que sustentem os rumores que circulam na internet. No dia 13 de setembro, Xi voltou a ser fotografado acompanhando os trabalhos da cúpula.
Visita de Estado aos Estados Unidos em setembro de 2026
Xi Jinping e Peng Liyuan foram convidados por Donald Trump e Melania Trump para uma visita de Estado a Washington a partir de 24 de setembro de 2026, data anunciada publicamente por Trump em 23 de julho de 2026. É o primeiro retorno de Xi à Casa Branca em onze anos — a visita anterior ocorreu em 2015. Em 22 de setembro de 2026, o Wall Street Journal noticiou, com base em pessoas a par do assunto, que Xi provavelmente não levaria uma delegação de executivos chineses a Washington, o que reduziu a expectativa de grandes acordos comerciais. Segundo o South China Morning Post, em 23 de setembro, a participação dos empresários travou em divergências entre os dois governos sobre anúncios de investimento e sobre o funcionamento do Conselho de Investimentos bilateral, em especial quanto a possíveis investimentos chineses nos Estados Unidos; o fórum de investimentos havia sido um dos resultados da cúpula de maio em Pequim.
Em 21 de setembro de 2026, o Ministério das Relações Exteriores da China confirmou oficialmente a viagem: pelo anúncio do porta-voz Guo Jiakun, "a convite do presidente dos Estados Unidos da América, Donald J. Trump, o presidente Xi Jinping fará uma visita de Estado aos Estados Unidos de 23 a 25 de setembro", com "uma troca aprofundada de pontos de vista com Trump sobre as principais questões relativas às relações bilaterais e à paz e ao desenvolvimento mundiais". É o segundo encontro presencial entre os dois em 2026, depois da visita de Trump a Pequim em maio.
A programação divulgada pela Casa Branca detalha três dias. Em 23 de setembro, Trump recebe Xi pessoalmente na Base Conjunta Andrews, na chegada da delegação — gesto incomum, já que o presidente americano costuma esperar os chefes de Estado na Casa Branca. Em 24 de setembro ocorre a cerimônia oficial de chegada, com 479 militares de todos os ramos das Forças Armadas dos Estados Unidos, demonstrações militares, uma saudação presidencial e um sobrevoo com um bombardeiro B-2 Spirit e quatro caças F-22 Raptor; no mesmo dia, Melania Trump e Peng Liyuan visitam o Museu Nacional de Arte Asiática, do Instituto Smithsonian, e à noite é servido o jantar de Estado na Sala Leste. Em 25 de setembro, os dois casais tomam chá na Sala Vermelha e seguem para o Arquivo Nacional, em Washington, onde veem documentos da história da relação entre os dois países e se despedem. Autoridades americanas indicaram como temas da negociação a inteligência artificial, a trégua comercial então prevista para expirar em 10 de novembro, as terras raras, o fentanil e a situação de estrangeiros detidos na China.
O jantar de Estado comporta cerca de 125 convidados, número que Trump descreveu como "um ingresso muito difícil". Um funcionário do governo americano, em relato à AFP sob condição de anonimato, apontou entre os convidados executivos do setor de tecnologia: Jensen Huang, da Nvidia; Sam Altman, da OpenAI; Jeff Bezos; Elon Musk; Tim Cook, da Apple; e Sundar Pichai, do Google. Em 21 de setembro, a Politico noticiou que o presidente da OpenAI, Greg Brockman, também estaria entre os convidados; ele e a mulher, Anna Brockman, doaram US$ 25 milhões em 2025 ao MAGA Inc., superPAC de apoio a Trump. A lista divulgada inclui ainda Michael Dell, da Dell Technologies, e Jane Fraser, do Citigroup.
Em 20 de setembro de 2026, os dois governos realizaram em Nova York uma rodada preparatória de oito horas, na sede mundial do JPMorgan Chase. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e o representante de Comércio, Jamieson Greer, negociaram com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng. Bessent afirmou que os Estados Unidos propuseram um "mecanismo de notificação" para incidentes de inteligência artificial que possam afetar a segurança nacional, argumentando que "passar da opacidade para uma maior transparência entre a primeira e a segunda maiores potências de IA do mundo é muito importante". As delegações acertaram criar um mecanismo de diálogo sobre inteligência artificial e um Conselho de Comércio (Board of Trade) bilateral — iniciativas que, nas palavras de Greer, converteram "ideias anteriores" em projetos concretos. Bessent classificou a rodada como "um engajamento muito bem-sucedido com os chineses sobre comércio e IA" e, em publicação na rede social X no mesmo dia, descreveu as conversas como base para a cúpula de Washington. Segundo o Ministério do Comércio da China, a delegação chefiada por He Lifeng permaneceu nos Estados Unidos até 23 de setembro. O South China Morning Post noticiou, em 21 de setembro, que os dois países discutiam também anúncios para reforçar os laços entre as respectivas Forças Armadas.
Dois movimentos de Washington enquadraram a véspera do encontro. Em 18 de setembro de 2026, Trump sancionou a Lindsey O. Graham Sanctioning Russia and Iran Act of 2026, aprovada pela Câmara dos Representantes em 16 de setembro, que autoriza tarifas de até 100% sobre os cinco maiores compradores de petróleo e gás natural russos — grupo que inclui China e Índia — além de sancionar dirigentes, bancos e instituições financeiras da Rússia e ampliar restrições ao Irã. Paralelamente, o governo americano avalia adiar o anúncio de novas vendas de armas a Taiwan para depois da cúpula da Apec, prevista para novembro de 2026 em Shenzhen, com a possibilidade de estender o adiamento até o fim do ano, quando ocorre a cúpula do G20 na Flórida, em dezembro.
Xi desembarcou na Base Conjunta Andrews, em Maryland, na noite de 23 de setembro de 2026, pouco depois das 18h (horário de Washington), acompanhado de Peng Liyuan, e foi recebido na pista por Donald Trump e Melania Trump. Segundo o C-SPAN, citado pelo g1, foi a primeira vez em onze anos que um presidente americano recebeu um líder estrangeiro em Andrews; o caso anterior foi o do papa Francisco, recebido por Barack Obama em 2015. A cerimônia teve banda militar e salvas de canhão, e um bombardeiro B-1 sobrevoou a base durante a execução do hino americano.
Na mesma noite, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou à Fox News que os dois países concordaram em prorrogar por dois meses a trégua comercial acertada por Trump e Xi em Busan, na Coreia do Sul, em outubro de 2025: o prazo, que venceria em 10 de novembro, passou para 10 de janeiro de 2027. O anúncio veio horas depois da segunda reunião de Bessent com He Lifeng em quatro dias, de cerca de 90 minutos, na sede do Banco Mundial. Bessent disse que a extensão dá "mais tempo para ver o que podemos fazer na área econômica", que Pequim cumpre a compra de 25 milhões de toneladas de soja mas está abaixo da meta de US$ 17 bilhões em outros produtos agrícolas, e que a cúpula poderia trazer anúncios sobre a eliminação de tarifas sobre US$ 30 bilhões em produtos não essenciais. Ele descreveu o encontro de Washington como o segundo de até quatro entre os dois líderes em 2026, com reuniões previstas também em Shenzhen e Miami.
Em 24 de setembro, horas antes das reuniões bilaterais, o porta-voz Jiang Bin, em entrevista coletiva regular em Pequim, pediu que os Estados Unidos tratem a questão de Taiwan "com extrema cautela" e a classificou como "a mais importante nas relações entre China e EUA". Segundo fontes ouvidas pela Reuters, Xi pretende pressionar Trump a suspender as vendas de armas à ilha. O governo Trump aprovou em dezembro de 2025 um pacote de US$ 11 bilhões para Taiwan, o maior já feito, e um segundo, de cerca de US$ 14 bilhões, está parado há meses; depois do encontro com Xi em Pequim, em maio, Trump disse que mantinha esse pacote em suspenso e o chamou de "moeda de negociação muito boa". O gabinete taiwanês, pela porta-voz Michelle Lee, afirmou manter "contato próximo" com Washington.
Em 24 de setembro, no discurso da cerimônia de chegada à Casa Branca, Xi anunciou que dois pandas-gigantes, o macho Ping Ping e a fêmea Fu Shuang, chegariam "em poucos dias" ao Zoológico de Atlanta: "O panda-gigante tem sido um enviado da amizade entre chineses e americanos". O envio havia sido anunciado em abril, dentro de um acordo de conservação com a Associação Chinesa para a Conservação da Vida Selvagem, e ocorre dois anos depois de o mesmo zoológico devolver quatro pandas à China, em 2024. Nas reuniões bilaterais do dia, segundo a agência estatal Xinhua, Xi disse a Trump "esperar que o lado americano mantenha a posição correta de se opor à 'independência de Taiwan' e trate a questão de Taiwan com prudência"; Trump não respondeu publicamente a essas declarações. Xi também afirmou que a inteligência artificial deve estar "sempre sob controle humano".
No jantar de Estado da noite de 24 de setembro, Trump disse que a relação entre os dois países "nunca esteve melhor" e presenteou Xi com uma escultura de águia-careca; antes, mostrou ao visitante as obras do novo salão de festas da Casa Branca. Xi afirmou que os dois lados chegaram a entendimentos comuns "em diferentes tópicos", sem detalhá-los, e lembrou a diplomacia do pingue-pongue do início dos anos 1970. Xi não discursou na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e foi representado pelo vice-presidente Han Zheng, que ocupou a tribuna em 26 de setembro. No mesmo dia, o governo de Taiwan acusou Xi de "distorcer os fatos" e afirmou que "a China é a verdadeira responsável por perturbar a paz e a estabilidade regionais". Segundo a BBC, Pequim esperava uma trégua comercial de pelo menos um ano e obteve apenas a prorrogação até janeiro, o que empurra para novas rodadas as disputas sobre tarifas, terras raras e acesso a chips americanos.
Na cerimônia de boas-vindas de 24 de setembro, Trump lembrou que a busca de interesses comuns "até nos tornou aliados na Segunda Guerra Mundial" e elogiou os pilotos voluntários americanos dos Tigres Voadores, que combateram o Japão na China a partir de 1941. Xi disse que soldados dos dois países "lutaram lado a lado contra a agressão fascista" e, no brinde do jantar de Estado, citou o Japão nominalmente: "Durante a Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa, soldados e civis chineses resgataram centenas de pilotos americanos ao custo de centenas de milhares de vidas chinesas. Uma amizade forjada em sangue e fogo". No mesmo brinde, Xi desejou um feliz Festival do Meio do Outono, celebrado na China em 25 de setembro; segundo o South China Morning Post, ele é o primeiro líder chinês a fazer duas visitas de Estado aos Estados Unidos, e a anterior, em 2015, também coincidiu com o festival. As referências à aliança da guerra repercutiram em Tóquio: em 25 de setembro, Sanae Takaichi disse que Japão e Estados Unidos são "aliados unidos por laços muito fortes", recusou-se a comentar a cúpula, e a imprensa japonesa noticiou que ela buscava um telefonema com Trump.
Em 25 de setembro, os dois casais presidenciais tomaram chá na Casa Branca, onde Trump disse que os dois países fizeram "grandes avanços, muito positivos para ambos", e seguiram para o Arquivo Nacional. Xi deixou Washington no mesmo dia, depois de cerca de 43 horas nos Estados Unidos. Ele afirmou que a viagem acrescentou "nova substância" à cúpula de Pequim, em maio, e que os dois lados concordaram com uma "estabilidade estratégica com base em respeito, equidade e reciprocidade"; os dois líderes confirmaram novos encontros na cúpula da Apec em Shenzhen, em novembro, e no G20 no resort Doral, em Miami, em dezembro de 2026. Também em 25 de setembro, o embaixador americano em Pequim, David Perdue, disse à CNBC que Trump reafirmou a Xi que qualquer ajuda chinesa ao Irã na guerra, "seja inteligência, peças ou equipamento militar", era "totalmente inaceitável", e afirmou à Fox News que Pequim garantiu não estar ajudando Teerã; segundo a mídia estatal chinesa, Xi pediu a Trump que reduzisse a escalada com o Irã retomando o memorando de entendimento de junho e buscando um acordo nuclear. Nos Estados Unidos, o senador republicano Thom Tillis chamou a recepção a Xi, em entrevista à CBS News, de "momento WTF".
O informe da Casa Branca sobre a visita, divulgado em 25 de setembro, registrou a criação do Diálogo EUA-China sobre Superinteligência (US-China Super Intelligence Dialogue), canal bilateral de comunicação para incidentes com a tecnologia, cuja próxima reunião deve ocorrer até novembro; os dois líderes acordaram usar o termo "superinteligência" em vez de "inteligência artificial", como Trump defendera dias antes na Assembleia Geral da ONU, e a mídia estatal chinesa confirmou o canal em 26 de setembro. O documento lista ainda o compromisso chinês de importar ao menos 10 milhões de toneladas de carvão americano em 2027 e em 2028, tratamento tarifário mais favorável para US$ 30 bilhões em produtos "não sensíveis" em cada direção, a continuidade das conversas sobre as exportações chinesas de terras raras e minerais críticos, o entendimento de que o Irã nunca poderá ter arma nuclear e de que nenhum país pode cobrar pedágio em vias marítimas internacionais, e a defesa americana de negociações trilaterais de controle de armas entre Estados Unidos, Rússia e China. O texto não menciona Taiwan nem o Mar do Sul da China.
Em 26 de setembro, a China apresentou sua versão dos resultados. O Ministério das Relações Exteriores descreveu um consenso de oito pontos, com o acordo tarifário de US$ 30 bilhões, o diálogo sobre inteligência artificial (com próxima rodada em novembro), a criação do Conselho de Comércio, a continuidade dos entendimentos fechados em Kuala Lumpur e o compromisso de que as Forças Armadas dos dois países "continuem a cooperar na busca dos restos mortais de militares americanos desaparecidos na China" desde a Segunda Guerra Mundial, esforço de décadas retomado no embalo das referências dos dois líderes à aliança da guerra; o chanceler Wang Yi afirmou em comunicado que a "visita histórica" abriu "um novo capítulo nas relações China-EUA". Pelo informe americano, a China poderá dar tratamento tarifário mais favorável a produtos agrícolas, pescados, madeira, cosméticos e dispositivos médicos dos Estados Unidos, e os Estados Unidos, a eletrodomésticos, brinquedos, artigos de decoração natalina e cadeirinhas infantis para carro chineses; os dois lados criaram ainda um grupo de trabalho sobre barreiras ao comércio agrícola. As duas versões divergem: segundo a Politico, a chinesa não menciona a compra de carvão, as terras raras nem o Conselho de Investimentos, e a do Ministério do Comércio chinês registra que as Forças Armadas dos dois países vão firmar "o mais rápido possível" um memorando de entendimento para reforçar a "comunicação e prevenção de crises", voltado a encontros perigosos no Indo-Pacífico, compromisso que o informe da Casa Branca não cita. No mesmo dia, a caminho de Knoxville, Trump disse a jornalistas que falou pouco de Taiwan com Xi ("No momento, está tudo bem"; "ele entende muito bem o que eu penso") e que não quer integrar os esforços de IA com a China: "Prefiro não integrar, porque estamos liderando por muito". Ainda em 26 de setembro, Han Zheng discursou na Assembleia Geral da ONU sem citar os Estados Unidos, mas defendeu que se respeite "a soberania e a segurança dos países do Oriente Médio, inclusive do Golfo", pediu que "o país em questão" suspenda o bloqueio e as sanções contra Cuba e afirmou que "o protecionismo não produz vencedores"; o discurso não mencionou Taiwan.
Em 27 de setembro de 2026, em entrevista a Shannon Bream no programa "Fox News Sunday", o embaixador americano em Pequim, David Perdue, disse que Trump tratou as vendas de armas a Taiwan como apenas mais uma das vendas que Washington faz pelo mundo e que "chegou até a perguntar ao presidente Xi, em certo momento, se ele gostaria de comprar algumas"; Perdue não disse quando a pergunta foi feita nem como Xi respondeu. Questionado sobre as críticas de parlamentares republicanos e democratas ao atraso do pacote de cerca de US$ 14 bilhões para Taiwan, o embaixador negou que Washington esteja segurando armas para agradar a Xi, afirmou que Trump "defende Taiwan com tanta firmeza quanto qualquer pessoa" e que os dois líderes continuam conversando sobre futuras vendas à ilha. Um funcionário do Departamento de Estado, falando ao South China Morning Post em 28 de setembro, afirmou que "a lei americana proíbe a venda de armas à China e não há oferta nem plano de vender armas à China". Em 28 de setembro, questionado por jornalistas no Salão Oval, Trump negou a versão do próprio embaixador: "Nunca ouvi falar disso". E acrescentou: "Eles provavelmente gostariam de comprar porque fazemos equipamentos melhores do que eles, então talvez seja uma boa ideia. Mas não discutimos isso".
Também em 28 de setembro, os dois governos publicaram as listas do acordo tarifário fechado na visita, chamado de marco "30 por 30": cada país reduz tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em importações do outro, US$ 60 bilhões no total, valor calculado sobre o comércio de 2024 e equivalente a uma fração dos US$ 415 bilhões em bens trocados pelos dois países em 2025. A lista chinesa tem 1.619 itens, entre eles milho, trigo, sorgo, carnes bovina, suína e de frango, pescados, laticínios, óleo e farelo de soja, carvão, madeira e equipamentos médicos; a americana abrange 77 categorias, como brinquedos, eletrodomésticos, fogos de artifício e artigos esportivos. A soja em grão ficou de fora e continua sujeita à sobretaxa retaliatória chinesa de 10%, além da alíquota de nação mais favorecida de 3%. Segundo o Ministério do Comércio da China, cerca de 90% dos produtos passarão a receber tratamento de nação mais favorecida, e os cortes entram em vigor depois que os dois países concluírem os trâmites exigidos por suas legislações. O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, disse que o acordo busca melhorar o acesso de 30% das exportações americanas à China. A execução fica com o Conselho de Comércio EUA-China, chefiado por Scott Bessent, Jamieson Greer e He Lifeng, que terá um Grupo de Trabalho de Agricultura com primeira reunião prevista até o fim de 2026.
Em 29 de setembro de 2026, no lançamento do portal de serviços públicos America.gov, em Washington, Trump descartou qualquer "joint venture" com a China em inteligência artificial e disse não querer trabalhar com Xi na definição de regras para a tecnologia, porque a cooperação entregaria "muitos segredos" americanos: "Estamos à frente da China e de todos os outros agora, e quero continuar assim". Ele afirmou que tratou de IA com Xi durante a visita e que "o presidente Xi sabe que estamos liderando por muito". No mesmo dia, Trump assinou uma ordem executiva que manda os órgãos do Executivo americano usar "superinteligência" no lugar de "inteligência artificial" e repetiu que Xi "adora" o termo, embora Pequim continue a usar "IA"; depois de um almoço com executivos do setor na Casa Branca, anunciou o Acordo da Casa Branca sobre Superinteligência, compromisso voluntário de autorregulação assinado por Google, Nvidia, Anthropic, OpenAI, Meta e SpaceXAI. A próxima rodada do diálogo bilateral sobre IA criado na visita está marcada para novembro, em Shenzhen.
Também em 29 de setembro, em painel do Asia Society Policy Institute sobre os resultados da cúpula, a vice-presidente do instituto e ex-representante comercial adjunta interina dos Estados Unidos Wendy Cutler classificou a trégua como "muito frágil" e os resultados econômicos como "bem modestos"; para ela, a prorrogação curta dá a Washington poder de pressão para que a China cumpra as compras agrícolas e retome o envio pleno de minerais críticos e ímãs. No mesmo painel, o presidente da Asia Society, Kevin Rudd, disse que Pequim quer "o mínimo de surpresas" vindas dos Estados Unidos até o fim de 2027, com o 21º Congresso do partido se aproximando. Mike Kuiken, vice-presidente da Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China, órgão que assessora o Congresso americano, disse ao South China Morning Post que a cúpula tratou de "manter o status quo" e que não vê "muito alinhamento entre os dois lados"; o republicano John Moolenaar, presidente do Comitê Especial da Câmara sobre a China, avaliou que Xi deixou Washington sem obter grandes concessões. Com os encontros previstos em Shenzhen e Miami, os dois presidentes somarão quatro reuniões presenciais em um único ano, algo sem precedente.
Em 6 de outubro de 2026, o South China Morning Post noticiou, com base em fontes que pediram anonimato, que Pequim queria um programa mais ambicioso para a primeira visita de Estado de Xi aos Estados Unidos em mais de uma década. Os chineses propuseram um diálogo de Xi com empresários americanos ou uma palestra a estudantes de uma grande universidade em Washington ou Nova York, nos moldes da visita de 2015, quando ele passou pela sede da Microsoft, pela fábrica da Boeing em Everett e por uma escola de Tacoma; a Casa Branca recusou, alegando que a visita deveria ser recíproca e espelhar a de Trump a Pequim em maio, e, segundo as fontes, também por receio de dar a Xi uma plataforma para suas ideias. Uma conversa sobre inteligência artificial entre executivos de tecnologia dos dois países foi descartada pelos americanos por razões de segurança nacional. Às vésperas da viagem, com a pauta reduzida quase só ao comércio, Pequim apresentou uma lista com mais de uma dúzia de temas diplomáticos e de segurança para Xi levantar com Trump; a Casa Branca respondeu que Trump trataria apenas do Irã e da preparação das cúpulas da Apec e do G20.
Em 30 de setembro de 2026, Trump disse a jornalistas na Casa Branca que tratou com Xi, durante a visita, da libertação de presos políticos na China: "Conversamos, e acho que tivemos discussões muito, muito importantes. Espero que frutíferas". Ele não citou casos específicos; famílias de presos haviam intensificado a pressão sobre o governo americano antes da chegada de Xi. No mesmo dia, na recepção do Dia Nacional na embaixada chinesa em Washington, o embaixador Xie Feng chamou a relação pessoal e o "respeito mútuo" entre Xi e Trump de "o ativo estratégico mais valioso" das relações bilaterais e afirmou que "a diplomacia entre chefes de Estado ancora a relação".
Articulação diplomática às vésperas da cúpula
Em 21 de setembro de 2026, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, e com o da Coreia do Sul, Cho Hyun, para lançar consultas trilaterais de segurança econômica. Os três governos se comprometeram a se opor à "coerção econômica" e a políticas não-mercado que geram excesso de capacidade industrial e distorções de mercado, a reforçar o sistema trilateral de alerta precoce para cadeias de suprimento e a agir contra restrições arbitrárias de exportação. O comunicado reiterou o apoio dos três países à estabilidade no Estreito de Taiwan.
Em 22 de setembro, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, telefonou ao ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, para pedir que Berlim ajude a evitar sanções comerciais da União Europeia contra a China. Wang afirmou que "China e União Europeia são parceiros estratégicos abrangentes, e não deve haver guerra comercial entre eles", e pediu à Alemanha uma abordagem "racional e pragmática" em defesa do livre-comércio. Os líderes europeus devem se reunir em meados de outubro de 2026 para avaliar o desequilíbrio comercial com a China e examinar novos instrumentos contra práticas que Bruxelas considera desleais.
Também em 22 de setembro, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, reuniu-se com Trump em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU. Tóquio busca resguardar seus interesses diante da possibilidade de entendimentos entre Washington e Pequim fechados sem consulta ao Japão.
Em 22 de setembro, o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, em seu primeiro encontro presencial com Trump, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York, pediu que o presidente americano levasse a Xi o caso de Jimmy Lai, ex-empresário de mídia de Hong Kong e cidadão britânico condenado neste ano a 20 anos de prisão por sedição. Segundo relato de pessoas a par da conversa, Trump concordou que Lai deveria ser libertado, e a delegação britânica sugeriu que ele poderia viver no Reino Unido. Trump já havia tratado do caso com Xi em Pequim, em maio, e depois declarou que a soltura era "uma questão difícil" para o líder chinês; o antecessor de Burnham, Keir Starmer, também pediu a libertação de Lai a Xi em visita a Pequim em janeiro de 2026.
Em Taiwan, pesquisa anual do jornal United Daily News divulgada em 21 de setembro apontou que 47% dos entrevistados não confiam na continuidade dos compromissos de defesa e das vendas de armas dos Estados Unidos, contra 44% que confiam e 9% sem opinião. O levantamento acompanha a percepção pública sobre o tema desde 2010. Na mesma semana, o New York Times noticiou que integrantes do governo Trump orientaram autoridades taiwanesas a reduzir suas visitas a centros de pesquisa em Washington; o Kuomintang, principal partido de oposição em Taiwan, tratou o episódio como sinal de que os laços com os Estados Unidos não são tão sólidos quanto afirma o governo do Partido Democrático Progressista.
Quinta sessão plenária do 20º Comitê Central
Em 21 de setembro de 2026, o Politburo do Partido Comunista da China, reunido sob a presidência de Xi Jinping, fixou a quinta sessão plenária do 20º Comitê Central para os dias 26 a 29 de outubro de 2026. A data foi divulgada pela agência estatal Xinhua. O Politburo antecipou sua reunião em cerca de uma semana em relação ao calendário habitual, dois dias antes da partida de Xi para a visita de Estado aos Estados Unidos.
Diretriz de segurança antes do 21º Congresso do Partido
Em 28 de setembro de 2026, a agência estatal Xinhua publicou uma instrução escrita de Xi Jinping ao aparato de segurança e ao sistema jurídico da China, lida em reunião de alto nível em Pequim, primeira grande diretriz doméstica do líder desde a visita a Washington. Xi determinou que esses órgãos "previnam e desarmem riscos de vários tipos", atacando sintomas e causas, e levem a Iniciativa China Pacífica, lançada em 2013, "a um nível mais alto"; pediu ainda reforço da governança de base, do Estado de direito e do uso de tecnologia na manutenção da ordem social, e afirmou que o país se tornou "um dos mais seguros do mundo" desde que ele assumiu o partido, em 2012. A diretriz vem um ano antes do 21º Congresso do Partido Comunista, que deve anunciar uma nova composição da cúpula. O chefe da Comissão Central de Assuntos Políticos e Jurídicos e membro do Politburo, Chen Wenqing, ordenou aos subordinados que a implementem "de forma inabalável", e o ministro da Segurança Pública, Wang Xiaohong, comprometeu-se a alinhar o trabalho do ministério às novas metas. Participaram da reunião o presidente da Suprema Corte Popular, Zhang Jun, e o procurador-geral, Ying Yong.
Discurso do 77º aniversário da República Popular
Em 30 de setembro de 2026, véspera do Dia Nacional, Xi Jinping discursou na recepção oficial pelo 77º aniversário da fundação da República Popular da China, no Grande Salão do Povo, em Pequim, seu primeiro pronunciamento à nação depois da visita de Estado aos Estados Unidos. Segundo o texto divulgado pela Xinhua, ele afirmou que a economia chinesa "seguiu em frente sob pressão" e mostrou "forte resiliência e vitalidade" em 2026, ano em que o país passou a executar o 15º Plano Quinquenal (2026-2030), e pediu esforços para cumprir as metas e tarefas do ano e garantir "um bom começo" para o plano. Diante de "situações internacionais e domésticas complexas", defendeu manter o princípio de "buscar o progresso garantindo a estabilidade" e acelerar a construção de um "novo padrão de desenvolvimento". Sobre Taiwan, dias depois de pedir a Trump que Washington se opusesse à independência da ilha, Xi disse que é preciso "combater resolutamente as forças separatistas da 'independência de Taiwan', opor-nos à interferência de forças externas" e "avançar na grande causa da reunificação nacional". O discurso precedeu em quatro semanas a quinta sessão plenária do Comitê Central, marcada para 26 a 29 de outubro.
Planos para governar Taiwan após a "reunificação"
Em 2019, Xi Jinping tornou-se o primeiro líder chinês a pedir publicamente a elaboração de propostas detalhadas sobre como Taiwan seria governada depois da "reunificação", com base na fórmula "um país, dois sistemas", formulada por Deng Xiaoping no fim dos anos 1970 e aplicada em Hong Kong e Macau. Segundo o South China Morning Post, em 6 de outubro de 2026, as universidades Tsinghua e de Xiamen concluíram neste ano os primeiros estudos encomendados desde então, e o da Universidade de Pequim está perto de terminar. Os trabalhos não foram publicados e não representam a política oficial, mas servem de referência para o governo. Em vez de um modelo único, preveem cenários conforme o modo da reunificação: Chen Xiancai, diretor do Centro de Estudos de Taiwan da Universidade de Xiamen, disse que uma reunificação negociada poderia dar à ilha mais autonomia que a de Hong Kong e Macau, enquanto uma "reunificação compelida", obtida por pressão política, econômica, militar e diplomática, que pode incluir um bloqueio, resultaria em autonomia igual ou menor que a das duas regiões administrativas especiais. Chen considerou esse segundo cenário "altamente viável", embora Pequim nunca tenha reconhecido publicamente a ideia. Em 12 de setembro de 2026, mais de 20 acadêmicos do continente liderados por Wang Jianmin, da Universidade Normal de Minnan, aprovaram em seminário em Pequim um consenso de 12 pontos que inclui a presença do Exército de Libertação Popular na ilha e a introdução de educação patriótica.
Expulsão de Zhang Youxia e Liu Zhenli
Na mesma reunião do Politburo de 21 de setembro de 2026, presidida por Xi Jinping, o Partido Comunista da China aprovou a expulsão dos generais Zhang Youxia e Liu Zhenli do partido e das Forças Armadas. Segundo a agência estatal Xinhua, os dois "violaram gravemente a disciplina e as regras políticas, formaram camarilhas e facções e foram desleais e desonestos com o partido"; a agência não detalhou as condutas. Zhang Youxia era vice-presidente da Comissão Militar Central e o oficial fardado de maior patente do Exército de Libertação Popular, abaixo apenas de Xi, além de ter integrado o Politburo; era tido como o aliado militar mais próximo do líder chinês e está entre os poucos oficiais de alto escalão com experiência de combate. Liu Zhenli era membro da Comissão Militar Central e chefe do Departamento de Estado-Maior Conjunto. As investigações sobre os dois foram anunciadas em janeiro de 2026, e ambos haviam sido afastados das Forças Armadas no fim de agosto de 2026.
Vida Pessoal e Curiosidades
Xi Jinping é casado desde 1º de setembro de 1987 com Peng Liyuan, cantora popular e ex-oficial do Exército de Libertação Popular, que atua como primeira-dama desde 2012. Foi casado anteriormente com Ke Lingling, entre 1979 e 1982. O casal tem uma filha, Xi Mingze, nascida em 1992, que estudou psicologia em Harvard sob pseudônimo e formou-se em 2014, mantendo perfil público reservado. Durante a Revolução Cultural, com o pai Xi Zhongxun preso e afastado do partido, Xi foi enviado em 1969 ao vilarejo de Liangjiahe, na província de Shaanxi, onde trabalhou como agricultor até 1975 e chegou a morar em uma habitação escavada em caverna.
Contexto Geopolítico
Xi Jinping centraliza o poder no Partido Comunista Chinês, promovendo a "prosperidade comum" e a modernização ao estilo chinês. Sua influência global se manifesta por meio de iniciativas como a Faixa e Rota, posicionando a China como ator central em governança global, tecnologia e segurança, em um cenário de rivalidade com os Estados Unidos e parcerias estratégicas com a Rússia.
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