Tudo o que o Estado alemão — União, estados, municípios e seguridade social — deve, pelo critério do Tratado de Maastricht, em proporção ao PIB.
O dado mais recente é preliminar e ainda será revisado pela fonte.
Barras mais claras: dado preliminar, ainda sujeito a revisão da fonte.
Quanto o Estado alemão devia no fim de cada ano, pelo critério do Tratado de Maastricht, em proporção ao PIB. É o "Schuldenstand" ou "Schuldenquote" do noticiário alemão e o número do limite de 60% do Pacto de Estabilidade e Crescimento.
A reunificação partiu de 39,0% do PIB, em 1991. O salto seguinte veio em 1995, de 47,5% para 54,9%: a Erblastentilgungsfonds, o fundo que absorveu as dívidas da Treuhandanstalt (a agência que privatizou as estatais da antiga Alemanha Oriental) e parte da dívida habitacional do Leste, foi incorporada à dívida da União de uma vez. A razão cruzou os 60% do Tratado de Maastricht pela primeira vez em 1999 (60,3%) e, a partir de 2003, ficou acima do limite por dezesseis anos seguidos.
2010 foi o outro salto grande: € 314,5 bilhões em um único ano, de 72,4% para 81,0% do PIB — o pico da série até então. A causa foi contábil, não fiscal: o Eurostat determinou que os "bancos ruins" criados para liquidar ativos tóxicos da crise financeira — a FMS Wertmanagement, que herdou a carteira do Hypo Real Estate, e a Erste Abwicklungsanstalt, do WestLB — entrassem no perímetro do governo geral.
Depois disso, a dívida caiu por nove anos seguidos, até 58,7% em 2019 — a única vez desde 2002 que ficou abaixo de 60%, com o freio da dívida (Schuldenbremse) e o crescimento da economia reduzindo a razão. A pandemia interrompeu a queda com o maior salto da série inteira: +9,3 pontos em 2020, para 68,0%. A razão recuou de novo até 62,2% em 2024 e voltou a subir em 2025, para 63,5% — € 2,84 trilhões, um aumento de € 144 bilhões no ano, maior que o próprio déficit de Maastricht de 2025 porque parte do endividamento formou ativo financeiro, não gasto (comunicado da Bundesbank de 31/03/2026). No 1º trimestre de 2026, a Bundesbank media 64,4%.
O freio da dívida (Schuldenbremse). Desde a reforma constitucional de 2009 (artigos 109 e 115 da Lei Fundamental), a União só pode fechar o ano com déficit estrutural — o resultado descontado do ciclo econômico e das operações financeiras — de até 0,35% do PIB, regra em vigor desde 2016; os estados, com déficit estrutural zero desde 2020. A emenda de 22 de março de 2025 abriu duas exceções: o gasto com defesa acima de 1% do PIB deixou de contar para o limite, e a União foi autorizada a criar um fundo especial de até € 500 bilhões, com crédito próprio fora do freio, para infraestrutura e neutralidade climática — € 100 bilhões dele para os estados e € 100 bilhões para o fundo climático. Mais detalhe no resultado fiscal.
O que ele não mede. É a dívida bruta: não desconta ativos financeiros do Estado (caixa, participações, empréstimos concedidos), como a dívida líquida do Brasil desconta as reservas internacionais. E é a soma consolidada: dentro dela, a União sozinha responde por 44,8% do PIB, os estados por 14,7%, os municípios por 5,0% e a seguridade social por 0,1% (fim de 2025) — a soma das partes passa um pouco do total porque cada nível ainda carrega a dívida que deve a outro nível de governo, cancelada só na conta consolidada.
O que entra na conta. A dívida bruta consolidada do governo geral pelo critério de Maastricht (SEC 2010): a União (Bund, com seus fundos especiais), os 16 estados (Länder), os municípios e a seguridade social, com a dívida que um nível deve a outro cancelada uma vez só, no total. É o mesmo perímetro do resultado fiscal e o número que a Alemanha notifica à Comissão Europeia em março e setembro. No Brasil, o Banco Central soma o mesmo — governo geral, sem as estatais —; nos Estados Unidos, só o governo federal, e os títulos que o próprio Tesouro tem com seus fundos (Previdência) entram na conta bruta.
Como é calculada. A própria Bundesbank publica a razão (dívida ÷ PIB nominal do ano), com uma casa; a ingestão refaz a conta com o PIB do Bundesbank (BBNZ1) como conferência solta, e confere ao milésimo contra a notificação do Eurostat à Comissão Europeia. A série é anual, desde 1991, o primeiro ano das contas nacionais da Alemanha unificada; o estoque em euros está em dívida bruta (€), e a parte da União sozinha, à parte.
| Período | Dívida bruta | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 2025preliminar | 63,5% | +1,3 p.p. |
| 2024 | 62,2% | −0,1 p.p. |
| 2023 | 62,3% | −2,1 p.p. |
| 2022 | 64,4% | −3,5 p.p. |
| 2021 | 67,9% | −0,1 p.p. |
| 2020 | 68,0% | +9,3 p.p. |
| 2019 | 58,7% | −2,1 p.p. |
| 2018 | 60,8% | −3,2 p.p. |
| 2017 | 64,0% | −4,3 p.p. |
| 2016 | 68,3% | −2,9 p.p. |
| 2015 | 71,2% | −3,3 p.p. |
| 2014 | 74,5% | −3,0 p.p. |
| 2013 | 77,5% | −2,3 p.p. |
| 2012 | 79,8% | +1,3 p.p. |
| 2011 | 78,5% | −2,5 p.p. |
| 2010 | 81,0% | +8,6 p.p. |
| 2009 | 72,4% | +7,2 p.p. |
| 2008 | 65,2% | +1,5 p.p. |
| 2007 | 63,7% | −2,7 p.p. |
| 2006 | 66,4% | −0,7 p.p. |
| 2005 | 67,1% | +2,1 p.p. |
| 2004 | 65,0% | +1,7 p.p. |
| 2003 | 63,3% | +3,5 p.p. |
| 2002 | 59,8% | +1,7 p.p. |
| 2001 | 58,1% | −1,1 p.p. |
| 2000 | 59,2% | −1,1 p.p. |
| 1999 | 60,3% | +0,9 p.p. |
| 1998 | 59,4% | +0,6 p.p. |
| 1997 | 58,8% | +1,1 p.p. |
| 1996 | 57,7% | +2,8 p.p. |
| 1995 | 54,9% | +7,4 p.p. |
| 1994 | 47,5% | +2,4 p.p. |
| 1993 | 45,1% | +3,7 p.p. |
| 1992 | 41,4% | +2,4 p.p. |
| 1991 | 39,0% | — |