PF aponta que advogado amigo de Flávio recebia minutas do STJ e do MPF
No Brasil, a Polícia Federal suspeita que o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, recebia minutas sigilosas do STJ e do MPF antes da publicação, e o STJ abriu investigação.
Pontos principais
- Segundo a PF, o escritório de Tomaz recebia antecipadamente o resultado de julgamentos e, com base nisso, deixava de apresentar determinados recursos.
- Em um caso de setembro de 2026, sobre um terreno em Brasília que está em disputa de R$ 176,4 milhões, o escritório recebeu a minuta do acórdão do STJ em 16 de setembro, antes da assinatura, no dia 18.
- As construtoras Attos Empreendimentos Imobiliários e HC Incorporadora, clientes do escritório, desistiram de um recurso que já estava na pauta, antes da decisão do STJ.
- Segundo a PF, o escritório de Tomaz já sabia o resultado do julgamento quando decidiu desistir do recurso do senador Weverton Rocha (PDT-MA) contra a Editora Abril, na noite anterior à sessão da 4ª Turma, em setembro de 2025.
- A PF lista sete casos em que o ex-subprocurador Antônio Carlos Simões Soares, aposentado em março de 2026, teria antecipado e moldado pareceres do MPF aos interesses de Tomaz.
- Segundo a investigação da PF, Tomaz e Flávio Bolsonaro eram beneficiários de uma mesma conta bancária no Santander.
- Tomaz foi alvo de busca e apreensão da PF em agosto, por suspeita de lavar dinheiro desviado das aposentadorias para o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que também é investigado.
A Polícia Federal suspeita que o advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), recebia minutas de decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e de manifestações do Ministério Público Federal (MPF) antes da publicação. Segundo a PF, o acesso antecipado teria passado pelo procurador aposentado Antônio Carlos Simões Soares e por outros interlocutores, entre eles um funcionário de informática do próprio tribunal. O STJ informou que abriu investigação sobre o caso.
Tomaz nega, em nota, ter obtido acesso irregular a decisões ou pareceres sigilosos e ter interferido no conteúdo de manifestações do MPF. Segundo ele, as insinuações são infundadas e configuram desinformação.
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