União Europeia suspende importações de carne brasileira
O bloco europeu interrompeu a compra de carne e produtos de origem animal do Brasil devido a divergências sobre o uso de antibióticos e falhas na rastreabilidade.
Pontos principais
- A União Europeia suspendeu a importação de carne brasileira por preocupações com o uso de antimicrobianos na pecuária.
- O bloco exige garantias de conformidade com novas normas que proíbem substâncias promotoras de crescimento.
- Importadores europeus anteciparam compras nos últimos meses, elevando o volume mensal para mais de 30 mil toneladas.
- A restrição afeta a produção de itens tradicionais, como a Bresaola della Valtellina, que depende de carne sul-americana.
- Estimativas indicam que a medida pode elevar os custos de atacado na Itália entre 15% e 30%.
- O governo brasileiro classificou a decisão como protecionista e planeja redirecionar exportações para Ásia e Oriente Médio.
- Uma missão europeia está no Brasil avaliando os controles sanitários e a segregação de lotes de produção.
A União Europeia oficializou a suspensão das importações de carne e produtos de origem animal do Brasil, citando preocupações com o uso de antibióticos e falhas na rastreabilidade. A medida, que entrou em vigor nesta quinta-feira, 3, exige que o país comprove o cumprimento de novas normas sanitárias que proíbem o uso de substâncias promotoras de crescimento na produção animal. Em resposta, o governo brasileiro rejeitou as acusações, classificando a decisão como uma manobra protecionista que visa prejudicar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O Brasil afirmou que redirecionará seus lotes para mercados na Ásia e no Oriente Médio enquanto aguarda uma definição sobre a retomada das exportações.
Antecipando o cenário de restrição, importadores europeus elevaram o volume de compras de frango brasileiro ao longo do primeiro semestre de 2026, superando a média histórica de 20 mil toneladas mensais. O impacto da suspensão já é sentido na indústria europeia, especialmente na produção de embutidos como a Bresaola della Valtellina, que depende majoritariamente da carne sul-americana. Analistas alertam que a rigidez das novas regras europeias pode servir como benchmark regulatório, pressionando outros mercados compradores, como Japão e Coreia do Sul, a exigirem padrões similares de produção e controle sanitário.
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