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Canadá anuncia retaliação contra tarifas dos EUA após fim de negociações

Após o fracasso das conversas comerciais, o primeiro-ministro Mark Carney confirmou que o Canadá aplicará tarifas sobre aço e laticínios americanos a partir de 8 de setembro, em resposta à taxação de 50% imposta por Washington.

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Foto: G1 Mundo
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22/08 às 01:15, atualizado 13:15

Pontos principais

  • Tarifas de 50% dos EUA sobre US$ 20 bilhões em produtos canadenses entraram em vigor neste sábado.
  • O primeiro-ministro Mark Carney suspendeu oficialmente as negociações comerciais com Washington.
  • O Canadá retaliará com tarifas sobre aço e produtos lácteos americanos a partir de 8 de setembro.
  • Negociadores canadenses foram ordenados a retornar imediatamente para Ottawa.
  • O governo canadense prometeu uma resposta 'dólar por dólar' à decisão americana.
  • Carney classificou as exigências dos EUA como inaceitáveis em pronunciamento oficial.
  • Washington alega que o Canadá recuou de compromissos previamente acordados nas conversas.
  • Itens como cimento, álcool e equipamentos de hóquei estão entre os produtos taxados pelos EUA.
  • Exportações estratégicas como energia, potássio e minerais críticos foram excluídas da lista americana.
  • A taxação dos EUA afeta cerca de 5% do volume anual de exportações canadenses.
  • O Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que a medida visa proteger empregos internos.
  • O impasse comercial coloca sob pressão a estabilidade do acordo T-MEC entre as duas nações.

O governo dos Estados Unidos impôs, neste sábado, tarifas de 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos importados do Canadá. A decisão foi formalizada após o fracasso das negociações comerciais de última hora, que buscavam evitar uma escalada protecionista entre os dois vizinhos. O governo americano justificou a medida alegando que o Canadá teria retirado compromissos anteriormente estabelecidos, enquanto o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que a taxação é necessária para proteger empregos e estimular a produção industrial interna, baseando-se na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930.

Em resposta direta, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, suspendeu as negociações e ordenou o retorno imediato de sua equipe diplomática a Ottawa. Em pronunciamento à nação, Carney declarou que o país não pode aceitar os termos impostos por Washington e anunciou que o Canadá retaliará as tarifas na mesma proporção, adotando uma política de 'dólar por dólar'. As medidas de retaliação canadenses, que incidirão sobre aço e produtos lácteos americanos, entrarão em vigor no dia 8 de setembro, marcando uma escalada significativa na disputa.

Os produtos atingidos pelas tarifas americanas incluem uma gama variada de itens, como bebidas alcoólicas, cimento, laticínios e artigos esportivos, como tacos de hóquei. Contudo, setores considerados vitais para a economia, como energia, potássio e minerais críticos, foram poupados da taxação. A medida impacta aproximadamente 5% do volume anual de exportações canadenses para o mercado americano, evidenciando a profundidade da crise nas relações bilaterais e a complexidade das cadeias de suprimentos integradas que sustentam a economia de ambos os países.

Este impasse ocorre em um momento de alta tensão, com o volume de trocas comerciais entre os dois países atingindo cerca de US$ 880 bilhões anuais. A ruptura das conversas coloca sob pressão a estabilidade do acordo T-MEC e reflete uma política externa americana que tem buscado, sob a administração de Donald Trump, a transferência de cadeias produtivas para dentro do território dos EUA. A escalada comercial gera incerteza nos mercados e frustração na população canadense, que observa o desfecho das negociações com preocupação quanto aos custos econômicos de longo prazo.

O cenário atual marca um ponto de inflexão na diplomacia econômica da América do Norte. Enquanto o Canadá se prepara para implementar suas medidas de retaliação, analistas observam que a ausência de um consenso pode prolongar o período de instabilidade. A interrupção do diálogo diplomático sinaliza que a disputa comercial não será resolvida no curto prazo, mantendo o setor produtivo em alerta sobre os próximos desdobramentos da crise entre os dois parceiros comerciais.

Fontes primárias

The White House

Temporary Suspension of Additional Duties to Offset Canadian Discrimination Against the Commerce of the United States with Respect to Alcoholic Beverages, Dairy, and Motor Vehicles

Proclamação assinada em 18/08/2026 suspende por 3 dias as tarifas adicionais de 50% impostas às Proclamações 11046, 11047 e 11048 (bebidas alcoólicas, laticínios e veículos motorizados canadenses), adiando a data de vigência de 19 para 22 de agosto de 2026, citando que 'Canada has expressed a commitment to remove the discriminations or unreasonable and unequal impositions' e que 'the public interests favor suspending for a period of 3 days the additional duties' enquanto as negociações continuam. Com o fim da janela de suspensão sem acordo firmado, as tarifas de 50% sobre esses produtos canadenses voltam a valer a partir de 00h01 de 22/08/2026.

Prime Minister of Canada / Mark Carney

Statement by Prime Minister Carney on Canada-U.S. trade negotiations

Carney anuncia a suspensão das negociações comerciais com os EUA e ordena que os negociadores canadenses retornem a Ottawa, afirmando que mudanças de última hora nos termos propostos pelos EUA 'were unfair, uneconomic, and called into question the reliability of any deal' e que o progresso obtido 'has not been enough to meet our objectives for Canadians'. Em resposta à tarifa de 50% dos EUA sobre cerca de US$ 28 bilhões em bens canadenses, declara que 'Canada will match those tariffs dollar for dollar to protect our workers and businesses', destacando a estratégia canadense de diversificação comercial para reduzir a dependência do mercado americano.

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