Visão geral
As relações entre os Estados Unidos e o Canadá são historicamente complexas e multifacetadas, abrangendo diversas áreas como comércio, segurança e política externa. Desde 2025, o comércio virou o eixo do atrito: sob o governo Donald Trump, os EUA impuseram sucessivas rodadas de tarifas sobre produtos canadenses, e em agosto de 2026 a disputa deixou de ser uma ameaça para virar uma guerra comercial aberta. Em 21 de agosto de 2026, o Canadá abandonou a mesa de negociação em Washington; no dia seguinte, tarifas americanas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em bens canadenses entraram em vigor, e o primeiro-ministro Mark Carney anunciou retaliação "dólar por dólar" a partir de 8 de setembro. Perguntado se os dois países estavam em guerra comercial, Carney respondeu: "Você está em guerra quando é atacado — e nós fomos atacados." As contratarifas canadenses entraram em vigor em 8 de setembro de 2026, sem retomada das negociações.
Contexto histórico e desenvolvimento
As relações comerciais entre os Estados Unidos e o Canadá são de longa data, com ambos os países sendo parceiros econômicos cruciais. No entanto, a ascensão da China como potência econômica global e as políticas protecionistas de governos como o de Donald Trump nos EUA têm gerado atritos. Em janeiro de 2026, o Canadá negociou um acordo para reduzir tarifas sobre veículos elétricos chineses, em troca de menores impostos de importação sobre produtos agrícolas canadenses. Essa movimentação gerou uma forte reação do então presidente dos EUA, Donald Trump, que expressou preocupação com a possibilidade de o Canadá se tornar um ponto de entrada para produtos chineses nos EUA, o que, segundo ele, prejudicaria a economia americana. A ameaça de tarifas de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses marcou um ponto de tensão significativo nas relações bilaterais.
Ao longo de 2026, o conflito mudou de base jurídica. Em 20 de fevereiro, a Suprema Corte dos EUA decidiu contra as tarifas de emergência baseadas no International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), no caso Learning Resources, Inc. v. Trump. O governo respondeu com uma tarifa global temporária de 10% — aplicada sob a Seção 122 a partir de 24 de fevereiro —, da qual a maior parte dos bens canadenses em conformidade com o CUSMA/USMCA ficou isenta, embora continuassem expostos a medidas setoriais: 50% sobre aço e alumínio e tarifas da Seção 232 sobre produtos semiacabados de cobre, móveis estofados, armários de cozinha, madeira serrada e ônibus. Em 1º de julho de 2026, após reuniões com o representante comercial americano Jamieson Greer, o governo dos EUA anunciou que não prorrogaria o CUSMA.
A guerra comercial de agosto de 2026
Em 20 de julho de 2026, Trump assinou três proclamações amparadas na Seção 338 do Tariff Act de 1930, criando tarifas de 50% sobre veículos automotores, bebidas alcoólicas, laticínios e outros bens canadenses — sem a isenção prevista para produtos em conformidade com o CUSMA.
Durante a semana de 17 de agosto, os dois governos negociaram em Washington e um acordo parecia próximo. As conversas ruíram na sexta-feira, 21 de agosto, quando Carney retirou os negociadores canadenses da mesa. Sem acordo, as tarifas de 50% entraram em vigor à meia-noite de 22 de agosto, atingindo cerca de US$ 20 bilhões em mercadorias — o equivalente a 5,5% das exportações canadenses para os EUA. A lista de produtos afetados vai de tacos de hóquei a cimento, passando por vinho, compensado de madeira e abaixadores de língua.
Por que as negociações fracassaram
Os dois lados atribuíram o colapso a mudanças de última hora, e as versões divergem.
Carney afirmou que os termos apresentados pelos EUA no fim da negociação "eram injustos, antieconômicos e colocavam em dúvida a confiabilidade de qualquer acordo". Segundo ele, as exigências incluíam concessões no setor automobilístico e restrições que considerou inaceitáveis à liberdade do Canadá de fechar acordos comerciais com outros países. "Não podemos aceitar o que ofereceram e não vamos dar o que pediram", declarou. Sobre a confiabilidade do governo americano, disse: "Reconhecemos que, às vezes, sua assinatura é escrita a lápis."
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, apontou a direção contrária, citando "novas exigências e recuos de outros compromissos por parte do Canadá". O Conselho de Bebidas Destiladas dos EUA sugeriu, em comunicado de 21 de agosto, que a recusa das províncias canadenses em recolocar destilados americanos nas prateleiras contribuiu para o desfecho. A imprensa canadense também noticiou insatisfação do secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, com o acordo em discussão.
Em sua primeira manifestação pública após o colapso, Trump escreveu nas redes sociais que o Canadá quer "os benefícios de ser um Estado [americano], sem sê-lo", e afirmou que os agricultores americanos vinham pagando "quantias enormes em tarifas" havia anos.
A retaliação canadense de 8 de setembro
Carney anunciou em 22 de agosto que o Canadá aplicaria tarifas equivalentes às americanas, "dólar por dólar", a partir de 8 de setembro de 2026. A resposta, descrita por ele como "focada", incide sobre importações americanas de aço, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, papel e eletrônicos.
O pacote foi formalizado em 25 de agosto. As contramedidas alcançam cerca de 700 produtos americanos, num total de C$ 27,6 bilhões (cerca de US$ 19,94 bilhões), em três faixas: 50% sobre aço, alumínio, móveis e vestuário; 25% sobre queijos e outros laticínios, eletrodomésticos e parte dos pescados; e 15% sobre eletrônicos e ferramentas. Junto das tarifas, Ottawa anunciou um pacote de apoio de C$ 7,5 bilhões, com medidas para pequenas e médias empresas, uma linha de financiamento de capital de giro e assistência a trabalhadores expostos ao conflito. "Nossas contratarifas dólar por dólar, alíquota por alíquota, somadas a um pacote de apoio de bilhões de dólares, vão proteger trabalhadores, agricultores, famílias e empresas", declarou o ministro das Finanças, François-Philippe Champagne.
Carney classificou as novas tarifas americanas como um "erro de cálculo" concebido para "nos prejudicar e nos dividir", e disse ter tomado a medida "com a certeza de que é no interesse do Canadá", acusando os EUA de uma "jogada de poder". Falando em francês, afirmou que a escalada "não foi uma escolha nossa" e acrescentou: "O Canadá é forte, o Canadá está preparado, o Canadá está unido."
As províncias, até então menos expostas à disputa, fecharam fileiras. O primeiro-ministro da Colúmbia Britânica, David Eby, disse estar comprometido com o "projeto nacional em que estamos trabalhando"; o de Ontário, Doug Ford, afirmou: "Não começamos essa luta, mas posso garantir que vamos vencê-la."
Escalada de 24 de agosto: tarifas de 50% sobre automóveis
Dois dias depois de as tarifas entrarem em vigor, Trump ampliou o alcance da disputa para o setor automotivo. Em publicação nas redes sociais na segunda-feira, 24 de agosto de 2026, anunciou que as tarifas sobre todos os carros, caminhões — leves e pesados —, autopeças e aço canadenses subiriam para 50% a partir de 1º de janeiro de 2027. A alíquota vigente sobre carros e caminhões leves era de 25%, e as autopeças não eram tarifadas até então.
"Construa nos EUA e não há tarifa nenhuma. O Canadá não será mais tratado como um estado", escreveu Trump, acrescentando que, em comércio, os canadenses estão "entre as piores nações do mundo para se negociar".
Segundo relatos sobre o colapso das negociações da semana anterior, um dos pontos que travaram o acordo foi justamente se o alívio tarifário alcançaria caminhões médios e pesados.
Carney manteve a porta entreaberta, condicionando a volta à mesa a uma mudança de postura americana: "Quando os americanos chegarem à mesa de negociação com a atitude certa em relação à nossa indústria, é claro que nós viremos." Doug Ford foi mais duro, dizendo que Trump havia "declarado guerra, guerra econômica, contra seu amigo mais próximo".
A indústria reagiu apontando a integração das cadeias produtivas: Flavio Volpe, presidente da associação canadense de fabricantes de autopeças, afirmou que, sem determinadas peças canadenses, "a montagem de veículos em todos os Estados Unidos pararia". As ações das montadoras caíram na segunda-feira — Ford, Stellantis e General Motors entre as maiores quedas do dia.
A ameaça de Ontário: energia e minerais críticos
Em entrevista à Associated Press publicada em 24 de agosto de 2026, o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, disse estar disposto a cortar o fornecimento de eletricidade e de minerais críticos aos Estados Unidos caso a disputa se agrave. "Eu corto o fornecimento. Vocês não vão tirar um grão de areia de Ontário", afirmou, perguntando o que os americanos fariam "sem o níquel de alta pureza que mandamos para os EUA". Sobre a energia, disse: "Nós abastecemos 1,5 milhão de casas e empresas. Está tudo na mesa. Vou fazer o que for preciso." Ainda assim, ressalvou que "nunca acreditei em levantar da mesa de negociação".
Não é uma ameaça inédita: em março de 2025, Ford chegou a impor uma sobretaxa de 25% sobre a eletricidade exportada para Michigan, Minnesota e Nova York, e em outubro daquele ano disse ao Financial Post que o Canadá "tem o direito de garantir que quem compra nossos minerais críticos sejam amigos".
Escalada retórica: o "Lago América"
Em 25 de agosto de 2026, Trump publicou no Truth Social que "os Estados Unidos estão considerando seriamente mudar o nome do Lago Ontário para Lago América, já que não esperamos fazer muitos negócios com Ontário daqui para frente". O lago é o mais oriental dos Grandes Lagos e faz fronteira entre o estado de Nova York e a província de Ontário. A manobra ecoa a renomeação unilateral do Golfo do México para "Golfo da América" em território americano, feita por ordem executiva no ano anterior.
O governo canadense optou por não responder. Dominic LeBlanc, ministro responsável pelas relações comerciais com os EUA, disse em entrevista à CNBC: "Decidimos como governo federal, meses atrás, não responder às postagens diárias em redes sociais do presidente ou de seus secretários."
As contratarifas entram em vigor (8 de setembro de 2026)
As contratarifas canadenses entraram em vigor na terça-feira, 8 de setembro de 2026, sem sinal de retomada das negociações. Elas incidem sobre cerca de C$ 28 bilhões (US$ 20 bilhões) em produtos americanos, em três faixas — 50% sobre aço e alumínio e produtos desses setores; 25% sobre eletrodomésticos, laticínios, equipamentos agrícolas e determinados itens de aço e alumínio; e 15% sobre os demais itens da lista, com a alíquota calibrada pela tarifa americana correspondente. A lista final vai de aço a móveis e camisetas de algodão, e alcança ainda papel e celulose, plásticos e componentes eletrônicos.
Duas ressalvas limitam o alcance: a cobrança não atinge mercadorias que já estavam em trânsito para o Canadá quando as tarifas passaram a valer, e vale apenas para produtos de origem americana. As tarifas de retaliação que o Canadá já aplicava a automóveis e caminhões americanos fora das regras do CUSMA continuam em vigor, somadas às novas.
Ottawa recuou em um ponto antes da entrada em vigor: peixe fresco e lagosta constavam da lista original e foram retirados após pressão da própria indústria pesqueira canadense. As duas cadeias são interdependentes — lagosta pescada nos EUA costuma ser processada no Canadá antes de voltar ao mercado americano.
Os dois governos dizem querer um acordo, mas nenhum movimento foi feito desde o colapso das conversas no fim de agosto. Carney afirmou a jornalistas que o Canadá segue em busca de um acordo "durável" e no interesse dos dois países: "Estamos prontos para sentar e fechar esse acordo quando os americanos estiverem prontos." Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, devolveu a responsabilidade: "Oferecemos a eles o melhor acordo, eles olharam para ele de frente e deram as costas", disse à Fox News, acrescentando que houve pouca comunicação com os canadenses desde então. Em entrevista à CBC, Greer alertou contra a retaliação e sugeriu que os EUA poderiam responder proibindo a importação de alguns produtos canadenses.
Dentro do Canadá, a retaliação tem apoio majoritário nas pesquisas, mas economistas alertam que as contratarifas vão encarecer roupas, alimentos e móveis para o consumidor canadense. A Câmara de Comércio do Canadá pediu ao governo Carney uma abordagem cirúrgica: "As empresas entendem a retaliação, mas não querem ver uma escalada sem fim", disse a presidente e CEO da entidade, Candace Laing, acrescentando que as empresas "estão se preparando para que essa disputa dure".
Trump contra a Bombardier
Na segunda-feira, 7 de setembro de 2026, horas antes de as contratarifas canadenses entrarem em vigor, Trump abriu uma frente contra a fabricante de aeronaves Bombardier, sediada em Montreal. "NÃO HÁ MAIS VENDA DE BOMBARDIER NOS ESTADOS UNIDOS!", escreveu no Truth Social. "Se eles querem o nosso mercado, têm que construir aqui e parar de tratar os Estados Unidos como um 'cofrinho'." Em outra passagem, afirmou que mais de 50% da receita da empresa vem dos EUA, enquanto o Canadá bloqueia bancos e empresas americanas. A queixa tem um antecedente específico: Trump já havia ameaçado agir contra a Bombardier alegando que o Canadá barrava a certificação de jatos da americana Gulfstream.
Não ficou claro como o governo pretende executar a medida — Trump não especificou se seria uma proibição de venda ou uma nova tarifa de importação. A Bombardier e o governo canadense não comentaram de imediato.
A empresa é uma das maiores do Canadá: contribuiu com C$ 7,4 bilhões (US$ 5,4 bilhões) ao PIB do país em 2024, segundo relatório da PwC encomendado pela própria companhia, e é uma das maiores empregadoras da indústria de transformação do Quebec. A execução da ameaça esbarra na integração das cadeias: a Bombardier já opera uma fábrica no Kansas, onde emprega 3,5 mil trabalhadores americanos em aviões militares de missão especial; seus jatos são montados em instalações no Canadá, nos EUA e no México e cumprem as regras do CUSMA/USMCA; cerca de 5,1 mil aeronaves — perto de metade da frota em operação — pertencem a clientes baseados nos EUA. Segundo o CEO Éric Martel, a empresa tem mais de 2,8 mil fornecedores americanos em 47 estados; no jato Global 7500, mais da metade do custo está ligada à produção nos EUA, com asas feitas no Texas, aviônica em Iowa e motores em Indiana.
A premiê do Quebec, Christine Fréchette, chamou a Bombardier de "motivo de orgulho" e "carro-chefe da nossa economia", disse ter procurado Martel para oferecer apoio do governo provincial e respondeu à ameaça em publicação no X: "Não vou responder à provocação com provocação. O Quebec não vai permitir que ninguém dite onde nossas empresas devem produzir para ter acesso a um mercado."
Para o Brasil, a disputa tem um efeito colateral: a Embraer concorre com a Bombardier no segmento de jatos executivos de médio porte e super midsize — o Praetor 600 e o Legacy 500 contra o Challenger 3500 e equivalentes — e poderia captar clientes americanos caso a restrição se concretize. A canadense mantém vantagem nos jatos de longo alcance da família Global, e a Embraer domina o segmento de entrada com os Phenom 100 e 300.
Impacto econômico
O Canadá envia cerca de 70% de suas exportações para os EUA, o que torna a assimetria da disputa desfavorável a Ottawa. Do lado americano, o Canadá é o principal parceiro comercial de vários estados — Michigan, Kentucky, Indiana e Ohio estão entre os mais afetados.
Parte do custo já vinha se acumulando antes das tarifas de agosto, por via de boicotes de consumo. A queda nas viagens de canadenses aos EUA representou uma perda de cerca de US$ 2,35 bilhões em receita de turismo americano no ano anterior. A retirada de bebidas alcoólicas americanas das prateleiras pela maioria das províncias derrubou as exportações de vinho dos EUA para o Canadá em 78% na comparação anual, uma perda de US$ 357 milhões; a associação de destiladores americana relatou queda superior a 70% nas exportações de destilados. A proibição provincial virou um ponto recorrente de atrito com o governo Trump.
Os dados de atividade divulgados até a entrada em vigor das contratarifas mostravam uma economia canadense ainda resiliente, mas já cedendo: o PIB cresceu 3,3% no segundo trimestre e o país criou 181 mil vagas entre abril e julho, antes de perder cerca de 41 mil postos em agosto — mês que coincidiu com as novas tarifas americanas e o colapso das negociações. A indústria de transformação foi na contramão, com alta modesta que o governo atribui à preferência de consumidores e empresas por produtos feitos no Canadá. A relação comercial bilateral, a maior do mundo, movimentou cerca de US$ 900 bilhões em 2025. A diversificação prometida por Carney começou a aparecer nos números: em julho, a fatia das exportações canadenses destinada aos EUA caiu para 66%, ante uma média de 75% antes da guerra comercial.
Do lado canadense, a aposta de Carney é política além de econômica: eleito com a promessa de enfrentar a pressão americana, ele precisa sustentar apoio interno a um confronto que traz custo imediato. Pesquisa do Abacus Data indicou que cerca de 36% dos canadenses apoiariam a retaliação às tarifas americanas, enquanto levantamento da Leger apontou que 56% querem que o governo federal mantenha postura firme e não faça mais concessões.
Linha do tempo
- Janeiro de 2026: O Canadá negocia um acordo para reduzir tarifas sobre veículos elétricos chineses em troca de menores impostos de importação sobre produtos agrícolas canadenses.
- 24 de janeiro de 2026: O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça impor tarifas de 100% ao Canadá caso o país avance em um acordo comercial com a China, através de uma postagem em sua rede social Truth Social.
- 26 de janeiro de 2026: O Canadá anuncia planos de ampliar o comércio fora dos EUA, reforçar o comércio interprovincial e elevar o investimento doméstico em até um trilhão de dólares ao longo de cinco anos.
- 20 de fevereiro de 2026: A Suprema Corte dos EUA decide contra as tarifas de emergência baseadas no IEEPA, em Learning Resources, Inc. v. Trump. Trump responde com uma tarifa global temporária de 10%.
- 24 de fevereiro de 2026: Entra em vigor a tarifa de 10% sob a Seção 122, com a maioria dos bens canadenses em conformidade com o CUSMA isenta, mas ainda sujeitos a tarifas setoriais.
- 1º de julho de 2026: O governo americano anuncia que não prorrogará o CUSMA.
- 20 de julho de 2026: Trump assina três proclamações sob a Seção 338 do Tariff Act de 1930, criando tarifas de 50% sobre veículos, bebidas alcoólicas, laticínios e outros produtos canadenses, sem isenção do CUSMA.
- 21 de agosto de 2026: As negociações comerciais em Washington fracassam e Carney retira os negociadores canadenses da mesa.
- 22 de agosto de 2026: As tarifas americanas de 50% entram em vigor sobre cerca de US$ 20 bilhões em bens canadenses. Carney anuncia retaliação "dólar por dólar" e declara que o Canadá está em guerra comercial com os EUA.
- 24 de agosto de 2026: Trump anuncia que as tarifas sobre carros, caminhões, autopeças e aço canadenses subirão para 50% em 1º de janeiro de 2027, contra os 25% então vigentes sobre veículos.
- 24 de agosto de 2026: Doug Ford diz à Associated Press que Ontário está pronta a cortar o fornecimento de eletricidade e de minerais críticos aos EUA se a disputa piorar.
- 25 de agosto de 2026: O Canadá formaliza as contratarifas — cerca de 700 produtos, C$ 27,6 bilhões, alíquotas de 15%, 25% e 50% — e anuncia um pacote de apoio de C$ 7,5 bilhões. No mesmo dia, Trump afirma no Truth Social que avalia renomear o Lago Ontário para "Lago América".
- 7 de setembro de 2026: Trump anuncia no Truth Social que a Bombardier não poderá mais vender nos EUA a menos que passe a fabricar no país.
- 8 de setembro de 2026: As tarifas canadenses de retaliação entram em vigor sobre cerca de C$ 28 bilhões (US$ 20 bilhões) em produtos americanos, em alíquotas de 15%, 25% e 50%; peixe fresco e lagosta são retirados da lista após pressão da indústria pesqueira canadense.
Principais atores
- Estados Unidos da América (EUA): País que ameaçou impor tarifas ao Canadá.
- Canadá: País que negociou um acordo comercial com a China.
- China: País com o qual o Canadá negociou um acordo comercial.
- Donald Trump: Presidente dos EUA que fez a ameaça de tarifas.
- Mark Carney: Primeiro-ministro canadense, mencionado por Trump em sua declaração.
- Jamieson Greer: Representante comercial dos EUA, negociador americano que atribuiu o fracasso das conversas a recuos do Canadá.
- Howard Lutnick: Secretário de Comércio dos EUA, apontado pela imprensa canadense como insatisfeito com o acordo em discussão.
- Doug Ford: Primeiro-ministro de Ontário, província mais exposta ao comércio automotivo com os EUA.
- Flavio Volpe: Presidente da associação canadense de fabricantes de autopeças (APMA), que alertou para a paralisia da montagem de veículos nos EUA sem peças canadenses.
- David Eby: Primeiro-ministro da Colúmbia Britânica.
- François-Philippe Champagne: Ministro das Finanças do Canadá, que anunciou as contratarifas e o pacote de apoio de C$ 7,5 bilhões.
- Christine Fréchette: Premiê do Quebec, que reagiu à ameaça de Trump à Bombardier defendendo a empresa e recusando a "provocação".
- Éric Martel: CEO da Bombardier.
- Candace Laing: Presidente e CEO da Câmara de Comércio do Canadá, que pediu retaliação cirúrgica em vez de escalada.
- Dominic LeBlanc: Ministro canadense responsável pelas relações comerciais com os EUA.
Termos importantes
- Tarifa: Imposto cobrado sobre bens importados ou exportados. Neste contexto, refere-se a um imposto punitivo.
- Acordo comercial: Tratado entre dois ou mais países para regular o comércio, incluindo tarifas e outras barreiras comerciais.
- Porto de Desembarque: Termo usado por Trump para descrever o Canadá como um possível ponto de entrada para produtos chineses nos EUA, evitando as tarifas americanas diretas sobre a China.
- CUSMA/USMCA: Acordo de livre comércio entre Canadá, EUA e México, sucessor do Nafta. Conhecido como USMCA nos EUA e CUSMA no Canadá. Em 1º de julho de 2026, o governo americano anunciou que não o prorrogaria.
- Seção 338 do Tariff Act de 1930: Dispositivo legal americano usado por Trump em 20 de julho de 2026 para impor as tarifas de 50% sobre bens canadenses, após a Suprema Corte derrubar as tarifas baseadas no IEEPA.
- Seção 232: Base legal das tarifas setoriais americanas por motivo de segurança nacional, aplicada a aço, alumínio, cobre, móveis e madeira serrada.
- IEEPA: International Emergency Economic Powers Act, lei de poderes econômicos de emergência usada nas primeiras rodadas tarifárias e rejeitada pela Suprema Corte em fevereiro de 2026.
- Minerais críticos: Insumos minerais considerados estratégicos para indústria e defesa — como níquel de alta pureza e urânio. O Canadá é o principal fornecedor externo dos EUA em vários deles, o que os torna instrumento de barganha na disputa.
- Retaliação "dólar por dólar": Estratégia anunciada por Carney de aplicar tarifas de valor equivalente ao das tarifas americanas, em vez de espelhar produto a produto.
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