Crise no mercado de trabalho ameaça popularidade de Javier Milei
Apesar do controle da inflação e do déficit, a perda de empregos formais na Argentina se tornou a principal preocupação econômica e política do governo Milei.
Pontos principais
- O governo Milei eliminou o déficit orçamentário e reduziu a inflação e a pobreza no país.
- Desde o início da gestão, a Argentina perdeu 241 mil empregos formais no setor privado e 73 mil no público.
- O número de empresas empregadoras caiu para 482 mil, o menor patamar registrado desde 2007.
- A taxa de desemprego no setor formal atingiu 7,8%, enquanto o mercado informal já compõe 44% da força de trabalho.
- Pesquisas indicam que o desemprego superou a inflação como a maior preocupação dos eleitores argentinos.
- A aprovação do presidente Javier Milei está em 37%, próxima ao nível mais baixo de seu mandato.
- Apesar da crise laboral, dados de junho mostraram uma expansão da atividade econômica acima das expectativas.
O governo do presidente Javier Milei enfrenta um paradoxo econômico: enquanto celebra avanços significativos na estabilização macroeconômica, como a eliminação do déficit orçamentário e a redução da inflação e da pobreza, o mercado de trabalho argentino atravessa uma crise persistente. A perda de postos formais tornou-se a principal ameaça política à gestão, superando a inflação como a maior preocupação da população. Desde que assumiu o cargo, o país registrou a eliminação de mais de 300 mil empregos formais, elevando a informalidade para 44% da força de trabalho. Esse cenário de fragilidade laboral tem impactado diretamente a popularidade do presidente, que atualmente registra uma aprovação de 37%.
Além da pressão no mercado de trabalho, o governo enfrenta dificuldades em consolidar a confiança do setor financeiro. Embora tenha incentivado o retorno das economias aos bancos, Milei encontra resistência dos poupadores, que evitam manter depósitos por prazos mais longos devido à incerteza econômica. Esse comportamento limita a capacidade de expansão do crédito, um pilar essencial para sustentar a recuperação. Embora indicadores recentes, como a expansão econômica acima do esperado em junho, sinalizem um momento positivo, a sustentabilidade política do projeto de Milei dependerá da capacidade de reverter a contração no setor privado, que atingiu o menor número de empresas empregadoras desde 2007.
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