Preço do petróleo supera US$ 90 após fim de acordo entre EUA e Irã
O encerramento do memorando de entendimento entre Washington e Teerã paralisa o tráfego no Estreito de Ormuz e eleva o prêmio de risco da commodity.
Pontos principais
- O petróleo Brent fechou em alta de 2,65%, cotado a US$ 90,87 por barril.
- O memorando de entendimento de 60 dias entre EUA e Irã expirou nesta segunda-feira sem um acordo definitivo.
- O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz registra queda de quase 90% desde o início do conflito.
- Donald Trump ameaçou bombardear Omã caso o país interfira nos planos americanos para a região.
- O Irã anunciou uma mudança de postura, passando de uma estratégia defensiva para uma totalmente ofensiva.
- Autoridades iranianas exigem indenizações de guerra e soberania sobre a rota marítima.
- O governo dos EUA sinalizou a implementação de novas sanções econômicas severas contra o regime iraniano.
- Irã e Omã discutiram um plano preliminar para retomar o trânsito de navios, mas a medida depende de Washington.
- O secretário do Tesouro, Scott Bessent, reforçou a pressão sobre o acesso do Irã ao sistema financeiro global.
- Benjamin Netanyahu reuniu-se com Jared Kushner para discutir um roteiro de trégua em Gaza condicionado a demandas regionais.
Os preços do petróleo Brent superaram a marca de US$ 90 por barril nesta segunda-feira, reagindo à expiração do memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irã. O acordo, que vigorou por 60 dias, não foi renovado, resultando em um impasse diplomático que mantém o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz praticamente paralisado. A incerteza sobre a segurança da rota, por onde transita cerca de 20% do petróleo consumido globalmente, elevou o prêmio de risco da commodity no mercado internacional. O contrato WTI também acompanhou a tendência, registrando alta de 2,55%.
A tensão escalou após o presidente Donald Trump declarar que os Estados Unidos não pretendem prorrogar o entendimento provisório. Em declarações recentes, Trump exigiu a rendição iraniana e ameaçou bombardear Omã caso o país interfira nos planos americanos para o controle do Estreito. Em resposta, o governo iraniano classificou a postura de Washington como uma violação dos termos anteriores e anunciou uma mudança estratégica para uma política 'totalmente ofensiva', rejeitando a existência de um cessar-fogo efetivo.
Embora o Irã tenha sinalizado a possibilidade de um entendimento com Omã para estabelecer uma nova rota de trânsito, especialistas apontam que a reabertura efetiva do estreito depende de negociações paralelas com os Estados Unidos. O cenário é agravado pela estagnação das conversas diplomáticas, com Teerã exigindo o levantamento de sanções econômicas e indenizações financeiras, enquanto Washington busca consolidar uma coalizão regional para restringir o comércio de petróleo iraniano e bloquear o acesso do país ao sistema financeiro internacional.
O impacto econômico da crise é monitorado de perto por investidores, que já consideram a instabilidade no transporte marítimo como a nova normalidade. Enquanto o Paquistão atua como intermediário na tentativa de evitar o colapso total das comunicações, o governo americano prepara novas sanções severas. A situação permanece como um ponto crítico para a economia global, com o mercado de energia reagindo à possibilidade de um conflito prolongado e à redução drástica do fluxo de petroleiros na região estratégica.
Fontes primárias
Baghaei: prazo de 60 dias do memorando com os EUA "não é mais aplicável"
Na coletiva semanal em Teerã, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, disse que "o Irã não é uma parte que formula suas políticas sob pressão ou dentro de um prazo" e que "os Estados Unidos violaram o entendimento desde o início, e a questão de um prazo de 60 dias não é mais aplicável". Segundo ele, o Memorando de Entendimento de Islamabad (assinado em 17/06) previa negociações nucleares dentro de 60 dias, mas essas conversas nunca começaram porque Washington teria violado o acordo logo após a assinatura — tornando, na leitura iraniana, inexistente qualquer "cessar-fogo" a ser renovado.
Strait of Hormuz — Daily Vessel Transits (chokepoint6)
Apenas 1 navio comercial transitou pelo Estreito de Ormuz em 9 de agosto de 2026 — cerca de 1% da média histórica de ~73 travessias diárias em tempos de paz, segundo o conjunto de dados chokepoint6 do IMF PortWatch. O painel registra 315 navios parados sem atracar, custos de seguro contra risco de guerra 30x acima do normal, e classifica o estreito como "efetivamente fechado ao transporte comercial" há 169 dias consecutivos.
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