Dólar abre em queda com dados de inflação nos EUA e tensões no Oriente Médio
A moeda norte-americana recua no mercado brasileiro enquanto investidores digerem indicadores de inflação dos EUA e monitoram o impasse geopolítico no Estreito de Ormuz.
Pontos principais
- O dólar abriu em queda, cotado a R$ 5,1556, após registrar alta de 1,02% no pregão anterior.
- Dados de inflação ao consumidor (CPI) nos EUA vieram em linha com as expectativas do mercado.
- O impasse no Estreito de Ormuz mantém a oferta global de petróleo sob alerta e pressiona os preços da commodity.
- O presidente Donald Trump reivindicou o controle do Estreito, gerando novas tensões diplomáticas com o Irã.
- O Irã condicionou a reabertura da rota marítima à suspensão de sanções e à retirada de tropas americanas da região.
- O tráfego de navios no Estreito de Ormuz caiu para apenas oito embarcações, ante uma média histórica de 140.
- No cenário doméstico, a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE indicou estabilidade em junho, abaixo do esperado.
- Investidores mantêm cautela com o cenário fiscal brasileiro, o que tem limitado o desempenho do Ibovespa.
- A temporada de balanços corporativos nos EUA e o monitoramento de juros pelo Federal Reserve seguem como focos principais.
O mercado financeiro brasileiro iniciou o dia com o dólar em trajetória de queda, reagindo à divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos que vieram alinhados às projeções de analistas. O indicador reforçou a expectativa de que o Federal Reserve mantenha as taxas de juros inalteradas em setembro, proporcionando um alívio momentâneo na pressão sobre a moeda americana frente ao real, que vinha de um fechamento em patamares elevados na véspera. Apesar do movimento de abertura, a volatilidade permanece alta devido à combinação de fatores externos e domésticos.
No cenário geopolítico, a tensão no Estreito de Ormuz continua sendo um fator crítico de instabilidade. O impasse entre os Estados Unidos e o Irã escalou após o presidente Donald Trump reivindicar o controle da rota, levando Teerã a impor exigências rígidas para a normalização do tráfego marítimo, incluindo a retirada de tropas americanas. A interrupção do fluxo de embarcações na região, essencial para o escoamento de petróleo, mantém os preços da commodity sob pressão, apesar de revisões para baixo na demanda global projetadas pela Opep para 2026.
Internamente, o ambiente de cautela persiste. A Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, que mostrou estabilidade em junho, veio abaixo das expectativas do mercado, reforçando preocupações com a desaceleração da atividade econômica. Somado a isso, o cenário fiscal brasileiro continua sendo um ponto de atenção para investidores estrangeiros, que mantêm uma postura de retirada de capital da B3. A combinação desses fatores cria um ambiente de incerteza, onde o mercado local busca equilibrar a influência dos indicadores macroeconômicos globais com as fragilidades estruturais da economia doméstica.
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