A taxa que o Banco Central da Venezuela cobra dos bancos nas suas próprias operações de crédito — o instrumento mais próximo de uma taxa de política que o BCV publica.
A taxa que o Banco Central da Venezuela (BCV) cobra dos bancos comerciais quando eles tomam dinheiro emprestado dele — nas operações de desconto, redesconto e antecipação, o crédito de última instância que o banco central oferece ao sistema financeiro. Não existe, na Venezuela, um equivalente direto da meta Selic ou da taxa de política do Fed: esta é a série mais próxima disso que o BCV publica com regularidade, fixada por resolução e publicada em Gaceta Oficial.
Cada linha é uma mudança, não um mês. Como a meta Selic e a taxa de política do BCRA argentino, guardamos o primeiro dia de vigência de cada patamar novo — 36 mudanças entre janeiro de 1998 e setembro de 2026.
Dez anos parada, no meio da hiperinflação. De junho de 2009 a fevereiro de 2019 a taxa (setor "otros sectores", fora o agrícola subsidiado) ficou travada em 29,5% ao ano, exatamente enquanto a inflação anual passava de milhares e depois de milhões por cento. Em fevereiro de 2019 o BCV tentou um aperto abrupto — subiu a taxa para 41% —, mas reverteu poucos meses depois, cortando para 10% em outubro daquele ano. Dali, subiu para 12% em fevereiro de 2021 e para 19,2% em fevereiro de 2022 — onde ficou por mais de quatro anos, até o novo salto para 48% em 15 de setembro de 2026.
A partir de 2019-2020, o instrumento de fato não era mais a taxa. Com a hiperinflação em curso e a taxa de desconto/redesconto congelada havia anos, o BCV passou a controlar o crédito principalmente pelo encaje legal — a fração dos depósitos que os bancos são obrigados a manter parada no banco central. Em setembro de 2018 o BCV chegou a exigir 100% de encaixe sobre o excedente das reservas bancárias, na tentativa de conter a fuga do bolívar. Uma taxa de juros parada não significa política monetária parada: significa que a política estava sendo feita por outro instrumento.
A tarifa "sector agrícola" é um desconto sobre a geral (85% dela, até 31 de janeiro de 2021, quando deixou de ser publicada) e não entra aqui — a série é a taxa "otros sectores", a que vale para o crédito bancário em geral.
O que essa taxa rendeu descontada a inflação não está calculado aqui: o juro real desta família usa a taxa ativa, que variou por mercado o período inteiro — ao contrário desta, administrativa e às vezes parada por anos.
| Período | Taxa de desconto do BCV | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 15/09/2026 | 48,000% | +28,800 p.p. |
| 08/02/2022 | 19,200% | +7,200 p.p. |
| 01/02/2021 | 12,000% | +2,000 p.p. |
| 28/10/2019 | 10,000% | −31,000 p.p. |
| 01/02/2019 | 41,000% | +11,500 p.p. |
| 05/06/2009 | 29,500% | −2,000 p.p. |
| 01/04/2009 | 31,500% | −2,000 p.p. |
| 01/05/2008 | 33,500% | +1,000 p.p. |
| 01/03/2008 | 32,500% | +4,000 p.p. |
| 31/07/2003 | 28,500% | −2,000 p.p. |
| 01/07/2003 | 30,500% | −1,500 p.p. |
| 29/05/2003 | 32,000% | −4,000 p.p. |
| 10/04/2003 | 36,000% | −3,000 p.p. |
| 11/02/2003 | 39,000% | −3,000 p.p. |
| 10/01/2003 | 42,000% | +2,000 p.p. |
| 01/10/2002 | 40,000% | +1,500 p.p. |
| 25/09/2002 | 38,500% | +1,500 p.p. |
| 01/05/2002 | 37,000% | −3,000 p.p. |
| 26/04/2002 | 40,000% | −2,000 p.p. |
| 18/04/2002 | 42,000% | −2,000 p.p. |
| 11/04/2002 | 44,000% | −4,000 p.p. |
| 21/03/2002 | 48,000% | −2,000 p.p. |
| 07/02/2002 | 50,000% | +10,000 p.p. |
| 31/01/2002 | 40,000% | +1,500 p.p. |
| 15/01/2002 | 38,500% | +1,500 p.p. |
| 21/12/2001 | 37,000% | +2,000 p.p. |
| 13/12/2001 | 35,000% | +1,000 p.p. |
| 18/10/2001 | 34,000% | −1,000 p.p. |
| 11/10/2001 | 35,000% | −1,000 p.p. |
| 04/10/2001 | 36,000% | −1,000 p.p. |
| 09/09/2001 | 37,000% | +5,000 p.p. |
| 16/04/2001 | 32,000% | −6,000 p.p. |
| 30/07/1999 | 38,000% | −17,000 p.p. |
| 15/04/1999 | 55,000% | −5,000 p.p. |
| 23/01/1998 | 60,000% | +15,000 p.p. |
| 01/01/1998 | 45,000% | — |