A taxa que o PBoC de fato decide: a das operações de recompra reversa de 7 dias, a âncora de toda a curva de juros chinesa desde julho de 2024.
A taxa das operações compromissadas reversas (recompra reversa) de 7 dias que o PBoC (o banco central chinês) conduz quase todo dia útil para injetar ou drenar liquidez do sistema bancário. É a taxa que o PBoC de fato decide — o que mais se aproxima de uma "taxa básica" no sentido em que a meta Selic e a meta do Fed são taxas básicas.
Virou a âncora em 22 de julho de 2024. Até então, o PBoC sinalizava a política monetária principalmente pela taxa do MLF (Medium-term Lending Facility, o empréstimo de 1 ano a bancos, mensal), e a recompra de 7 dias resultava de um leilão de taxa, não de um número fixado. Em 22/07/2024 o PBoC anunciou dois movimentos no mesmo comunicado: passou a recompra de 7 dias para leilão de taxa fixa e quantidade variável (o valor sai anunciado, os bancos disputam volume) e cortou a taxa de 1,80% para 1,70%, promovendo-a a taxa de política. A LPR passou a seguir esta taxa, não mais o MLF.
Quem fixa e como. A LPR não é um número que o PBoC (o banco central chinês) anuncia direto: todo dia 20 (ou o próximo dia útil), 20 bancos cotam publicamente o spread que cobram sobre a taxa de política — hoje a da recompra reversa de 7 dias. A CFETS (China Foreign Exchange Trade System, a bolsa de câmbio e mercado monetário autorizada pelo PBoC a operar o mecanismo) descarta a maior e a menor cotação, tira a média das 18 restantes e publica em chinamoney.com.cn. É parecido com o CDI seguindo a Selic — a diferença é que aqui a taxa de política, o que a LPR segue, trocou de instrumento em 2024.
Por que 7 dias. É prazo curto o bastante para o PBoC ajustar toda semana sem se comprometer com um nível por meses, e longo o bastante para não se confundir com a liquidez overnight — o equivalente a por que o Fed mexe no juro de um dia e não num prazo mais longo.
A série começa em 22/07/2024, quando a taxa passou a ser um número fixado e anunciado, não o resultado de um leilão. Antes disso, o "spread" pago pela liquidez de curtíssimo prazo variava dia a dia dentro de um corredor, sem um comunicado único que o PBoC divulgasse como decisão — o material equivalente ao "COPOM decidiu" não existe para aquele período.
Trajetória. Três cortes desde que virou âncora: 1,80% → 1,70% (22/07/2024), → 1,50% (27/09/2024, o maior corte em quase quatro anos, parte do pacote de estímulo mais agressivo desde a pandemia) e → 1,40% (08/05/2025), onde segue.
| Período | Recompra 7 dias | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 08/05/2025 | 1,40% | −0,10 p.p. |
| 27/09/2024 | 1,50% | −0,20 p.p. |
| 22/07/2024 | 1,70% | — |